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DICIONÁRIO
DE EXPRESSÕES E FRASES LATINAS
Compilado por HENERIK KOCHER
1201. Vivite fortes fortiaque adversis opponite pectora rebus. [Horácio, Satirae 2.2.135]. Vivei como homens valentes, e enfrentai a adversidade com corações valentes.
1202. Vivitur exiguo melius: natura beatis omnibus esse dedit, si quis cognoverit uti. [Claudiano, Contra Rufinum 1.215]. Vive-se melhor com pouco: a natureza deu a todos meios de serem felizes, desde que os saibam usar.
1203. Vivitur ingenio, cetera mortis erunt. [Stevenson 941]. Sobrevive-se pelo talento; o resto pertencerá à morte.
1204. Vivitur parvo bene. [Horácio, Carmina 2.16.13]. Vive-se bem com pouco. nAntes contente do que rico. lVivitur parco bene.
1205. Vivorum meminerimus! [Petrônio, Satiricon 43.1]. Lembremo-nos dos vivos! lVivorum memento. [Albertatius 1474]. Lembra-te dos vivos. lVivorum oportet meminisse. [Erasmo, Adagia 1.2.52]. Devemos lembrar-nos dos vivos.
1206. Vivos voco; mortuos plango; fulgura frango. [Inscrição em sino, numa igreja da Alsácia / Rezende 7224]. Convoco os vivos; choro os mortos; enfraqueço os raios.
1207. Vivum cadaver. [Erasmo, Adagia 2.4.3]. Um morto-vivo. lVivum sepulchrum.
1208. Vivunt dum virent. [Grynaeus 108]. Estão vivos enquanto têm vigor.
1209. Vivunt fortes. Os homens valentes vivem.
1210. Vix bene et cito. [DAPR 556]. Bem e rápido é difícil. nDepressa e bem não o faz ninguém. VIDE: lSat celeriter fit, quid satis bene fit. lSat celeriter fieri, quidquid fiat satis bene. lSat cito, si sat bene.
1211. Vix bono peraguntur exitu, quae malo sunt inchoata principio. [Albertano da Brescia, Liber Consolationis 37]. Dificilmente terminam bem as coisas que tiveram mau começo. nMau princípio, pior fim.
1212. Vix depraedatur lupus in quo rure moratur. [DAPR 406]. Raramente o lobo pilha no campo onde mora. nQuando o lobo vai furtar, longe vai caçar.
1213. Vix duo tresve mihi de tot superestis amici. [Ovídio, Tristia 1.5.33]. De todos os meus amigos, mal sobrastes dois ou três.
1214. Vix ea nostra voco. [Ovidio, Metamorphoses 13.141]. Dificilmente chamo essas coisas de minhas. VIDE: lQuae non fecimus ipsi, vix ea nostra voco.
1215. Vix esse credibile, sed verum. [Quintiliano, Institutio Oratoria 4.2.56]. É difícil de se acreditar, mas é verdadeiro.
1216. Vix lacrimas queo retinere. [Sêneca, Troades 926]. Mal posso conter as lágrimas.
1217. Vix me contineo. [Terêncio, Eunuchus 859]. Mal caibo em mim. nNão caibo na pele de contentamento. lVix sum apud me. [Pereira 111].
1218. Vix orimur et occidimus. [Inscrição em relógio de sol]. Mal aparecemos e logo desaparecemos.
1219. Vix sunt homines hoc nomine digni. [Ovídio, Tristia 5.7.45]. Raramente são os seres humanos dignos desse nome.
1220. Vix ulla lex fieri potest, quae omnibus commoda sit, sed, si maiori parti prospiciat, utilis est. [Jur / Black 1821]. Dificilmente se pode fazer uma lei que seja favorável a todos, mas se ela cuida da maior parte, é útil.
1221. Vix ulla perpetua praecepta medicinalis ars recipit. [Celso, Medicina 1]. Dificilmente a ciência médica admite princípios imutáveis.
1222. Vix verbis exprimi potest. [Veleio Patérculo, Historia Romana 2.21.3]. É difícil traduzir isso em palavras.
1223. Vixere fortes ante Agamemnona multi. [Horácio, Carmina 4.9.25]. Viveram muitos homens valentes mesmo antes de Agamenon. lVixere fortes ante Agamemnona, et post Agamemnona vivent. Antes de Agamenon viveram homens valentes, e depois de Agamenon também viverão.
1224. Vixerunt. Eles viveram. (=Estão mortos).
1225. Vixi, et quem dederat cursum fortuna peregi. [Virgílio, Eneida 4.653]. Vivi e completei o caminho que a sorte me destinara.
1226. Vixi quem ad modum volui; quare mortuus sum nescio. [Inscrição em túmulo]. Vivi como quis; por que estou morto, não sei.
1227. Vixit. Viveu. (=Está morto).
1228. Vixit, dum vixit, bene. [Terêncio, Hecyra 461]. Enquanto viveu, viveu bem.
1229. Vobis a verbis durioribus parcite; quae si emissa fuerint ex ore vestro, non pigeat ex ipso ore proferre medicamenta, unde facta sunt vulnera. [RSA 42]. Poupai-vos de palavras mais duras, mas, se elas saírem de vossa boca, não vos envergonheis de que venha o remédio da mesma boca donde vieram as feridas,.
