A B C D E F G H I L M N O P Q R S T U V

DICIONÁRIO  DE  EXPRESSÕES  E  FRASES  LATINAS
Compilado por HENERIK KOCHER

Q 1 Q 2 Q 3 Q 4 Q 5 Q 6 Q 7 Q 8 Q 9 Q 10 Q 11

 

1201. Quid actum est? Que é que aconteceu?

1202. Quid ad aeternum? Que (significa isso) diante da eternidade?

1203. Quid ad farinas? [Erasmo, Adagia 3.6.31]. Que é que isso tem com a farinha? nQue é que tem uma coisa com a outra? nE eu com isso? VIDE: lQuid nobis ad farinam?

1204. Quid adhuc tibi esse conaris inimicus? [S.Agostinho]. Por que procuras ser teu inimico?

1205. Quid agas ad me pertinet nihil. O que fazes, não me diz respeito.

1206. Quid agendum? Que deve ser feito?

1207. Quid agis? Quid fit? [Plauto, Mercator 283]. Como vais? Como vão as coisas? lQuid agites? Como passais?

1208. Quid aliud est vir senex, quam vox et umbra? [Eurípides / Bernardes, Nova Floresta 3.44]. Que é um homem velho, senão uma voz e uma sombra? VIDE: lQuid praeter istaec vox et umbra vir senex?

1209. Quid arenae semina mandas? [Ovídio, Heroides 5.117]. Por que semeias na areia?

1210. Quid arma possint regis irati scies. [Sêneca, Oedipus 519]. Saberás o que podem as armas de um rei irado.

1211. Quid autem est amare, nisi velle bonis aliquem affici quam maximis, etiamsi ad se ex iis nihil redeat? [Cícero, De Finibus 2.78]. Que é amar, senão querermos que alguém receba os maiores bens, mesmo que deles não tiremos nada para nós?

1212. Quid autem stultius homine verba metuente? [Sêneca, Epistulae 91.19]. Que é mais néscio do que um homem que tem medo de palavras?

1213. Quid autem turpius quam illudi? [Cícero, De Amicitia 99]. O que há de mais vergonhoso do que ser escarnecido?

1214. Quid autem vides festucam in oculo fratris tui, et trabem in oculo tuo non vides? [Vulgata, Mateus 7.3]. Por que vês tu a aresta no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu olho? nÉ o roto falando do esfarrapado, e o sujo do mal lavado. lQuid autem vides festucam in oculo fratris tui, trabem autem, quae in oculo tuo est, non consideras? [Vulgata, Lucas 6.41]. Por que vês tu uma aresta no olho de teu irmão, e não reparas na trave que tens no teu olho? VIDE: lCernere festucam mos est in fratris ocello, in propriis oculis non videt ipse trabem. lFestucam in oculo fratris cernimus; at in proprio ne trabem quidem animadvertimus. lFestucam in alterius oculo vides, in tuo trabem non vides.

1215. Quid boni sanitas habeat, languor ostendit. [Medina 590]. A doença mostra o que a saúde tem de bom. nO bem não é conhecido até que é perdido.

1216. Quid bove firmius? [Ovídio, Ex Ponto 1.4.11]. O que é mais forte do que um boi?

1217. Quid brevi fortes iaculamus aevo multa? [Horácio, Carmina 2.16.17]. Por que nós, corajosos, para um tempo tão curto, projetamos tanta coisa?

1218. Quid caeco cum speculo? [Erasmo, Adagia 3.7.54]. Que tem o cego a ver com o espelho? nPara quê cego com espelho? nPara quê pobre com baú? nAo cego não dão cuidado os espelhos. nCágado, para que botas, se tens as pernas tortas? lQuid caeco cum speculo et surdo cum lyra? [Dumaine 243]. Que faz o cego com o espelho e o surdo com a lira? VIDE: lQuid namque caeco cum speculo est commercii? lSpeculum caecus poscit. lSpeculum caecus.

1219. Quid canis in balneo? [Schottus, Adagia 550]. Que faz o cão na sala de banhos? nQue há de comum entre o asno e a lira? lQuid cani et balneo? [Erasmo, Adagia 1.4.39]. VIDE: lQuid commune cani cum balneo?

1220. Quid cautus caveas aliena exempla docebunt. [Dionísio Catão, Monosticha, Appendix 38]. Os exemplos alheios ensinarão o que deves cautelosamente evitar. nO mal alheio dá conselho.

1221. Quid clarius astris? [Divisa / Sweet 148]. O que há mais brilhante do que as estrelas?

1222. Quid commune cani cum balneo? [Apostólio, Paroimiai 18.81]. Que tem o cão com a sala de banhos? nQue há de comum entre o asno e a lira? VIDE: lQuid cani et balneo? lQuid canis in balneo?

