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DICIONÁRIO
DE EXPRESSÕES E FRASES LATINAS
Compilado por HENERIK KOCHER
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1. Nabis sine cortice. [Horácio, Satirae 1.4.120]. Nadarás sem bóia. (=Não contarás com nenhum auxílio). nVoarás com tuas próprias asas. VIDE: lSine cortice nabis.
2. Naevos nostros et cicatrices amamus. [Ausônio, Cupido Cruciatus 1]. Amamos nossas verrugas e cicatrizes. nCada qual aprecia o cheiro de seu monturo.
3. Nam et ipsa scientia potestas est. [Bacon, De Heresibus 10]. O próprio conhecimento também é poder. nSaber é poder. nQuem tem o saber tem o poder. VIDE: lIpsa scientia potestas est. lScientia est potentia. lScientia et potentia humana in idem coincidunt.
4. Nam pharmacum aegri mentis est oratio. [Schottus, Adagia 627]. A palavra é o medicamento do espírito que sofre. nQuais palavras te dizem, tal coração te fazem. VIDE: lAegroto animo medicus est oratio. lAnimo aegrotanti medicus est oratio. lAnimo laboranti medicus oratio est. lAnimo male affecto sermones sunt medicinae.
5. Nam tua res agitur, paries cum proximus ardet. [Horácio, Epistulae 1.18.79]. É coisa que te diz respeito, quando a parede do vizinho está pegando fogo. nQuando vires a barba do vizinho pegar fogo, põe a tua de molho. VIDE: lAccensa domo proximi, tua quoque periclitatur. lQui videt ardere vicini tecta, timere debet de propriis: nequeunt sua tuta manere. lRes agitur tua, paries cum proximus ardet. lTua res agitur, et de tuo periculo, non de meo agitur. lTunc tua res agitur, paries dum proximus ardet.
6. Nanus cum sis, cede. [DAPR 670]. Já que és anão, recua. nContra a força não há resistência. VIDE: lAdversus leonem capra pugnam non ineat. lAdversus leonem damae pugnam ineunt. lNe ad pugnam vocet aquilam luscinia. lNe capra contra leonem pugnet. lNon cum leone capra decertem fero. lNon cum leone caprea pugnare audeas. lPumilio cum sis, cede.
7. Naribus trahere. [Erasmo, Adagia 2.1.19]. Puxar pelo nariz. Trazer pelo nariz.
8. Naris emunctae senex. [Fedro, Fabulae 3.3.13]. Um velho de nariz assoado. (=Homem de bom gosto. Homem inteligente). VIDE: lHomo emunctae naris est.
9. Narra mihi factum, dabo tibi ius. [Jur]. Expõe-me o fato, que eu te direi o direito. VIDE: lDa mihi factum, dabo tibi ius.
10. Narrat fabellam asello surdo. Ele conta uma história ao burrinho surdo. nPerde o seu latim. VIDE: lAsello fabulam narrare. lAsino fabulam narrabat quispiam, et ille movebat aures. lAsino quis fabulam narrabat: ille autem aures movebat. lAsino quis fabulam narrabat: at ille movebat aures. lAsino fabulam. lSurdo asello narrata est fabella.
11. Narrat is quod nec ad terram pertinet. [Petrônio, Satiricon 44]. O que ele diz não tem nada a ver com a terra. lNarratis quod nec ad caelum nec ad terram pertinet. O que contais nada tem a ver nem com o céu nem com a terra.
12. Narrat Ulixes. [Dumaine 245]. É o que o Ulisses conta. nAcredite quem quiser. lNarrat Ulixes quae sine teste gessit. [Dumaine 245]. Ulisses conta o que fez sem ter testemunha. nQuem vem de longe vende como quer.
13. Narrata refero. Reproduzo o que me foi contado. VIDE: lProdenda quia prodita. lRelata refero.
14. Narratur et prisci Catonis saepe mero caluisse virtus. [Horácio, Carmina 3.21.11]. Conta-se que não poucas vezes até o coração do velho Catão foi aquecido pelo vinho.
15. Nascentes morimur. Aos nascermos já morremos. nAo nascermos, começamos a morrer. lNascentes morimur, finisque ab origine pendet, ipsaque vita suae semina mortis habet. [Manílio, Astronomica 4.16]. nDesde a nascença morremos, e da origem o fim depende; na mesma vida se encerram da nossa morte as sementes.
16. Nascentis cura prohibere exordia moris. [Pereira 124]. Trata de impedir o começo do vezo, quando ele nasce. nVezo ponhas que não tolhas.
17. Nasci haud potest e patre noxio probus. [Schottus, Adagia 619]. De pai criminoso não pode nascer filho honrado. nDe mau corvo, mau ovo.
18. Nasci miseria, vivere poena, mori angustia. [S.Bernardo, Meditationes Piissimae 3]. Nascer é sofrimento, viver é castigo, morrer é angústia. VIDE: lUnde superbit homo, cuius conceptio culpa, nasci poena, labor vita, necesse mori?
19. Nascimur in lacrimis, lacrimabile ducimus aevum, clauditur in lacrimis ultima nostra dies. [DAPR 415]. Nascemos em lágrimas, levamos uma existência chorosa, encerra-se em lágrimas nosso último dia.
