| A | B | C | D | E | F | G | H | I | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V |
DICIONÁRIO
DE EXPRESSÕES E FRASES LATINAS
Compilado por HENERIK KOCHER
1801. Probitas laudatur, et alget. [Juvenal, Satirae 1.74]. A honestidade é gabada, mas morre de frio.
1802. Probitas verus honor. A honestidade é a verdadeira glória.
1803. Probitas viri per comparationem lucidius apparet. [VES 118]. O valor de um homem brilha mais pela confrontação.
1804. Probo beneficium qui dat, ex parte accipit. [Publílio Siro]. Quem presta benefício a um homem honesto de certa maneira também recebe. nBem fazer nunca se perde.
1805. Probo bona fama maxima est hereditas. [Publílio Siro]. Para o homem honesto uma boa reputação é a melhor herança.
1806. Probum non paenitet. O homem honesto não se arrepende.
1807. Probus invidet nemini. O homem honesto não tem inveja de ninguém.
1808. Probus libertus sine natura est filius. [Publílio Siro]. Um escravo honesto liberto é um filho sem a intervenção da natureza.
1809. Procellae quanto plus habent virium, tanto minus temporis. [Sêneca, Quaestiones Naturales 7.9]. As tempestades, quanto mais força têm, tanto menos duram. nO que é intenso dura pouco.
1810. Procerum domus. [Tácito, Annales 4.63]. As casas dos patrícios. VIDE: lDomus Procerum.
1811. Procerum superbia deficit cum rex adest. O orgulho dos nobres desaparece quando o rei está presente.
1812. Procreare liberos lepidum est onus. [Plauto, Miles Gloriosus 681]. Fazer filhos é um encargo prazeroso.
1813. Procrastinare lusitanum est. [Eça de Queiroz, A Ilustre Casa de Ramires 1 / Busarello 330]. Adiar é próprio do português.
1814. Procul a Iove, procul a fulmine. [Suidas / Albertatius 1113]. Longe de Júpiter, longe do raio. nRaio não cai em pau deitado. nQuanto mais alto o coqueiro, maior é o tombo. lProcul a Iove et fulmine. [Apostólio, Paroimiai 16.51]. lProcul a Iove, procul a fulgure. VIDE: lPorro a Iove atque fulmine.
1815. Procul a pedibus equinis! [Erasmo, Adagia 1.3.95]. (Fica) longe dos pés do cavalo! nNão te metas entre martelo e bigorna. VIDE: lAb equi pedibus procul secedite. lAb equinis pedibus procul recede.
1816. Procul ab oculis nostris urbs nostra diripiatur, incendatur. [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 45.24]. Longe dos nossos olhos, nossa cidade está sendo saqueada, incendiada.
1817. Procul amicis sunt viri in malis siti. [Schottus, Adagia 25]. Longe dos amigos os homens ficam em dificuldade. VIDE: lViri infortunati procul amicis.
1818. Procul ex oculis, procul ex mente. [DAPR 397]. nLonge dos olhos, longe do coração. VIDE: lQui procul est oculis, procul est a limine cordis. lTam procul ex oculis, quam procul ex corde. lTam procul ab oculis, quam procul a corde.
1819. Procul hinc, procul este, severi! [Ovídio, Amores 2.1.3]. Fora daqui, fora, ó gente séria!
1820. Procul hinc, procul hinc! Fora! Fora daqui!
1821. Procul negotiis. [Horácio, Epodon 2.1]. Longe dos negócios. Longe das atividades.
1822. Procul, o procul este, profani! [Virgílio, Eneida 6.258]. Longe, ficai longe, profanos!
1823. Procul omen abesto! [Ovídio, Amores 1.14.41]. Longe de nós esse agouro!
1824. Procul videns, comminus videns nihil. [Stevenson 263]. Vê as coisas que estão longe, mas não vê nada que esteja perto.
1825. Procurator est qui aliena negotia mandatu domini administrat. [Digesta 3.3.1]. Procurador é aquele que administra negócios alheios com mandato do proprietário.
1826. Prodenda quia prodita. [Tosi 51]. Coisas que devem ser transmitidas porque foram transmitidas. VIDE: lNarrata refero. lRelata refero.
1827. Prodesse enim sibi unusquisque, dum alii non nocet, non prohibetur. [Digesta 39.3.1.11]. A ninguém é proibido tirar proveito para si, desde que não prejudique a outrem.