1223. Quid commune habent opifex et doctus? [Schrevelius 1172]. Que têm de comum o operário e o sábio?

1224. Quid communicabit cacabus ad ollam? Quando enim se colliserint, confringetur. [Vulgata, Eclesiástico 13.3]. Como se juntará uma panela de barro a uma panela de ferro? Quando se chocarem, aquela se quebrará.

1225. Quid congregare cum leonibus vulpes? [Marcial, Epigrammata 10.100]. Por que juntar raposas com leões? VIDE: lCongregantur cum leonibus vulpes. lCongregare cum leonibus vulpes.

1226. Quid crastina volvere aetas scire nefas homini. É proibido ao homem saber o que o dia de amanhã lhe trará.

1227. Quid curo stellas, si mihi, Phoebe, faves? [DAPR 611]. Por que me preocupo com as estrelas, ó sol, se tu me favoreces? nO sol me luza, que do lume não hei cura.

1228. Quid datur a divis felici optatius hora? [Catulo, Carmina 75.30]. O que é dado pelos deuses mais desejável do que uma hora feliz?

1229. Quid de pusillis magna prooemia? [Erasmo, Adagia 3.3.96]. Por que uma longa introdução para coisas pequenas? VIDE: lQuid in re parva longa exordia facis? lQuid magna fari rebus in parvis opus?

1230. Quid, de quoque viro et cui dicas, saepe videto. [Horácio, Epistulae 1.18.18]. Considera com freqüência o quê, de quem e a quem falas.

1231. Quid deceat, quid non. [Horácio, Ars Poetica 308]. O que convém, o que não convém.

1232. Quid deformius quam scaenam in vitam transferre? [Bacon, Advancement of Learning 2.23.3]. O que será mais inadequado que transportar o teatro para a vida real?

1233. Quid delphini et bovi commune? [Schottus, Adagia 550]. Que têm o golfinho e o boi em comum? nO que tem Judas com a alma dos pobres?

1234. Quid dem? Quid non dem? [Horácio, Epistulae 2.2.63]. O que devo dar? O que não devo?

1235. Quid Deus intendat, noli perquirere sorte; quid statuat de te, sine te deliberat ille. [Dionísio Catão, Disticha 2.12]. Não consultes oráculos para saber a intenção de Deus; o que Ele reserva para ti, Ele decide sem te consultar.

1236. Quid Deus? Quod initio et fine caret. [Diógenes Laércio / Rezende 5464]. Que coisa é Deus? O que não tem princípio nem fim.

1237. Quid distent aera lupinis! [Erasmo, Adagia 1.3.79]. Quanto diferem as moedas dos tremoços! (=No teatro, usavam-se tremoços para fazer as vezes de dinheiro). nMuito vai de alhos a bugalhos. VIDE: lAera lupinis distant.

1238. Quid divinum. Um quê de divino.

1239. Quid domini faciant, audent cum talia fures? [Virgílio, Eclogae 3.16]. Que devem fazer os donos, quando os ladrões ousam tais coisas?

1240. Quid dulcius hominum generi ab natura datum est quam sui cuique liberi? [Cícero, Ad Quirites 2.2]. O que de mais doce foi dado pela natureza à raça humana do que os filhos de cada um?

1241. Quid dulcius melle, et quid fortius leone? [Vulgata, Juízes 14.18]. Que coisa há mais doce do que o mel, e que coisa há mais forte do que o leão?

1242. Quid dulcius, quam habere, quocum omnia audeas sic loqui, ut tecum? [Cícero, De Amicitia 6]. Que é mais agradável do que ter com quem ouses falar tudo como a ti próprio? lQuid dulcius quam habere amicum, cum quo audeas ut tecum omnia sic loqui? [DM 20]. Que é mais agradável do que ter um amigo com quem se ousa tudo dizer como a si próprio?

1243. Quid egisti? Que fizeste?

1244. Quid enim aliud est natura quam Deus et Divina Ratio toti mundo partibusque eius inserta? [Sêneca, De Beneficiis 4.7.1]. Que outra coisa é a natureza senão Deus e a Razão Divina inserida no mundo e em todas as suas partes?

1245. Quid enim cane adulantius? At rursum quid fidelius? [Erasmo, Moriae Encomium 44]. O que há mais adulador que o cão? E o que há mais fiel que ele?

1246. Quid enim contendat hirundo cycnis? [Lucrécio, De Rerum Natura 3.6]. Por que uma andorinha brigaria com cisnes?

1247. Quid enim est oraculum? Nempe voluntas divina hominis ore enuntiata. [Sêneca Retórico, Controversiae 1.9]. O que é um oráculo? Sem dúvida a vontade divina enunciada pela voz do homem.

1248. Quid enim foedius avaritia dici potest? [Cícero, De Legibus 1.19]. Que coisa pode ser considerada mais torpe do que a avareza?

