1 -
Santa Teresinha do
Menino Jesus, virgem
e doutora da Igreja
(+ Lisieux, França, 1897)
Discreta e
silenciosa, durante a vida quase não chamou a atenção sobre si.
Parecia uma freira comum, sem nada e excepcional. Faleceu aos 24
anos, tuberculosa, depois de passar por terríveis sofrimentos.
Enquanto agonizava, ouviu duas freiras comentarem entre si, do lado
de fora de sua cela: "Coitada da Irmã Teresa! Ela não fez nada na
vida... O que nossa Madre poderá escrever sobre ela, na circular em
que dará aos outros conventos a notícia da sua morte?" Assim viveu
Santa Teresinha, desconhecida até mesmo das freiras que com ela
compartilhavam a clausura do Carmelo. Somente depois de morta seus
escritos e seus milagres revelariam ao mundo inteiro a verdadeira
envergadura da grande Santa e Mestra da espiritualidade. A jovem e
humilde carmelita que abriu, na espiritualidade católica, um caminho
novo para atingir a santidade (a célebre "Pequena Via"), foi
declarada pelo Papa João Paulo II Doutora da Igreja.
2 -
Santos
Anjos da Guarda
Este
dia é consagrado pela Igreja ao culto dos Santos Anjos da Guarda.
Deus, em sua misericórdia, atribui a cada homem um Anjo, que o
acompanha em todos os passos da vida, reza por ele, protege-o contra
os perigos do corpo e da alma. Infelizmente, a maior parte dos
homens não se beneficia devidamente desse celeste protetor. Rezemos
a cada dia, ao nosso Anjo da Guarda, a tradicional oração: "Santo
Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, já que a ti me confiou a
piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina. Amém".
3 -
São
Francisco de Borja, confessor
(+ Roma, 1572)
Pertencia a uma das famílias mais
nobres da Espanha. Era duque de Gandia e exerceu as elevadas funções
device-rei da Catalunha. Certa ocasião foi incumbido de acompanhar o
transporte do cadáver da imperatriz Isabel, que falecera em Toledo,
até Granada, onde se faria o sepultamento. O transporte foi lento e
durou 15 dias. No momento de sepultar a imperatriz, o protocolo
exigia que fosse aberto o caixão para ser reconhecido o cadáver.
Aquela que fora admirada em toda a Cristandade por sua beleza
deslumbrante estava reduzida a um amontoado de podridão. Tocado pela
graça a propósito daquela cena chocante, Francisco compreendeu a
vaidade de toda a glória mundana, e decidiu que se algum dia
enviuvasse, se consagraria inteiramente a Deus. Assim de fato
aconteceu: enviuvou aos 40 anos de idade, renunciou a todos os seus
títulos e bens e ingressou na Companhia de Jesus como filho
espiritual de Santo Inácio de Loyola, chegando a ser superior geral
daquela família religiosa.
4 -
São
Francisco de Assis, confessor (+ Assis, Itália, 1226)
Numa época em que o apego
intemperante às riquezas minava profundamente a espiritualidade
medieval, Deus suscitou Francisco, o enamorado da Dama Pobreza, para
restaurar o equilíbrio necessário. Francisco foi uma das colunas
sobre as quais a Igreja se sustentou naquele século. Renunciou à
rica herança paterna e decidiu viver sem nada, levando a prática da
virtude da pobreza até um radicalismo difícil de conceber. Fundou a
Ordem dos Frades Menores, que em poucos anos se transformou numa das
maiores da Cristandade. Fundou, com Santa Clara de Assis, o ramo
feminino da mesma Ordem. Para os leigos que viviam no mundo, mas
desejavam ser fiéis ao espírito de pobreza e participar das graças e
privilégios da espiritualidade franciscana, fundou a Ordem Terceira.
Por sua semelhança com o Divino Salvador, mereceu ter gravados em
seu corpo os estigmas da Santa Paixão.