1230. Vobis immunibus huius esse mali dabitur. [Ovídio, Metamorphoses 8.675]. A vós será dado ficar imunes a esse mal.
1231. Vocabula artis. [Black 1821]. Os vocábulos da arte. (=Os termos técnicos).
1232. Vocat labor ultimus omnes. [Virgílio, Eneida 11.476]. O último esforço convoca a todos.
1233. Vocatus atque non vocatus Deus aderit. [Erasmo, Adagia 2.3.32]. Invocado ou não, Deus estará presente. lVocatus et non vocatus Deus est. [Schottus, Adagia 613]. Deus está presente, seja invocado ou não.
1234. Voce magna. Em voz alta.
1235. Vocem praecludit metus. [Fedro, Fabulae 1.2.26]. O medo embarga a voz.
1236. Voci consentanea sit actio. [Grynaeus 651]. Corresponda a ação ao discurso. lVoce vita non discordet. Que a vida não discorde do discurso. nPalavras sem obras, cítara sem cordas. VIDE: lVerba factis probentur. lVerba rebus proba.
1237. Vociferante uno, vociferatur et alter. [Schrevelius 1177]. Quando um grita, logo grita também um segundo.
1238. Volare qui potest, non serpat. [Pontanus / Stevenson 838]. Quem pode voar não rasteje. nQuem pode ser livre não se cative.
1239. Volat aetas. O tempo voa.
1240. Volat hora per orbem. [Manílio, Astronomica 1.642]. O tempo voa pelo mundo.
1241. Volat irrevocabile verbum. [Horácio, Epistulae 1.18.71]. A palavra que vai não volta. nPalavra e pedra solta atrás não volta. nA palavra, como a pedra, não torna depois de lançada. VIDE: lEvolat, emissum semel, irrevocabile verbum. lSemel emissum volat irrevocabile verbum. lVerbum emissum non redit. lVerbum irrevocabile est.
1242. Volaticum iusiurandum. [Erasmo, Adagia 4.2.77]. Um juramento leviano.
1243. Volatilia ad sibi similia conveniunt. [Vulgata, Eclesiástico 27.10]. Os passarinhos se juntam com os da sua espécie. nAves da mesma pena andam juntas. nCada um procura o seu semelhante. VIDE: lAssidet usque graculus graculo. lConcolores aves facillime congregantur. lGraculus graculo assidet. lMonedulae semper monedula assidet. lPares cum paribus facillime congregantur. lPares cum paribus maxime congregantur. lParium cum paribus facilis congregatio est. lSemper graculus assidet graculo. lSemper graculus cum graculo. lSolent pares facile congregari cum paribus.
1244. Volens et potens. Querendo e podendo. lVolens et valens.
1245. Volens nolens. Quer queira(s) ou não. VIDE: lSive velis, sive nolis.
1246. Volens nolente animo. [Erasmo, Adagia 2.7.82]. Concordando contra a vontade.
1247. Volente Deo. Se Deus quiser. VIDE: lDeo volente.
1248. Volentem bovem ducito. [Erasmo, Adagia 4.1.27]. Conduze o boi que quer ser conduzido. nAs coisas levam-se por vontade, e não às pancadas. VIDE: lDucito bovem volentem.
1249. Volenti et consentienti non fit iniuria. [Jur]. Ao que quer e concorda não se faz injustiça. lVolenti non fit iniuria. [Broom 223; Maloux 104]. Não se causa dano a quem quer (o fato). VIDE: lEt scienti et consentienti non fit iniuria. lIniuria non fit volenti. lNemo videtur fraudare eos qui sciunt et consentiunt. lNulla est iniuria quae in volentem fiat. lScienti et consentienti non fit iniuria neque dolus. lScienti et consentienti nulla fit iniuria. lScienti et volenti non fit iniuria.
1250. Volenti mutuari a te, ne avertaris. [Vulgata, Mateus 5.42]. Não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.
1251. Volenti nihil difficile. [Rezende 7230]. nA quem quer nada é difícil. nNada é difícil para quem quer. nQuerer é poder. lVolenti nihil impossibile. [DAPR 562]. Para quem quer nada é impossível. VIDE: lNil difficile volenti. lNil volentibus arduum.
1252. Volito vivus per ora virum. [Epitáfio de Ênio / Stevenson 1620]. Eu estou vivo, eu vôo pelas bocas dos homens.
1253. Volitum, dictum, factum. [Bernardes, Nova Floresta 4.236]. Desejado, dito, feito. nDito e feito. nAssar e comer. VIDE: lConfestim dicto citius res ipsa peracta. lDictum ac factum. lDictum, factum. lMox simul ac dictum est verbum, res ipsa peracta est. lSimul et dictum et factum. lSimul dictum, simul factum. lUt dictum et actum est. lVeni, vidi, vici.
1254. Volitum nihil, nisi cognitum. [Signoriello 178]. Só se deseja o que se conhece. nNão se deseja o que o olhar não veja. VIDE: lIgnoti nulla cupido. lNihil volitum, nisi cognitum. lNihil volitum, nisi praecognitum. lNihil volitum quin praecognitum. lNihil volitum quod non cognitum. lQuae ignoramus, spernuntur. lQuod latet ignotum est; ignoti nulla cupido.
