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DICIONÁRIO
DE EXPRESSÕES E FRASES LATINAS
Compilado por HENERIK KOCHER
201. Capitur in patula dulcissimus arbore somnus. [Pereira 118]. Sob árvore frondosa tem-se um sono muito doce. nQuem a boa árvore se chega, boa sombra o cobre.
202. Capiunt vitium, ni moveantur aquae. [Ovídio, Ex Ponto 1.5.5]. Se não se movimentarem, as águas se corrompem. nÁgua detida, má para a bebida. nA água corrente não mata a gente.
203. Capra nondum peperit, haedus autem ludit in tectis. [Erasmo, Adagia 2.6.10]. A cabra ainda não pariu, mas o cabrito já brinca no curral. nAinda não está na cabaça e já é vinagre. nVai o carro adiante dos bois. lCapra nondum peperit, capella vero supra domum ludit. [Schottus, Adagia 244]. A cabra ainda não pariu, mas a cabrita já brinca no curral. VIDE: lNondum capra peperit, iam haedus sub tecto salit. lNondum enixa capra, ast iam ludit in aedibus haedus.
204. Caprae haud iunguntur aratro. [Schottus, Adagia 597]. Não se jungem cabras ao arado. nCada qual no seu ofício. lCapra haud iungitur aratro. Não se junge cabra ao arado. VIDE: lImmunes caprae ab aratris. lLiberae caprae ab aratro. lLiberae sunt caprae ab aratris.
205. Capram portare non possum, et imponitis bovem. [Erasmo, Adagia 2.7.96]. Não agüento com uma cabra, e me impondes um boi. nTu, que não podes, leva-me às costas. lCapram gestare non possum, et imponitis bovem. VIDE: lOpem ab impotente petis. lTauro oneratis, cum nequeam portare capellam. lTaurum ferre iubes, nequeam cum ferre capellam.
206. Capras et oves quot quisque habet dicere potest, amicos quot habet non potest dicere. [Cícero, De Amicitia 17]. Cabras e carneiros, cada um pode dizer quantos tem, mas, quantos amigos tem, não pode dizer.
207. Capta avis est pluris quam mille in gramine ruris. [Stevenson 181]. Um pássaro apanhado vale mais do que mil na relva do campo. nMais vale um pássaro na mão do que dois voando. VIDE: lEst avis in dextra melior quam quattuor extra. lPlus valet in manibus avis unica quam dupla in silvis. lPlus valet in manibus avis unica fronde duabus. lPlus valet in manibus passer quam sub dubio grus. lUna avis in dextra melior quam quattuor extra. lUna avis in laqueo plus valet octo vagis.
208. Captantes capti sumus. [Apostólio, Paroimiai 1.96]. Nós que fomos caçar fomos caçados. nFomos buscar lã e voltamos tosquiados. nDe conquistadores a conquistados. lCaptantes capti fuimus. [Grynaeus 485]. lCapti sumus, captando. [Schottus, Adagia 617]. Quando estávamos caçando, fomos caçados. lCaptantes capti sunt. [Dumaisne 241]. Os caçadores foram apanhados.
209. Captatio benevolentiae. [Da linguagem retórica medieval / Tosi 72]. A conquista da benevolência (do público).
210. Captum te nidore suae putat ille culinae. [Juvenal, Satirae 5.162]. Ele te julga cativado pelo aroma de sua cozinha.
211. Captus es. [Grynaeus 496]. Foste apanhado. nApanhei-te, cavaquinho!
212. Captus mente. Insano. VIDE: lMente captus.
213. Captus nidore culinae. Conquistado pelo cheiro da cozinha.
214. Caput. [Jur]. Cabeça. (=Cáput, numa lei, é a parte principal de um artigo).
215. Caput anni. [Jur / Black 279]. O primeiro dia do ano. O início do ano.
216. Caput artis decere quod facias. [Erasmo, Adagia 4.5.2]. É o máximo da habilidade ser conveniente o que se faz.
217. Caput esse ad beate vivendum securitatem. [Cícero, De Amicitia 13]. Para se viver feliz, o mais importante é a tranqüilidade.
