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Às vezes,
pretende-se justificar o aborto como a única saída para situações angustiantes
que uma gravidez não desejada pode trazer. Há inclusive alguns países que
admitem a angústia da mulher como indicação para abortar. No entanto, a pior
angústia vem depois do aborto. Esta é a conclusão a que chegou a Dra. Mary
Simon, psicóloga da Clínica Ginecológica Universitária de Würzburg (Alemanha),
em uma pesquisa publicada na conceituada revista DEUTSCHE TAGEPOST (4-VII-92). É
interessante constatar que os transtornos psicológicos causados pelo aborto são
poucas vezes mencionados na literatura médica especializada. Daí a razão deste
artigo que, sem se ater a considerações morais ou éticas e sem chutometrias,
visa a mostrar a realidade crua dos fatos. Os dados que são apresentados a
seguir, foram todos obtidos de países onde o aborto é legal há mais de trinta
anos e realizado nas melhores condições de higiene e assepsia, como é o caso da
Inglaterra, da Checoslováquia, do Japão, da Alemanha e dos Estados Unidos.
Além da referência supra citada, remetemos o leitor aos artigos relacionados na
bibliografia.
TRANSTORNOS
PSÍQUICOS
Basicamente,
três tipos de fenômenos psíquicos ocorrem nas mulheres que fazer aborto:
1) Sentimentos de remorso e culpa (60% das mulheres);
2) Oscilações de ânimo e depressões (30 a 40%);
3) Choro imotivado, medos e pesadelos (35%).
Quanto ao sentimento de culpa, já tentaram atribuí-lo a crenças religiosas.
Certamente, há sentimentos de culpabilidade originados por convicções
religiosas, mas a maior parte destes sentimentos posteriores ao aborto têm muito
pouco que ver com a crença religiosa. O aborto viola algo de muito profundo na
natureza da mulher. Ela é naturalmente a origem da vida e é normal que a mulher
grávida esteja consciente de que cresce uma criança dentro dela. A mulher que
aborta voluntariamente, sabe que matou o seu filho. Não é, pois, de admirar o
aparecimento de sentimentos de culpa, de autocensura e de estados depressivos.
Um psiquiatra sensato disse uma vez que é mais fácil tirar a criança do útero da
mãe, do que fazê-la desaparecer do seu pensamento. Inclusive em países de
cultura não cristã, como o Japão (onde o aborto livre é legal há 42 anos), há
estudos de grande amplitude, mostrando que 73% das mulheres que praticaram o
aborto se sentiam "angustiadas" com o que tinham feito. Porém, voltando ao
trabalho da Dra. M. Simon, o que mais chama a atenção, não são as seqüelas
psíquicas que ocorrem pós-aborto, mas sim os mecanismos que as mulheres
desenvolvem para se libertarem dos seus complexos de culpa. Novamente três tipos
de mecanismos ocorrem: repressão, projeção e confrontação. Vejamos cada um deles
em particular.
REPRESSÃO
A Dra. Simon
explica que 61% das mulheres que entrevistou, evitam pensar no aborto e reprimem
estes pensamentos, desenvolvendo então sintomas de origem psíquica
(psicossomáticos): dores de cabeça, vertigens, tonturas e cólicas abdominais.
Este fenômeno também é muito conhecido na medicina como somatização. É um dado
significativo: em 70% das mulheres surgem pensamentos de como seriam as coisas
se a criança abortada vivesse agora, e 52% delas se incomodam ao verem mulheres
grávidas, porque lhes recordam seus próprios filhos abortados.
PROJEÇÃO
Aqui as
mulheres projetam para outros a responsabilidade do próprio aborto. Em geral,
são mulheres instáveis psiquicamente, mas, sobretudo, dependentes economicamente
do pai da criança. Cedem à pressão do marido, do parceiro ou mesmo do ambiente,
e abortam.
Posteriormente, quando culpam o marido pelo aborto, aparecem verdadeiras
neuroses sexuais: sentimentos de ódio, frigidez e depressões caracterizam a
convivência matrimonial-sexual de inúmeros casais que fizeram o aborto.
Estatísticas recentes comprovam que, só nos Estados Unidos, 50% dos casais que
fizeram aborto se separaram após o mesmo.
