ORDEM
1534 - Dois
outros sacramentos, a ordem e o matrimônio, estão ordenados à salvação de
outrem. Se contribuem também para a salvação pessoal, é através do serviço aos
outros. Conferem uma missão particular na Igreja e servem para a edificação do
Povo de Deus.
1536 - A ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo a seus Apóstolos continua sendo exercida na Igreja até o fim dos tempos; é, portanto o sacramento do ministério apostólico. Comporta três graus: o episcopado, o presbiterado e o diaconado.
1546 - Cristo, sumo sacerdote e único mediador, fez da Igreja "um Reino de sacerdotes para Deus seu Pai" (Ap 1,6)497. Toda a comunidade dos fiéis é, como tal, sacerdotal. Os fiéis exercem seu sacerdócio batismal através de sua participação, cada qual segundo sua própria vocação, na missão de Cristo, Sacerdote, Profeta e Rei. É pelos sacramentos do Batismo e da Confirmação que os fiéis são “consagrados para ser... um sacerdócio santo”.
1549 - Pelo ministério
ordenado, especialmente dos Bispos e dos presbíteros, a presença de Cristo como
chefe da Igreja se torna visível no meio da comunidade dos fiéis. Segundo a bela
expressão de S. Inácio de Antioquia, o Bispo é "typos tou Patros", como que a
imagem viva de Deus.
1551 - Esse sacerdócio é ministerial. "Esta missão que o Senhor confiou aos
pastores de seu povo é um verdadeiro serviço". Refere-se inteiramente a Cristo e
aos homens. Depende inteiramente de Cristo e de seu sacerdócio único, e foi
instituído em favor dos homens e da comunidade da Igreja. O sacramento da ordem
comunica "um poder sagrado" que é o próprio poder de Cristo. O exercício desta
autoridade deve, pois, ser medido pelo modelo de Cristo que, por amor, se fez o
último e servo de todos. "O Senhor disse claramente que cuidar de seu rebanho é
uma prova de amor por Ele".
1552 - A tarefa do sacerdócio ministerial não é apenas representar Cristo - Cabeça da Igreja -diante da assembléia dos fiéis; ele age também em nome de toda a Igreja quando apresenta a Deus a oração da Igreja e sobretudo quando oferece o sacrifício eucarístico.
1556 - Para desempenhar sua missão, “os Apóstolos foram enriquecidos por Cristo com especial efusão do Espírito Santo que desceu sobre eles. E eles mesmos transmitiram aos seus colaboradores, mediante a imposição das mãos, este dom espiritual que chegou até nós pela sagração episcopal”.
1564 - "Embora os presbíteros não possuam o ápice do pontificado e no exercício de seu poder dependam dos bispos, estão, contudo com eles unidos na dignidade sacerdotal, Em virtude do sacramento da Ordem, segundo a imagem de Cristo, sumo e eterno sacerdote, eles são consagrados para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, de maneira que são verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento”.
1565 - Em virtude do sacramento da Ordem, os sacerdotes participam das dimensões universais da missão confiada por Cristo aos Apóstolos. O dom espiritual que receberam na ordenação prepara-os não para uma missão limitada e restrita, "mas para a missão amplíssima e universal da salvação até os confins da terra”, “com o espírito pronto para pregar o Evangelho por toda parte".
1569 - "No grau inferior da hierarquia, encontram-se os diáconos. São-lhes impostas as mãos 'não para o sacerdócio, mas para o serviço"'. Para a ordenação ao diaconado, só o Bispo impõe as mãos, significando assim que o diácono está especialmente ligado ao Bispo nas tarefas de sua “diaconia”.
1570 - Os diáconos participa de modo especial na missão e na graça de Cristo. São marcados pelo sacramento da Ordem com um sinal ("caráter') que, ninguém poderá apagar e que os configura a Cristo que se fez ‘diácono”, isto é, servidor de todos. Cabe aos diáconos, entre outros serviços, assistir ao Bispo e aos padres na celebração dos divinos mistérios, sobretudo a Eucaristia, distribuir a Comunhão, assistir ao Matrimônio e abençoá-lo, proclamar o Evangelho e pregá-lo, presidir os funerais e consagrar-se aos diversos serviços da caridade.
