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DICIONÁRIO  DE  EXPRESSÕES  E  FRASES  LATINAS
Compilado por HENERIK KOCHER

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401. Causas agam Cicerone disertius ipso. [Marcial, Epigrammata 3.38.3]. Defenderei a causa com mais eloqüência do que o próprio Cícero.

402. Causidicos, scribas, medicos vitare memento. [Pereira 102]. Lembra-te de evitar os advogados, os escreventes e os médicos. nDeus te guarde do párrafo do legista, do infra do canonista, do etcétera do escrivão e do récipe do mata-são.

403. Caute, si non caste. Com cautela, se não com castidade. nSe não fores casto, sê cauto. VIDE: lNisi castus, saltem cautus. lNisi caste, saltem caute. lSi non caste, saltem caute. lSi non caste, et tamen caute.

404. Cautio fideiussoria. [Jur / Black 293]. Caução fidejussória.

405. Cautio pignoratitia. [Jur / Black 293]. Caução pignoratícia.

406. Cautio pro expensis. [Jur / Black 294]. Caução por despesas. lCautio pro expensis iudicialibus. [Jur]. Caução por despesas judiciais.

407. Cautis pericla prodesse aliorum solent. Os perigos dos outros beneficiam os cautelosos.

408. Cautus metuit foveam lupus. O lobo cauteloso tem medo de entrar em toca. nMacaco velho não trepa em galho seco. lCautus enim metuit foveam lupus, accipiterque suspectos laqueos, et opertum milvius hamum. [Horácio, Epistulae 1.16.50]. O lobo cauteloso teme a caverna, e o gavião, os laços supeitos, e o milhafre, o anzol oculto.

409. Cave! Cuidado!

410. Cave a commercio potentium: habe commercium cum aequalibus. [Grynaeus 205]. Evita negócios com os poderosos: faze negócios com teus iguais. VIDE: lCave virum maiorem. lCavendum a potentiore. lCum viro potentiore ne communica. lFuge procul a viro maiore. lPondus super se tollet qui honestiori se communicat. lQui te fortior est, hunc tu vitare memento.

411. Cave a consequentariis. [Rezende 727]. Desconfia daqueles que esmiuçam muito.

412. Cave a signatis. Cuidado com as pessoas diferentes. nA homem ruivo e a mulher barbuda de longe os saúda. VIDE: lCavete ab iis quos natura signavit.

413. Cave ab eo quem non novisti. [Erpênio / Rezende 726]. Cuidado com quem não conheces.

414. Cave ab homine unius libri. [Maloux 306]. Cuidado com o homem de um só livro. (=Não disputes com quem conhece profundamente a matéria). nDeus me livre do homem de um livro só. VIDE: lTimeo hominem unius libri. lTimeo virum unius libri. lTimeo lectorem unius libri.

415. Cave amicum credas, nisi si quem probaveris. [Publílio Siro]. Evita confiar num amigo antes de tê-lo provado.

416. Cave ancillam. Cuidado com a criada. nParedes têm ouvidos.

417. Cave canem. [Petrônio, Satiricon 29]. Cuidado com o cão. (=Aviso à entrada das casas).

418. Cave et diligenter attende, ne cum homine malo loquaris. [Sêneca, Epistulae 10.1]. Fica atento e toma cuidado para que não tenhas relaçòes com nenhum homem desonesto.

419. Cave furem. Cuidado com o ladrão.

420. Cave ignoscas. Trata de não ignorar. Trata de não perdoar.

421. Cave illum semper, qui tibi imposuit semel. [PSa]. Desconfia sempre daquele que te enganou uma vez. nQuem faz uma vez faz duas e três. VIDE: lCavendum ab eo qui semel imposuit.

422. Cave multos, si singulos non times. [Grynaeus 116]. Toma cuidado com grupos, se não temes indivíduos. nO que um não pode, muitos fazem. nContra dois, nem Hércules. VIDE: lDifficile ac durum est, unum compescere multos. lNe Hercules quidem adversus duos. lNe Hercules quidem contra duos. lNe quidem Hercules adversus duos. lNec Hercules contra plures. lNoli pugnare duobus. lUni cum duobus non est pugnandum.

423. Cave ne aliquando peccato consentias, et praetermittas praecepta Dei nostri. [Vulgata, Tobias 4.6]. Guarda-te de consentir jamais no pecado e de violar os preceitos de nosso Deus.

424. Cave ne cadas! [Plauto, Mostellaria 319]. Cuidado para não caíres. nOlho vivo! nQuem muito alto vai, de muito alto cai.

