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DICIONÁRIO  DE  EXPRESSÕES  E  FRASES  LATINAS
Compilado por HENERIK KOCHER

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1801. Solitudinem quaerit, qui vult cum innocentibus vivere. [DM 27]. Procura a solidão quem quer viver com inocentes. nNão há homem sem senão.

1802. Solitudo caeli ianua. [Inscrição num Mosteiro de Trapistas / Busarello 325]. A solidão é o portão do céu.

1803. Solitudo placet Musis, urbs est inimica poëtis. [Petrarca / Carvalho 72]. A solidão apraz às musas; a cidade é inimiga dos poetas.

1804. Solius affatus est sermo dimidiatus, sed cum auditur reliquus, tunc res aperitur. [Tosi 1126]. O discurso de uma só das partes é meio discurso, mas quando se ouve a outra parte, a questão se esclarece. VIDE: lAudi alteram partem. lAudi et alteram partem. lAudi partem alteram. lAudiatur et altera pars. lEt altera pars audiatur. lIudicium differ, partes dum audiveris ambas. lIudicium ne fer si non sunt ambo locuti. lNe rem defini, nisi partem audieris utramque.

1805. Solius est proprium scire futura Dei. Só a Deus pertence conhecer o futuro. nO futuro a Deus pertence.

1806. Sollertia capiuntur quae alioqui capi nequeant. [Apostólio, Paroimiai 8.99]. Conseguem-se pela astúcia as coisas que não se podem conseguir de outro modo. nSe não basta a pele do leão, põe uma de raposa.

1807. Sollicitae mentes speque metuque pavent. [Ovídio, Fasti 3.362]. Os espíritos desassossegados tremem tanto de esperança como de medo.

1808. Sollicitae tu causa, pecunia, vitae. [Propércio, Elegiae 3.7.1]. Ó dinheiro, tu és a causa da vida cheia de cuidados. VIDE: lErgone sollicitae tu causa, pecunia, vitae es?

1809. Sollicitudine non pigri. [Vulgata, Romanos 12.11]. No cuidado que deveis ter, não sejais preguiçosos.

1810. Sollicitudines et vigiliae inimici sunt naturae. [VES 92]. As preocupações e as vigílias são inimigas da natureza.

1811. Sollicitudo cor devorat, neque quidquam prodest. [Schrevelius 1175]. A preocupação devora o coração, mas não ajuda em nada.

1812. Solo cedere solent ea quae aedificantur aut seruntur. [Digesta 41.1.9.1]. Costumam pertencer ao solo as coisas que nele se edificam ou semeiam. lSolo cedit quod solo implantatur. [Black 1640]. Pertence ao solo o que nele se planta. lSolo cedit quod solo inaedificatur. [Black 1640]. Pertence ao solo o que nele se edifica.

1813. Solo vomere terra proscinditur; sed ut hoc fieri possit, etiam cetera aratri membra sunt necessaria. [S.Agostinho, De Civitate Dei 16.2.3]. A terra é cortada somente pela relha do arado, mas para que isso aconteça, todas as outras peças do arado são necessárias.

1814. Solum bellum gignit pacem. Somente a guerra produz a paz. nA boa guerra faz a boa paz. VIDE: lPacis tempore, cogitandum de bello. lQui desiderat pacem, praeparet bellum. lSi vis pacem, para bellum. lSpes pacis affulget, cum serio bellum geritur. lSuscipienda quidem bella sunt ob eam causam, ut sine iniuria in pace vivatur. lTempore pacis cogitandum de bello.

1815. Solum certum nihil esse certi. A única coisa certa é que não há nada certo. nNeste mundo tudo depende da sorte. lSolum certum nihil esse certi, et homine nihil miserius aut superbius. [Plínio Antigo, Naturalis Historia 2.25]. A única coisa certa é que não há nada certo e que não há nada mais miserável e mais soberbo que o homem.

1816. Solummodo hoc inveni, quod fecerit Deus hominem rectum, et ipse se infinitis miscuerit quaestionibus. [Vulgata, Eclesiastes 7.30]. O que eu unicamente achei foi que Deus criou o homem reto, e que ele mesmo se meteu em infinitas questões.

1817. Solus cum fatur, quasi nullus homo reputatur. [Tosi 1057]. O homem, quando fala sozinho, é considerado ninguém.

1818. Solus currens vicit. [Grynaeus 706]. Venceu somente quem correu. nQuem não anda não ganha.

1819. Solus Deus facit heredem, non homo. [Jur / Black 1640]. Só Deus faz o herdeiro, o homem não. lSolus Deus heredem facere potest. Só Deus pode fazer o herdeiro. VIDE: lDeus solus heredem facere potest. lHeredem Deus facit, non homo.

