Por mais que o
enfeitem os seus defensores, o divórcio é sempre um sofrimento; até mesmo
quando pretende resolver um outro sofrimento. Na escala de eventos que causam
estresse e depressão nervosa, é o segundo. O valor médio da perda de um cônjuge
por morte equivale a um evento estressante de 100 pontos. O divórcio atinge a
escala de 73 e a separação, mesmo sem o divórcio, 65.
Todo o divórcio ou separação é a soma de muitos
estresses e conflitos. E, em geral, a pessoa estressada, deprimida, é aquela
que, embora afetivamente ligada à outra, precisou enfrentar a separação. Por
isso mesmo, sofre no casal a parte que não queria, mas teve que aceitar o fato.
E, por isso mesmo, quase sempre a segunda maior vítima, senão a primeira, é o
filho, que não queria ver os pais separados.
Sejamos honestos ao menos uma vez na vida. Por mais
argumentos que se tenha em favor de um divórcio com segundo casamento, um fato
permanece. Quase sempre traz sofrimento para os dois e sempre, sempre, sempre
traz sofrimentos para os filhos, sobretudo se são pequenos.
Compreender, eles até compreendem, mas deixar de sofrer
não deixam. Por mais que o enfeite com belas frases, o problema permanece. Os
filhos de divorciados carregam uma experiência dupla de sofrimento: o do
casamento que não estava dando certo e o da separação que os obriga a viver
longe de alguém que amam. As visitas são o que são: visitas. É sempre uma
tentativa de compensar e consertar um desmoronamento.
E então? Ficar juntos só por amor aos filhos? Há quem
o faça, sem com isso conseguir paz para si e para eles. Mandar a religião e os
valores da sociedade "às favas" e simplesmente tentar um outro
caminho, mesmo que os filhos não se adaptem? Obrigá-los à força a gostar do
novo parceiro ou parceira? Comprá-los com presentes ou persuadi-los aos poucos?
E quando não dá certo? Chamá-los de egoístas? Jogar a responsabilidade sobre
eles?
Casar não é fácil. Permanecer casado também não é.
E divorciar-se também é um problema. Alguns filhos não opõem resistência.
Existe até quem incentive um outro casamento. Mas a maioria sente, sofre e, se
não fala, não quer dizer que não pensa. Há uma diferença enorme entre ser
filho de pais unidos e ser filho de pais separados. É um difícil aprendizado
para quem nem sequer escolheu seus pais nem seus novos pais, mas precisa
escolher as palavras para não ofender os quatro...
Depois de 22 anos trabalhando com os jovens, não tenho
escala, mas conheço um dos maiores causadores de distúrbios de comportamento
nos adolescentes e nos jovens: o casal em conflito, o casal divorciado. A
sociedade até que absorve o divórcio. Os filhos em geral não absorvem nem
absolvem. E as exceções permanecem o que são: exceções...
padre Zezinho Scj