425. Cave ne litteras Bellerophontis afferas. Cuidado para que não leves uma carta de Belerofonte. (=Preto, rei de Argos, mandou Belerofonte a seu cunhado, rei da Lícia, com cartas de recomendação em que, em sinais misteriosos, estava escrita a ordem de matar o portador). VIDE: lBellerophontis litteras tulit.

426. Cave ne nimia mellis dulcedine diutinam bilis amaritudinem contrahas. [Apuleio, Metamorphoses 2.10]. Toma cuidado para que com a excessiva doçura do mel não recebas uma duradoura amargura de fel.

427. Cave ne obliviscaris. [Vulgata, Deuteronômio 25.19]. Não te esqueças.

428. Cave ne quicquam aspere loquaris. [Vulgata, Gênesis 31.24]. Não digas coisas que ofendam.

429. Cave quicquam incipias, quod paeniteat postea. [Publílio Siro]. Cuidado para não começares nada de que depois te arrependas. lCave ne quicquam incipias quod post paeniteat.

430. Cave quid dicis, quando, et cui. [Lodeiro 234]. Cuidado com o que dizes, quando dizes, e a quem dizes.

431. Cave tibi a cane muto et aqua silenti. [Grynaeus 213]. Cuidado com o cão que não late e com a água silenciosa. nCuidado com o homem que não fala e com o cão que não ladra. nA água silenciosa é a mais perigosa. nBoi sonso, marrada certa. lCave tibi ab aquis silentibus et a cane muto. [Rezende 738]. VIDE: lAb homine et flumine taciturno cave.

432. Cave ut recte eloquaris. Trata de falar corretamente.

433. Cave virum maiorem. [Schottus, Adagia 348]. Cuidado com o homem poderoso. VIDE: lCave a commercio potentium: habe commercium cum aequalibus. lCavendum a potentiore. lCum viro potentiore ne communica. lFuge procul a viro maiore. lPondus super se tollet qui honestiori se communicat. lQui te fortior est, hunc tu vitare memento.

434. Caveant consules! Que os cônsules tomem cuidado. nCuidado! nOlho vivo! lCaveant consules ne quid detrimenti republica capiat. Que os cônsules tomem cuidado para que o país não sofra nenhum dano. (=Fórmula com que o Senado Romano, nas grandes crises, investia os cônsules de poder ditatorial).

435. Caveat actor. [Jur / Black 294]. Acautele-se o autor.

436. Caveat emptor! [Jur / Black 294]. Acautele-se o comprador! nQuem compra precisa de cem olhos, quem vende, apenas de um. lCaveat emptor, qui ignorare non debuit quod ius alienum emit. [Jur / Broom 605;. Maloux 4]. Cuide-se o comprador, pois ele não devia ignorar a natureza da propriedade de outrem que ele compra.

437. Caveat populus. Que o povo tome cuidado.

438. Caveat venditor. [Jur / Black 294]. Acautele-se o vendedor.

439. Caveat viator. [Jur / Black 295]. Acautele-se o viajante. (=Caberia ao viajante identificar e evitar os defeitos da estrada).

440. Cavendam esse felem, quae a fronte lingat et a tergo laedat. [DAPR 257]. Deve-se tomar cuidado com o gato que pela frente lambe e por trás fere. nPor diante faço acato, e por detrás el-rei mato.

441. Cavendi nulla est dimittenda occasio. [Publílio Siro]. Não deve ser desprezada nenhuma ocasião de precaver-se. nA desconfiança é a mãe da segurança. nO seguro morreu de velho. nOnça que dorme no ponto vira tapete.

442. Cavendo tutus. [Rezende 734]. Sendo cauteloso, ficarás seguro. nConfiar desconfiando.

443. Cavendum a potentiore. [Erasmo, Adagia 3.8.38]. Deve-se tomar cuidado com quem tem mais poder. nCom teu amo não jogues as peras, porque ele come as maduras e deixa-te as verdes. VIDE: lCave a commercio potentium: habe commercium cum aequalibus. lCave virum maiorem. lCum viro potentiore ne communica. lFuge procul a viro maiore. lPondus super se tollet qui honestiori se communicat. lQui te fortior est, hunc tu vitare memento.

444. Cavendum ab amicis qui suos, cum non illis egent, deserunt. [Branco 233]. Cuidado com os amigos que abandonam os seus, quando deles não precisam. nAmigo de mesa não é de firmeza. nPão comido, companhia desfeita.

445. Cavendum ab eo qui semel imposuit. [Erasmo, Adagia 3.8.51]. Deve-se tomar cuidado com quem enganou uma vez. nQuem faz uma vez faz duas e três. VIDE: lCave illum semper, qui tibi imposuit semel.

