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DICIONÁRIO
DE EXPRESSÕES E FRASES LATINAS
Compilado por HENERIK KOCHER
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3201. Nullus est miseris pudor. [Sêneca, Oedipus 65]. Não há vergonha para os desgraçados.
3202. Nullus est tam tutus quaestus, quam, quod habeas, parcere. [Publílio Siro]. Nenhum lucro é tão seguro quanto economizar o que se tem. nVintém poupado, vintém ganhado. nA economia é um grande rendimento. VIDE: lNullus tantus quaestus, quam, quod habeas, parcere.
3203. Nullus fidelior tibi ad consilium potest esse, quam qui non tua, sed te diligit. [S.Gregório Magno / Bernardes, Nova Floresta 3.276]. Ninguém pode ser mais fiel a ti para dar conselho do que quem ama a ti, não aos teus bens.
3204. Nullus homo lacrimis unquam revocatur ab umbris. [DAPR 411]. Nenhum homem jamais é trazido de volta das sombras pelas lágrimas. nA morte não tem remédio.
3205. Nullus idoneus testis in re sua intellegitur. [Digesta 22.5.10]. Ninguém é considerado testemunha idônea em causa própria.
3206. Nullus in hac charta versus amare docet. [Ovídio, Tristia 3.1.4]. Neste livro nenhum verso ensina a amar.
3207. Nullus in opulentia dolor. Na opulência não há dor. nDores com pão são menores. nLágrimas com pão ligeiras são. lNullus in opulentia labor. [Medina 597]. Na opulência não há sofrimento.
3208. Nullus in sua causa iudex sit. [Codex Iustiniani 2.2.1]. Ninguém seja juiz em causa própria. VIDE: lAliquis non debet esse iudex in propria causa, quia non potest esse iudex et pars. lIn propria causa nemo iudex. lIudex in causa propria nemo esse potest.
3209. Nullus invitus iure suo spoliandus. Ninguém deve ser privado de seu direito contra sua vontade.
3210. Nullus latentis musicae respectus est. [Schottus, Adagialia Sacra 42]. À música oculta não se dá atenção. nO saber escondido da ignorância vista pouco dista. VIDE: lAbdita quid prodest generosi vena metalli, si cultore caret? lEgregia musica quae sit abscondita nullius rei est. lMusica abscondita nulli rei est. lMusicae occultae nullus respectus. lNon erit ignotae gratia magna lyrae. lOccultae musicae nullum esse respectum. lOccultae musicae nullus respectus. lSi solus sapias, nempe quis usus erit?
3211. Nullus liber erit, si quis amare volet. [Propércio, Elegiae 2.23.24]. Ninguém será livre, se quiser amar.
3212. Nullus locus est instar domus. Não há lugar como a nossa casa. nA própria morada a ninguém desagrada. nPara o passarinho, não há como o seu ninho. nLar, doce lar.
3213. Nullus malus magnus piscis. [Erasmo, Adagia 2.3.92]. Nenhum peixe grande é mau.
3214. Nullus omnia scire potest. [Grynaeus 34]. Ninguém pode saber tudo. nNão há homem que possa saber tudo. nNinguém é sábio o tempo todo. nNinguém acerta sempre. VIDE: lNemo enim potest omnia scire. lNemo est, cui omnia scire datum sit.
3215. Nullus piger est in domo sapientis. Não há ninguém preguiçoso na casa do ajuizado.
3216. Nullus potest amare aliquid incognitum. [S.Tomás de Aquino]. Ninguém pode amar o desconhecido. nNão se deseja o que o olhar não veja.
3217. Nullus praestantior doctor est necessitate. Não há mestre mais poderoso do que a necessidade. nA necessidade é mestra da vida. nA necessidade é mãe da invenção. VIDE: lArtis magistra necessitas. lDurum flagellum est paedagogus ingenii. lDurum flagellum est paedagogus ingens. lMater artium est necessitas. lNecessitas artis magistra. lNecessitas magistra.
3218. Nullus recedat a curia cancellaria sine remedio. [Jur / Black 1266]. Que ninguém retorne do tribunal sem uma solução.
3219. Nullus sapientum proditori credidit. [PSa]. Nenhum sábio jamais confiou num traidor. VIDE: lNemo unquam sapiens proditori credendum putavit.
3220. Nullus sit patriae consulendi modus aut finis. Não deve haver medida ou limite na devoção à pátria.
3221. Nullus sum. [Grynaeus 165]. Não sou ninguém.
3222. Nullus tam parcus, quin prodigus ex alieno. [Dionísio Catão, Monosticha, Appendix 9]. Ninguém é tão econômico que não seja pródigo com o alheio. nDe couro alheio, correias compridas.
3223. Nullus tantus quaestus, quam, quod habeas, parcere. [Stevenson 1615]. Nenhum lucro é tão grande quanto economizar o que se tem. nVintém poupado, vintém ganhado. nA economia é um grande rendimento. VIDE: lNullus est tam tutus quaestus, quam, quod habeas, parcere.
3224. Nullus timor, vis nulla, nulla auctoritas. [Labério / Macróbio, Saturnalia 2.7]. Nenhum temor, nenhuma violência, nenhum comando.
3225. Nullus videtur dolus facere, qui iure suo utitur. [Digesta 50.17.55]. Não se reputa agir com dolo quem usa de seu direito.
3226. Num cum alio concordabit, qui secum ipse dissidet? [Erasmo, Moriae Encomium 22]. Será que vai entrar em acordo com outro aquele que discorda de si mesmo?
3227. Num et Saul inter prophetas? [Vulgata, 1Reis 10.12]. Porventura Saul também é profeta? nDonde veio a Pedro falar galego? nOntem vaqueiro, hoje cavalheiro. lNum et Saul in prophetis? Então Saul também é contado entre os profetas? VIDE: lNumquid et Saul inter prophetas?
