PARTE PRIMEIRA: CRONOLOGIA DOS FATOS
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337 - Morte de
Constantino I o Grande. Seus três filhos, Constantino II (Ocidente)
Constâncio (Oriente) e Constante, o mais jovem (Itália, África e
Ilíria) herdam o Império
340 - Morte de
Constantino II quando penetrava na Itália pela vanguarda de
Constante, seu irmão menor, em Aquiléia, hoje uma vila em Udine,
perto da costa adriática, noroeste da Itália (Ver mapa letra a).
Constante, que no momento da batalha estava em Nassius, Mésia (=
Sérvia-Albânia) assume o controle total do Ocidente. Constante foi
um ardente defensor da ortodoxia contra os arianos e muito amigo de
são Ambrósio.
350 - Magnêncio,
oficial romano de origem germânica, foi proclamado augusto do
Ocidente após o assassinato de Constante em Lugduno, Lyon da França
atual.
351 - Constâncio
II, o irmão restante, com o apoio de Vetranion (chefe das tropas do
Ilírico - desde Albânia até a Croácia atuais -), derrotou Magnêncio
na batalha de Mursa (atual Osijek na Croácia). Esta batalha é tida
como a mais sangrenta da centúria: 30 mil mortos da parte do
vencedor e 24 mil entre os vencidos. Pela primeira vez os
legionários romanos foram derrotados pela cavalaria. Magnêncio teve
que se retirar e finalmente cometeu suicídio.
352 - Libério foi
nomeado papa.
353 - Com o suicídio
de Magnêncio, Constâncio ficou dono único do Impéro. Foi o imperador
que fomentou o arianismo, especialmente após a batalha de Mursa. No
concílio de Arlés (perto de Marsella), se esforçou por impor o
arianismo. Atanásio, Hilário e Libério devem exilar-se. Nomeou 2
Césares dentre seus primos: Gallo no Oriente e Juliano no Ocidente.
Gallo se mostrou cruel e incompetente em Antioquia, e foi eliminado
por Constâncio.
359 - No concílio de
Rimini (perto de San Marino na costa adriática italiana)
adotam-se medidas contra o arianismo.
360 - Por um
concílio de Constantinopla se impõe o arianismo aos cristãos.
361 - Juliano, o
futuro imperador, se proclamou a si mesmo Augusto em Lutécia (=
Paris atual). A guerra civil entre os primos(ele e Constâncio II)
foi evitada pela morte de Constâncio nesse mesmo ano. E Juliano foi
o único imperador e o último da família de Constantino. Reinou só 18
meses.Chega vitorioso até Ctesifonte na luta contra os persas. Mas é
morto pouco depois. Joviano, fervoroso cristão, foi proclamado
imperador pelo exército.
364 - Morte de
Joviano por causas circunstanciais. O exército proclamou imperador a
um dos seus oficiais, Valentiniano I.Este designou seu irmão mais
novo Valente, como co-imperador no Oriente. Valentiniano ficou com o
Ocidente, fixando sua residência em Paris. Ambos concordaram em
tolerar as diversas religiões, o que Valentiniano manteve no seu
reinado. Não foi esta a conduta de Valente que perseguiu os não
arianos. Na luta contra os bárbaros um dos generais de Valentiniano
foi Teodosio, que defendeu a Inglaterra dos pictos e saxones. Este
Teodósio (Flávio Teodósio, o velho) foi o pai do, mais tarde, grande
imperador do mesmo nome.
365 - Procópio,
familiar de Juliano, pretende o mando, mas Valente o derrota.
366 - Damaso I,
defensor da ortodoxia, é nomeado papa.
367 - Valentiniano
proclama seu filho Graciano de 9 anos, Augusto e fixou seu quartel
em Tréveris (Trier) oeste alemão, perto da fronteira com Luxemburgo.
368-9 - Teodósio o
jovem, luta junto com seu pai contra os pictos (povos da Escócia que
pintavam seus corpos para a guerra, daí seu nome), na Inglaterra,
detrás da famosa muralha de Adriano que separava a Inglaterra da
Escócia com 117 km de comprimento e que demorou 6 anos na construção.
370-1 - Teodósio
luta contra os alamamni (alemães) nos chamados agri decumani
(Floresta Negra) entre a Francia e a Alemanha.
372-3 - Idem contra
os Sarmatas, povo do sul da Rússia que
entravam na Bulgária atual, nos Bálcãs.
373 - Primeira pugna
entre Ambrósio, bispo de Milão, com o poder temporal. Morte de são
Efrém de Nisíbia ou Nisibis.