5 -
São
Benedito, o preto, confessor
(+ Sicília, 1589)
No Brasil celebra-se neste dia a
festa de São Benedito, o Preto. Em outros países, é a 4 de abril que
se comemora essa festa. Benedito nasceu na Sicília, por volta de
1526, filho de pretos que haviam sido escravos ou que descendiam de
outros que o tinham sido. Ingressou num convento franciscano de
Palermo, capital da Sicília, e foi religioso exemplar, primando pelo
espírito de oração, pela humildade e pela obediência. Embora simples
irmão leigo e analfabeto, a sabedoria e o discernimento que possuía
fizeram com que fosse nomeado mestre de noviços e mais tarde fosse
eleito superior do convento. Atendia a consultas de muitas pessoas
que o procuravam para pedir conselhos e orientação segura. Foi
favorecido por Deus com o dom dos milagres. Tendo concluído seu
período como superior, retornou com humildade e naturalidade para a
cozinha do convento, reassumindo com alegria as funções modestas que
antes desempenhara. E assim, na mais sublime indiferença pela sua
própria pessoa, faleceu com fama de eminente santidade. Foi
canonizado em 1807 e é um dos padroeiros de Palermo. No Brasil,
entre os escravos e as pessoas de cor, foi muito difundida sua
devoção, geralmente associada à de Nossa Senhora do Rosário, à de
Santo Elesbão, Imperador negro da Etiópia, e à de Santa Efigênia,
princesa também negra e igualmente etíope.
6 -
São
Bruno Abade, confessor
(+ Calábria, 1101)
Era natural de Colônia, na
Alemanha. Ordenado sacerdote, passou 25 anos lecionando em Reims, na
França. Ao cabo desse tempo, sendo já cinqüentenário, decidiu, com
mais seis companheiros, adotar uma nova forma de vida eremítica em
um local deserto e inóspito do sul da França. Nasceu assim a Grande
Cartuxa. Mais tarde foi chamado a Roma pelo Papa Urbano II, que
tinha sido seu discípulo em Reims. Recusou terminantemente aceitar
um bispado, e fundou uma nova Cartuxa, na Calábria. Foi nesta sua
segunda fundação que entregou a alma ao Senhor, aos 66 anos de
idade.
7 -
Nossa
Senhora do Rosário
Festa instituída pelo Papa São Pio V, como ação de graças
pela prodigiosa vitória de Lepanto, obtida em 1571 pela armada
católica, comandada por D. João d'Áustria, contra os turcos
maometanos. O Papa ordenara que, em toda a Cristandade, se rezasse o
Rosário pedindo essa vitória que, segundos os cálculos humanos,
parecia impossível. A importância do Rosário em nossos dia foi,
ainda recentemente, destacada pelo atual Pontífice: "Esta oração
simples e profunda, cara aos indivíduos e às famílias, outrora muito
difundida entre o povo cristão. Que alegria seria se também hoje
fosse redescoberta e valorizada, especialmente no interior das
famílias! Ela ajuda a contemplar a vida de Cristo e os mistérios da
salvação; graças à incessante invocação da Virgem, afasta os germes
da desagregação familiar; é o vínculo seguro de comunhão e paz.
Exorto a todos, e de modo especial às famílias cristãs, a encontrar
no santo Rosário o conforto e o sustento quotidiano para caminhar
nas vias da fidelidade" (João Paulo II, alocução de 25/10/98).
8 -
Santa
Pelágia, penitente
(+
Palestina, séc. IV)
Depois de ter vivido escandalosamente em
Antioquia, entregue à libertinagem, foi convertida e batizada pelo
bispo de Edessa, e terminou os dias fazendo rudes penitências no
Monte das Oliveiras, onde Nosso Senhor Jesus Cristo havia sofrido
sua Agonia.
9 -
São
Luís Bertrán, confessor
(+ Espanha, 1581)
Natural de Valência, na Espanha,
ingressou na Ordem dominicana contra a vontade paterna. Ordenado
sacerdote, foi com apenas 23 anos mestre de noviços. Conseguindo dos
superiores licença para ir pregar aos índios do Novo Mundo, esteve
sete anos evangelizando regiões americanas que hoje pertencem à
Colômbia. Converteu e batizou muitos milhares de indígenas, correndo
nesse apostolado grandes riscos: duas vezes chegou a ser envenenado
e em quatro outras ocasiões esteve muito próximo de receber o
martírio. Retornou à Espanha e foi superior em três conventos de sua
Ordem, procurando em todos restaurar a disciplina tradicional e
aplicar as regras do Concílio de Trento. Despertou com isso muitas
antipatias, e chegou a colocar, à maneira de desafio, na porta de
sua cela, um letreiro com as palavras do Apóstolo São Paulo: "Se
quisesse agradar aos homens eu não seria servo de Cristo". Ainda
sete vezes exerceu as funções de mestre de noviços. Por suas mãos de
formador experimentado passaram centenas de jovens, muitos dos quais
tiveram causas de beatificação introduzidas.
