|
No
ano 186 a C. o senado romano reagiu contra os cultos forâneos (=
externos) proibindo as Bacchanalia (= festas em honra de Baco, deus
do vinho),e perseguindo duramente os seus seguidores; vários
milhares deles foram executados. Proibia-se a associação dos crentes
de Baco, a não ser em grupos de dois homens e não mais de três
mulheres. Os que não cumprissem estas normas sofreriam a pena
capital..
173
a C. para frear os progressos da superstitio populi (=
superstição do povo) e restaurar a credibilidade dos deuses pátrios
o Senado romano viu-se obrigado a emitir decretos de expulsão contra
mestres de retórica e filósofos gregos.
Cícero (- 63) em De legibus (= sobre as leis) mantém que a
única religião pública é aquela que recebe o reconhecimento do poder
político. Os deuses romanos eram cidadãos que podiam ser
naturalizados, ou privados de cidadania, segundo decisão, ou
conveniência do Estado. Ele afirmava que “nossos antepassados nunca
foram mais sábios nem melhor inspirados pelos deuses, que quando
decidiram que as mesmas pessoas que presidem a religião governem o
Estado”. Daí ao cesaropapismo (= uma única pessoa assume todos os
poderes cívicos e religiosos) só um passo, ou um tempo.
Lucrecio (de Rerum Natura) é um defensor da religião pública
frente a toda forma de superstição.
59
a C. o Senado mandou destruir os altares a Isis e Osiris, dentro do
pomoerium (direito de alojamento) e do capitólio (= uma das
sete colinas de Roma na qual estava o templo de Júpiter, protetor da
cidade, chamada também Tarpeya, pela rocha célebre desde que se
atiravam os meninos com defeitos no nascimento); proibição que se
repetiu em anos posteriores.
29
a C. Augusto ou melhor Caio Octávio, que reformou seu nome para Caio
Julio César Octaviano e recebeu o sobrenome de Augusto, como é
conhecido na História, recebe todo o poder político em suas mãos,
aceitando o título de princeps senatus (príncipe do Senado). Recebe
o título de Imperator, general vitorioso, encarnação viva de
Júpiter, o deus supremo dos romanos. No ano 37 recebe o título de
Augustus, (= divino) com autoridade para ser o garante dos
auspícios. No ano 12 recebe o título de Pontifex máximus, (pontífice
máximo),uma vez morto Lépido, ficando como único e máximo reponsável
de toda a religião romana. Assim neste mesmo ano mandou destruir 2
mil oráculos diversos quando transferiu para o templo de Apolo
Palatino os livros sibilinos (da Sibila, mulher sábia com poderes
proféticos). A religião romana se transformou num dos apoios mais
sólidos do regime imperial. Com exceção de Calígula e Nero, os
demais imperadores do século I apenas se afastaram das normas
marcadas por Augusto, apresentando-se como máximos protetores da
religião tradicional: a tríade capitolina (Júpiter,Juno, Minerva) a
deusa Roma e o Imperador divinizado especialmente em províncias.
Tibério (14 - 37)mandou destruir o templo de Isis-Serapis e jogar no
Tibre a estátua da deusa. Como continuador da obra de Augusto
perseguiu os magos, astrólogos e matemáticos (= no tempo
considerados como adivinhos), judeus e outros seguidores de deuses
orientais.
Claudio (43) ordena uma perseguição de judeus em Roma por causa de
tumultos provocados por enfrentamentos com os cristãos. Entre eles
Áquila (At. 18,2)
Nero(64) inicia a primeira perseguição contra os cristãos não por
motivos religiosos mas por causa do incêndio de Roma do qual são
acusados. Nela morrem Pedro e Paulo. Segundo Tertuliano, (final sec.
II) Nero decretou o Institutum Neronianum (Decreto neroniano)
que permitia às autoridades romanas perseguir os cristãos pelo fato
mesmo de praticar sua religião, embora os autores modernos o neguem.
Porém se propagou entre o povo a idéia de que os cristãos eram ateus
(ver o caso de Sócrates) porque rejeitavam os deuses e as religiões,
especialmente as tradicionais, sem cujos ritos os males sobrevinham
sobre Roma e portanto eram culpáveis dos mesmos. Também que em seus
cultos comiam carne de crianças e organizavam orgias sexuais, o qual
apontava os banquetes eucarísticos, que eram confundidos com os
orientais como os cultos de Mitra ou Baco.
A
LEX ROMANA (AS PERSEGUIÇÕES)
No
ano 304 a.C. existia uma lei promulgada pela autoridade do Senado
que proibia sem ordem do mesmo Senado ou dos tribunos da plebe,
dedicar templo ou altar algum privadamente. Cícero explica dizendo
que ninguém pode separar-se da cidade no culto aos deuses como
ninguém pode infringir suas leis, ou negar-lhe seu serviço, sem
deixar, ipso facto, de ser cidadão e cair sob sua justa vingança.