374 - Como dux
(comandante militar) na diocese (nome dado às províncias por
Diocleciano) da Mésia no baixo Danúbio derrotou de novo os Sármatas
quando só contava 27 anos. Além da experiência militar, tanto pai
como filho, ambos de origem aristocrática (daí o nome de Flávius)
eram expertos com os cavalos hispanos, famosos por suas atitudes
para a guerra e sobretudo para a carreiras que tanto apaixonavam os
contemporâneos. Aurélio Símaco, um dos senadores romanos mais
notáveis na época, importou cavalos de suas propriedades hispanas
para as carreiras com que devia comemorar a prefeitura de seu filho
em Roma. Desses cavalos, misturados com os do norte da África,
resultou a raça chamada árabe, tão estimada como puro sangue nas
corridas modernas. Seu pai era na época magister equitum
(mestre da cavalaria) ) assim nomeado pelo imperador Valentiniano I.
Na mesma data das vitórias do filho na Mésia o pai foi enviado com
plenos poderes ao norte da África para reprimir a sublevação de
Firmo.
375 - Ao morrer
Valentiniano I de doença quando tratava desde Sirmium (Sremka
Mitrovica da atual Sérvia, ao oeste de Belgrado)
repelir os Quados (povos de
origem suévia no centro da Alemanha, capital Augsburg),
sucede-lhe Graciano, o filho, agora com 16 anos, que
reconhece Valentiniano II, seu meio irmão de 4 anos como augusto.
Devido a maquinações da corte de Graciano (367 - 383), a sorte dos
dois Teodosios mudou. O pai foi arrestado e executado em Cartago.
Embora cristão só se batizou na hora da morte. O filho, nosso
Teodósio, se retirou à Espanha.
376 - Os visigodos,
empurrados pelos hunos se estabelecem no território sul do Danúbio
que pertencia ao império.
378 - Os visigodos
se rebelam contra Valente e este perece na batalha de
Adrianópolis(perto de Bizâncio na maior derrota do exército romano
(40 mil mortos, 4 generais junto com o imperador). Com a morte de
Valente, o Imperador do Oriente, nessa batalha, Graciano, seu
sobrinho, ficou como único imperador e chamou Teodósio à corte.
379 - Graciano
nomeia Teodósio I, imperador do Oriente. Ao provar Teodósio sua
habilidade como militar, derrotando os visigodos causadores do
desastre de Andrianópolis, Graciano o proclamou co-imperador,
dando-lhe o domínio do Oriente junto com as províncias de Dácia e
Macedônia.
380 - Aparece a
crônica de S. Jerônimo. Pelo edito de Constantinopla de Teodósio I
Imperador romano do Oriente se confirma o cristianismo como religião
de Estado no Império. Teodósio se batiza como cristão devido a uma
grave doença, contraída em Tessalônica (atual Salônica na Macedônia,
escolhida por ele como capital temporária, sendo assim o primeiro
imperador romano que exerceu o poder estando batizado, apesar que
seus predecessores desde Constantino, à exceção de Juliano, se
declarassem cristãos e intentassem se comportar como tais. Foi
talvez por isso que foi o primeiro imperador que recusou o título de
Pontifex maximus , que podemos traduzir por Supremo Guardião
dos velhos cultos romanos. Como reconhecesse que os bárbaros,
especialmente os teutônicos e germânicos, podiam ajudar o exército,
bastante minado pelas lutas internas, Teodósio os admitiu como tropa
e oficiais, de modo que em suas dioceses (província hoje) tanto
romanos como teutônicos se encontravam entre seus generais. OBSERVAÇÃO: Como temos visto, em Mursa 54 mil homens morrem pela ambição de um usurpador. O império se destrói a si mesmo. Pelo cesaro-papismo de Constâncio e Valente perderam a vida em meio século mais cristãos pelo ódio mútuo, que em três séculos de martírio e perseguição pagã. Infelizmante repetir-se-ão estes fatos no século16, nas lutas entre reforma e contra-reforma. Um homem, uma pátria, uma idéia, mesmo certa e religiosamente correta, merecem tamanha hecatombe? JULIANO O APÓSTATA (361 - 363) Constâncio II o ariano, perseguidor de Atanásio, deu-se conta de que ele sozinho não podia governar o império. Por isso, como adjunto, com direito à sucessão, nomeou como César no Ocidente a Gallo, seu primo. Havia um consenso entre