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DICIONÁRIO  DE  EXPRESSÕES  E  FRASES  LATINAS
Compilado por HENERIK KOCHER

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1001.Fraus sublimi regnat in aula. [Sêneca, Hippolytus 982]. A perfídia reina no palácio grandioso.

1002.Fraus vitiat omnia. [Stevenson 887]. O crime corrompe tudo. VIDE: lFraus omnia corrumpit.

1003.Fraxinus in silvis pulcherrima, pinus in hortis, populus in fluviis, abies in montibus altis. [Virgílio, Eclogae 7.65]. O freixo, nas florestas, é o mais bonito, o pinheiro nos jardins, o álamo à beira dos rios, o abeto nos altos montes.

1004.Fremant omnes licet, dicam quod sentio. [Cícero, De Oratore 1.44.1]. Ainda que todos tremam, direi o que sinto.

1005.Frena tene et siste impetum. [Sêneca, Agamemnon 203]. Refreia-te, e contém teu ímpeto.

1006.Frenis saepe repugnat equus. [Ovídio, Remedium Amoris 514]. O cavalo muitas vezes refuga o freio.

1007.Frenos impone linguae, peni saepius. [PSa]. Põe freios à língua, e mais ainda à voluptuosidade. lFrenos impone linguae, saepius concupiscentiae.

1008.Frenos imponit linguae conscientia. [Publílio Siro]. A consciência põe freios à língua.

1009.Frenum accipere. [Virgílio, Eneida 12.568]. Aceitar o freio. (=Considerar-se vencido).

1010.Frenum momordi. [Cícero, Ad Familiares 11.24.1]. Mordi o freio. (=Dominei-me).

1011.Frequens imitatio transit in mores. [Quintiliano, Institutio Oratoria 1.11.2]. A imitação freqüente transforma-se em hábito.

1012.Frequens meditatio carnis afflictio est. [Vulgata, Eclesiastes 12.12]. A meditação freqüente é a aflição da carne.

1013.Frequens usus magistrorum praecepta superat. O uso freqüente supera os ensinamentos dos professores. nMais fazem os anos que os livros.

1014.Frequenter nomen meum obliviscar. [Petrônio, Satiricon 66]. Muitas vezes eu me esqueço do meu próprio nome.

1015.Frequentissimum initium calamitatis securitas. [Veleio Patérculo, Historia Romana 2.118.2]. A despreocupação é a causa mais freqüente dos desastres. nA desconfiança é a mãe da segurança.

1016.Fricantem refrica. [Schottus, Adagia 253]. Acaricia a quem te acaricia. nComo for teu trato, assim te trato. nAmor com amor se paga. lFricantem frica. VIDE: lPar pari refertur. lPar pari refer. lPar pro pari referto.

1017.Friget quem petere piget. [DAPR 336]. Quem se constrange de pedir passa frio. nQuem não fala, Deus não o ouve. nQuem tem vergonha morre de fome.

1018.Frigida aqua ferventem ollam aspergere. [Grynaeus 387]. Jogar água fria na panela fervente. nJogar água fria na fervura.

1019.Frigiditas hiemis, veris lascivia, fervor aestatis studium surripuere mihi. [Werner]. O frio do inverno, o prazer da primavera, e o calor do verão me roubaram o empenho.

1020.Frigidus in Venerem senior. [Virgílio, Georgica 3.97]. O velho é frio no amor.

1021.Frigus inimicum est seni et tenui. [Celso, Medicina 1.9]. O frio é inimigo do velho e do magro.

1022.Frondem in silvis non cernit. Na floresta não vê as copas das árvores. nEstá na igreja e não vê os santos. nNão enxerga pataca. VIDE: lNec frondem in silvis, nec aperto mollia prato gramina, nec pleno flumine cernit aquam.

1023.Frons domini plus prodest quam occipitium. [Plínio Antigo, Naturalis Historia 18.31]. O rosto do dono é mais útil que sua nuca. nO olho do dono vale mais que o seu calcanhar. nO olho do dono engorda o cavalo. lFrons domini plus potest quam occipitium. O rosto do dono pode mais que sua nuca. VIDE: lFrons occipitio prior est. lFrons occipite prior.

1024.Frons est animi ianua. O rosto é a porta da alma. nO mal e o bem à face vêm. VIDE: lVultus animi ianua et tabula. lVultus ac frons animi ianua. lVultus animi ianua est.

1025.Frons hominem praefert. [Pereira 115]. O rosto revela o homem. nO mal e o bem à face vêm. nDe ruim gesto nunca bom feito. lFrons hominem praescit.

1026.Frons hominis saepe mentitur. O rosto do homem muitas vezes engana. nQuem vê cara não vê coração.