3228. Num tibi cum fauces urit sitis, aurea quaeris pocula? [Horácio, Sermones 1.2.114]. Agora que a sede queima tuas entranhas, exiges copos de ouro?
3229. Num tu quoque etiam insanis? [Plauto, Amphitruo 753]. Acaso tu também estás louco?
3230. Num ulli voluptatem afferet, qui sibimet ipsi sit gravis ac molestus? [Erasmo, Moriae Encomium 22]. Proporcionará prazer a alguém aquele que é grosseiro e incômodo consigo mesmo?
3231. Numera stellas, si potes. [Vulgata, Gênesis 15.5]. Conta as estrelas, se puderes. VIDE: lSuspice caelum, et numera stellas, si potes.
3232. Numerantur enim sententiae, non ponderantur. [Plínio Moço, Epistulae 2.12]. Os votos são contados e não pesados.
3233. Numeri regunt mundum. Os números governam o mundo.
3234. Numero deus impare gaudet. [Virgílio, Eclogae 8.75]. O deus aprecia o número ímpar. nOs números ímpares agradam aos deuses.
3235. Numerus apertus. Número ilimitado.
3236. Numerus clausus. Número limitado. Uma cota definida.
3237. Numini et patriae asto. [Divisa]. Estou do lado de Deus e da pátria.
3238. Numinis ira inevitabilis. [Erasmo, Adagia 5.2.32]. A ira de Deus é inevitável. nDeus não é de vingança, mas castiga pela mansa.
3239. Nummarius iudex. Um juiz venal.
3240. Nummis atque Deo servire potest nemo bene. [Tosi 1451]. Ninguém pode servir bem ao dinheiro e a Deus. nNão se pode servir a dois senhores. VIDE: lNon potestis Deo servire et mammonae.
3241. Nummis mihi opus est, non consiliis. [Branco 340]. Preciso de dinheiro e não de conselhos. nDá-me dinheiro, não me dês conselho.
3242. Nummis praestat carere quam amicis. É melhor faltar dinheiro do que amigos. nMais vale amigo na praça que dinheiro na arca. VIDE: lMelior est amicus in platea quam aurum in cista. lUtilior prorsus per iter tibi fidus amicus quam sint in loculis plurima lucra tuis.
3243. Nummum plumbeum non credam. [Pereira 111]. Não lhe fiarei nem uma moeda de chumbo. nNão fiarei dele nem um figo podre. lNummum nunquam credam plumbeum. [Plauto, Trinummus 927]. Nunca lhe fiarei nem uma moeda de chumbo.
3244. Nummus iungit foedera, nummus dat consilium; nummus lenit aspera, nummus sedat proelium. [Carmina Burana]. O dinheiro sela alianças, o dinheiro dá prudência; o dinheiro suaviza as dificuldades, o dinheiro apazígua a disputa.
3245. Nummus nummum parit. [DAPR 247]. nDinheiro ganha dinheiro. nDinheiro é que faz dinheiro.
3246. Nummus plumbeus non est illi. [Pereira 113]. Ele não tem nem uma moeda de chumbo. nEle não tem vintém. nNão tem real nem ceitil.
3247. Nummus regnat ubique. [Carmina Burana]. O dinheiro governa em toda parte. nDinheiro dá senhoria.
3248. Nummus ubi loquitur, fit iuris confusio. [Carmina Burana]. Quando o dinheiro fala, ocorre a perturbação do direito.
3249. Nummus ubi praedicat, labitur iustitia. [Carmina Burana]. Quando o dinheiro fala, desaparece a justiça.
3250. Nummus vincit, nummus regnat. O dinheiro vence, o dinheiro governa. nQuem dinheiro tiver fará o que quiser. lNummus vincit, nummus mundum regit, nummus imperat universis. [Alanus de Insulis, De Planctu Naturae, De Avaritia]. O dinheiro vence, o dinheiro governa o mundo, o dinheiro manda em todas as coisas.
3251. Numquid aliquis panem petenti lapidem porriget? [Polydorus, Adagia]. Será que alguém oferecerá uma pedra a quem pede pão.
3252. Numquid ambulabunt duo pariter, nisi convenerit eis? [Vulgata, Amós 3.3]. Acaso andarão dois juntos, se eles não se ajustarem entre si?
3253. Numquid colligunt de spinis uvas, aut de tribulis ficus? [Vulgata, Mateus 7.16]. Porventura os homens colhem uvas dos espinhos, ou figos dos abrolhos?
3254. Numquid coniungere valebis micantes stellas Pleiadas, aut gyrum Arcturi poteris dissipare? [Vulgata, Jó 38.31]. Acaso poderás tu ajuntar as brilhantes estrelas Plêiades, ou poderás impedir a revolução do Arcturo?
3255. Numquid dicet lutum figulo suo: Quid facis? [Vulgata, Isaías 45.9]. Porventura dirá o barro ao oficial que o maneja: Que fazes?
3256. Numquid dicit figmentum ei qui se finxit: Quid me fecisti sic? [Vulgata, Romanos 9.20]. Porventura diz o vaso de barro a quem o fez: Por que me fizeste assim?
3257. Numquid ego canis sum, quod tu venis ad me cum baculo? [Vulgata, 1Reis 17.43]. Acaso sou eu algum cão, para tu vires a mim com um pau?
3258. Numquid et Saul inter prophetas? [Erasmo, Adagia 2.1.64]. Porventura Saul também é profeta? nDonde veio a Pedro falar galego? VIDE: lNum et Saul in prophetis? lNum et Saul inter prophetas?
3259. Numquid habebunt finem verba ventosa? [Vulgata, Jó 16.3]. Acaso não se acabarão nunca estes discursos de vento?
3260. Numquid lex nostra iudicat hominem, nisi prius audierit ab ipso, et cognoverit quid faciat? [Vulgata, João 7.51]. Condena porventura a nossa lei algum homem, antes de o ouvir, e antes de se informar das suas ações?
