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DICIONÁRIO  DE  EXPRESSÕES  E  FRASES  LATINAS
Compilado por HENERIK KOCHER

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801. Sensus omnes falli possunt. Todos os sentidos podem enganar-se.

802. Sensus verborum est anima legis. [Jur / Coke / Black 1601]. O significado das palavras é o espírito da lei.

803. Sententia anceps. Uma decisão perigosa.

804. Sententia facit de albo nigrum, de quadrato rotundum. [Jur]. A sentença faz do branco preto, do quadrado redondo. VIDE: lRes iudicata facit de albo nigrum; ex nigro, album; ex curvo, rectum; ex recto, curvum.

805. Sententia facit ius, et legis interpretatio legis vim obtinet. [Jur / Black 1602]. A sentença cria o direito, e a interpretação da lei ganha força de lei.

806. Sententia facit ius, et res iudicata pro veritate accipitur. [Jur / Black 1602]. A sentença cria o direito, e a coisa julgada é aceita como verdade.

807. Sententia, quae in rem iudicatam transit, pro veritate habetur. [Jur]. A sentença passada em julgado tem-se por verdade. VIDE: lIudicata res pro veritate accipitur. lRes iudicata pro veritate accipitur. lRes iudicata pro veritate habetur.

808. Sententiae nonnisi causa cognita et audita utraque parte feruntur. [Jur]. As sentenças só são proferidas depois que a causa é conhecida e ambas as partes foram ouvidas.

809. Sentiendum cum multis. [Pereira 110]. Deve-se sentir com muitos. nÉ melhor errar com muitos que acertar com poucos.

810. Sentit animus se vi sua, non aliena, moveri. [Cícero, Tusculanae 1.55]. A mente sente que se move por sua força, não pela dos outros.

811. Senum consilia, iuvenum lanceae. [Grynaeus 607]. Dos velhos, a ponderação; dos jovens as lanças. VIDE: lFacta iuvenum, consilia mediocrium, vota senum. lIuvenibus opera, consilia vero senioribus conveniunt. lIuvenum lanceae, senum consilia. lSunt iuvenum acta, virum consulta, preces seniorum. lTemeritas est florentis aetatis, prudentia, senescentis. lTemeritas est florentis aetatis, sapientia senectutis. lVota senum, consulta virorum, et facta iuventae.

812. Separa et impera. [Bacon / Stevenson 1014]. Divide e governa. nDividir para reinar. VIDE: lDivide et impera. lDivide ut imperes. lDivide ut regnes. lDivide et regna. lSi vis regnare, divide.

813. Separabit eos ab invicem, sicut pastor segregat oves ab haedis. [Vulgata, Mateus 25.32]. Separará uns dos outros, como o pastor aparta as ovelhas dos cabritos.

814. Separatio a mensa et toro. [Jur]. Separação da mesa e da cama. (=Separação de corpos). VIDE: lA mensa et toro. lDivortium a toro.

815. Separatio a vinculo matrimonii. [Jur]. Dissolução do vínculo do matrimônio. (=O divórcio). VIDE: lA vinculo matrimonii.

816. Septem convivium, novem convicium. [Historia Augusta, Vita Veri 5.1; Erasmo, Adagia 1.3.97]. Sete fazem um banquete, nove fazem uma balbúrdia.

817. Septem horas dormire sat est iuvenique senique. [Regimen Sanitatis Salernitanum / Rezende 6148]. Dormir sete horas basta tanto para o jovem como para o velho.

818. Septies enim cadet iustus, et resurget. [Vulgata, Provérbios 24.16]. O justo cairá sete vezes, e tornar-se-á a levantar.

819. Sepultura asini sepelietur. [Vulgata, Jeremias 22.19]. A sua sepultura será como a do asno. (=Seu corpo será abandonado insepulto).

820. Sequamur vestigia patrum nostrorum. [Black 1604]. Sigamos as pegadas de nossos pais.

821. Sequens mirabitur aetas. [Ovídio, Ex Ponto 2.6.27]. O tempo que virá ficará admirado.

822. Sequentem fugit, fugientem sequitur. Ele foge de quem o persegue, persegue quem lhe foge.

823. Sequenti die. No dia seguinte.

824. Sequentur te quocumque perveneris vitia. [Sêneca, Epistulae 28.1]. Os vícios te seguirão, aonde quer que vás.

825. Sequere me. Segue-me. lSequere me, et dimitte mortuos sepelire mortuos suos. [Vulgata, Mateus 8.22]. Segue-me, e deixa que os mortos sepultem os seus mortos.

826. Sequere scorpionem, leonem et draconem, sed malam feminam non sequaris! [Petrus Alphonsus, Disciplina Clericalis 8]. Acopanha o escorpião, o leão e o dragão, más não acompanhes a mulher má!

827. Sequi debet potentia iustitiam, non praecedere. O poder deve seguir a justiça, não precedê-la.

828. Sequi enim gloria, non appeti debet. [Plínio Moço, Epistulae 1.8.14]. A glória deve vir por si, não deve ser procurada.

829. Sequitur leviter filia matris iter. [Rabelais, Gargantua 3.41]. A filha segue facilmente o caminho de sua mãe. nA filha da onça traz pintas que nem a mãe. nQual é Maria, tal filha cria. VIDE: lSaepe solet similis filius esse patri, et sequitur leviter filia matris iter.

