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DICIONÁRIO  DE  EXPRESSÕES  E  FRASES  LATINAS
Compilado por HENERIK KOCHER

V 1 V 2 V 3 V 4 V 5 V 6 V 7 V 8

 

1. Vacare culpa magnum est solacium. [Cícero, Ad Familiares 7.3]. Estar isento de culpa é um grande consolo. nA consciência tranqüila é o melhor consolo. VIDE: lCulpa vacare maximum est solacium.

2. Vacatio legis. [Jur]. Isenção da lei. (=Espaço vago entre uma lei extinta e a vigência da outra. Carletti 197).

3. Vacca quae multum boat, parum lactis habet. Vaca que muito muge tem pouco leite. nMuita fumaça, pouco fogo.

4. Vacivum laboris tempus. Tempo vazio de trabalho. lVacuum laboris tempus.

5. Vacivus virium. [Plauto, Bacchides 154]. Destituído de forças. Fraco. Impotente.

6. Vacuae manus temeraria petitio est. [John of Salisbury, Policratici Libri 5.10 / Maloux 74]. É audacioso o pedido feito de mãos vazias. nQuem unta amolenta.

7. Vacuum in natura non detur. [Espinosa, Ethica 1.15]. Na natureza não ocorre o vazio.

8. Vacuum legis. [Jur]. O vazio da lei. (=A inexistência de lei).

9. Vacuum vas altius pleno vaso resonat. [Grynaeus 69]. O cântaro vazio ressoa mais alto do que o cântaro cheio. nCântaro vazio soa muito. nPanela vazia soa mais alto. nA pior roda é a que mais chia. nA caixa menos cheia é a que mais chacoalha. nO ignorante é sempre o que mais fala. VIDE: lVasa inania multum strepunt. lVasa inania plurimum sonant. lVasa vacua multum sonant. lVasa vacua plurimum sonant. lVasa vana sunt bene sonantia.

10. Vacuus cantat coram latrone viator. O viajante de bolsos vazios canta diante do assaltante. nCaminheiro sem despesa canta seguro ante o ladrão. nQuem não tem não teme. nNinguém pode despir um homem nu. VIDE: lCantabit pauper coram latrone viator. lCantabit vacuus coram latrone viator. lCantabunt vacui coram latrone clientes. lSi vitae huius callem vacuus viator intrasses coram latrone cantares.

11. Vadas ad diabolum! [John Malverne / Stevenson 558]. Vai para o diabo! nVai para o inferno!

12. Vade a me, et non appropies ad me! [Vulgata 4Esdras 5.19]. Afasta-te de mim, e não te aproximes de mim! VIDE: lRecede a me, non appropinques mihi.

13. Vade ad formicam, o piger. Vai ter com a formiga, ó preguiçoso. nSegue a formiga, viverás com fadiga. lVade ad formicam, o piger, et considera vias eius, et disce sapientiam. [Vulgata, Provérbios 6.6]. Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, olha para os seus caminhos, e aprende a sabedoria. VIDE: lI, piger, ad formicam.

14. Vade, annuntia populo meo qualia et quanta mirabilia Domini Dei vidisti. [Vulgata, 4Esdras 2.48]. Vai, anúncia a meu povo a natureza e o tamanho dos milagres que viste do Senhor Deus.

15. Vade ergo, et comede in laetitia panem tuum. [Vulgata, Eclesiastes 9.7]. Vai pois, e come o teu pão com alegria.

16. Vade et iam amplius noli peccare. [Vulgata, João 8.7]. Vai e não peques mais.

17. Vade, et nuntia regi quae vidisti. [Vulgata, 2Reis 18.21]. Vai anunciar ao rei o que viste.

18. Vade, et tu fac similiter. [Vulgata, Lucas 10.37]. Vai, e faze tu o mesmo.

19. Vade foras! Cai fora! VIDE: lExi! Surge! Vade foras! lUxor, vade foras aut moribus utere nostris.

20. Vade in pace. [Vulgata, Êxodo 4.18]. Vai em paz. lVade in pace, et Dominus sit tecum. [Vulgata, Judite 8.34]. Vai em paz, e que o Senhor esteja contigo.

21. Vade in pacem. Vai para a paz. (=Vai para o repouso eterno).

22. Vade mecum. Vem comigo. (=1.Vade-mécum. Livro de pouco volume e de fácil manejo para consulta rápida sobre noções fundamentais de determinada área de conhecimento. 2.Badameco, corruptela de vade-mécum, era o nome dado à pasta com papéis ou livros que os estudantes levavam para a escola).