1255. Volo is esse, quem tu me esse voluisti. [Cícero, Ad Familiares 1.7]. Quero ser a pessoa que tu quiseste que eu fosse.
1256. Volo, non valeo. [Stevenson 2509]. Quero, mas não posso.
1257. Volo vos sapientes esse in bono, et simplices in malo. [Vulgata, Romanos 16.19]. Quero que sejais sábios quanto ao que é bom, porém inocentes quanto ao que é mau.
1258. Volucres nulla dulcius arte canunt. [Propércio, Elegiae 1.2.14]. Os pássaros, sem nenhuma arte, cantam com mais doçura.
1259. Volui congregare filios tuos quemadmodum gallina congregat pullos suos sub alas. [Vulgata, Mateus 23.37]. Quis eu ajuntar teus filhos, do modo que uma galinha recolhe debaixo das asas os seus pintos.
1260. Voluit, sed non dixit. [Jur / Black 1822]. Quis, mas não disse.
1261. Volunt homines ita praeceptum esse ut vivunt, non ita vivere ut praeceptum est. [PSa]. Os homens querem que a lei seja como eles vivem, e não viver de acordo com a lei.
1262. Voluntarius daemon. [Coke / Black 1823]. Um louco voluntário. (=Um beberrão).
1263. Voluntas ad necem. A intenção de matar. VIDE: lAnimus necandi.
1264. Voluntas bona pro facto est. [DAPR 681]. nA boa-vontade supre a obra. nMais faz quem quer do que quem pode.
1265. Voluntas causat, quia vult. A vontade faz acontecer, porque quer.
1266. Voluntas est mihi. É minha vontade.
1267. Voluntas facit usum, usus exercitium, exercitium vires. [S.Bernardo / Bernardes, Luz e Calor 1.221.71]. A vontade faz o uso; o uso faz a prática, e a prática cria forças.
1268. Voluntas facto, magis quam verbis, declaratur. [Jur]. A intenção se expressa mais pela ação que pelas palavras.
1269. Voluntas habetur pro facto. [Stevenson 2509]. A vontade é considerada como ação. nA intenção é que faz a ação. VIDE: lVoluntas reputatur pro facto.
1270. Voluntas hodie vincit rationem. [VES 136]. Hoje a vontade vence a razão. nQuero porque quero. VIDE: lVoluntas vincit rationem.
1271. Voluntas hominis ambulatoria est usque ad vitae supremum exitum. [Ulpiano, Digesta 24.1.32]. A vontade do homem é mutável até o último dia de sua vida. VIDE: l Ambulatoria est voluntas defuncti usque ad vitae supremum exitum. lSit ambulatoria voluntas usque ad vitae supremum exitum.
1272. Voluntas impudicum, non corpus, facit. [Publílio Siro]. É a vontade, não o corpo, que faz o homem dissoluto.
1273. Voluntas in vultu cognoscitur. [S.Bruno Astense / Bernardes, Luz e Calor 1.33]. No rosto se conhece a vontade.
1274. Voluntas legis. [Digesta 1.3.19]. A intenção da lei. VIDE: lMens legis.
1275. Voluntas magis quam verba plerumque intuenda sunt. [Codex Iustiniani 6.42.16.1]. Geralmente deve-se considerar mais a vontade que as palavras.
1276. Voluntas non est, ubi est necessitas. Não há vontade quando há necessidade.
1277. Voluntas non potest cogi. [Stevenson 2508]. A vontade não pode ser coagida.
1278. Voluntas principis suprema lex est. A vontade do príncipe é a lei suprema. nVontade de rei tem força de lei. nVão as leis aonde querem os reis. VIDE: lQuicquid regi placuerit, quamvis ratione careat, legis habet vigorem. lQuo volunt reges, vadunt leges. lQuo voluntas regis vadunt leges. lQuod placuit principi legis habuit vigorem. lQuod principi placuit, legis habet vigorem. lQuod principi placuit, legis habet rationem. lRegis voluntas suprema lex esto. lUt volunt reges, ita valent leges.
1279. Voluntas pro facto reputatur. [Mota 41]. A vontade é considerada como ação. nA intenção é que faz a ação. lVoluntas reputatur pro facto. [Black 1823]. VIDE: lVoluntas habetur pro facto.
1280. Voluntas testatoris est ambulatoria usque ad extremum vitae exitum. [Jur / Coke / Black 1823]. A vontade do testador é mutável até o último momento da vida.
1281. Voluntas testatoris non est quaerenda, si manifesta sunt verba. [Jur]. A vontade do testador não deve ser indagada, se suas palavras são claras.