3261. Numquid non messis tritici est hodie? [Vulgata, 1Reis 12.17]. Não é este agora o tempo da sega do trigo?
3262. Numquid non pater unus omnium nostrum? Numquid non Deus unus creavit nos? [Vulgata, Malaquias 2.10]. Porventura não é um mesmo o pai de todos nós? Acaso não foi o mesmo Deus que nos criou?
3263. Numquid oblivisci potest mulier infantem suum? [Vulgata, Isaías 49.15]. Porventura pode uma mulher esquecer-se de seu menino?
3264. Numquid opinio me fefellit? [Sêneca Retórico, Suasoriae 7.2]. Enganei-me?
3265. Numquid pax est? [Vulgata, 4Reis 9.19]. Está tudo em paz?
3266. Numquid potest homo abscondere ignem in sinu suo, ut vestimenta illius non ardeant? [Vulgata, Provérbios 6.27]. Acaso pode o homem esconder o fogo no seu seio, sem que ardam os seus vestidos?
3267. Numquid praebebis equo fortitudinem? [Vulgata, Jó 39.20]. Porventura darás força ao cavalo?
3268. Numquid redditur pro bono malum? [Vulgata, Jeremias 18.20]. Acaso retribui-se mal por bem?
3269. Numquid rugiet onager, cum habuerit herbam, aut mugiet bos, cum ante praesepe plenum steterit. [Vulgata, Jó 6.5]. Porventura ornejará o asno montês, quando tiver erva, ou mugirá o boi, quando estiver diante da mangedoura cheia?
3270. Numquis satis constare sibi videatur, si mulam calcibus repetat et canem morsu? [Sêneca, De Ira 3.27.1]. Alguém poderia ser considerado equilibrado, se devolvesse coice a mula e mordida a cachorro?
3271. Nunc album caput, et veneres tepuere sub annis. [Nemesiano, Eclogae 1.13]. Agora minha cabeça está branca, e as paixões com os anos esfriaram.
3272. Nunc ad regionem venimus. [Erasmo, Chiliades 24]. Agora chegamos ao ponto importante da questão.
3273. Nunc animis opus, Aenea, nunc pectore firmo. [Virgílio, Eneida 6.261]. Agora, Enéas, é preciso ter coragem e peito firme.
3274. Nunc aut nunquam. Agora ou nunca. VIDE: lAut nunc aut nunquam. lAut tunc aut nunquam.
3275. Nunc bene navigavi postquam naufragium feci. [Pereira 106]. Depois que naufraguei, passei a navegar bem. nA experiência que não dói muito pouco aproveita. nHá males que vêm por bens. lNunc bene navigavi, cum naufragium feci. [Erasmo, Adagia 2.9.78]. VIDE: lBene navigavi nunc, cum naufragium feci.
3276. Nunc clarus splendet, nunc Iuppiter imbre nigrescit. [Apostólio, Paroimiai 10.15]. Ora Júpiter brilha resplandecente, ora escurece com a chuva. nNem só de mel, nem só de fel. nNão há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe. VIDE: lIuppiter aliquando pluit, aliquando serenus est. lNunc pluit, nunc claro. lNunc pluit, et claro nunc Iuppiter aethere fulgit.
3277. Nunc dimittis servum tuum, Domine. [Vulgata, Lucas 2.29]. Agora é que despedes o teu servo, Senhor.
3278. Nunc enim sane res omnibus in novaculae sita est acie. [Homero, Ilíada 10.173]. Agora, sem dúvida, a sorte deles todos está no fio da navalha.
3279. Nunc est bibendum, nunc pede libero pulsanda tellus. [Horácio, Carmina 1.37.1]. Agora é hora de beber, agora é hora de bater a terra com o pé livre. (=Agora é hora de beber e de dançar).
3280. Nunc est leguminum messis. [Schottus, Adagia 237]. Agora é a colheita das favas. nA hora é esta. nTua oportunidade chegou. VIDE: lNunc leguminum messis est.
3281. Nunc et oves ultro fugiet lupus. [Virgílio, Eclogae 8.52]. Agora até o lobo quererá fugir das ovelhas.
3282. Nunc et usque in saeculum. Agora e para sempre. lNunc et semper. Agora e sempre.
3283. Nunc exitus est anni. [Cícero, Ad Familiares 8.10.3]. Eis que chega o fim do ano.
3284. Nunc facile pectus, grata nunc iuveni Venus. [Sêneca, Hippolytus 446]. Agora o coração está leve, agora Vênus está favorável ao jovem.
3285. Nunc frondent silvae, nunc formosissimus annus. [Virgílio, Eclogae 3.57]. Agora as árvores estão cobertas de folhas, agora o ano está muito formoso.
3286. Nunc gratulandum. Agora, devemos alegrar-nos.
3287. Nunc hic dies aliam vitam affert, alios mores postulat. [Terêncio, Andria 189]. Agora o tempo traz outro modo de viver, exige outros costumes. nOutros tempos, outros costumes. VIDE: lAlia sunt tempora, alii mores. lAlia tempora, alii mores.
3288. Nunc huic, nunc Iuppiter illic nunc laeta immittit, nunc tristia. [Grynaeus 264]. Ora para um, ora para outro, Júpiter ora manda alegria, ora tristeza.
3289. Nunc iam nulla viro iuranti femina credat. [Catulo, Carmina 64.144]. Agora nenhuma mulher dará crédito às juras de um homem. VIDE: lNulla viro iuranti femina credat, nulla viri speret sermones esse fidelis.
