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PARAPSICOLOGIA
autor:
José
Lorenzatto
fonte:
Revista de Parapsicologia número 22
elaborada pelo CLAP |
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Comprovações
científicas Uma jovem austríaca de nome Elisabeth, luterana,
cliente do
dr. Adalf Lechler, ele também luterano e psiquiatra.
Elisabeth
não parece ter
inclinações viciosas, e possui
um caráter profundamente
religioso. Era sumamente neurótica. Esteve em mais de uma dezena de
clínicas para tratamento. Esteve por algum tempo aos cuidados do dr.
Lechler que fez um relato minucioso dos acontecimentos. Para facilitar-lhe
a cura e ao mesmo tempo para estudar o caso, ele a aceitou como empregada
doméstica. O fato mais importante se dá na Sexta-feira Santa quando
ela assiste a um filme que representa vivamente as cenas da Paixão de
Cristo.
Ao regressar para casa, queixava-se de dores nas mãos e nos pés.
Como havia feito anteriormente e muitas vezes, o dr. Lechler hipnotizou a
jovem, mas desta vez sugeriu-lhe que ela, como Nosso Senhor, tinha as mãos
e os pés perfurados com cravos. Fez-lhe esta sugestão repetidas
vezes e o resultado foi altamente satisfatório. Ele documenta o resultado
com fotografias onde aparecem claramente as feridas nas mãos e nos pés.
Posteriormente,
por meio de sugestões repetidas a transportou para um
estado em
que as lágrimas de sangue fluíam livremente de seus olhos,
aparecendo também os sinais da coroa de espinhos. Sobreveio também uma
ferida nos ombros causada pela sugestão de que carregava a
Cruz.
Sugestão e neurose
A sugestão e a neurose estão muito
presentes, para não dizer que são a causa dos estigmas produzidos na jovem
Elisabeth. O padre Thurston S.J., que narra o caso, na introdução
diz: "Não encontrei até o presente momento, um simples caso de
estigmatização num indivíduo que tenha estado isento de sintomas
neuróticos. Existe uma forte presunção em todos os casos de que o sujeito
dos estigmas tenha sido altamente sugestionável". O mesmo padre
Thurston estudou pessoalmente entre 50 a 60 casos de estigmatizados e as
circunstâncias em que apareceram: "A impressão que tive foi de que os
sujeitos foram tão favorecidos como afligidos, e todos sofriam de uma
acentuada e as vezes extravagante neurose histérica. Muitos deles
eram
fervorosos devotos de personalidades que eram verdadeiramente estranhas e
pouco edificantes. Acho muito difícil que Deus pudesse operar milagres
para creditar tais pessoas como seus escolhidos". Neuróticos até o
extremo. Para confirmar citaremos ainda três casos típicos de pessoas
extravagantes e neuróticas am alto grau: Domenica de Lazzari, Elisabet
herkenrode e beatriz D Ornacieux.
A primeira, Domenica de Lazzari,
foi
visitada logo após ter recebido os estigmas, pelo dr. Cloche, diretor de
um hospital de Trento (Itália) e
é ele que nos conta certos acontecimentos
incríveis: permanecia horas inteiras com movimentos convulsivos que
afetavam a todas as partes do corpo a tal ponto que no fim parecia uma
morta. Durante essas convulsões, Domenica, com os punhos fechados
desfechava inúmeros golpes em seu peito e
era incrível o ruído que
produzia.
Numa oportunidade desferiu tal golpe no queixo que feriu as
gengivas e o sangue jorrou abundantemente.
Os golpes que que se desferia
eram tão violentos que eram ouvidos não só dentro de casa mas também pelos
vizinhos. Houve quem contasse, numa ocasião,
os golpes que se desferiu
e
chegaram à soma fabulosa de 409. "Masoquista e histeria". Elisabet ,
freira cisterciense. Quem nos relata as fases histéricas é Filipe, Abade
de Claraval, que a visitou no ano de 1275. Conta que nas representações
que fazia semanalmente de toda a Paixão,
em determinados momentos desferia
em sí mesma tào violentos murros que o corpo tremia; batia violentamente
com a cabeça no chão e desferia inúmeros golpes
no peito, enquanto jazia
no
chão de costas. Ainda mais impressionante e curioso é o caso da
freira Lukardis, de Oberweimer, nascida em 1276 e falecida em 1309. Um
extraordinário relato de suas experiências "místicas"foi feita por um
religioso anônimo que a conheceu bem e escreveu por ocasião de sua morte.