1828. Prodesse quam conspici. [Divisa]. Antes ser útil que admirado.
1829. Prodesse qui vult nec potest, aeque est miser. [Publílio Siro]. Quem quer ajudar, mas não pode, é igualmente infeliz.
1830. Prodest an obest gloria? A glória favorece ou prejudica?
1831. Prodest ipse rogus tempus in omne bonus. [Pereira 121]. O bom fogo faz bem a qualquer tempo. nSempre o fogo faz gasalhado.
1832. Prodest morbum suum nosse, et vires eius antequam spatientur opprimere. [Sêneca, De Ira 3.10]. É útil conhecer a própria doença e aniquilar suas forças, antes que se alastrem.
1833. Prodest quicumque obesse non vult, cum potest. [PSa]. Ajuda quem não quer prejudicar quando pode. nMuito ajuda quem não atrapalha.
1834. Prodiga fertilitas paucis consumitur annis; servatur longo tempo rara seges. [Pereira 94]. A riqueza desregrada se consome em poucos anos; conserva-se por muito tempo a seara pouco abundante. nA grão gastador o muito não basta; a grão poupador o pouco sobeja.
1835. Prodigere est, cum nihil habeas, te irrideri. Ser pródigo, quando não se tem nada, é expor-se ao ridículo.
1836. Proditionem amo, sed proditores odi. [Plutarco, Vita Romuli 17.7 / Maloux 518]. Amo a traição, mas odeio os traidores. nAma-se a traição, aborrece-se o traidor. lProditionem amo, sed proditorem non laudo. [Stevenson 2366]. Amo a traição, mas não louvo o traidor. lProditio amatur, sed proditor non laudatur. Ama-se a traição, mas não se louva o traidor. VIDE: lAmo proditionem, odi proditorem.
1837. Proditor patriae. [Cícero, De Finibus 3.64]. Um traidor da pátria.
1838. Proditores etiam iis, quos anteponunt, invisi sunt. [Tácito, Annales 1.58.1]. Os traidores são odiados até por aqueles a quem servem. nAma el-rei a traição, mas não o traidor. nAma-se a traição, mas aborrece-se o traidor.
1839. Producta sceleris. [Jur]. O produto do crime.
1840. Proelio victus, non bello. [Erasmo, Adagia 5.1.66]. Foi vencido na batalha, mas não na guerra.
1841. Profanum vulgus. [Horácio, Carmina 3.1.1]. O vulgo ignorante.
1842. Profectio fugae consimilis videtur. Considera-se o recuo igual à fuga.
1843. Profecto aliud est, aliud dicitur. Sem dúvida, uma coisa é o que é, outra coisa é o que se diz.
1844. Profecto deliramus interdum senes. [DAPR 608]. Sem dúvida nós velhos deliramos de vez em quando. nQuanto mais velho, mais tolo. nA cabeça branca, e o juízo por vir.
1845. Profecto enim vita vigilia est. [Plínio Antigo, Naturalis Historia, Praefacio 18]. Por certo a vida é uma vigília.
1846. Profecto fortuna in omni re dominatur. [Salústio, Catilina 8.1]. Sem dúvida a sorte governa todas as coisas.
1847. Proferre in apricum. Trazer à luz. (=Tornar as coisas conhecidas).
1848. Professa perdunt odia vindictae locum. [Sêneca, Medea 154]. O ódio declarado perde toda oportunidade de vingança.
1849. Professio fidei. A profissão de fé.
1850. Professor sapientiae. Um filósofo.
1851. Professoria lingua. [Tácito, Annales 13.14]. Linguagem professoral.
1852. Profestus dies. Dia não feriado. Dia de trabalho.
1853. Proficiat! Que tenha bom êxito!
1854. Profugiens hostem, inimici invadam in manus. [Áccio / Stevenson 2047]. Fugindo de um inimigo, caio nas mãos de outro inimigo. nFugi do lobo, caí no arroio.
1855. Profuit multis capi. [Sêneca, Troades 888]. Para muitos terem sido feitos escravos conduziu à glória.
1856. Profundere verba ventis. [Lucrécio, De Natura Rerum 4.930]. Gastar palavras com o vento. nPerder o latim.
1857. Progenitorum ornamenta nec virtutem nec honestatem, mea quidem sententia, minoribus praebent. [Garcia de Meneses / Ramalho 16]. Em minha opinião, nem o valor nem a glória dos antepassados se estendem aos descendentes.