1027.Frons occipitio prior est. [Marcos Catão, De Agri Cultura 4]. O rosto vale mais que a nuca. nO olho do dono vale mais que o seu calcanhar. nO olho do dono engorda o cavalo. lFrons occipite prior. [Medina 605]. VIDE: lFrons domini plus potest quam occipitium. lFrons domini plus prodest quam occipitium.

1028.Frons, oculi, vultus persaepe mentiuntur. O rosto, os olhos e a fisionomia quase sempre mentem. nQuem vê cara, não vê coração. lFrons, oculi, vultus persaepe mentiuntur: oratio vero saepissime. [Cícero, Ad Quintum 1.15]. O rosto, os olhos, a fisionomia mentem freqüentemente; a palavra, porém, com muito mais freqüência.

1029.Fronte capillata pollet occasio. [Pereira 109]. A ocasião, cabeluda na testa, tem muito poder. nAproveita, enquanto é tempo.

1030.Fronte capillata, post est occasio calva. [Dionísio Catão, Disticha 2.26]. A ocasião que tem cabelos na testa, é calva na nuca. nAproveita, enquanto o Brás é tesoureiro.

1031.Fronte et oratione magis quam ipso beneficio capiuntur homines. Os homens são cativados mais pela aparência e pela conversa que pelo próprio benefício. VIDE: lHomines fronte et oratione magis quam ipso beneficio capiuntur.

1032.Frontis nulla fides. [Juvenal, Satirae 2.8]. (Não tenhas) nenhuma confiança na cara. nQuem vê cara, não vê coração. nNão creias no que parece. nAs aparências enganam. nDebaixo de bom saio está o homem mau. VIDE: lHomo non est ex fronte diiudicandus. lNe fronti crede. lNolito fronti credere. lNulla fides fronti.

1033.Fruare dum licet. [Terêncio, Heauton Tumorumenos 344]. Aproveita enquanto se pode. nAproveita enquanto o Brás é tesoureiro.

1034.Fructibus ex propriis arbor cognoscitur omnis. [DAPR 76]. Toda árvore se conhece pelos próprios frutos. nPelo fruto se conhece a árvore. nDe tal árvore, tal fruto. lFructibus ipsa suis, quae sit, cognoscitur arbor. [Medina 604]. Pelos seus frutos conhece-se como é a própria árvore. VIDE: lArbor ex fructu cognoscitur. lDe fructu arborem cognosco. lE fetu cognosco arborem; e factis hominem iudico. lE fructu arborem cognosco. lE fructu arborem. lEx fructu arbor agnoscitur. lEx fructu arbor. lEx fructu cognoscitur arbor. lEx fructu proprio cognoscitur arbor. lUmaquaeque enim arbor de fructu suo cognoscitur.

1035.Fructu, non foliis, arborem aestima. [F 3.16 / Rezende 2106]. Há de se estimar a árvore pelo fruto, não pelas folhas. nPelas obras, e não pelo vestido, é o homem conhecido.

1036.Fructus abest, facies cum bona teste caret. [Ovídio, Ars Amatoria 3.308]. Não se tira nenhum proveito de um rosto bonito, quando não há testemunha.

1037.Fructus autem iustitiae in pace seminatur, facientibus pacem. [Vulgata, Tiago 3.18]. O fruto da justiça se semeia em paz por aqueles que fazem obras de paz.

1038.Fructus autem spiritus est caritas, gaudium, pax, patientia, benignitas, bonitas, longanimitas, mansuetudo, fides, modestia, continentia, castitas. [Vulgata, Gálatas 5.22-23]. O fruto do espírito é o amor, o gozo, a paz, a paciência, a benignidade, a bondade, a longanimidade, a mansidão, a fidelidade, a modéstia, a continência, a castidade.

1039.Fructus enim lucis est in omni bonitate, et iustitia, et veritate. [Vulgata, Efésios 5.9]. O fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça, e verdade.

1040.Fructus non sunt nisi deductis impensis. [Jur]. Não há rendimento antes de se deduzirem as despesas.

1041.Fructus pendentes pars fundi videntur. [Digesta 6.1.44]. Frutos pendentes consideram-se parte do terreno. lFructus, quamdiu solo cohaerent, fundi esse. Os frutos, enquanto estiverem ligados ao solo, fazem parte do terreno.

1042.Fructus perceptos villae non esse constat. [Digesta 19.1.17.1]. Entende-se que os frutos colhidos não fazem parte da propriedade.

1043.Fruendis voluptatibus crescit carendi dolor. [Plínio Moço, Epistulae 8.5.2]. Com o gozo da felicidade aumenta a dor de ser dela privado.

