DEZ MANDAMENTOS PARA UM
"CHEFE" DESTRUIR
A EMPRESA SEM FAZER FORÇA
Mesmo sem querer, muitos líderes, supervisores, gerentes e diretores de empresa acabam optando por um caminho muitas vezes mais fácil no momento, mas que no longo prazo se revela tortuoso e, dependendo da situação, até fatal para a empresa. Confira a seguir algumas atitudes altamente condenáveis para a gestão eficaz e bem-sucedida:
1ª lei – A central de centralização
Você é um chefe e está atrás desta mesa enorme não é à toa. Você tem
que ficar sentado aí o dia inteiro. Os outros é que devem vir até você...
Arme-se logo contra os espertinhos independentes... Crie a Central de
Centralização, ou seja, a sua própria mesa. Tudo deve passar por você. Não deixe
nada de fora. Afinal, essa é a sua função. Crie o “Você Decide” na sua empresa,
onde todos têm que ligar para o seu número telefônico e pedir autorização. Não
deixe escapar nada, nem mesmo se algum funcionário deve receber vale-transporte
para ônibus, metrô ou bicicleta. Controle tudo.
2ª Lei – A inteligência burra
Valorize sempre os funcionários “puxa-saco”. Aqueles que fazem tudo
aquilo que você manda, do jeito que você manda. Bom funcionário é aquele que faz
exatamente o que você quer.
3ª lei – A comunicação
A comunicação é sua fonte do poder e de mais ninguém. Um chefe sabe
muito bem que quanto mais explicar como funcionam as coisas, menos os
funcionários entenderão. Quanto mais se explica, mais desconfiados eles ficarão,
mais facilmente sabotarão as suas idéias, mais rapidamente darão risadas pelas
suas costas. Ora, você é um excelente chefe, então por que tolerar isso? Os seus
funcionários não têm e nunca vão ter capacidade para entender os detalhes
técnicos ou gerenciais. Isto vale dizer que quanto menos você se expor e menos
falar, mais eles vão trabalhar e produzir.
4ª lei – O cliente em penúltimo lugar
“Cliente tem sempre razão” - desde que concorde com suas idéias. Adote
esse pensamento. Essa história de ficar preocupado com aquilo que o cliente
deseja é pura tolice. O cliente nunca sabe o que quer, sempre causa transtorno,
reclama de tudo sem razão alguma, cria sempre problemas de toda ordem. Portanto,
em vez de gastar tempo e dinheiro procurando saber o que ele deseja, faça aquilo
que for mais interessante para a sua administração. O cliente não entende do seu
negócio. É um leigo. Não sabe nada de gestão e só dá opinião errada. Você tem
sempre razão e uma desculpa pronta para dar em diversos idiomas.
5ª lei – O funcionário em último lugar
Um chefe que se preze tem a
obrigação de valorizar o funcionário. Depois, é claro, de ter valorizado todo o
resto. Colocar o funcionário como prioridade só traz despesas extras. O
importante são os processos. Os funcionários têm que se adaptar à sua realidade.
Não se preocupe em formar equipes ou times competentes e comprometidos com a sua
empresa. Ninguém dura para sempre.
6ª lei – A criatividade
Para uma empresa funcionar cada vez melhor e produzir cada vez mais, o
chefe deve investir em criar atividades. Criar cada vez mais atividades para
seus funcionários, a fim de não deixá-los um minuto sequer ociosos. Faça-os
controlar o consumo de clips, canetas, borracha, lápis, papel, envelopes e xerox
no setor. Exija um relatório mensal dos produtos consumidos e um “Business Plan”
anual de consumo. Com essas tarefas sendo criadas, você verá a produtividade
aumentar estrondosamente.
7ª lei – A solução de conflitos
Conflitos sempre existirão. Então por que perder tempo para
resolvê-los? Os conflitos devem ser ignorados. Um bom chefe não pode perder
tempo, produtividade e dinheiro com pequenos detalhes. Afinal, em cada conflito
os funcionários sempre passam a defender um dos lados e transformam um
desentendimento sem importância em uma comoção descontrolada. E além disso, os
conflitos sempre criam fofocas e boatos que facilitam as condições e os
relacionamentos de trabalho. Quando os conflitos aparecerem, faça de conta que
eles não existem. Seu tempo é precioso demais para isso.
8ª lei – A política salarial
Mostre aos seus funcionários o custo total de despesas com pessoal.
Comece a reformular a política salarial da sua empresa: corte os vale-transporte
– caminhar faz bem à saúde. Essa decisão é importantíssima. Contenção de
despesas começa com os salários e benefícios. Não esqueça de mostrar o quanto a
empresa gasta com contribuições para o governo. E se algum funcionário
engraçadinho pedir aumento de salário, demita-o.
9ª lei – Mostrar respeito
Cada pessoa que trabalha para você é um indivíduo. Por isso eles não
precisam de elogios. Precisam de críticas para trabalharem mais e mais. As
pessoas gostam de ouvir que elas não estão trabalhando direito, isso incentiva
mais o trabalho. Critique tudo e todos.
10ª lei – A autoridade
Os funcionários precisam de certa autoridade para realizar o seu
trabalho. Eles precisam saber que é você que manda. Crie um clima de tensão.
Assim eles vão trabalhar mais e não vão ficar passeando pelos corredores ou
setores vizinhos. Se você pegar algum funcionário fora do seu setor de trabalho
dê uma suspensão de 10 dias. Sua autoridade é poder.
Se você se encaixou em alguma dessas leis é hora de começar a mudar o seu estilo gerencial. Lembre-se: é com o chefe que as pessoas convivem no dia-a-dia. Chefes que sabem liderar pessoas são peças importantíssimas para um ambiente de trabalho estimulante, saudável e criativo. Ao contrário, chefes despreparados para lidar com pessoas perdem em produtividade, criatividade e, conseqüentemente, em resultados.
É o chefe que orienta as pessoas, ou desorienta. É o chefe que as ajuda a crescer ou a estagnar. O chefe tem o poder de melhorar, ou piorar, sensivelmente, a vida de seus subordinados. Depende dele, em grande parte, os aumentos, promoções, oportunidades e o avanço profissional de todos os que a ele se reportam.
Se o chefe souber lidar com as pessoas, for competente, orientar e aproveitar o que elas têm de melhor, for líder e justo, os subordinados vão gostar cada vez mais da empresa. Mas, se o chefe for autoritário, desmotivador, não souber estimular e se não tiver as qualidades profissionais e humanas básicas, as pessoas vão deixar a empresa na primeira oportunidade.
Por fim, algo que faz toda a diferença: um bom chefe é a alma do negócio, pois ele define, inspira e impregna o ambiente de trabalho.
Washington Sorio
Diretor de recursos humanos da Personal Service