1572 - A celebração da ordenação de um Bispo, de presbíteros ou de diáconos, devido à sua importância para a vida da Igreja particular, exige o concurso do maior número possível de fiéis. Deverá realizar-se de preferência num domingo e na catedral, com uma solenidade adaptada à circunstância. As três ordenações, do Bispo, do padre e do diácono seguem o mesmo movimento. Seu lugar é no seio da Liturgia Eucarística.
1577 - "Só um varão ('vir')
batizado pode receber validam ente a ordenação sagrada". O Senhor Jesus escolheu
homens ("viri") para formar o colégio dos doze Apóstolos, e os apóstolos fizeram
o mesmo quando escolheram os colaboradores que seriam seus sucessores na missão.
O colégio dos Bispos, ao qual os presbíteros estão unidos no sacerdócio, torna
presente e atualiza, até o retomo de Cristo, o colégio dos doze. A Igreja se
reconhece ligada a essa escolha do próprio Senhor. Por isso, a ordenação de
mulheres não é possível.
Ninguém tem o direito de receber o sacramento da ordem. De fato, ninguém pode
arrogar-se a si mesmo este cargo. A pessoa é chamada por Deus para esta honra.
Aquele que reconhece em si os sinais do apelo divino ao ministério ordenado deve
submeter humildemente seu desejo à autoridade da Igreja, à qual cabe a
responsabilidade e o direito de convocar alguém para receber as ordens. Como
toda graça, esse sacramento não pode ser recebido a não ser como um dom
imerecido.
Todos os ministros ordenados da Igreja latina, com exceção dos diáconos
permanentes, normalmente são escolhidos entre os homens, fiéis que vivem em
celibato e pretendem manter o celibato “por causa do Reino dos Céus” (Mt 19,12).
1581 - Este sacramento
configura Cristo por meio de uma graça especial do Espírito Santo, para servir
de instrumento de Cristo para sua Igreja. Pela ordenação, a pessoa se habilita a
agir como representante de Cristo, Cabeça da Igreja, em sua tríplice função de
sacerdote, profeta e rei.
Como no caso do Batismo e da Confirmação, esta participação na função de Cristo
é concedida uma vez por todas. O sacramento da Ordem também confere um caráter
espiritual indelével e não pode ser reiterado nem conferido temporariamente.
1583 - Alguém validamente ordenado pode, é claro, por justos motivos, ser destituído das obrigações e das funções ligadas à ordenação ou ser proibido de exercê-las, mas jamais poderá voltar a ser leigo no sentido estrito, porque o caráter impresso pela ordenação permanece para sempre. A vocação e a missão recebidas no dia de ordenação marcam a pessoa de modo permanente.
1585 - A graça do Espírito Santo própria a esse sacramento é a graça da configuração a Cristo Sacerdote, Mestre e Pastor, cujo ministro é ordenado.
1586 - No caso do Bispo,
trata-se de uma graça de força ("O Espírito que constitui chefes": Oração de
consagração do bispo do rito latino): a graça de guiar e de defender com força e
prudência sua Igreja como um pai e um pastor, com um amor gratuito por todos e
uma predileção pelos pobres, doentes e necessitados. Esta graça o impele a
anunciar o Evangelho a todos, a ser o modelo de seu rebanho, a precedê-lo no
caminho da santificação identificando-se na Eucaristia com Cristo sacerdote e
vítima, sem medo de entregar-se por suas ovelhas:
Pai, que conheceis os corações, concedei a vosso servo que escolhestes para o
episcopado, apascentar vosso santo rebanho e exercer irrepreensivelmente diante
de vós o sumo sacerdócio, servindo-vos noite e dia; que ele tome incessantemente
propício vosso olhar e ofereça os dons de vossa santa Igreja; que, em virtude do
espírito do sumo sacerdócio, tenha o poder de perdoar os pecados segundo o vosso
mandamento, distribua os cargos conforme vossa ordem e se desligue de todo
vínculo em virtude do poder que destes aos apóstolos; que ele vos seja agradável
por sua doçura e seu coração puro, oferecendo-vos um perfume agradável, por
vosso Filho Jesus Cristo.