1249. Quid enim iniquius, quam ut oderint homines quod ignorant, etiam si res meretur odium? [Tertuliano, Apologeticus 1.3]. O que poderia ser mais injusto do que odiarem os homens aquilo que não conhecem, mesmo que a coisa mereça ódio?

1250. Quid enim maius aut fortius quam malam fortunam retundere? [Sêneca, De Clementia 1.5.3]. O que é mais glorioso e de mais coragem do que rebater a má sorte? nPeito forte zomba da má sorte.

1251. Quid enim prodest foris esse strenuum, si domi male vivitur? [Valério Máximo, Facta et Dicta Memorabilia 2.9]. De que serve ser valoroso fora, se em casa não se vive bem?

1252. Quid enim prodest homini, si mundum universum lucretur, animae vero suae detrimentum patiatur? [Vulgata, Mateus 16.26]. De que aproveita o homem ganhar todo o mundo, se vier a perder a sua alma? lQuid enim proderit homini, si lucretur mundum totum et detrimentum animae suae faciat? [Vulgata, Marcos 8.36].

1253. Quid enim promittere laedit? Pollicitis dives quilibet esse potest. [Ovídio, Ars Amatoria 1.443]. Em que prejudica prometer? Qualquer um pode ser rico em promessas. VIDE: lPollicitis dives quilibet esse potest. lPromissis dives quilibet esse potest.

1254. Quid enim refert quantum habeas? Multo illud plus est, quod non habes. [PSa]. Que importa quanto tens? Muito mais é o que não tens. VIDE: lQuid quantum habeas refert? Multo illud plus est, quod non habes.

1255. Quid enim salvis infamia nummis? [Juvenal, Satirae 1.48]. Que importa a vergonha, se o dinheiro está seguro?

1256. Quid enim stultius est, quam via deficiente viaticum augere? [DM 18]. O que há de mais tolo que aumentar o farnel de viagem, quando não há mais viagem? VIDE: lExacta via, viaticum quaeris.

1257. Quid enim stultius quam incerta pro certis habere, falsa pro veris? [Cícero, De Senectute 68]. Que é mais insensato do que preferir o incerto ao certo, o falso ao verdadeiro?

1258. Quid enim sum servus tuus canis? [Vulgata, 4Reis 8.13]. Então eu, teu servo, sou um cão?

1259. Quid enim sunt terrena omnia, nisi quaedam corporis indumenta? [S.Gregório / Bernardes, Luz e Calor 1.212]. Que são as coisas do mundo, senão vestiduras do corpo?

1260. Quid enim tam contrarium est servituti quam libertas? [Digesta 4.5.21]. Que é tão oposto à servidão quanto a liberdade?

1261. Quid enim sunt verba, nisi verba? [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 4.46.2]. O que são as palavras, senão palavras?

1262. Quid enim videant qui solem non vident? [Lactâncio / Tosi 451]. O que veriam os que não vêem o sol?

1263. Quid eo dementius, qui ea miratur, quae ad alium transferri protinus possint? [Sêneca, Epistulae 41]. Que cousa mais insensata há do que admirar coisas que logo depois poderão ser transferidas a outrem?

1264. Quid ergo? E daí? lQuid enim? VIDE: lQuid inde?

1265. Quid ergo opponitur clementiae? Crudelitas. [Sêneca, De Clementia 2.4.1]. Qual é o contrário da clemência? A crueldade.

1266. Quid ergo philosophia praestabit? Scilicet ut sine metu deorum hominumque vivas. [Sêneca, Epistulae 29.12, adaptado]. Para quê, pois, servirá a filosofia? Para que se viva sem medo dos deuses e dos homens.

1267. Quid est autem misericordia nisi alienae miseriae quaedam in nostro corde compassio, qua utique si possumus subvenire compellimur? [S.Agostinho, De Civitate Dei 9.5]. Que é, pois, a misericórdia, senão a compaixão em nosso coração da desgraça alheia, pela qual, se podemos, somos compelidos a socorrer?

1268. Quid est autem tam secundum naturam, quam senibus emori? [Cícero, De Senectute 19]. O que há de mais conforme com a natureza que morrerem os velhos?

1269. Quid est beneficium dare? Deum imitari. [DM 47]. O que é fazer o bem? É imitar a Deus.

1270. Quid est caritas? Est pallium monachi. Quid sic? Quia operit multitudinem peccatorum. [Erasmo, Responsio ad Albertum Pium]. Que é amor? É o manto do monge. Por quê? Porque cobre a multidão dos peccados. VIDE: lCaritas operit multitudinem peccatorum.

1271. Quid est enim dulcius otio litterato? [Cícero, Tusculanae 5.105]. O que é mais agradável do que o descanso com cultura?