218. Caput et usurae. O principal e o interesse.
219. Caput familias. O chefe da família.
220. Caput imperare, non pedes. [Historia Augusta / Tosi 1004]. É a cabeça que comanda, não os pés. nA cabeça manda os membros. lCaput imperat, non pedes.
221. Caput inter nubila condit. [Virgílio, Eneida 4.177]. Esconde sua cabeça entre nuvens.
222. Caput lupinum. [Jur / Black 279]. Cabeça de lobo. (=Um fugitivo da justiça).
223. Caput mortuum. [Rezende 676; Black 279]. Cabeça morta. (=Uma coisa que perdeu sua força. Um indivíduo sem opinião própria. Um governo sem autoridade).
224. Caput mundi. A capital do mundo. (=Roma). lCaput orbis.
225. Caput Nili quaerit. [Rezende 678]. Procura as nascentes do rio Nilo. nBusca água em fonte seca.
226. Caput rerum Romam esse. [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 1.45]. Roma é a cabeça de tudo.
227. Caput tentant vini. [Plínio Antigo, Naturalis Historia 24.60]. Os vinhos atacam a cabeça. VIDE: lVinum tentat caput.
228. Caput vacuum cerebro. [Erasmo, Adagia 3.4.40]. Uma cabeça vazia de cérebro.
229. Cara deum suboles. [Virgílio, Eclogae 4.49]. A querida descendência dos deuses. (=A raça humana).
230. Cara, valeto. [Inscrição em túmulo]. Querida, até breve.
231. Carbasa ventis credit, dubius navita vitae. [Sêneca, Hercules Furens 151]. O marinheiro, cuja vida está sempre em perigo, confia as velas aos ventos.
232. Carbone notare. [Erasmo, Adagia 1.5.4]. Registrar com carvão. (=Registrar acontecimento infausto. Condenar). VIDE: lCreta notare.
233. Carbonem pro thesauro invenimus. [Fedro, Fabulae 5.6.6]. Encontramos um carvão em lugar do tesouro. (=Fomos logrados). lCarbonem pro thesauro. lCarbones thesaurus erant. [Schottus, Adagia 27]. O tesouro eram carvões. VIDE: lPro thesauro mihi carbones exhibuisti. lSub specie auri carbones. lThesaurus carbones erant.
234. Carbones ignis congeres super caput eius. [Vulgata, Romanos 12.20]. Amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.
235. Carcer enim ad continendos homines, non ad puniendos haberi debet. [Digesta 48.19.8.9]. A prisão deve existir para conter os homens, não para puni-los. lCarcer ad homines custodiendos, non ad puniendos, dari debet. [Jur / Black 279].
236. Carcer non supplicii causa, sed custodiae constitutus. [Jur / Black 280]. A prisão não é decretada para punição, mas para a detenção.
237. Carente capite non opus est pileo. [Rezende 683]. Quem não tem cabeça não precisa de chapéu. nQuem não tem cabeça não carrega chapéu. nQuem não tem cabeça não há mister carapuça.
238. Carere muliere maritus nequit, et cum muliere non potest non dolere. [Benedito Fernando / Rezende 684]. O homem não pode passar sem a mulher, e, tendo-a, não pode deixar de sofrer. nA mulher é um mal necessário. VIDE: lMalum est mulier, sed necessarium malum.
239. Carere non potest fame, qui panem pictum lingit et ab homine qui verum habet non petit. [S.Agostinho, De Civitate Dei 4.23.5]. Não pode livrar-se da fome quem lambe pão pintado e não pede ao homem que tem o pão verdadeiro.
240. Caret initio et fine. [Lodeiro 216]. Não tem começo nem fim. nNão tem pés nem cabeça.
241. Caret periclo, qui, etiam cum est tutus, cavet. [Publílio Siro]. Está livre de perigo quem, mesmo quando está em segurança, toma cuidado. nQuem se guardou não errou.
242. Carissimi et familiarissimi mei. Meus muito queridos e muito amigos.
243. Caritas bene ordinata incipit a se ipso. [Rezende 757]. O amor bem planejado começa com cada um. nA caridade bem entendida começa por casa.
