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"Um dos efeitos
do medo é perturbar os sentidos e fazer com que as coisas não
pareçam o que são." - disse Miguel de Cervantes em Dom
Quixote - século XVII.
O distúrbio do medo
patológico pode se apresentar como Fobia Específica, quando o pavor tem
um objetivo certo, como por exemplo, medo de animais, de escuridão, de
água, altura, etc. Pode ainda se apresentar como Fobia Social, na qual o
horror é de sentir-se objeto de observação e avaliação pelo outros como,
por exemplo, falar em público, escrever diante da observação dos outros,
comer em público, etc. Pode também surgir sob a forma de Ataques de
Pânico, onde o paciente passa a ser acometido, de uma hora para outra,
de sintomas físicos terríveis, sem que saiba identificar exatamente o
que o ameaça.
Alguns cálculos atuais
mostram que em torno de 25% da população teve, tem ou terá, em algum
momento da vida, um episódio de Fobia. No Brasil, como de praxe, não há
números nacionais a respeito do assunto. Hoje em dia aceita-se, com um
pouco de incerteza, que esse distúrbio atinge duas vezes mais mulheres
que homens.
Medos
e fobias
O medo, mais
precisamente, o medo patológico e que limita de alguma forma a vida das
pessoas, vem aparecendo com freqüência cada vez maior em consultórios
psiquiátricos e clínicas psicológicas. Esse medo patológico se
diferencia do medo normal por várias razões:
- Não ter razão
objetiva;
- Não tem base na realidade concreta;
- O próprio paciente sabe ser absurdo o que sente;
- Provoca uma aflição (ansiedade) desmedida e
- É acompanhado de sintomas físicos (falta de ar, sudorese, etc)
A boa notícia é que, ao
contrário de antigamente, quando o fóbico ia progressivamente se
retraindo e se isolando cada vez mais, hoje em dia um grande contingente
de doentes se vê estimulado a procurar ajuda especializada. Essa
diferença de postura deve-se, sem dúvida, aos avanços dos novos
medicamentos e à eficácia dos tratamentos.
Os quadros de Fobias e de Pânico estão relacionados aos quadros de
ansiedade patológica, de angústia e, principalmente, de depressão, neste
caso, de Depressão Atípica.
Em suas manifestações mais agudas, tanto as Fobias quanto o Pânico são
altamente limitantes e quase sempre expõem os pacientes a todo tipo de
vexames. O medo de elevador pode fazer com que uma pessoa simplesmente
se recuse a trabalhar ou morar em edifícios, o de avião impede passeios
(de toda família), o de dirigir é muito mais problemático ainda...
Além da sensação de medo, propriamente dita, que aparece durante a
circunstância que dá a fobia, a ainda o medo antecipatório, como por
exemplo, fazendo a pessoa suar frio só de pensar em se sentar à direção
de um carro. Na Fobia Social, por exemplo, faz com que a pessoa seja
incapaz de conversar com o chefe, de trocar opiniões com os colegas de
trabalho ou expor suas idéias numa reunião.
Pânico costuma ser mais
incapacitante ainda. Profissionais podem até interromper sua carreira
por causa do problema. No Pânico, de repente a pessoa começa a tremer, é
tomada pela tontura, a pressão arterial dispara, o coração bate
descompassado. Os sintomas são parecidos com os de um infarto, e, nesse
instante, a morte ou a loucura iminentes parecem certas.
Depois da primeira crise,
o paciente costuma submeter-se a uma batelada de exames clínicos, o
médico verifica que não há nada de errado e, mesmo assim, as crises
continuam. Um dos piores aspectos do Pânico é o "medo de ter medo".
Apavorada com a idéia de voltar a sentir os sintomas, a pessoa passa a
fugir dos ambientes em que os ataques ocorreram, como se tal atitude
pudesse evitá-los. É por essa razão que tantas vítimas acabam se
trancando em casa.
Além das crises características de Pânico, outros sintomas podem
aparecer, como por exemplo o medo de engasgar com um simples grão de
feijão, medo de qualquer comprimido, sensação de se afogar no chuveiro,
etc.
Há cerca de um século começaram as primeiras investigações sobre a
origem dessas desordens emocionais que atingem milhões de pessoas em
todo o mundo. Um ramo da pesquisa, que se utiliza do modelo
biopsicológico, derivado da psicologia comportamental, vêm encontrando
grande ressonância entre os médicos e terapeutas que lidam com esse
assunto. De acordo com esse ponto de vista, o medo patológico é apenas a
expressão de uma angústia mais profunda, e não deve ser considerado uma
doença em si.