20. Nascimur poëtae, fimus oratores. [Stevenson 1820]. Nascemos poetas, tornamo-nos oradores. VIDE: lNascuntur poëtae, fiunt oratores. lOrator fit, poëta nascitur. lPoëta nascitur, orator fit. lPoëta nascitur, non fit. lPoëta non fit, sed nascitur.
21. Nascimur uno modo, multis morimur. [Sêneca Retórico, Controversiae 7.1.9]. Nascemos de um só modo, morremos de muitos.
22. Nascitur ex assiduitate laborum animorum hebetatio. [Sêneca, De Tranquillitate Animi 17.5]. Da continuidade dos sofrimentos nasce o embrutecimento dos espíritos.
23. Nascitur exiguus, sed opes acquirit eundo amnis. [Ovídio, Ars Amatoria 2.1.343]. O rio nasce pequenino, mas com o caminhar adquire forças.
24. Nascitur indigne per quem non nascitur alter. [Daniel Dyke / Stevenson 1403]. Não é digno de ter nascido aquele de quem não nasce outro.
25. Nasciturus pro iam nato habetur, quotiens de eius commodo agitur. [Jur]. O nascituro é considerado como já nascido, toda vez que se trata de seu interesse.
26. Nascuntur poëtae, fiunt oratores. [Rezende 3741]. Poetas nascem feitos, oradores se fazem. VIDE: lNascimur poëtae, fimus oratores. lOrator fit, poëta nascitur. lPoëta nascitur, orator fit. lPoëta nascitur, non fit. lPoëta non fit, sed nascitur.
27. Nasum nidore supinor. [Horácio, Sermones 2.7.38]. O cheiro de queimado me faz levantar o nariz. nSinto qualquer coisa no ar.
28. Nasus iudicii symbolum est. O nariz é o símbolo do julgamento.
29. Natale Domini. O nascimento do Senhor. O dia de natal.
30. Natale solum. [Ovídio, Ex Ponto 1.3.35]. O torrão natal. A terra natal. lNatalia rura. [Ovídio, Fasti 4.685]. Os campos natais. lNatalia arva. VIDE: lGenitale solum.
31. Natalia sanctorum. Os nascimentos dos santos. (=Datas das mortes dos santos da Igreja Católica).
32. Natalis dies. Dia do nascimento. VIDE: lFestum natalitium. lGenitalis dies.
33. Natare non didici, pedibus ambulo. [Pereira 95]. Não aprendi a nadar; ando a pé. nAndo por onde anda a raposa.
34. Nate, quis indomitas tantus dolor excitat iras? [Virgílio, Eneida 2.594]. Filho, que dor tão grande provoca iras indomáveis? VIDE: lDolor excitat iras.
35. Nati prudentes sunt qui novere parentes. [DAPR 354]. Crianças inteligentes são as que conhecem seus pais. (=Provérbio inglês correspondente: It is a wise child who knows his own father. Provérbio francês correspondente: L’enfant est sage, qui son père connaît).
36. Natu maior. O primogênito (de dois irmãos). lNatu maximus. O primogênito (de vários irmãos).
37. Natu nobilis. Nobre de nascimento.
38. Natum non novi. [Pereira 114]. Não conheço esse filho. nNunca tal burra albardei.
39. Natura abhorret vacuum. [Espinosa, Ethica 5.23]. A natureza tem horror ao vazio. lNatura abhorret a vacuo. VIDE: lNatura vacuum abhorret.
40. Natura animum ornavit sensibus ad res perspiciendas idoneis. [Cícero, De Finibus 5.59]. A natureza dotou o espírito de sentidos adequados à percepção das coisas.
41. Natura appetit perfectum; ita et lex. [Jur / Black 1222]. A natureza busca a perfeição; assim também a lei.
42. Natura artis magistra. A natureza é a mestra da arte. VIDE: lNatura docet homines omnes artes.
43. Natura contumax est, non potest vinci, suum poscit. [Sêneca, Epistulae 19.2]. A natureza é inflexível: não pode ser vencida, exige o que é seu.
44. Natura corporis est in medicina praecipuum studium. Na medicina o principal estudo é a natureza do corpo humano.
45. Natura corpus ut quandam vestem animo circumdedit. [Sêneca, Epistulae 92.13, adaptado]. A natureza pôs um corpo em torno do espírito como se fosse uma roupa.
46. Natura cupiditatem ingenuit homini veri videndi. [Cícero, De Finibus 2.46]. A natureza criou no homem o desejo de conhecer a verdade. VIDE: lNatura inest in mentibus nostris insatiabilis quaedam cupiditas veri videndi.
47. Natura dat unicuique quod sibi conveniens est. A natureza dá a cada um o que lhe é conveniente.
48. Natura dedit homini manus aptas et multarum artium ministras. [Cícero, De Natura Deorum 2.150, adaptado]. A natureza deu ao homem mãos capazes e auxiliares de muitas atividades.
49. Natura dedit usuram vitae tamquam pecuniae, nulla praestituta die. [Cícero, Tusculanae 1.93]. A natureza deu o gozo da vida como o do dinheiro, sem dia marcado.
50. Natura desiderat semper quod melius est. A natureza sempre deseja o que é melhor.
51. Natura diverso gaudet. [DAPR 657]. A natureza aprecia a diversidade. nA variedade deleita. nTudo enfada, só a variedade recreia. VIDE: lDelectat varietas. lIn omni re semper grata varietas. lIn varietate voluptas. lVariatio delectat. lVarietas delectat.