1272. Quid est enim fides nisi credere quod non vides? [S.Agostinho, In Ioannis Evangelium 40.9]. O que é a fé senão crer-se no que não se vê?

1273. Quid est enim libertas? Potestas vivendi ut velis. [Cícero, Paradoxa 34]. Que é, pois, a liberdade? O poder de alguém viver como quiser.

1274. Quid est ergo ratio? Naturae imitatio. [Sêneca, Epistulae 66.39]. Que é a razão? A imitação da natureza.

1275. Quid est ergo tempus? Si nemo ex me quaerat, scio; si quaerenti explicare velim, nescio. [S.Agostinho, Confessiones 11.14]. Que é o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se eu quiser explicar a quem perguntou, não sei.

1276. Quid est fides? Quod non vides. Quid est spes? Magna res. Quid est caritas? Magna raritas. Que é a fé? O que não vês. Que é a esperança? Uma grande coisa. Que é o amor? Coisa muito rara. lQuid est fides? Quod non vides. Quid est spes? Quod non habes. Quid est caritas? Maxima raritas. Que é a fé? O que não vês. Que é a esperança? O que não tens. Que é o amor? Coisa extremamente rara.

1277. Quid est gloriosius quam iram amicitia mutare? [Sêneca, De Ira 2.34.4]. O que há de mais honroso do que mudar a ira em amizade?

1278. Quid est homini inimicissimum? Alter homo. [DM 5]. Qual é o maior inimigo do homem? Outro homem.

1279. Quid est homo? Animal rationale mortale. O que é o homem? Um animal racional mortal.

1280. Quid est homo? Prius lutum, statim puer, repente vir, cito senex, brevi cinis, dehinc nihil, merum nihil. Que é o ser humano? Primeiro lodo, pouco depois criança, logo homem, depressa velho, em breve cinza, depois nada, não mais que nada.

1281. Quid est in homine ratione divinius? [Cícero, De Legibus 1.22]. Que há no homem mais divino do que a razão?

1282. Quid est in hominis vita diu? [Cícero, De Senectute 4.10]. Que significa longo tempo na vida do homem?

1283. Quid est iniquius quam secreto credere, palam irasci? [Sêneca, De Ira 2.4.29]. Que é mais iníquo do que sem testemunhas acreditar, em público reprovar?

1284. Quid est otiosius verme? [Sêneca, Epistulae 87.19]. O que é mais inútil do que um verme?

1285. Quid est pietas, nisi voluntas grata in parentes? [Cícero, Pro Cneo Plancio 33]. Que é o amor filial, senão o reconhecimento para com o pai e a mãe?

1286. Quid est quod contra vim sine vi fieri possit? [Cícero, Ad Familiares 12.3]. Que se pode fazer contra a força sem usar da força?

1287. Quid est regi resistere nisi propriam vitam contemnere et omnia bona pariter amittere? [VES 74]. O que é resistir ao rei, senão desprezar a própria vida e ao mesmo tempo perder todos os bens?

1288. Quid est sapientia? Semper idem velle atque idem nolle. [Sêneca, Epistulae 20.4]. Que é sabedoria? É sempre querer o mesmo e não querer o mesmo.

1289. Quid est somnus, gelidae nisi mortis imago! [Ovídio, Amores 2.9B,17]. Que é o sono, senão a imagem da fria morte!

1290. Quid est stultius, quam in homine aliena laudare? [Sêneca, Epistulae 41]. Que haverá de mais tolo do que elogiar num homem coisas que ele não possui?

1291. Quid est tam futile, quam quidquam approbare non cognitum? O que é tão frívolo quanto aprovar alguma coisa que não se conhece?

1292. Quid est tam iucundum cognitu atque auditu quam sapientibus sententiis, gravibus verbis ornata oratio? [Cícero, De Oratore 1.31]. O que dá tanto prazer de se conhecer e de se ouvir quanto o discurso ornado de frases inteligentes, de palavras significativas?

1293. Quid est veritas? [Vulgata, João 18.38]. Que coisa é a verdade?

1294. Quid existis in desertum videre? Harundinem vento agitatam? [Vulgata, Mateus 11.7]. Que saístes vós a ver no deserto? Uma cana agitada do vento?

1295. Quid faciant leges, ubi sola pecunia regnat, aut ubi paupertas vincere nulla potest? [Petrônio, Satiricon 14.2]. Que valem as leis onde só manda o dinheiro, ou onde nenhum pobre pode vencer? VIDE: lQuid faciunt leges, ubi sola pecunia regnat?

1296. Quid faciemus, viri fratres? [Vulgata, Atos 2.37]. Irmãos, o que havemos de fazer?

1297. Quid faciendum? Que se deve fazer? VIDE: lQuid nobis faciendum est?

1298. Quid faciendum sit, a faciente discendum est. [Sêneca, Epistulae 98.17]. O que deve ser feito deve ser aprendido com quem faz.