1044.Fruere die dum licet. [Branco 334]. Aproveita o dia enquanto podes. nA um bom dia, abre-se-lhe a porta. nQuando a sorte chega, abre a porta.

1045.Fruere hora. [Inscrição em relógio]. Aproveita esta hora.

1046.Fruere iucunde praesentibus, cetera extra te. Desfruta com prazer do presente, o resto está fora do teu alcance.

1047.Fruere tua fortuna. Aproveita a tua sorte. VIDE: lUtere sorte tua.

1048.Frugalitas miseria est rumoris boni. [Publílio Siro]. Frugalidade é pobreza com boa fama.

1049.Frugalitas paupertas voluntaria est. [Sêneca, Epistulae 17.5]. A frugalidade é a pobreza voluntária.

1050.Fruges consumere nati. [Horácio, Epistulae 1.2.27]. Homens nascidos (somente) para comer os frutos (da terra).

1051.Fruges quoque maturitatem stato tempore exspectant. [Quinto Cúrcio, Historiae 6.3]. Os frutos da terra também esperam um tempo fixo para amadurarem.

1052.Fruimur pro iucunditate. Gozamos das coisas por prazer.

1053.Frumenta quae sata sunt solo cedere intelleguntur. [Jur / Black 824]. Considera-se que os grãos semeados fazem parte do solo.

1054.Frusto panis conduci potest, vel uti taceat vel uti loquatur. [Aulo Gélio, Noctes Atticiae 1.15.10]. Por um pedaço de pão pode ser levado a calar ou a falar.

1055.Frusto panis libertatem suam parasitus vendit. [Schrevelius 1173]. O parasita vende sua liberdade por um pedaço de pão.

1056.Frustra aquam perdis. [Schottus, Adagia 259]. Gastas a saliva em vão. nPerdes teu latim. lFrustra aquam consumis. [Schottus, Adagia 352].

1057.Frustra autem iacitur rete ante oculos pennatorum. [Vulgata, Provérbios 1.17]. Debalde se lança a rede diante dos olhos dos que têm asas.

1058.Frustra barbam gerit. Debalde usa barba. (=Não lhe reconhecem o mérito).

1059.Frustra canis. [Schottus, Adagia 189]. Cantas em vão. nPerdes o latim.

1060.Frustra cerno te tendere contra. [Virgílio, Eneida 5.27]. Vejo-te lutar em vão.

1061.Frustra comisso claudetur ianua furto. [Pereira 97]. Em vão se trancará a porta depois de cometido o furto. nCasa roubada, trancas à porta. nAsno morto, cevada ao rabo. VIDE: lNihil iuvat amisso claudere saepta grege. lNihil iuvat amisso claudere saepem grege.

1062.Frustra, cum ad senectam ventum est, repetas adulescentiam. [Publílio Siro]. Quando se chega à velhice, é inútil desejar a volta da juventude.

1063.Frustra est potentia quae nunquam venit in actum. [Jur / Black 825]. É vã a poténcia que nunca chega a ato. lFrustra est potentia, quae non traducitur in actum. [Signoriello 142]. É inútil a potência que não se transforma em ato. lFrustra est potentia, quae non potest redigi in actum. [Signoriello 143]. É vã a potência que não se pode transformar em ato.

1064.Frustra fit per plura, quod fieri potest per pauciora. [Signoriello 114; Black 825]. É inutil fazer-se com mais o que se pode fazer com menos.

1065.Frustra habet qui non utitur. [Erasmo, Adagia 3.9.20]. Quem não usa, não lhe adianta ter. nO bocado não é de quem o faz, mas de quem o come.

1066.Frustra Herculi. [Erasmo, Adagia 2.6.35]. Contra Hércules não adianta.

1067.Frustra iacitur rete ante oculos pennatorum. [S.Beda, Proverbiorum Liber]. Em vão se atira a rede ante os olhos dos que têm asas. lFrustra rete iacitur ante oculos pennatorum. [Boncompagno, Liber de Obsidione Anconae 18].

1068.Frustra laborat qui omnibus placere studet. Cansa-se em vão quem tenta agradar a todos. nNinguém agrada a todos.

1069.Frustra laborat vir qui consilio caret. [Schottus, Adagia 605]. Trabalha em vão o homem que não tem prudência.

1070.Frustra legis auxilium invocat qui in legem committit. [Jur / Broom 233]. Invoca em vão o auxílio da lei quem age contra ela. lFrustra legis auxilium quaerit qui in legem committit. VIDE: lBeneficium legis frustra implorat qui committit in legem. lLegis auxilium frustra invocat, qui committit in legem.