3290. Nunc in te cadunt folia, post cadent arbores. [Rezende 4459]. Agora são as folhas que caem em cima de ti, depois cairão as árvores. nQuem a ruim perdoa, a ruindade lhe aumenta. VIDE: lFolia nunc cadunt; tum arbores in te cadent. lLeviores iniurias si quis ferat, sequuntur atrociores. lPost folia cadent in te arbores. lPost folia cadunt arbores. lSaepe ignoscendo, des iniuriae locum. lSemper ignoscendo, des iniuriae locum. lSemper quiescens des locum iniuriae. lVeterem ferendo iniuriam, invitas novam.
3291. Nunc ipse quid peragito, dein deos voca. [Schottus, Adagia 378]. Agora, faze tu mesmo alguma coisa, depois invoca os deuses. nPõe tu a mão, e Deus te ajudará. lNunc ipse quid peragito, dein Deum voca. VIDE: lAd opus manum admovendo fortunam invoca. lAdesse gaudet, sed laboranti, Deus. lCum Minerva et manum move. lCum Minerva manus etiam move. lCum Minerva manum quoque move. lDi facientes adiuvant. lDeus facientes adiuvat. lDeus laborantibus opem fert prospere. lDeus laborantes ope adiuvat sua. lFac aliquid ipse, deinde Numen invoca. lFac interim aliquid ipse, dein deos voca. lHuic qui laborat, Numen adesse assolet. lManum admoventem Deum quemvis invocare debere. lManum admoventi fortuna est imploranda. lManum admoventi fortuna est invocanda. lManum admoventi sunt vocanda numina. lMinerva auxiliante, manum etiam admove. lNulla preces numina flectunt ignavorum. lSine opera tua, nihil di facere possunt.
3292. Nunc leguminum messis est. [Erasmo, Adagia 2.7.23]. Agora é a colheita das favas. nA hora é esta. nTua oportunidade chegou. VIDE: lNunc est leguminum messis.
3293. Nunc meã res agitur. [Sêneca, Apocolocyntosis 9]. Agora trata-se de interesse meu.
3294. Nunc mihi, nunc tibi, benigna fortuna. A sorte é favorável uma hora a mim, outra hora a ti.
3295. Nunc mores nihil faciunt, quod licet, nisi quod libet. [Plauto, Trinummus 997]. Atualmente o costume não é fazer o que permitido, mas o que se quer.
3296. Nunc neque vivere libet neque mori licet sine dedecore. [Salústio, Bellum Iugurthinum 14.10]. Hoje não tenho nenhuma alegria em viver, nem me é permitido morrer sem desonra.
3297. Nunc nobis tintinant aures. Agora minhas orelhas estão tinindo. nMinhas orelhas estão ardendo.
3298. Nunc nox, mox lux. Agora é noite; logo virá o dia. nDepois do purgatório, a redenção.
3299. Nunc, nunc pugnemus. [Sêneca Retórico, Suasoriae 2.4]. Agora, agora lutemos.
3300. Nunc opus est celeri subdere calcar equo. [Ovídio, Remedia Amoris 788]. Agora é preciso esporear o cavalo veloz. VIDE: lEquo currenti non opus calcaribus. lNon opus est celeri subdere calcar equo.
3301. Nunc patimur longae pacis mala. [Juvenal, Satirae 6.291]. Agora sofremos os males de uma longa paz.
3302. Nunc placida compostus pace quiescit. [Virgílio, Eneida 1.249]. Agora ele repousa no seio de uma paz tranqüila.
3303. Nunc pluit, nunc claro. Ora chove, ora o tempo está claro. nNem só de mel, nem só de fel. nNão há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe. lNunc pluit, et claro nunc Iuppiter aethere fulgit. [Erasmo, Adagia 1.8.65]. Uma hora chove, outra hora Júpiter brilha no ar sereno. VIDE: lIuppiter aliquando pluit, aliquando serenus est. lNunc clarus splendet, nunc Iuppiter imbre nigrescit.
3304. Nunc premor arte mea. [Tibulo, Elegiae 10.6.10]. Agora sofro por causa de minha própria astúcia.
3305. Nunc pro tunc. [Jur / Broom 100]. Agora em vez de nessa época. (=Indica ação no presente que deveria ter sido realizada antes).
3306. Nunc scio quid sit amor. [Virgílio, Eclogae 8.43]. Agora sei o que é o amor.
3307. Nunc te facta impia tangunt. [Virgílio, Eneida 4.596]. Agora tuas ações sacrílegas te atingem.
3308. Nunc tempus est faciendi, nunc tempus est pugnandi. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 1.22.23]. Agora é tempo de fazer, agora é tempo de lutar.
3309. Nunc tu insanus medio flumine quaeris aquam. [Propércio, Elegiae 1.9.16]. Agora tu, enlouquecido, procuras água em pleno rio. VIDE: lIn mari aquam quaeris. lMedio flumine quaeris aquam. lPer mare quaeris aquam.
3310. Nunc tuum ferrum in igni est. [Erasmo, Adagia 4.4.100]. Agora teu ferro está em brasa. nAproveita a ocasião. nA ferro quente, malhar de repente.
3311. Nunc ventus navem nostram deseruit. [Plauto, Mostellaria 729]. Agora o vento abandonou nosso barco. nA sorte nos abandonou.
3312. Nunc vino pellite curas. [Horácio, Carmina 1.7.31]. Agora, com o vinho afastai vossas preocupações. VIDE: lViri, nunc vino pellite curas; cras ingens iterabimus aequor.
3313. Nunc vos existimate facta an dicta pluris sint. [Salústio, Iugurtha 85.14]. Avaliai agora se valem mais os fatos ou as palavras.
3314. Nunquam accedo, quin abs te abeam doctior. [Terêncio, Eunuchus 791]. Nunca me aproximo de ti, que não vá embora mais culto.