244. Caritas erga proximum colenda. Deve-se cultivar o amor ao próximo.
245. Caritas fraternitatis maneat in vobis. [Vulgata, Hebreus 13.1]. Permaneça entre vós o amor fraternal.
246. Caritas, gaudium, pax, patientia, benignitas, bonitas, longanimitas, mansuetudo, fides, modestia, continentia, castitas. [Vulgata, Gálatas 5.22-23]. Amor, gozo, paz, paciência, benignidade, bondade, longanimidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência, castidade.
247. Caritas generis humani. [Cícero, De Finibus 5.23]. O amor da raça humana.
248. Caritas in mente; caritas in corde; caritas in ore. Amor no espírito; amor no coração; amor nas palavras.
249. Caritas non est ab ullo extorquenda, sed cum beneficiis exquirenda. [S.Beda, Proverbiorum Liber]. O amor não deve ser obtido à força de ninguém, mas alcançado com benefícios.
250. Caritas non est ambitiosa. [Vulgata, 1Coríntios 13.6]. O amor não é ambicioso.
251. Caritas non peccat. O amor não comete faltas. VIDE: lCaritatem non peccare.
252. Caritas omnia potest. [S.Jerônimo, Epistulae 1.2.1]. O amor tudo pode.
253. Caritas omnia sustinet. [S.Jerônimo ,Epistulae 7.1.5]. O amor tudo suporta. lCaritas omnia tolerat. [S.Agostinho, Sermones 4]. lCaritas omnia suffert.
254. Caritas operit multitudinem peccatorum. [Vulgata, 1Pedro 4.8]. O amor cobre a multidão dos pecados. VIDE: lQuid est caritas? Est pallium monachi. Quid sic? Quia operit multitudinem peccatorum.
255. Caritas patiens est, benigna est. [Vulgata, 1Coríntios 13.4]. O amor é paciente, é benigno.
256. Caritas perfecta foras mittit timorem. [Polydorus, Adagia]. O amor realizado expulsa o medo.
257. Caritas patriae. [Cícero, De Officiis 3.100]. O amor à pátria. VIDE: lAmor patriae.
258. Caritas quae est inter natos et parentes, dirimi nisi detestabili scelere non potest. [Cícero, De Amicitia 8]. O amor que existe entre os filhos e os pais só pode ser destruído por um crime horrível.
259. Caritate enim benevolentiaque sublata, omnis est e vita sublata iucunditas. [Cícero, De Amicitia 27]. Tirando-se o amor e a bondade, tira-se todo encanto da vida.
260. Caritatem habete. [Vulgata, Colossenses 3.14]. Tende amor.
261. Caritatem non peccare. [Erasmo, Epistula ad Darpium / Maloux 83]. O amor não comete faltas. VIDE: lCaritas non peccat.
262. Carius est carum, si praegustatur amarum. [Stevenson 919]. O que é bom fica melhor, se antes se experimenta o amargo. nSó sabe da doçura quem conhece a amargura.
263. Carmen amat Bacchum, carmina Bacchus amat. [Milton, The Sixth Elegy 14]. A poesia ama a Baco; Baco ama os poemas. VIDE: lDebemus carmina Baccho.
264. Carmina Burana. Canções de Beuren. (=Famosa coleção de poesia latina medieval, que, procedente do Monteiro de Benediktbeuern, se conserva na Biblioteca de Munique).
265. Carmen solutum. Um poema em prosa.
266. Carmen triumphale. Um canto triunfal.
267. Carmina laudantur; sed munera magna petuntur. [Ovídio, Ars Amatoria 2.275]. Louvam-se os poemas, mas pedem-se presentes grandes.
268. Carmina mansuetus lenia quaerit Amor. [Propércio, Elegiae 1.9.12]. O doce Amor quer poemas suaves.
269. Carmina morte carent. [Ovídio, Amores 1.15.32]. Poemas não morrem.
270. Carmina non dant panem. [DAPR 791]. Os poemas não dão pão. VIDE: lLitterae non dant panem.
271. Carmina Paulus emit; recitat sua carmina Paulus nam quod emas, possis iure vocare tuum. [Marcial, Epigrammata 2.20]. Paulo comprou uns poemas; Paulo recita os poemas dele, pois quem compra pode dizer legalmente que o que ele compra é dele.