Tertuliano( autor cristão no fim do século II) é o único que afirma
que existiu um decreto de Nero que afirmava Ut christiani non
sint (= não é lícito ser cristiano). Não se encontrou outro
testemunho e por isso muitos autores o rejeitam. Nero culpou do
incêndio de Roma aos cristãos à semelhança do acontecido na Roma do
século II a C. quando um incêndio de umas casas vizinhas esteve a
ponto de destruir o templo de Vesta, onde se guardava o fogo
sempiterno da cidade. O cônsul(magistrado da república com suprema
autoridade por um ano; era também chefe do exército), mandado pelo
Senado para pesquisar as causas, acusou os habitantes de Cápua, que
então visitavam Roma como causantes, porque Cápua era aliada de
Aníbal, e esperava ser cabeça da Itália contra os interesses de
Roma. Nesta primeira perseguição, de caráter local, morreram os
apóstolos Pedro(crucificado) e Paulo (decapitado por ser cidadão
romano). Foram os mais ilustres mártires, de quem Caio (198 - 217).,
presbítero romano, escreve: “Dá fé desta história a inscrição,
conservada até hoje dos seus sepulcros ... que acharás se te
aproximas ao Vaticano”. Modernamente nas escavações feitas no
subsolo da basílica atual do Vaticano se descobriu um sepulcro com
ossos do 1o século de um velho de 70 anos, com moedas desde o 1o
século e a inscrição Petros eini em grego (Pedro está aqui).
Do
ano 64 até o 313 ano este em que o cristianismo gozou de liberdade
no Império, houve estes períodos de perseguição:
- século I 6 anos de perseguição (domiciano) e 28 de tolerância.
- século II: 86 anos de perseguição e 14 de tolerância
- século III: 24 anos de perseguição e 74 de tolerância.
- século IV: 13 anos de perseguição
Total: 129 anos de perseguição e 120 de tolerância. As perseguições
mais importantes são as de Domiciano (5 anos) cujo motivo foi que
eram molitores rerum novarum, (maquinadores de coisas novas)
e que poderíamos traduzir como suspeitosos contra o regime, em que a
nobreza romana pela primeira vez foi mártir de Cristo..
250
Décio, descendene de uma família senatorial romana, oficial do
Illirico (Yugoslávia atual) tentou reavivar o culto em torno à
figura do imperador. No momento em que assumiu o império ditou um
edito obrigando a todos os cristãos a realizar atos públicos de
submissão religiosa ao imperador e aos deuses oficiais. Aos que o
faziam entregava um certificado(libellus)para não serem molestados
de novo; e os que se negavam podiam ser encarcerados, torturados e
mortos. No fim de um ano as medidas começaram a ser suavizadas,
devido à opinião pública impressionada pelos excessos cometidos.
Mártires: Fabião, papa em Roma, Ágata na Sicília, Dionísio em
Paris. Alguns como Pablo se esconderam no deserto, outros compraram
o libello ou apostataram, daí o problema dos lapsi (caídos).
Em
257 Valeriano O velho Valeriano, no início tolerante, incitado por
Macrino, ministro da fazenda que ambicionava os bens eclesiásticos,
iniciou uma perseguição mais seletiva., de modo que só se obrigava a
oferecer sacrifícios aos membros da hierarquia eclesiástica. Um
segundo decreto ia dirigido contra os cristãos da classe alta em
258. Tudo terminou em 260 ao cair Valeriano nas mãos dos persas.
Total 3 anos. Seu filho Galiano devolveu aos cristãos as igrejas e
iniciou uma paz de quase 50 anos. Mártires: Sixto II em Roma com seu
diácono Lourenço. Frutuoso na Espanha, Cipriano em Cartago.
A última perseguição foi a de
Diocleciano, (10 anos) um gigante de corpo, de espírito organizador.
Instaurou a tetrarquia, que estava acompanhada de um rearme moral e
religioso. Sua mulher e filha eram cristãs. Esta perseguição, que
teve início por dois incêndios perto da casa imperial, foi a mais
cruenta e duradoura. Iniciada em 303 a instigação de seu colega
Galério, César do Oriente, alcançou enorme dureza, exceto nas Gálias
e Britannia, onde o César Constâncio, colega do Augusto Maximiano,
se limitou a destruir alguns lugares de culto. Em 305 Diocleciano
abdicou e a perseguição só se manteve no Oriente através dos dois
césares Galério e Maximino, sendo que noOcidente cessou
praticamente. Em 311 Galério, pouco antes de morrer, ditou um edito
de tolerância Licínio, Constantino e Majêncio o aprovaram. Só
Maximino de modo parcial e por pouco tempo reiniciou as medidas
anticristãs. Mártires: Sebastião em Roma, Lucia em Siracusa.
AS
PERSEGUIÇÕES (Sobre os mártires)
NÚMERO DOS MÁRTIRES
O número de mártires que conhecemos com nomes próprios é um pouco
mais de duzentos. O número conhecido pelas Acta martyrum
(atas dos mártires), pelo culto, ou outras fontes, se aproxima do
milhar. Algumas atas e alguns mártires são famosos. No ano 117,
Ignácio de Antioquia em Roma. No ano 156, Policarpo de Esmirna.. Em
165, Justino. Em 177, os mártires de Lion nas Gálias, França atual,
entre eles são Blondina, escrava. No ano de 180 Perpétua e
Felicidade (esta escrava) em Cartago. Do século III temos Cipriano,
bispo de Cartago e Frutuoso, bispo de Tarragona. Finalmente, na
perseguição de Diocleciano, Vicente, diácono de Zaragoza. São
mártires cujas atas conhecemos. Outros, cujo martírio é conhecido
pelo culto antigo como os grandes mártires romanos Inés, Sebastião,
Pancrácio, dos que temos a igreja a eles dedicada, com seu sepulcro
e inscrições e notícias litúrgicas. Muitos são desconhecidos. Para
os mais moderados, seu número total nos IV primeiros séculos está
mais perto dos 10 mil que dos 100 mil. Talvez foram muitos mais os
que, sem ser mortos, tiveram que afrontar a confiscação de bens, o
desterro, os cárceres e as minas. Como nota: no primeiro semestre
da guerra civil na Espanha, foram mortos 12 bispos, 4 mil sacerdotes
seculares e mais de 2 mil religiosos, entre eles 250 escolápios.