3315. Nunquam ad liquidum fama perducitur. [Quinto Cúrcio, Historiae 9.2]. Nunca o boato se reduz à verdade.
3316. Nunquam aliud natura, aliud sapientia dicit. [Juvenal, Satirae 14.321]. Nunca a natureza diz uma coisa e a ciência outra.
3317. Nunquam alium exspectes; tua, si potes, omnia tractes. [Pereira 113]. Não esperes por outrem; trata tu mesmo, se puderes, de todos os teus negócios. nQuem quer vai; quem não quer manda. nNão vos tenhais a tenças alheias. VIDE: lNe tu aliis faciendum trade, factam si quam rem cupis.
3318. Nunquam Amor quemquam nisi cupidum hominem postulat se in plagas conicere. [Plauto, Trinummus 236]. Nunca o Amor tenta apanhar em suas redes senão o homem cobiçoso.
3319. Nunquam auctores, semper interpretes. [Rezende 4465]. Nunca autores, sempre tradutores.
3320. Nunquam autem liquidum sincerumque ex turbido venit. [Sêneca, De Clementia 2.6.1]. O que vem de uma fonte turva nunca é límpido e puro. nDe mau grão, nunca bom pão. VIDE: lNunquam liquidum sincerum ex turbido venit.
3321. Nunquam autem recte faciet qui cito credit. [Petrônio, Satiricon 43]. Nunca agirá bem quem confia depressa. nQuem crê de ligeiro, água lhe cai no seio. VIDE: lNunquam recte facit, qui cito credit.
3322. Nunquam cede malis, fortunam vince ferendo. [Medina 586]. Nunca recues diante dos males; vence a sorte, suportando-a. nBom coração quebranta má ventura.
3323. Nunquam, crede mihi, a morbo sanabitur aeger si multis medicis traditur una febris. Podes crer: o doente nunca ficará bom da doença, se uma única febre for entregue a muitos médicos. nMuitos alhos num gral se pisam mal. nMuitos concertadores desconcertam a noiva.
3324. Nunquam crescit ex post facto praeteriti delicti aestimatio. [Digesta 50.7.138]. Nunca se pode ampliar a estimação de um delito depois de acontecido. (=Não pode uma lei posterior ampliar a punição de um delito anterior).
3325. Nunquam de manu et oculis tuis recedat liber. [S.Jerônimo]. Que nunca fique o livro longe da tua mão e dos teus olhos.
3326. Nunquam dederis spatiosum tempus in iram; saepe simultates ira morata facit. [Ovídio, Amores 1.8.81]. Nunca te entregues por longo tempo à ira; muitas vezes a ira prolongada engendra ódio.
3327. Nunquam deerunt miserae sollicitudinis causae. [Sêneca, De Brevitate Vitae 17]. Nunca faltarão motivos de tristes preocupações.
3328. Nunquam deflecto. [Divisa do Barão de Teresópolis / Rezende 4466]. Nunca me curvo.
3329. Nunquam desinemus communi bono operam dare, opem ferre etiam inimicis. [Sêneca, De Otio 1.4]. Nunca deixemos de trabalhar para o bem comum, de prestar auxílio mesmo aos inimigos.
3330. Nunquam discrepat utile ab decoro. [Ausônio, Septem Sapientum Sententiae, Periander]. O útil nunca está em desacordo com o honesto.
3331. Nunquam dormio. Nunca durmo.
3332. Nunquam efficies ut recte ingrediantur cancri. [Aristófanes / Erasmo, Adagia 3.7.38]. Nunca conseguirás que os caranguejos andem direito. nO que o berço dá só o túmulo tira. nPau que nasce torto nunca endireita. VIDE: lCancri nunquam recte ingrediuntur.
3333. Nunquam eminentiae invidia carent. [Veleio Patérculo, Historia Romana 2.40.4]. Nunca as altas posições estão livres da inveja. nA inveja sempre atina lugares altos.
3334. Nunquam enim corpus umbra aut veritatem imago praecedit. [Tertuliano, Apologeticus 47.5]. A sombra não existe antes do corpo, nem a cópia antes do original.
3335. Nunquam enim virtus vitio adiuvanda est. [Sêneca, De Ira 1.9.1]. Jamais a virtude deve ser ajudada pelo vício.
3336. Nunquam erit felix, quem torquebit felicior. [Sêneca, De Ira 3.30.3]. Nunca será feliz aquele a quem tortura a visão de alguém mais feliz. nO invejoso é infeliz com a felicidade alheia.
3337. Nunquam est bellum iustum ubi nulla praecessit iniuria. [S.Tomás de Aquino]. Nunca é justa a guerra, se não a precedeu nenhuma agressão.
3338. Nunquam est fidelis cum potente societas. [Fedro, Fabulae 1.5.1]. Nunca é confiável a aliança com o poderoso. VIDE: lInfida societas regni. lIniqua partitio. lLeonina societas. lQuia nominor leo.
3339. Nunquam est ille miser cui facile est mori. [Sêneca, Hercules Oetaeus 111]. Nunca é infeliz aquele para quem morrer é fácil.
3340. Nunquam est utile peccare, quia semper est turpe. [Cícero, De Officiis 3.15]. Nunca é vantajoso proceder mal, porque é sempre vergonhoso.
3341. Nunquam ex malo patre bonus filius. [Erasmo, Adagia 1.6.33]. nDe mau pai, nunca bom filho. nNunca de corvo bom ovo. nDe ruim árvore nunca bom fruto.
3342. Nunquam expletur cupiditatis sitis. [Cícero, Paradoxa 6, adaptado]. Nunca se satisfaz a sede da cobiça. nA cobiça não se farta.
3343. Nunquam exuas te, antequam cubitum eas. [DAPR 219]. Nunca te dispas antes de ires dormir. nQuem dá o seu antes de morrer aparelhe-se a bem sofrer.