272. Carmina poscit amor. [Calpúrnio Sículo]. O amor exige canções.
273. Carmina quam tribuent, fama perennis erit. [Ovídio, Amores 1.10.62]. A glória que me darão meus poemas será eterna.
274. Carmina secessum scribentis et otia quaerunt. [Ovídio, Tristia 1.1.41]. Os poemas exigem isolamento e tempo livre do escritor.
275. Carmine di superi placantur, carmine Manes. [Horácio, Epistulae 2.1.138]. Com a poesia se acalmam os deuses superiores, com a poesia (acalmam-se também) os deuses infernais.
276. Carmina vel caelo possunt deducere lunam. [Virgílio, Eclogae 8.69]. Os poemas podem até fazer a lua descer do céu.
277. Carminibus vives tempus in omne meis! [Ovídio, Tristia 1.6.36]. Viverás para sempre nos meus poemas!
278. Carne opus est, si satur esse velis. [Marcial, Epigrammata 13.2.6]. Precisas de carne, se queres ficar farto. nCarne carne cria.
279. Carnem hesternam, panem hodiernum, annotina vina, sume libens dicto tempore, sanus eris. [Pereira 99]. Usa à vontade na hora certa a carne de ontem, o pão de hoje e os vinhos do ano passado, e terás saúde. nCarne de ontem, pão de hoje, e vinho de outro verão fazem o homem são.
280. Carnibus est dignus qui bene mandit holus. [Stevenson 919]. Merece a carne quem bem comeu as verduras. nQuem comeu as duras coma as maduras.
281. Caro concupiscit adversus spiritum et spiritus adversus carnem. [Vulgata, Gálatas 5.17]. A carne deseja contra o espírito, e o espírito contra a carne.
282. Caro data verminibus. [Rezende 687]. Carne dada aos vermes. (=Etimologia fantasiosa atribuída ao vocábulo cadáver, que se teria formado da primeira sílaba de cada uma das três palavras).
283. Caro de carne mea. [Vulgata, Gênesis 3.22]. Carne de minha carne.
284. Caro enim mea vere est cibus: et sanguis meus, vere est potus. [Vulgata, João 6.56]. A minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida.
285. Caro infirma. nA carne é fraca. VIDE: lSpiritus quidem promptus est, caro autem infirma.
286. Caro roborat, pisces vero sunt parvi alimenti. [DAPR 143]. A carne fortifica, os peixes são alimento pobre. nCarne carne cria, nanja o peixe de água fria.
287. Caro suilla propter pinguedinem et molliorem consistentiam ad corruptionem prae ceteris magis prona est. [Nenter 95]. A carne de porco, por causa de sua gordura e consistência mais mole, é mais propensa ao apodrecimento que as demais.
288. Carpamus dulcia. Aproveitemos o que é doce. nAproveita, jacaré, que a lagoa há de secar. lCarpamus dulcia; nostrum est quod vivis; cinis et manes et fabula fies. [Pérsio, Satirae 5.151]. Aproveitemos os prazeres; nosso é o que vivemos; (amanhã) serás pó, sombra, lembrança.
289. Carpe diem. [Inscrição em quadrante solar]. Aproveita o dia. nAproveita-te, enquanto for tempo. nAproveita, jacaré, que a lagoa há de secar. lCarpe: fugit. [Inscrição em quadrante solar]. Aproveita (o tempo), que ele foge. lCarpe: lucet. [Inscrição em quadrante solar]. Aproveita (o tempo), o sol está brilhando. lCarpe diem, quam minimum credula postero. [Horácio, Carmina 1.11.8]. Aproveita o dia (de hoje), confia o menos possível no amanhã. VIDE: lMulge praesentem.
290. Carpe noctem. Aproveita a noite.
291. Carpe viam, et susceptum perfice munus. [Virgílio, Eneida 6.629]. Começa a andar, e leva a bom termo a tarefa iniciada.