830. Sequitur patrem, non passibus aequis. [Virgílio, Eneida 2.724]. Segue o pai, mas não com passos iguais.

831. Sequitur superbia formam. O orgulho acompanha a beleza. nMulher formosa, mulher presunçosa. VIDE: lFastus inest pulchris sequiturque superbia formam.

832. Sequitur superbos ultor a tergo deus. [Sêneca, Hercules Furens 385]. Um deus vingador persegue os soberbos.

833. Sequitur vara vibiam. [Ausônio / Saraiva 1255]. O caibro segue o pranchão. nUma desgraça vem logo após outra. nUm mal indo, outro vindo. VIDE: lVaram cum vibia proicit.

834. Sequitur ver hiemem. [Erasmo, Adagia 2.4.89]. A primavera segue o inverno. nDepois do purgatório, a redenção. nDepois da tempestade, a bonança. VIDE: lRepellit ver hiemem. lVer hiemem sequitur; sequitur post triste serenum.

835. Sera consolatione nihil potest esse frigidius. Nada pode ser mais frio do que a consolação tardia.

836. Sera et sapientior aetas. [Ovídio, Ars Amatoria 1.65]. Uma idade mais madura e com mais experiência.

837. Sera gratulatio non est reprehendenda. [Pereira 113]. O cumprimento atrasado não deve ser criticado. nNão tarda quem vem.

838. Sera in fundo parsimonia. [Erasmo, Adagia 2.2.64]. É tardia a economia, quando já se está no fundo. nÉ tarde para economizar quando a bolsa está vazia. VIDE: lSera parsimonia in fundo est.

839. Sera nimis vita est crastina: vive hodie. [Marcial, Epigrammata 1.16.12]. A vida de amanhã é tarde demais: vive hoje.

840. Sera nunquam est ad bonos mores via. [Sêneca, Agamemnon 242]. Nunca é tardio o caminho para os bons costumes. nNunca é tarde para o bem. VIDE: lNon unquam sera est ad bonos mores via. lNunquam sera ad bonos mores via.

841. Sera parsimonia in fundo est. [Sêneca, Epistulae 1.5]. É tarde para economizar, quando já se chegou ao fundo. nÉ tarde para economizar quando a bolsa está vazia. VIDE: lSera in fundo parsimonia.

842. Sera sunt barba post vigesimum, scientia post trigesimum, divitiae post quadragesimum. [Rezende 6154]. Estão atrasados a barba depois dos vinte, o saber depois dos trinta, a fortuna depois dos quarenta. nQuem aos vinte não barba, aos trinta não casa e aos quarenta não tem, não barba, não casa, não tem.

843. Sera tamen tacitis poena venit pedibus. [Tibulo, Elegiae 1.9.4]. Embora tardia, a punição chega com passo silencioso. nO castigo tarda, mas não falha.

844. Serenitas conscientiae et quies interna. A tranqüilidade da consciência e a paz de espírito.

845. Serenitati nubem inducis. [Erasmo, Adagia 4.4.30]. Estás introduzindo uma nuvem na felicidade. nÉs um desmancha-prazeres.

846. Serere ne dubites. [Columela, De Re Rustica 11.29]. Não hesites em semear. nQuem semeia colhe.

847. Seria meditare. [Sólon / Rezende 6157]. Medita em coisas sérias.

848. Seris venit usus ab annis. [Ovídio, Metamorphoses 29.6]. A experiência vem com o passar dos anos. nCom o tempo, o conselho. nCom o tempo vem o tento.

849. Serit arbores, quae alteri saeclo prosint. [Estácio, Synephebis; Cícero, De Senectute 24]. Ele planta árvores que darão fruto no século vindouro.

850. Seriumne aliquid inter nos agimus, an iocari libet? [S.Agostinho]. Estamos envolvidos numa discussão séria, ou tu só queres gracejar?

851. Serius aut citius paupere dives eget. [Rezende 6159]. Mais tarde ou mais cedo o rico precisa do pobre. nCedo ou tarde, o forte precisa do fraco.

852. Serius aut citius sedem properamus ad unam. [Ovídio, Metamorphoses 10.33]. Mais devagar ou mais depressa avançamos para a mesma morada. nA morte é a coroa de todos na terra. nA vida é incerta, mas a morte é certa. lSerius aut citius metam properamus ad unam. [Pereira 113]. Mais tarde ou mais cedo todos chegamos ao mesmo objetivo.

853. Sermo animi est imago: qualis vir, talis est oratio. [PSa]. A linguagem é o retrato do espírito: tal homem, tal linguagem. nCada qual fala como quem é. VIDE: lSermo imago animi est: ut vir, sic oratio.

854. Sermo bonus super datum optimum. Uma boa palavra vale mais que o melhor presente. nPalavra boa unge, e a má punge. VIDE: lNonne ecce verbum super datum bonum? lVerbum bonum super datum optimum.

855. Sermo datur cunctis, animi sapientia paucis. [Dionísio Catão, Disticha 1.10; Rabelais, Gargantua 3.41]. A palavra é dada a todos, a sabedoria do espírito, a poucos.

856. Sermo doloris remedium est. A palavra é o remédio da dor.

857. Sermo hominum mores et celat et indicat idem. [Dionísio Catão, Disticha 4.20]. A linguagem tanto oculta como revela o caráter dos homens. VIDE: lVerba satis celant mores eademque revellant.