1820. Solus dives, solus beatus est, qui avaritiae ceterisque cupiditatibus imperat. Só é rico e feliz quem domina a cobiça e as demais ambições.

1821. Solus homo ex tot animalium generibus rationis est particeps. O ser humano é o único, de tantos gêneros de seres vivos, que participa da razão.

1822. Solus metus cohibet quos fides promissa non retinet. [Cassiodoro / Bernardes, Nova Floresta 1.432]. Só o medo coíbe aos que a lealdade prometida não sustenta.

1823. Solus non est quem diligant dii. [Terêncio, Andria 973]. Não está só aquele a quem os deuses amam.

1824. Solus sapiens, et virtuti addictus hominis nomine dignus. [Lactâncio Firmiano / Bernardes, Nova Floresta 3.543]. Só o homem sábio e dedicado à virtude é digno do nome de homem.

1825. Solus sapiens scit amare, solus sapiens amicus est. [Sêneca, Epistulae 81.12]. Só o sábio sabe amar, só o sábio é amigo.

1826. Soluta oratione. Em prosa.

1827. Solutio est prestatio eius quod in obligatione est. [Jur]. Pagamento é a prestação daquilo que é objeto da obrigação.

1828. Solutio super unguem. Pagamento à vista.

1829. Solutione eius quod debetur, tollitur omnis obligatio. [Jur]. Toda obrigação se extingue pelo pagamento daquilo que é devido. VIDE: lTollitur autem omnis obligatio solutione eius quod debetur, vel si quis, consentiente creditore, aliud pro alio solverit.

1830. Solve aes alienum, et quod te cruciat scies. [Pereira, 116]. Paga a dívida e saberás o que te faz sofrer. nPaga o que deves, sararás do mal que tens. nQuem paga o que deve aumenta o que é seu.

1831. Solve calceamentum tuum de pedibus tuis: locus enim in quo stas, terra sancta est. [Vulgata, Êxodo 3.5]. Tira os sapatos de teus pés, porque o lugar em que estás, é uma terra santa. lSolve calceamentum pedum tuorum: locus enim in quo stas, terra sancta est. [Vulgata, Atos 7.33]. lSolve calceamentum tuum de pedibus tuis: locus enim in quo stas, sanctus est. [Vulgata, Josué 5.16].

1832. Solve et repete. [Jur]. Paga e depois reclama. VIDE: lIndebiti soluti repetitio

1833. Solve senescentem mature sanus equum. [Horácio, Epistulae 1.1.8]. Tem o bom-senso de desatrelar o cavalo que envelhece.

1834. Solvere diffidit nodum, qui diffidit ense. [Jogo de palavras]. Desistiu de desfazer o nó quem o cortou com a espada.

1835. Solvere et compensare paria sunt. [Jur]. Pagar e compensar se equivalem.

1836. Solvi non potest aliud pro alio invito creditore. [Jur]. Uma coisa não pode ser paga em lugar de outra contra a vontade do credor.

1837. Solvitur acris hiems. [Horácio, Carmina 1.4.1]. O severo inverno está derretendo.

1838. Solvitur ambulando. [Stevenson 2441]. Andando, resolve-se a dificuldade.

1839. Solvitur ligamine quo ligatur. [Black 1641]. O vínculo se desfaz da mesma maneira em que foi feito.

1840. Somne, quies rerum, placidissime, Somne, deorum, pax animi, quem cura fugit, qui corpora duris fessa ministeriis mulces reparasque labori! [Ovídio, Metamorphoses 11.623]. Ó sono, repouso dos seres, ó sono, tu, que és o mais tranqüilo dos deuses, ó paz da alma, de quem o cuidado foge, tu que reconfortas os corpos cansados das duras tarefas e lhes dás novas forças para o trabalho!

1841. Somnia extollunt imprudentes. [Vulgata, Eclesiástico 34.1]. Os sonhos dão asas às fantasias dos imprudentes.

1842. Somnia ne cures, nam fallunt plurima plures. [DAPR 617]. Não te preocupes com sonhos, pois a maioria deles engana muita gente. nSonhos são sonhos.

1843. Somnia ne cures, nam mens humana quod optat, dum vigilat, verum per somnum cernit id ipsum. [Dionísio Catão, Disticha 2.31]. Não dês importância a sonhos, pois aquilo que a mente humana deseja quando está acordada, ela o vê durante o sono.