292. Carpent tua poma nepotes. [Virgílio, Eclogae 9.50]. Os netos colherão teus frutos. VIDE: lArbores serit diligens agricola, quarum aspiciet baccam ipse nunquam.
293. Carpere et colligere. Colher e juntar.
294. Carpite de plenis pendentes vitibus uvas. [Ovídio, Amores 10.55]. Colhei as uvas que pendem das vinhas carregadas.
295. Carpite florem qui, nisi carptus erit, turpiter ipse cadet. [Ovídio, Ars Amatoria 3.80]. Colhei a flor, que, se não for colhida, cairá por si mesma, deformada.
296. Carthaginem esse delendam censeo. Entendo que Cartago deva ser destruída. (=Palavras com que Catão o Antigo concluía seus discursos no senado romano). VIDE: lCato inexpiabili odio delendam esse Carthaginem, et cum de alio consuleretur, pronuntiabat. lDelenda est Carthago.
297. Cascus cascam ducit. [Erasmo, Adagia 1.2.62]. Velho se casa com velha. lCascum duxisse cascam non mirabile est. [Manílio / Varrão, De Lingua Latina 7.3]. Não é de causar espanto ter-se um velho casado com uma velha.
298. Cascus cascam, perinde ut pupus pupam, deamet. [Erasmo, Moriae Encomium 19]. Que o velho ame a velha, do mesmo modo que o rapaz ama a moça. lCascus cascam et pupus pupam deamet. Que o velho ame a velha, e o rapaz, a moça.
299. Caseum ovis, lac capra mi dent, et vacca butyrum. [Pereira 118]. Que a ovelha me dê o queijo, a cabra o leite e a vaca a manteiga. nQueijo de ovelha, leite de cabra, manteiga de vaca.
300. Caseus alatus convivis est male gratus: nam sua natura non signat fercula plura. [Rezende 691]. O queijo posto à mesa é recebido com desagrado pelos convivas, porque sua natureza indica que não haverá mais comida.
301. Caseus est nequam, quia digerit omnia se quam. [Stevenson 331]. O queijo faz mal, porque dissolve tudo, menos a si mesmo.
302. Caseus et panis, bonus est cibus hic bene sanis. [Regimen Sanitatis Salernitanum, De Caseo 2]. Queijo e pão são ótimos alimentos para as pessoas saudáveis. nQueijo com pão faz o homem são. lCaseus et panis sunt optima fercula sanis. [Rezende 692].
303. Caseus ille bonus, quem dat avara manus. [Regimen Sanitatis Salernitanum / Rezende 693]. O queijo é bom, se é dado com mão parcimoniosa. nQueijo é bom, dado pelo avaro. lCaseus ille sanus, quem dat avara manus.
304. Cassa nuce non emam. [Pereira 111]. Não darei por isso uma castanha podre. nNão darei por isso um figo podre. nNão vale um caracol.
305. Cassis tutissima virtus. A virtude é o capacete mais seguro.
306. Casta ad virum matrona parendo imperat. [Publílio Siro]. A mulher casta, obedecendo ao marido, governa-o.
307. Casta est, quam nemo rogavit. [Ovídio, Amores 1.8.43]. É casta a mulher que ninguém tentou seduzir.
308. Casta pudicitiam servat domus. [Virgílio, Georgica 2.524]. A casa honesta respeita o pudor.
309. Castiga amicum clanculum, lauda palam. Adverte o amigo em sigilo; louva-o em público. VIDE: lAmicos secreto admone, palam lauda. lAmicum in secreto mone, palam lauda. lAmicum secreto mone, palam lauda. lClam coarguas propinquum, quem palam laudaveris. lClam coarguas propinquum, propalam laudaveris. lSecreto amicos admone, lauda palam. lSecreto admone amicos, palam lauda.
310. Castigat ridendo mores. [Divisa da comédia, de autoria de Jean de Santeuil]. Rindo, (a comédia) corrige os costumes. nA rir, a rir, muitas verdades se dizem. VIDE: lRidendo castigat mores.
311. Castigo te non quod odio habeam, sed quod amem. [Stevenson 1913]. Eu te castigo não porque te tenha ódio, mas porque te amo.