446. Cavendum est ne assentatoribus patefaciamus aures, nec adulari nos sinamus. [Cícero, De Officiis 1.26]. Devemos estar atentos para não darmos ouvidos aos lisonjeiros, nem permitirmos que sejamos adulados. nAcautela-te de quem te lisonjeia.

447. Cavendum est ne maior poena quam culpa sit. [Cícero, De Officiis 1.25]. Deve-se tomar cuidado para que a pena não seja maior do que o crime.

448. Cavendum ne fiat pro consilio convicium. [Erasmo / Stevenson 430]. Cuidado para que não ocorra um insulto em lugar de um conselho.

449. Cavendum vero est ne etiam in graves inimicitias convertant se amicitiae. [Cícero, De Amicitia 21]. Deve-se evitar que as amizades se convertam em graves inimizades.

450. Cavendus tamen dolus est. Deve-se, no entanto, tomar cuidado com a má-fé.

451. Cavete a macilento non famelico. [Rezende 737]. Cuidado com o magro que não tem fome. nHomem magro sem ter fome vale por dois homens.

452. Cavete ab iis quos natura signavit. [Pereira 94]. Tende cuidado com aqueles que a natureza marcou. nA homem ruivo e a mulher barbuda de longe os saúda. nDeus, que o marcou, alguma coisa nele achou. VIDE: lCave a signatis.

453. Cavete ab omni avaritia. [Vulgata, Lucas 12.15]. Acautelai-vos de toda avareza.

454. Cavete ne forte decipiatur cor vestrum. [Vulgata, Deuteronômio 11.16]. Guardai-vos, que o vosso coração não se engane.

455. Cavete ne quis vos decipiat per philosophiam. [Vulgata, Colossenses 2.8]. Cuidado para que ninguém vos engane sob a máscara da filosofia.

456. Cavete proditionem. [Sêneca Retórico, Controversiae 7]. Cuidado com a traição.

457. Cavillationem cavillatione repellere licet. [Jur]. É permitido repelir uma astúcia com outra astúcia.

458. Cavillationes iuris. Os artifícios do direito.

459. Cecidit sors super Mathiam. [Vulgata, Atos 1.26]. A sorte caiu em Matias. lCecidit sors super Ionam. [Vulgata, Jonas 1.7]. A sorte caiu sobre Jonas.

460. Cedant arma legibus. Submetam-se os exércitos às leis.

461. Cedant arma togae. [Cícero, De Officiis 1.22.77]. Submetam-se os exércitos à toga. (=Divisa do Estado de Wyoming, EUA). nA pena é mais perigosa que a espada. lCedant arma togae, concedat laurea laudi. [Cícero, De Officiis 1.77; De Consulatu Suo]. Que as armas cedam à toga, que se concedam louros ao mérito. lCedant arma togae, concedat laurea linguae. Que as armas cedam à toga, que se concedam os louros à eloqüência.

462. Cedant carminibus reges regumque triumphi. [Ovídio, Amores 1.15.33]. Submetam-se à poesia os reis e os triunfos dos reis.

463. Cedat unus multitudini. [Schrevelius 1173]. O indivíduo deve ceder à multidão. nContra a força não há resistência. VIDE: lCedendum multitudini. lSuperat unum turma.

464. Cede Deo. Submete-te a Deus. lCede deo. [Virgílio, Eneida 5.466]. Submete-te ao deus.

465. Cede praestantiori viro. [Schottus, Adagia 259]. Cede ao homem mais importante. nCom teu amo não jogues as peras. VIDE: lMaiori concede.

466. Cede repugnanti, cedendo victor abibis. [Ovídio, Ars Amatoria 2.197]. Cede a quem te resiste: cedendo sairás vencedor. nMais vale descoser que romper.

467. Cede, Venus cedit; si stas, magis impia laedit; si fugies Veneris proelia, tutus eris. [Bernardes, Nova Floresta 2.334]. Recua, Vênus recua; se páras, a impiedosa fere mais; se fugires dos combates de Vênus, estarás seguro.

468. Cedendum est malis. [Sêneca, Troades 509]. É preciso submeter-se à desgraça.

469. Cedendum multitudini. [Erasmo, Adagia 3.9.60]. Deve-se ceder à multidão. nContra a força não há resistência. VIDE: lCedat unus multitudini. lSuperat unum turma.

470. Cedendum tempori. Devemos submeter-nos às circunstâncias.

471. Cedere maiori non est pudor inferiori. [Walther / Tosi 1264]. Submeter-se ao mais poderoso não é vergonha para o mais fraco. nAo mais potente cede o mais prudente.