10 -
São
Paulino de York, confessor
(+ Inglaterra, 644)
Era monge beneditino em Roma,
quando o Papa São Gregório Magno o mandou, como missionário, para a
Inglaterra. Evangelizou as regiões de Kent e da Nortúmbria,
convertendo à fé católica o rei Edwin, e fundando o Bispado de York.
11 -
Santo
Alexandre Sauli, bispo e confessor
(+ Ásti, Itália, 1592)
Nascido em Milão, ingressou na
Congregação dos Barnabitas, chegando a ser, aos 31 anos de idade,
superior geral dessa família religiosa. Foi professor de Filosofia e
Teologia na Universidade de Pavia, e ao mesmo tempo se destacou como
pregador e apóstolo do confessionário. Dirigia espiritualmente
comunidades inteiras que se submetiam a ele. Nomeado pelo Papa São
Pio V bispo de Aléria, na Córsega, encontrou uma diocese
completamente decadente e abandonada, sem clero capacitado, sem
locais de culto decente, com o rebanho perdido nas trevas da
ignorância e da superstição. À custa de esforços ingentes que se
prolongaram por 21 anos, conseguiu reformar por inteiro a diocese,
transformando-a num modelo de fervor e organização. Nomeado pelo
Papa Gregório XIV bispo de Pavia, começou imediatamente a visitação
de sua nova diocese, mas faleceu logo depois. É venerado como o
Apóstolo da Córsega.
12
- Nossa Senhora Aparecida,
padroeira do
Brasil
Foi em 1717 que, nas águas benditas do rio Paraíba, três
pescadores encontraram a imagem milagrosa de Nossa Senhora da
Conceição Aparecida, que viria a ser constituída Rainha e Padroeira
do Brasil. Sua festa, atualmente celebrada no dia 12 de outubro, é
desde 1988 feriado nacional. Não há brasileiro digno desse nome que
não se comova profundamente ao ouvir as estrofes despretensiosas mas
cheias de unção do velho hino mariano: "Viva a Mãe de Deus e nossa /
Sem pecado concebida / Viva a Virgem Imaculada / A Senhora
Aparecida".
13 -
Santo
Eduardo III, Rei e confessor
(+ Inglaterra, 1066)
Rei da Inglaterra, venerado por
sua piedade e por seu espírito de caridade. De comum acordo com a
esposa, conservaram ambos perfeita castidade. Restaurou a Abadia de
Westminster, onde foi sepultado.
14 -
São
João Ogilvie, mártir
(+
Glasglow, 1615)
Nobre escocês natural de Drum, foi educado no
calvinismo. Tendo conhecido em Louvain, na Bélgica, o Padre Cornélio
a Lapide, famoso exegeta da Companhia de Jesus, foi por ele
convertido à religião católica. Tornou-se também jesuíta, foi
ordenado sacerdote e retornou corajosamente a sua terra natal, para
ali dar assistência aos católicos perseguidos e postos fora da lei.
Depois de exercer, durante 18 meses, seu perigoso ministério, e ter
conseguido converter para a verdadeira Religião a muitos hereges, um
traidor o denunciou ao arcebispo protestante de Glasgow.
Aprisionado, sofreu torturas prolongadas: durante oito dias e nove
noites, não pôde dormir, porque tinha o corpo continuamente
perfurado por agulhas e estiletes. Foi afinal condenado à morte e
enforcado, aos 36 anos de idade. Momentos antes de morrer, graças a
uma armadilha verbal que montou para um pastor protestante que
estava presente à execução, conseguiu que este declarasse
formalmente que sua condenação era exclusivamente devida ao fato de
ele ser católico. Essa declaração tornava indubitável o martírio, e
São João Ogilvie morreu satisfeito, dizendo: "Daria mais cem vidas,
de boa vontade, se as tivesse".