1858. Progredi ex noto ad ignotum. Avançar do conhecido ao desconhecido. VIDE: lEx notis ad ignota. lEx noto ad ignotum.
1859. Progrediente tempore. Com o passar do tempo.
1860. Progredimur quo ducit quemque voluntas. [Lucano, De Natura Rerum 2.258]. Vamos para onde a vontade conduz cada um de nós. lProgredimur quo ducit quemque voluptas. Dirigimo-nos para onde o prazer conduz cada um de nós.
1861. Prohibe linguam tuam a malo, et labia tua ne loquantur dolum. [Vulgata, Salmos 33.14]. Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios não falem engano.
1862. Prohibenda maxime ira est in puniendo. [Cícero, De Officiis 1.25]. A cólera deve ser inteiramente afastada do castigo.
1863. Prohibere non potes quod tibi non nocet et alteri prodest. [Jur]. Não podes proibir o que não te prejudica e a outrem aproveita.
1864. Prohibito principali, prohibitur omnia quae sequentur ex illo. [Jur]. Proibido o principal, proíbe-se tudo que segue dele.
1865. Proice super Dominum curam tuam, et Ipse te sustentabit. Lança sobre o Senhor o teu cuidado, e Ele te sustentará. VIDE: lIacta super Dominum curam tuam, et Ipse te enutriet.
1866. Proicere margaritas ante porcos. [DAPR 529]. Atirar pérolas aos porcos. VIDE: lMittere margaritas ante porcos. lSpargere porcis margaritas.
1867. Prolem sine matre creatam. [Ovídio, Metamorphoses 2.553]. Um filho gerado sem mãe. (=Diz-se de obra original, sem modelo anterior).
1868. Promissio boni viri obligatio est. [Rezende 5245]. A promessa do homem honesto é uma obrigação. nPromessa é dívida. nQuem promete deve.
1869. Promissio debet intellegi rebus sic stantibus. [Jur]. A promessa deve ser compreendida como dependendo de se manterem inalteradas as circunstâncias.
1870. Promissio parit debitum. [DAPR 556]. A promessa gera uma dívida. nPromessa é dívida. nO prometido é devido.
1871. Promissis dives quilibet esse potest. [Dumaine 238]. De promessas qualquer um pode ser rico. nDe promessas, quem vive é santo. VIDE: lPollicitis dives quilibet esse potest. lQuid enim promittere laedit? Pollicitis dives quilibet esse potest.
1872. Promit intima cordis. Ele expõe as coisas íntimas do coração.
1873. Promotor fidei. Promotor da fé.
1874. Promotor iustitiae. [Jur]. Promotor de justiça.
1875. Promoveatur, ut amoveatur. Promova-se, para que seja removido.
1876. Promptius est omnibus iudicare quam facere. [DAPR 201]. Para todos é mais fácil criticar do que fazer. nCriticar é fácil, fazer é difícil. nDe obras feitas todos são mestres.
1877. Promptus homo et experiens. Um homem disponível e com experiência.
1878. Promus magis quam condus. [Erasmo, Adagia 2.4.73]. Mais gastador que guardador.
1879. Prona est timori semper in peius fides. [Sêneca, Hercules Furens 316]. A credulidade é sempre inclinada ao medo exagerado.
1880. Pronuntiatio iudicis. A sentença do juiz.
1881. Prope est a te Deus, tecum est, intus est: sacer intra nos spiritus sedet, malorum bonorumque nostrorum observator. [Sêneca, Epistulae 41.1]. Deus está perto de ti, está contigo, está dentro de ti: dentro de nós permanecce um espírito sagrado observador de nossos males e de nossos bens.
1882. Prope est enim, ut libenter damnet, qui cito; prope est, ut inique puniat, qui nimis. [Sêneca, De Clementia 1.14.3]. Está perto de punir com prazer, quem condena apressadamente; está perto de punir injustamente, quem condena com excesso. lPrope est non aeque ut damnet, qui damnat nimis. [PSa]. Está perto de condenar injustamente, quem condena com excesso.
1883. Prope graculum saepe alter astat graculus. [Schottus, Adagia 603]. Junto a um gralho com freqüência se encontra outro gralho. nUm gambá cheira outro. VIDE: lAssidet usque graculus graculo. lConcolores aves facillime congregantur. lGraculus graculo assidet. lMonedulae semper monedula assidet. lPares cum paribus facillime congregantur. lPares cum paribus maxime congregantur. lParium cum paribus facilis congregatio est. lSemper graculus assidet graculo. lSemper graculus cum graculo. lSolent pares facile congregari cum paribus. lVolatilia ad sibi similia conveniunt.