1844. Somniat ea quae vigilans voluit. [Pereira 101]. Ele sonha com o que desejou quando estava acordado. nDe noite sonha no que de dia anda cuidando.

1845. Somniis non confidendum. Não se deve confiar nos sonhos.

1846. Somnium narrare vigilantis est, et vitia sua confiteri sanitatis indicium est. [Sêneca, Epistulae 53.8]. Só quem está acordado pode contar seu sonho, e confessar seus erros é sinal de sanidade.

1847. Somnus domat famem malorum pessimum. [Schottus, Adagia 625]. O sono vence a fome, que é o pior dos males.

1848. Somnus donum divum gratissimum. O sono é a mais agradável dádiva dos deuses.

1849. Somnus est frater mortis. [Homero / DAPR 616]. nO sono é irmão da morte.

1850. Somnus meridianus assuetis non est denegandus. [Nenter 98]. A quem está acostumado, não se deve negar o sono do meio do dia.

1851. Somnus mortis imago. [DAPR 811]. O sono é o retrato da morte. VIDE: lConsanguineus leti sopor. lMors somno similis est. lMortis imago et simulacrum somnus. lMortis imago sopor. lNihil est morti tam simile, quam somnus. lStulte, quid est somnus, gelidae nisi mortis imago?

1852. Somnus nimius corpus enervat, hominesque stupidos reddit. [Nenter 96]. O sono excessivo enfraquece o corpo, e torna estúpidos os homens.

1853. Somnus pomeridianus infantibus, senibus et debilibus non denegandus est. [Nenter 96]. O sono da tarde não deve ser negado nem às crianças, nem aos velhos, nem aos debilitados.

1854. Somnus sollicitas deficit ante domos. [Tibulo, Elegiae 3.20.4]. O sono se afasta das casas onde há preocupações. nQuem tem cuidados não dorme.

1855. Somnus statim post cenam initus noxius est. [Nenter 96]. O sono iniciado imediatamente após o jantar faz mal.

1856. Sontibus parent boni. [Sêneca, Hercules Furens 252]. Os bons obedecem aos maus.

1857. Sonus geminas mihi circumit aures. [Estácio, Silva 4.4.26]. Circula um ruído em volta de minhas duas orelhas. nMinhas orelhas estão ardendo.

1858. Sopitos deludunt somnia sensus. [Virgílio, Eneida 10.643]. Os sonhos zombam dos sentidos adormecidos.

1859. Sopitos ne suscitaveris ignes. [Rezende 6430]. Não atices o fogo adormecido. nNão despertes o cão que dorme. lSopitos suscitat ignes. [Virgílio, Eneida 5.743; 8.410]. Ele está despertando o fogo adormecido.

1860. Sordent prima quaeque, cum maiora sperantur. [Quinto Cúrcio, Historiae 10.10]. Muito nos desagradam as coisas que temos, quando se esperam coisas melhores.

1861. Sordibus imbuti nequeunt dimittere sordes. [Gualterius Anglicus, Fabulae Aesopicae 38.11]. Quem está envolvido em imundície não consegue livrar-se dela.

1862. Sordidae vestes candidae mentis indicia sunt. [S.Jerônimo]. Roupas humildes são indícios de mente cândida. nMuitas vezes, a má folha esconde o melhor fruto.

1863. Sorex suo perit indicio. O rato se perde por sua própria revelação. nMuita vez, se não fosse o galo cantar, gambá não achava a capoeira. nDepois da mijada da cutia o cachorro pega o faro. VIDE: lLepus nidum suum prodit. lSui ipsius nidi indicium facit lepus. lSuo ipsius indicio perit sorex.

1864. Sors aequa merentes respicit. [Estácio, Thebaida 1.661]. Uma sorte justa aguarda os merecedores.

1865. Sors aspera monstrat amicum. [Gualterius Anglicus, Fabulae Aesopicae 60.89]. A adversidade mostra o amigo. nConhece-se o amigo certo na ocasião incerta. nNa adversidade se conhece a amizade. nNa necessidade se prova a amizade. nNo aperto e no perigo se conhece o amigo. nO amigo fingido, conhecê-lo-ás no arruído. VIDE: lAmici probantur rebus adversis. lAmicus certus in necessitate cernitur. lAmicus certus in re incerta cernitur. lAmicus certus in re incerta. lDifficile est in re prospera amicos probare, in adversa facile. lIn angustiis amici apparent. lIn necessitate probatur amicus. lNon cognoscitur amicus nisi in necessitate. lNoscitur adverso tempore verus amor. lNoscitur in magno discrimine quis sit amicus.