1282. Voluntas vincit rationem. A vontade vence a razão. nQuero porque quero. VIDE: lVoluntas hodie vincit rationem.
1283. Voluntate propria quisque malus est. [S.Agostinho, De Civitate Dei 2.4]. O homem é mau por sua própria vontade.
1284. Voluntatem coactam nullam esse. [VES 116]. A vontade sob coação é sem valor.
1285. Voluntati Dei subiecta sunt omnia. Tudo está sujeito à vontade de Deus. nQuando Deus quer, água fria é remédio.
1286. Volupia nulla est navitis quam cum ex alto procul terram conspiciunt. [Plauto, Menaechmi 226]. Não há maior prazer para os marinheiros do que, quando do alto mar, olham a terra distante.
1287. Voluptas abit, turpitudo manet. [Stevenson 587]. O prazer passa, mas a infâmia fica. nVão-se os amores, e ficam as dores.
1288. Voluptas e difficili data dulcissima est. [Publílio Siro]. O prazer mais doce é o que se obtém com dificuldade. nO que mais custa melhor sabe.
1289. Voluptas est illecebra turpitudinis. [Cícero, De Legibus 1.31]. O prazer é um estímulo à baixeza.
1290. Voluptas est malorum esca. [Grynaeus 414]. O prazer é o alimento dos vícios. lVoluptas esca malorum. [Schrevelius 1173]. lVoluptas malorum esca, quo ea non minus homines, quam hamo capiuntur pisces. O prazer é o alimento dos vícios; os homens não são menos apanhados por ele do que os peixes pelo anzol. VIDE: lEsca omnium malorum voluptas. lMalorum esca voluptas. lPlato escam malorum voluptatem appellat.
1291. Voluptas, malorum mater omnium. A sensualidade é a mãe de todos os males.
1292. Voluptas non est voluptas quae cum mala fama, malaque conscientia coniuncta est. [Erasmo, Colloquia Familiaria 6]. Não é prazer o prazer que está junto com a má-fama e a má consciência.
1293. Voluptas nullum habet cum virtute commercium. [Cícero, De Senectute 42]. O prazer não tem nenhum relacionamento com a virtude.
1294. Voluptas pingitur pulcherrimo vestitu et ornatu regali. [Cícero, De Finibus 2.69, adaptado]. O prazer se cobre com a mais bela roupagem e luxuoso adorno.
1295. Voluptas tacita metus est magis quam gaudium. [Publílio Siro]. O prazer que obriga ao silêncio é mais medo do que satisfação.
1296. Voluptate capiuntur omnes. [Cícero, De Legibus 1.1]. Todos se deixam prender pelo prazer.
1297. Voluptate, vino et amore delectavero. [Plauto, Mercator 547]. Eu me deliciarei com o prazer, o vinho e o amor.
1298. Voluptate virtus saepe caret, nunquam indiget. À virtude muitas vezes falta o prazer, mas ela nunca precisa dele.
1299. Voluptatem consuetudine quasi alteram naturam effici. [Cícero, De Finibus 5.74]. O prazer torna-se pelo habito como que uma segunda natureza.
1300. Voluptatem fuge, parit enim tristitiam. [Cleóbulo / Rezende 7239]. Foge do prazer, pois ele gera tristeza.
1301. Voluptatem maeror sequitur. [Stevenson 1275]. A tristeza segue o prazer. nO prazer está perto da dor. nNão há gosto sem desgosto. lVoluptatem ut maeror comes consequatur. [Plauto, Amphitruo 481]. A tristeza segue o prazer como sua companheira. VIDE: lExtrema gaudii luctus occupat. lIta diis est placitum, voluptatem ut maeror comes consequatur. lVoluptatis comes maeror.
1302. Voluptates commendat rarior usus. [Juvenal, Satirae 11.208]. O uso moderado valoriza os prazeres.
1303. Voluptati soror est tristities. [Tosi 1649]. A tristeza é irmã do prazer. nO prazer está perto da dor.
1304. Voluptatis comes maeror. A tristeza é a companheira do prazer. nO prazer está perto da dor. nNão há gosto sem desgosto. VIDE: lExtrema gaudii luctus occupat. lIta diis est placitum, voluptatem ut maeror comes consequatur. lVoluptatem maeror sequitur. lVoluptatem ut maeror comes consequatur.
1305. Volventibus annis. [Virgílio, Eneida 1.234]. Com o passar dos anos.
1306. Voramus ad mortem, potamus ad egestatem, et ad infernum dormimus. [Lutero / Bernardes, Nova Floresta 4.127]. Nós comemos até morrer de fartos, bebemos até estancar de pobres, dormimos até acordar no inferno. [Tradução do Padre Bernardes].
1307. Vorare hamum. [Erasmo, Adagia 2.5.74]. Engolir o anzol. nMorder a isca. nEngolir a isca.
1308. Vos adoratis quod nescitis; nos adoramus quod scimus. [Vulgata, João 4.22]. Vós adorais o que não conhecei, nós adoramos o que conhecemos.
1309. Vos autem contristabimini, sed tristitia vestra vertetur in gaudium. [Vulgata, João 16.20]. Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza se há de converter em gozo.
1310. Vos autem estis corpus Christi. [Vulgata, 1Coríntios 12.27]. Vós outros, pois, sois corpo de Cristo. VIDE: lCorpus Christi.
1311. Vos autem qui estis? [Vulgata, Atos 19.15]. Quem sois vós?
1312. Vos enim non intratis, nec introëuntes sinitis intrare. [Vulgata, Mateus 23.13]. Nem vós entrais, nem aos que entrariam deixais entrar.