52. Natura docet homines omnes artes. A natureza ensina aos homens todas as artes. VIDE: lNatura artis magistra.
53. Natura duce errari nullo pacto potest. [Cícero, De Legibus 1.20]. Com a natureza por guia, de modo nenhum se pode errar.
54. Natura ducimur ad scientiae cupiditatem. Somos conduzidos pela natureza ao desejo de saber.
55. Natura est provida utilitatum. [Cícero, De Natura Deorum 2.58]. A natureza é previdente em relação às necessidades.
56. Natura est quae dat et aufert omnia. É a natureza que dá e tira tudo.
57. Natura et ars nihil agunt frustra. [Rezende 3748]. A natureza e a ciência nada fazem sem objetivo. VIDE: lNatura nihil agit frustra.
58. Natura etiam sine doctrina multum valebit: doctrina nulla esse sine natura poterit. [Quintiliano, Institutio Oratoria 2.19.2]. A natureza conseguirá muito, mesmo sem o conhecimento; nenhum conhecimento poderá existir sem a natureza.
59. Natura genetrix. A natureza é nossa mãe.
60. Natura homo mundum et elegans animal est. [Sêneca, Epistulae 92.12]. Por natureza, o homem é um animal limpo e delicado.
61. Natura humana imbecilla atque aevi brevis est. [Salústio, Bellum Iugurthinum 1, adaptado]. A natureza humana é frágil e de curta duração.
62. Natura in minimis maxima. A natureza é grande nas coisas mínimas. VIDE: lNatura maxime miranda in minimis. lTota in minimis exsistit natura.
63. Natura in operationibus suis non facit saltum. [Lineu, Philosophia Botanica 27 / Maloux 365]. A natureza em suas operações não dá saltos. VIDE: lNatura non facit saltus. lNatura non facit saltus; ita et lex.
64. Natura infirmitatis humanae tardiora sunt remedia quam mala. [Tácito, Agrícola 3]. Pela natureza da fraqueza humana, mais lentos são os remédios do que os males. nO mal entra às braçadas e sai às polegadas. VIDE: lTardiora sunt remedia quam mala.
65. Natura inest in mentibus nostris insatiabilis quaedam cupiditas veri videndi. [Cícero, Tusculanae 1.2.44]. Pela natureza existe em nossas mentes um desejo insaciável de conhecer a verdade. VIDE: lNatura cupiditatem ingenuit homini veri videndi.
66. Natura ingenuit rationem provida nobis. Naturam ratio nos iubet ergo sequi. [John Owen, Epigrammata 1.73]. A natureza criou em nós uma razão previdente. Portanto, a razão nos obriga a seguir a natureza.
67. Natura ipsa instar legis est. A própria natureza tem o mesmo valor que a lei.
68. Natura longe superat artem. [Signoriello 224]. A natureza em muito supera a arte.
69. Natura maxime miranda in minimis. [Rezende 3752]. A natureza é admirável principalmente nas coisas mínimas. VIDE: lNatura in minimis maxima. lTota in minimis exsistit natura. lTota in minimis exsistit natura.
70. Natura morborum medicatrix. A natureza cura as doenças. VIDE: lMedicus curat, natura sanat. lNatura sanat, medicus curat.
71. Natura mulieri domestica negotia curanda tradidit. [Columela, De Re Rustica 12.4, adaptado]. A natureza entregou à mulher a administração das atividades domésticas.
72. Natura mutari non potest. [Cícero, De Amicitia 32]. Não se pode mudar a natureza.
73. Natura nihil agit frustra. [Stevenson 1659]. A natureza nada faz em vão. lNatura nihil facit frustra, non deficit in necessariis, nec abundat in superfluis. [Aristóteles, De Anima 3.45 / Busarello 152]. A natureza nada faz debalde, não falta no necessário nem excede no supérfluo. lNatura non deficit in necessariis, neque abundat in superfluis. [Rezende 3756]. A natureza não falta no necessário, nem sobra no supérfluo. VIDE: lNatura et ars nihil agunt frustra.
74. Natura nihil temere facit. [Signoriello 225]. A natureza não faz nada sem razão.
75. Natura non facit saltus. [Dumaine 237; Rezende 3755]. A natureza não dá saltos. lNatura non facit saltus; ita et lex. [Jur / Black 1222]. A natureza não dá saltos; a lei também não. VIDE: lNatura in operationibus suis non facit saltum.
76. Natura non nisi parendo vincitur. [Bacon, Advancement of Learning 1.6]. Só se governa a natureza obedecendo-lhe. VIDE: lNaturae enim non imperatur, nisi parendo.
77. Natura non vult imperare feminam. A natureza não quer que a mulher governe.
78. Natura nos cognatos fecit. A natureza nos fez parentes. nTodos somos filhos de Adão e Eva. lNatura nos cognatos edidit.
79. Natura nusquam non remedia disponit homini. A natureza em lugar nenhum deixa de oferecer recursos ao homem.
80. Natura omnes homines aequales genuit. A natureza gerou todos os homens iguais. VIDE: lQuod ad ius naturale attinet, omnes homines aequales sunt. lQuod ad ius naturale pertinet, omnes homines aequales sunt.