1299. Quid facies odio, sic ubi amore noces? [Ovídio, Heroides 21.58]. Que farás com o ódio, quando com o amor és tão cruel?

1300. Quid faciet is homo in tenebris qui nihil timet nisi testem et iudicem? Cícero, De Legibus 1.41]. Que faria no escuro aquele homem que só tem medo de testemunha e de juiz?

1301. Quid faciunt leges, ubi sola pecunia regnat? [DAPR 213]. Que fazem as leis onde só manda o dinheiro? VIDE: lQuid faciant leges, ubi sola pecunia regnat, aut ubi paupertas vincere nulla potest?

1302. Quid faciunt pauci contra tot milia fortes? [Ovídio, Fasti 2.229]. Que valem uns poucos contra tantos milhares de valentes?

1303. Quid fata possunt! [Sêneca, Agamemnon 512]. Que força tem o destino!

1304. Quid fecisti? Que fizeste?

1305. Quid festinas? Por que te apressas?

1306. Quid fit ut nemo contentus sit sua sorte? Por que será que ninguém está contente com sua sorte?

1307. Quid flere iubes, nulla surgens dolor ex causa? [Sêneca, Thyestes 942]. Por que me mandas chorar, ó dor sem causa?

1308. Quid fletis, pueri? Por que chorais, meus filhos?

1309. Quid folia arboribus, quid pleno sidera caelo, in freta collectas alta quid addis aquas? [Ovídio, Amores 2.10.13]. Por que acrescentas folhas às árvores, astros ao rico céu, águas ao mar profundo?

1310. Quid forma est, nempe cuticula bene colorata? [Ludovicus Vives / Stevenson 140]. O que é a beleza, senão uma pele bem colorida?

1311. Quid habes? Que tens?

1312. Quid hic sic loquitur? Por que este fala assim?

1313. Quid hic stantibus spei est? [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 4.28]. Que esperais, ficando aqui parados?

1314. Quid hic statis tota die otiosi? [Vulgata, Mateus 20.6]. Por que estais aqui o dia todo ociosos?

1315. Quid hoc pertinet ad eam questionem? O que isso tem a ver com esta questão?

1316. Quid hoc sibi vult? Que quer dizer isso? VIDE: lQuid sibi vult? lQuid significat? lQuidnam vult hoc esse?

1317. Quid homo nitatur loqui quod non potest eloqui? [S.Agostinho]. Por que o homem tenta falar aquilo que não pode exprimir?

1318. Quid id ad nos attingit? Que me toca isso? nQue é que eu tenho com isso? VIDE: lQuid istud ad me attinet?

1319. Quid igitur erit verum? Fortassis hoc unum, nihil esse certi. [Descartes, Meditariones 2.2]. O quê, então, será verdadeiro? Talvez somente isto: não existe nada certo. VIDE: lHoc unum certum est, nihil esse certi.

1320. Quid igitur lex? [Vulgata, Gálatas 3.19]. Para quê, então, a lei?

1321. Quid igitur, o mortales, extra petitis intra vos posita felicitatem? [Boécio, De Consolatione Philosophiae 2.4.22]. Por quê, ó mortais, buscais lá fora a felicidade que está dentro de vós?

1322. Quid ille gannit? quid vult? Que é que ele está resmungando? Que é que ele quer?

1323. Quid in lingua Latina excellentius Cicerone inveniri potest? [S.Agostinho, De Magistro 5.16]. Que se pode encontrar na língua latina mais excelente do que Cícero?

1324. Quid in re parva longa exordia facis? [Apostólio, Paroimiai 18.82]. Por que fazes uma longa introdução para uma coisa pequena? VIDE: lQuid de pusillis magna prooemia? lQuid magna fari rebus in parvis opus?

1325. Quid inde? E daí? VIDE: lQuid ergo? lQuid enim?

1326. Quid interest inter periurum et mendacem? [Cícero, Pro Roscio Comodeo 46]. Que diferença há entre um perjuro e um mentiroso? VIDE: lNihil interest inter periurum et mendacem.

1327. Quid interest inter suasorem facti et probatorem? [Cícero, Philippica 2.29]. Que diferença há entre o incentivador da ação e quem a aprova?

1328. Quid interest inter tyrannum ac regem? [Sêneca, De Clementia 1.11.4]. Qual é a diferença entre o tirano e o rei?

1329. Quid ipse sis, non quid habeas, interest. O que interessa é o que tu és, não o que tens. nVale mais crédito que dinheiro. VIDE: lQuid sis interest, non quid habearis.