1884. Prope ignem. Perto do fogo.
1885. Propensiores sumus ad nostra quam ad aliena. [Branco 298], Nós cuidamos mais do nosso do que do alheio. nPrimeiro os dentes, depois os parentes. VIDE: lMihi magis quam aliis consulere debeo. lNecessitas plus posset quam pietas solet.
1886. Propera ad rem propositam. [Schottus, Adagia 456]. Apressa-te ao teu objetivo. VIDE: lImpelle equum ad metam. lIncita equum iuxta nyssam.
1887. Propera, nec venturas differ in horas. [Ovídio, Remedium Amoris 93]. Apressa-te e não deixes para depois. nNa tardança está o perigo.
1888. Propera vivere, et singulos dies singulas vitas puta. [Sêneca, Epistulae 101.10]. Apressa-te em viver, e cada dia teu como uma vida.
1889. Properat cursu vita citato. [Sêneca, Hercules Furens 178]. A vida passa apressadamente em uma rápida carreira. nA vida são dois dias.
1890. Properet licet, sero beneficium dedit, qui roganti dedit. [Sêneca, De Beneficiis 2.2.1]. Mesmo que se tenha apressado, demorou a fazer o favor quem o fez a quem teve de pedir.
1891. Propheta in sua patria honorem non habet. [Vulgata, João 4.44]. Um profeta não tem glória na sua pátria. nNinguém é profeta em sua terra. nSanto de casa não faz milagre. VIDE: lCernitur in propria raro multum regione vates portare decus ornatumque coronae. lIn patria natus non est propheta vocatus. lNemo in patria propheta acceptus est. lNemo propheta acceptus est in patria sua. lNemo propheta in sua patria. lNemo propheta in patria. lNon est propheta sine honore, nisi in patria sua, et in domo sua.
1892. Prophetias nolite spernere. [Vulgata, 1Tessalonicenses 5.20]. Não desprezeis as profecias.
1893. Propinquum potius quam vicinum defenderis. Defenderás antes um parente que um vizinho.
1894. Propinquus occisi homicidam interficiet. [Vulgata, Números 35.19]. O parente do morto matará o homicida.
1895. Propior est tunica pallio. [Pereira 103]. A camisa está mais perto do corpo do que o capote. nMais próximos estão os dentes do que os parentes. nEm tal signo nasci, que mais quero para mim que para ti. VIDE: lGenu sura propius. lGenu sura propius, et tunica pallio propior. lTunica propior pallio est.
1896. Propiora videamus. [Cícero, De Natura Deorum 3.80]. Vejamos o que está mais perto de nós. VIDE: lA fabulis ad facta veniamus. lAbeamus a fabulis, propiora videamus.
1897. Propius periculo it timor. [Virgílio, Eneida 8.556]. O medo acompanha de perto o perigo.
1898. Propositum capiunt Tartara, facta Polus. [Rezende 5260]. O inferno fica com a intenção, o céu, com a ação. nDe bons propósitos está cheio o inferno, e o céu de boas obras. nDe boas intenções o inferno está calçado.
1899. Propositum mutat sapiens, at stultus inhaeret. [Petrarca, Ecloga 8.12]. O sábio muda de parecer, mas o tolo persiste. VIDE: lPrudentis est mutare consilium; stultus sic luna mutatur. lSapientis est mutare consilium.
1900. Propositum perfice opus. [Ovídio, Remedium Amoris 40]. Leva a termo a obra projetada.
1901. Propria domus omnium optima. [Schrevelius 1184]. Para cada um sua casa é a melhor de todas. nMinha casa, meu lar, não há melhor lugar. nA própria morada a ninguém desagrada. VIDE: lDomus propria, domus optima. lEst dictum verum: privata domus valet aurum. lEst foculus proprius multo pretiosior auro lPrivata domus valet aurum. lPropria domus omnium optima.
1902. Propria laus sordet. O louvor de si mesmo fede. nElogio em boca própria é vitupério. nQuem se gaba, suja-se que nunca mais se lava. VIDE: lLaus in proprio ore sordescit. lLaus in ore proprio vilescit. lLaus propria sordet. lNon te laudabis: propria laus foetet in ore. lProprio laus sordet in ore.