23. Vade, pondera mihi ignis pondus, aut mensura mihi flatum venti, aut revoca mihi diem quae praeteriit. [Vulgata, 4Esdras 4.5]. Vai, pesa para mim o peso do fogo, ou mede para mim o sopro do vento, ou chama de volta para mim o dia que passou.

24. Vade post me, Satana. [Vulgata, Mateus 16.23]. Tira-te de diante de mim, Satanás. lVade retro me, Satana. [Vulgata, Marcos 8.33]. Retira-te daqui, Satanás. lVade retro, Satana. VIDE: lRetro, Satana!

25. Vade, Satana. [Vulgata, Mateus 4.10]. Vai-te, Satanás.

26. Vado piscari. [Vulgata, João 21.3]. Eu vou pescar.

27. Vae autem illi per quem veniunt scandala. [Vulgata, Lucas 17.1]. Ai daquele por quem vêm os escândalos.

28. Vae ei qui multiplicat non sua. [Vulgata, Habacuc 2.6]. Ai daquele que acrescenta o que não é seu.

29. Vae his qui perdiderunt sustinentiam. [Vulgata, Eclesiástico 2.16]. Ai dos que perderam a paciência.

30. Vae mihi, qui ista dico et ista non facio; et si aliquanto facio, non diu persevero. [S.Bernardo, Meditationes Piissimae 7.21]. Pobre de mim, que dico essas coisas, mas não as faço, e, se às vezes as faço, não persevero por muito tempo.

31. Vae mihi, quia tacui. [Vulgata, Isaías 6.5]. Ai de mim, porque me calei.

32. Vae miseris ovibus, iudex lupus est. [Pontanus / Stevenson 2089]. Coitadas das pobres ovelhas: o juiz é o lobo.

33. Vae misero mihi! [Vulgata, Jeremias 45.3]. Ai pobre de mim!

34. Vae mortuis! Coitados dos mortos! nTriste de quem morre!

35. Vae, puto deus fio! [Suetônio, Vespasianus 23.4]. Ai, acho que estou virando deus! (=Atribuído a Vespasiano, moribundo).

36. Vae qui aedificat domum suam in iniustitia. [Vulgata, Jeremias 22.13]. Ai daquele que edifica a sua casa na injustiça.

37. Vae qui condunt leges iniquas. [Vulgata, Isaías 10.1]. Ai dos que estabelecem leis iníquas.

38. Vae qui consurgitis mane ad ebrietatem sectandam, et potandum usque ad vesperam, ut vino aestuetis! [Vulgata, Isaías 5.11]. Ai de vós os que vos levantais pela manhã para seguir a embriaguez, e para beberdes até a noite, para aquecer-vos com o vinho!

39. Vae qui dicitis malum bonum, et bonum malum. [Vulgata, Isaías 5.20]. Ai de vós que ao mau chamais bom, e ao bom mau.

40. Vae qui potentes estis ad bibendum vinum, et viri fortes ad miscendam ebrietatem. [Vulgata, Isaías 5.22]. Ai dos que sois esforçados no copo e valentes na competência da ebriedade.

41. Vae qui praedaris! nonne et ipse praedaberis? [Vulgata, Isaías 33.1]. Ai de ti, que roubas! Porventura não serás também tu roubado?

42. Vae qui sapientes estis in oculis vestris. [Vulgata, Isaías 5.21]. Ai de vós que sois sábios aos vossos olhos.

43. Vae regno cuius rex puer est. Desgraçada da terra cujo rei é menino. VIDE: lVae tibi, terra, cuius rex puer est.

44. Vae soli! Ai de quem está sozinho! lVae soli, quia cum ceciderit, non habet sublevantem se. [Vulgata, Eclesiastes 4.10]. Ai de quem está sozinho, pois, quando cair, não terá quem o levante.

45. Vae tibi ridenti, quia mox post gaudia flebis! [Rezende 6959]. Ai de ti, que ris, porque logo depois da alegria chorarás! nDepois da doçura, vem a amargura. VIDE: lVae vobis qui ridetis nunc; quia lugebitis et flebitis!

46. Vae tibi tam nigrae, dicebat caccabus ollae. [Pereira 102]. Ai de ti, tão preta, disse a caçarola à panela. nDisse a caldeira à sertã: tir-te lá, não me luxes. nRi-se o roto do esfarrapado, e o sujo do mal lavado.

47. Vae tibi, terra, cuius rex puer est. [Vulgata, Eclesiastes 10.16]. Desgraçada de ti, terra, cujo rei é menino. VIDE: lVae regno cuius rex puer est.

48. Vae victis! [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 5.48.9]. Ai dos vencidos! (=Frase dita por Breno, comandante dos gauleses, que conquistou Roma).