3344. Nunquam finem inveniet libido. [Cícero, Tusculanae 5.20]. A paixão nunca encontrará um fim.
3345. Nunquam fruimus bonis praesentibus, sed futuris semper inhiamus. [Grynaeus 89]. Nunca aproveitamos dos bens presentes, mas sempre ansiamos pelos futuros.
3346. Nunquam fuit vulpes adeo ingeniosa quae quandoque non caderet in laqueum venatoris. [Boncompagno, Palma 26.1]. Nunca houve raposa tão inteligente que alguma vez não caísse no laço do caçador. nMuito sabe a raposa, mas mais quem a toma.
3347. Nunquam humilis labitur, nam unde labi posset, qui sub omnibus est? [S.Macário / Bernardes, Nova Floresta 5.264]. O humilde não cai, porque onde há de cair, se está debaixo de todos? VIDE: lHumilitate gaude, altitudo enim eius firma est, nec ruere potest.
3348. Nunquam imbellem feroces progenerant aquilae columbam. Águias ferozes nunca geram pomba pacífica. nAs águias não produzem pombas. nDas águias não nascem pombas. nCobra não gera passarinho. VIDE: lAquila non parit columbam. lAquilae non generant columbas. lAquilae non progenerant columbas. lAquila non generat columbam. lNec progenerant aquilae columbam. lNeque imbellem feroces progenerant aquilae columbam.
3349. Nunquam imperator ita paci credit, ut non se praeparet bello. [Sêneca, De Vita Beata 26.2]. Nunca um general confia tanto na paz, que não se prepare para a guerra.
3350. Nunquam imprudentibus imber obfuit. [Virgílio, Georgica 1.373]. A chuva nunca foi obstáculo aos imprudentes.
3351. Nunquam intempestiva, nunquam molesta amicitia. [Cícero, De Amicitia 22]. A amizade nunca é intempestiva, nunca é prejudicial.
3352. Nunquam invenietur, si contenti fuerimus inventis. [Sêneca, Epistulae 33.10]. Nunca será descoberto nada, se nos contentarmos com o que já foi descoberto.
3353. Nunquam liquidum sincerum ex turbido venit. Nunca água pura vem de fonte turva. VIDE: lNunquam autem liquidum sincerumque ex turbido venit.
3354. Nunquam minus solus quam cum solus. [Cícero, De República 1.27]. Nunca estou menos só que quando estou só. VIDE: lSapiens nusquam minus solus quam cum solus.
3355. Nunquam naturam mos vinceret: est enim ea semper invicta. [Cícero, Tusculanae 5.78]. Jamais os costumes vencerão a natureza: esta é sempre invencível.
3356. Nunquam non miser est, qui, quod timeat, cogitat. [Publílio Siro]. Nunca deixa de ser infeliz quem sonha com o que teme.
3357. Nunquam non paratus. [Divisa]. Nunca desprevenido. nSempre alerta! VIDE: lSemper paratus.
3358. Nunquam oportet virum sapientem mulieri remittere frenum. [Henderson, Latin Proverbs / Stevenson 2500]. O homem ajuizado nunca deve entregar o controle à mulher.
3359. Nunquam parum est quod satis est, nunquam satis est quod multum. [Sêneca, Epistulae 120]. Nunca é pouco o que é bastante, nunca é bastante o que é muito. nQuanto mais temos, mais queremos.
3360. Nunquam periculum sine periculo vincitur. [Publílio Siro]. nNunca se vence um perigo sem outro. nQuem não arrisca não petisca.
3361. Nunquam potest non esse virtuti locus. [Sêneca, Medea 161]. Nunca deixa de haver lugar para a coragem.
3362. Nunquam pudescere, et nihil non audere. [Erasmo, Moriae Encomium 29]. Nunca se deixar vencer pela vergonha, e tudo ousar.
3363. Nunquam quam multis, sed qualibus placeas, stude. Nunca te importes com a quantos tu agradas, mas a que espécie de gente. VIDE: lNon quam multis placeas, sed qualibus stude.
3364. Nunquam quemquam senem audivi oblitum, quo loco thesaurum obruisset. [Cícero, De Senectute 7]. Nunca soube de velho que tivesse esquecido onde escondeu seu tesouro.
3365. Nunquam recte facit, qui cito credit. Nunca age bem quem confia depressa. nQuem crê de ligeiro, água lhe cai no seio. VIDE: lNunquam autem recte faciet qui cito credit.
3366. Nunquam rectum tortile lignum. [Grynaeus 389]. Pau torto nunca fica reto. nPau que nasce torto nunca se endireita. nPau que nasce torto, até a cinza é torta. nO que o berço dá, só a cova o tira. VIDE: lCurvum lignum nunquam rectum. lLignum curvum nunquam rectum. lLignum curvum nunquam fit rectum. lLignum incurvum nunquam rectum. lLignum quod tortum haud unquam vidimus rectum. lLignum tortum nunquam fiet rectum. lLignum tortum haud unquam rectum. lPravum lignum nunquam rectum. lRectum haud fit tortile lignum.
3367. Nunquam retrorsum! [Divisa de Cícero / Busarello 285]. Nunca retroceder.
3368. Nunquam sanantur deformis vulnera famae. [Dionísio Catão, Monosticha, Appendix 5]. Nunca se curam as feridas da reputação desonrada.
3369. Nunquam sapiens irascitur. [Cícero, Pro Murena 62]. O homem sensato nunca se encoleriza.
3370. Nunquam sapiunt stulti, nisi in angustiis. [DAPR 408]. Os tolos só aprendem com as dificuldades. nO tolo aprende à sua custa, e o sabido, à custa do tolo.
3371. Nunquam satis discitur. [Sêneca, Epistulae 27]. Nunca se aprende o bastante.
3372. Nunquam satis est, quod improbae spei datur. [PSa]. Nunca se concede bastante a um ambicioso desmesurado.
3373. Nunquam satis pistrinum et mulier ornantur. [DAPR 293]. Moinho e mulher nunca estão suficientemente enfeitados. lNunquam satis navis et mulier ornantur. Navio e mulher nunca estão bastante enfeitados. VIDE: lNavis et mulier nunquam satis ornantur.