1866. Sors bona, nihil aliud. Boa sorte, nada mais.

1867. Sors est sua cuique ferenda. [Manílio, Astronomicon 4.22]. Cada qual deve suportar a sua sorte. nCada um carrega a sua cruz.

1868. Sorte sua quisque dives, si contentus. [Pereira 97]. Todo indivíduo é rico, se está contente com sua sorte. nRico é quem se contenta com o que tem. nBem-aventurado é o que se contenta com o que tem.

1869. Spargere porcis margaritas. [Rezende 4309]. Atirar pérolas aos porcos. VIDE: lMittere margaritas ante porcos. lProicere margaritas ante porcos.

1870. Spargere voces in vulgum ambiguas. [Virgílio, Eneida 2.98]. Disseminar boatos falsos entre o povo.

1871. Spatio debilitatur amor. [Claudiano, Ad Olubrium 12]. O amor enfraquece com a distância. nAusência aparta amor. nQuem não aparece esquece.

1872. Spatio brevi spem longam reseces. [Horácio, Carmina 1.11.6]. Corta a esperança muito longa para um espaço pequeno.

1873. Spatium vitae est omnibus angustum et immutabile. O espaço da vida é limitado e imutável para todos.

1874. Spe melioris amittitur bonum. [DAPR 442]. Na esperanca do melhor perde-se o bom. nO melhor é inimigo do bom.

1875. Spe non saginatur venter. [Erasmo, Colloquia Familiaria 2, adaptado]. Barriga não se alimenta de esperança. nQuem vive de esperança, morre de fome.

1876. Spe suspensum aliquem tenere. [DAPR 41]. Manter alguém preso por uma esperança.

1877. Species decipit. A beleza engana. nAs aparências enganam.

1878. Species furti ex bonis alterius invito domino quicquam largiri. [VES 127]. É uma espécie de furto distribuir liberalmente dos bens alheios sem o consentimento do dono. VIDE: lFurtum committit qui de alieno elargitur.

1879. Species generi derogat. [Jur]. A espécie derroga o gênero. VIDE: lGeneri species derogat.

1880. Species mulieris exhilarat faciem viri sui. [Vulgata, Eclesiástico 36.24]. A formosura da mulher alegra o rosto do marido.

1881. Speciosae plumae avem speciosam constituunt. [CODP 97]. Belas penas fazem bela ave. nA roupa faz o homem. nEnfeitai o cepo, parecerá mancebo.

1882. Specta, et tu spectaberis. [Stevenson 2107]. Vê, e tu também serás visto.

1883. Spectandum terminum vitae prius: tum iudicandum si manet felicitas. [Ausônio, Ludus Septem Sapientum, Solon 31]. É preciso, primeiro, considerar o fim da vida, e, então, julgar se a felicidade persiste. lSpectare vitae iubeo cunctos terminum. Rogo que todos considerem o fim da vida.

1884. Spectare suave est undas maris e litore. [Schottus, Adagia 627]. É gostoso da praia apreciar as ondas do mar. nVista bela é olhar o mar e morar em terra. VIDE: lIn terra stantis pulcher conspectus in aequor.

1885. Spectatores, bene valete: plaudite, atque exsurgite. [Plauto, Truculentus 941]. Espectadores, passai bem: aplaudi e levantai-vos.

1886. Spectatores enim saepenumero plus vident quam lusores. [Bacon, De Clientibus]. Os espectadores freqüentemente vêem mais que os jogadores. nO espectador vê melhor que o jogador. lSpectatorem saepe plus videre quam lusorem. [Bacon, De Amicitia 7]. Muitas vezes o espectador vê mais que o jogador.

1887. Spectatores, fabula haec est acta: vos plausum date. [Plauto, Mostellaria 1151]. Espectadores, esta comédia chegou ao fim: dai-me vossos aplausos. VIDE: lActa est fabula. lActa est fabula, plaudite!

1888. Spectatum veniunt, veniunt spectentur ut ipsae. [Ovídio, Ars Amatoria 1.99]. Elas vêm para ver, como também para serem vistas. nQuem quer ver quer ser visto.

1889. Spectatur in ignibus aurum. [Ovídio, Tristia 1.5.25]. No fogo se conhece o ouro.

1890. Spectemur agendo. [Ovídio, Metamorphoses 11.120]. Sejamos julgados por nossas ações.

1891. Speculatores eius caeci omnes, nescierunt universi: canes muti non valentes latrare. [Vulgata, Isaías 56.10]. As suas sentinelas estão todas cegas, todas se mostraram ignorantes: .são uns cães mudos que não podem ladrar.