1330. Quid iste argutat molestus? [Petrônio, Satiricon 46.1]. Que é que está dizendo esse chato?

1331. Quid istud ad me attinet? [Plauto, Poenulus 635]. Que isso me diz respeito? nQue é que eu tenho com isso? VIDE: lQuid id ad nos attingit?

1332. Quid iuris? [Jur]. Que coisa de direito? (=Que solução dá a isso a jurisprudência?).

1333. Quid iuvat dolori suo occurrere? [Sêneca, Epistulae 13.10]. De que adianta correr em direção ao próprio sofrimento? nNão procures sarna para te coçar. nNão mexas em casa de marimbondos.

1334. Quid iuvat errorem, mersa iam puppe, fateri? De que serve reconhecer o erro, quando o barco já está naufragado?

1335. Quid iuvat deferre quae sunt tamen post facienda? De que serve adiar aquilo que, de qualquer maneira, depois deverá ser feito?

1336. Quid iuvat insanis lucem consumere verbis? De que adianta gastar o dia com palavras loucas?

1337. Quid iuvat mala gravare questu? [Sêneca, Oedipus 81]. De que adianta agravar os próprios males com lamentações?

1338. Quid iuvat et nullo ponere verba loco? [Propércio, Elegiae 2.22.44]. De que adianta falar ao vento?

1339. Quid lacrimae delicta levant? [Claudiano]. Em quê as lágrimas aliviam os crimes?

1340. Quid laedit, si totus populus in te sibilet, modo tute tibi plaudas? [Erasmo, Moriae Encomium 31]. Que mal faz se o povo todo te vaia, se tu mesmo te aplaudes? nDurma eu quente, e ria-se a gente.

1341. Quid laetius quam clarissimos iuvenes nomen et famam ex studiis petere? [Plínio Moço, Epistulae 6.11.3]. Que há de mais satisfatório do que jovens de famílias nobres buscarem o renome e a glória nas letras?

1342. Quid leges sine moribus? De que servem as leis sem a moral? lQuid leges sine moribus vanae proficiunt? [Horácio, Carmina 3.24.35]. De que servem as ineficazes leis, se a moral está ausente?

1343. Quid leo cum mure? Que é que o leão tem com o rato? nA águia não se entretém catando moscas.

1344. Quid levius fumo? Flamen. Quid flamine? Ventus. Quid vento? Mulier. Quid muliere? Nihil. [Bernardes, Nova Floresta 1.220]. Que é mais volúvel do que a fumaça? A brisa. Do que a brisa? O vento. Do que o vento? A mulher. Do que a mulher? Nada. nA mulher é um cata-vento: vai ao vento que soprar. lQuid levius flamma? Fulmen. Quid fulmine? Ventus. Quid vento? Mulier. Quid muliere? Nihil. [Sweet 124]. O que é mais volúvel do que a chama? O raio. Do que o raio? O vento. Do que o vento? A mulher. Do que a mulher? Nada. lQuid levius vento? Fulmen. Quid fulmine? Fama. Quid fama? Mulier. Quid muliere? Nihil. Que é mais volúvel que o vento? O raio. Do que o raio? A fama. Do que a fama? A mulher. Do que a mulher? Nada. VIDE: lQuid pluma levius? Pulvis. Quid pulvere? Ventus. Quid vento? Mulier. Quid muliere? Nihil. lVento quid levius? Fulmen. Quid fulmine? Fama. Fama quid? Mulier. Quid muliere? Nihil.

1345. Quid libertate pretiosius? [Plínio Moço, Epistulae 8.24]. Que há de mais precioso do que a liberdade?

1346. Quid luci cum tenebris? Que tem que ver a luz com as trevas?

1347. Quid lucidius sole? [Vulgata, Eclesiástico 17.30]. Que é mais brilhante do que o sol?

1348. Quid magis est saxo durum? quid mollius unda? Dura tamen molli saxa cavantur aqua. [Ovídio, Ars Amatoria 1.473]. Que é mais duro do que a pedra? Que é mais mole do que a água? No entanto as duras pedras são furadas pela água mole.

1349. Quid magna fari rebus in parvis opus? [Schottus, Adagia 619]. Por que é preciso dizer palavras eloqüentes nos pequenos acontecimentos? VIDE: lQuid de pusillis magna prooemia? lQuid in re parva longa exordia facis?

1350. Quid me alta silentia cogis rumpere? [Virgílio, Eneida 10.63]. Por que me obrigas a romper o meu profundo silêncio?

1351. Quid me caedis? [Vulgata, João 18.23]. Por que me bates? VIDE: lCur me verberas? lCur percutis me?

1352. Quid me interrogas? [Vulgata, João 18.21]. Por que me fazes perguntas?

1353. Quid me laetius est beatiusve? [Catulo, Carmina 9.11]. O que é mais alegre ou mais feliz do que eu?

1354. Quid melius auro? Iaspis. Quid iaspide? Sensus. Quid sensu? Mulier. Quid muliere? Nihil. [Albertano da Brescia, Liber Consolationis 5]. Que é melhor do que o ouro? A ágata. E do que a ágata? O juízo. E do que o juízo? A mulher. E do que a mulher? Nada.