1071.Frustra legit, qui non intellegit. [Rezende 2109]. Lê em vão quem não compreende. nLer sem entender é caçar sem colher. VIDE: lLegere enim et non intellegere est neglegere.

1072.Frustra nititur quis, si non innititur. [S.Bernardo / Bernardes, Luz e Calor 1.220.43]. Em vão se faz força, se não se tem onde se apoiar. nNão faças força, se não tens repuxo.

1073.Frustra parat opes, qui veris animi bonis vacat. Inutilmente junta riquezas aquele a quem faltam os verdadeiros bens do espírito.

1074.Frustra petis quod mox es restiturus. [Jur / Black 825]. Não adianta pedir o que logo vais devolver.

1075.Frustra petis quod statim alteri reddere cogeris. [Jur / Black 825]. Pedes em vão aquilo que poderás logo ser obrigado a devolver a outrem.

1076.Frustra pöeticas fores compos sui pepulit. [Platão / Sêneca, De Tranquillitate Animi 17.10]. A mente sã bate em vão às portas da poesia.

1077.Frustra putat, qui secum rationes putat. [DAPR 204]. Calcula em vão quem faz as contas sozinho. nQuem conta sem o hóspede, conta duas vezes.

1078.Frustra rogatur, qui misereri non potest. [Publílio Siro]. Implora-se em vão a quem não pode apiedar-se.

1079.Frustra sapiens qui sibi non sapit. [Rezende 2110]. É sábio em vão quem não sabe para si. nEm vão sabe quem não sabe para si. nQuem não sabe para si não ponha escola. VIDE: lNequicquam sapit qui sibi non sapit. lNequicquam sapit qui sibi nihil sapit. lNon est sapiens qui sibi non est.

1080.Frustra saxum volvit Sisyphus. [Schrevelius 1176]. Sísifo rola sua pedra em vão.

1081.Frustra senem lapsum in iuventa corrigas. [Apostólio, Paroimiai 6.15]. Em vão tentarás corrigir o velho que escorregou na juventude.

1082.Frustra seretis sementem, quae ab hostibus devorabitur. [Vulgata, Levítico 26.16]. Baldadamente semeareis o vosso grão, que será comido pelos inimigos.

1083.Frustra speculatores dicimur, si venientem lupum a longe non cernimus. [Bernardes, Nova Floresta 3.216]. Não adianta sermos chamados de vigias, se não vemos de longe o lobo que se aproxima.

1084.Frustra sperabis ab alio, quod ipse tibi praestare noluisti. [Pereira 115]. Esperarás em vão de outrem o que não quiseste fazer para ti. nO bem que não fizeres, dos teus não esperes. nQuem quer vai, quem não quer manda.

1085.Frustra sperat, qui Deum non timet. Quem não teme a Deus, espera em vão.

1086.Frustra tantos labores suscepi. Suportei em vão tão grandes sofrimentos.

1087.Frustra tenetur ille qui statuit mori. [Sêneca, Hercules Oetaeus 922]. Em vão se detém aquele que decidiu morrer.

1088.Frustra vigilat. [Rezende 2113]. Vigia em vão.

1089.Fucum fecit. [Branco 492]. Enganou. nVendeu gato por lebre.

1090.Fuga tutior. [Grynaeus 205]. A fuga é mais segura. nAntes fuga pronta que má espera.

1091.Fugacem dirigit umbram. [Inscrição em relógio de sol]. (O sol) dá rumo à sombra fugidia (do ponteiro).

1092.Fugaces labuntur anni. [Horácio, Carmina 2.14]. Os anos passam fugindo. VIDE: lEheu! fugaces labuntur anni!

1093.Fugax rerum, securaque in otia natus. [Ovídio, Tristia 3.2.9]. É um inimigo dos negócios, nascido para a tranqüilidade e o ócio.

1094.Fuge, late, tace. Foge, esconde-te, cala-te.

1095.Fuge lites cum viro maiore. [Pereira 114]. Evita demandas com homem mais poderoso. nNem zombando, nem de veras, com teu amo não partas peras. nAo homem maior, dá-lhe a honra. VIDE: lCum domino semper pugna sinistra fuit. lCum principe non pugnandum. lHabeas nunquam magno cum principe litem. lLites cum rege molestae. lMaiorem vitato virum. lNemo potentes aggredi tutus potest. lNon habeas unquam magno cum principe litem: cum domino semper pugna sinistra fuit. lOffensa potentium periculosa. lPotenti irasci, sibi periclum est quaerere. lSemper vitato potentem.