1892. Speculum caecus poscit. [Schottus, Adagia 322]. O cego exige um espelho. nPara quê cego com espelho? nCágado, para que botas, se tens as pernas tortas? VIDE: lQuid caeco cum speculo? lQuid caeco cum speculo et surdo cum lyra? lQuid namque caeco cum speculo est commercii?

1893. Speculum consulat ante suum. [Ovídio, Ars Amatoria 3.136]. Que ele consulte antes seu espelho.

1894. Speculum cordis hominum verba sunt. [Tosi 158]. As palavras dos homens são o espelho do coração.

1895. Speculum mentis est facies. [Tosi 673]. nO rosto é o espelho da alma.

1896. Speculum vitae. [Inscrição em quadrante solar]. (Eu sou) o espelho da vida.

1897. Spem metus sequitur. O medo é companheiro da esperanç. VIDE: lQuemadmodum eadem catena et custodiam et militem copulat, sic ista, quae tam dissimilia sunt, pariter incedunt: spem metus sequitur.

1898. Spem ponant avidi; solliciti metum. [Sêneca, Troades 400]. Que os cúpidos abandonem sua esperança, e os inquietos, o medo.

1899. Spem pretio non emo. [Medina 599]. Eu não compro esperança. nNão compro nem vendo ilusões. nNão compro nabos em saco. VIDE: lEgo spem pretio non emo.

1900. Spem reduxit. [Divisa de Nova Brunswick, Canadá]. Ele restaurou a esperança.

1901. Spem retine: spes una hominem nec morte relinquit. [Dionísio Catão, Disticha 2.25]. Mantém a esperança; a esperança é a única coisa que não abandona o homem, nem mesmo na morte. nA esperança é a última que morre.

1902. Spem vultu simulat, premit altum corde dolorem. [Medina 595]. No rosto ele finge esperança, no coração esconde dor profunda. nFaz das tripas coração.

1903. Spera in Deo. [Vulgata, Salmos 41.6]. Espera em Deus.

1904. Sperandum est, melior cras forsan erit res. [Apostólio, Paroimiai 10.15]. É preciso ter esperança; talvez a situação amanhã fique melhor.

1905. Sperando melius, fit vetus ipse lupus. Até o lobo envelhece, enquanto espera por coisa melhor. nDe manhã em manhã, perde o carneiro a lã. VIDE: lSemper nocuit differre paratis. lTolle moras; semper nocuit differre paratis.

1906. Sperant omnes quae cupiunt nimis. [Grynaeus 667]. Todos esperam pelo que mais desejam. nA esperança é o sonho do homem acordado.

1907. Sperat infestis, metuit secundis. [Horácio, Carmina 2.10.13]. Na adversidade ele tem esperança, na prosperidade tem medo.

1908. Sperate, miseri; cavete, felices. [Robert Burton / Stevenson 1071]. Tende esperança, ó homens infelizes; tende cuidado, ó homens felizes. nA roda da fortuna tanto anda como desanda.

1909. Speravi melius, quia me meruisse putavi. [Ovídio, Heroides 2.61]. Eu esperava por coisa melhor, pois julgava merecer.

1910. Speremus quae volumus, sed quod acciderit feramus. [Cícero, Pro Sestio 68]. Esperemos o que desejamos, mas aceitemos o que vier. nSe não como queremos, passamos como podemos.

1911. Sperne voluptates; nocet empta dolore voluptas. [Horácio, Epistulae 1.2.55]. Despreza os prazeres; o prazer obtido por meio de dor faz mal.

1912. Spernendae opes: auctoramenta sunt servitutum. [Sêneca, Epistulae 104.34]. As riquezas devem ser desprezadas: elas são o salário da servidão.

1913. Spernere quod prosit et amare quod obsit ineptum est. [Gualterius Anglicus, Fabulae Aesopicae 47.9]. Desprezar o que aproveita e amar o que prejudica é tolice.

1914. Spernit superbus quae nequit assequi. [Rezende 6440]. O soberbo despreza o que não pode conseguir. nQuem desdenha quer comprar. VIDE: lNondum matura est uva; nolo acerbam sumere. lNondum matura es; nolo acerbam sumere.

1915. Spero Fortunae regressum. [Divisa]. Tenho esperança no retorno da Fortuna.

1916. Spero meliora. Tenho esperança de que venham coisas melhores.

1917. Spes actionis. [Jur]. A expectativa de ação.

1918. Spes alit agricolas, spes sulcis credit aratis semina, quae magno faenore reddat ager. [Tibulo, Elegiae 2.6.21]. A esperança alimenta os agricultores, a esperança confia as sementes aos sulcos abertos pelo arado, para que o campo as devolva com grande lucro. nEsperança no ganho diminui canseira.