15 -
Santa
Teresa d'Ávila, virgem e doutora da Igreja
(+ Alba de Tormes, Espanha, 1582)
Nascida em Ávila, ingressou aos 20 anos no mosteiro carmelita de
sua cidade, encontrando-o decadente e pouco fervoroso. Iniciou a
reforma desse convento e pouco a pouco foi ampliando o raio de sua
ação, reformando outros conventos e realizando mais de trinta novas
fundações. Auxiliada por São João da Cruz, que se empenhava em
idêntica tarefa no ramo masculino dos carmelitas, e enfrentando
incompreensões e perseguições atrozes, conseguiu levar a cabo sua
imensa obra sem descuidar a vida de oração e contemplação. É uma das
maiores mestras da espiritualidade católica e deixou escritos de
grande valor, pelo que foi declarada Doutora da Igreja.
16 -
Santa
Margarida Maria Alacoque, virgem
(+ Paray-le-Monial, França, 1690
Precisamente quando
o jansenismo -- espécie de infiltração do espírito protestante
dentro da Igreja -- destruía nas almas a noção da misericórdia de
Deus e da confiança filial que devemos ter em relação ao Pai
Celeste, o Sagrado Coração de Jesus apareceu a Santa Margarida
Maria, jovem religiosa da Ordem da Visitação, para transmitir sua
mensagem de misericórdia e confiança. A Santa recebeu a missão de
espalhar pelo mundo a devoção ao Sagrado Coração ofendido pela
ingratidão dos homens. Foi incompreendida e perseguida, tachada de
visionária, histérica e alucinada, até que a Providência colocou em
seu caminho o jesuíta São Cláudio La Colombière, que lhe deu
orientação segura e conseguiu fazer com que sua mensagem começasse a
ser vista com outros olhos. Pouco a pouco, essa mensagem foi se
impondo aos conventos da Visitação, e depois se espalhou por toda a
Igreja. Santa Margarida Maria, falecida aos 43 anos, foi canonizada
em 1920.
17 -
Santo
Inácio de Antioquia, bispo e mártir
(+ Roma, 107)
Foi o terceiro bispo de
Antioquia, sucedendo a São Pedro e Santo Evódio. Já idoso,
levaram-no prisioneiro a Roma. Tendo sabido que os cristãos da
Cidade Eterna faziam esforços para libertá-lo, escreveu-lhes uma
carta célebre, em que dizia que seu mais veemente anseio era ser
triturado pelos dentes das feras, como o trigo é moído para se
transformar no pão que é apresentado ao Senhor. Sofreu,
efetivamente, glorioso martírio no Coliseu, lançado às feras. É
considerado um dos mais ilustres Padres Apostólicos, e dele restam
escritos de grande valor teológico e incomparável beleza literária.
18 -
São
Lucas, evangelista
(+ séc. I)
Exercia a profissão de médico em Antioquia, quando foi
convertido por São Paulo, que o chama de "médico bem amado".
Acompanhou o Apóstolo dos Gentios em várias viagens missionárias e
esteve com ele no cárcere. Possuía sólida cultura científica e
literária, tendo escrito o terceiro Evangelho e os Atos dos
Apóstolos. Segundo uma antiga tradição, foi pintor e deixou um
retrato da Santíssima Virgem. Não se conhece com certeza como foi o
término de sua vida terrena. Embora uma tradição autorizada assegure
que foi mártir, um documento do século III diz que morreu de morte
natural aos 74 anos de idade, solteiro e virgem, com a alma cheia do
Espírito Santo.
19 -
São
Paulo da Cruz, confessor
(+ Roma, 1775)
Nascido no norte da Itália, na região
de Gênova, aindajovem adotou o nome de Paulo da Cruz e começou a
pregar a devoção aos sofrimentos de Nosso Senhor em sua Paixão e
Morte. Ordenado sacerdote, arregimentou
discípulos -- dentre os
quais o mais ilustre foi São Vicente Maria Strambi -- e fundou a
Congregação dos Padres Passionistas, cujos membros se obrigam, por
um voto especial, a pregar por toda a parte sobre a Paixão de Jesus
Cristo. Faleceu em 1775, depois de mais de 40 anos de pregação
contínua.