OS
CÁRCERES
Embora o direito romano, segundo Ulpino, tenha os cárceres para
manter os presos e não como punição, ser condenado ad vincula, às
correntes, era um castigo. Sabemos que muitos morreram dentro delas
por falta de higiene, alimento e pelos tormentos recebidos. Os
cárceres eram verdadeiros subterrâneos, sem luz, como exemplo, o
cárcere Mamertino de Roma. De alguns cristãos sabemos que estiveram
dois anos ou mais no cárcere, como Pânfilo; outros, quase um ano,
como os romanos Moisés e Máximo. A prisão comum com sua escuridão,
seu fedor, a promiscuidade e o agrupamento de gentes da pior
espécie, era ainda mais agravada nas masmorras subterrâneas em que
reinava eterna escuridão. Como escreve Prudêncio, “lá se esconde
eterna noite, lá o horrendo cárcere recebe seus réprovos”. Estas
masmorras recebiam o nome de robur (= carvalho) porque era em
caixas desse material que eram encerados os prisioneiros. Daí a
frase de Tito Lívio: in robore et tenebris expirare,
morrer no carvalho e nas trevas. Dentro do cárcere existia o
suplício do lignum(lenho) ou nervus (nervo). Em Filipos vemos
como Paulo e Silas são açoitados com varas e depois metidos na
última masmorra segurando seus pés no lenho (At. 16,34) Era o cepo
ou lenho uma longa peça de madeira, atravessada a intervalos
regulares por buracos onde encaixar os pés. O paciente, tendido de
costas, era forçado por meio de nervos de boi a abrir suas pernas e
encaixá-las em buracos cada vez mais distantes. O quinto buraco era
a distância máxima, passada a qual se produzia a morte por rotura do
ventre. Orígenes tendo 67 anos sofreu longo tempo o suplício do
lenho tendo seus pés no 4º buraco. As mulheres estavam livres deste
suplício. Tertuliano dirá: “Não sente tormento no nervo quem tem sua
alma no céu”.
A
TORTURA
Era procedimento legal e corrente na Grécia e em Roma para arrancar
ao réu a confissão de seu crime. Porém, um cidadão romano não
poderia ser submetido a ela (At. 22,25) Seu nome latino era
quaestio (= inquisição), e não tinha razão de ser desde o
momento em que o réu confessava seu delito. A partir do ano 197 foi
aplicada. Décio mandou que se aplicasse aos cristãos, não para
confessar seu delito, mas para afastá-los da fé. Porém, os suplícios
alcançaram um grau de suprema crueldade nos tempos de Diocleciano(
303-306). Desta perseguição nasceram os sacrifiados, incensados e
libeláticos, aos que se juntaram os traditores, os que entregaram os
livros sagrados. Desta perseguição temos Inés, Pancrácio e
Sebastião, amigo, este último, do Imperador. Serão em Roma os
mártires mais conhecidos e de cujo culto universal existem inúmeras
igrejas como testemunho. Geralmente, iniciava-se o tormento pelas
varas e os açoites ou flagellum. Aquelas para os cidadãos romanos.
Estes para escravos. Desnudavam o réu e o atavam a uma coluna baixa
de modo que as costas estivessem na posição horizontal para
facilitar os golpes. Os açoites podiam ser as plumbata (de chumbo)
em que terminavam as correias ou cordas, e por vezes sigillata, com
ossos das rótulas (sigillum). Mas temos um novo suplício: o
eculeus ou potro que era como o cavalete moderno dos ginastas.. As
torturas sobre o mesmo, quando o réu estava atado de costas eram
consideradas como supremas. Na cabeça e na cauda de semelhante
instrumento estavam anéis, polias, rodas e parafusos giratórios. De
costas, seguros os pés e amarradas as mãos sobre a cabeça com
cordas, que se enrolavam em rodas, ao girar as mesmas, distendiam os
membros até deslocar os ossos. Podia durar horas. Depois, solto,
amarrava-se o réu a um poste ou se atava por baixo do cavalete e se
procedia com pentes de ferro, como se fossem garras, a dilacerar
costados e peito. Também se usavam tochas ardentes que se aplicavam
à carne ou pranchas de ferro ao vermelho vivo, ou chumbo derretido,
que se derramava lentamente sobre as partes mais delicadas do
corpo..
AS MINAS - AS CATACUMBAS
AS
MINAS
Nas atas de alguns mártires encontramos esta frase: damnatus ad
metalla (= condenado aos metais). Entre eles temos os papas
Calixto, Urbano e Ponciano, que eufemisticamente dirá deles
Hipólito, também mártir, foram desterrados à ilha de Cerdanha. Na
realidade, ao trabalho forçado nas minas. Como escreve um
comentarista, era uma maneira lenta de condenar à morte. Na Itália
só encontramos as minas da ilha de Elba e as da Cerdanha. Pelo
contrário era na Hispania (Espanha) onde encontramos as grandes
minas de cobre, ferro e ouro. Para se ter uma idéia, em Cartagena
(Espanha) trabalhavam 40 mil homens, a grande maioria dos quais era
escrava., havendo também condenados como os que remavam nas galeras.