472. Cedere maiori virtutis fama secunda est. [Marcial, De Spectaculis 32.1]. Ceder ao mais forte é receber o prêmio de segundo em coragem.

473. Cedere nolo Iovi, sed cedere cogor Amori. Não quero submeter-me a Júpiter, mas sou obrigado a submeter-me ao Amor.

474. Cedere ovile lupo. [Ovídio, Ars 2.364]. Entregar o ovil ao lobo.

475. Cedere temporibus sapiens vir debet iniquis. O sábio deve-se submeter aos tempos difíceis.

476. Cedit amor rebus: res age, tutus eris. [Ovídio, Remedium Amoris 144]. O amor foge do trabalho: cuida dos negócios, estarás seguro (contra o amor).

477. Cedit enim rerum novitate extrusa vetustas. [Lucrécio, De Rerum Natura 3.967]. A velha ordem recua, expulsa pela novidade das coisas.

478. Cedit oneri fortuna suo. [Sêneca, Agamemnon 89]. A sorte cede a seu próprio peso.

479. Cedit viribus aequum. [Ovídio, Tristia 5.7.47]. O direito se submete à força.

480. Cedo nulli. [Erasmo]. Não me submeto a ninguém.

481. Cedunt mores rebus secundis. Na prosperidade os costumes recuam.

482. Celabitur auctor. O autor permanecerá desconhecido. VIDE: lPraecepta canam, celabitur auctor.

483. Celari vult sua furta Venus. [Tibulo, Elegiae 1.2.36]. Vênus deseja que seus furtos fiquem ocultos.

484. Celatim. Em segredo.

485. Celebremus nomen nostrum antequam dividamur in universas terras. [Vulgata, Gênesis 11.4]. Façamos célebre o nosso nome, antes que nos espalhemos por toda a terra.

486. Celerem habet ingressum amor, regressum tardum. O amor tem rápida entrada, mas saída demorada.

487. Celerem oportet esse amatoris manum. [Plauto, Bacchides 737]. A mão do namorado tem de ser rápida.

488. Celeres quatit pennas fortuna. [Horácio, Carmina 3.29.49, adaptado]. A sorte bate as céleres asas.

489. Celeritas et veritas. [Divisa]. Prontidão e verdade.

490. Celeritas in malis optima. [Erasmo, Adagia 5.1.85]. Nas situações difíceis, a rapidez é melhor. VIDE: lUrgentibus malis celeritas optima est.

491. Celeritatem in loquendo oderis, ne aberres; sequitur enim paenitentia. [Bias / Rezende 743]. Aborrecerás a pressa no falar, para não errares, pois virá o arrependimento.

492. Celeritatem mora, et haec illam vicissim temperet. Que a demora compense a rapidez, e que esta por sua vez compense aquela.

493. Celerius elephanti pariunt. [Erasmo, Adagia 1.9.11]. Mais rápido do que isso parem os elefantes. nÉ mais fácil um boi voar. VIDE: lCitius elephanti parient.

494. Celerius quam asparagi coquuntur. [Suetônio, Augustus 87]. Mais rápido do que se cozinham os aspargos. VIDE: lCitius quam asparagi coquuntur. lVelocius quam asparagi coquantur.

495. Cellula mater. A célula mãe.

496. Celsae graviore casu decidunt turres. [Horácio, Carmina 2.10.10]. As torres mais altas sofrem as quedas mais violentas. nQuanto mais alto é o pau, mais bonita é a queda.

497. Cena brevis, vel cena levis, fit raro molesta. [Regimen Sanitatis Salernitanum]. Jantar breve, ou jantar leve, raramente faz mal.

498. Cena comesa venire. [Varrão, De Re Rustica 1.2.11]. Chegar depois de comido o jantar. nChegar ao atar das feridas.

499. Cena Domini. A Ceia do Senhor.

500. Cena tibi est brevis, alterius cum pasceris escam. [Pereira 97]. O jantar te é pequeno quando comes a migalha de outrem. nBem mal ceia quem come por mão alheia.

501. Cenae fercula nostrae mallem convivis quam placuisse coquis. [Marcial, Epigrammata 9.81.3]. Eu preferiria que as iguarias agradassem antes aos convivas que aos cozinheiros.

502. Cenam uno exilem ventre capis duplicem. [Pereira 103]. Num único estômago recebes duas ceias pequenas. nDuas ceias más em um ventre cabem.

503. Cenare me doces? [Pereira 104]. Ensinas-me a comer? nQueres ensinar padre-nosso a vigário?

504. Cenemus: hoc est ius cenae. [Petrônio, Satiricon 35]. Jantemos; é o direito de jantar.

505. Censor morum. Um censor dos costumes.

506. Censor omni careat peccato. [Grynaeus 39]. Quem censura não pode ter nenhum defeito. nQuem tem telhado de vidro não atira pedra no do vizinho.