1355. Quid meritum dicas, cui sua terra parum est? [Propércio, Elegiae 3.7.56]. Que valor dirás ter o homem a quem sua pátria não lhe basta?

1356. Quid messes uris, acerba, tuas? [Tibulo, Elegiae 1.2.100]. Por que queimas, ó cruel, a tua seara?

1357. Quid mihi opus est tua amicitia, si quod rogo non facis? [Valério Máximo, Facta et Dicta Memorabilia 6.4]. De que me serve tua amizade, se não fazes o que te peço?

1358. Quid mihi prodest scire agellum in partes dividere, si nescio cum fratre dividere? [Sêneca, Epistulae 10.88]. De que me adianta saber dividir um cordeiro em partes, se não sei dividi-lo com meu irmão?

1359. Quid minus utibile fuit quam hoc ulcus tangere? [Terêncio, Phormio 690]. Que poderia ser menos útil do que tocar essa ferida? nNão fales de corda em casa de enforcado.

1360. Quid mirum est, fortunatos semper parem quaerere? [Quinto Cúrcio, Historiae 5.5]. O que há de espantoso em que os homens afortunados sempre procurem seus iguais?

1361. Quid multa? Para que mais palavras?

1362. Quid namque caeco cum speculo est commercii? [Apostólio, Paroimiai 18.69]. Qual é a relação entre o cego e o espelho? nQue há de comum entre o asno e a lira? nAo cego não dão cuidado os espelhos. VIDE: lQuid caeco cum speculo? lQuid caeco cum speculo et surdo cum lyra? lSpeculum caecus poscit. lSpeculum caecus.

1363. Quid nobis ad farinam? Que é que eu tenho com a farinha? nQue é que eu tenho com isso?. nLá se haja Marta com seus doilos. VIDE: lQuid ad farinas?

1364. Quid nobis certius ipsis sensibus esse potest, qui vera ac falsa notemus? [Lucrécio, De Rerum Natura 1.699]. Que podemos ter mais seguro do que nossos sentidos para distinguirmos o verdadeiro e o falso?

1365. Quid nobis faciendum est? Que devemos fazer? VIDE: lQuid faciendum?

1366. Quid non argento, quid non corrumpitur auro? [Medina 588]. O que não se corrompe com prata, o que não se corrompe com ouro? nNão há cerradura, se de ouro é a gazua. nO dinheiro é a medida de todas as coisas.

1367. Quid non ebrietas designat? [Pereira 121]. O que não revela a embriaguez? nCachaceiro não tem segredo. nSegredos queres saber, busca-os no pesar e no prazer. lQuid non ebrietas designat? operta recludit, spes iubet esse ratas, ad proelia trudit inertem. [Horácio, Epistulae 1.5.16]. O que é que a embriaguez não faz? Ela descobre os segredos, ela faz a esperança parecer realidade, ela empurra o covarde à luta.

1368. Quid non mortalia pectora cogis, auri sacra fames? [Virgílio, Eneida 3.56]. A que não obrigas os corações humanos, ó maldita fome de ouro? VIDE: lAuri imperiosa fames. lAuri sacra fames.

1369. Quid novi? Que há de novo? lQuid novum? lQuid novum evenit? Que ocorreu de novo? VIDE: lQuid portas novi?

1370. Quid novi ex Africa? [Rezende 5491]. Que novidades vêm da África?

1371. Quid numeras annos? Vixi maturior annis; acta senem faciunt, haec numeranda tibi. [Bernardes, Nova Floresta 1.286]. Por que contas os anos? Vivi anos produtivos; as obras fazem a idade, essas é que ser contados por ti.

1372. Quid nunc? Que há agora?

1373. Quid nunc te, asine, litteras doceam? [Cícero, In Calpurnium Pisonem 30]. Por que agora deveria ensinar-te a ler, ó asno?

1374. Quid obmutuistis? quid tacetis? [Apuleio, Apologia 102]. Por que ficastes mudos? Por que vos calais?

1375. Quid observatis auribus fundis preces? [Horácio, Epodon 17.53]. Por que dirigis pedidos a ouvidos fechados?

1376. Quid opus est plura? [Cícero, De Senecture 1]. Para quê é preciso dizer mais?

1377. Quid opus est tibi? De que necessitas?

1378. Quid opus est verbis? [Plauto, Curculio 79]. De que nos servem palavras? lQuid opus verbis est, ubi facta vides? [John Owen, Epigrammata 3.110]. De que servem as palavras, quando vês os fatos? VIDE: lNihil opus verbis.