858. Sermo imago animi est: ut vir, sic oratio. A maneira de falar é o retrato do espírito: tal homem, tal linguagem. nCada qual fala como quem é. VIDE: lSermo animi est imago: qualis vir, talis est oratio.

859. Sermo index animi. [Coke / Black 1606]. A linguagem é o revelador da mente. nA boca diz quanto lhe manda o coração. VIDE: lIndex est animi sermo. lVerba sunt indices animi.

860. Sermo intellectus est nuntius. [Vitoria 155]. A palavra é o mensageiro do entendimento.

861. Sermo irae medicus. [Apostólio, Paroimiai 10.31]. A palavra é o médico da ira. nPalavra mansa ira abranda.

862. Sermo melle dulcior. [Cícero, De Senectute 10.311]. Uma linguagem mais doce que o mel.

863. Sermo multus et fructus nullus. Muita falação, nenhum resultado. nMuita palha e pouco grão. nCacareja, mas não põe ovo.

864. Sermo opportunus est optimus. [Vulgata, Provérbios 15.23]. A palavra oportuna é a melhor.

865. Sermo plebeius. A linguagem do povo. O latim vulgar.

866. Sermo simplex veritati convenit. À verdade convém linguagem simples. nA linguagem da verdade é simples. nA verdade dispensa enfeites. lSermo simplex veritati convenit, neu multis variisve ambagibus opus habet. [Apostólio, Paroimiai 4.12]. À verdade convém linguagem simples, e ela não precisa de muitos nem variados rodeios. VIDE: lVeritatis simplex oratio est. lVeritatis simplex suevit esse oratio.

867. Sermo vester semper in gratia sale sit conditus. [Vulgata, Colossenses 4.6]. Seja a vossa conversação sempre sazonada em graça com sal.

868. Sermones arcanos ne prodideris. [Periandro / Rezende 6164]. Não divulgarás as conversas reservadas. nVer, ouvir e calar. VIDE: lAudi, vide, tace, si vis vivere in pace.

869. Sermones blandos blaesosque cavere memento. [Dionísio Catão, Disticha 3.4]. Lembra-te de tomar cuidado com frases insinuantes e lisonjeiras. nQuem te lisonjeia enganar-te quer.

870. Sermones fundent, si grex muliebris abundet. [Tosi 1387]. Se o grupo de mulheres for grande, espalhará conversas. nTrês mulheres e um pato fazem uma feira. VIDE: lEst quasi grande forum vox alta trium mulierum. lTres feminae et tres anseres sunt nundinae. lTres mulieres faciunt nundinas.

871. Sermones hominum et aera tonitru dignoscimus. [Platão / Rezende 6165]. Nós conhecemos as palavras dos homens e os metais pelo barulho que fazem.

872. Sermonis prolixitas fastidiosa. [Grynaeus 110]. A prolixidade do discurso cansa.

873. Sermonis publica forma placet. [Ovídio, Ars Amatoria 3.480]. O discurso comum agrada.

874. Sero accepto clauditur ianua damno. Depois de recebido o prejuízo, já é tarde para fechar a porta. nCasa roubada, trancas às portas. VIDE: lAccepto claudenda est ianua damno. lAccepto damno, ianuam clausit.

875. Sero aggredere, quod autem coeperis constanter absolve. [Bias / Rezende 6167]. Começa com vagar, mas leva ao fim com firmeza o que empreenderes.

876. Sero animus ad periculorum patientiam post pericula instruitur. [Sêneca, De Tranquillitate Animi 11.9]. É tarde preparar o espírito para enfrentar os perigos, quando os perigos já passaram.

877. Sero bonus vulpes religiosus erit. [Pereira 114]. Vai demorar muito para uma raposa ser um bom religioso. nNunca de bom mouro bom cristão.

878. Sero clipeum post vulnera sumo. [Ovídio, Tristia 1.3.35]. Estou tomando o escudo atrasado, depois de receber os ferimentos. VIDE: lClipeum post vulnera. lPost vulnera clipeus.

879. Sero domum est reversurus titubanti pede. [Fedro, Fabulae 4.16.10]. Voltará para casa tarde, com o passo vacilante.

880. Sero in periculis est consilium quaerere. [Publílio Siro]. É tardia a busca de conselho no meio do perigo. nConselho só serve cedo. VIDE: lSerum consilium est, sacram cum stabis ad arcam.

881. Sero medicina paratur cum mala per longas convaluere moras. [Ovídio, Remedium Amoris 91]. Chega tarde o remédio, quando o mal se fortaleceu com a longa demora. nAo perigo com tento, e ao remédio com tempo. VIDE: lPrincipiis obsta: sero medicina paratur cum mala per longas convaluere moras.

882. Sero molunt deorum molae. [Erasmo, Adagia 4.4.82]. Os moinhos dos deuses demoram a moer. nO castigo tarda, mas não falha.

883. Sero paras stabulum taurum iam fure trahente. [Tosi 1593]. É tarde para reforçares o estábulo, quando o ladrão já está levando o touro. VIDE: lInterdum stabulum reparatur post grave damnum. lSero seram ponis stabulo post furta latronis.

884. Sero post tempus venis. [Plauto, Captivi 870]. Chegas tarde, depois do momento oportuno. nChegaste ao atar das feridas.

885. Sero recusat ferro, quod subiit, iugum. [Sêneca, Hippolytus 135]. É tarde para recusar com a espada o jugo a que se submeteu.