1903. Proprie dicitur res non reddita quae deterior redditur. [Ulpiano, Digesta 13.6.3]. É correto considerar-se como não devolvida a coisa devolvida em pior estado.
1904. Proprietas cum possessione nihil commune habet. [Jur]. Propriedade e posse não se confundem. VIDE: lNihil commune habet proprietas cum possessione.
1905. Proprietas est ius perfecte disponendi de bonis materialibus intra limites legis. [Jur]. Propriedade é o direito de dispor completamente dos bens materiais dentro dos limites da lei.
1906. Proprio laus sordet in ore. [Stevenson 1863]. O louvor na própria boca fede. nElogio em boca própria é vitupério. . nQuem se gaba, suja-se que nunca mais se lava. VIDE: lLaus in proprio ore sordescit. lLaus in ore proprio vilescit. lLaus propria sordet. lNon te laudabis: propria laus foetet in ore. lPropria laus sordet.
1907. Proprio motu. Por iniciativa própria. VIDE: lDe motu proprio. lDe proprio motu. lEx proprio motu. lMotu proprio. lSponte propria. lSponte sua. lSua sponte.
1908. Proprio nomine. No próprio nome.
1909. Proprio sensu. Em sentido próprio.
1910. Proprio vigore. [Jur / Black 1450]. Por sua própria força. Pelo significado intrínseco.
1911. Proprium est animi bene constituti laetari bonis rebus et dolere contrariis. [Cícero, De Amicitia 13]. É próprio do espírito bem formado alegrar-se com a felicidade (do amigo) e sofrer com os (seus) reveses.
1912. Proprium est magnitudinis verae non sentire percussum. [Sêneca, De Ira 3.25.3]. É sinal de verdadeira grandeza não sentir o golpe recebido.
1913. Proprium est nocentium trepidare. [Sêneca, Epistulae 97.14]. É próprio dos culpados tremerem de medo. nQuem deve não dorme quando quer. nQuem tem culpa tem medo.
1914. Proprium hoc miseros sequitur vitium nunquam rebus credere laetis. [Sêneca, Thyestes 937]. O defeito de nunca acreditar na felicidade persegue os infelizes.
1915. Proprium humani ingenii est odisse quem laeseris. [Tácito, Agricola 42]. É próprio da natureza humana odiar a quem se prejudicou. nDepois que te enganei, não mais te amei. nQuem ofende não perdoa. VIDE: lOdimus quem laesimus.
1916. Propter legem. Por causa da lei.
1917. Proprium nomen oblivisci. {Grynaeus 541]. Esquecer-se do próprio nome.
1918. Propter nuptias. Em razão do casamento.
1919. Propter officium. Por obrigação. Em razão do cargo. VIDE: lRatione officii.
1920. Propter pacem. Por causa da paz.
1921. Propter pecuniam uxorum maritorumque noctes strepunt litibus. [Sêneca, De Ira 2.33]. Por causa do dinheiro, as noites das esposas e dos maridos estrondeiam em rixas.
1922. Propter scandalum evitandum non est omittenda veritas. Não se deve omitir a verdade para evitar o escândalo.
1923. Propter speciem mulieris multi perierunt. [Vulgata, Eclesiástico 9.9]. Por causa da beleza da mulher muitos pereceram.
1924. Propter verrucas manuum porto chirothecas. [DAPR 274]. Por causa das verrugas das mãos, eu uso luvas. nUma boa capa tudo tapa.
1925. Propter vos egenus factus est, cum esset dives, ut illius inopia vos divites essetis. [Vulgata, 2Coríntios 8.9]. Sendo rico, se fez pobre por vosso amor, a fim de que vós fôsseis ricos pela sua pobreza.
1926. Prora et pupis omnium est Deus. [Albertatius 1119]. Deus é a proa e a popa de tudo.
1927. Prorsus divina providentia regna constituuntur humana. [S.Agostinho, De Civitate Dei 5.1]. Sem dúvida os reinos humanos são estabelecidos pela providência divina.
1928. Prosit tibi! Que te seja favorável. nBoa sorte! nÀ tua saúde! lProsit!
1929. Prospectandum cane vetulo latrante. [Pereira 103]. Quando late o cão velho, deve-se ir olhar. nCachorro velho não ladra em vão. nCão velho, quando late, dá aviso. VIDE: lLatrans annosus, foris aspice quaeso, molossus.
