UNÇÃO  DOS  ENFERMOS
§ 1499 - Pela sagrada Unção dos Enfermos e pela oração dos presbíteros, a Igreja toda entrega os doentes aos cuidados do Senhor sofredor e glorificado, para que os alivie e salve. Exorta os mesmos que livremente se associem à paixão e morte de Cristo e contribuam para o bem do povo de Deus”.

§ 1500 - A enfermidade e o sofrimento sempre estiveram entre os problemas mais graves da vida humana. Na doença, o homem experimenta sua impotência, seus limites e sua finitude. Toda doença pode fazer-nos entrever a morte.

§ 1503 - A compaixão de Cristo para com os doentes e suas numerosas curas de enfermos de todo tipo são um sinal evidente de que "Deus visitou o seu povo" (Lc 7,16) e que o Reino de Deus está bem próximo. Jesus não só tem poder de curar, mas também de perdoar os pecados: ele veio curar o homem inteiro, alma e corpo; é o médico de que necessitam os doentes. Sua compaixão para com todos aqueles que sofrem é tão grande que ele se identifica com eles: "Estive doente e me visitastes" (Mt 25,36). Seu amor de predileção pelos enfermos não cessou, ao longo dos séculos, de despertar a atenção toda especial dos cristãos para com todos os que sofrem no corpo e na alma. Esse amor está na origem dos incansáveis esforços para aliviá-los.

§ 1505 - Comovido com tantos sofrimentos, Cristo não apenas se deixa tocar pelos doentes, mas assume suas misérias: "Ele levou nossas enfermidades e carregou nossas doenças". Não curou todos os enfermos. Suas curas eram sinais da vinda do Reino de Deus. Anunciavam uma cura mais radical: a vitória sobre o pecado e a morte por sua páscoa. Na cruz, Cristo tomou sobre si todo o peso do mal e tirou o "pecado do mundo" (Jo 1,29). A enfermidade não é mais do que uma conseqüência do pecado. Por sua paixão e morte na cruz, Cristo deu um novo sentido ao sofrimento: que doravante pode configurar-nos com Cristo e unir-nos à sua paixão redentora.

§ 1506 - Cristo convida seus discípulos a segui-lo tomando cada um sua cruz. Seguindo-o, adquirem uma nova visão da doença e dos doentes. Jesus os associa à sua vida pobre e de servidor. Faz com que participem de seu ministério de compaixão e de cura: "Partindo, eles pregavam que todos se arrependessem. E expulsavam muitos demônios, e curavam muitos enfermos" (Mc 6,12-13).

§ 1509 - "Curai os enfermos!" (Mt 10,8). Esta missão, a Igreja a recebeu do Senhor e esforça-se por cumpri-la tanto pelos cuidados aos doentes quanto pela oração de intercessão com que os acompanha: Ela crê na presença vivificante de Cristo, médico da alma e do corpo. Esta presença age particularmente através dos sacramentos e, de modo especial, pela Eucaristia, pão que dá a vida eterna a cujo liame com a saúde corporal São Paolo alude.

§ 1510 - Entretanto, a Igreja apostólica conhece um rito próprio em favor dos doentes, atestado por S. Tiago: "Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o porá de pé; e se tiver cometido pecados, estes lhe serão perdoados" (Tg 5,14-15). A Tradição reconheceu neste rito um dos sete sacramentos da Igreja".

§ 1514 - A Unção dos Enfermos "não é um sacramento só daqueles que se encontram às portas da morte. Portanto, tempo oportuno para receber a Unção dos Enfermos é certamente o momento em que o fiel começa a correr perigo de morte por motivo de doença, debilitação física ou velhice”.

§ 1520 - Um dom particular do Espírito Santo. A principal graça deste sacramento é uma graça de reconforto, de paz e de coragem para vencer as dificuldades próprias ao estado de enfermidade grave ou à fragilidade da velhice. Esta graça é um dom do Espírito Santo que renova a confiança e a fé em Deus e fortalece contra as tentações do maligno, tentação de desânimo e de medo da morte. Esta assistência do Senhor pela força de seu Espírito quer levar o enfermo à cura da alma, mas também à do corpo, se for esta a vontade de Deus. Além disso, "se ele cometeu pecados, eles lhe serão perdoados"

§ 1522 - Uma graça eclesial. Os enfermos que recebem este sacramento, "associando-se livremente à paixão e à morte de Cristo", "contribuem para o bem do povo de Deus". Ao celebrar este sacramento, a Igreja, na comunhão dos santos, intercede pelo bem do enfermo. E o enfermo, por sua vez, pela graça deste sacramento, contribui para a santificação da Igreja e para o bem de todos os homens pelos quais a Igreja sofre e se oferece, por Cristo, a Deus Pai.

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