Relata o autor anônimo que ela
era objeto de constantes êxtases
e tinha
recebido os estigmas
com pouca idade"desferia com
o polegar - que substituía o
martelo - fortíssimas pancadas
nas chagas que trazia em suas
mãos, pés e no lado.
Grande histeria
A respeito de Teresa Neumann, o psiquiatra dr. Madeyski enviado pela Sagrada Congregação dos
ritos, para estudar cientificamente os fatos, conclui pela "existência de
histeria constatada em Teresa Neumann. Idêntico é o parecer de outros
médicos que a visitaram em 27 de fevereiro de 1920: Histeria muito grave
com cegueira e paralisia parcial". E a comissão composta por
Buchberger, Bispo de Ratisbona; Kiel, Bispo sufragâneo e pelos professores
Killermann, Hilgenreiner, Stokl e pelo professor Martini, Diretor da
Clínica Médica da Universidade de Bonn, conclui assim : estado histérico
grave com todos os fenômenos inerentes à doença e com toda a parte
habitual de simulação". O professor Jean Lhermite, da Academia de
Medicina, conclui: Assim termina a história de Teresa Neumann. Grande
histérica com a parte de simulação, que comporta a grande
nervosa. É interessante notar como em muitos casos de
estigmatizados, temos testemunhos de que precederam sérias doenças e
distúrbios orgânicos. Deve-se acentuar que isto não implica em que
as pessoas não fossem piedosas ou santas;
trata-se simplesmente de uma
questão de condições patológicas. Clemente Dominguez- com a chaga
no peito. Misticismo exacerbado e histeria, são em geral, o pano de fundo
que facilita fenômenos dermográficos.
Complexo de crucificação
Existem outros muitos detalhes na análise dos estigmatizados, que ajudam a
comprovar a origem puramente humana e natural dos estigmas. É
surpreende que até o início do século XIII não se falasse de
estigmatizados; não consta
nenhum caso. Com a divulgação |
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dos
extraordinários fenômenos que caracterizam os últimos dias de
São
Francisco, começou a ocorrer em pessoas muito simples, casos indiscutíveis
de estigmas, e desde então se verificou uma sucessão interminável de
casos.
O exemplo de São Francisco criou um"complexo de
crucificação".
Uma vez dada aos contemplativos
a idéia da possibilidade de
se conformarem fisicamente com os sofrimentos de Cristo levando suas
cicatrizes nas mãos, pés, lado e na cabeça. A idéia adquiriu forma na mente
de muitos e de fato chegou a ser uma piedosa obsessão, de tal maneira que
em alguns indivíduos excepcionalmente sensíveis; a idéia concebida na
mente se realizou também no corpo.
Este "complexo de crucificação"
é
real e muito conforme à sugestionabilidade do indivíduo e
se conforma
plenamente com o protótipo imaginado. É conhecido o fenômeno de que a
forma e a posição destas chagas varia muitíssimo: em alguns, a chaga do
lado encontra-se à direita e em outros, à esquerda; uns trazem um corte
arredondado e outros, um talho reto e em alguns casos em forma de meia
lua. Quando Gema Galgani mostrou as chagas dos açoites, que
sangravam profusamente, as feridas correspondiam perfeitamente, em tamanho
e posição, às chagas pintadas num grande crucifixo perante o qual ela
costumava orar. Quando Ana C. Emmerich foi marcada pela primeira vez com
uma cruz em seu peito, esta tinha a forma de Y, reproduzindo a forma de um
crucifixo de Coesfeld que ela tinha em grande veneração desde sua
infância.Tudo isso indica um efeito de auto-sugestão. Chama-se
ideoplasmia a faculdade de plasmar a idéia, a imagem.
A imagem pode
plasmar-se em ecto-colo-plasmiam, em fantasmogênese, em transfiguração, em
pneumografia e tantos outros fenômenos parapsicológicos. Ou na
pele: este fenômeno se chama dermografia (escrever na pele). A
estigmatização, a reprodução das chagas da paixão de cristo, por
conseguinte, não é mais do que um caso particular da dermografia.
