O PURGATÓRIO É VERDADE DE FÉ E NÃO FOLCLORE POPULAR?
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A presença do purgatório na Bíblia é muito discreta, ao ponto que Lutero negou sua existência e, conseqüentemente, foi condenado, em 1.520, pela Bula papal Exurge Domine de Leão X, junto com a tese por ele defendida e assim formulada: “O purgatório não pode ser comprovado pela sagrada Escritura canônica”. |
O
que diz o catecismo
Também
em nossos dias há pessoas que afirmam que um lugar
e um tempo de purificação após a morte não teria nenhum fundamento bíblico.
É lógico e notório que, ao falarmos da situação dos defuntos, as nossas
categorias de tempo e espaço resultam inadequadas, porque a eternidade não
pode ser descrita com parâmetros humanos. A este respeito o magistério da
Igreja é bastante parco. Afirma a existência do Purgatório , como dado de fé,
e recomenda os tradicionais sufrágios, mas se abstém das descrições folclóricas
que tanto tomaram conta
da imaginação popular. O Catecismo
da Igreja católica, que sintetiza o pensamento do magistério a respeito do
purgatório, assim como foi definido nos Concílios de Lion (1274), de Florença
(1439) e de Trento (1547 e 1563), se expressa desta forma ”Os
que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente
purificados, embora tenham garantida a sua salvação eterna, passam, após sua
morte, por uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para
entrarem na glória do céu. A Igreja denomina Purgatório
esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo
dos condenados” (ns.º 1030 - 1031).
A
doutrina do Purgatório está fundamentada na Bíblia? Habitualmente aponta-se
as raízes desta doutrina no 2 livro de Macabeus 12, 32 – 46, onde se narra
que Judas Macabeus, após uma batalha, fez orar e oferecer um sacrifício no
templo, em reparação da apostasia dos soldados mortos, em cujos corpos foram
encontrados talismãs pagãos, sinal que eles tinham renegado a fé em Deus.
Este é o único texto bíblico citado pelo Catecismo.
Uma passagem do Novo Testamento parece fazer alusão a uma possibilidade de perdão
no mundo futuro, quando Jesus fala do pecado grave contra o Espírito que “não
será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro” (Mt. 12, 32).
Para
entender melhor:
sufrágio:
ato de piedade ou oração pelos mortos.
concílio:
assembléia de
bispos e cardeais católicos, em que se tratam assuntos dogmáticos ou
disciplinares.
apostasia:
deserção da fé;
mudança de crença;
abjuração.
escatologia:
doutrina das coisas que deverão acontecer no fim do mundo
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Texto originário de: Franco Ardusso (teólogo) |