886. Sero sapit, quem tu desipuisse vides. [Medina 606]. Demora a curar-se quem tu viste perder o juízo. nQuem de loucura enfermou tarde sarou. nQuem de doidice adoece tarde ou nunca guarece.

887. Sero sapiunt. [Cícero, Ad Familiares 7.16]. Eles aprendem tarde demais. nDepois do fato todo o mundo é sábio.

888. Sero sapiunt Phryges. [Erasmo, Adagia 1.1.28]. Os frígios aprendem tarde demais. (=Diz-se de quem se arrepende, ou de quem toma decisão correta tarde demais). lSero sapiunt principes. [Tosi 937]. Os governantes aprendem tarde demais.

889. Sero seram ponis stabulo post furta latronis. [VES 12]. Pões tarde a tranca no estábulo depois do furto do ladrão. nCasa roubada, trancas à porta. VIDE: lInterdum stabulum reparatur post grave damnum. lSero paras stabulum taurum iam fure trahente.

890. Sero si quaeris, cena erit ipsa brevis. [Pereira 120]. Se vais cear tarde, a ceia será acanhada. nQuem quer mal cear, à noite o vá buscar. VIDE: lSi sero quaeris, cena erit ipsa brevis.

891. Sero subtractis reparas praesaepe caballis. Roubados os cavalos, tarde consertas a estrebaria. nCasa roubada, trancas à porta.

892. Sero venientes male sedentes. [DAPR 623]. nQuem tarde chega, mal se acomoda.

893. Sero venientibus ossa. [DAPR 813]. Aos que chegam tarde, os ossos. nQuem tarde vier comerá do que houver. VIDE: lTarde venientibus ossa.

894. Sero venis, cito vadis, nunquam bonus scholaris. Chegas tarde, vais embora cedo, nunca és um bom estudante.

895. Sero venisti! [Pereira 118]. Chegaste tarde! nTarde piaste! nQue horas para colher amoras! VIDE: lTarde venit.

896. Serotinae hiemes noxiae silvestribus quoque. [Plínio Antigo, Naturalis Historia 17.16]. O inverno tardio faz mal até aos que moram nas florestas.

897. Serpens eiciundus e domo. [Grynaeus 213]. Deve-se expulsar de casa a serpente. nAcalenta a serpente, que ela te dará o pago. nCriai o corvo, e tirar-vos-á o olho.

898. Serpens erat callidior cunctis animantibus terrae. [Vulgata, Gênesis 3.1]. A serpente era o mais astuto de todos os animais da terra.

899. Serpens nisi serpentem comederit non fit draco. [Bacon, De Fortuna 1]. A serpente, se não comer outra serpente, não vira dragão. nA vantagem de quem sabe está na ignorância de quem não sabe. lSerpens ni edat serpentem, draco non fiet. [Erasmo, Adagia 3.3.61]. VIDE: lStultitiam unius alterius fortunam promovere.

900. Serpentem foves, et is te. [Grynaeus 492]. Tu acalentas a serpente, e ela a ti.

901. Serpentem in sinu foves. [Erasmo / Stevenson 2148]. Acalentas uma serpente no próprio seio. nAcalenta a serpente, que ela te dará o pago. nQuem afaga mula receberá coices. lSerpentem in sinu calefacis. lSerpentem in sinu calefeci. [Boncompagno, Palma 26.5]. Aqueci uma serperte em meu peito. VIDE: lColubram foves in sinu. lColubrum foves in sinu. lColubrum in sinu fove. lTu viperam sub alis nutricas. lViperam sub ala nutricas.

902. Serpentum maior concordia. [Juvenal, Satirae 14.159]. Há mais entendimento entre cobras (que entre homens).

903. Serum auxilium post proelium. [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 3.6]. É tardio o reforço que chega depois da batalha. nChegar ao atar das feridas.

904. Serum consilium est, sacram cum stabis ad arcam. [Schottus, Adagia 581]. Chega tarde a decisão, quando já estiveres diante do altar. VIDE: lSero in periculis est consilium quaerere.

905. Serum est cavendi tempus in mediis malis. [Sêneca, Thyestes 486]. Não é mais tempo de ficar alerta, no meio da desgraça.

906. Serum est post facta consilium. É tardio o conselho depois de consumado o fato. nConselho só serve cedo. VIDE: lPost factum, nullum consilium.

907. Serum post male gestam rem auxilium. [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 27.20]. É tardio o auxílio depois de uma ação mal realizada.

908. Serus in caelum redeas. Que demores a voltar ao céu. nQue tenhas uma vida longa!

909. Serva me, servabo te. [Petrônio, Satiricon 44.3]. Protege-me, que eu te protegerei. nQuem faz o bem o encontra.

910. Serva ordinem, et ordo te servabit. [Busarello 269]. Respeita a ordem, e a ordem te preservará.

911. Serva te tamquam peregrinum et hospitem super terram, ad quem nihil spectat de mundi negotiis. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 1.23.43]. Conduze-te na terra como um peregrino e estrangeiro, a quem nada dos negócios do mundo diz respeito.

912. Servabo fidem. Guardarei a palavra dada.

913. Servanda est consuetudo loci ubi causa agitur. [Jur / Black 1606]. Deve ser seguido o costume do lugar onde a causa tem curso.