1313. Vos estis lux mundi. [Vulgata, Mateus 5.14]. Vós sois a luz do mundo. lVos estis lumen mundi.
1314. Vos estis sal terrae. [Vulgata, Mateus 5.13]. Vós sois o sal da terra.
1315. Vos estis soli homines, et vobiscum morietur sapientia. [Vulgata, Jó 12.2]. Só vós sois homens (sábios), e convosco morrerá vossa sabedoria.
1316. Vos et decor, et cantus, et amor sociavit, et aetas. [Calpúrnio Sículo]. A beleza e o canto, o amor e a juventude vos tornaram companheiros.
1317. Vos exemplaria Graeca nocturna versate manu, versate diurna. [Horácio, Ars Poetica 268]. Folheai os modelos gregos de noite, folheai-os de dia.
1318. Vos inopes noscitis quis amicus quisve sit hostis. [Stevenson 905]. Vós, que sois pobres, sabeis quem é amigo e quem é inimigo.
1319. Vos plaudite. [Horácio, Ars Poetica 155]. Vós, aplaudi. VIDE: lPlaudite, cives! lValete et plaudite.
1320. Vos prius in me strinxeritis ferrum quam in vos ego. [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 7.40]. Vós enfiareis a espada em mim antes do que eu em vós.
1321. Vos quaerites a me, fratres carissimi, quomodo itur ad paradisum? Hoc dicunt campanae monasterii: dando, dando, dando. [Paul Louis Courier]. Vós me perguntais, caríssimos irmãos, como se vai ao paraíso? Isso dizem os sinos do mosteiro: dando, dando, dando.
1322. Vos qui transitis, nostri memores rogo sitis: quod sumus, hoc eritis, fuimus quandoque quod estis. [Inscrição em túmulo]. Vós que passais, peço que vos lembreis de mim: vós sereis o que sou; eu já fui o que vós sois.
1323. Vos vestros servate, meos mihi linquite mores. [Petrarca / Rezende 7241]. Segui os vossos costumes; deixai a mim os meus.
1324. Vosne velit, an me, regnare era, quidve ferat, Fors virtute experiamur. [Ênio / Cícero, De Officiis 1.12]. Provemos pelo nosso valor se o senhor Destino quer que vençais vós ou eu.
1325. Vota non numerantur, sed ponderantur. Os desejos não se contam, pesam-se.
1326. Vota senum, consulta virorum, et facta iuventae. [Grynaeus 33]. Desejos dos velhos, decisões dos adultos e ações dos jovens. VIDE: lFacta iuvenum, consilia mediocrium, vota senum. lIuvenibus opera, consilia vero senioribus conveniunt. lIuvenum lanceae, senum consilia. lSenum consilia, iuvenum lanceae. lSunt iuvenum acta, virum consulta, preces seniorum. lTemeritas est florentis aetatis, prudentia, senescentis. lTemeritas est florentis aetatis, sapientia senectutis.
1327. Votiva tabella. [Horácio, Sermones 2.1.33]. Ex-voto. VIDE: lEx voto.
1328. Votum consultativum. [Jur]. Voto consultivo.
1329. Votum deliberativum. [Jur]. Voto deliberativo. Voto decisório.
1330. Vox amici, vox Dei. [Pontanus / Stevenson 1777]. Voz do amigo, voz de Deus.
1331. Vox audita perit, littera scripta manet. [Stevenson 2437]. A voz ouvida se perde, a letra escrita permanece. nPalavras leva-as o vento. nO preto no branco fala como gente. VIDE: lLittera scripta manet, verbum at inane perit. lLitterae scriptae manent. lQuod non legitur, non creditur. lSit verbum vox viva licet, vox mortua scriptum, scripta diu vivunt, non ita verba diu. lVerba sicut ventus volant, scripta sicut monumenta manent. lVerba volant, scripta manent. lVox emissa volat, littera scripta manet.
1332. Vox clamans in deserto. [Divisa da Universidade de Yale, EUA]. A voz que clama no deserto.
1333. Vox clamantis in deserto. [Vulgata, Isaías 40.3]. A voz do que clama no deserto. nPregar no deserto, sermão perdido. VIDE: lEgo vox clamantis in deserto.
1334. Vox clandestina. Uma voz secreta. Um cochicho.
1335. Vox constituto sera decreto venit. [Sêneca, Medea 198]. Teu pedido chega tarde, quando a sentença já foi proferida.
1336. Vox edita in auras. A palavra lançada ao vento.
1337. Vox emissa volat, littera scripta manet. [Broom 517; Sweet 128]. A voz emitida voa, a letra escrita permanece. nPalavras leva-as o vento. nO preto no branco fala como gente. VIDE: lLittera scripta manet, verbum at inane perit. lLitterae scriptae manent. lQuod non legitur, non creditur. lSit verbum vox viva licet, vox mortua scriptum, scripta diu vivunt, non ita verba diu. lVerba sicut ventus volant, scripta sicut monumenta manent. lVerba volant, scripta manent. lVox audita perit, littera scripta manet.