81. Natura optima dux bene vivendi. [Cícero, De Amicitia 5]. A natureza é o melhor guia de bem viver.
82. Natura parvo contenta est. [Cícero, Tusculanae 5.98, adaptado]. A natureza se contenta com pouco. lNatura paucis contenta. VIDE: lParvo cultu natura contenta est.
83. Natura plus trahit quam septem boves. [DAPR 632]. A natureza puxa mais do que sete bois. nMais puxa moça do que corda. nMais tiram tetas que calabre de nau. lNatura plus trahit septem bobus. [DAPR 455].
84. Natura, quam te colimus inviti quoque! [Sêneca, Hippolytus 1116]. Ó natureza, quanto te respeitamos, mesmo contra nossa vontade!
85. Natura rerum conditum est ut plura sint negotia quam vocabula. [Digesta 19.30]. Pela natureza está determinado que as obras valham mais que as palavras. VIDE: lPlura sunt negotia quam vocabula. lPlures sunt res quam verba.
86. Natura rerum humana arte non vincitur. [DAPR 473]. A natureza não é vencida pela ciência humana.
87. Natura rerum omnium mater. A natureza é a mãe de todas as coisas.
88. Natura sanat, medicus curat. [Rezende 3758]. A natureza cura, o médico trata. nO médico dá o remédio, a natureza cura. nDeus é que sara, e o mestre leva a prata. VIDE: lMedicus curat, natura sanat. lNatura morborum medicatrix.
89. Natura semina scientiae nobis dedit, scientiam non dedit. [Sêneca, Epistulae 119.3]. A natureza nos deu as sementes do conhecimento, não nos deu o conhecimento. VIDE: lSemina nobis scientiae natura dedit.
90. Natura semper facit melius quod potest. [Signoriello 225]. A natureza sempre faz o melhor que pode.
91. Natura simplicibus gaudet. [DAPR 807]. A natureza aprecia as coisas simples.
92. Natura solitarium nihil amat, semperque ad aliquod, tamquam adminiculum, annititur. [Cícero, De Amicitia 23]. A natureza não gosta de nada isolado, e sempre se apóia em alguma coisa, como numa escora.
93. Natura tenacissimi sumus eorum, quae rudibus annis percepimus. [Quintiliano, Institutio Oratoria 1.1]. Conservamos naturalmente com muita firmeza o que conhecemos em tenra idade. nO que se aprende no berço dura até a sepultura.
94. Natura vacuum abhorret. [Rabelais, Gargantua 1.5]. A natureza tem horror ao vazio. VIDE: lNatura abhorret a vacuo. lNatura abhorret vacuum.
95. Natura vero nihil hominibus brevitate vitae praestitit melius. [Plinio Antigo, Naturalis Historia 7.50.168]. A natureza na verdade nada deu ao homem melhor do que a brevidade da vida.
96. Natura vincit naturam et dii deos. [PSa]. A natureza vence a natureza, e deuses vencem deuses.
97. Natura vox innocentiae, silentium maleficio distributa. [Apuleio, Apologia 11]. A natureza deu a voz à inocência e reservou o silêncio ao mal.
98. Naturae debitum reddiderunt. [Cornélio Nepos, Vitae, De Regibus 1.5]. Eles pagaram a dívida à natureza. (=Morreram).
99. Naturae debitum persolvens, caelestem migravit ad patriam. [VES 42]. Tendo pago a dívida à natureza, migrou para a pátria celeste.
100. Naturae enim non imperatur, nisi parendo. [Bacon, Novum Organum 1.129]. Só se governa a natureza obedecendo-lhe. VIDE: lNatura non nisi parendo vincitur.
101. Naturae iura bellum in contrarium mutat. [Quinto Cúrcio, Historiae 9.4]. A guerra subverte as leis da natureza.
102. Naturae iura sacra sunt etiam apud piratas. [Sêneca Retórico, Controversiae 7.1.17]. Os direitos naturais são sagrados, mesmo entre os piratas.
103. Naturae satis est parum, cupiditati nihil. [Bernardes, Nova Floresta 2.42]. Para a natureza, pouco basta; para a ambição, nada é suficiente. VIDE: lCupiditati nihil satis. lCupiditati nihil satis est, naturae satis est etiam parum.
104. Naturae sequitur semina quisque suae. [Propércio, Elegiae 3.9.20]. Cada qual segue as sementes de sua natureza. nCada qual conforme seu natural. nCada um faz como quem é.
105. Naturae vis maxima. A maior força é a da natureza. lNaturae vis maxima; natura bis maxima. [Black 1222]. A força da natureza é muito grande; a natureza é duplamente grande..
106. Naturale aequum est neminem cum alterius iactura fieri locuplectiorem. [Albertano da Brescia, De Amore et Dilectione 3.1]. É naturalmente justo que ninguém fique mais rico com o prejuízo de outrem. nNinguém deve locupletar-se com a jactura alheia. VIDE: lLocupletari nemo debet cum alterius iactura. lNeminem aequum est cum alterius damno locupletari. lNemo cum alterius damno locupletior fieri debet. lNemo debet lucrari ex alieno damno.
107. Naturale desiderium suorum est. [Sêneca, Ad Marciam 7]. É natural a saudade dos entes queridos.
108. Naturale est enim et odisse quem timeas, et quem metueris infestare, si possis. [Minúcio Félix, Octavius 27]. É, pois, natural que até odeies a quem temes, e que destruas a quem temas, se puderes.
