A
TRISTE EXPERIÊNCIA
DO PECADO
E
A
ALEGRIA
DO
PERDÃO
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As pessoas mais idosas lembram as intermináveis filas de antigamente, diante dos confessionários, sobretudo, nos períodos da Quaresma e do Advento para se preparar à Páscoa e ao santo Natal. Para todos os sacerdotes, atender às confissões, sempre foi um compromisso pastoral muito sério, que exigia tempo e paciência. |
FUGA
OU RE-DESCOBERTA DA CONFISSÃO?
Hoje em dia parece que ninguém mais deseja
confessar-se. É muito comum encontrar, em nossas comunidades, cristãos
praticantes que comungam freqüentemente, sem se aproximar,
periodicamente, do sacramento da reconciliação.
Suspeita-se que à base deste “abandono” da
confissão haja a cumplicidade dos próprios padres, que pouco fazem, em
suas homilias, para incentivar o povo cristão à esta prática e não
sabem encontrar tempo para atender adequadamente os penitentes.Alguém
levanta também a hipótese de que a diminuição do número das confissões,
corresponde ao aumento da “qualidade” da confissão: passou-se de uma
confissão feita de “elenco“ frio de pecados, a um colóquio sereno e
libertador, que origina sempre uma verdadeira mudança de vida.
Mas porque muitos cristão
perderam o costume da confissão?
Será que pecamos menos que antigamente?
Uma
das respostas que podemos dar é que efetivamente cresceu a consciência
de que trata-se do sacramento da conversão, isto é, de uma Graça divina
alcançada “com notável esforço”, “a caro preço”. Por isso,
muitos católicos acham que não precisam mais deste sacramento: nós
dificilmente chegamos a ser pecadores no sentido grave da palavra. Outros
estão bem conscientes da necessidade de alcançar esta “conversão”
e, por isso, estão com medo desta Graça “com notável esforço” e
fogem da confissão, porque acusar seus pecados exige, neste caso, mudança
radical de vida e comportamento.
O sacramento da reconciliação é sempre um
momento dramático na vida cristã, porque está intimamente ligada à
experiência do pecado. Ao mesmo tempo, porém, é um momento de
verdadeira jóia, porque experimenta-se o dom do perdão.
A
CORAGEM DE MUDAR
A
confissão é o sacramento daquela conversão contínua que todo cristão
necessita alcançar. A conversão é o verdadeiro grande caminho da fé:
quando tomamos consciência que certas atitudes e comportamentos são
incompatíveis com nossa adesão a Jesus Cristo, é urgente voltar a viver
a amizade com Deus. Saber mudar os hábitos errados, é sinônimo de muita
coragem, maturidade cristã e força de caráter. Ora, esta decisão não
é obra do ser humano, mas da Graça de Deus que opera maravilhas na vida
da criatura. Por isso o Senhor nos ofereceu, tornando-a visível no gesto
sacramental, a sua Graça que perdoa e converte.
Quem já fez a experiência dramática do pecado, sabe que no decorrer da
vida têm momentos que uma santa confissão devolve o gosto de viver e
salva nossa prática de vida cristã. Procurar uma igreja (aberta!),
encontrar um padre que nos escuta, acusar nosso pecado, suplicar o perdão
de Deus, ouvir um bom conselho e voltar a enfrentar a vida com entusiasmo
e serenidade: esta é uma receita eficaz para sanar tantos males, num
mundo que anda tão doente!
A
NECESSIDADE DA GRAÇA
Existe
também uma necessidade de conversão menos dramática: trata-se dos
momentos da nossa existência, quando a vida tem um decurso normal, sem
muitos pecados graves, mas, mesmo assim, marcada por aquelas atitudes que
entristecem nosso coração, como a preguiça, o egoísmo que paralisa
nossa capacidade de amar, a impaciência que impede vivenciar relações
humanas mais “educadas” e serenas; por fim todos aqueles pecados que
demonstram pouco domínio de si mesmo e escassa capacidade de conviver com
os demais.
Em todas essas situações corriqueiras é necessário ouvir o mandamento
de Jesus de vigiar e fazer do sacramento da reconciliação um instrumento
de revisão constante, para não ficar longe da Graça de Deus e de uma
vida mais autêntica e saudável.
É comum escolher um padre confessor, que seja de nossa confiança, para
nos dirigir, com continuidade, no caminho do bem e nos ajudar
concretamente em toda situação difícil. Mas isso não deve nos fazer
esquecer que a obra maior é realizada por Deus Pai, verdadeiro autor da
nossa conversão e dispensador de todas as Graças. O padre confessor não
é um psicólogo e nem sempre o “experto” das várias problemáticas
da vida. Pela própria fé cristã, confessar os pecados a um padre e
receber o perdão é um ato
sacramental, como a Eucaristia, isto é, um daqueles atos
da Igreja no qual, acreditamos, estar presente e operante a ação do próprio
Cristo. Por isso nossa Igreja nos pede uma fé simples e uma prática
perseverante!
É
necessário, portanto, re-descobrir o valor e a importância de uma
“confissão bem feita”, buscar periodicamente este encontro com a
Misericórdia divina e procurar caminhar na presença de Deus. A mãe
Igreja, nos convida, hoje, a usufruir dos benefícios da confissão, não
como forma legalista de apaziguar nossa consciência, mas como desejo
sincero de re-encontrar o caminho da fraternidade e da justiça. Para isso
precisamos continuamente nos converter, porque sem a Graça de Deus não há
verdadeira conversão.
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Texto originário de Severino Dianich (teólogo) |