O QUE SABEMOS
SOBRE ALEITAMENTO MATERNO?
Na primeira semana de agosto é celebrado no mundo
todo a "Semana do Aleitamento Materno". É um momento de mobilização
social que alcança mais importância a cada ano. Sua finalidade é difundir
certos aspectos desta prática imemorável e fundamentalmente de promovê-la.
Alguns
VERDADEIROS ou FALSOS sobre a melhor forma de alimentar o seu bebê.
1- Dar o peito ajuda a perder os quilinhos a mais
que foram acumulados durante a gravidez.
VERDADEIRO. A finalidade do acúmulo de gorduras
durante a gravidez é justamente formar uma reserva para a produção de leite
quando a criança nascer. Por isto quanto mais uma mulher amamentar seu filho,
mais estas reservas se consumirão e não será necessário fazer nenhuma outra
dieta para recuperar seu peso de antes da gestação.
2- Quanto mais freqüentemente
você der o peito a seu bebê, mais rápido ele será esvaziado e em conseqüência
disto produz menos leite.
FALSO.
A produção de leite aumenta à medida em que é estimulada, quer dizer que se
uma mulher coloca seu filho ao peito com mais freqüência, este sugará e
estimulará a descida do leite. Quanto mais freqüentemente se produzir este estímulo,
maior quantidade de leite será produzida na mãe. A produção de leite
demonstrou estar relacionada com a freqüência das mamadas. A quantidade de
leite começa a diminuir quando as mamadas são pouco freqüentes ou restritas.
3- Faz mal beber muita água antes de amamentar, já que você pode produzir um
leite mais "aguado" que não alimentará de forma suficiente o seu bebê.
FALSO. O leite materno é composto principalmente
por água, por isto é muito importante que a mãe se encontre muito bem
hidratada. A composição nutricional do leite materno NÃO varia com a
quantidade de água que a mãe toma. Porém, se a mãe não dispor de quantidade
suficiente de água, a produção de leite irá diminuir.
4- Se uma criança não aumenta bem de peso, é possível
que o leite da mãe seja de baixa qualidade.
FALSO. Não existe
nenhum leite materno de baixa qualidade. Os estudos científicos demonstram que
mesmo as mulheres desnutridas são capazes de produzir leite de qualidade
suficiente para suprir as necessidades de crescimento da criança (a não ser
que a desnutrição seja muito grave).
Na maioria dos casos, a falta de aumento de peso se deve ao consumo insuficiente
de leite materno ou a um problema de leite materno. O consumo insuficiente pode
ser devido a um mau posicionamento, falta de apoio familiar, baixa produção
por falta de estímulos ou baixa ingestão de líquidos.
5- A alimentação com leite materno por mais de seis meses de idade tem um
valor mais afetivo do que nutricional.
FALSO. À medida que a criança vai crescendo e
amadurecendo, a composição do leite materno muda. Após os seis meses de
idade, as necessidades específicas do bebê tornam necessário incorporar
alimentos complementares adequados. Porém, o leite materno continua sendo sua
fonte primordial e ideal de nutrição
durante o primeiro ano. Logo após os doze meses ele se converte em complemento
alimentar. Além disto, ao oferecer à criança substâncias de defesa chamadas
imunoglobulinas, o leite materno continua complementando e ajudando o sistema
imune enquanto seu filho continuar tomando-o.
6- É melhor não oferecer apenas um peito por tempo
demais para evitar que o mesmo se esvazie completamente.
FALSO. O corpo da
mulher produz leite segundo a necessidade, logo quanto mais vazio o peito
estiver, mais rápido este trabalhará para tornar a enchê-lo. Por outro lado,
quanto mais cheio ele estiver, mais lenta será a produção de leite.
7- É bom esperar que os seios se encham completamente antes de oferecê-los a
seu bebê.
FALSO. Já que seu corpo produz o leite segundo os
estímulos que recebe para tal, se a mulher sempre espera que eles se
"encham" antes de amamentar, seu corpo pode receber a mensagem de que
está produzindo leite demais e, então, reduzir a produção.