109. Naturale est enim ut semper animus ab eo refugiat, ad quod cum tristitia revertitur. [Sêneca, Ad Polybium 18]. É natural que a mente sempre fuja daquilo a que ela volta com tristeza.
110. Naturale est magis nova quam magna mirari. [Sêneca, Naturales Quaestiones 7.1.4]. É natural que se fique maravilhado mais com coisas nunca vistas do que com coisas grandiosas. nO desconhecido sempre parece sublime.
111. Naturale est manum saepius ad id referre, quod dolet. [Sêneca, Ad Helviam 20.2]. É natural pôr a mão com mais freqüência no lugar que dói. nLá vai a língua onde grita o dente. VIDE: lUbi amor, ibi oculus; ubi dolor, ibi manus. lUbi dolet, ibi manus adhibemus. lUbi dolor angit, huc manus quisque admovet. lUbi dolor, ibi digitus. lUbi dolor, ibi manus. lUbi quis dolet, ibidem et manum habet.
112. Naturale vitium est neglegi quod communiter possidetur. [Codex Iustiniani 10.35.2.1a]. É vício natural descuidar do que se possui em comum. nBarco de muitos mestres dá na costa. nAsno de muitos, lobos o comem.
113. Naturali aequitate nepotes in filiorum locum succedunt. [Jur]. Por eqüidade natural os netos sucedem em lugar dos filhos.
114. Naturali iure omnium communia sunt ista: aër, aqua profluens et mare, et per hoc litora maris. [Marciano, Digesta 1.8.2.1]. Pelo direito natural estas coisas são comuns a todos: o ar, a água corrente e o mar, e por isso as praias.
115. Naturalia non sunt turpia. [Eurípides / Rezende 3751]. As coisas naturais não são vergonhosas.
116. Naturalia quidem iura semper firma et immutabilia permanent. [Institutiones 1.2]. Os direitos naturais permanecem sempre firmes e imutáveis.
117. Naturalis ratio. [Albertano da Brescia, Líber Consolationis 49]. A razão natural.
118. Naturaliter audita visis laudamus libentius. [Veleio Patérculo, Historia Romana 2.92.5]. Por nossa natureza, louvamos com mais prazer o que vimos do que o que ouvimos.
119. Naturaliter, quod procedere non potest, recedit. [Veleio Patérculo, Historia Romana 1.17.6]. Naturalmente o que não pode avançar recua. nQuem não avança recua. nNão esqueças um instante que é ficar para trás não ir avante. VIDE: lNon progredi regredi est. lNon progredi regredi est, et nolle proficere deficere est. lQui non proficit, deficit. lQuod procedere non potest, recedit.
120. Naturam abscondit improbus, cum recte facit. [Publílio Siro]. O homem desonesto esconde sua natureza, quando age honestamente.
121. Naturam expellas furca, tamen usque recurret. [Horácio, Epistulae 1.10.24]. Ainda que expulses a natureza com o forcado, ela no entanto voltará obstinadamente. lNaturam expelles furca, tamen ipsa recurret. [Medina 589]. lNaturam furca expellas, autem usque redibit.
122. Naturam fallere grave est. [Rezende 3754]. É grave querer enganar a natureza.
123. Naturam frenare potes, sed vincere nunquam. [Palingênio, Zodiacus Vitae, Leo]. Podes controlar a natureza, nunca vencê-la.
124. Naturam imitatur ars. [Signoriello 223]. A arte imita a natureza. VIDE: lArs est simia et imitatrix naturae. lArs est simia naturae. lArs imitatur naturam.
125. Naturam non matrem esse humani generis, sed novercam. [Lactâncio / Tosi 128]. A natureza não é mãe da raça humana, mas sua madrasta.
126. Naturam quidem mutare difficile est. [Sêneca, De Ira 2.20.1]. Sem dúvida, é difícil mudar a natureza. lNaturam mutare difficile. [Grynaeus 389].
127. Naturam si sequemur ducem, nunquam aberrabimus. [Cícero, De Officiis 1.100]. Se seguirmos a natureza como a um guia, nunca nos desgarraremos.
128. Naturam turpem nulla fortuna obtegit. Nenhum sucesso esconde uma índole má.
129. Naturam voca, fatum, fortunam; omnia eiusdem Dei nomina sunt. [Sêneca, De Beneficiis 4.8.3]. Chama de natureza, destino, sorte; todos são nomes do próprio Deus.
130. Natus es infelix, ita di voluere, nec ulla commoda nascenti stella levisve fuit. [Ovídio, Ibis 209]. Nasceste infeliz, assim quiseram os deuses; nem uma única estrela te foi favorável ou indiferente ao nasceres.
131. Natus es, moriturus es. [S.Agostinho]. Nasceste, vais morrer.
132. Naufragium in portu facere. [Rezende 3760]. Naufragar no porto. (=Perder um bom negócio, quando já se julgava concluído). nNadar, nadar, ir morrer à beira. VIDE: lIn portu impingere. lIn portu naufragium facere. lIn portu naufragari. lNavem in portu mergis.
133. Naufragium rerum est mulier male fida marito. [Dionísio Catão, Monosticha, Appendix 6]. O naufrágio de tudo é a mulher infiel ao marido.
134. Naufragium sibi quisque facit. [Lucano, Bellum Civile 1.503]. Cada um causa o próprio naufrágio.
135. Nauta aratrum poscit. O marinheiro pede um arado. nPara quê cego com espelho? lNauta aratrum. [Schottus, Adagia 322].
