A IMPORTÂNCIA DA CRISMA
“Se Cristo não fosse Deus, o seu sacrifício não seria excelente e o seu fruto não estaria aqui presente. Se não fosse homem, não poderia acontecer a misteriosa representação, por meio da qual eu o considero irmão. Se Deus não fosse trino, Cristo não teria podido realizar sua obra por amor do Pai eterno, Deus não seria, de fato, em si mesmo, o amor, ou seja, teria necessidade da criatura, e então não seria mais Deus. E se não existisse a graça da obediência, esse encontro não poderia acontecer verdadeiramente na realidade de Cristo, e eu não poderia nutrir uma esperança eterna neste meu irmão. E se Cristo não existisse no sacramento, não seríamos incorporados nEle desta maneira indizível pela qual nos tocamos uns aos outros como membros de um só corpo e na 'memória' dEle”.
Por meio dessas palavras do teólogo suíço Hans Urs von Balthasar, em seu livro Quem é o cristão, podemos percorrer um pouco do caminho escolhido pelo próprio Deus para nos encontrar plenamente, em toda a nossa humanidade, e despertar nossa vocação originária para a felicidade eterna.
Dentro dessa visão da Igreja como uma estrutura sacramental e não meramente associativa, como Povo de Deus, sim, mas principalmente como Corpo de Cristo, é que nós trabalhamos em nossos encontros semanais o sacramento da crisma, ou confirmação. Essa dimensão sacramental, fundamento sem o qual todas as outras dimensões eclesiais perdem sua razão de ser, é colocada em confronto com nossa experiência cotidiana. Dessa forma, tentamos mostrar que não há separação entre a vida na Igreja e fora dela: ao contrário, pela Igreja, a vida no trabalho, escola, família ou lazer adquire um gosto diferente, um componente de Verdade que a torna unitária, e não mais um aglomerado de atividades totalmente incompatíveis umas com as outras.
Nesse contexto está a importância decisiva do nosso “sim” adulto a Cristo na Igreja, ou seja, do sacramento da Crisma. Como afirmava o então cardeal Joseph Ratzinger, nosso atual papa Bento XVI, para os católicos a decisão por Cristo e pela Igreja é uma só. A abertura à Presença de Cristo em nossa vida não está, então, separada de um abraço decisivo e confiante à Sua Igreja. E é por meio da crisma que é consumada, no cristão, a graça batismal recebida, geralmente, quando criança.
Todo cristão batizado pode e deve, então, receber o sacramento da crisma. Sem ele, e sem a Eucaristia, o sacramento do Batismo permaneceria, claro, válido, mas a iniciação cristão não estaria completa. Para que isso seja efetivado, a Igreja recomenda que o crismando esteja já na chamada “idade da razão”, isto é, que possa ter uma noção clara da responsabilidade de suas ações. Daí que nossas turmas, formadas a cada ano, e reunidas sempre aos sábados, às 10h30 da manhã, na Casa Paroquial, sejam constituídas, normalmente, por jovens com idade média de 15 anos. Atualmente, a turma tem nove integrantes, o que torna os encontros extremamente fecundos.
Em nossos encontros, temos como ponto de partida as exigências e evidências últimas que estão dentro do coração de todo homem, isto é, o desejo de felicidade, beleza, justiça, amor, verdade, etc., bem como a certeza de que antes não existíamos, agora existimos, e um dia não estaremos mais aqui. Diante desses desejos e evidências, oferecemos a Presença dAquele único que consegue corresponder verdadeiramente à nossa sede de infinito, Cristo Jesus, e estudamos, por meio da leitura de textos variados, comentários de assuntos da atualidade e trechos do Evangelho, de que forma Ele se propõe aos homens de todos os tempos como caminho, verdade e vida.
Em meio a todo esse percurso, vamos esclarecendo, na medida do possível, as mais diversas dúvidas sobre a fé e a doutrina católicas, e, de forma especial, dando uma ênfase às peculiaridades de cada sacramento da Igreja, uma vez que a Crisma será a confirmação de que estamos abraçando todo esse tesouro que Cristo nos legou.
Os encontros normalmente se iniciam com a oração do Ângelus, seguida do canto de duas canções populares que tragam em seu conteúdo algo que nos convide a refletir sobre o senso religioso ou que simplesmente nos desperte o maravilhamento por sua beleza. Após algumas reflexões sobre as músicas, entramos no trabalho de seqüência dos textos e encerramos com a oração do Pai Nosso.
Toninho e Ney
artigo de O Encontro edição nº 13, de junho de 2005