O Estado tinha a propriedade das minas de ouro e prata, arrendando
as outras a particulares. As condições eram duras. Um escravo, cujo
preço equivalia ao de um mulo, era comprado por um particular que
depois o arrendava aos diretores da mina. Tirado o sustento do mesmo
o resto do dinheiro era recebido pelo amo. Um cidadão comum podia
ter dois ou três escravos e desta maneira podia viver sem trabalhar.
Era como arrendar um animal de carga. Uma visão realista a vemos no
filme Barrabás. Falando de escravos, segundo Cícero, a ração de pão
(quase a única comida) de um escravo era de de 30 kg/mês. Cada ano
recebia uma túnica e cada dois anos um sobretudo curto. Daniel Rops
escreve que no século III a pena recebida por um cristão tinha dois
aspectos: os trabalhos forçados das minas, ou a morte. As minas
podiam ser de sal ou de metais. No direito romano ser condendo ad
metalla era considerada uma pena capital. As probabilidades de
subsistir eram de 10% após poucos anos. Os condenados eram
conduzidos a pé, marcados com ferro ardente, acorrentados aos
outros presos por ferros que nem permitiam caminharem erguidos. Era
assim que entravam na sombra da montanha e sofriam uma vida
subterrânea de trabalho ininterrupto, pondo fim a toda esperança.
.Numa promiscuidade repulsiva comiam, dormiam e satisfaziam suas
necessidades, como si fossem bestas, com a única certeza de que já
nào veriam mais a luz, a não ser na plataforma dos cadáveres.
CATACUMBAS
O nome provém provavelmente de junto ao fosso, tradução direta do
grego oficial falado em Roma pela antiga Igreja. Designava, pois,
uma depressão do terreno que rodeava a antiga basílica de são
Sebastião. Hoje designam os cemitérios subterrâneos de extensas
galerias onde cristãos, judeos e pagãos cultivadores de Mitra
enterravam seus mortos. Se as de Roma são as mais conhecidas, também
podemos encontrá-las em Nápoles, Sicília, Egito e Túnez. Começaram
por ser uma extensão subterrânea dos mausoléus ou vilas romanas
dedicados aos mortos, como lugares em que os libertos da família
eram enterrados. O chão, fácil de ser escavado, devido à classe de
caliça chamada toba, em que se encontrava a lazulita ou
lapis-lázuli, que antigos mineiros escavavam em galerias
subterrâneas, para obter materiais de construção e pedras
semi-preciosas. De garimpeiros se transformaram em “fossores”.
Pois é possível que os cristãos aproveitassem essas galerias, porque
não queimavam os cadáveres como os romanos, que costumavam colocar
as cinzas nos columbários. Por isso os judeus e os adoradores de
Mitra também escavaram catacumbas próprias. As mais antigas são as
de S Priscila com S. Domitila, esta da família dos Flávios, ambas do
final do sec I. Se inicialmente eram hipogeos (= tumbas
subterrâneas) que não podiam ultrapassar o limite da vila superior
onde estava enterrado o chefe da família, logo com o transcurso dos
anos foram admitidos outros mortos que não fossem familiares e os
fossores (= escavadores) cavaram galerias fora do limite
patrimonial. Isto foi necessário ao crescer o número dos cristãos no
século III. Assim perdiam o nome do dono particular do terreno e
tomavam o nome de um papa ou mártir célebre, passando de Domitila a
Calixto e Sebastião. Dentre os fossores temos o próprio papa Calixto.
As galerias se estendem por quilômetros. Um total de 900 a 1200 km.
com profundidades de até 25 m e cruzando-se os andares, nalguns
pontos 5 vezes. Era o metrô dos mortos. Como exemplo,a catacumba de
são Sabina tem 1603m e 5736 tumbas. Somente após a paz de
Constantino as catacumbas se transformaram em santuários, em que
temos, além dos lóculi (nichos-tumbas pessoais) os cubiculi
alongamentos com vários loculi , e as criptas Algumas criptas são
tão largas que receberam o nome de basílicas como a de Nero e
Aquileio, verdadeiras salas em que se podiam celebrar as refrigeria,
os banquetes em honra dos mortos, que logicamente terminavam com a
Eucaristia. Entre as criptas mais conhecidas é a dos papas na
catacumba de são Calixto temos a de santa Cecília no mesmo lugar.
Não eram lugares de culto, que se celebrava nas casa particulares,
mas só serviam para comemorar os aniversários dos mártires com os
refrigéria antes explicados. É possível que nos momentos de maior
perseguição, Décio e Domiciano, servissem também como lugares comuns
de encontro e culto cristão.