20 -
São
Pedro de Alcântara, confessor
(+ Arenas, Espanha, 1562)
Franciscano espanhol,
realizou em sua Ordem uma reforma análoga àquela que São João da
Cruz e Santa Teresa d'Ávila fizeram entre os carmelitas.
Rigorosíssimo no espírito de pobreza e mortificação, deu nova vida à
então decadente espiritualidade franciscana. Dormia apenas duas
horas por noite, comia somente um dia sim outro não, e costumava
colocar cinza sobre a comida para não sentir nenhum prazer no
alimento. Pregou na Espanha e em Portugal. Assistiu aos últimos
momentos do piedoso rei D. João III, de Portugal, e muitas vezes
respondeu a consultas que lhe fez o imperador Carlos V. À hora de
morrer, ardendo em febre, recusou um copo de água que lhe ofereciam
porque Jesus Cristo também sofrera sede. Pouco depois expirou e
Santa Teresa, de quem tinha sido amigo e confidente, teve uma visão
de sua alma subindo ao Céu. É padroeiro principal do Brasil. A
Família Real portuguesa e a Imperial brasileira sempre tiveram
grande devoção por esse Santo admirável. Lembre-se, de passagem, que
o imperador D. Pedro II tinha o nome de Pedro de Alcântara em
homenagem a ele.
21 -
São
Gaspar del Búfalo, confessor
(+ Itália, 1836)
Jovem sacerdote, esteve durante
cinco anos preso porque se recusou a prestar juramento de fidelidade
a Napoleão Bonaparte. Pregou missões populares no centro da Itália,
obtendo excelentes resultados. Fundou o Instituto dos Padres do
Precioso Sangue.
22 -
Santa
Maria Salomé, viúva
(+
Palestina, séc. I)
Citada duas vezes no Evangelho de São Marcos,
era uma das Santas Mulheres. Segundo a tradição, era parente próxima
de Nossa Senhora e mãe de São João Evangelista e São Tiago o Maior.
23 -
São
João de Capistrano, confessor
(+ Villackum, Bálcãs, 1456)
Nasceu na Itália, onde
foi juiz de direito e governador de uma cidade. Devido a intrigas
políticas, esteve algum tempo preso, e pouco depois perdeu a esposa,
ainda jovem. Desiludido do mundo, quis ingressar na Ordem
franciscana. O superior do convento, receando que estivesse movido
por um capricho passageiro, quis experimentar sua vocação:
ordenou-lhe que andasse pelas ruas de Perugia montado num jumento,
com trajes ridículos e uma mitra de papelão na qual estavam escritos
alguns pecados que cometera. Isso, na cidade em que pouco antes ele
exercera elevadas funções e onde todos o tinham na conta de homem
sério e ajuizado! O Santo obedeceu heroicamente à espantosa
arbitrariedade do superior. Essa foi, entretanto, apenas a primeira
de uma série de humilhações que teve de sofrer para ser religioso.
Duas vezes foi expulso do convento, por ser considerado inútil. Mas,
com humildade, ficou do lado de fora do edifício implorando a
readmissão até que lhe abriram as portas. Afinal foi aceito e
professou na Ordem. Desde esse dia até à morte, durante 36 anos,
somente se alimentou um vez por dia e nunca comeu carne. Foi amigo
de São Bernardino de Sena e juntos trabalharam para a restauração do
autêntico espírito franciscano na Ordem. Pregador inspirado,
conseguiu certa ocasião, na cidade de Leipzig, com um único sermão
pregado em latim, atrair para a vida religiosa 120 jovens
estudantes. Superou tal façanha em Cracóvia, onde 130 estudantes se
tornaram religiosos depois de ouvirem um sermão seu. Já alquebrado
pela idade e pelas doenças, ainda pregou uma cruzada contra os
turcos maometanos que ameaçavam a Cristandade. Com habilidade
diplomática conseguiu articular alianças de príncipes, afervorou as
tropas reunidas e foi a grande alma propulsora da gloriosa vitória
obtida pelas armas cristãs em Belgrado, no ano de 1456, sobre
inimigos muito mais numerosos. Durante a batalha, percorria as
fileiras católicas com um crucifixo nas mãos, incentivando os
guerreiros a combaterem por amor a Jesus Cristo. Três dias depois da
vitória, entregou sua alma santa ao Criador. Contava 71 anos de
idade.