507. Centum doctum hominum consilia sola haec devincit dea Fortuna. [Plauto, Pseudolus 671]. A deusa Fortuna sozinha supera as decisões de cem homens doutos.

508. Centum puer artium. [Horácio, Carmina 4.1.15]. O rapaz dos cem talentos. nÉ o homem dos sete instrumentos.

509. Centum viri unum pauperem spoliare non possunt. [Grynaeus 566]. Cem homens não podem roubar um único pobre. nNinguém pode despir um homem nu. VIDE: lAn ignoras, inepte, nudum nec a decem palaestritis despoliari posse? lNemo potest nudo vestimenta detrahere. lNon possunt nudo vestimenta detrahi. lNudo detrahere vestimenta me iubes. lNudus nec a centum viris spoliari potest. lNudum nec a decem palaestritis despoliari posse.

510. Cepisti volucres, alius sed rete tetendit. [DAPR 157]. Tu apanhaste os passarinhos, mas foi outro que estendeu a rede. nUm levanta a caça, e outro a mata. nO bocado não é para quem o faz. nNem sempre quem dança é que paga a música.

511. Ceram auribus obdis. [Erasmo, Adagia 4.3.7]. Tapas as orelhas com cera. nFazes ouvidos de mercador. nFazes orelhas de mercador. lCeram auribus oblinis. [Grynaeus 77].

512. Cernere festucam mos est in fratris ocello, in propriis oculis non videt ipse trabem. [Walther / Tosi 1289]. Costuma-se perceber a palha no olho do irmão, mas não ver a trave nos próprios olhos. nVemos um argueiro no olho do vizinho e não vemos uma trave no nosso. VIDE: lFestucam in oculo fratris cernimus; at in proprio ne trabem quidem animadvertimus. lFestucam in alterius oculo vides, in tuo trabem non vides. lQuid autem vides festucam in oculo fratris tui, et trabem in oculo tuo non vides? lQuid autem vides festucam in oculo fratris tui, trabem autem, quae in oculo tuo est, non consideras?

513. Cernimus exemplis oppida posse mori. [Rutílio Namaciano, De Reditu Suo 1.414]. Pelos precedentes vemos que cidades podem morrer.

514. Cernimus ut contra vim et metum suis se armis quaeque bestia defendat. [Cícero, De Natura Deorum 2.127]. Percebemos que todo animal se defende com suas armas contra a violência e o medo.

515. Cernitur in propria raro multum regione vates portare decus ornatumque coronae. [Walther / Tosi 1059]. Raramente se vê um adivinho ter grande honra e ser coroado na sua pátria. nNinguém é profeta em sua terra. nSanto de casa não faz milagre. VIDE: lIn patria natus non est propheta vocatus. lNemo in patria propheta acceptus est. lNemo propheta acceptus est in patria sua. lNemo propheta in sua patria. lNemo propheta in patria. lNon est propheta sine honore, nisi in patria sua, et in domo sua. lPropheta in sua patria honorem non habet.

516. Cernuntur in agendo virtutes. [Cícero, De Partitione 79]. No agir é que se vêem as virtudes. nPelos milagres se conhecem os santos. nPelo perfume se conhece a flor.

517. Certa amittimus, dum incerta petimus. [Plauto, Pseudolus 678]. Perdemos o certo para perseguirmos o duvidoso. nDeixamos o certo pelo duvidoso. lCerta omittimus dum incerta petimus. VIDE: lIncerta peti, certa deseri.

518. Certa bonum certamen fidei. [Vulgata, 1Timóteo 6.12]. Combate o bom combate da fé. VIDE: lMilita bonam militiam. lMilites in illis bonam militiam.

519. Certa pax melior est quam incerta victoria. É melhor a paz certa do que a vitória incerta. nMais vale um mau acordo do que um bom pleito. VIDE: lMelior est certa pax quam sperata victoria; illa in tua, haec in deorum manu est. lMelior est tuta pax quam sperata victoria. lMelior tutiorque est certa pax quam sperata victoria. lMelior tutiorque est certa pax quam sperata victoria; haec in tua, illa in deorum manu est. lTutior est certa pax quam sperata victoria. lTutior est pax quam spectata victoria; haec est in fortunae manu, illa in nostra.

520. Certa praestant incertis. [DAPR 218]. As coisas certas valem mais do que as incertas. nMais vale um ovo hoje do que uma galinha amanhã. nAntes um pardal na mão que uma perdiz a voar. nNão deixes o certo pelo duvidoso.