A FRAGILIDADE HUMANA
O
PÃO DOS FORTES
Os antigos cristãos a levavam para casa (Hipólito + 235) onde a
semelhança dos deuses penates romanos tinham um lugar reservado para
a adorar e se fortalecer cada dia com a comunhão Sendo, pois, o
centro da vida cristã, entre as atenções dadas aos presos pela fé,
estava a Eucaristia. Se havia um sacerdote entre os condenados os
fiéis punham em suas mãos pão e vinho para a celebração. Caso isso
não existir encomendavam a sacerdotes visitantes, ou diáconos e por
vezes simples cristãos, especialmente crianças que levassem o pão
consagrado até os cárceres.. Tal foi o caso Pancracio, de 14 anos, a
quem seus colegas de aula queriam brincasse com eles e como o rapaz
não quis, então ao correr a voz de que portava os mistérios
cristãos, quiseram à força poder contemplá-los ao que Pancracio se
opôs, apesar dos golpes que o deixaram quase morto. Quadratus,
um cristão o socorreu, mas era tarde demais. Pancrácio morreu
defendendo a Eucaristia que portava, como se defendesse o própio
Cristo. A Eucaristia era chamada nessas circunstâncias, o pão dos
fortes. Daí ao viático, comunhão dos enfermos em perigo de morte,
era um passo que a idade média deu e ainda se conservava em nossos
dias.
OS
LAPSI
Numa Igreja que teve um chefe apostólico que negou Jesus três vezes
por medo de uma criada, nem todos foram mártires a aceitar os
sofrimentos e entregar a vida pela pessoa de Cristo. Nos dois
primeiros séculos foram raríssimos os casos de apostasia, palavra
que indica a negação de Cristo como Senhor. Mas no século III,
especialmente sob a perseguição de Décio (250 - 251) os apóstatas,
chamados lapsi (= caidos) em latim, eram bastante numerosos.
Cipriano escreve um tratado em que em primeiro lugar define a causa
de tamanhas quedas: Uma longa paz tinha corrompido a disciplina
divinamente ensinada. Os fiéis não tinham outro afã que aumentar
seus bens; até os bispos andavam à caça de pingues negócios e
enquanto seus pobres morriam de fome, eles se dedicavam a aumentar
suas rendas. Assim escreve, citando Mt. 19,21 e I Tim 6,40 junto com
Lc. 6,22.
TIPOS DE LAPSI
Havia três tipos diferente de apóstatas: os sacrificati, que haviam
sacrificado aos ídolos imperiais, os turificati ou incensados, pois
o vaso do incenso era o turíbulo (tus incenso e fero levar)
que somente queimavam incenso, e finalmente os que compravam o
libelo ou carta oficial, que os declarava como cumpridores do culto
aos ídolos sem tê-lo feito. O libelo era dispendioso e bastava
possui-lo para não ser molestado pelas autoridades. Todos eles caiam
na maldição de Jesus: “Pois se alguém se envergonhar de mim (...)
também eu me envergonharei dele quando vier na glória do Pai (Lc.
9,26) Por isso a Igreja considerou os libeláticos com o mesmo rigor
que os idolátricos.
OS
CONFESSORES
A perseguição de Décio(250) demorou menos de um ano em perder sua
virulência. Se houve apóstatas, houve também os que encarcerados e
sofrendo tormentos, não foram condenados à morte e saíram dos
cárceres com as marca das grilhetas e dos rtomentos do ecúleo. No
início de 251 quase todos os encarcerados foram postos em liberdade.
Eram os confesores, entre eles o mais célebre Orígenes. Os lapsi,
após acabada a perseguição, queriam voltar ao seio da Igreja. Os
sacrificados só obtinham perdão na hora da morte, vivendo, pois em
penitência perpétua. Os libeláticos tinham uma pena temporal, mas se
serviam dos bilhetes de paz (libellus pacis) concedidos pelos
confessores; assim se livrando ou reduzindo a penitência pública,
devido ao mérito dos confessores. Esta é a origem das indulgências.
Como coisa de interesse para nosso caso, diremos que contra abusos
na concessão dessa indulgência se opuseram em Roma o Papa Cornélio e
em cartago o bispo Cipriano. Os de Cartago eram laxos, como
Felicíssimo, e os de Roma extremamente rigorosos com Novaciano ao
frente, que exigia uma Igreja pura, a dos kátaros(coincidência de
nome e de idéias com os hereges da idade média). Assim se uniram
contra a autoridade legítima tanto os rigoristas de Roma, como os
laxistas de Cartago. O cisma, especialmente em Roma, se manteve
durante séculos, em forma minoritária.
A
ÚLTIMA PERSEGUIÇÃO
DIOCLECIANO E O BAIXO IMPÉRIO
Foi
Diocleciano (284-305) o último dos grandes imperadores da Roma pagã.
Com ele abre-se uma época que chamamos de Baixo Império em que os
outros dois grandes nomes serão Constantino e Teodósio. Diz-se dele
que era filho de um liberto, um ex-escravo, e que adquiriu o poder
por um crime, o assassinato do imperador Numeriano(284), segundo o
costume da época. A administração romana estava ferida de morte
pelos francos e saxones no norte e pela rebelião dos bagaudos ou
vagabundos nas Gálias. Eram estes, camponeses arruinados, devedores
insolventes e escravos fugitivos, que se associaram para o roubo e
matança em grande escala. A África do norte também estava em
contínua revolta. Diocleciano não podia fazer frente sozinho a
tanta insurreição e se associou a um outro Augusto, em diarquia (=
chefatura de dois) com ele: Maximiano(286). Diocleiano tomando o
título de Júpiter governava o Oriente, com capital em Nicomedia (na
Turquia oriental, frente a Estambul) e Maximiano como Hércules o
Ocidente. Em 293 o sistema foi completado com os dois césares,
Constâncio Cloro no Ocidente às ordens de Maximiano e Galério no
Oriente sob o comando de Diocleciano. Um sistema que sob o prestígio
de Diocleciano mantinha uma única autoridade, dividida em uma
tetrarquia (4 chefes). As petições ao imperador deviam ser dirigidas
aos quatro, que respondiam em uníssono. Daí resultou a origem dos
plurais de etiqueta ou majestade das línguas modernas. Esses
imperadores da tetrarquia promulgaram 1200 leis, mas a Roma antiga
deixou de existir no seu modelo de comícios e liberdades, e os novos
soberanos pareciam-se mais com os faraós do Egito e os reis
sassânidas persas, do que como os princeps do senado. Por cima das
leis estava o dominus et deus (= imperador e deus), título oficial
dos mesmos. Vestiam-se com o diadema místico dos sassânidas, símbolo
do Sol e da eternidade. O povo devia cumprir o rito da proskinesis,
adoração profunda, beijando a orla de seus vestidos deslumbrantes de
pedras e ouro.