312. Castos sequitur mala paupertas. [Sêneca, Hippolytus 985]. A feia pobreza acompanha os homens honestos.
313. Castratos castras. [Schottus, Adagia 388]. Castras quem já foi castrado. nArrombas a porta aberta. VIDE: lGallos castras. lGallos exsecas.
314. Castum esse decet pium poëtam ipsum; versiculos nihil necesse est. [Catulo, Carmina 16.5]. Convém que o poeta seja casto e piedoso, mas seus versos não precisam ser assim.
315. Casum fortuitum definimus omne quod humano coeptu praevideri non potest, nec cui praeviso potest resisti. [Jur]. Definimos como caso fortuito tudo quanto não pode ser previsto pela intuição humana, nem pode ser evitado, quando previsto. VIDE: lCasus fortuitus est qui humano consilio nullo praevideri potest.
316. Casum sentit dominus. [Jur]. É o proprietário que sofre o prejuízo. VIDE: lDamnum sentit dominus. lRes naturaliter perit domino. lRes perit domino.
317. Casus a nullo praestantur. [Jur]. Ninguém é responsável pelo caso fortuito.
318. Casus belli. [Jur / Black 289]. Um caso de guerra. Um motivo de guerra. (=Um ato que provocar ou justifica a guerra entre duas nações).
319. Casus conscientiae. Um caso de consciência.
320. Casus dementis correctio fit sapientis. O infortúnio do tolo é advertência ao ajuizado. nO tolo aprende à sua própria custa, o avisado, à custa do tolo.
321. Casus et natura in nobis dominantur. [Cícero, Ad Familiares 4.12]. O acaso e a natureza nos governam. ¡O acaso é o pai dos grandes acontecimentos.
322. Casus exceptus firmat regulam. nA exceção confirma a regra. lCasus exceptus firmat regulam in contrarium. [Lodeiro 221]. Um caso excetuado firma regra em contrário.
323. Casus foederis. [Jur / Black 273]. Um caso de tratado internacional.
324. Casus fortuitus est qui humano consilio nullo praevideri potest. [Jur]. Caso fortuito é o que não pode ser previsto por nenhuma providência humana. VIDE: lCasum fortuitum definimus omne quod humano coeptu praevideri non potest, nec cui praeviso potest resisti.
325. Casus fortuitus non est sperandus, et nemo tenetur devinare. [Coke / Black 289]. O acontecimento fortuito não é de se esperar, e ninguém pode prever.
326. Casus fortuitus non est supponendus. O caso fortuito não pode ser presumido.
327. Casus hominum movent corda. A sorte dos homens comove os corações. VIDE: lMentem mortalia tangunt.
328. Casus legis, ubi est, nulla dubitatio, aut disputatio. [Jur]. Quando ocorre um caso previsto em lei, não há nenhuma dúvida ou disputa.
329. Casus maior. [Jur / Black 289]. Um acidente. Um sinistro.
330. Casus mirificus intervenit. [Cícero, Ad Familiares 7.5]. Ocorreu um fato surpreendente.
331. Casus omissus. [Jur / Black 289]. Um caso omisso. Um caso não previsto.
332. Casus quem saepe transit, aliquando invenit. [PSa]. A sorte alguma vez atinge aquele por perto de quem passou muitas vezes. nTantas vezes vai a ânfora à fonte, que por fim se quebra. VIDE: lAmphora quae saepius petit fontem valde periclitatur. lCantharus assidue gestatus perdidit ansam. lFrangitur assidua fictilis urna via. lHydria tam diu ad fontem portatur, donec vel tandem frangatur. lOllula tam crebro fertur ad aquam, quod fracta refertur. lQuem saepe transit casus aliquando invenit.
333. Casus ubique valet: semper tibi pendeat hamus; quo minime credas gurgite, piscis erit. [Ovídio, Ars Amatoria 3.425]. O acaso pode muito: tem sempre pronto o anzol; no rio de que nada esperas aparecerá o peixe.