49. Vae vobis, legisperitis, quia tulistis clavem scientiae, ipsi non introistis, et eos qui introibant, prohibuistis. [Vulgata, Lucas 11.52]. Ai de vós, doutores da lei, que, depois de terdes arrogado a vós a chave da ciência, nem vós outros entrastes, nem deixastes entrar os que vinham para entrar.

50. Vae vobis qui ridetis nunc; quia lugebitis et flebitis! [Vulgata, Lucas 6.25]. Ai de vós os que agora rides, porque gemereis e chorareis! nDepois da doçura, vem a amargura. VIDE: lVae tibi ridenti, quia mox post gaudia flebis!

51. Vafram dolosis artibus vulpem capit. [Schottus, Adagia 613]. Ele apanha a raposa astuta por meio de artifícios dolosos. lVafra dolosis artibus vulpes capitur. A raposa astuta é apanhada por meio de artimanhas.

52. Vafrum iuris. [Horácio, Sermones 2.2.131]. Uma artimanha do direito. VIDE: lApex iuris.

53. Vaga est fortuna. A sorte é vária. nA fortuna é vária: hoje a favor, amanhã contrária. nA fortuna dá e tira. lVaga est volubilisque fortuna. [Cícero, Pro Milone 26]. A sorte é vária e inconstante.

54. Vagabundum nuncupamus eum qui nullibi domicilium contraxit habitationis. [Jur]. Denominamos vagabundo aquele que não estabeleceu domicílio em nenhum lugar.

55. Valde bonus, valde deceptibilis. [DAPR 113]. Muito bom, muito fácil de ser enganado. nDemasiada bondade é necedade. nQuem bondade tem, nunca o mundo será seu, e mil canseiras lhe vêm. [Gil Vicente].

56. Valde enim turpe est, ut quem non vincit homo, vincat libido, et obruatur vino qui non vincitur ferro. É muito vergonhoso que quem não foi vencido pelo homem, seja vencido pela sensualidade, e que seja derrubado pelo vinho quem não é vencido pela espada.

57. Valde mutabilis homo est. O ser humano é muito inconstante.

58. Vale! Adeus!

59. Vale et me ama. Adeus, e que me queiras bem. lVale et memento mei. Adeus, e lembra-te de mim. (=São fórmulas de encerramento de carta).

60. Vale et me solito amore prosequere. [Salvador Fernandes / Ramalho 112]. Adeus, e dedica-me o teu costumado afeto. (=Fórmula de encerramento de carta).

61. Vale ut valeam. Passa bem, para que eu também passe.

62. Valeant cives mei: sint incolumes, sint florentes, sint beati. [Cícero, Pro Milone 93]. Que os meus concidadãos sejam fortes, permaneçam sãos e salvos, sejam prósperos

63. Valeat possessor oportet, si comportatis rebus bene cogitat uti. [Horácio, Epistulae 1.2.49]. É preciso que o possuidor esteja com boa saúde, se ele pretende aproveitar-se dos bens acumulados.

64. Valentes recte consolantur aegrotis. [DAPR 184]. As pessoas com saúde consolam os doentes. nDiz o são ao doente: Deus te dê saúde.

65. Valere malo quam dives esse. [Cícero, De Officiis 2.78, adaptado]. Prefiro ter saúde a ser rico. nMais vale saúde boa que pesada bolsa.

66. Valet ancora virtus. [Stevenson 2432]. A virtude serve como uma âncora.

67. Valet quantum vendi potest. [CODP 302]. Isso vale tanto, por quanto pode ser vendido. nTanto vale a coisa quanto dão por ela.

68. Valete et plaudite. [Plauto, Eunuchus 1094]. Adeus, e batei palmas. VIDE: lPlaudite, cives! lVos plaudite.

69. Valete, plaudite, vivite, bibite. [Erasmo, Moriae Encomium 68]. Adeus, aplaudi, vivei, bebei. VIDE: lVivite et bibite.

70. Valetudine firma nihil melius. [Tosi 742]. Nada há melhor do que uma boa saúde. nSaúde cuidada, vida conservada.

71. Valetudo sustentatur notitia sui corporis et observatione. [Cícero, De Officiis 2.24]. A saúde é conservada pelo conhecimento e observação do próprio corpo.

72. Validior vox operis, quam oris. [Henderson, Latin Proverbs / Stevenson 2615]. A voz das obras pode mais do que a voz da boca. nObras falam, palavras calam. nObras são amores, e não palavras doces. nMais obras e menos palavras. VIDE: lVox operis validior est, quam oris.