1096.Fuge magna; licet sub paupere tecto reges et regum vita praecurrere amicos. [Horácio, Epistulae 1.10.32]. Evita as grandezas; a vida sob um teto pobre pode deixar para trás os reis e os favoritos dos reis.

1097.Fuge procul a viro maiore. [Erasmo, Adagia 3.4.60]. Afasta-te do homem mais poderoso do que tu. VIDE: lCave a commercio potentium: habe commercium cum aequalibus. lCave virum maiorem. lCavendum a potentiore. lCum viro potentiore ne communica. lPondus super se tollet qui honestiori se communicat. lQui te fortior est, hunc tu vitare memento.

1098.Fugi mala, habens meliora. [Schottus, Adagia 589]. Fugi do ruim, conseguindo o melhor. nA quem se muda Deus ajuda. VIDE: lEffugi malum, inveni bonum. lEffugi mala, inveni meliora. lEvasi mala, sum nactus meliora.

1099.Fugienda otiositas, mater nugarum, noverca virtutum. Deve-se evitar a ociosidade, mãe das frivolidades, madrasta das virtudes.

1100.Fugienda petimus. [Sêneca, Hippolytus 699]. Buscamos sempre o que deveríamos evitar.

1101.Fugienda semper iniuria est. [Cícero, De Officiis 1.8]. A injustiça deve sempre ser evitada.

1102.Fugiendae sunt nimiae amicitiae. [Cícero, De Amicitia 13]. Devem-se evitar as amizades exageradas.

1103.Fugiendo in media saepe ruitur fata. [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 8.24, adaptado]. Quem quer fugir ao seu destino muitas vezes vem ao encontro dele.

1104.Fugiens ursum, incidit in leonem. Quem fugia do urso esbarrou no leão. nFugiu do lodo, caiu no arroio. VIDE: lFugientes fumum in ignem incidimus. lFumum fugiens, in ignem incidi. lFumum fugi, in ignem incidi. lIncidit in flammas, cupiens vitare favillas. lQui fugit patellam, cadit in prunas.

1105.Fugiens vir haud strepitu moratur lyrae. [Schottus, Adagia 24]. Homem que foge, não pára por causa do som da lira. VIDE: lVir fugiens haud moratur concertum lyrae. lVir fugiens haud moratur lyrae strepitum. lVir fugiens non exspectat lyrae strepitum. lVir qui fugit, lyrae sonitum haud moratur. lVir vero fugiens non moratur barbitum.

1106.Fugientes fumum in ignem incidimus. [Grynaeus 494]. Fugindo da fumaça e caímos no fogo. nFugi do alcaide, caí no meirinho. nFugi do lobo, caí no arroio. VIDE: lFugiens ursum, incidit in leonem. lFumum fugiens, in ignem incidi. lFumum fugi, in ignem incidi. lIncidit in flammas, cupiens vitare favillas. lQui fugit patellam, cadit in prunas.

1107.Fugit Euro citius tempus edax rerum. Mais depressa que o Euro foge o tempo devorador das coisas. (=Eurus. Euro, vento do leste).

1108.Fugit gloria sequentem et sequitur fugientem. A glória foge de quem persegue e persegue quem dela foge. VIDE: lHonor sequitur fugientem.

1109.Fugit hora. [Pérsio, Satirae 5.153]. O tempo foge. nO tempo voa. VIDE: lHora fugit. lHorae volant.

1110.Fugit impius, nemine persequente; iustus autem, quasi leo confidens, absque terrore erit. [Vulgata, Provérbios 28.1]. Foge o ímpio, mesmo que ninguém o persiga; o justo, porém, como o leão afoito, estará sem terror.

1111.Fugit irreparabile tempus. [Virgílio, Georgica 3.284]. Foge irrecuperável o tempo. nO tempo vai e não volta. nVai-se o tempo como o vento. nTempo e maré não esperam por ninguém. nTempo e hora não se ata com soga. nVoa o tempo e não volta.

1112.Fugit iuventas. [Horácio, Epodon 17.21]. Nossa juventude foge de nós.

1113.Fugit mens et consilium ab eis. [Vulgata, Judite 15.1]. Perderam a razão e o conselho.

1114.Fugit te ratio. [Plauto, Amphitruo 228]. Fugiu-te a razão. nPerdeste o juízo.

1115.Fugite ab idolorum cultura. [Vulgata, 1Coríntios 10.14]. Fugi da idolatria.

1116.Fugit hora, ora. [Inscrição em relógio de sol]. A hora foge. Reza.

1117.Fugit umbra, caritas manet. [Inscrição em relógio de sol]. A escuridão vai embora, o amor permanece.