521. Certa pro incertis dimittenda non sunt. Não se deve deixar o certo pelo duvidoso. nNão deixes nunca o certo pelo duvidoso.

522. Certa quidem finis vitae mortalibus astat. [Lucrécio, De Natura Rerum 3.1091]. O fim da vida, para os mortais, é certo. nA cada porco vem seu São Martinho.

523. Certa sequens, incerta cavens, praesentia curo. [Walther / Tosi 1731]. Seguindo o certo, evitando o incerto, trato do que está presente.

524. Certa si decreta sors est, quid cavere proderit? Sive sunt incerta cuncta, quid timere convenit? [Ausônio, Septem Sapientum Sententiae, Solon 6]. Se tua sorte está inexorávelmente decidida, de que adianta prevenir? Ou, se tudo é incerto, de que serve temer?

525. Certa viriliter, sustine patienter. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 3.19.16]. Combate virilmente; suporta com paciência.

526. Certamen festinatum incendit ignem. [Vulgata, Eclesiástico 28.13]. A prontidão em discutir acende o fogo.

527. Certamen non accipit excusationes. [Erasmo, Adagia 3.3.62]. Guerra não admite desculpas. lCertamen non admittit causationes. [Apostólio, Paroimiai 1.29].

528. Certaminis gaudia. Os prazeres da luta. As alegrias da batalha.

529. Certatis fatis, et spes extenditis aegras. [Sílio Itálico, Punica 9.543]. Vós lutais contra o destino e levais longe demais vossas esperanças doentias.

530. Certe, adveniente die iudicii, non quaeretur a nobis quid legimus, sed quid fecimus. [Tomás de Kempis, De Imitatione Christi 1.3.26]. Certamente quando chegar o dia do juízo, não nos será perguntado o que lemos, mas o que fizemos.

531. Certe aequa mors est. [Sêneca, Troades 435]. A morte, sem dúvida, é imparcial. nA morte não poupa nem o fraco nem o forte.

532. Certe igitur ignoratio futurorum malorum utilior est quam scientia. [Cícero, De Divinatione 2.9.23]. Sem dúvida, a ignorância dos males futuros é mais útil do que seu conhecimento. VIDE: lEgo ne utilem quidem arbitror esse nobis futurarum rerum scientiam.

533. Certe omnis medicina innovatio est, et qui nova remedia accipere nolit, nova mala exspectet. [Bacon, De Innovationibus]. Sem dúvida todo remédio é inovação, e quem não quer aceitar os novos remédios, espere por novas doenças.

534. Certent et cycnis ululae. [Virgílio, Eclogae 8.55]. Deixa as corujas disputarem com os cisnes.

535. Certis rebus certa signa praecurrunt. [Cícero, De Divinatione 1.52]. Certos sinais precedem certos acontecimentos.

536. Certo veniunt tempore Parcae. [Sêneca, Hercules Furens 188]. As Parcas chegam na hora certa.

537. Certum ac dispositum est ubi quidquid crescat et insit. [Lucrécio, De Rerum Natura 789]. É certo e definido onde cada coisa deve nascer e permanecer.

538. Certum est. É certo. A coisa está clara. VIDE: lLiquet.

539. Certum est mihi quasi umbra, quoquo ibis tu, te persequi. [Plauto, Casina 1.1.3]. Estou decidido a te seguir aonde quer que vás, como uma sombra.

540. Certum est omnia licere pro patria. Em favor da pátria é justo que tudo seja permitido.

541. Certum est otii vitia negotio discuti. [Sêneca, Epístulae 56,9]. É certo que os vícios do ócio desaparecem com a atividade.

542. Certum est, quia impossibile est. [Tertuliano, De Carne Christi 5.4]. É certo porque é impossível. VIDE: lCredibile quia ineptum est. lCredo quia absurdum. lCredo quia impossibile.

543. Certum est quia morieris, sed incertum quando aut quomodo vel ubi. [S.Bernardo, Meditationes Piissimae 3.10]. É certo que morrerás, mas é incerto quando, ou como, ou onde. nA morte é certa, a hora é incerta.

544. Certum est quod certum reddi potest. [Edward Coke / Broom 478]. Certo é o que pode ser confirmado. VIDE: lId certum est quod certum reddi potest.

545. Certum scio. Sei com certeza. VIDE: lNon certum scio.

546. Certum voto pete finem. [Horácio, Epistulae 1.2.56]. Põe um limite certo a teu desejo.

547. Certus amor morum est: formam populabitur aetas. [Ovídio, De Medicamine Faciei Femineae 45]. O amor fundado no caráter é constante: a beleza, o tempo a destuirá.