Estigmas: fenômeno de sugestão
Parece que não incorremos em erro ao afirmar que a
origem dos estigmas sempre foi atribuída a fatores externos à pessoa: a
causa era Deus ou demônio, ou mais simplesmente, religiosa.
Convenhamos que tanto a medicina quanto a igreja, e
principalmente a mentalidade popular desconhecia por completo qualquer
outro mecanismo capaz de dar uma explicação que satisfizesse. Esta explicação da fenomenologia dos estigmas perdurou
séculos, tanto no meio cristão como não cristão. A palavra mágica e
explicativa era o "milagre".
Esta atitude não implicava em buscas
científicas e atendia perfeitamente à ânsia do maravilhoso, do
sobrenatural,
do espiritual e do religioso. É claro que a
intervenção sobrenatural não deve ser uma pressuposição, mas uma
demonstração que exclua positivamente a explicação natural... A bem da verdade,
deve-se dizer que não faltaram no mundo
e principalmente na Igreja, inteligências esclarecidas e lúcidas que
parecem terem vislumbrado
um caminho mais seguro e mais natural para a
interpretação dos estigmas. O papa Bento XIV (1675-1759)
chegou a explicar como naturais
os fenômenos da estigmatização.
A tese de atribuir a estigmatização autêntica a certas
forças psíquicas já a formulava abertamente Giordano Bruno, em 1595: "
Sabemos bem que algumas pessoas vão tão longe nas suas convicções
religiosas, que chegam fazer aparecer em seu próprio corpo, as chagas da
divindade crucificada, cuja imagem estava gravada em seu espírito,
justamente devido ao poder de sua ardente imaginação".
Influência na pele
A pele é influenciada pelo controle
psíquico no sangue, tanto assim que se pode verificar a ausência ou o
acúmulo do mesmo. O dermografismo simples, vermelhidão ou palidez em
determinados pontos do corpo é relativamente fácil de se conseguir pela
simples sugestão ou auto-sugestão. O empalidecer ou o
avermelhar da pessoa é resultante de emoções psíquicas sobre os vasos
sanguíneos. Palidez ou vermelhidão, ausência ou maior circulação de sangue
são provocadas pelo psiquismo. Estes extremos são os
verificados nas estigmatizações. Os estigmatizados freqüentemente fazem
sangrar sua feridas em determinados dias e outros dias mantém a ferida em
completa ausência de irrigação sanguínea. Desde os tempos
de Charcot observaram-se muitos eritemas, queimaduras, produzidas pela
sugestão hipnótica. Há diversas experiências de feridas provocadas por
sugestão hipnótica, sem referência a idéias religiosas. O
médico inglês Wrict relata de sí próprio que era capaz de provocar à
vontade, em sí mesmo, urticária nos braços e pernas.
Exemplos: Santa Rita de Cássia, embora não completamente
estigmatizada, teve em sua fronte, pelo espaço de sete anos(1443-1450) uma
ferida que se supunha ter sido causada milagrosamente pela coroa de
espinhos de Nosso Senhor. Outro caso sugestivo e
esclarecedor é o de santa Veronica Juliani: seu confessor podia dar-lhe
ordens de que cessassem ou aparecessem... Esta ferida se
inflamou e os seus Superiores proibiram-na, por esta razão, que
participasse do jubileu de 1450, em Roma. Em face da proibição, pediu a
Deus que suprimisse o estigma, o que realmente aconteceu.
Completamente
natural
É demais supor que o
Milagre pudesse ser manuseado com tanta facilidade e com tanto capricho,
tanto pelos "pacientes" quanto por outras autoridades, que com um simples
pedido ou ordem, mandem a Deus que faça aparecer ou desaparecer
determinado fenômeno. Ora, se algumas pessoas podem
psiquicamente formar os estigmas, os outros casos não são sobrenaturais,
não superam, evidentemente, o poder do psiquismo sobre o organismo...
Dizer que o fenômeno é raro, e mesmo raríssimo, não é o
mesmo que demonstrar que é milagroso...
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