1118.Fugite delicias, fugite enervantem felicitatem, qua animi permadescunt. [Sêneca, De Providentia 4.9]. Fugi do prazer, fugi do sucesso enfraquecedor, que debilita o espírito do homem.

1119.Fugiunt amici a male gerente res suas. [Schottus, Adagia 605]. Fogem os amigos daquele que administra mal seus interesses.

1120.Fuimus Troës. Nós fomos troianos. lFuit Ilium. Tróia existiu. (=Tróia não existe mais). nAlgum dia fomos gente. nJá não somos quem ser soíamos. nAcabou-se o que era doce. nLá se foi tudo quanto Marta fiou. nFoi tudo para o beleléu. lFuimus Troës, fuit Ilium. [Virgílio, Eneida 2.325]. Nós fomos troianos, Tróia existiu. (=Não há mais troianos, Tróia já não existe mais!). VIDE: lIlium fuit. lTroia fuit.

1121.Fuit haec sapientia quondam, publica privatis secernere, sacra profanis. [Horácio, Ars Poetica 396]. Era esta outrora a sabedoria: distinguir o público do privado, o sagrado do profano.

1122.Fuit quoddam tempus, cum in agris homines passim bestiarum modo vagabantur, et sibi victu fero vitam propagabant. [Cícero, De Inventione 1.2]. Houve um tempo em que os homem vagavam nos campos de um lado para o outro, como os animais, e prolongavam sua vida usando alimentação selvagem.

1123.Fulgebunt iusti, et tamquam scintillae in arundineto discurrent. [Vulgata, Sabedoria 3.7]. Os justos brilharão, e correrão como centelhas por um canavial.

1124.Fulgorem cernimus ante quam tonitrum accipimus. [Lucrécio, De Rerum Natura 6.173]. Percebemos o raio antes de ouvir o trovão.

1125.Fulmen detulit in terras mortalibus ignem primitus; inde omnis flammarum diditur ardor. [Lucrécio, De Rerum Natura 5.1093]. Foi o raio que pela primeira vez levou o fogo à terra para os mortais; daí provém todo o calor das chamas.

1126.Fulmen est, ubi cum potestate habitat iracundia. [Publílio Siro]. Ocorre o raio, quando a cólera mora com o poder.

1127.Fumo comburi nihil potest, flamma potest. [Plauto, Curculio 54]. Pela fumaça nada pode ser queimado, pela chama pode. nPalavras sem obras são tiros sem balas.

1128.Fumo periit qui fumum vendidit. Quem vendeu fumaça morreu na fumaça. nQuem vive de arte e manha, morre no ar como uma aranha.

1129.Fumos vendere. [Erasmo, Adagia 1.3.41]. Vender fumaça. nGrandes atoardas, tudo nada. VIDE: lVendere fumum. lVendere fumos.

1130.Fumum fugi, in ignem incidi. [Marcial, Epigrammata 4.5.7]. Fugi da fumaça e caí no fogo. nFugi do alcaide, caí no meirinho. nFugi do lobo, caí no arroio. lFumum fugiens, in ignem incidi. [Apostólio, Paroimiai 19.14]. VIDE: lFugientes fumum in ignem incidimus. lIncidit in flammas, cupiens vitare favillas. lQui fugit patellam, cadit in prunas.

1131.Fumum pro fulgore dare. [Pereira 124]. Dar fumaça em lugar de raio. nVender gato por lebre.

1132.Fumus? Ergo ignis. [DAPR 314]. Há fumaça? Portanto há fogo. nOnde há fumo, há fogo. VIDE: lNon est fumus absque igne.

1133.Fumus indicium est flammae mox erupturae. [Grynaeus 213]. A fumaça é um indicador de que logo vão levantar-se chamas.

1134.Fumus persecutionis. [Jur]. Suspeita de perseguição.

1135.Fumus pulchriorem persequitur. [Rezende 2123]. nVai o fumo para o mais formoso.

1136.Fundamenta scientiae. Os fundamentos do conhecimento.

1137.Fundamenta tamquam in aqua ponere. [Cícero, De Finibus 2.22.72]. Colocar os alicerces dentro d'água.

1138.Fundamentum iustitiae est fides. O alicerce da justiça é a confiança. lFundamentum autem est iustitiae fides, id est, dictorum conventorumque constantia et veritas. [Cícero, De Officiis 1.7.23]. O fundamento da justiça é a confiança, isto é, a constância e a sinceridade no que se diz e no que se convenciona.

1139.Fundatio. [Jur]. Uma fundação. VIDE: lUniversitas bonorum. lUniversitas rerum.