1919. Spes altrix et comes iuventae. A esperança é a ama e companheira da juventude.

1920. Spes altrix senectae. [Erasmo / Stevenson 1167]. A esperança é a alimentadora da velhice. lSpes altrix senectutis.

1921. Spes alunt exsules. [Erasmo, Adagia 3.1.92]. As esperanças alimentam os exilados.

1922. Spes anxia mentem extrahit. [Medina 607]. A esperança angustiante consome o espírito. nQuem espera desespera.

1923. Spes autem non confundit. [Vulgata, Romanos 5.5]. A esperança não traz confusão.

1924. Spes bona dat vires, animum quoque spes bona firmat; vivere spe vidi qui moriturus erat. [Stevenson 1170]. A boa esperança dá forças, e também fortalece o espírito; vi viver pela esperança um homem que estava para morrer.

1925. Spes bona det vires. [Ovídio, Heroides 11.63]. Que a boa esperança te dê forças.

1926. Spes confisa Deo nunquam confusa recedit. [DAPR 581]. A esperança confiada a Deus nunca volta desiludida. nDeus dá do seu bem. nAquele é rico, que está bem com Deus.

1927. Spes est in vivis; non est spes ulla sepultis. [Apostólio, Paroimiai 10.15]. Nos vivos há esperança; nos mortos não há nenhuma esperança. nEnquanto há vida, há esperança.

1928. Spes est pacis. [Virgílio, Eneida 3.543]. Há esperança de paz

1929. Spes est salutis, ubi hominem obiurgat pudor. [Publílio Siro]. Há esperança de salvação, quando a vergonha censura o homem. nQuem se arrepende, salva-se.

1930. Spes est ultimum adversarum rerum solacium. [Sêneca Retórico, Controversiae 5.1.2]. A esperança é o último consolo na adversidade. nA esperança é o refrigério do trabalho.

1931. Spes est vigilantis somnium. [Aristóteles / Stevenson 1165; Black 1647]. nA esperança é o sonho do homem acordado. lSpes esse vigilantium somnia. [Apostólio, Paroimiai 8.93]. As esperanças são os sonhos dos homens acordados. VIDE: lSpes inanes, et velut somnia quaedam vigilantium.

1932. Spes facit illecebras, visuque libido movetur. [Dionísio Catão, Monosticha, Appendix 56]. A esperança cria a atração, e o desejo é provocado pela vista.

1933. Spes fallere saepe solet. [Tosi 873]. A esperança costuma enganar. nQuem vive de esperança, dança sem música.

1934. Spes famae solet ad virtutem impellere multos. [Palingênio, Zodiacus Vitae, Aries 11]. A esperança da fama costuma empurrar muitos para a virtude.

1935. Spes gregis. [Virgílio, Eclogae 1.15]. A esperança do rebanho.

1936. Spes hypocritae peribit. [Vulgata, Jó 8.13]. A esperança do hipócrita perecerá.

1937. Spes impii tamquam lanugo est quae a vento tollitur. [Vulgata, Sabedoria 5.15]. A esperança do ímpio é como a lanugem levada pelo vento.

1938. Spes impunitatis continuum affectum tribuit delinquendi. [Jur / Black 1647]. A esperança de impunidade causa a permanente tentação de delinqüir.

1939. Spes in arduis. Na adversidade, há esperança.

1940. Spes in virtute. [Tácito, Annales 2.20]. Na coragem há esperança.

1941. Spes inanes, et velut somnia quaedam vigilantium. [Quintiliano, Institutio Oratoria 6.2.30]. São esperanças vãs, como certos sonhos dos que estão acordados. VIDE: lSpes est vigilantis somnium. lSpes esse vigilantium somnia.

1942. Spes inopem, res avarum, mors miserum levat. [Publílio Siro]. A esperança conforta o pobre, o dinheiro, o avarento, a morte, o infeliz.

1943. Spes iuris. [Jur]. A expectativa de direito.

1944. Spes magno fracta timore cadit. Desaparece a esperança, quando atingida por um grande medo.

1945. Spes mea Christus. [Divisa]. Cristo é minha esperança.

1946. Spes mea in Deo. [Divisa]. Minha esperança está em Deus. lSpes mea in Deo est.

1947. Spes mea mixta metu. [Ovídio, Tristia 4.3.12]. Minha esperança está misturada com o medo.

1948. Spes metusque in vitam humanam omnem obtinent tyrannidem. [Tosi 868]. A esperança e o medo têm todo o poder sobre a vida humana.