136. Nauta utitur navi a fabro accepta, atque faber non navigat. O marinheiro usa o barco recebido do carpinteiro, mas o carpinteiro não navega. nO sino chama para a missa, mas não vai a ela.
137. Navatum, non fortuitum. Premeditado, não casual.
138. Navem in portu mergis. [Sêneca Retórico, Controversiae 2.6.4]. Naufragas no porto. (=Perder um bom negócio quando já se julgava concluído). nNadar, nadar, ir morrer à beira. VIDE: lIn portu naufragari. lIn portu naufragium facere. lNaufragium in portu facere.
139. Navem perforat in qua ipse naviget. [Cicero / Quintiliano, Institutio Oratoria 8.47]. Está furando a canoa em que ele mesmo navegará.
140. Navibus atque quadrigis. [Erasmo, Adagia 1.4.19]. Com barcos e carros. (=Com grande pressa. Com grande esforço).
141. Navibus atque quadrigis petimus bene vivere. Quod petis hic est. [Horácio, Epistulae 1.11.28]. Procuramos a felicidade usando barcos e carros. Mas o que se busca está aqui.
142. Navicula fatuorum. A nau dos insensatos.
143. Navigandum est pro ventorum flatibus. [DAPR 672]. Deve-se navegar a favor do sopro dos ventos. nNão nades contra a corrente. nDança-se conforme a música.
144. Navigantibus triplex periculorum genus valde timendum est atque omni diligentia vitandum: tempestas seu procella, scopuli, et mare tranquillum seu malacia. Para os navegantes devem ser muito temidos e evitados com todo cuidado três espécies de perigos: a tempestade, ou procela, os escolhos, e a ausência de vento, ou calmaria.
145. Navigare necesse; vivere non necesse. [Plutarco, Vida de Pompeu 50.2 / Rezende 3765]. Navegar é preciso; viver não é preciso. (=O general romano Pompeu tentou convencer seus soldados a embarcarem em mar proceloso levando trigo a Roma, então ameaçada por fome iminente). VIDE: lNecesse est ut eam, non ut vivam.
146. Navigat is Zephyro cui sibilat aura secundo. [Pereira 97]. Navega num zéfiro favorável aquele a quem o vento assobia. nBem baila, a quem a fortuna faz o som.
147. Navigat omnis homo, et portum contendit adire, et portu ingresso deicit unda ratem. [Pereira 95]. Todo homem navega, e se esforça para chegar ao porto, e, tendo entrado no porto, o mar afunda o barco. nNadar, nadar e ir morrer à beira. nAndar, andar, ir morrer à beira. lNavigat omnis homo, et portum conscendit adire, et portum ingressus disicit unda ratem. [Medina 600].
148. Navim agere ignarus navis timet. [Horácio, Epistulae 2.1.114]. Quem desconhece navio teme dirigir um.
149. Navis annosa haud quaquam navigabit per mare. [Erasmo, Adagia 2.7.15]. Navio velho de jeito nenhum navegará no mar. lNavis annosa mare non traiciet. [Schottus, Adagia 297]. Navio velho não atravessará o mar. lNavis antiqua aequor horret traicere. [Schottus, Adagia 645]. Navio velho teme atravessar o mar. lNavis antiqua mare traicere non potest. [Schottus, Adagia 236]. Navio velho não pode atravessar o mar. VIDE: lNavis vetusta inepta deinceps est mari.
150. Navis et mulier nunquam satis ornantur. [Plauto, Poenulus 210, adaptado / Bernardes, Nova Floresta 1.218]. O barco e a mulher nunca estão bastante enfeitados. VIDE: lNunquam satis pistrinum et mulier ornantur. lNunquam satis navis et mulier ornantur.
151. Navis optime cursum conficit ea, quae scientissimo gubernatore utitur. [Cícero, De Inventione 1.58]. Segue muito bem seu curso aquela nave que se vale de piloto muito competente.
152. Navis praedio urbano comparatur. [Jur]. O navio equipara-se ao prédio urbano.
153. Navis quae in flumine magna est, in mare parvula est. [Sêneca, Epistulae 43.2]. O barco que no rio é grande no mar é pequenino. nBarco pequeno não sai da costa. VIDE: lEffugit immodicas parvula puppis aquas.
154. Navis supplicat petrae. [Schottus, Adagia 489]. O barco se oferece ao escolho. (=Diz-se de quem faz coisa que lhe pode causar dano). nProcura sarna para se coçar. lNavis supplicat petris. [Apostólio, Paroimiai 13.55]. lNavis scopulum deprecatur. [Schottus, Adagia 236]. VIDE: lFacit perinde ac supplicans navis petrae.
155. Navis tua fulta est duabus ancoris. [Albertatius 821]. Teu barco está preso por duas âncoras. nO negócio está firme. nEstá de pedra e cal. VIDE: lAncoris duabus niti ratem bonum est. lBonum est duabus ancoris niti ratem. lBonum est duabus fundari navem ancoris. .lDuabus nititur ancoris. lDuabus ancoris fultus. lMelius duo defendunt retinacula navim. lServari haud una navis ancora solet
156. Navis vetusta inepta deinceps est mari. [Apostólio, Paroimiai 13.57]. Barco velho acaba impróprio para o mar. VIDE: lNavis annosa haud quaquam navigabit per mare. lNavis annosa mare non traiciet. lNavis antiqua aequor horret traicere. lNavis antiqua mare traicere non potest.