A
PERSEGUIÇÃO
Havia 30 anos que os cristãos viviam em paz. O césar Galério foi sem
dúvida quem advertiu a Diocleciano de que o novo totalitarismo real
e o cristianismo eram incompatíveis. Além da adoratio, existiam
outros motivos para os cristãos serem objetores de consciência.
Galério filho de um pastor do Danúbio cuja mãe era uma pitonisa de
aldeia, a raiz de um incêndio em Nicomedia, obrigou o ancião
Diocleciano a promulgar em 303 um primeiro edito: fim das
assembléias, demolição de igrejas, destruição de livros sacros, e
abjuração de todos os que ocupavam cargos públicos. Três editos
sucessivos acentuaram a severidade das medidas. Não existiu nenhuma
perseguição tão violenta,. As províncias do Oriente, onde mandava
Galério, foram as mais duramente atingidas. Este final do seu
reinado foi justamente apelidado de era dos mártires. Subitamente no
ano 305 ambos augustos renunciaram promovendo a augustos a
Constancio e Galério, que escolheram como césares. Constantino e
Majencio. O mártir mais célebre desta perseguiçõ é Sebastião, o
centurião amigo pessoal de Diocleciano.
GALÉRIO
Com ele a perseguição continuou. Houve um dado novo: a violação das
mulheres cristãs. Muitas preferiram o suicídio. Assim aconteceu com
Sofrônia em Roma, no tempo de Maximino, Era o ano 311 oitavo da
perseguição. De repente Galério teve um abscesso nas partes secretas
do corpo, logo uma chaga fístulosa que corroeu o mais fundo das
entranhas, segundo conta Eusébio. Quase um ano mais tarde promulgou
um edito de tolerância, que Eusébio comenta foi um cantar a
palinódia, o canto em cor, que,como porta-voz do fio da estória, se
cantava para se retratar de cenas anteriores. A esse edito
aderiram-se os demais imperadores como Maximino Daya, Constantino e
Licínio.
MORTE DE GALÉRIO (311)
A raiz de sua doença, Galério decreta um edito que anula ut
Christiani non sint (que não haja cristãos) de Nero com o denuo
ut chritiani sint (de novo que haja cristãos). Morto Galério,
Maximino Daia, sobrinho e César do Augusto Galério, tinha como
súditos o Egito, a Palestina e a Ásia Menor. O César Licínio tinha a
Europa oriental como território. Maximino Daia, filho de uma
pitonisa de aldeia, supersticioso e beberrão,. no início foi benigno
com os cristãos, mas no ano 306 consultou os adivinhos que lhe
disseram que todos os males cessariam quando os deuses romanos
tivessem o culto devido. Ordenou, pois, a todos os súditos
sacrificar publicamente. Após o ano 311 começou um novo método de
perseguição, através de uma campanha publicitária,. Porém o
resultado foi tudo o contrário. A fome, a peste, fizeram estragos
entre a população. A peste foi denominada ânthrax (carvão).
Parece ser a primeira notícia sobre a mesma. Além das inflamações,
atacava os olhos, deixando cegas as pessoas. A guerra também formou
parte das calamidades, pois como os armênios eram na sua maioria
cristãos, se rebelaram. Devido à fome e à peste muitos cadáveres
eram deixados nas praças. Somente os cristãos perseveraram no
cuidado e enterramento dos mortos e repartiam o pão, de modo que
todos confessaram que eles eram os únicos piedosos e temerosos de
Deus. Maximino usou da calúnia contra Cristo, como as Atas de
Pilatos, e trabalhou em favor dos deuses pagãos, usando a
condenação do lenocínio como arma contra as mulheres cristãs, de
modo que as condenava ad lenonem potius quam ad leonem (ao rufião
antes que ao leão).Os mártires mais notáveis são Cosme e Damião,
Blas e Catarina de Alexandria. Famosas foram as minas de bronze de
Feno na Palestina, sendo que os condenados a elas antes eram
marcados com ferro e ficavam sem o olho direito, ou lhes deixavam
coxos da perna esquerda cortando ou cauterizando o nervo.