1949. Spes nulla fugae. [Claudiano, In Rufinum 2.391]. Não há esperança de fuga.

1950. Spes nulla monstrat rebus afflictis viam. [Sêneca, Medea 162]. Na aflição, nenhuma esperança mostra o caminho.

1951. Spes nulla salutis. [Jerônimo Vida, Ludus 608]. Não há nenhuma esperança de salvação. VIDE: lSuperest spes nulla salutis.

1952. Spes pacis affulget, cum serio bellum geritur. [Pereira 93]. Brilha a esperança da paz, quando se faz a guerra com seriedade. nA boa guerra faz a boa paz. VIDE: lPacis tempore, cogitandum de bello. lQui desiderat pacem, praeparet bellum. lSi vis pacem, para bellum. lSolum bellum gignit pacem. lSuscipienda quidem bella sunt ob eam causam, ut sine iniuria in pace vivatur. lTempore pacis cogitandum de bello.

1953. Spes pascis inanes. [Virgílio, Eneida 10.627]. Nutres esperanças vãs.

1954. Spes praemii solacium laboris. [DM 56]. A expectativa da recompensa é o consolo do sacrifício. nA esperança no ganho diminui a canseira.

1955. Spes quae differtur affligit animam. [Vulgata, Provérbios 13.12]. A esperança que retarda aflige a alma. nQuem espera desespera. nQuem vive de esperanças morre de fome. nQuem espera da mão alheia, mal janta e pior ceia. lSpes quae differtur aggravat animum. [DAPR 293].

1956. Spes servat afflictos. [Erasmo, Adagia 4.4.63]. A esperança dá força aos atribulados.

1957. Spes sibi quisque. [Virgílio, Eneida 11.309]. Cada um deve colocar a esperança em si mesmo.

1958. Spes sine fide firmitatem non habet. Esperança sem fé não tem firmeza.

1959. Spes sola homines in miseriis consolari solet. [Cícero, In Catilinam 4.8]. Só a esperança costuma confortar os homens na adversidade. nA esperança é o refrigério do trabalho. lSpes sola hominem in miseriis solatur. [Stevenson 1168]. Só a esperança consola o homem na adversidade.

1960. Spes spem excitat, ambitionem ambitio. [Sêneca, De Brevitate Vitae 17]. Uma esperança estimula outra, uma ambição estimula outra.

1961. Spes tenet in tempus, semel si credita, longum. [Ovídio, Ars Amatoria 1.445]. A esperança, se se confia nela, dura por muito tempo.

1962. Spes ultima dea. [Tosi 861]. A esperança é a última deusa.

1963. Spes vitae cum sole redit. [Juvenal, Satirae 12 70]. A esperança da vida renasce com o sol.

1964. Spes vitam fovet. A esperança acalenta a vida. VIDE: lCredula vitam spes fovet, et melius fore cras semper ait.

1965. Sphaera per praecipitium. [Erasmo, Adagia 1.5.28]. A bola desce pelo precipício. nAs águas descem ao mar, e todas as coisas ao seu natural.

1966. Sphaeram inter se reddunt. [Pereira 105]. Atiram a bola um ao outro. nFazem-se as barbas um ao outro.

1967. Sphingis aenigmata dissolvit. [Grynaeus 608]. Resolveu os enigmas da esfinge. nÉ o oitavo sábio da Grécia.

1968. Spina etiam grata est, ex qua exspectatur rosa. [Publílio Siro]. É agradável o espinho de que se espera uma rosa. nA esperança no ganho diminui a canseira.

1969. Spiritum Deo reddidit. Entregou a alma a Deus. VIDE: lAbiit ad plures. lAbiit ad maiores. lAbiit ad deos. lAbiit e vita. lAbiit e medio. lAd divina migravit. lAd manes abiit. lAd patres abiit. lAnimam Deo reddidit. lMigravit ad regna celestia. lMigravit ex vita. lMigravit in caelum.

1970. Spiritum vero ad irascendum facilem quis poterit sustinere? [Vulgata, Provérbios 18.14]. Quem poderá suster um espírito que facilmente se deixa levar da ira?

1971. Spiritus eius ornavit caelos, et obstetricante manu eius, eductus est coluber tortuosus. [Vulgata, Jó 26.13]. O seu espírito adornou os céus, e por obra da sua mão foi tirada à luz a cobra tortuosa.

1972. Spiritus est qui vivificat, caro autem nihil prodest. [Vulgata, João 6.64]. O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita.