73. Vallis optime collem monstrat. [Bacon, De Clientibus]. O vale destaca muito bem a montanha. VIDE: lQuo altior mons, tanto profundior vallis. lSi mons sublimis, profundior est tibi vallis.

74. Vana est sine viribus ira. [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 1.10.4]. É vã a cólera sem a força. nQuem não pode morder não mostre os dentes. VIDE: lVana sine viribus ira est.

75. Vana gloria spica ingens est sine grano. [Pereira 106]. A glória vã é como uma grande espiga sem grãos. nGlória vã floresce e não grandece.

76. Vana quoque ad veros accessit fama timores. [Lucano, Bellum Civile 469]. Um boato infundado juntou-se ao medo justificado.

77. Vana sine viribus ira est. [DAPR 381]. É inútil a cólera sem a força. nQuem não tem pé não dá coice. VIDE: lVana est sine viribus ira.

78. Vana sollicitis incutit umbra metum. [Ovídio, Ex Ponto 2.7.14]. Uma simples sombra causa medo aos tímidos.

79. Vana verba. Palavras vãs.

80. Vanae voces populi non sunt audiendae. [Diocleciano, De Poenis 1.12.1]. As palavras vazias do povo não devem ser ouvidas.

81. Vanam gloriam qui spreverit, veram habebit. [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 22.39.19]. Quem desprezar a glória vã alcançará a verdadeira.

82. Vane, quid insanis? Si vivere nescis, cum bestiis perge morari. [Comodiano]. Imbecil, por que essa loucura? Se não sabes viver, vai morar com as feras.

83. Vanescit absens amor. O amor ausente desaparece. nAusência aparta amor. lVanescit absens, et novus intrat amor. [Ovídio, Ars Amatoria 2.358]. O amor ausente dissipa-se, e um novo se insinua.

84. Vani timoris iusta excusatio non est. [Digesta 50.17.184]. A escusa de temor vão não é justa.

85. Vani vanum dant consilium. [Schottus, Adagia 228]. Tolos dão conselho tolo. nQuem com tolo se aconselha mais tolo é que ele.

86. Vanis enim vana terrori sunt. [Sêneca, De Ira 2.11.6]. Para os tolos tolices causam pavor.

87. Vanitas est diligere quod cum omni celeritate transit. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 1.1.18]. É vaidade amar o que passa com toda velocidade.

88. Vanitas vanitatum! Vaidade de vaidades! nNo mundo tudo é vaidade. lVanitas vanitatum, et omnia vanitas. [Vulgata, Eclesiastes 1.2]. Vaidade de vaidades, e tudo é vaidade. VIDE: lOmnia vanitas.

89. Vanum est epinicium canere ante victoriam. [Tosi 1749]. É inútil cantar o canto da vitória antes da vitória. nNão contes os pintos senão depois de nascidos. nNão vendas a pele do urso antes de matá-lo. VIDE: lAnte victoriam ne canas triumphum. lAntequam viceris ne triumphum pares. lTriumphum ne canas ante victoriam.

90. Vanum est et inutile de futuris conturbari vel gratulari, quae forte nunquam evenient. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 4.30.16]. É vão e inútil preocupar-se ou rejubilar-se com os acontecimentos futuros, que talvez nunca venham a ocorrer.

91. Vanum est vobis ante lucem surgere. [Vulgata, Salmos 162.2]. É inútil levantar-vos antes do amanhecer. nNem por muito madrugar amanhece mais cedo. nMais vale a quem Deus ajuda do que a quem muito madruga.

92. Vanus est qui spem suam ponit in hominibus aut in creaturis. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 3.6.11]. Insensato é o que põe sua esperança nos homens ou nas criaturas.

93. Vanus homo statuit, Deus optimus omnia condit. [Pereira 115]. O homem vão planeja; Deus, que é muito bom, decide tudo. nO homem propõe, Deus dispõe. nOs homens fazem o almanaque, e Deus manda o tempo. VIDE: lCor hominis disponit viam suam, sed Domini est dirigere gressus eius. lHomo proponit, sed Deus disponit. lOmnia homo statuit, Deus optimus omnia condet.

94. Varam cum vibia proicit. [DAPR]. Atirou o caibro junto com o pranchão. nUma desgraça vem logo após outra. nUm mal indo, outro vindo. VIDE: lSequitur vara vibiam.

95. Varia sors rerum. [Tácito, Historiae 2.70]. É inconstante a sorte das coisas.

96. Varia vita est. [Plauto, Truculentus 218]. A vida é instável.

97. Variae lectiones. Há leituras variantes. (=Refere-se a diferenças em palavras, frases ou passagens existentes em diferentes manuscritos de textos antigos). lVaria lectio. Leitura variante. Interpretação diferente.