LICINIO
Contraiamente ao oriente em que o número de cristãos era grande,
Licínio que era o César da Ilíria , atual Yugoslávia, e territórios
do Danúbio, não perseguiu os cristãos. Em 313 visitou Constantino
em Milano, após a vitória deste último sobre Majêncio e casou com
Constância irmã de Constantino. Após esta visita parece que houve
entre os dois césares um acordo de não perseguir os cristãos. Em
abril desse mesmo ano Licínio começa a luta contra Maximino, que
termina com a derrota deste e seu suicídio. Terminava assim a
perseguição contra os cristãos em todo o império. Ao entrar Licínio
em Nicomedia como augusto, 13 de junho de 313 fez promulgar um
decreto sobre culto e respeito à Divindade. Na prática reduzia-se a
uma regra só: liberdade de religião. Ninguém podia ser coagido. ‘Era
necessário permitir que cada um seguisse o impulso de sua
consciência.” Os novos augustos declaravam que “qualquer um que
quizesse seguir a religião cristã possa faz6e-lo sem temor de ser
perseguido. Os cristãos têm plena liberdade de seguir sua religião
(...) Cada qual tem o direito de escolher e de seguir o culto que
prefira, sem ser molestado em sua honra ou em suas convicções. Nisso
está a tranqüilidade de nossos tempos”. Não houve ao que parece um
decreto em Milano, mas um compromisso entre os dois Augustos,
Constantino e Licínio, que este promulgou em Nicomedia, capital do
oriente, como decreto para seus súditos. Em 324 Licínio foi
derrotado por Constantino em Adrianópolis, norte de Estambul, e seis
meses depois mandou matá-lo, ficando assim Constantino dono único
do Império até sua morte em 337.
CONSEQUÊNCIAS
Deste decreto, tomado através das decisões de Milano, foi
estabelecida a igualdade entre cristianismo e paganismo. A religião
de Cristo foi declarada lícita. como era a de Mitra e a dos deuses
egipcios. .Por isso o paganismo demorou mais de dois séculos em
desaparecer, sendo que Juliano, o imperador apóstata, pretendeu
revivê-lo no seu mandato (361 - 363). Citemos entre suas obras
contra o cristianismo a intenção de re-edificar o templo de
Jerusalém .para os judeus. Porém um terremoto e umas misteriosas
chamas acabaram com o projeto. Porém Juliano foi morto numa batalha
contra os persas. A tradição diz que exclamou ao ser ferido de
morte: venceste Galileu,. designando nesta palavra o Cristo.
FIM DAS PERSEGIÇÕES
CONSTANTINO (285
- 337)
Nasceu de uma mãe, santa Helena, filha
de um hospedeiro na região da Dalmácia, hoje Yugoslávia em 285. Foi
educado na corte de Diocleciano em Nicomedia. Em 305, ano da
renúncia dos dois augustos, e sob o domínio de Galério, viaja de
forma novelesca para reunir-se com seu pai, agora augusto, na
Bretanha. Na fuga foi ajudado pela prometida Fausta, filha de
Maximiano, que lhe entregou uma ferradura de cavalo de ouro como
sinal de sorte. No caminho manda cortar o nervo dos cavalos de
posta, uma vez usados, para não ser alcançado pelos emissários do
sogro. Ao se reunir com seu pai o encontra enfermo., quando se
dispunha a castigar os PICTOS da antiga Caledônia, hoje Escócia.
306 - Ao morrer o pai, Constâncio Cloro
em York, é declarado augusto pelas legiões em solo inglês. Sua
nomeação é aceita por Galério, o augusto das províncias da Asia
Menor, que o reconhece só como césar. Luta em Colônia contra os reis
germanos Axarico e Ragásio que, derrotados, foram entregues às
feras.
307
- Casa com Fausta, filha de Maximiano, o antigo augusto do Ocidente.
Este pretende matá-lo. Mas Fausta delata o pai ao marido e no lugar
de Constantino um servo dorme sob os cobertores. Quando o assassino
sai do quarto com a espada coberta de sangue gritando: Fausta, o
tirano está morto, Constantino aparece e Maximiano é encerrado numa
prisão onde pouco depois apareceu enforcado.
311
- Mortos Valério e Galério, Licínio ocupa a Grécia e Governa o
Oriente junto com Maximinino Daza O Ocidente está sob o comando de
Maxêncio (filho de Maximiano) e Constantino.
312 - Na primaveira Constantino deixa o
Reno, após fazer uma aliança com Licínio a quem promete a mão de sua
irmã Constança, e enfrenta na Itália Maxêncio. Tinha 40 mil homens
escassos, galos, germânicos e bretãos contra os 100 mil,
especialmente africanos, de Maxêncio. No 27 de outubro desse ano
chega às portas de Roma após ter infringido 3 derrotas consecutivas
a seu inimigo no norte da Itália. BATALHA DA PONTE MILVIO:
Constantino, que três anos antes afirmava haver tido uma aparição
de Apolo e que invocava o Sol Invictus, teve antes da batalha
uma visão, vista por todo o exército. Como era costume, cada general
invocou a seu deus propício. Maxêncio consultou os livros sibilinos
que lhe disseram que o inimigo dos romanos pereceria. Constantino
invocou o Deus dos cristãos, Cristo, e, em pleno dia, pelo lado do
poente viu no céu uma cruz luminosa com estas palavras em grego
touto nika com isto vence. Nessa mesma noite Cristo apareceu em
sonhos e mandou que fizesse um estandarte com o sinal da cruz. Esta
insígnia foi o Labarum, estandarte imperial em forma de cruz que os
soldados de Constantino portaram desde então. .Os escudos de seus
soldados foram pintados com o X e P gregos entrelaçados que são as
iniciais da palavra XPistós, Cristo. No dia seguinte a batalha é uma
derrota completa de Maxêncio que perdeu a vida na ponte de barcas,
ao querer fugir da derrota. Constantino entrou triunfante em Roma.