Outro ramo da pesquisa,
com visão mais neurológica e orgânica, tenta delimitar as áreas do
cérebro responsáveis pelo medo patológico, bem como os elementos
cerebrais (neurotransmissores e neuroreceptores) relacionados por ele.
Por causa desse tronco da pesquisa científica foram encontradas várias
substâncias reconhecidamente eficientes no tratamento do Pânico, da
Fobia e da Depressão.
Do ponto de vista
neuropsiquiátrico, sabe-se hoje que as amígdalas, que são estruturas
cerebrais localizadas na região das têmporas e têm a função de
identificar situações de perigo, enviam ao hipotálamo, local de controle
global do sistema endócrino, o sinal para que certas reações sejam
deflagradas, como por exemplo, a reação de estresse.
Essas amígdalas reconhecem uma ameaça porque são alimentadas pelo
Sistema Límbico, a parte do cérebro que constitui uma espécie de banco
de memória das ameaças à pessoa, portanto, de memória do medo. No
sistema límbico estão armazenadas as informações que remetem a temores
de nossos ancestrais, como os de animais ferozes, do fogo ou escuridão.
Além disso, o Sistema Límbico registra dados que se referem a
experiências em que o medo foi adquirido por aprendizado ou por trauma.
De acordo com pesquisas recentes, os fóbicos apresentariam uma
hiperatividade nessa região do cérebro.
Os pesquisadores agora se empenham na descoberta de que esse sistema
todo seria regulado por duas substâncias chamadas de neurotransmissores,
a serotonina e a noradrenalina. São essas mesmas duas substâncias que se
relacionam ao humor e às sensações de prazer e bem-estar.
A história dos antidepressivos, usados também para combater Fobias e
Pânico, está intimamente ligada aos avanços nessa direção. No início, as
esperanças depositavam-se sobre medicamentos como Anafranil® e Tofranil®,
ambos antidepressivos e que agem sobre a química cerebral como um todo,
sem especificidade. A constatação de que a serotonina tinha um papel
preponderante nesse processo, propiciou a criação de medicamentos que
atuam especificamente sobre esse neurotransmissor.
Foi assim que se chegou ao Prozac® e o Zoloft®, os quais interferem
especificamente no neurotransmissor serotonina. Depois desses
medicamentos, outros da mesma linhagem foram sendo desenvolvidos, como o
Aropax®, Luvox®, Serzone®, Efexor®, e assim por diante.
Depois de alguns anos acompanhando casos e mais casos de Fobias e
Pânico, pode-se afirmar hoje, com certeza, que esses medicamentos são
indispensáveis e insuficientes para a cura do problema. Já se constatou
que o tratamento medicamentoso é muito mais eficaz quando associados a
psicoterapia e vice-versa. Isoladamente, tanto os medicamentos quanto a
psicoterapia, servem mais para controlar a intensidade dos sintomas – o
que, sem dúvida, faz uma enorme diferença para os que sofrem desses
problemas, mas a resolução definitiva fica muito mais próxima com os
dois tipos de tratamento conjuntamente.
Fobia
de lugares abertos
Resumindo, a Fobia Social
faz com que a pessoa sofra ataques de Pânico cada vez que põe os pés
para fora de casa.
Inicialmente esse transtorno ansioso começa com uma estranha sensação ao
atravessar uma rua, por exemplo, ou ao participar de uma reunião de
trabalho ou coisa assim.
A sensação pode ser de uma súbita tontura, uma forte pressão no peito e
um pavor irracional de cair no chão. Algumas pessoas começam com uma
crise leigamente (e erradamente) tida como labirintite.
Esse pode ser o primeiro sinal de que algo esta fora de controle e, logo
os episódios se tornaram freqüentes. O mal-estar volta a aparecer quando
a pessoa se sente em situação de tensão, como em supermercados, no
trânsito, no banco, no ônibus, avião, etc. Sair de casa se torna um
sacrifício.
Na psiquiatria, esse medo relacionado a espaços abertos chama-se
agorafobia, um transtorno que 25% da população está sujeita a sofrer,
pelo menos uma vez na vida. Então, só para esclarecer, entre essas
manifestações da ansiedade patológica tem as chamadas Fobias
Específicas, como o nome diz, específicas de determinadas situações ou
objetos (barata, seringa de injeção, elevador, altura) e tem a Fobia
Social, que acaba por fazer com que a pessoa tenha verdadeiro pavor de
gente e as tarefas sociais banais, como assinar um documento ou comer na
frente dos outros, transformam-se num tormento.