98. Variae sententiae. [Cícero, Ad Atticum 15.25]. Opiniões discordantes.

99. Variam semper dant otia mentem. [Lucano, Bellum Civile 4.705]. A ociosidade sempre dispersa o espírito.

100. Variant animi. [Ovídio, Remédia Amoris 525]. Os espíritos variam. VIDE: lQuoniam variant animi, variabimus artes.

101. Varie variis. Para situações diferentes, soluções diferentes.

102. Varietas delectat. [Eurípides / Rezende 6974]. nA variedade deleita. nTudo enfada, só a variedade recreia. lVariatio delectat. VIDE: lDelectat varietas. lIn omni re semper grata varietas. lIn varietate voluptas. lNatura diverso gaudet.

103. Varietas est propria fortunae. [Cícero, De Divinatione 2.53]. A inconstância é própria da sorte.

104. Varietate homines delectantur. Os homens são seduzidos pela variedade.

105. Varii varie sentiunt; diversi diversa dicunt. Pessoas diferentes sentem de modo diferente; pessoas diferentes dizem coisas diferentes.

106. Variis morbis varia remedia adhibere oportet. Para doenças diversas devem-se usar remédios diversos. nCada caso é um caso.

107. Variorum. De vários. (=A frase completa é Editio cum notis variorum scriptorum. Edição com anotações de vários escritores. Uma edição variorum é uma edição especial, geralmente de obras completas de autor clássico, comentada por vários especialistas).

108. Varium et mutabile semper femina. [Virgílio, Eneida 4.569]. A mulher é coisa sempre inconstante e sempre mutável. nMulher, vento, tempo e fortuna, presto se muda. nMulher é um cata-vento: vai ao vento que soprar. VIDE: lFemina natura varium et mutabile semper. lFemina varium et mutabile semper.

109. Varium et mutabile vulgus. A multidão é mutável e inconstante.

110. Varius et dubius est belli eventus. [Albertano da Brescia, Liber Consolationis 47]. O resultado da guerra é vário e duvidoso. nA guerra, sabe-se como começa, não se sabe como termina. VIDE: lArmorum exitus semper incerti, et timidi. lBellorum exitus incerti. lEventus belli varii. lFortuna belli fluxa. lMars dubius.

111. Vas malum non frangitur. [Rezende 6978]. nVaso ruim não quebra. nVasilha ruim não se quebra. VIDE: lMalum vas non frangitur.

112. Vas obsoletum de vino gignit acetum. [Tosi 587]. Vasilha deteriorada do vinho faz vinagre.

113. Vas quod non habuerit operculum, nec ligaturam desuper, immundum erit. [Vulgata, Números 19.15]. O vaso que não tiver tampa, nem atadura por cima, será imundo.

114. Vasa figuli probat fornax, et homines iustos tentatio tribulationis. [Vulgata, Eclesiástico 27.6]. O forno prova os vasos do oleiro, e a prova da tribulação, os homens justos.

115. Vasa inania multum strepunt. [Walther 32919a / Tosi 33]. Os vasos vazios ressoam muito. nCântaro vazio soa muito. nPanela vazia soa mais alto. nA pior roda é a que mais chia. nA caixa menos cheia é a que mais chacoalha. lVasa inania plurimum sonant. lVasa vacua multum sonant. [Pontanus / Stevenson 677]. lVasa vacua plurimum sonant. [Grynaeus 69]. lVasa vana sunt bene sonantia. [Rezende 6977]. VIDE: lVacuum vas altius pleno vaso resonat.

116. Vatem me dicunt, sed non ego credulus illis. Dizem que sou poeta, mas não acredito neles. VIDE: lMe quoque dicunt vatem pastores: sed non ego credulus illis.

117. Vates sacer. Um poeta inspirado.

118. Vectatio iterque et mutata regio reficiunt animum. [Sêneca, De Tranquillitate Animi 15.14]. Andar de liteira, viajar e mudar de lugar refazem o ânimo.

119. Vectigal maximum est parsimonia. A maior fonte de renda é a economia. nA economia é um grande rendimento. nA economia é a base da prosperidade. VIDE: lMagnum vectigal est parsimonia. lNon intellegunt homines quam magnum vectigal sit parsimonia. lOptimum et in privatis familiis et in republica vectigal esse parsimoniam. lOptimum vectigal parsimonia. lParsimonia magnum vectigal. lParsimonia summum vectigal.