a tropa que somente os da linhagem de Constantino, o Grande, poderiam governar o Império. Constâncio mandou matar Julio Constâncio seu tio e os parentes maiores no ano de 337. Nesse massacre livrou-se Gallo, irmão 7 anos mais velho que Juliano, então este com 4 ou 5 anos de idade. Era Juliano órfão de pai e mãe porque esta, Basilina, morreu no parto. Eusébia, mulher de Constâncio, sem filhos, parece que o protegeu. Foi educado nas escolas gregas, atraído pelo Neoplatonismo. E adotou o culto do Sol Invicto. Batizado desde pequeno e criado como cristão, essa religião para ele foi a dos que mataram seu pai, seu irmão e parte de sua família. Por isso encontrou mais atrativo na Filosofia. Era também um tempo em que a cultura social da classe alta era ainda pagã. Gallo, seu irmão, após ser nomeado César teve uma conduta deficiente e foi executado em 354 no norte da Itália Pola, hoje Pula, na Croácia no Adriático. Constâncio então chamou Juliano da Grécia. Tinha 23 anos. Foi nomeado César e recebeu como esposa Helena, irmã do imperador. Juliano defendeu as Gálias contra os alemães do Reno e os francos da Bélgica.Com motivo da guerra contra os persas, Constâncio pediu as melhores tropas a Juliano, na época residente em Lutécia (Paris) (360). Mas o exército se rebelou e proclamou Juliano Imperador. A guerra entre tio e sobrinho era inevitável. Mas Constâncio morre (361) e admite o inevitável : deixa o império a seu sobrinho. Aclamado imperador, Juliano simplificou a vida palaciana e reduziu os gastos. Ele declarou sua intenção de governar como Marco Aurélio, como um filósofo, não como um gendarme da Igreja. Todos os bispos exilados puderam voltar e proclamou a liberdade de culto para todas as religiões. Porém a tolerância inicial se converteu em determinação de reviver o paganismo, e elevá-lo ao patamar de religião do Estado, sendo o imperador o chefe dessa igreja pagã. Este propósito passou de uma tolerância aparente, a uma clara supressão e perseguição do Cristianismo. Pagãos eram os preferidos como oficiais e os cristãos expulsos do exército e das escolas. Até escreveu um panfleto atacando as fábulas e falsidades dos galileus, nome que dava aos cristãos. Seu projeto de reedificar o templo de Jerusalém foi mais uma afronta aos cristãos do que um ato de benevolência para com os judeus. Seu plano não deu certo porque surgiram bolas de fogo dos velhos alicerces que espantaram os trabalhadores como nas outras duas ocasiões, uma anterior e outra posterior, em que se tentou reedificar o templo. Igrejas foram queimadas em Damasco e Beirute e bispos, entre eles de novo Atanásio, foram desterrados. Baco foi instalado em algumas basílicas cristãs. Recrutou um exército de 65 mil homens ajudado por uma armada fluvial para invadir os territórios persas. Durante uma desastrosa retirada da cidade de Ctesifonte, ao sul da atual Bagdá, Juliano foi ferido por uma lança que ninguém sabe de onde veio. Dizem que nesse momento sabendo que chegou seu último fim gritou: venceste, Galileu!. Morreu com 31 anos. Tinha sido imperador durante 20 meses .Seus princípios de unidade territorial e espiritual, em que o príncipe podia declarar a religião certa foram os que levaram à cruzada contra os albigenses ou determinaram os poderes da inquisição e o que declarava que cujus regio ejus religio (= qual a região, tal a religião) das religiões reformadas do século XVI. De tolerância nada; simplesmente quis suprimir o cristianismo do Império romano. Havia reinado 20 meses. JOVIANO (363 - 364)(Flávio) Joviano (Singidunum c. 331 - Dadastana 364) Foi proclamado Imperador pelas legiões de Iliria então na Mesopotâmia, após a morte de Juliano. Anulou a reação pagã de Juliano. Teria seguido a política de Constantino, porque embora cristão, durante os poucos meses de seu reinado restaurou os privilégios da Igreja; porém se mostrou tolerante com o paganismo, a exceção de que proibiu os sacrifícios que Juliano tinha proliferado até dar nojo. A pressão dos persas foi tal que a única solução possível