1140.Fundum alienum arat, incultum familiarem deserit. [Plauto, Asinaria 851]. (O adúltero) ara o campo alheio e deixa inculto o da família. nO sandeu cuida do alheio e esquece o seu. VIDE: lAlienum aras arvum. lAlienum arare fundum.

1141.Funem abrumpis nimium tendendo. [Erasmo, Adagia 1.5.67]. Esticando demais, rompes a corda. nCorda puxada se quebra. VIDE: lNe abrumpamus funem, nimium tendendo. lNimium tendendo rumpi funiculus solet. lRumpetur tensus funiculus. lRumpetur tensus funis. lVide ne abrumpamus, dum nimium tendimus funiculum.

1142.Funem ducere. [Horácio, Epistulae 1.10.48]. Puxar o cordão. (=Dirigir. Comandar).

1143.Funem ex arena efficere. Fazer corda de areia. nBuscar água em fonte seca. VIDE: lEx arena funiculum nectis. lEx arena funem efficere. lEx arena funem facere.

1144.Funem reduco. [Pérsio, Satira 5.118]. Puxo de volta a corda. nEncurto a rédea.

1145.Funem sequi. [Horácio, Epistulae 1.10.48]. Seguir a corda. (=Obedecer).

1146.Funera plango, fulgura frango, sabbata pango; excito lentos, dissipo ventos, paco cruentos. [Inscrição em sino / Rezende 2131]. Dobro pelos funerais, quebro os raios, anuncio o sábado, acordo os preguiçosos, dissipo os ventos, pacifico os briguentos.

1147.Funere saepe viri vir quaeritur. [Ovídio, Ars Amatoria 3.431]. Muitas vezes se procura um marido no funeral do marido. nPerda de marido, perda de alguidar: um quebrado, outro no poial.

1148.Fungino genere est; subito crevit de nihilo. [Henderson, Latin Proverbs / Stevenson 1642]. Ele é da espécie dos cogumelos: de repente surge do nada.

1149.Fungus una nocte nascitur. [Grynaeus 421]. O cogumelo nasce numa noite. VIDE: lRepente oritur non exspectatum.

1150.Funiculis ligatum vel puer verberaret. Num homem amarrado com cordas até uma criança bateria. nDe árvore caída todos fazem lenha. nLeão moribundo, cachorro lhe mija.

1151.Funiculus in fine levissima tensione rumpitur. [Bacon, De Seditionibus et Turbis, 8]. No fim a corda se rompe com um pequeno puxão.

1152. Funiculus iste piscium attrahit nihil. [Schottus, Adagia 605]. Esse anzol não atrai nenhum peixe. VIDE: lHic funis nihil attraxit. lNempe ipse funis prorsus attraxit nihil.

1153.Funiculus triplex difficile rumpitur. [Vulgata, Eclesiastes 4.12]. A corda de três fios dificilmente se rompe. lFuniculus triplex non facile rumpitur. [Grynaeus 125]. lFuniculus triplex indissolubilis. [Grynaeus 124]. Cordão tresdobrado não se pode quebrar. lFuniculus triplex difficile rumpitur, curiositatis, voluptatis, et vanitatis. [S.Bernardo / Bernardes, Nova Floresta 1.376]. É dificultoso de quebrar o cordão tresdobrado da curiosidade, do prazer e da vaidade.

1154.Funis secutus est ferulam. [Rezende 2134]. A corda seguiu a vara. nAonde vai a corda, vai a caçamba.

1155.Fur non venit nisi ut furetur, et mactet, et perdat. [Vulgata, João 10.10]. O ladrão não vem senão a furtar, e a matar, e a perder.

1156.Furatur litoris arenas. [Erasmo, Adagia 4.2.39]. Ele furta até a areia da praia. (=Diz-se do avarento).

1157.Furem fur cognoscit, et lupum lupus. [Albertatius 494; Pereira 100]. Ladrão conhece ladrão, e lobo conhece lobo. nUm ruim conhece outro. nNunca lobo mata outro. nCorvos a corvos não se tiram os olhos. nUm gambá cheira outro. lFur furem cognoscit, et lupum lupus. [Rezende 2136]. VIDE: lGraculus a graculo, fur a fure cognoscitur, lupus a lupo.

1158.Furem praeda vocat. [Pereira 115]. A presa chama o ladrão. nO buraco chama o ladrão.

1159.Furem signata sollicitant. [Sêneca, Epistulae 68.4]. As coisas trancadas atraem o ladrão. nO proibido aguça o dente. VIDE: lVile videtur quidquid patet; aperta effractarius praeterit. [VIDE: lIpsa furem cura vocat.

1160.Furere dicuntur qui graviore iracundia vel dolore vel timore moti, non sunt in potestate mentis. Diz-se que estão loucos aqueles que, movidos por grande ira, dor ou medo, não estão de posse da própria mente.