Muitas mulheres também acusam os médicos de não as ter informado o suficiente
sobre as possíveis conseqüências psíquicas do aborto. Se soubessem, antes de
abortar, dos riscos para sua saúde física e psíquica, não o teriam feito. No
total, 45% das mulheres voltariam atrás se pudessem, pois consideraram sua
anterior decisão de abortar prejudicial e equivocada.
Era freqüente, no questionário formulado pela Dra. Simon, ler respostas do tipo:
"atribuo aos que me rodeavam uma grande parte de culpa na minha decisão de
abortar" ou "o pai da criança não a queria"; uma das pacientes declarou entre
lágrimas: "os médicos decidiram sem contar comigo; assustaram-me, dizendo que a
criança poderia nascer malformada. Se eu tivesse outra vez na mesma situação,
levaria adiante a gravidez, mesmo que meu filho fosse um débil mental. É carne
da minha carne e sangue do meu sangue: eu o amaria".
CONFRONTAÇÃO
O terceiro e
menor grupo de mulheres entrevistadas tenta recuperar seu equilíbrio psíquico,
enfrentando conscientemente o fato do aborto, e conversam francamente com
pessoas de sua confiança (abrem-se com uma amiga, a mãe, um psicólogo ou um
médico), porém nunca com o médico que realizou o aborto. Em geral, tentam,
primeiro, reconhecer sua culpa; não a reprimem nem a projetam sobre outros, e
tampouco procuram justificar-se. Depois, arrependem-se do que fizeram sentindo
dor e tristeza pelo filho morto.
CONCLUSÕES
Os fatos
comprovam que o aborto não é uma solução para dificuldades psicossociais. Pelo
contrário, após o aborto persiste a crise e se acrescenta o risco de novas e
mais graves conseqüências psíquicas. Uma mulher que, em geral, reage
emocionalmente de forma instável quando submetida a situações estressantes,
responderá à tensão psicológica do aborto com anomalias psíquicas ainda mais
fortes. Por isso, as adolescentes são mais propensas a desenvolverem seqüelas
psicológicas após um aborto. A envergadura da ruína psíquica que sobrevém após o
aborto, é muito maior do que se pensava antes. Portanto, pergunta-se: aqueles
que defendem ou indicam o aborto, têm consciência do que realmente estão
causando à mulher? Em todo o mundo, como conseqüência do grande número de
abortos que se praticam, está aparecendo um exército de mulheres com graves
neuroses pós-aborto.
Os países desenvolvidos começam a repensar suas leis abortistas. Para citar um
exemplo, transcrevo a seguir parte de um manifesto assinado por 35
personalidades americanas (o governador da Pensilvânia, Robert Casey; o médico
da Universidade de Chicago, Prof. Leon R. Kass e inúmeros políticos e líderes
religiosos das mais distintas confissões), publicado na revista FIRST THINGS
(New York, november/ 92):
"...Após vinte anos de aborto sem restrições na sociedade americana, constata-se
que a mortalidade infantil continua sendo uma das mais altas dos países
industrializados; continua a haver cada vez mais casos de maus tratos às
crianças (e mais graves); continuam os abortos clandestinos... O aborto livre
não satisfez a nenhuma verdadeira necessidade das mulheres, nem lhes devolveu a
dignidade. De fato, produziu exatamente o contrário: estimulou a
irresponsabilidade dos homens e dos jovens, que encontram no aborto uma escusa
fácil para fugir de suas obrigações; aumentou enormemente a exploração das
mulheres pela indústria do aborto... A licença para abortar não proporcionou
liberdade nem segurança às mulheres..."
Como médico, sinto-me no dever de alertas as mulheres que pensam em abortar
(principalmente às adolescentes) e também a todos os colegas que atendem a estas
pacientes, lembrando umas palavras da Dra. M. Simon: "O aborto não somente
aniquila uma vida humana ainda não nascida, mas também arruina a psiqué da
mulher."
Referências bibliográficas
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Arthur Wynn. Some consequences of induced Abortion to Children Born
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1975.
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Dissertation. Ann Arbor, Michigan, University Microfims International. 1983.
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