1930. Prospera animos efferunt. [Sêneca, Agamemnon 251]. O sucesso exalta os espíritos.
1931. Prospera in adversis desidero, adversa in prosperis timeo. [S.Agostinho, Confessiones 10.28]. Na adversidade desejo êxito; quando tudo vai bem, temo a adversidade.
1932. Prospera sic maneat vobis fortuna. [Ovídio, Tristia 3.4B,31]. Que a sorte vos permaneça favorável.
1933. Prospera sors volucri praecipienda manu. [Pereira 108]. A sorte favorável deve ser apanhada com mão rápida. nApanha a ocasião por um cabelo. nUm dia bom metê-lo em casa. VIDE: lOblatam occasionem arripe. lOccasio capienda est. lOccasionem arripe.
1934. Prosperante Deo. Se Deus favorecer. Com o favor de Deus. VIDE: lDeo iuvante.
1935. Prosperis sinentibus fatis. [Salvador Fernandes / Ramalho 100]. Se os prósperos fados assim o permitirem.
1936. Prosperum ac felix scelus virtus vocatur. [Sêneca, Hercules Furens 251]. O crime bem sucedido e proveitoso é chamado de virtude.
1937. Prospicere in pace oportet, quod bellum iuvet. [Publílio Siro]. Em tempo de paz é preciso procurar os instrumentos que na guerra serão úteis. VIDE: lPacis tempore, cogitandum de bello. lQui desiderat pacem, praeparet bellum. lQui desiderat pacem, praeparet bellum; qui victoriam cupit, milites imbuat diligenter; qui secundos optat eventus, dimicet arte, non casu. lSi pace frui volumus, bellum gerendum est. lSi vis pacem, para bellum. lSuscipienda quidem bella sunt ob eam causam, ut sine iniuria in pace vivatur. lTempore pacis cogitandum de bello.
1938. Prostrata est in pulvere anima mea. A minha alma está prostrada no pó. VIDE: lAdhaesit pavimento anima mea.
1939. Protectio trahit subiectionem. A proteção traz sujeição. lProtectio trahit subiectionem, et subiectio protectionem. [Jur / Broom 64]. Proteção traz submissão, e submissão traz proteção.
1940. Protegat vos incolumes et feliciores dextera altissimi. [S.Agostinho]. Que a mão do Altíssimo vos proteja e vos mantenha incólumes e bem sucedidos.
1941. Proteo mutabilior. [Erasmo, Adagia 2.2.74]. É mais mutável do que Proteu. VIDE: lChamaleonte mutabilior. lMutabilior est Proteo, et varius magis.
1942. Protervia ignominiam praecedit. [Grynaeus 491]. O atrevimento precede a desonra. lProtervia ruinam praecedit. [Grynaeus 491]. O atrevimento precede a ruína.
1943. Protinus apparet quae plantae frugiferae futurae. [Erasmo, Adagia 4.2.13]. Logo se vê que árvores darão frutos. nDe pequeno verás que boi terás. lProtinus apparet quae arbores frugiferae futurae. lProtinus apparet quae fructum planta datura est. [Schottus, Adagia 581]. Logo se vê o fruto que a árvore vai dar.
1944. Prout vultis ut faciant vobis homines, et vos facite illis similiter. [Vulgata, Lucas 6.31]. O que quereis que vos façam a vós os homens, isso mesmo fazei vós a eles. nFazei aos outros aquilo que quereríeis que os outros vos fizessem. VIDE: lQuaecumque vultis ut faciant vobis homines, et vos facite illis. lQuemadmodum vultis ut faciant vobis homines, vos quoque eis facite.
1945. Provehimur portu, terraeque urbesque recedunt. [Virgílio, Eneida 3.72]. Afastamo-nos do porto, e as terras e as cidades recuam.
1946. Providentia divina. A providência divina.
1947. Providentia summi Dei, non fortuita temeritate regitur mundus. O mundo é governado pela providência do Deus supremo, e não pelo cego acaso.
1948. Proxima puris sors est manibus, nescire nefas. [Sêneca, Hercules Furens 1097]. Não perceber os próprios crimes é uma condição próxima da inocência.
1949. Proxime accessit. Chegou muito perto. VIDE: lAccessit.
1950. Proxime vel remote. Perto ou longe.
1951. Proximo anno. No ano seguinte. No próximo ano.
1952. Proximo mense. No mês seguinte. No próximo mês.
1953. Proximorum incuriosi, longinqua sectemur. [Plínio Moço, Epistulae 8.20.1]. Busquemos o passado, sem preocupar-nos com o presente.