24 -
Santo
Antônio Maria Claret, bispo e confessor
(+ França, 1870)
Nasceu na Catalunha,
filho de um próspero fabricante de tecidos. Sendo de vocação tardia,
somente aos 22 anos ingressou no seminário, onde estudou latim em
companhia de meninos de 10 ou 12 anos. Ordenado sacerdote, foi
ardoroso pregador popular na Catalunha e nas Ilhas Canárias, e
fundou a Congregação dos Missionários Filhos do Coração Imaculado de
Maria (Padres Claretianos). Nomeado Arcebispo de Santiago de Cuba,
exerceu naquela ilha fecunda atividade apostólica. Foi conselheiro e
confessor da rainha Isabel II, da Espanha, à qual dizia, com
liberdade apostólica, verdades duras de ouvir. Durante o Concílio
Vaticano I foi um dos mais destacados defensores da infalibilidade
pontifícia. Sofreu várias tentativas de morte, por parte de inimigos
da Fé e da Religião, chegando a ser uma vez esfaqueado, mas não teve
a glória de morrer mártir. A par de tantas atividades, conseguiu
desenvolver copiosa atividade literária, tendo publicado 160 livros
ou opúsculos, sem contar as cartas pastorais que escreveu em Cuba.
Morreu exilado na França, no mosteiro cisterciense de Fontfroide.
25 -
Beato
Frei Antônio de Sant'Ana Galvão, confessor
(+ São Paulo, 1822)
Nascido em
Guaratinguetá, em 1739, de uma família de muitas posses, descendia
dos primeiros povoadores da Capitania e corria em suas veias sangue
de bandeirantes. Foi ele próprio chamado "Bandeirante de Cristo",
porque tinha na alma a grandeza, o arrojo e fortaleza de um
verdadeiro bandeirante. Renunciou a uma brilhante situação no mundo
e ingressou na Ordem franciscana. Fundou, em 1774, juntamente com
Madre Helena Maria do Espírito Santo, o Mosteiro concepcionista de
Nossa Senhora da Luz, na capital paulista. Não somente formou e
conduziu nas vias da espiritualidade franciscana e concepcionista as
religiosas desse mosteiro, mas também o edificou materialmente, ao
longo de quase 50 anos de esforços contínuos. Foi o arquiteto, o
engenheiro, o mestre de obras e muitas vezes o operário da sua
edificação, que somente se tornou possível porque ele
incansavelmente pedia, ao povo fiel, esmolas para a magnífica
construção. Entregou sua alma a Deus em 1822 e foi beatificado em
1998. Até hoje sua sepultura, na capela do mosteiro, é visitada por
multidões que acorrem a lhe pedir graças e milagres, e também à
procura das famosas e prodigiosas "pílulas de Frei Galvão". A origem
dessas pílulas é contada num folheto distribuído no próprio
mosteiro: "Certo dia, Frei Galvão foi procurado por um senhor muito
aflito, porque sua mulher estava em trabalho de parto e em perigo de
perder a vida. Frei Galvão escreveu em três papelinhos o versículo
do Ofício da Santíssima Virgem: Post partum Virgo Inviolata
permansisti: Dei Genitrix intercede pro nobis (Depois do parto, ó
Virgem, permanecestes intacta: Mãe de Deus, intercedei por nós).
Deu-os ao homem, que por sua vez levou-os à esposa. Apenas a mulher
ingeriu os papelinhos, que Frei Galvão enrolara como uma pílula, a
criança nasceu normalmente. Caso idêntico deu-se com um jovem que se
estorcia com dores provocadas por cálculos visicais. Frei Galvão fez
outras pílulas semelhantes e deu-as ao moço. Após ingerir os
papelinhos, o jovem expeliu os cálculos e ficou curado. Esta foi a
origem dos milagrosos papelinhos, que, desde então, foram muito
procurados pelos devotos de Frei Galvão, e até hoje o Mosteiro
fornece para as pessoas que têm fé na intercessão do Servo de Deus".