120. Vectigalia decoquunt. As rendas esgotam-se.

121. Vectigalia nervi reipublicae. [Grynaeus 217]. Os tributos são os nervos do estado. lVectigalia nervos esse rei publicae. [Cícero, Pro Lege Manilia 7]

122. Vehementer errasti. [Cícero, Pro Murena 46]. Cometeste um grande erro.

123. Vehementius quam caute. [Tácito, Agricola 4]. Com mais calor do que cautela.

124. Vehi suis pedibus. [Pereira 95]. Andar a pé. nAndar no cavalo dos frades.

125. Vehicula scientiae. [Bacon, Advancement of Learning 1.5.12]. Os veículos do conhecimento.

126. Vel a mortuo tributum auferat. [Apostólio, Paroimiai 10.95]. Até de defunto ele quer cobrar tributo. VIDE: lA mortuo tributum exigere. lA mortuo tributum colligere.

127. Vel bona contemni docet usus vel mala ferri. [Dionísio Catão, Monosticha, Appendix 13]. A experiência ensina que tanto os bens devem ser desdenhados como os males devem ser suportados.

128. Vel caeco appareat. [Erasmo, Adagia 1.8.93]. Será evidente até para um cego. nMesmo um cego vê isso. VIDE: lApparet id quidem etiam caeco.

129. Vel capillus unus habet umbram suam. [Henderson, Latin Proverbs / Stevenson 1052]. Até mesmo um único cabelo tem sua sombra. nAté um cabelo faz sombra. nCada cabelo faz sua sombra na terra. VIDE: lEtiam capillus habet umbram suam. lEtiam capillus suam facit umbram.

130. Vel capra mordeat nocentem. [Erasmo, Adagia 1.8.97]. Até uma cabra morderá o culpado. nAo mau, todos o perseguem. VIDE: lEtiam capra improbum hominem mordeat. lEtiam capra virum mordeat malum. lMus mordeat improbum. lScelerosum mordeat et mus. lVel mus mordeat improbum. lVirum improbum vel mus mordeat. lVirum malum vel mus mordeat. lVirum mus mordeat ipsa malignum.

131. Vel falso tamen laudari multo malo, quam vero culpari. [Plauto, Mostellaria 175]. Prefiro até ser elogiado falsamente a ser criticado sinceramente.

132. Vel illud, quod credideris perdas, vel illum amicum amiseris. [Plauto, Trinummus 1054]. Ou perderás o que tiveres emprestado, ou perderás o amigo. nQuem empresta a um amigo cobra um inimigo. VIDE: lEgo talentum mutuum quod dederam, talento inimicum mihi emi, amicum vendidi.

133. Vel iniquissimam pacem iustissimo bello anteferrem. [Cícero, Ad Familiares 6.6]. Prefiro até uma paz injusta a uma guerra muito justa. nÉ melhor um mau acordo do que uma boa demanda.

134. Vel mille calamitates sunt inter calicem et labra. [Schrevelius 1184]. Até mil desgraças acontecem entre o cálice e os lábios. nDo prato à boca se perde muitas vezes a sopa. .nEntre a boca e a mão vai o bocado ao chão. VIDE: lDe cocleare interdum cadit quod hianti porrigis ori. lInter calicem et os multa interveniunt. lInter calicem et os multa cadunt. lInter manum et mentum multa cadunt. lInter os et offam multa cadunt. lInter os et offam multa intercedunt. lMulta cadunt inter calicem supremaque labra. lMulta cadunt inter calicem et suprema labra. lMulta cadunt inter calicem et labra. lSaepe audivi inter os et offam multa intervenire posse. lSaepe inter buccam contingit casus, et offam. lSaepe os inter et offam multa venire solent.

135. Vel mus mordeat improbum. [Pereira 95]. Até o rato morde o homem culpado. nAo mau todos perseguem. nQuem não deve não teme. VIDE: lEtiam capra improbum hominem mordeat. lEtiam capra virum mordeat malum. lMus mordeat improbum. lScelerosum mordeat et mus. lVel capra mordeat nocentem. lVirum improbum vel mus mordeat. lVirum mus mordeat ipsa malignum.

136. Vel muscas metuit praetervolitantes. [Erasmo, Adagia 1.5.66]. Tem medo até das moscas esvoaçantes. nTem medo da própria sombra. VIDE: lAd omnia trepidat, licet vel mus movet. lMuscas metuit praetervolantes.

137. Vel nimium laudando, vel vituperando, fere quotiens loquor, mentior. [S.Bernardo / Bernardes, Luz e Calor 1.171]. Ou louvando muito, ou vituperando, quase todas as vezes que falo, minto.

138. Vel prece vel pretio. Ou por meio de pedido ou por meio de pagamento. VIDE: lPrece vel pretio. lPrecibus vel pretio.