Fobia
social
A Fobia Social é o medo
patológico de comer, beber, escrever, telefonar, enfim, de agir diante
dos outros com risco de parecer ridículo ou inadequado. Em casos
extremos, pode resultar em total isolamento. A principal característica
dos fóbicos sociais é a ansiedade antecipatória, mal estar que aparece
só de pensar na necessidade de falar numa reunião marcada para daqui a
três semanas, de receber uma visita, de ter que ir a um casamento ou
coisa assim.
Uma das queixas mais ouvidas na Fobia Social é do tipo: “é só eu sair de
casa que as pernas tremem, as mãos suavam, sinto palpitações, falta de
ar e sensação de que vou ter alguma coisa”. E o quadro se mantém na rua,
no ônibus, dentro da sala de aula, no supermercado, no banco, etc.
O fóbico começa a sofrer desde a hora em que recebe a notícia de seu
compromisso e os sintomas crescem como uma bola de neve quanto mais vai
se aproximando o momento da provação. Na hora H a pessoa começa a
prestar muita atenção no seu desempenho, começa a se preocupar demais
com o que os outros estarão pensando e, num círculo vicioso, as coisas
tenderão a fugir completamente de controle.
No controle das fobias,
aliar terapia comportamental ao uso de antidepressivos parece ser a
chave do sucesso. Na terapia, o paciente aprende a enfrentar situações
aterrorizantes, para ele, com mais segurança e a otimismo. Sob o efeito
dos remédios, consegue impedir que sintomas físicos, tão desagradáveis,
como suar demais ou uma súbita vontade de ir ao banheiro, fujam do
controle. Isso acaba por devolver ao paciente a auto-estima necessária
para sentir segurança naquilo que faz ou fará.
Hoje em dia tem se considerado como ideal de tratamento, a terapia
comportamental ou cognitiva individual, associada a antidepressivos.
Este tipo de medicamento regulará a serotonina, responsável pelas
sensações de bem-estar, e inibirá os sintomas do Pânico.
Fobia
de assalto em crianças
Tem sido relativamente
comum, hoje em dia, crianças com menos de 10 anos sofrendo de Fobia de
assalto. Depois da experiência, cada vez mais comum, de ter vivenciado
algum assalto ou de ficar sabendo de alguma ocorrência desse tipo em
alguém mais próximo, a criança vai ficando cada vez mais com medo, a
ponto de sofrer exageradamente.
Nas classificações de transtornos emocionais esse quadro pode ser
denominado Transtorno por Estresse Pós-Traumático mas, por razões
didáticas, o conceito de fobia pode ser muito bem aplicado aqui. O
comportamento dessas crianças começa a mudar. Começam a ter medo de ir
para algum cômodo vazio ou escuro da casa, ficam apavorados de sair na
rua, aderem insistentemente à mãe ou ao pai, pedem para dormir no quarto
dos pais. Posteriormente passam a acordar sobressaltados no meio da
noite.
Em seguida, a criança com fobia de assaltos pode deixar de querer ir à
escola e de sair para brincar com outras crianças. Manifestam
preocupação exagerada pelos pais e irmão e sentem muito medo de que
alguém da minha família morra ou seja assaltado.
Fobia
ou medo de barata?
As pessoas costumam dizer
que têm fobia de barata mas, na realidade, muitas vezes sentem apenas
medo (ou asco) do animalzinho. Para ser fobia, esse sentimento deve ser,
primeiro, muito desproporcional e absurdo, segundo, a pessoa tem que
apresentar os chamados sintomas autossômicos (falta de ar, sudorese,
palpitação, mãos frias, etc.) diante da barata.
Normalmente o que se vê, são pessoas que fazem um certo escândalo mas,
não havendo platéia, pegam um chinelo e esmagam o inseto. O fóbico não.
Ele simplesmente não dorme enquanto não tiver certeza absoluta que o
quarto está livre de baratas. Ele passa mal.
Fobia
ou medo de dirigir?
Para quem dirige,
normalmente sentar-se no banco do carro, dar partida, engatar a marcha e
sair com o carro são ações tão naturais e automáticas quanto escovar os
dentes ou levar um copo à boca.
Entretanto, para muitas pessoas, a simples idéia de guiar um carro pode
causar verdadeiro pânico. Algumas pessoas desenvolvem Fobia do volante,
mesmo depois de algum tempo de direção normal.
Essas pessoas se sentem incomodadas só de imaginar que poderão cometer
alguma barbeiragem, prejudicar o trânsito e, em seguida, alguém poderá
buzinar agravando ainda mais o nervosismo.