914. Servare cives, maior virtus est patriae patri. [Sêneca, Octavia 444]. Proteger os cidadãos é a maior virtude do pai da pátria.

915. Servare leges patrias pulchrum ac bonum. [Apostólio, Paroimiai 13.77]. Defender as leis da pátria é belo e bom.

916. Servare modum, finemque tenere, naturamque sequi. [Lucano, Bellum Civile 2.381]. Guardar a medida, observar o limite, seguir a natureza.

917. Servari haud una navis ancora solet. [Apostólio, Paroimiai 13.56]. Com uma única âncora o navio não fica seguro. VIDE: lAncoris duabus niti ratem bonum est. lBonum est duabus ancoris niti ratem. lBonum est duabus fundari navem ancoris. lMelius duo defendunt retinacula navim.

918. Servat multos fortuna nocentes. [Lucano, Pharsalia 3.448]. A sorte protege muitos culpados.

919. Servat placidos obscura quies, praebetque senes casa securos. [Sêneca, Hippolytus 1126]. A obscura quietude protege os pacíficos, e a cabana guarda os velhos em segurança.

920. Servata aequitate. [Jur]. Guardando-se a eqüidade.

921. Servatis servandis. [Rezende 6174]. Conservadas as coisas que devem ser conservadas.

922. Servemus in necessariis unitatem, in non necessariis libertatem, in utrisque caritatem. [Gregory Francke / Stevenson 151]. Preservemos nas coisas essenciais a unidade, nas não essenciais a liberdade, tanto naquelas como nestas o amor. VIDE: lIn fide unitas; in dubiis, libertas; in omnibus caritas. lIn necessariis unitas, in dubiis libertas, in omnibus caritas.

923. Servi, subditi estote in omne timore dominis, non tantum bonis et modestis, sed etiam dyscolis. [Vulgata, 1Pedro 2.18]. Servos, sede obedientes aos vossos senhores com todo temor, não somente aos bons e moderados, mas também aos de dura condição.

924. Serviet aeternum, parvo qui nesciet uti. [Horácio, Epistulae 1.10.41]. Sempre será escravo quem não souber aproveitar o pouco. nQuem não aproveita real não ajunta cabedal.

925. Servire Deo regnare est. [S.Agostinho / Rezende 6178]. Servir a Deus é reinar.

926. Servire non possunt, ita nec imperare. [Sêneca, De Ira 2.15.4]. Não podem servir, portanto também não podem dar ordens. nQuem não sabe sofrer não sabe reger.

927. Servit scaenae. [Pereira 93]. Atende à platéia. (=Acomoda-se ao tempo, ao lugar e às circunstâncias). nAndar com o tempo. VIDE: lScaenae serviendum est.

928. Servis imperare moderate laus est. [Sêneca, De Clementia 1.18.1]. É digno de louvor governar os servos com moderação.

929. Servis regna dabunt, captivis fata triumphum. [Juvenal, Satirae 7.201]. O destino dará reinos aos escravos e triunfos aos cativos.

930. Servite Domino in laetitia. [Vulgata, Salmos 99.2]. Deveis servir ao Senhor em alegria.

931. Servitia coacta non habent meritum. [DAPR 316]. Gentilezas impostas não têm mérito. nAmor adquirido a pau nunca é bom, sempre é mau. VIDE: lInvite data non sunt grata. lInvito non datur beneficium. lOfficium ne collocaris in invitum. lOmnis coacta res molesta est.

932. Servitus est ius quod quis habet in re aliena, ut sibi serviat. [Jur]. Servidão é o direito que alguém tem sobre coisa alheia, para que ela lhe sirva.

933. Servitutem mortalitati fere comparamus. [Ulpiano, Digesta 50.17.209]. Equiparamos a escravidão quase à morte.

934. Servoque servus potior est, eroque erus. [Schottus, Adagia 609]. Tanto um servo vale mais que outro, como um senhor vale mais que outro. nOs dedos das mãos não são iguais. VIDE: lServus servo praestat, dominus domino.

935. Servus a manibus. O secretário. VIDE: lA manu servi.

936. Servus eiusdem naturae est cuius tu. Teu escravo é da mesma natureza que tu. nTodos somos filhos de Adão e Eva; só a vida nos diferencia.

937. Servus erit, qui ducet pravam uxorem. [DAPR 294]. Será escravo quem se casar com mulher de mau caráter. nQuem tem mulher má está na vizinhança do purgatório.

938. Servus es, alterius cum fercula pinguia quaeris. Pane tuo potius vescere, liber eris. Tu és escravo, enquanto desejas alimentos abundantes de outrem. É melhor comeres teu pão, que serás livre.

939. Servus est. Sed fortasse liber animo. Servus est. Hoc illi nocebit? Ostende quis non sit. Alius libidini servit, alius avaritiae, alius ambitioni, omnes timori. [Sêneca, Epistulae 47.17]. É um escravo. Mas talvez livre de espírito. É um escravo. Isso fará mal a ele? Aponta alguém que não o seja. Um é escravo do prazer, outro, da avareza, outro, da ambição, todos, do medo.

940. Servus facit ut erus det. [Jur / Black 892]. O empregado faz (o trabalho) para que o patrão pague (o salário). VIDE: lErus dat ut servus faciat.

941. Servus non est qui mortem neglegit. [Rezende 6184]. Quem desdenha a morte não é escravo. VIDE: lHaud servus est quicumque mortem despuit. lHaud servus est quicumque mortem despicit.

