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A FOLIA NA IGREJA |
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Ser chefe da folia é tarefa de grande responsabilidade. Pois além de organizar as andanças e cantorias tem que saber responder a todas as perguntas que o povo faz sobre a folia e o presépio. Por exemplo, se perguntar pelo significado das máscaras, ele responderá provavelmente que os três reis estão cantando alegres por terem recebido a Boa Nova, mas que andam mascarados para não ser reconhecidos pelo rei Herodes no caminho de volta para as suas terras.
Os
foliões cantam em dois grupos de três ou quatro vozes e tocam caixa, pandeiro,
viola, violão, cavaquinho e eventualmente uma sanfona. Cantadores e tocadores
usam uma toalha branca bordada ao pescoço. Junto com a folia vai uma bandeira
com a estampa dos Santos Reis no presépio. Na chegada dos foliões a uma casa, os
moradores recebem e beijam a bandeira com grande emoção. Tem os cantos da
chegada e da saudação com versos decorados e outros inspirados pelo momento. O
dono da casa faz com a bandeira uma volta na sala e em todas as dependências.
Se tiver presépio os foliões tem por obrigação cantar a adoração. Algumas folias cantam profecias, resumindo o Antigo Testamento. Conforme o combinado, os foliões passam a noite no pouso, cantando e brincando noite a dentro, ou cantam menos para poder visitar outras casas, mas há brincadeiras com os palhaços, sempre tem a petição da esmola, o agradecimento e a despedida. As esmolas em dinheiro podem ser pregadas na bandeira com alfinetes ou então serão recebidas por um encarregado.
Pensando nas celebrações de Natal de agora, deixo aqui uma sugestão: existem bastante paróquias que convidam foliões para cantar no presépio após a missa de Natal, Ano Novo ou festa dos Santos Reis.
Em vez de ser após a missa, os
foliões talvez poderiam cantar seu canto de chegada como canto de entrada da
própria missa. Cada folia já tem seus cantos. Imaginem:
Boa noite, meus senhores, aqui cheguemos cantando
Que são véspera da festa, entrada do novo ano.
Deus vos salve casa santa, onde Deus fez a morada
Onde mora o cálice bento e a hóstia consagrada.
Porta aberta, luz acesa, recebei com alegria
Jesus Cristo, Rei da Glória, filho da Virgem Maria.
Ó que caminho tão longo, que estrada tão comprida
Se não fosse o Deus-Menino, nessa rua eu não vinha.
Poderiam cantar alguma profecia como canto de aclamação:
Hoje é um grande dia, dia muito celebrado
Pelos anjos e os profetas foi um dia desejado.
Os reis santos suspiravam pela vinda do Messias
Pois está ele predito no profeta Jeremias.
Como fora anunciado, eis do mundo o Salvador
Já chegou, tristes ovelhas, de Israel o bom pastor.
Os versos que falam no ouro, incenso e mirra, seriam canto das ofertas:
Os três reis quando souberam,
viajaram sem parar.
Cada um trouxe um presente pra o Menino-Deus salvar(saudar).
Oferecem ouro fino como Rei universal Incenso como divino e mirra como mortal.
Na comunhão poderiam cantar seu canto de adoração. Já pensou!
Padre Eterno Soberano, Pai de meu Jesus amado
Dai-me voz para cantar seu Natal tão suspirado.
Corre, corre, pastorinha, corre, corre, venha ver
A pobreza da lapinha onde Deus veio nascer.
Louvemos bem reclinados entre brutos animais
Aquele que nos governa o mar, a terra e tudo mais.
Canta o galo, berra o boi berra o carneiro também
Dando nova de alegria Jesus para sempre, amém.
O canto final só poderia ser com versos de despedida:
Vamos dar a despedida com Jesus Cristo em Belém,
que nos leve à eterna glória para todo sempre, amém.
A garça vai avoando nos ares bateu as asas,
dando viva Santos Reis e também dona da casa.
Só tem uma coisa: isso tudo deverá ser combinado com antecedência com o chefe da folia!
frei Francisco
van der Poel ofm
artigo publicado no Jornal de Opinião - BH - 1992