157. Navita de ventis, de bobus narrat arator. [Pereira 98]. O marinheiro fala dos ventos, o lavrador fala dos bois. nCada um fala do que trata. lNavita de ventis, de tauris narrat arator, enumerat miles vulnera, pastor oves. [Propércio, Elegiae 2.1.49]. O marinheiro fala de ventos, o camponês de touros, o soldado enumera seus ferimentos, o pastor suas ovelhas.
158. Ne abrumpamus funem, nimium tendendo. [Rezende 3770]. Não quebremos a corda, esticando-a demais. nCorda puxada se quebra. nUsa, mas não abusa. VIDE: lFunem abrumpis nimium tendendo. lNimium tendendo rumpi funiculus solet. lRumpetur tensus funiculus. lRumpetur tensus funis. lVide ne abrumpamus, dum nimium tendimus funiculum.
159. Ne abscondas a me aliquid. [Vulgata, Jeremias 38.14]. Não me encubras nada.
160. Ne ad aures quidem scalpendas mihi otium est. [Pereira 113]. Não tenho vagar nem para coçar as orelhas. nNão tenho tempo para me coçar.
161. Ne ad pugnam vocet aquilam luscinia. [Schrevelius 1178]. Não provoque o rouxinol a águia para briga. nContra a força não há resistência. VIDE: lAdversus leonem capra pugnam non ineat. lAdversus leonem damae pugnam ineunt. lNanus cum sis, cede. lNe ad pugnam vocet aquilam luscinia. lNe capra contra leonem pugnet. lNon cum leone capra decertem fero. lNon cum leone caprea pugnare audeas. lPumilio cum sis, cede.
162. Ne aegri quidem quia omnes convalescunt, idcirco ars nulla medicina est. [Cícero, De Natura Deorum 2.4]. Não é porque nem todos os doentes se curam, que a medicina é uma ciência inútil.
163. Ne Aesopum quidem trivisti. [Erasmo, Adagia 2.6.27]. Não digeriste nem o teu Esopo. (=Diz-se de quem fala do que não entende). nEstás mais por fora que mão de afogado.
164. Ne agricolam quidem aut gubernatorem disputatione sed usu fieri. [Celso, De Medicina, Proemium 32]. Ninguém se torna agricultor ou piloto de navio por meio de discussão, mas pela prática. nBatendo ferro é que se fica ferreiro.
165. Ne aliis de se quisquam plus quam sibi credat. [Tosi 284]. Ninguém, no que lhe diga respeito, creia mais nos outros do que em si mesmo. VIDE: lNec cui de te plusquam tibi credas.
166. Ne allii quidem caput. [Erasmo, Adagia 3.7.67]. Não vale nem uma cabeça de alho. nNão vale um caracol.
167. Ne alteri feceris quod tibi non vis fieri. nNão faças a outrem o que não queres que te façam. nNão faças aos outros o que não queres que te façam. VIDE: lAliis ne feceris, quod tibi fieri non vis. lAlteri ne facias quod tibi fieri non vis. lFacere non debet quis alteri, quod sibi fieri nolit. lNon facies alteri quod tibi fieri non vis. lQuod ab alio oderis fieri tibi, vide ne tu aliquando alteri facias. lQuod tibi fieri non vis, alteri ne feceris. lQuod tibi non vis fieri, alii ne feceris. lQuod tibi non vis fieri, alteri ne feceris. lQuod tibi non vis, alteri ne facies. lQuod tibi fieri non vis, alteri ne facias. lQuod tibi non vis, utinam alteri ne facias. lQuod sibi quis fieri non vult, alii ne faciat. lQuod tibi fieri non vis, alteri ne feceris.
168. Ne attendas fallaciae mulieris. [Vulgata, Provérbios 5.2]. Não te deixes ir atrás dos artifícios da mulher.
169. Ne avertas faciem a proximo tuo. [Vulgata, Eclesiástico 41.26]. Não voltes o rosto para não veres o teu próximo.
170. Ne bellis, neve iudiciis adsis, ut vitam quietam et felicem ducas. [Pereira 111]. Para levares vida tranqüila e feliz, não participes nem de guerras nem de demandas judiciais. nNão cures ser picão, nem travar contra razão, se queres lograr tuas cãs com tuas queixadas sãs.
171. Ne benignitas maior esset quam facultates. [Cícero, De Officiis 1.14]. Não exceda a generosidade os recursos. nDá que não peças. VIDE: lNe maior quam facultas sit benignitas.
172. Ne bis in idem. [Jur]. Não duas vezes contra a mesma coisa. (=Não se pode ser condenado duas vezes pela mesma falta. Não se podem cobrar dois tributos com o mesmo fato gerador). VIDE: lInter easdem partes de eadem re ne bis sit actio. lNon bis in idem.
173. Ne bona tua pandis ratibus semel omnia mandes. [Grynaeus 206]. Não deposites de uma vez só todos os teus bens em barcas empenadas. nNão ponhas todos os ovos na mesma cesta. nNão ponhas todos os ovos debaixo da mesma galinha. nNão arrisques tudo de uma só vez. VIDE: lNe totam substantiam uni credamus navi. lNe uni navi facultates. lUni navi ne committas omnia.