548. Cervus ad sagittam properat. [Grynaeus 213]. O cervo está correndo em direção à flecha. nEstá procurando sarna para se coçar.

549. Cervus canes trahit. [Erasmo, Adagia 4.4.11]. O veado atrai os cães.

550. Cespite natali quilibet optat ali. [Mota 162]. Todo o mundo quer viver no torrão natal. nPara o passarinho não há como o seu ninho.

551. Cessa regnare, si non vis iudicare. [Jur / Black 302]. Deixa de reinar, se não queres julgar.

552. Cessante causa, cessat effectus. [Jur / Broom 129]. Cessando a causa, cessa o efeito. lCessante causa, cessat et effectus. [Stevenson 305]. Cessando a causa, cessa também o efeito. lCessante causa, tollitur effectus. VIDE: lCausa cessante, cessat effectus. lFinita causa, cessat effectus. lSublata causa, tollitur effectus.

553. Cessante ratione legis, cessat et ipsa lex. [Jur / Broom 129]. Cessando a razão da lei, cessa a própria lei. lCessante ratione cessat et lex. [Broom 131]. Cessando a razão, cessa também a lei. lCessante ratione legis, cessat et iuris dispositio. Cessando a razão da lei, cessa também a disposição legal.

554. Cessante statu primitivo, cessat derivativus. [Jur / Broom 380]. Quando termina o estado primitivo, termina também o derivado.

555. Cessibile quod non est, nec transmissibile. [Jur]. O que não pode ser cedido, também não pode ser transmitido. lCessibile quod non est, non est transmissibile.

556. Cessio bonorum. [Codex Iustiniani 7.71.4]. A cessão de bens.

557. Cetera amici simus, et deinceps inter nos diligamus. [Schottus, Adagia 254]. Agora somos amigos, e doravante amemo-nos entre nós.

558. Cetera animalia terram spectant, homo solus caelum intuetur. Os demais seres vivos olham para a terra, somente o homem contempla o céu.

559. Cetera desunt. Falta o resto. (=Usa-se para indicar que a parte final de um texto está perdida). lCetera desiderantur. Deseja-se o resto. VIDE: lDesunt cetera.

560. Cetera quis nescit? [Ovídio, Amores 1.5.25]. Quem não sabe do resto?

561. Ceteri perutiles; hic necessarius. Os outros são muitos úteis; este é indispensável.

562. Ceteris maior quo melior. [Plínio Moço, Panegyricus 21]. Quanto melhor, tanto maior do que os outros.

563. Ceteris paribus. [Black 266]. Mantidas iguais as outras coisas. Em igualdade de condições.

564. Ceteris tacentibus. [Black 266]. Permanecendo em silêncio os demais.

565. Chamaleonte mutabilior. [Erasmo, Adagia 3.4.1]. É mais volúvel do que um cameleão. VIDE: lMutabilior est Proteo, et varius magis. lProteo mutabilior.

566. Chartae libertatum. As cartas das liberdades. (=Magna Charta e Charta de Foresta). VIDE: lMagna Charta.

567. Christi comitesque viae, testesque laborum. São companheiros de estrada de Cristo, mas também testemunhas dos seus sofrimentos. (=São os Apóstolos).

568. Christi crux est mea lux. [Divisa]. A cruz de Cristo é minha luz.

569. Christianos ad leones! [Tertuliano, Apologeticus 40.2]. (Atirem) os cristãos aos leões! (=Grito dos gentios que perseguiam os cristãos). VIDE: lAd bestias! lSi caelum stetit, si terra movit, si fames, si lues, statim ‘Christianos ad leones!’

570. Christianus nullius est hostis. [Tertuliano, Ad Scapulam 2.6 / Vieira, Sermão da Primeira Sexta-Feira (1649), 2]. O cristão de ninguém é inimigo.

571. Christus bene coepta secundet. [Erasmo, Colloquia 1, Auspicanti quippiam]. Que Cristo favoreça as boas iniciativas.

572. Christus lux mundi. O Cristo é a luz do mundo.

573. Christus vincit, Christus regnat, Christus imperat. [Inscrição em moedas francesas do século 12]. Cristo vence, Cristo reina, Cristo governa.

574. Cibabis nos pane lacrimarum. [Vulgata, Salmos 79.6]. Sustentar-nos-ás com pão de lágrimas.

575. Cibaria et virga, et onus asino: panis et disciplina, et opus servo. [Vulgata, Eclesiástico 33.25]. Para o asno, forragem, chicote e carga; para o escravo, pão, correção e trabalho.