1338. Vox et praeterea nihil. [Plutarco, descrevendo o rouxinol]. Uma voz e nada mais. (=A expressão é usada com referência a pessoas que muito prometem ou que ameaçam, mas nada fazem). nGrandes atoardas, tudo nada. VIDE: lVox nempe es, et nihil aliud. lVox tu es, et nihil praeterea.
1339. Vox faucibus haesit. [Virgílio, Eneida 3.43; 4.280]. A voz me ficou presa na garganta.
1340. Vox hoc nuntiat omnis. [Marcial, Epigrammata 7.6.3]. Toda voz anuncia isso. nEstá na boca do povo.
1341. Vox mea, vox grata: cibaria dico parata. [Inscrição na sineta de um refeitório]. Minha voz é uma voz agradável: eu aviso que a comida está pronta.
1342. Vox mea, vox vitae. Voco vos ad sacra. Venite. [Inscrição em sino]. Minha voz é a voz da vida. Convoco-vos para o culto. Vinde.
1343. Vox nempe es, et nihil aliud. [Apostólio, Paroimiai 20.46]. Certamente tu és uma voz, e nada mais. nQuem muito fala, pouco faz. VIDE: lVox et praeterea nihil. lVox tu es, et nihil praeterea.
1344. Vox occidi non potest. [S.Pedro Crisólogo]. A voz não pode ser morta.
1345. Vox operis validior est, quam oris. A voz das obras pode mais do que a voz da boca. . nObras falam, palavras calam. nObras são amores, e não palavras doces. nMais obras e menos palavras. VIDE: lValidior vox operis, quam oris.
1346. Vox populi de civitate, vox de templo, vox Domini reddentis retributionem inimicis suis. [Vulgata, Isaías 66.6]. Voz do povo vinda da cidade, voz vinda do templo, voz do Senhor, que dá o pago a seus inimigos.
1347. Vox populi habet aliquid divinum. [Bacon / Stevenson 1776]. A voz do povo tem alguma coisa de divino.
1348. Vox populi, vox Dei. [Hesíodo / Polydorus, Adagia] nVoz do povo, voz de Deus. VIDE: lNec audiendi sunt qui solent dicere vox populi, vox Dei, cum tumultuositas vulgi semper insaniae proxima sit. lSacra populi lingua est.
1349. Vox populi, vox insaniae. [Alcuíno]. A voz do povo é a voz da loucura. nVoz do povo, voz do diabo.
1350. Vox populi, vox naturae. [Busarello 296]. A voz do povo é a voz da natureza.
1351. Vox publica. [Veleio Patérculo, Historia Romana 2.66.2]. A voz pública.
1352. Vox rerum. O som das coisas.
1353. Vox sanguinis. A voz do sangue.
1354. Vox sanguinis fratris tui clamat ad me de terra. [Vulgata, Gênesis 4.10]. A voz do sangue do teu irmão clama por mim desde a terra.
1355. Vox tu es, et nihil praeterea. Tu não passas de uma voz. nQuem muito fala, pouco faz. VIDE: lVox et praeterea nihil. lVox nempe es, et nihil aliud.
1356. Vox unius, vox nullius. nVoz de um, voz de nenhum. nUm e nenhum, tudo é um.
1357. Vulgare amici nomen, sed rara est fides. [Fedro, Fabulae 3.9.1]. A palavra amigo é muito comum, mas a fidelidade é rara.
1358. Vulgare Graeciae dictum, semper Africam aliquid novi afferre. [Plínio Antigo, Naturalis Historia 8.16.17]. É vulgar a sentença grega: a África sempre (nos) traz alguma coisa de novo. VIDE: lEx Africa semper aliquid novi. lFert Africa noxia semper. lSemper affert Lybia mali quippiam. lSemper Africa aliquid novi affert. lSemper Africa gignit aliquid mali. lSemper Africa novi aliquid apportat. lSemper aliquid novi affert Africa. lSemper aliquid novi Africam afferre.
1359. Vulgari pisci non insunt spinae. [Grynaeus 96]. Peixe ruim não tem espinhos.
1360. Vulgo. Vulgarmente. Comumente.
1361. Vulgi opinio. A opinião pública.
1362. Vulgo veritas iam attributa vino est. [Plínio Antigo, Naturalis Historia 14.28.141]. A verdade já foi atribuída pelo povo ao vinho. VIDE: lIn vino veritas. lSi latet in vino veritas, ut proverbia dicunt, invenit verum Teuto, vel inveniet.
1363. Vulgum pecus. Um rebanho servil. (=A multidão ignorante. A ralé).
1364. Vulgus amicitias utilitate probat. [Ovídio, Ex Ponto 2.3.8]. O vulgo mede as amizades pela utilidade. nQuem me quer bem diz-me do que sabe e dá-me do que tem. nBole com o rabo o cão, não por ti, mas pelo pão.
1365. Vulgus animosa miratur et audaces in honore sunt; placidi pro inertibus habentur. [Sêneca, De Ira 3.41.2]. A populaça admira as ações intrépidas, e os audaciosos são valorizados; as pessoas ponderadas são tidas por ineficientes.