1954. Proximum tenet locum confessio innocentiae. [PSa]. A confissão tem lugar perto da inocência. nPecado confessado está meio perdoado. nQuem se arrepende salva-se.
1955. Proximus a tectis ignis defenditur aegre. [Ovídio, Remedium Amoris 625]. É difícil defender-se do fogo que vem da casa vizinha. nO fogo junto à estopa, vem o diabo e assopra.
1956. Proximus ardet Ucalegon. [Virgílio, Eneida 2.311]. Já está em chamas o palácio do nosso vizinho Ucálegon. nQuando arde a barba do teu vizinho, põe a tua de molho.
1957. Proximus ecclesiae semper vult ultimus esse. [DAPR 367]. O último quer sempre estar perto da igreja. nPerto da igreja, longe de Deus.
1958. Proximus esto bonis, si non potes optimus esse. [Dionísio Catão, Monosticha, Appendix 8]. Fica perto dos bons, se não podes ser o melhor.
1959. Proximus ille deo est, qui scit ratione tacere. [Dionísio Catão, Disticha 1.3]. Quem sabe calar-se na hora certa asemelha-se a um deus.
1960. Proximus Iovi, proximior fulgori. [Erasmo / Rezende 5275]. Perto de Júpiter, mais perto do raio. nQuanto mais alto se sobe, maior queda se dá.
1961. Proximus sum egomet mihi. [Terêncio, Andria 636]. Meu parente sou eu mesmo. nMais perto estão os dentes que os parentes. nParentes são meus dentes. nSinto mais e é-me mais precisa a pele que a camisa. lProximus mihi ego. VIDE: lEgo proximus mihi.
1962. Prudens beatus est, et prudentia ad beatam vitam satis est. [Sêneca, Epistulae 85]. O homem prudente é feliz, e basta a prudência para uma vida feliz.
1963. Prudens cum cura vivit, stultus sine cura. [Sweet 1]. O prudente vive com cuidados, o insensato vive sem cuidados.
1964. Prudens futuri temporis exitum caliginosa nocte premit deus. [Horácio, Carmina 3.29.29]. Prudentemente a divindade esconde entre brumosas trevas os acontecimentos futuros.
1965. Prudens in flammam ne manum inicito. [S.Jerônimo / Stevenson 805]. Sê prudente, não enfies tua mão no fogo. nNão metas as mãos onde te fiquem as unhas.
1966. Prudens in loquendo est tardus. [Pereira 114]. O homem prudente é lento no falar. nO bem saber é calar, até ser tempo de falar. nBom saber é o calar, até ser tempo de falar.
1967. Prudens interrogatio quasi dimidium sapientiae. [Bacon / Stevenson 1925]. Um questionamento prudente é como a metade da sabedoria. lPrudens quaestio dimidium scientiae.
1968. Prudenti diffidentia nihil quidquam est utilius mortalibus. [Eurípides / Grynaeus 585]. Nada é mais útil aos mortais do que uma prudente desconfiança. nDesconfiança é a mãe da segurança.
1969. Prudenti vultus etiam sermonis loco est. [Publílio Siro]. Para o homem prudente a fisionomia também é uma linguagem. nO que há de haver na alma escrito está na palma. VIDE: lPrudentis vultus etiam sermonis loco est.
1970. Prudentia coniuncta cum viribus. [Erasmo, Adagia 3.8.76]. A prudência ligada à força.
1971. Prudentia est rerum bonarum et malarum neutrarumque scientia. [Cícero, De Inventione 2.160]. Prudência é a percepção das coisas boas, das coisas más e das neutras.
1972. Prudentia est rerum expetendarum fugiendarumque scientia. [Cícero, De Officiis 1.153]. A prudência é o conhecimento das coisas desejáveis e das que devem ser evitadas.
1973. Prudentia est virtus moralis, qua dignoscitur quid in quolibet negotio agendum sit, vel fugiendum. A prudência é a virtude moral pela qual se distingue o que, em qualquer atividade, deve ser feito ou evitado.
1974. Prudentia maior viribus. [Aviano, Fabulae 27.10]. A reflexão é mais poderosa do que a força.
1975. Prudentia sine fortitudine, timor est; fortitudo sine prudentia, temeritas. A prudência sem a coragem é medo; a coragem sem a prudência é temeridade.