942. Servus servo praestat, dominus domino. [Homero / Erasmo, Adagia 2.3.61]. Um escravo vale mais que outro, um senhor vale mais que outro. nOs dedos das mãos não são iguais. VIDE: lServoque servus potior est, eroque erus.

943. Servus servorum Dei. O servo dos servos de Deus. (=Título adotado por S.Gregório Magno e que depois foi constantemente usado pelos papas).

944. Sese omnes amant. [Plauto, Captivi 476]. Todos os homens amam a si mesmos.

945. Sesquipedalia verba. [Horácio, Ars Poetica 97]. Palavras de pé e meio. (=Vocábulos de tamanho desmedido).

946. Severitas assidua amittit auctoritatem. [PSa]. A severidade constante perde a autoridade. nArco sempre retesado, ou frouxo ou quebrado.

947. Severitas in vitio est, quia proximus iniustitiae locus severitas. [DM 95]. A severidade é um defeito, pois ela está próxima da injustiça.

948. Severitatem abditam, clementiam in procinctu habe. [PSa]. Mantém a severidade afastada, e a clemência à mão.

949. Sex diebus operaberis, et facies omnia opera tua. [Vulgata, Êxodo 20.9; Deuteronômio 5.13]. Trabalharás seis dias, e farás neles tudo que tens para fazer.

950. Sex diebus operaberis; die septimo cessabis arare, et metere. [Vulgata, Êxodo 34.21]. Trabalharás seis dias, e ao sétimo cessarás de lavrar e de segar.

951. Sex diebus operaberis, septimo die cessabis, ut requiescat bos et asinus tuus. [Vulgata, Êxodo 23.12]. Trabalharás seis dias, e ao sétimo dia descansarás, para que descanse o teu boi e o teu jumento.

952. Sex horas somno, totidem des legibus aequis; quattuor orabis, des epulis duas; quod superest ultra sacris largire Camenis. [Edward Coke / Stevenson 1187]. Seis horas dedica ao sono, o mesmo às leis justas; quatro horas rezarás, dá duas às refeições; o que sobrar concede à sagrada poesia.

953. Sex horis dormire sat est iuvenique senique, septem vix pigro; nulli concedimus octo. [Regimen Sanitatis Salernitanum / Rezende 6189]. Dormir seis horas basta tanto ao jovem como ao velho, sete ao preguiçoso; a ninguém concedemos oito.

954. Sexus uterque potens, sed praevalet imperio mas. [Ausônio, Opuscula, De Inconexis]. Os dois sexos são poderosos, mas prevalece o masculino pela autoridade.

955. Si ad fructum nostrum referemus, non ad illius commoda, quem diligimus, non erit ista amicitia, sed mercatura quaedam utilitatum suarum. Prata, et arva, et pecudum greges diliguntur isto modo, quod fructus ex eis capiuntur. Hominum caritas et amicitia gratuita est. [Cícero, De Natura Deorum 1.122]. Se cuidamos somente do nosso lucro, não do interesse de quem amamos, isso não será amizade, mas administração das próprias vantagens. Aos campos e às lavouras ama-se de tal modo que deles se obtenham lucros. O amor e a amizade dos homens são desinteressados.

956. Si ad naturam vivas, nunquam eris pauper; si ad opiniones, nunquam eris dives. [Epicuro / Sêneca, Epistulae 16.7]. Se viveres de acordo com a natureza, nunca serás pobre; se viveres de acordo com as opiniões dos outros, nunca serás rico.

957. Si algebis, tremes. [Cícero, De Oratore 2.70]. Se sentires frio, tremerás.

958. Si alia membra vino madeant, cor sit saltem sobrium. [Plauto, Truculentus 855]. Se as outras partes do corpo são tratadas com vinho, fique sóbrio pelo menos o coração.

959. Si aliquid cogitaveris, cito apparebit conversantibus. [DM 125]. Se imaginares alguma coisa, ela logo será evidente para teus companheiros.

960. Si aliquid est necessarium, non est voluntarium. Se alguma coisa é inevitável, não é voluntária.

961. Si ambulavero in medio umbrae mortis, non timebo mala, quoniam Tu mecum es. [Vulgata, Salmos 22.4]. Quando eu andar no meio da sombra da morte, não temerei males, porquanto Tu estás comigo.

962. Si animus est sincerus, sermo est simplex. [Carlos Pascácio / Rezende 6193]. Se o coração é puro, a linguagem é simples.

963. Si animus hominem pepulit, actum est, animo servavit, non sibi. [Plauto, Trinummus 270]. Se as paixões dominaram o homem, está acabado, ele tornou-se escravo das paixões, não de si mesmo.

964. Si aperto vincere Marte nequeas, fraude utendum. [Schottus, Adagia 185]. Se não se consegue vencer usando a luta aberta, deve-se usar da trapaça. nSe não basta a pele do leão, põe uma de raposa. VIDE: lSi negotium obiectum superare nequeas, dolo utendum. lSi robore adversarium vincere nequeas, dolo et arte reliquias persequere.

965. Si apud claudum habitas, claudicabis. Se vives com um manco, mancarás. nQuem com coxo anda aprende a mancar. nQuem com lobos anda aprende a uivar. VIDE: lClaudo propinquus, claudicare mox scies. lIuxta claudum claudicare disces. lSi cum claudo cohabites, subclaudicare disces. lSi iuxta claudum habites, subclaudicare disces.