1366. Vulgus consuetudinem pro lege habet. [Schrevelius 1171]. O povo considera o costume como lei.
1367. Vulgus est cupidum novarum rerum. O povo é amigo das novidades. nDo novo gosta o povo. lVulgus est cupidum novarum rerum, quieti et otio adversum. [Salústio, Bellum Iugurthinum 66]. O vulgo é desejoso de coisas novas, contrário à tranqüilidade e ao sossego.
1368. Vulgus ex veritate pauca, ex opinione multa aestimat. [Cícero, Pro Roscio Comodeo 29]. O povo considera poucas coisas a partir da realidade, e muitas a partir da crença. lVulgus ex veritate pauca, ex opinione multa iudicat.
1369. Vulgus ignavum et nihil ultra verba ausurum. [Tácito, Historiae 3.58]. É um bando covarde, audacioso só na língua.
1370. Vulgus indoctum. [Erasmo, Moriae Encomium 65]. A massa ignara. lVulgus insipiens.
1371. Vulgus opinatur quod postmodum verificatur. [Stevenson 2237]. O que o povo imagina, depois se confirma. nO povo aumenta, mas não inventa. nO que o povo diz ou é, ou quer ser. nOnde há fumaça, há fogo. VIDE: lFama non temere spargitur. lQuod famam obtinuit non est omnino falsum. lRumor publicus non omnino frustra est. lVerum dicere Fama solet.
1372. Vulgus veritatis pessimus interpres. [Sêneca, De Vita Beata 2.2]. O vulgo é o pior intérprete da verdade. nQuem conta um conto aumenta um ponto.
1373. Vulgus vult decipi, ergo decipiatur. [Rezende 7253]. O povo quer ser enganado, pois que o seja. VIDE: lMundus vult decipi, ergo decipiatur. lPopulus vult decipi, decipiatur. lQui vult decipi, decipiatur. lSi mundus vult decipi, decipiatur.
1374. Vulnera dum sanas, dolor est medicina doloris. [Dionísio Catão, Disticha 4.40]. Enquanto curas as feridas, a dor é o remédio da dor.
1375. Vulnera ne facias, quae potes ipse pati. [Gualterius Anglicus, Fabulae Aesopicae 33.14]. Não causes feridas que tu mesmo podes sofrer.
1376. Vulnera, nisi sint tacta tractataque, sanari non possunt. [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 28.27]. As feridas só podem ser curadas, se forem tocadas e tratadas.
1377. Vulnera qui passus fuit, est bonus ille chirurgus. [Pereira 112]. O bom cirurgião é o que já sofreu ferimentos. nNão há melhor cirurgião que o bem acutilado.
1378. Vulnerant omnes, ultima necat. [Inscrição em relógio / DAPR 754]. Todas as horas machucam, a derradeira mata. VIDE: lOmnes vulnerant, ultima necat.
1379. Vulneratus, non victus. Ferido, mas não vencido.
1380. Vulneribus didicit miles habere metum. [Propércio, Elegiae 3.11.6]. Com os ferimentos o soldado aprendeu a ter medo.
1381. Vulnerum animi tamquam sanguis lacrimae sunt. [S.Gregório Nisseno / Rezende 7257]. As lágrimas são como que o sangue das feridas do coração.
1382. Vulnus linguae consolidari non potest. [Boncompagno, Breviloquium 8.6]. A ferida feita pela língua não se pode sarar. nMais fere má palavra do que espada afiada.
1383. Vulnus non penetrat animum. [Macróbio / Stevenson 2646]. Ferida não penetra no espírito.
1384. Vulpecula denuo non capitur laqueo. [Schottus, Adagia 351]. A raposa não é apanhada duas vezes no laço. nSó o tolo cai duas vezes no mesmo buraco. lVulpecula semel in laqueum it. [Schottus, Adagia 351]. Raposa só cai no laço uma vez. VIDE: lNon cauta vulpes denuo in casses cadit. lNon iterum vulpes laqueis capitur. lSemel vulpes in laqueum, at non denuo vulpes in laqueum. lVulpes non iterum capitur laqueo. lVulpes quae semel effugerit laqueos, non capitur iterum.
1385. Vulpecula muneribus non capitur. [Schottus, Adagia 352]. Não se apanha a raposa com dádivas. nRaposa matreira não fará besteira. VIDE: lVulpem nec munera flectunt. lVulpes donis non corrumpitur. lVulpes haud corrumpitur muneribus. lVulpes non capit munera. lVulpes non capitur muneribus.
1386. Vulpeculae familiaritate utens, vulpinam calliditatem exspecta. [Schottus, Adagia 352]. Se tu te servires da amizade da raposa, espera a velhacaria vulpina. nQuem com maus vizinhos vizinhar, com um olho há de dormir e com o outro vigiar.