1976. Prudentia velox ante pilos venit. [Tosi 632]. A prudência chegou rápida, antes da barba. VIDE: lRerum prudentia velox ante pilos venit, dicenda tacendaque calles. lScilicet ingenium ante pilos venit?
1977. Prudentiae sunt universa subdita. [Apostólio, Paroimiai 4.16]. Tudo está subordinado à prudência.
1978. Prudentiam malitia imitatur. [Cícero, De Partitione 81]. A malignidade simula a prudência.
1979. Prudentibus fortuna semper est comes. [Schottus, Adagia 625]. A sorte sempre é companheira dos homens prudentes.
1980. Prudentis enim est tuta ac praesentia, quam nova ac periculosa malle. O prudente, portanto, prefere o seguro e atual ao antigo e arriscado. VIDE: lTuta et praesentia quam vetera et periculosa mallunt.
1981. Prudentis est irasci sero et semel. [Publílio Siro]. É do homem prudente zangar-se imediatamente e de uma só vez.
1982. Prudentis est mutare consilium; stultus sic luna mutatur. [Rezende 5279]. É do homem prudente mudar de parecer; o néscio, porém, muda como a lua. VIDE: lPropositum mutat sapiens, at stultus inhaeret. lSapientis est mutare consilium. lStultus ut luna mutatur.
1983. Prudentis est nonnunquam silere. [Stevenson 2113]. Cabe ao avisado às vezes ficar calado.
1984. Prudentis vultus etiam sermonis loco est. O rosto do homem sábio substitui sua palavra. nO que há de haver na alma escrito está na palma. VIDE: lPrudenti vultus etiam sermonis loco est.
1985. Psittacus vetus non discit loqui. [Mota 162]. nPapagaio velho não aprende a falar.
1986. Publica fama non semper vana. [DAPR 222]. A voz do povo nem sempre é sem fundamento. nO que todos dizem, ou é, ou quer ser. nO povo aumenta, mas não inventa. VIDE: lHaud semper errat fama. lHaud semper errat fama; aliquando et eligit. lNon semper errat fama.
1987. Publica privatis potiora. [Grynaeus 436]. O bem público deve ser preferido ao particular. VIDE: lPublicum bonum privato est praeferendum. lSanis hominibus publica privatis potiora sunt.
1988. Publica privatis secernere, sacra profanis. [Horácio, Ars Poetica 397]. Distinguir o público do privado, o sagrado do profano.
1989. Publice et per domos. Nas praças e nas casas.
1990. Publico sumpto. Às custas do erário.
1991. Publicum bonum privato est praeferendum. [Jur]. O bem público deve ser preferido ao particular. VIDE: lPublica privatis potiora. lSanis hominibus publica privatis potiora sunt.
1992. Pudeat illos qui ita in studiis se abdiderunt, ut ad vitam communem nullum fructum proferre possint. [Cícero, Pro Archia 6]. Envergonhem-se aqueles que de tal maneira se dedicaram aos seus interesses, que nenhum proveito puderam oferecer à vida da coletividade.
1993. Pudere quam pigere praestat. [Plauto, Trinummus 307]. Mais vale ter vergonha que arrependimento. nMais vale vergonha na cara que mágoa no coração. lPudere praestat quam pigere. [Pereira 110]. VIDE: lPraestat pudere quam pigere.
1994. Pudet dictu. Envergonho-me de dizê-lo.
1995. Pudet et metuo semperque eademque precari. [Ovídio, Ex Ponto 4.15.29]. Tenho vergonha e medo de implorar sempre as mesmas coisas.
1996. Pudet fateri: paveo. [Sêneca, Hercules Furens 1157]. Tenho vergonha de confessar: estou com medo.
1997. Pudicitia quam maxime mulieres exornat. A pudicícia é o maior ornamento das mulheres.
1998. Pudor autem non est bonus indigenti viro ut adsit. [Homero, Odisséia 17.347]. Não é bom para o homem necessitado ter vergonha.
1999. Pudor dimissus nunquam redit in gratiam. [Publílio Siro]. A honra perdida nunca se recupera. nA honra é como o vidro: quebrado, não solda mais. nVergonha só se perde uma vez. VIDE: lRedire cum perit nescit pudor.
2000. Pudor doceri non potest, nasci potest. [Publílio Siro]. O pudor não pode ser ensinado, pode nascer. lPudor doceri non potest; potest innatus esse. O pudor não pode ser ensinado, pode ser inato.