O MAL É CONSEQÜÊNCIA DO PECADO ORIGINAL?
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Precisamos entender bem a questão do pecado original, para não torná-lo um bode expiatório de todos os males que afligem o mundo. Lendo a narração bíblica do paraíso terrestre (Gênesis cap. 2), somos levados a interpretar seu linguajar simbólico como uma reportagem histórica sobre às origens da humanidade, quase imaginando o paraíso com um “país encantado“. Esta alerta é feita pelo próprio Catecismo católico para adultos, publicado pelos bispos da Alemanha, quando somos tentados, a pintar com imagens fantasiosas, a narração do primeiro livro da Bíblia. |
A
sabedoria de Jó
O livro de Jó não cansa de lembrar que o ser humano é demasiadamente pequeno
diante da majestade de Deus: “ele
vê somente a borda de suas obras e ouve somente um leve murmúrio de sua potência
e não enxerga a totalidade da criação”. O Catecismo
dos bispos italianos assim comenta o capítulo 28 do livro de Jó: “Deus é
demasiadamente grande e não nos surpreende que seja também misterioso. Toda
tentativa de justificar seus atos ou condená-lo são inúteis”. Continuando
em nossa reflexão, é necessário lembrar que Deus criou o mundo “finito” e
em evolução. O Catecismo
diz a este respeito: “Muitos males são originados com certeza dos limites
naturais, da inserção no mundo. Participando de um processo global, o ser
humano nasce, se transforma e morre como todos os demais seres da natureza. Pode
receber a vida somente em fragmentos… O Senhor cria um mundo que poderá vir a
ser, dentro do qual as criaturas podem agir activamente e com liberdade e tender
para a perfeição. Isso implica que inúmeros seres são continuamente destruídos,
para que outros possam viver, e que os anjos e os homens podem pecar” (págs.
190-191)
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Texto originário de Franco Ardusso (teólogo) |