139. Vel strangulari pulchro de ligno iuvat. [PSa]. Até para enforcar-se uma bela árvore serve. VIDE: lE pulchro ligno vel suspendi praestat. lDe pulchro ligno vel pendere libeat. lSuspendium etiam fiat e digna trabe.

140. Vel taceas, vel meliora dic silentio. [PSa]. Ou fiques calado, ou dize palavras melhores do que o silêncio. nAntes calar que mal falar.

141. Vel vi, vel clam, vel precario. [Terêncio, Eunuchus 319]. Pela força, pela astúcia ou implorando.

142. Vela contrahere. [DAPR 660]. Recolher velas. (=Ceder diante das pretensões de outrem). VIDE: lContraxi vela.

143. Vela non navi congruentia. [Schottus, Adagia 454]. Estas velas não são adequadas a este barco. (=O que dizes não tem nada a haver com o assunto de que estamos tratando). nFalo-te de alhos, respondes-me com bugalhos.

144. Velis equisque. [Erasmo, Adagia 1.1.17]. Com a força naval e a cavalaria.

145. Velis nolis. Quer queiras ou não.

146. Velis quod possis. [Grynaeus 122]. Quererás o que puderes.

147. Velis remisque. [Plínio Antigo, Naturalis Historia 32.23]. Com velas e remos. (=Com todos os recursos disponíveis). VIDE: lRemis velisque.

148. Velit nolit. [Petrônio, Satiricon 71.11]. Quer queira, quer não queira.

149. Velle bonum fieri magna pars est bonitatis. [PSa]. Querer ser bom constitui grande parte da bondade.

150. Velle est posse. nQuerer é poder.

151. Velle et nolle propriae voluntatis est. Querer e não querer é da própria vontade.

152. Velle licet, potiri non licet. [Stevenson 2542]. Querer é permitido, pegar não é permitido.

153. Velle non creditur qui obsequitur imperio patris vel domini. [Ulpiano, Digesta 50.17.4]. Não se presume concordar quem obedece ordens de seu pai ou de seu senhor.

154. Velle non discitur. [Sêneca, Epistulae 81.13]. Não se aprende a querer.

155. Velle quod non deceat, id ipsum miserrimum est. [Cícero, Fragmenta Librorum Philosophicorum]. Querer o que não convém é tristíssimo.

156. Velle suum cuique est. [Pérsio, Satirae 5.53]. Cada um é senhor de sua vontade. nCada qual é dono de suas ventas.

157. Vellem litteras nescirem! [Sêneca, De Clementia 2.1.2]. Gostaria de não saber escrever. (=Palavras de Nero, quando jovem, ao lhe darem a assinar uma sentença de morte).

158. Vellus ovium tondere volo, sed non crudeliter illas radi usque ad cutem. [Apostólio, Paroimiai 19.18]. Quero aparar o pêlo das ovelhas, mas não quero que sejam rapadas cruelmente até a pele. nTosar não é esfolar.

159. Velocem tardus assequitur. [Erasmo, Adagia 1.7.67]. O vagaroso alcança o veloz. nAnda o carro adiante dos bois. nAnda o mundo às avessas. VIDE: lAquilam testudo vincit. lCancer leporem capit.

160. Veloces sunt latronum pedes. [Schrevelius 1174]. Os pés dos ladrões são velozes.

161. Velocius et citius nos corrumpunt vitiorum exempla domestica. [Juvenal, Satirae 14.31]. Os exemplos domésticos dos vícios nos corrompem mais depressa.

162. Velocius ibo retentus. [Marcial, Epigrammata 1.46.3]. Moderado eu irei mais depressa. nDevagar também é pressa.

163. Velocius quam asparagi coquantur. [Rezende 6988]. Mais rápido do que se cozinham aspargos. VIDE: lCelerius quam asparagi coquuntur. lCitius quam asparagi coquuntur.

164. Velox consilium sequitur paenitentia. [Publílio Siro]. O arrependimento acompanha a decisão apressada. nQuem depressa se determina cedo se arrepende.

165. Velox in terga revolvitur annus. [Estácio, Thebaida 5.460]. O ano rola veloz para as nossas costas.

166. Velut aegri somnia. [Horácio, Ars Poetica 7]. Como os delírios de um doente. VIDE: lTamquam aegri somnia.

167. Velut exanimum corpus. Como um corpo sem vida.

168. Velut minuta magno deprensa navis in mari vesaniente vento. [Catulo, Carmina 25 12]. Como um minúsculo navio surpreendido no mar imenso por um vento furioso.