3374. Nunquam scelus scelere vindicandum est. [DM 139]. Um crime nunca deve ser vingado por meio de outro. nUm crime não justifica outro. lNunquam scelus scelere vincendum est. Um crime nunca deve ser vencido por meio de outro. VIDE: lNon vindicandum scelere scelus.
3375. Nunquam scilla rosam produxerit, aut hyacinthum. [Apostólio, Paroimiai 15.50]. Cebola nunca produzirá rosa ou jacinto. nNão pode o ulmeiro dar peras. nDe cobra não nasce passarinho. VIDE: lE scilla non nascitur rosa. lNon etenim e scilla rosa nascitur, aut hyacinthus.
3376. Nunquam se minus otiosum esse quam cum otiosus, nec minus solum, quam cum solus esset. [Cícero, De Officiis 3.1]. Nunca se sentia menos ocioso do que quando estava ocioso, nem menos solitário do que quando estava sozinho. VIDE: lNunquam sum minus otiosus quam cum otiosus sum.
3377. Nunquam secura est prava conscientia. [PSa]. A consciência culpada nunca está tranqüila.
3378. Nunquam seni quidquam viro praestes boni. [Schottus, Adagia 264]. Nunca faças favor a homem velho. nNo velho e no menino o benefício é perdido. VIDE: lNe quid beneficii colloces neque in senem, neque in mulieribus, neque in puerum malignum, neque in canem cuiuspiam, neque in garrulum remigem. lNe quid unquam in senem beneficii contuleris. lNe quis feminae, puero, cani alterius et garrulo faciat bene. lNec in puerum nec in senem collocandum esse beneficium.
3379. Nunquam sera ad bonos mores via. [Stevenson 1378]. Nunca é tardio o caminho para os bons costumes. nAntes tarde do que nunca. VIDE: lNon unquam sera est ad bonos mores via. lSera nunquam est ad bonos mores via.
3380. Nunquam simpliciter fortuna indulget. [Quinto Cúrcio, Historiae 4.14]. A sorte nunca é favorável sem alguma implicação.
3381. Nunquam sis ex toto otiosus, sed aut legens, aut scribens, aut orans, aut meditans, aut aliquid utilitatis pro communi laborans. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 1.19.18]. Nunca estejas totalmente ocioso, mas ou lendo, ou escrevendo, ou orando, ou meditando, ou fazendo alguma coisa de utilidade para todos.
3382. Nunquam sponte legit, mutua qui recipit. [Pereira 96]. Quem recebe empréstimo nunca escolhe. nA quem dão, não escolhe.
3383. Nunquam sum minus otiosus quam cum otiosus sum. Nunca estou menos ocioso do que quando estou descansando. VIDE: lNunquam se minus otiosum esse quam cum otiosus, nec minus solum, quam cum solus esset.
3384. Nunquam sumus singuli. [Sêneca, Quaestiones Naturales 4.2]. Nunca estamos sós.
3385. Nunquam sunt grati qui nocuere sales. [Stevenson 1267]. Gracejos que ferem nunca são agradáveis.
3386. Nunquam te fallent animi sub vulpe latentes. [Horácio, Ars Poetica 437]. Nunca te enganarão os sentimentos que se escondem sob a pele da raposa. nRaposa, cai-lhe o cabelo, mas nunca deixa de comer galinha.
3387. Nunquam temere tinnit tintinabulum: nisi qui illud tractat aut movet, mutum est, tacet. [Plauto, Trinummus 969]. Um sino nunca tine ao acaso: se ninguém o empurra ou move, é mudo, fica calado.
3388. Nunquam temeritas cum sapientia commiscetur. [Cícero, Pro Marcello 7]. A temeridade nunca se mistura com a sabedoria.
3389. Nunquam tristis facies sit tibi in commodo alterius. [DM 90]. Nunca faças cara triste diante da vantagem de outrem.
3390. Nunquam tuta fides. A confiança não é segura em tempo nenhum. nConfiar desconfiando. VIDE: lNusquam tuta fides.
3391. Nunquam, ubi diu fuit ignis, defecit vapor. [Publílio Siro]. Nunca faltou fumaça onde houve fogo por muito tempo. nOnde há fumo, há fogo.
3392. Nunquam ulla humilitas ingenium infirmat bonum. [Branco 726]. Nunca a humildade desmerece o bom caráter. nPobreza não é vileza.
3393. Nunquam vicini cani benefacito. [Grynaeus 391]. Nunca faças o bem ao cão do vizinho. nQuem dá pão a cão alheio, perde o pão.
3394. Nunquam virtutis molle documentum est. [Sêneca, De Providentia 4.12]. Nunca é suave o ensinamento da coragem.
3395. Nunquam volui populo placere, nam quae ego scio, non probat populus, quae probat populus, ego nescio. [Sêneca, Epistulae 29.10]. Jamais quis agradar ao povo, pois o que eu sei, o povo não aprova, o que o povo aprova, eu ignoro. lNunquam volui placere vulgo: quid enim vulgus novit, ego nescio; quae enim scio, vulgus ignorat. [Albertano da Brescia, Liber de Amore 3.9]. Nunca quis agradar ao povo, pois o que o povo sabe, eu não sei, e o que eu sei, o povo ignora.
3396. Nunquamne hos arctissimos laqueos, si solvere negatur, abrumpam? [Plínio Moço, Epistulae 2.8.2]. Nunca romperei estes laços apertadíssimos, se me for negado desfazê-los?