966. Si aquam hauris, puteum corona. [Bernardes, Nova Floresta 2.193]. Se bebes a água, coroa o poço.

967. Si ascenderit asinus per scalas. (Isso só acontecerá) se o burro subir pelas escadas. nQuando a galinha criar dentes.

968. Si assuetis mederi possis, nova non sunt tentanda. [Coke / Black 1625]. Se podes curar-te com os remédios costumeiros, não devem ser tentados novos.

969. Si attendis quid apud te sis intus, non curabis quid de te loquantur homines. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 2.6.20]. Se te preocupares com o que és dentro de ti, não te preocuparás com o que de ti dizem os homens.

970. Si autem de veritate scandalum sumitur, utilius permittitur nasci scandalum, quam veritas reliquatur. [S.Gregório Magno / Rezende 6197]. Se da verdade nasce um escândalo, é preferível deixar nascer o escândalo a renunciar à verdade.

971. Si bene commemini, causae sunt quinque bibendi: hospitis adventus, praesens sitis, atque futura, aut vini bonitas, aut quaelibet altera causa. [Père Sirmond / Rezende 6198]. Se bem me lembro, são cinco as causas de beber: a chegada de uma visita, a sede atual, e a futura, ou a qualidade do vinho, ou qualquer outra causa.

972. Si bene quid facias, facies cito, nam cito factum gratum erit: ingratum gratia tarda facit. [Ausônio, Epigrammata 86; Schottus, Adagialia Sacra 122]. Se queres fazer algum bem, faze logo, pois o que se faz logo é um favor: o favor que demora faz um ingrato. VIDE: lIngratum gratia tarda facit.

973. Si biberis undam, nil boni unquam feceris. [Schottus, Adagia 625]. Bebendo água, nunca farás nada de bom. VIDE: lAquam bibens nihil boni paries. lAquam bibendo, nil boni produxeris. lAquam bibens probum et utile paries nihil.

974. Si binas sectere feras, neutra potieris. [Schottus, Adagia 583]. Se perseguires dois bichos, não tomarás nenhum. nQuem corre a duas lebres não apanha nenhuma. VIDE: lAd duo festinans, neutrum bene peregeris. lDuos insequens lepores, neutrum capit. lDuos qui sequitur lepores neutrum capit. lLepores duos qui insequitur, is neutrum capit. lLepores duos insequens neutrum capit. lQui binos lepores una sectabitur hora, uno quandoque, quandoque carebit utroque. lQui binos lepores una sectabitur hora, non uno saltem, sed saepe carebit utroque. lQui duos insectatur lepores, neutrum capit. lQui duos lepores sequitur, neutrum capit. lQui duos sectatur lepores, neutrum capiet. lQui simul duplex captat commodum, utroque frustratur.

975. Si bona suscepimus de manu Dei, mala quare non suscipiamus? [Vulgata, Jó 2.10]. Se nós temos recebido os bens da mão de Deus, por que não receberemos também os males?

976. Si bovem non possis, asinum agas. [Suidas / Erasmo, Adagia 2.8.4]. Se não puderes levar um boi, leva um burro. nQuem não pode como quer faça como puder. lSi bovem non potes, asinum age. [Schottus, Adagia 412]. VIDE: lBovem si nequeas, asinum agas. lSi nequeas bovem, asinum agito. lSi non potes bovem, asinum agito. lSi non queas boves, agas asinos licet.

977. Si caecum caecus ducit, ambo in foveam cadunt. [Rezende 6208]. Se um cego guia outro cego, ambos caem no fosso. nCego não pode guiar cego. VIDE: lCaecus autem si caeco ducatum praestet, ambo in foveam cadunt. lCaecus caecos ducat in foveam. lPotest caecus caecum ducere?

978. Si caelum caderet, multae caperentur alaudae. [Maloux 489]. Se o céu caísse, seriam apanhadas muitas andorinhas. nSe o céu caísse, morriam as andorinhas todas. VIDE: lSi ruerit caelum, multae caperentur alaudae.

979. Si caelum stetit, si terra movit, si fames, si lues, statim ‘Christianos ad leones!’ acclamatur. [Tertuliano, Apologeticus 40.2]. Se o céu parou, se a terra se moveu, se há fome, se há peste, imediatamente se grita: Atirem os cristãos aos leões! VIDE: lChristianos ad leones!

980. Si caput doleat, cetera membra dolent. [Rezende 6212]. Se a cabeça doer, os outros membros doem. nA quem dói o dente, dói a dentuça. nQuando a cabeça não regula, quem paga é o corpo. lSi caput dolet, omnia membra languent. [Stevenson 1099]. VIDE: lCui caput infirmum, cetera membra dolent. lCum caput aegrotat, corpus simul omne laborat. lDum caput aegrotat, omnia alia membra dolent. lDum caput dolet, cetera membra dolent. lDum caput dolet, omnia alia membra dolent. lMembra deficiunt cum caput deprimitur.

981. Si careas aere, cupiet te nemo videre. Se não tens dinheiro, ninguém desejará ver-te. nQuem não tem dinheiro não tem graça.