Quando esse medo é intransponível e, caso a pessoa insista em dirigir
apesar do medo, é seguido de sintomas autossômicos (falta de ar,
sudorese, palpitação, mãos frias, etc.), estamos falando de Fobia,
propriamente dita. Quando a pessoa não passa mal mas, apesar disso,
evita a todo custo dirigir, então é apenas medo de dirigir.
O medo de dirigir, quando aparece depois de algum tempo depois da pessoa
já ter dirigido normalmente, reflete sempre uma grande insegurança, e
esta, por sua vez, seria conseqüência de uma baixa auto-estima a qual,
finalmente, refletiria um estado depressivo. É por isso que o tratamento
de escolha para o medo de dirigir é com antidepressivos associados à
psicoterapia.
Medo
de avião
O medo de avião não é
exclusividade de quem nunca viajou. Ele afeta, indiscriminadamente,
passageiros novatos e veteranos. É um Pânico muitas vezes inexplicável,
que se manifesta das mais diferentes formas.
Em algumas pessoas, as mãos suam e gelam antes mesmo de o avião começar
a se mover. Outras pessoas sentem palpitações, tonturas e náuseas. Há
casos de gente que tem insônia na véspera da viagem, que se caracteriza
como ansiedade antecipatória.
Algumas dessas pessoas com medo de avião, simplesmente deixam de voar,
outras, curiosamente, desenvolvem um impressionante repertório de
superstições para alívio da ansiedade quanto têm mesmo de viajar. Há
quem viaje somente na primeira fileira para sair mais rápido em caso de
pouso forçado. Outros carregam santinhos, costumam se benzer ou fazer
“simpatias”, só embarcam com o pé direito ou evitam ir ao banheiro para
não "desequilibrar" a aeronave.
Para quem tem medo de avião, não adianta explicar que apenas um entre
milhões de vôos acabará em desastre, o fóbico sempre viverá na
expectativa de que o vôo fatídico será justamente o dele.
Há dois tipos principais de medo de avião. Um deles diz respeito ao
pavor de um acidente aéreo, medo da catástrofe. Outro tipo representa o
medo de passar mal no avião e não poder ser atendido, não poder mandar o
avião parar para descer. Esse último está mais relacionado às síndromes
ansiosas, do tipo Pânico ou Fobia.
No primeiro caso, no medo de acidente aéreo, o tratamento de escolha é
predominantemente psicoterápico e, de preferência, com a chamada terapia
cognitiva (veja o quadro). No medo de passar mal no avião e não ser
atendido “a tempo”, usa-se com sucesso o tratamento antidepressivo.
Medo
normal e patológico
Todos nós temos algum
grau de ansiedade ou timidez e, quando se manifestam, normalmente são
acompanhadas por uma indefinida sensação de mal-estar. Mas é benéfico
experimentar ansiedade em certas circunstâncias e, de certa forma, a
ansiedade normal até favorece a adaptação do ser humano a novas
situações.
O medo ou ansiedade normal provocado pela necessidade de fazer uma
palestra, de dar uma aula, de submeter-se à entrevista para emprego,
etc., faz com que a pessoa fique mais alerta, mais preparada e,
portanto, mais apta ao sucesso.
Para o fóbico, entretanto, a ansiedade é patológica e não dá bons
resultados. Ao contrário, ela compromete o sucesso, paralisa,
descompensa e faz perder o controle. Nos casos de Fobia, há uma resposta
ansiosa inadequada a determinado estímulo que, nas pessoas normais,
determinaria uma resposta ansiosa mais adequada.
Assim sendo, a Fobia nada mais é do que uma reação ansiosa exagerada, a
qual faria com que o Sistema Nervoso Central tome por situações de
risco, estímulos banais e inofensivos do dia-a-dia.
Hoje, diante de quadros que faz a pessoa sentir palpitações, suar em
bicas e até perder os movimentos diante de determinado objeto ou
situação são sinais facilmente diagnosticados como fobia. Muitas vezes,
a fobia aparece junto com quadros graves de depressão (em torno de 50%
dos casos) e de Síndrome do Pânico (60%), ou leva à dependência de
álcool (20%).
A
personalidade do fóbico
Recentemente pode-se
suspeitar que os fóbicos, de maneira geral, tendem a apresentar alguns
traços de personalidade em comum. Normalmente, são pessoas que tiveram
uma educação rígida, estimuladora da ordem, da conseqüência e do
compromisso.