3397. Nuntio nihil imputandum. [Erasmo, Adagia 5.2.1]. O mensageiro não deve ser acusado de nada. nPortador não merece pancada. nMoço de recado não merece castigo. VIDE: lLegatus haud violatur, haudque caeditur. lLegatus nec cogitur nec violatur. lLegatus nec violatur nec laeditur. lLegatus non caeditur, neque violatur. lLegatus non laeditur, nec violatur. lNe impediatur legatio. lOrator nec percutitur, nec violatur. lSanctum per saecula nomen legatus.
3398. Nuntio vobis gaudium maximum: habemus Papam! [Do ritual da eleição do Papa]. Eu vos anuncio uma grande alegria: já temos Papa. VIDE: lHabemus Papam. lHabemus Pontificem.
3399. Nuntium amoris. Uma mensagem de amor.
3400. Nuntium radiophonicum. [Latim moderno]. Uma mensagem radiofônica.
3401. Nuntius est res magna bonus. [Schottus, Adagia 294]. Uma boa nova é coisa valiosa. VIDE: lMagna res est nuntius bonus.
3402. Nuptias frugaliter celebra. [Quílon / Rezende 4480]. Festeja o casamento sobriamente.
3403. Nuptias non concubitus, sed consensus facit. [Digesta 35.1.15; 50.17.30]. Não é o concúbito, mas a concordância que legitima o casamento. VIDE: lConsensus, non concubitus, facit nuptias.
3404. Nusquam est qui ubique est. [Sêneca, Epistulae 2.2]. Quem está em toda parte não está em lugar nenhum. nPedra que rola não cria limo. VIDE: lNusquam habitat qui ubique habitat. lQuisquis ubique habitat nusquam habitat.
3405. Nusquam et nunquam excusatur quod Deus damnat, nusquam et nunquam licet quod semper et ubique non licet. [Tertuliano, De Spectaculis 20.5]. O que Deus condena não é permitido em lugar nenhum e em tempo nenhum; em lugar nenhum e em tempo nenhum é permitido o que é proibido sempre e em toda parte.
3406. Nusquam facilius culpa quam in turba latet. [Publílio Siro]. Em nenhum lugar se esconde com mais facilidade o mal-feito do que na multidão.
3407. Nusquam habitat qui ubique habitat. [Tosi 782]. Quem mora em toda parte não mora em parte alguma. VIDE: lNusquam est qui ubique est. lQuisquis ubique habitat nusquam habitat.
3408. Nusquam imperium, nusquam obsequium. [Plínio Moço, Epistulae 8.14.7]. Em lugar nenhum havia comando, em lugar nenhum obediência.
3409. Nusquam libertas tam necessaria quam in matrimonio. [Busarello 99]. Em lugar nenhum a liberdade é tão necessária como no casamento.
3410. Nusquam melius morimur homines, quam ubi libenter viximus. [Publílio Siro]. Em nenhum lugar morremos melhor do que naquele em que vivemos com prazer.
3411. Nusquam minus quam in bello eventus respondet. [Rezende 4483]. Em nenhuma ocasião se pode contar menos com o acaso do que na guerra.
3412. Nusquam nec opera sine emolumento, nec emolumentum ferme sine impensa opera est. [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 5.4]. Em lugar nenhum há trabalho sem ganho, nem ganho sem muito trabalho.
3413. Nusquam tuta fides. [Virgílio, Eneida 4.373]. A confiança não é segura em lugar nenhum. nConfiar desconfiando. VIDE: lNunquam tuta fides.
3414. Nutrimentum spiritus. [Inscrição na Biblioteca Real de Belim]. O alimento do espírito. lNutrimentum spiritus liber. O livro é o alimento do espírito. VIDE: lMedicina animi. lMedicina animi libri.
3415. Nutrisco et exstinguo. Eu alimento (o fogo) e extingo. (=Divisa que acompanhava uma salamandra nas armas de Francisco I).
3416. Nutrit et accipiter pullos suos. [Schrevelius 1183]. Até o gavião alimenta seus filhotes.
3417. Nutritur vento, vento restinguitur ignis; lenis alit flammas, grandior aura necat. [Ovídio, Remedium Amoris 807]. O fogo se alimenta do vento e se extingue com o vento; o vento suave alimenta as chamas, o sopro mais forte mata-as.
3418. Nutrix curarum nox. A noite alimenta os cuidados. VIDE: lCurarum maxima nutrix nox.
3419. Nutrix Discordia belli. [Claudiano, In Rufinum 1.30]. A deusa Discórdia alimenta a guerra.
3420. Nutus significatio est voluntatis. O gesto feito com a cabeça é a expressão de uma vontade.
3421. Nux cassa. [Horácio, Satirae 2.5.36]. Uma noz vazia. (=Uma coisa sem valor).
3422. Nux, asinus, campana, piger, si verbera cessent, hic cubat, illa sillet, hic stat, et illa manet. Nux, asinus, campana, piger, si verbera cogant, hic studet, illa sonat, hic it, et illa cadet. [Stevenson 2558]. A noz, o burro, o sino, o preguiçoso, se as pancadas cessam, este fica deitado, aquele silencia, aquela fica pendurada, o outro pára; mas, se as pancadas obrigam, o preguiçoso trabalha, o sino toca, o burro anda e a noz cai.
3423. Nux, asinus, campana, piger, sine verbere cessant: haec dura, his tardus, haec tacet, ille iacet. Sed simul ac plagam ferri sensere, vel ulmi, haec cadit, hic pergit, haec sonat, ille studet. [Bernardes, Nova Floresta 4.126]. A noz, o burro, o sino, o preguiçoso, sem pancada param: aquela, fechada, este, vagaroso, aquele cala, este fica parado. Mas, assim que sentem a pancada, ou do ferro ou da vara, aquela cai, este avança, aquele soa, este estuda.
3424. Nux, equus, piger verbere opus habent. A noz, o cavalo e o preguiçoso precisam de pancada.
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