1973. Spiritus flat, ubi vult. O vento sopra onde quer. VIDE: lSpiritus, ubi vult, spirat.

1974. Spiritus libertatis. O espírito da liberdade.

1975. Spiritus quidem promptus est, caro autem infirma. [Vulgata, Mateus 26.41; Marcos 14.38]. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. nA carne é fraca. VIDE: lCaro infirma.

1976. Spiritus rector. O espírito guia.

1977. Spiritus Sanctus te illuminet. Que o Espírito Santo te ilumine.

1978. Spiritus, ubi vult, spirat. [Vulgata, João 3.8]. O vento sopra onde quer. VIDE: lSpiritus flat, ubi vult.

1979. Splendet tremulo sub lumine pontus. [Virgílio, Eneida 7.9]. Sob a luz trêmula brilha o mar.

1980. Splendida cena famem non sedat. [Grynaeus 699]. Jantar suntuoso não mata a fome.

1981. Splendide atque verissime. De modo brilhante e muito justo.

1982. Splendide mendax. [Horácio, Carmina 3.11.35]. Esplendidamente falso.

1983. Splendor opum sordes vitae non abluit unquam. [Dionísio Catão, Monosticha, Appendix 16]. O brilho das riquezas nunca lava as baixezas da vida.

1984. Splendor sine occasu. [Divisa da Colúmbia Britânica, Canadá]. Esplendor sem ocaso.

1985. Spoliatis arma supersunt. [Divisa de Emmanuel-Philibert, duque de Sabóia]. Aos espoliados restam as armas.

1986. Spongia in aqua missa oppletur quidem aqua, sed universam aquam non capit. A esponja mergulhada na água certamente se enche de água, mas não absorve toda a água.

1987. Spongia solis. As manchas solares.

1988. Sponsae des curtum, magis oblongum tibi cultrum. [DAPR 428]. À mulher dá uma faca curta, a ti uma mais comprida. nMal vai a casa em que a roca manda mais que a espada.

1989. Sponsalia sunt futuri matrimonii promissio. [Jur]. Noivado é a promessa de futuro casamento. lSponsalia sunt mentio et repromissio nuptiarum futurarum. [Digesta 23.1.1]. Noivado é a proposta e promessa recíproca de futuro casamento.

1990. Spontanea molestia ridenda potius quam dolenda. [Pereira 111]. nSofrimento por gosto, antes rir do que chorar. nNão hajas dó de quem tem muita roupa e faz má cama.

1991. Sponte boni ad parium laeti convivia tendunt. [Schottus, Adagia 346]. Os homens bons comparecem espontaneamente aos banquetes de seus iguais. lSponte bonis mos est convivia adire bonorum. [Schottus, Adagia 32]. É costume dos homens bons comparecerem aos banquetes dos bons sem precisar de convite. VIDE: lBoni ad bonorum convivia invocati accedunt. lBonorum ultro ad convivia accedunt boni. lConviva amico amicus ultro etiam venit. lConvivae non vocati ad amicos eunt. lInvocati comessatum ad amicos veniunt amici. lMos miseri ultro convivia adire bonorum. lNon vocati amici amicorum mensam accedunt. lUltro adeunt hominis timidi convivia fortes.

1992. Sponte mea. [Virgílio, Eneida 4.341]. Por minha vontade. De acordo com minha vontade.

1993. Sponte peccanti nullus est veniae locus. [F 5.3 / Rezende 6454]. Para o que peca porque quer, não há lugar para perdão.

1994. Sponte propria. Por iniciativa própria. Espontaneamente. lSponte sua. VIDE: lDe motu proprio. lDe proprio motu. lEx proprio motu. lMotu proprio. lProprio motu. lSua sponte.

1995. Sponte sequens non est iniecto fune trahendus. [Tosi 480]. Quem já vem espontaneamente não deve ser puxado por corda. nCavalo que voa não carece espora.

1996. Spreta exolescunt: si irascare, agnita videntur. [Tácito, Annales 4.34]. (As injúrias), desprezadas, caem no esquecimento, se a pessoa se zanga, consideram-se confirmadas.

1997. Sta! Alto!

1998. Sta, viator, heroëm calcas. [Epitáfio do General François Mercy / Stevenson 1137]. Ó tu que passas, pára, que estás pisando (o túmulo de) um herói.

1999. Sta, viator, terra sancta est quam calcas. Pára, ó viajante, é santa a terra que pisas.

2000. Stabat Mater dolorosa iuxta Crucem lacrimosa, dum pendebat Filius. [Jacoponi da Todi]. Estava a Mãe cheia de dor chorando junto à Cruz, enquanto o Filho pendia no alto. (=Poema do século XII em honra a Maria, mãe de Jesus).

 

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