174. Ne capra contra leonem pugnet. [Diogeniano / Albertatius 824]. Não lute a cabra contra o leão. nContra a força não há resistência. VIDE: lAdversus leonem capra pugnam non ineat. lAdversus leonem damae pugnam ineunt. lNanus cum sis, cede. lNe ad pugnam vocet aquilam luscinia. lNe capra contra leonem pugnet. lNon cum leone capra decertem fero. lNon cum leone caprea pugnare audeas. lPumilio cum sis, cede.
175. Ne cede malis, sed contra audentior ito. [Virgílio, Eneida 6.95]. Não recues diante da má sorte, mas prossegue com mais audácia. VIDE: lNon cedendum malis. lTu ne cede malis, sed contra audentior ito, quam tua te fortuna sinet.
176. Ne cinerem vitans in prunas incidas. [Erasmo, Adagia 3.3.72]. Não vás cair nas brasas ao fugir das cinzas. lNe cinerem fugiens in prunas incidas. [Apostólio, Paroimiai 12.81]. lNe cineres fugiens in prunas incidas. [Schottus, Adagia 235]. lNe cinerem fugiens in prunas incidat amens. [Schottus, Adagia 585]. Não caia o tolo nas brasas ao fugir da cinza.
177. Ne citius blandis cuiusquam credito dictis, sed si sint fidi, respice quid moneant. [Aviano]. Não dês crédito imediato às palavras lisonjeiras de ninguém; mas se as pessoas são confiáveis, dá atenção às suas advertências.
178. Ne cito credas! Não confies de pronto! VIDE: lNec cito credideris.
179. Ne converseris illi, quem a bonis vides culpari. [S.Nilo]. Não trates com quem vês criticado pelos bons.
180. Ne credas laudatoribus tuis. [Stevenson 1862]. Não dês crédito aos que te elogiam.
181. Ne credas vulgo, vulgus mutatur in hora. Não confies no povo; ele muda de hora em hora.
182. Ne crede amissum quicquid reparare licebit. [Dionísio Catão, Monosticha, Appendix 75]. Não creias perdido o que se poderá recuperar.
183. Ne criminibus aut inferendis delectetur aut credat oblatis. [Cícero, De Amicitia 18]. Ninguém se deleite em fazer acusações (ao amigo), nem acredite nas que lhe forem feitas.
184. Ne cuivis dextram inieceris. [Grynaeus 42]. Não oferecerás tua mão a qualquer um. nNão dês a todos teu braço a torcer. lNe cuivis dexteram porrigas. [Apostólio, Paroimiai 12.84]. lNe cuivis porrigas dexteram. [Dumaine 236].
185. Ne cuivis sententiam tuam dixeris. Não digas a tua opinião a qualquer um.
186. Ne culpa natos matris insontes trahat. [Sêneca, Medea 283]. Não recaia o crime da mãe sobre os filhos inocentes.
187. Ne damnent quae non intellegunt. [Quintiliano, Institutio Oratoria 10.1.26]. Não condenem o que não entendem. VIDE: lDamnant quod non intellegunt.
188. Ne de inimico reconciliato simus securi. [DAPR 57]. De inimigo reconciliado não estejamos seguros. nAmigo reconciliado, inimigo dobrado. nDe amigo reconciliado e de caldo requentado, nunca bom bocado.
189. Ne declines ad dexteram neque ad sinistram. [Vulgata, Provérbios 4.27]. Não declines nem para a direita nem para a esquerda.
190. Ne dei sinant! Que os deuses não o permitam!
191. Ne depugnes in alieno negotio. [Erasmo, Adagia 3.8.75]. Não brigues por questão de outrem. nQuem te mete, João Topete, com carapuça de grumete. nNão te metas na réstea sem ser cebola. VIDE: lNe pugnes de alieno. lNon depugnes in alieno negotio.
192. Ne derelinquas amicum antiquum. [Vulgata, Eclesiástico 9.14]. Não deixes o amigo antigo.
193. Ne derelinquas nos, Domine! [Divisa / Rezende 3829]. Não nos abandones, Senhor!
194. Ne despicias narrationem presbyterorum sapientium. [Vulgata, Eclesiástico 8.9]. Não desprezes o que contarem os velhos sábios.
195. Ne di quidem a morte liberant. [Erasmo, Adagia 3.9.49]. Da morte nem os deuses nos livram. nContra a morte não há coisa forte. nPara tudo há remédio, senão para a morte.
196. Ne dicas amico tuo: Vade et revertere, cras dabo tibi, cum statim possis dare. [Vulgata, Provérbios 3.28]. Não digas ao teu amigo: Vai e torna, amanhã te darei, quando tu lhe podes dar logo.
197. Ne dicas: Quid putas causae est quod priora tempora meliora fuere quam nunc sint? [Vulgata, Eclesiastes 7.11]. Não digas: Donde vem que os primeiros tempos foram melhores do que são agora?
198. Ne dicas: Quomodo fecit mihi, sic faciam ei. [Vulgata, Provérbios 24.29]. Não digas: Como ele me fez a mim, assim farei eu a ele.
199. Ne differas de die in diem. [Vulgata, Eclesiástico 5.8]. Não difiras de dia para dia.
200. Ne differas in crastinum. Não adies para o dia seguinte.