1387. Vulpeculorum mutantur pili, non mores. [Grynaeus 389]. Mudam-se os pelos das raposinhas, mas não seus costumes. nA raposa muda de pêlo, mas não de manha. nA raposa muda de pêlo, mas não de vezo. nO pêlo muda a raposa, mas do natural não a despoja. nCom a pele não se mudam os costumes. VIDE: lDe flavis vetula in canos vulpecula pilos mutat, illius at mores vertere nemo videt. lFlavos permutat canis vulpecula crines, at nunquam mores alterat ipsa suos. lIngenium suum vulpecula mutare nescit. lLiquit sponte pilos Romae fera saeva lupinos, non tamen assuetos liquit in urbe dolos. lLupus pilum mutat, non animum. lLupus pilum mutat, non mentem. lLupus pilum mutat, non mores. lLupus pilum, non ingenium mutat. lPilos lupus mutat, sed animum non item. lSenecta canitiem affert improbis, non item aufert malitiam. lVulpes pilum mutat, non mores.
1388. Vulpem nec munera flectunt. [Schottus, Adagia 589]. Nem dádivas dobram a raposa. nRaposa matreira não fará besteira. VIDE: lVulpecula muneribus non capitur. lVulpes donis non corrumpitur. lVulpes haud corrumpitur muneribus. lVulpes non capit munera. lVulpes non capitur muneribus.
1389. Vulpes ad venandum moratur. [Pereira 121]. A raposa tarda para caçar. nRaposa que tarda, caça aguarda.
1390. Vulpes annosa non capitur laqueo. Raposa velha não se deixa apanhar em armadilha. nLobo velho não cai em armadilha. nMacaco velho não trepa em pau seco. lVulpes annosa non capitur. [Schottus, Adagia 51]. Raposa velha não é apanhada. nRaposa matreira não fará besteira. lVulpes annosa non intercipitur. [Schottus, Adagia 208]. lVulpes anus laqueo capi nunquam potest. [Schottus, Adagia 607]. VIDE: lAnnosa vulpes haud capitur laqueo. lVetula vulpes laqueo haud capitur.
1391. Vulpes donis non corrumpitur. [Schottus, Adagia 188]. Raposa não se corrompe com dádivas. lVulpes haud corrumpitur muneribus. [Suídas / Erasmo, Adagia 1.10.18]. lVulpes non capitur muneribus. [Sweet 60]. Não se apanha raposa com dádivas. lVulpes non capit munera. Raposa não aceita presentes. VIDE: lVulpecula muneribus non capitur. lVulpem nec munera flectunt.
1392. Vulpes non iterum capitur laqueo. [Erasmo, Adagia 2.5.22]. A raposa não é apanhada duas vezes no laço. nSó o tolo cai duas vezes no mesmo buraco. lVulpes quae semel effugerit laqueos, non capitur iterum. [Stevenson 881]. VIDE: lNon cauta vulpes denuo in casses cadit. lNon iterum vulpes laqueis capitur. lSemel vulpes in laqueum, at non denuo vulpes in laqueum. lVulpecula denuo non capitur laqueo. lVulpecula semel in laqueum it.
1393. Vulpes pilum mutat, non mores. [Suetônio, Vespasianus 16.3]. nA raposa muda de pêlo, mas não de vezo. nO pêlo muda a raposa, mas do natural não a despoja. lVulpes pilos mutat, mores non mutat. [Albertatius 1514]. VIDE: lDe flavis vetula in canos vulpecula pilos mutat, illius at mores vertere nemo videt. lFlavos permutat canis vulpecula crines, at nunquam mores alterat ipsa suos. lIngenium suum vulpecula mutare nescit. lLiquit sponte pilos Romae fera saeva lupinos, non tamen assuetos liquit in urbe dolos. lLupus pilum mutat, non animum. lLupus pilum mutat, non mentem. lLupus pilum mutat, non mores. lLupus pilum, non ingenium mutat. lPilos lupus mutat, sed animum non item. lSenecta canitiem affert improbis, non item aufert malitiam. lVulpeculorum mutantur pili, non mores.
1394. Vulpes vult fraudem, lupus agnum, femina laudem. [Werner / Bragança 7.4.1]. A raposa quer enganar, o lobo quer o cordeiro, a mulher quer elogio.
1395. Vulpi esurienti somnus obrepit. [Erasmo, Adagia 2.6.55]. O sono toma a raposa faminta. nRaposa que dorme não apanha galinha. VIDE: lEsurienti vulpi somnus obrepit.
1396. Vulpina lingua. [Grynaeus 352]. Uma língua de raposa. nUma língua ferina.
1397. Vulpinari cum vulpibus. Com raposas, trapacear. nCom raposas é bom ser manhoso. nPara velhaco, velhaco e meio. lVulpinari cum vulpe. [Schottus, Adagia 22]. Com raposa, trapacear. lVulpinatur cum vulpe. Com raposa usa-se de velhacaria. VIDE: lCum astutis astute agendum esse. lCum vulpe vulpinari tu quoque invicem. lCum vulpe vulpina utere quoque astutia. lCum vulpe vulpinandum, cum Cretense, cretizandum. lCum vulpe vulpinandum.
1398. Vult et non vult piger. [Vulgata, Provérbios 13.4]. O preguiçoso quer e não quer.
1399. Vult lepus esse loco semper generatus erat quo. [DAPR 471]. A lebre quer sempre estar no lugar em que nasceu. nPássaro que na água se cria, sempre por ela pia.
1400. Vultu an natura sapiens sis, multum interest. [Publílio Siro]. Há grande diferença entre ser sábio só na aparência e sê-lo pela natureza.