169. Velut umbra sequi. [Erasmo, Adagia 3.7.51]. Seguir como uma sombra.

170. Veluti pleno lupus insidiatus ovili. [Virgílio, Eneida 9.59]. Como um lobo que espreita um ovil cheio.

171. Veluti speculum. Como um espelho.

172. Venalia, sine vino, expediri non possunt. [Stevenson 121]. Sem vinho não se consegue desembaraçar as mercadorias.

173. Venalis populus, venalis curia patrum. [Petrônio, Satiricon 119]. nPovo venal, senado venal. nTodo homem tem seu preço.

174. Venari in medio mari. [Plauto, Asinaria 85]. Caçar no meio do mar. (=Fazer coisa impossível). VIDE: lIn aëre piscari, venari in mari. lPiscari in aëre.

175. Venator sequitur fugientia. [Ovídio, Amores 2.9.9]. É a caça que foge que o caçador persegue.

176. Venatur muscas aquila. [Schottus, Adagia 601]. A águia anda caçando moscas. nAnda a raposa aos grilos.

177. Venatu perire. [Pereira 108]. Morrer na caçada. nIr buscar a lã e voltar tosquiado.

178. Vende domi, eme in nundinis. [Rezende 6994]. nVende em casa, compra na feira. nVende em casa e compra em feira, se queres sair da lazeira.

179. Vendens eamdem rem duobus falsarius est. [Jur / Black 1803]. É falsário quem vende a mesma coisa duas vezes.

180. Vendere fumum. Vender fumaça. . nGrandes atoardas, tudo nada. lVendere fumos. VIDE: lFumos vendere.

181. Vendere iure potest, emerat ille prius. Legalmente ele pode vender, se antes comprou.

182. Venditio ad corpus. [Jur]. Venda pela totalidade da coisa.

183. Venditio ad mensuram. [Jur]. Venda por medida.

184. Vendidit hic auro patriam. [Virgílio, Eneida 6.621]. Esse vendeu a pátria por ouro.

185. Veneno linguae nihil crudelius esse potest. [Boncompagno, Breviloquium 8.3]. Nada pode ser mais cruel que o veneno da língua.

186. Venenum aliquando pro remedio fuit; non ideo numeratur inter salubria. [Sêneca, De Beneficiis 2.18.7]. Algumas vezes se usou veneno como remédio; isso não significa que um veneno possa ser contado entre as coisas saudáveis.

187. Venenum in auro bibitur. [Sêneca, Thyestes 452]. É em taças de ouro que se bebe o veneno. VIDE: lBibere venenum in auro. lNulla aconita bibuntur fictilibus.

188. Venerationi mihi semper fuit non verbosa rusticitas, sed sancta simplicitas. [S.Jerônimo]. Sempre reverenciei, não a verbosa rusticidade, mas a santa simplicidade.

189. Venereum iuramentum non est poenae obnoxium. [Apostólio, Paroimiai 5.15]. Jura de amor não está sujeito a punição. nJuramento de quem ama mulher não é para crer. lVenereum iusiurandum. [Medina 596]. Uma jura de amor.VIDE: lAmantis iusiurandum poenam non habet.

190. Veneris quis gaudia nescit? [Petrônio, Satiricon 132]. Quem não conhece os prazeres de Vênus?

191. Veni, Creator Spiritus. [Primeiras palavras do Hino de Pentecostes, da liturgia católica]. Vem, Espírito Criador.

192. Veni et vide. [Vulgata, João 1.46]. Vem e vê.

193. Veni in tempore. Age no momento certo. VIDE: lNosce tempus tempestivum. lNosce tempus.

194. Veni, Sancte Spiritus. [Da liturgia católica]. Vem, Espírito Santo.

195. Veni, sequere me. [Vulgata, Mateus, 19.21]. Vem, segue-me.

196. Veni, vidi, territus sum, cucurri. Cheguei, vi, fiquei apavorado, corri.

197. Veni, vidi, vici. [Suetônio, Caesar 37.2]. Cheguei, vi, venci. (=Palavras com que Júlio César anunciou sua vitória sobre Fárnaces, rei do Ponto). VIDE: lConfestim dicto citius res ipsa peracta. lDictum ac factum. lDictum, factum. lMox simul ac dictum est verbum, res ipsa peracta est. lSimul et dictum et factum. lSimul dictum, simul factum. lUt dictum et actum est. lVolitum, dictum, factum.

198. Veni, vidi, vinxi. Cheguei, vi, reuni.

199. Venia aetatis. [Jur / Black 1804]. Dispensa da idade. (=Privilégio dado a uma pessoa, pelo qual ela fica autorizada a agir sui iuris, como se fosse maior de idade).

200. Venia danda est ei qui casu peccat. Deve-se perdoar a quem erra por acaso. VIDE: lVeniam meretur, qui imprudens nocuit.

 

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