313 - De janeiro
a março deste ano encontra-se com Licínio em Milano.. Este toma como
esposa a Constança, irmã de Constantino e entre os dois se
comprometem a dar liberdade aos cristãos. Temos algumas cartas entre
os dois augustos com alguns pactos e o decreto de Licínio, após a
derrota e morte de Maximino em 13 de junho deste ano, que se inicia
com as palavras: Quando Constantino Augusto e eu, Licínio Augusto...
O edito reduz tudo a uma só regra: a liberdade de religião.
“Queremos que, qualquer que deseje seguir a religião cristã, possa
fazê-lo sem o temor de ser perseguido. Os cristãos tem plena
liberdade de seguir sua religião...Cada um tem o direito de escolher
e de seguir o culto que prefira sem ser molestado em sua honra ou em
suas convicções. Está nisso a tranqüilidade de nosso tempo”. Ë o que
se tem chamado de edito de Milão. O
papa Milcíades obteve da emperatriz Fausta o palácio de Latrão que
se transformou em Basílica e residência dos papas (a catedral de
Roma), até o século 14. Como construções religiosas eram as
basílicas espaços cobertos de tetos planos, com 3 ou 5 naves e ao
redor do altar tinham o apsis (=concha) da qual se deriva o ábside,
espaço semicircular que rodeia o altar. .Junto à igreja estava o
baptistérium, ou capela batismal, a única coisa que se conserva
do original de são João de Latrão, embora reformado.
314 - Numa guerra contra seu cunhado
Licínio, Constantino se apoderou da Grécia, Ilíria(Yugoslávia) e
Macedônia, ficando Licínio com a parte da Ásia. Isto deu ocasião
para que Licínio perseguisse o cristianismo e até houve algumas
execuções de cristãos nos seus domínios.
317 - O Labarum, com o monograma
de Cristo, é obrigatório em todos os exércitos e as moedas acunhadas
terão o mesmo numa de suas faces. Até houve alguma com o símbolo da
cruz.
324 - A raiz de um incidente de
fronteira, Constantino decidiu-se a aniquilar seu cunhado e
aproveitou a perseguição religiosa deste para se apresentar como
campeão da fé, e defensor da liberdade de consciência. Licínio foi
derrotado perto de Adrianópolis (este de Constantinopla) e suas 300
galeras afundadas na entrada dos Dardanelos (Bósforo). Foi obrigado
a se render. Constância, a esposa que era irmã de Constantino,
obteve deste a vida de Licínio. Seis meses depois sob pretexto de
conspiração, foi estrangulado por ordem de Constantino.
325 - Diante da questão da natureza e
essência do Logos ao qual Jesus estava unido, celebrou-se em Nicea o
chamado primeiro concílio ecumênico (de toda a ecumene ou do império
habitado) com a presença de Constantino e de 300 bispos, a maioria
do Oriente, sendo que estavam como representantes do Papa Silvestre
dois presbíteros Vito e Vicente e dirigia como presidente Osio, o
bispo de Córdova, confessor ele, do período das perseguições.
326 - Visitando
Roma não foi bem recebido pelos cidadãos e a pedido de Fausta, sua
mulher, mandou matar Crispo. o filho, acusado de querer tomar a
madastra e usurpar os outros filhos. Helena, a mãe, reprochou seu
filho pelo crime cometido em seu neto, o preferido. Constantino viu
sua segunda esposa, Fausta, como culpável e mandou matá-la no
momento do banho. Não foram estas, as únicas violências de
Constantino. Com verdadeiro desprezo da vida humana, entregou às
feras os chefes germanos derrotados, torturou até a morte 6 mil
prisioneiros suevos, e foram empregados em trabalhos forçados 49 mil
cativos godos para a construção de Constantinopla no lugar de
Bizâncio, cidade consagrada à Lua. Precisamente um raio de lua
salvou-a de um ataque macedônico. Os bizantinos puderam assim ver
os preparativos dos assaltantes. A cidade gravou nas moedas a meia
lua que os turcos conservaram como emblema ao apoderar-se dela.
330 - Constantinopla. Iniciadas a obras
seis anos antes no dia 11 de maio de 330 inaugurava-se a cidade, que
seria a nova Roma. Após as missas cantadas nas basílicas, uma
procissão cantando o Kyrie eleison precedia a estátua de
Constantino coberta de ouro e em cuja coroa os raios estavam
formados com os pregos da santa cruz; cruz que tinha sido encontrada
por Helena sua mãe, em Jerusalém(327) como resultado de uma
peregrinação para pagar os crimes do filho( ver ano 326).
337 - Morte. Dispunha-se a lutar contra
o persa Sapor II; mas setiu-se enfermo. Encamado e prestes a morrer,
pediu o batismo. que nesse instante supremo era garantia de absoluto
perdão para passar da terra ao céu (crença no purgatório). Ordenou
que lhe tirassem a púrpura e o vestissem com a alba branca dos
neófitos(recém batizados) e exclamou: Eis o dia pelo que tanto tempo
desejava, eis a hora da salvação de Deus esperada. Neste dia sou
verdadeiramente feliz. Vejo a luz divina. Morreu como cristão quem
teve a alma como tal, mas o cérebro de um pagão.
padre
Ignácio, dos padres escolápios |