Normalmente são pessoas excessivamente preocupadas com o julgamento
alheio, com a opinião dos outros a seu respeito, são perfeccionistas e
determinados. Com essas características os portadores de fobia costumam
ter alto senso de responsabilidade, bom desempenho profissional e avidez
pelos desafios da vida social.
Mas a origem da fobia ainda é misteriosa, concorrendo para tal, desde a
herança genética dos traços ansiosos da personalidade, até a
aprendizagem das reações diante do perigo, passando pelas alterações dos
neurotransmissores.
Geneticamente já se sabe que os filhos de pais fóbicos têm 15% de
possibilidade de perpetuar o comportamento na idade adulta. A medicina
sabe também que, entre as pessoas com traços de timidez na
personalidade, 2% vai desenvolver Fobia Social no decorrer da vida.
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Tratamentos
psicológicos |
| Tipo |
Indicação
|
Como
funciona |
| Terapia comportamental |
Fobias em geral |
A técnica básica consiste em expor
gradualmente o paciente à situação que lhe causa medo, a fim de
que possa superá-lo. Quem não consegue dirigir, por exemplo,
começa o tratamento com sessões nas quais apenas dá partidas no
carro. O passo seguinte é estimular a pessoa a dar algumas
voltas pelas redondezas de sua casa. As distâncias dos passeios
vão aumentando progressivamente, até que ela se sinta segura
para guiar numa estrada |
| Terapia cognitiva |
Fobia social, medos em geral
|
O paciente é levado a analisar
racionalmente seus medos, comparando os dados da realidade com
suas idéias pessimistas. Uma pessoa que teme falar com seus
superiores no trabalho é questionada sobre se realmente há
motivos para tanto. O terapeuta pode perguntar a ela se já foi
ridicularizada, humilhada, criticada em público etc. A partir
das respostas, que geralmente são negativas, ela vai descobrindo
como sua patologia não tem razão de ser. Depois de algum tempo,
o paciente é estimulado a enfrentar as situações que lhe dão
angústia, de forma semelhante ao que acontece na terapia
comportamental |
| Terapia interoceptiva |
Transtornos de Pânico |
Estimula-se o paciente a deflagrar em si
mesmo os sintomas físicos do Pânico, como vertigens, tonturas,
falta de ar e taquicardia. O propósito é ensinar uma técnica de
respiração abdominal que ajuda a controlar essas sensações
ruins. Para provocar uma tontura, o paciente pode ser colocado
numa cadeira giratória, que é movimentada com rapidez. Quando
atinge um estado semelhante ao que experimenta nos ataques de
Pânico, ele deve começar a respirar pelo nariz, de forma lenta e
profunda, a fim de que o ar chegue ao abdome. Em seguida, deve
expirar vagarosamente pela boca. A técnica não cura, mas pode
atenuar em até 50% a incidência dos sintomas de Pânico. Além
disso, ao perceber que durante uma crise ele possui algum
controle sobre seu corpo, o paciente adquire mais confiança e
acaba por temer menos as situações que detonam os ataques |
O
medo da criança
O universo infantil é
repleto de monstros e fantasmas, e há uma série de situações em que eles
aparecem para amedrontar a criança. Normalmente esses bichos imaginários
despertam o medo na criança durante a noite, outras vezes no meio de uma
brincadeira, na piscina ou no carrossel.
Como as fantasias e esses medos são praticamente normais nas crianças,
os pais devem procurar ajuda no caso do medo começar a provocar
alterações na rotina, na atividade social, escolar ou na personalidade
da criança. Calcula-se que, no máximo, 5% das crianças que têm pesadelos
ou manifestações constantes de medo necessitam de algum tipo de
tratamento.
A maioria das crianças, quando acometida por crises de medo noturno,
corre para o quarto dos pais no meio da noite. Algumas, portadoras de um
medo mais intenso e constante, juntamente com sensação de insegurança,
nem se atrevem a começar dormir sozinhas. Antes de qualquer coisa, já
começam as noites no quarto dos pais.
Alguma parte desse medo pode ser atribuída ao comportamento dos pais.
Quando a mãe tem pavor de barata e faz um escândalo quando se depara com
esses animais, ou quando o pai manifesta sólida convicção nas coisas do
além, será muito provável que o filho faça o mesmo.
Neste caso também, devemos ter em mente a seguinte seqüência de
ocorrências emocionais:
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Sintoma |
Sinal
de: |
| Medo |
Ansiedade |
| Ansiedade |
Insegurança |
| Insegurança |
Auto-estima baixa |
| Auto-estima
baixa |
Depressão |
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