foi a cessão dos territórios mesopotâmicos conquistados por Diocleciano. Nos primeiros dias do ano 364 morre Joviano na Ásia Menor. Havia reinado só 8 meses. VALENTINIANO (321 "364 - 375") Flávius Valentinianus nascido em 321 em Cibalis [Vinkovci] no sul da Panônia, cristão. Seu pai, Graciano, foi um soldado ilustre por sua força e seus talentos na luta. Logo foi tribuno e comes da África. O comes era um subalterno do Imperador num território do Império, mais tarde recebeu o nome de Conde. Suspeito de ter relações com Magnêncio seus bens foram confiscados. Mas não impediu que Valentiniano, o filho, entrasse no exército do qual foi em 357, nomeado tribuno da cavalaria sobre Juliano. No entanto foi deposto por este por negar-se a presidir um rito pagão num altar pagão. Valentiniano em 359 teve um filho, Graciano, [mesmo nome que o avô] de Severa, que morreu pouco tempo após o parto. Casou com Justina da qual teve duas filhas e um filho, Valentiniano II. Morto Juliano, Valentiniano foi chamado ao exército por Joviano. Na morte deste último (364) o exército escolheu como seu sucessor a Valentiniano I, a instância do prefeito do Oriente, Segundo Salustio, homem prudente que em duas ocasiões tinha rejeitado sua eleição como Augusto e que, embora pagão, gozava de grande prestígio, com a condição de que tomara um co-reinante com o fim de dividir administrativamente o Império. Escolheu como co-reinante seu irmão Flávio Valente que governou o Oriente enquanto ele ficou como governador do Ocidente. Valentiniano instalou sua capital em Milão. As obrigações para com o Estado levaram Valentiniano a situar o bem comum contrariando a crescente intolerância dos bispos. A historiografia moderna tende a ver nele o último grande monarca que governou no Ocidente e a comparação entre as medidas adotadas durante seu governo e as dos imperadores posteriores confirmam esta opinião. Porém numa época de crispação entre civis e militares, potentiores [mais poderosos] e humiliores [mais humildes] cristãos e pagãos, a historiografia antiga apresentou uma imagem negativa. Os autores cristãos apresentam o imperador como imparcial e obsessivo pela idéia de preservar os direitos do Estado. Tinha proclamado a liberdade de culto só proibindo os sacrifícios noturnos. Não aumentou os privilégios eclesiásticos acordados por Constantino e controlou os abusos que alguns clérigos faziam, como o de visitar jovens viúvas com o fim de obter suas doações, anulando estes legados fruto de coação. Quando os bispos solicitaram sua intervenção em assuntos internos da Igreja, a resposta foi: Eu sou um leigo, resolvei vós mesmos vossos problemas como desejais. Mas também os pagãos que tinham como ideal Juliano o desprestigiaram. Seu melhor acerto foi a eleição de Valente como colega imperial. Parece que o general Dagalaifus, a quem Valentiniano consultou respondeu: "Se preferes a tua família, tens um irmão; mas se preferes o Estado busca alguém mais digno". Neste caso a opção familiar se impôs, dando a seu irmão o título de Augusto. Valentiniano não era um homem culto mais era um valoroso chefe militar com capacidade política e grande dedicação ao Império. Valente era um homem medíocre sem grandes dotes militares e tão pouco culto que nem sabia grego, a língua do Oriente. Por isso estabeleceu sua capital em Antioquia em vez da sofisticada Constantinopla. Durante dois meses ambos irmãos fixaram seus programas de governo e decretaram as medidas que consideravam mais urgentes: liberdade de culto, obrigação de pagar os impostos devidos sem exceções, confirmação da lei de Constâncio que contemplava a criação dos defensores senatoriais, impedindo aos libertos aceder ao grau de clarissimi, [título dos senadores, claríssimos] e o edito de Andrinópolis que reforçava o princípio da herança das condições curiais, pelo qual só podiam ser senadores se tinham um filho como herdeiro. Os filhos dos soldados deviam ser soldados e os filhos dos secretários deviam ser também secretários nas oficinas públicas.