8- Um bebê de dois meses necessita de aproximadamente
entre sete e oito mamadas, aos quatro meses esta quantidade se reduz para seis
mamadas, e após esta idade ele necessita de apenas quatro a cinco mamadas.
FALSO. A produção de
leite por parte da mãe e sua capacidade de armazenamento (que por sua vez está
ligada ao tamanho dos seios), assim como as necessidades de crescimento da criança,
são os fatores que determinam a freqüência das mamadas da criança. O fato de
que existem dias em que se produzem picos de crescimento e ainda as enfermidades
que seu filho pode apresentar podem alterar temporariamente os padrões alimentícios
de seu bebê. Por isto não é bom impor limites à freqüência ou duração
das mamadas, já que isto pode trazer como conseqüência um consumo muito baixo
de calorias.
9- Se um bebê muito pequeno permanece dormindo por mais de três horas e não
pede alimento é bom despertá-lo.
VERDADEIRO. As crianças geralmente dão sinais
quando estão com fome. Porém é possível que os recém nascidos não acordem
com tanta freqüência quanto necessitam, logo você pode despertá-lo se for
necessário para que se alimentem pelo menos oito vezes a cada 24 horas.
10- Algumas crianças apresentam alergia
ao leite materno.
FALSO. O alimento mais
natural, saudável e inofensivo que a criança pode ingerir é o leite materno.
Se seu bebê mostra sinais de sensibilidade relacionados à alimentação, em
geral pode ser devido ou à doenças metabólicas muito raras ou a alguma proteína
estranha que a mãe tenha ingerido e que penetrou o leite materno, e não ao
leite materno em si. Este último é facilmente evitado eliminando o alimento
que causou a reação da dieta da mãe durante um tempo.
11- Não é necessário utilizar sempre ambos os seios em cada mamada.
VERDADEIRO. É muito importante que a criança
fique por tempo suficiente (pelo menos 10 minutos) em um mesmo seio já que a
princípio o leite que desce tem menor quantidade de gorduras e por conseqüência
menos calorias do que o chamado "segundo leite". Se trocar a criança
de seio antes do tempo, ele se satisfará com o primeiro leite, que tem menos
calorias, em vez de obter o equilíbrio natural entre o primeiro e segundo
leite. Isto poderia fazer com que a criança não aumente de peso adequadamente
por não consumir uma quantidade adequada de calorias.
12- Amamentar uma criança durante muito tempo pode
causar obesidade quando esta crescer.
FALSO. As crianças
nascem com capacidade para ingerir a quantidade adequada de leite que precisam
segundo suas necessidades. Esta capacidade de auto-regular seus padrões alimentícios
manifestam-se através da amamentação. A alimentação com mamadeira e a
introdução precoce de outros alimentos a causa de maior risco de obesidade
ao crescer, não a alimentação natural.
13- É importante que a criança se acostume desde recém nascida a mamar no
peito a cada 3 horas e a manter esta freqüência.
FALSO. A quantidade de leite que uma mãe produz
chega a seu ponto ótimo quando se permite que a criança sadia alimente-se à
vontade, quer dizer quantas vezes necessite. Quando a criança é muito pequena
isto pode acontecer a intervalos de tempo menores do que três horas, já que a
capacidade gástrica do bebê recém nascido é muito pequena.
14- Posicionar o bebê "barriga com barriga"
ajuda a evitar que ele tenha cólicas.
VERDADEIRO. Colocar o
bebê nesta posição favorece que a boca da criança abarque perfeitamente o
mamilo, ao passo que se a criança for posicionada de barriga para cima e
precisar prender-se ao seio girando a cabeça para trás, pode ficar um espaço
entre a boca e o peito pelo qual poderá entrar ar produzindo mal estar ou cólicas.
15- Faz mal fazer dieta para emagrecer durante o período de lactação.
VERDADEIRO. A amamentação é um dos momentos biológicos
em que a mulher precisa de mais energia. Se restringirmos a quantidade de
calorias consumidas, isto pode afetar de forma ruim a produção de leite.