26 -
Santo
Evaristo, papa e mártir
(+ Roma, séc. I).
Foi o quinto Papa da História,
tendo sucedido a São Clemente I. Segundo o antigo *Liber
Pontificali, era de origem grega mas nasceu em Antioquia, e sofreu o
martírio durante o reinado do imperador Trajano, perto do ano 100.
Foi sepultado no Vaticano, junto ao Apóstolo São Pedro.
27 -
São
Frumêncio, bispo e confessor
(+ Etiópia, séc. IV)
Natural da Índia e levado como
escravo para o Egito, foi sagrado bispo em Alexandria, por Santo
Atanásio. Empenhou-se na evangelização da Etiópia, sendo considerado
o apóstolo daquele império.
28 -
São
Simão e São Judas Tadeu, apóstolos e mártires
(+ séc. I)
Os dois Apóstolos são, desde
tempos imemoriais, venerados conjuntamente nesta data. São Simão,
também chamado Zelota e Cananeu, é o Apóstolo sobre o qual as
Escrituras contêm menos informações. Segundo uma antiga tradição,
era aparentado com Nosso Senhor e foi crucificado pelos judeus. São
Judas Tadeu era irmão do Apóstolo São Tiago o Menor, sendo ambos
filhos de Cleófas e de Maria, primos de Nosso Senhor. Há notícias de
mais dois filhos do mesmo casal, um dos quais de nome Simão (que
alguns autores identificam com o Apóstolo celebrado neste dia). São
Judas Tadeu pregou a Boa Nova do Evangelho em várias regiões do
Oriente Próximo e é autor de uma Epístola. Não há informações
seguras sobre o local e as condições em que verteu seu sangue por
amor ao Divino Mestre.
29 -
São
Narciso, bispo e confessor
(+ Jerusalém, 212)
Já era octogenário quando o
elegeram bispo de Jerusalém. Algum tempo depois, foi acusado de um
ato infame por três caluniadores que, para dar credibilidade a seu
depoimento chamaram sobre si a cólera de Deus, porque um deles
disse: "Que eu seja queimado vivo se estiver mentindo!"; outro
disse: "Que a lepra me devore se eu não estiver falando a verdade!";
e o terceiro: "E eu que fique cego se não for verdade o que digo!".
Assim caluniado, São Narciso se retirou de Jerusalém sem dizer aonde
ia, e foi viver recolhido na oração e no isolamento. Novo bispo
tomou posse em seu lugar, depois outro e mais outro. Entretanto, aos
três caluniadores aconteceram os castigos que eles pediram para si
mesmos: o primeiro morreu carbonizado num incêndio com sua família,
o segundo morreu leproso e o terceiro perdeu a visão. Anos depois,
São Narciso retornou a Jerusalém e foi recebido festivamente,
reassumindo com glória suas funções. Segundo o historiador Eusébio,
viveu até os 119 anos.
30 -
São
Germano, bispo e confessor
(+ Cápua, 541)
Neste dia o Martirológio
Romano-Monástico registra o falecimento de São Germano, bispo de
Cápua de 516 a 541. Quando faleceu, São Bento, que era seu amigo,
viu sua alma sendo levada ao Céu por Anjos, numa bola de fogo. São
Gregório Magno o chama de "venerabilíssimo bispo Germano".
31 -
Santo
Afonso Rodrigues, confessor
(+ Palma de Maiorca, 1617)
Natural de Segóvia, foi
comerciante e pai de família. Tendo perdido a esposa e os filhos,
ingressou na Companhia de Jesus como simples irmão coadjutor.
Durante quase quarenta anos foi religioso exemplar, exercendo o
humilde mister de porteiro. Dotado de dons sobrenaturais e carismas,
desenvolveu grande apostolado, chegando a possuir numeroso grupo de
discípulos, entre os quais São Pedro Claver. Deixou escritos que
revelam uma sabedoria nada livresca, muito verdadeira e profunda.