POLÍTICA DE GUERRA
O CRISTIANISMO E
A LEGISLAÇÃO
VALENTE (328 "364 - 378") Flavio Valente nasce em 328 em Cibales (Panônia). Ao morrer Joviano em 364 por causa de um braseiro que emitiu gás tóxico por mal funcionamento, seu irmão foi escolhido como Imperador e quis que Valente fosse o Augusto do Oriente. Foi na parte oriental, governada por Valente, onde teve lugar a insurreição de Procópio. Este fora líder de uma parte do exército de Juliano durante a guerra contra os persas e tinha enterrado o mesmo em Tarso. Com o apoio da viúva do Imperador Constâncio e os chefes militares adictos a Juliano se sublevou até ser derrotado em 366. Executado, sua cabeça foi enviada a Valentiniano no Trier como confirmação. Houve uma certa paz com a Pérsia,não isenta de pequenas escaramuças, mas a guerra continuou nas margens do Danúbio. No ano 367, Valente teve que afrontar a invasão dos godos, unidos a elementos Hunos e Alanos que transpassaram as fronteiras do Baixo Danúbio (Mésia e Trácia). Valente quis recrutar visigodos para a luta. Mas estes, desprezados pela sociedade romana, foram objeto de abusos permanentes, como era que o Comes (subalterno regente como governador de um território, de onde deriva a palavra conde) da Trácia, vendiam os víveres a preços altíssimos a fim de obrigar a vender seus filhos como escravos. Por isso se rebelaram. Desde o Oriente, Valente voltou a Constantinopla e no verão de 378 foi derrotado na batalha de Adrianópolis. Estava vencido o chefe dos godos, mas durante 10 horas discutiram a paz e os soldados romanos tiveram que ficar esperando de pé e cansados, enquanto a cavalaria dos hunos chegava. A derrota atribui-se aos estribos de que estavam equipados os cavalos hunos e que permitiam manobras que não podiam realizar os cavaleiros romanos sem uso dos mesmos. Dois terços do exército oriental tinham perecido na batalha,houve 40 mil mortos, entre eles 4 generais e o próprio imperador. Foi o maior desastre sofrido pelo exército romano após a batalha de Cunas contra os cartagineses. Os godos chegaram às portas de Constantinopla e, embora não conseguissem tomar a cidade, devastaram os campos. Na sua marcha para o Ocidente saquearam o Ilírico e as matronas romanas foram conduzidas como rebanhos de gado à golpe de látego. O ódio para com os godos cresceu de modo que o Magister Trans Taurum mandou que se degolasse todo godo que em épocas anteriores, fora permitido assentar-se na região. A ordem cumpriu-se taxativamente.
SUA POLÍTICA RELIGIOSA GRACIANO (359 "375 - 383") Filho de Valeniniano I e sua primeira mulher, Marina. Casou Valentiniano de novo com Justina, viúva de Magnêncio, da que teve quatro filhos: Valentiniano(II) Grata, Justa e Galla. Na morte do pai as coortes galas, que na realidade eram as donas do poder, proclamaram Augusto a Valentiniano, então com 4 anos. Assim Valentiniano II passou a ser Imperador só da Iliria com capital em Sirmio, onde permaneceu retirado com sua mãe. Em 376 Graciano, por sua parte, prosseguiu a política anti-senatorial do pai, e alguns senadores foram decapitados.Nesse mesmo ano ordenou a execução de Teodósio o velho na África, e o filho deste retirou-se para as suas propriedades na Espanha. Em 378 quis ajudar seu tio na luta contra os godos invasores na Trácia, mas os Alemanis o impediram, tendo que derrotá-los primeiro; e ao conhecer a morte do tio em Adrianópolis, retornou ao Ocidente, nomeando Teodósio, o jovem, Augusto do Oriente (379). As províncias orientais da Panônia ficaram arrasadas pelas hordas bárbaras de modo que Valentiniano II só ficou com a parte ocidental da Panônia. São Jerônimo, nascido nessas terras dirá: "Não ficou mais do que o céu e a terra. Tudo tem desaparecido". São João Crisóstomo dizia que os bárbaros atuavam tão violentamente que um dos seus chefes não compreendia por que os romanos não fugiam em vez de se deixar matar. A diocese de Ilíria ficou dividida de modo que Valentiniano II ficou só com a parte ocidental e em 380 os ostrogodos se estabeleceram na Panônia. Graciano se apoiou no poder eclesiástico, e tomou como conselheiros Dâmaso de Roma e Ambrósio de Milão. Por isso trasladou sua capital de Tréveros (Trier) a Milão. Como católico fervente renunciou ao título pagão de Pontifex Maximus, que tinha assumido no início de seu mandato. O Estado não assumiria os gastos dos templos e sacerdotes pagãos. E o episódio que mais marcou sua política religiosa foi o caso da deusa Vitória que presidia o senado por causa da maioria pagã dos senadores. Houve uma revolta na Inglaterra em 383. O espanhol, Magno Máximo foi proclamado imperador por suas tropas. Graciano se dirige a Paris para combatê-lo e vê como a maioria de suas tropas se passa ao inimigo. Em sua fuga foi detido e pouco depois assassinado.
POLÍTICA RELIGIOSA padre Ignácio - padre escolápio |