1379. Quid opus nota noscere? [Plauto, Miles Gloriosus 635]. De que vale aprender o que já se sabe?

1380. Quid paterna carius esset viro tellure? [Eurípides]. O que seria mais caro ao homem do que a pátria?

1381. Quid pectunt, qui non habent capillos? [Mota 64]. O que penteiam os que não têm cabelos? nCareca não gasta pente. VIDE: lCalvus pectinem poscit.

1382. Quid pluma levius? Pulvis. Quid pulvere? Ventus. Quid vento? Mulier. Quid muliere? Nihil. [Rezende 5482]. Que é mais volúvel que a pluma? O pó. Do que o pó? O vento. Do que o vento? A mulher. Do que a mulher? Nada. VIDE: lQuid levius fumo? Flamen. Quid flamine? Ventus. Quid vento? Mulier. Quid muliere? Nihil. lQuid levius flamma? Fulmen. Quid fulmine? Ventus. Quid vento? Mulier. Quid muliere? Nihil. lQuid levius vento? Fulmen. Quid fulmine? Fama. Quid fama? Mulier. Quid muliere? Nihil. lVento quid levius? Fulmen. Quid fulmine? Fama. Fama quid? Mulier. Quid muliere? Nihil.

1383. Quid plura dicam? Que mais posso dizer? Para que dizer mais? lQuid plus dicere? lQuid plura?

1384. Quid portas novi? [Sêneca, Thyestes 625]. Que notícias trazes? VIDE: lQuid novi? lQuid novum? lQuid novum evenit?

1385. Quid potes alibi videre, quod hic non vides? Ecce caelum et terra et omnia elementa, nam ex istis omnia sunt facta. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 1.20.4]. O que podes ver em outro lugar que não vês aqui? Olha o céu e a terra e todos os elementos, pois destes são feitas todas as coisas.

1386. Quid potest ab eo quisquam sperare, quem malum esse docuit? [PSa]. Que pode alguém esperar daquele a quem ensinou ser mau?

1387. Quid praeter istaec vox et umbra vir senex? [Eurípides / Apostólio, Paroimiai 18.85]. Que é um homem velho, senão uma voz e uma sombra? VIDE: lQuid aliud est vir senex, quam vox et umbra?

1388. Quid pro quo. Isto por aquilo. (=Qüiproquó. Um equívoco. Uma confusão).

1389. Quid proderit, fratres mei, si fidem quis dicat se habere, opera autem non habeat? [Vulgata, Tiago 2.14]. Que aproveitará, irmãos meus, a um que diz que tem fé, se não tem obras?

1390. Quid proderit libatio idolo? Nec enim manducabit, nec odorabit. [Vulgata, Eclesiástico 30.19]. De que servirá ao ídolo a oblação? Pois que ele nem a comerá, nem lhe tomará o cheiro.

1391. Quid prodest? Para que serve?

1392. Quid prodest dispergere dando pauperibus et pauperem fieri, cum anima misera superbior efficitur divitias contemnendo, quam fuerat possidendo? [RSA 8]. De que serve distribuir seus bens, dando-os aos pobres, e ficar pobre, se a alma miserável, desprezando as riquezas, ficar mais soberba do que fora quando as possuia?

1393. Quid prodest inopi locuples opulentia avari? [Pereira 111]. De que serve ao pobre a rica opulência do avarento? nMuito pão tem Castela, mas quem o não tem, lazeira.

1394. Quid prodest? Quid me ista laedunt? [Cícero, De Lege Agraria 2.32]. Qual é o benefício? Que mal isto me pode fazer?

1395. Quid prodest si quod non possumus volumus, aut si quod possumus nolumus? [S.Agostinho / Bernardes, Nova Floresta 5.340]. Que aproveita a vontade do impossível ou a possibilidade do que não queremos?

1396. Quid próprium est stulti? Non posse et velle nocére. [Ausônio / Bernardes, Nova Floresta 5.81]. nEste é do néscio o selo: não poder fazer mal e querer fazê-lo.

1397. Quid prosunt scripta, lecta et intellecta, nisi temetipsum legas et intellegas? [S.Bernardo, Meditationes 15]. De que adiantam as coisas escritas, lidas e entendidas, se não leres e entenderes a ti mesmo?

1398. Quid quaeris? Que procuras?

1399. Quid quantum habeas refert? Multo illud plus est, quod non habes. [PSa]. Que importa quanto tens? Muito mais é o que não tens. VIDE: lQuid enim refert quantum habeas? Multo illud plus est, quod non habes.

1400. Quid quisque possit, nisi tentando, nescit. [Sêneca, De Providentia 4.3]. O que cada um pode, só sabe tentando.

 

MENU RÁPIDO