1161.Fures clamorem metuunt. [DAPR 447]. Os ladrões temem o clamor. nTeme quem deve, e quem não deve não teme. nA quem mal vive, o medo o segue. lFures clamorem timent. [Pereira 123]. lFures clamorem subtiment. lFures clamorem. [Erasmo, Adagia 1.2.66].

1162.Fures privatorum furtorum in nervo atque in compedibus aetatem agunt; fures publici in auro atque in purpura. [Marcos Catão, Praeda Militibus Dividenda / Aulo Gélio, Noctes Atticae 11.18]. Os ladrões dos bens dos particulares vivem na prisão e nos grilhões; os ladrões públicos vivem no ouro e na púrpura.

1163.Furibus furetur, quod queat. [Plauto, Bacchides 620]. Que furte aos ladrões quanto puder. nLadrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.

1164.Furibus pugnantibus furta fiunt palam. [Medina 609]. Quando os ladrões brigam, os furtos se tornam conhecidos. nBrigam os ladrões, descobrem-se os furtos. nBrigam as comadres, descobrem-se as verdades.

1165.Furiosi autem nulla voluntas est. [Digesta 50.17.40]. O louco não tem vontade.

1166.Furiosus absentis loco est. [Digesta 50.17.124.1]. O louco é como o ausente.

1167.Furiosus furore suo punitur. [Stevenson 1500]. O louco é punido por sua própria loucura. lFuriosus solo furore punitur. VIDE: lSufficit furiosum ipso furore puniri.

1168.Furiosus nullum negotium contrahere potest. [Digesta 50.17.5]. O louco não pode contrair nenhum negócio. lFuriosus nullum negotium gerere potest quia non intellegit quid agat. [Gaio 3.106]. O louco não pode gerir nenhum negócio, porque não entende o que faz.

1169.Furor arma ministrat. [Virgílio, Eneida 1.150]. A cólera proporciona as armas.

1170.Furor contrahi matrimonium non sinit, quia consensu opus est. [Digesta 23.2.16.2]. A loucura não permite que se contraia matrimônio, porque é necessário o consenso.

1171.Furor est non omnibus idem. [Schottus, Adagia 233]. A loucura não é a mesma em todos. lFuror est haud omnibus idem. [Schottus, Adagia 589]. VIDE: lInsania non omnibus eadem.

1172.Furor est, post omnia, perdere naulum. [Juvenal, Satirae 8.96]. É loucura, depois de (perder) tudo, perder também o dinheiro da passagem.

1173.Furor fit laesa saepius patientia. [Publílio Siro]. A paciência ofendida geralmente se transforma em cólera. nPaciência tem limite.

1174.Furor iraque mentem praecipitant. [Virgílio, Eneida 2.316]. O furor e a ira afastam o raciocínio. nA fúria não espera razão.

1175.Furor loquendi. O furor de falar. A loquacidade.

1176.Furor pöeticus. [Stevenson 1819]. O entusiasmo poético.

1177.Furor scribendi. A mania de escrever. O entusiasmo de escrever.

1178.Furtim eiaculari lapidem. [Pereira 109]. Atirar a pedra às escondidas. nAtirar a pedra e esconder a mão.

1179.Furtivus potus plenus dulcidine totus. [R.C.Trench / Stevenson 1894]. A bebida roubada é toda cheia de prazer. nFruto proibido é mais querido. nNão há melhor bocado do que o furtado. VIDE: lAquae furtivae dulciores. lAquae furtivae dulciores sunt, et panis absconditus suavior.

1180.Furtum committit qui de alieno elargitur. [Jur]. Comete furto quem faz liberalidade com o alheio. VIDE: lSpecies furti ex bonis alterius invito domino quicquam largiri.

1181.Furtum enim sine affectu furandi non committitur. [Gaio 2.50; Digesta 41.3.37]. Não se comete furto sem a intenção de furtar.

1182.Furtum sine dolo malo non committitur. [Jur]. Não se comete furto sem dolo.

1183.Furvum diaboli nomen est in amoribus. [Prudêncio]. O nome tenebroso do diabo está nos amores.

1184.Fuscus ager fructus et farra ministrat omnia. [DAPR 631]. Terra preta produz frutas e pão abundante. nDiz o rifão: terra negra dá bom pão. lFuscus ager fructus et farra ministrat opima.

1185.Futura pugnant ne se superari sinant. [Publílio Siro]. O futuro luta para não se deixar governar. nO que tem de ser tem muita força. lFutura pugnant, nec se superari sinunt. O futuro luta e não se deixa governar.

 

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