982. Si carnes non affuerint, in salsamentis acquiescendum. [Schottus, Adagia 356]. Se não há carne, é preciso consolar-se com peixe salgado. nQuem não tem pão alvo come do ralo. nQuem não tem cão caça com gato. lSi caro non adsit, salsamentum adhibendum. [Schottus, Adagia 24]. VIDE: lProbanda salsamenta egenti carnium. lProbanda salsamenta ubi desunt carnes. lSalsamento egenti carnibus contentum esse oportet. lSi non adsunt carnes, tarico contentos esse oportet. lTaricus bone consulitur, ubi desunt carnes.

983. Si caseum haberem, non desiderarem obsonium. [Erasmo, Adagia 3.4.89]. Se eu tivesse queijo, não quereria outra comida. nPão e queijo, mesa posta é. lSi caseum haberem, non indigerem obsonio. [Apostólio, Paroimiai 7.81]. Se eu tivesse queijo, não me faltaria comida. lSi caseum haberem, non egerem obsonio. [Grynaeus 267].

984. Si ceciderit lignum ad austrum aut aquilonem, in quocumque loco ceciderit, ibi erit. [Vulgata, Eclesiastes 11.3]. Se a árvore cair para o sul ou para o norte, em qualquer lugar onde cair, aí ficará.

985. Si charta cadit, tota scientia galoppat. [Latim macarrônico / Rezende 6217]. Se cai o papel, foge toda a sabedoria. (=Diz-se dos que dão aula ou discursam lendo apontamentos).

986. Si collis ad Mahometem accedere nolit, ad collem ibit Mahometes. [Bacon, De Audacia]. Se a montanha não quer vir a Maomé, Maomé irá à montanha.

987. Si compascuus ager est, ius est compascere. [Cícero, Topica 12]. Se o campo é de pastagem comum, o correto é pastar em comum.

988. Si componere magnis parva mihi fas est. [Ovídio, Metamorphoses 416-7]. Se me é permitido comparar coisas pequenas a grandes.

989. Si contingat. Se acontecer.

990. Si contra veritatem iniuriam pertuleris, lucrum puta. [S.Gregório Magno / Bernardes, Nova Floresta 5.244]. Se contra a verdade te fizeram injúria, conta-a por lucro.

991. Si contuderis stulto in pila quasi ptisanas feriente desuper pilo, non auferetur ab eo stultitia eius. [Vulgata, Provérbios 27.22]. Se tu pisares o imprudente num gral, como se pisam os grãos de cevada, ferindo-os de cima a mão do mesmo gral, não se lhe tirará a estultícia.

992. Si corvus posset tacitus pasci, haberet plus dapis. [Erasmo, Adagia 4.1.94]. Se o corvo pudesse comer em silêncio, teria mais comida. nOvelha que berra, bocado que perde. nGrande saber é não falar e comer. VIDE: lBalatu perdit stulta capella bolum. lSus taciturna vorat, dum garrula voce laborat. lTacitus pasci si possit corvus, haberet plus dapis.

993. Si crebro iacias, aliud alias ieceris. [Aristóteles / Erasmo, Adagia 1.2.13]. Se lanças com freqüência, cada coisa lançarás de outra maneira. nInsiste, não desiste. nPerseverança tudo alcança. VIDE: lCrebro si iacias, aliud alias ieceris. lSi multa iacias, aliud alias ieceris. lSi saepe iacias, aliud alias ieceris.

994. Si cui mutuum quid dederit, fit pro proprio perditum. [Plauto, Trinnumus 1016]. Se alguém deu um empréstimo, fica perdido o que era seu. nQuem empresta perde o amigo e o dinheiro.

995. Si cum claudo cohabites, subclaudicare disces. [Apostólio, Paroimiai 3.33]. Se morares com um coxo, aprenderás a mancar. nQuem com coxo anda aprende a mancar. VIDE: lClaudo propinquus, claudicare mox scies. lIuxta claudum claudicare disces. lSi apud claudum habitas, claudicabis. lSi iuxta claudum habites, subclaudicare disces.

996. Si cum hac exceptione detur sapientia, ut illam inclusam teneam, nec enuntiem, reiciam. [Sêneca, Epistulae 6.4]. Se me oferecessem a sabedoria, com a condição de mantê-la oculta e de não revelá-la, eu a rejeitaria.

997. Si cum Iesuitis, non cum Iesu itis. [Rezende 6231]. Se andais com os jesuítas, não andais com Jesus. (=Epigrama feito por inimigos dos Jesuítas). lSi cum Iesu itis, non cum Iesuitis. Se andais com Jesus, não andais com os jesuítas.

998. Si curiam curas, pariet tibi curia curas. [Jogo de palavras / Rezende 6232]. Se trabalhas no foro, o foro te dará preocupações.

999. Si deficiant vires, audacia certe laus erit: in magnis et voluisse sat est. [Propércio, Elegiae 2.10.5]. Se me faltarem as forças, terei pelo menos o mérito de ter ousado; nas grandes empresas, ter tentado já é bastante. VIDE: lEst nobis voluisse satis. lIn magnis et voluisse sat est. lIn magnis vel voluisse satis est.

1000. Si deficit equus, lassus conscendit asellum. [Rezende 6251]. Se falta cavalo, o homem cansado aceita um burro. nCaminhante cansado monta em asno, se não tem cavalo. nQuem não tem cavalo monta em boi. lSi defecit equus, lassus conscedit asellum. [Pereira 99]. Se faltou cavalo, o homem cansado aceitou um burro.

 

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