576. lCibi condimentum est fames. A fome é o tempero da comida. nA fome é o melhor tempero. nA fome é boa mostarda. nPara fome não há pão duro. lCibi condimentum fames. lCibi condimentum esse famem, potionis sitim. [Cícero, De Finibus 2.90]. A fome é o tempero da comida e a sede, da bebida. VIDE: lCondimentum cibi fames est, potionis sitis. lCondit fercla fames. lFame condiuntur cibi. lFames optimum condimentum. lOptimum cibi condimentum esse famem, potionis sitim. lOptimum condimentum fames.

577. Cibi cum appetitu sumpti melius digerunt et nutriunt quoque, quam alii. [Nenter 9]. Os alimentos tomados com apetite são mais bem digeridos, e também nutrem melhor do que os outros.

578. Cibum e flamma petere. [Pereira 108]. Buscar comida no fogo. nIr buscar lã e voltar tosquiado. VIDE: lE transenna cibum petere.

579. Cibum in matulam ne immittas. [Apostólio, Paroimiai 17.33]. Não metas a comida no bacio. lCibum in matellam ne immittas. [Erasmo / Stevenson 1768]. lCibum in matellam ne incidas. [Stevenson 842].

580. Cibum sequitur somnus. [Lucrécio, De Rerum Natura 4.957]. O sono segue a refeição. nBarriga cheia, pé dormente.

581. Cibus et potus desiderio condiuntur. A comida e a bebida são temperadas pelo desejo. nA fome é o melhor tempero.

582. Cibus immodicus et animae et corpori nocet. Comida em excesso faz mal tanto ao espírito como ao corpo.

583. Cibus mentis est cibus Dei. O alimento do espírito é o alimento de Deus.

584. Cibus non qui plurimus, sed qui suavissimus. Comida, não a mais abundante, mas a mais delicada. nMais vale pouco e bom que muito e mau.

585. Cibus, potus et Venus omnia moderata sint. [Hipócrates / Rezende 769]. Comer, beber e amar, em tudo haja moderação.

586. Cibus sine sale. Comida sem sal.

587. Cicada cicadae cara, formicae formica. [Erasmo, Adagia 1.2.24]. A cigarra gosta da cigarra, a formiga gosta da formiga. nCré com cré, lé com lé. nCada qual folga com seu igual. nCorvos a corvos não se arrancam os olhos.

588. Cicada vocalior. [Erasmo, Adagia 1.9.100]. Mais loquaz que uma cigarra. nFala mais que o pobre no sol. VIDE: lGraculo loquacior. lTurdo loquacior. lTurture loquacior.

589. Cicadae apem comparas. [Erasmo, Adagia 1.8.75]. Comparas uma abelha com uma cigarra. VIDE: lTibiam tubae comparas.

590. Cicatrix conscientiae pro vulnere est. [Publílio Siro]. Uma cicatriz na consciência vale uma ferida.

591. Cicatrix manet. A cicatriz fica. VIDE: lEtiam cum vulnus sanatum est, cicatrix manet. lEtiam sanato vulnere cicatrix manet.

592. Cicero pro domo sua. Cícero (discursando) em favor de sua casa. (=Um pleito em defesa dos próprios interesses. Um advogado em causa própria). VIDE: lPro domo sua.

593. Cicerone secundo non opus est, ubi fantur opes. [Rezende 772]. Não há necessidade de um segundo Cícero, quando fala o dinheiro. nQuando o ouro fala, tudo cala.

594. Cineres evitans, in carbones incidi. [Apostólio, Paroimiai 18.41]. Fugindo às cinzas, caí nas brasas. nFugi do alcaide, caí no meirinho. lCinerem vitans, in prunas incidi. [Pereira 106].

595. Cineri gloria sera venit. [Marcial, Epigrammata 1.25.8]. Tarde vem a glória para quem já virou cinza. VIDE: lGloria sera venit.

596. Cineri nunc medicina datur. [Propércio, Elegiae 2.14.6]. Estão dando remédio ao defunto. nDepois da morte, o remédio. nPôs sal em carne podre. lCineri medicina. VIDE: lDare medicinam cineri.

597. Circa. Em volta de. Por volta de. Aproximadamente. VIDE: lCirciter.

598. Circa eversos solitudo est. [Sêneca, Epistulae 9]. Em torno dos que caem há somente solidão. nTodos adoram o sol nascente.

599. Circa idem tempus. Mais ou menos na mesma época.

600. Circa nos ipsos quam multa mutata sunt! [Plínio Moço, Epistulae 4.24.4]. E ao meu redor, quantas coisas se modificaram!

 

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