334. Casusne? Deusne? [Virgílio, Eneida 12.320]. Foi o acaso? Foi Deus?
335. Catenati labores. [Ausônio, Eclogarum 2.14]. Os sofrimentos andam encadeados. nUma desgraça nunca vem só. nO azar anda acompanhado.
336. Cato esse quam videri bonus malebat. [Salústio, Coniuratio Catilinae 54.6]. Catão preferia ser bom a parecer bom. VIDE: lEsse quam videri. lMagis esse quam videri oportet.
337. Cato inexpiabili odio delendam esse Carthaginem, et cum de alio consuleretur, pronuntiabat. [Floro, Epitomae 1.31]. Catão, mesmo quando era consultado sobre outro assunto, com ódio implacável, declarava que Cartago devia ser destruída. VIDE: lCarthaginem esse delendam censeo. lDelenda est Carthago.
338. Cattorum canimus certamina clara canumque. [Henry Harder / Rezende 705]. Nós cantamos as famosas lutas dos gatos e dos cachorros. (=Trata-se de um poema de 100 linhas, em hexâmetros, sobre gatos, em que todas as palavras começam com a letra c).
339. Cattorum nati sunt mures prendere nati. [DAPR 321]. Os filhotes dos gatos nasceram para apanhar camundongos. nFilho de gato mata rato. lCattorum proles bene discit prendere mures. [Bragança 7.1.6]. Filho de gatos aprende com facilidade a apanhar camundongos.
340. Cattus amat pisces, sed non vult tangere flumen. [Werner / Stevenson 300]. O gato gosta de peixes, mas não quer tocar a água. nNão se apanham trutas com as bragas enxutas. nQuem quer bolota, que trepe. lCattus amat pisces, sed non vult tingere plantas. [Rezende 707]. O gato gosta de peixe, mas não quer molhar as patas. VIDE: lFelis amat pisces, sed aquas intrare recusat. lSumere vult pisces cattus, sed flumen abhorret.
341. Cattus piscari non vult, sed pisces cibari. O gato não quer pescar, mas quer comer peixes. nQuem quiser comer depene.
342. Cattus saepe satur cum capto mure iocatur. [Bragança 7.1.6]. Gato farto brinca com o rato apanhado.
343. Catulae dominas imitantes. [Erasmo, Adagia 2.6.13]. Os cãezinhos imitam suas donas. VIDE: lDominas suas canes imitantur.
344. Catulus leonem allatrans. [Rezende 706]. É um cãozinho ladrando para um leão. nÉ um fraco abusado.
345. Cauda de vulpe testatur. [Erasmo, Adagia 1.9.35]. A cauda denuncia a raposa. nA raposa se conhece pela cauda. nPelo dedo se reconhece o gigante. lCauda vulpem demonstrat. [Schottus, Adagia 281].
346. Cauda tenes anguillam. [Erasmo, Adagia 1.4.94]. Seguras a enguia pela cauda. nTens uma batata quente nas mãos. VIDE: lAnguillam cauda teneo.
347. Caudae pilos equinae paulatim velles. [Erasmo, Adagia 1.8.95]. Arranca pouco a pouco os pelos da cauda do cavalo. nA mor pressa é o mor vagar.
348. Caudam inter crura subicit. [Grynaeus 695]. nEnfiou o rabo entre as pernas.
349. Caudam trahere. Trazer um rabo. (=Ser objeto de mofa). VIDE: lIlle qui te deridet caudam trahit.
350. Causa aliqua subest. [DAPR 320]. Existe alguma coisa oculta. nDebaixo desse angu há carne. nAqui há gato escondido.
351. Causa belandi est amor. [Sêneca, Hercules Oetaeus 424]. O amor é causa de lutas.
352. Causa causae est causa causati. [Jur / Black 291]. A causa de uma causa é a causa da coisa causada. (=A causa da causa deve ser considerada também como a causa do efeito. lCausa causantis, causa est causati. [Jur / Black 291]. A causa de uma coisa que causa, é a causa do efeito.
353. Causa causans. [Jur / Black 291]. A causa determinante. (=O último elo da cadeia da causalidade). VIDE: lCausa proxima.
354. Causa causata. A causa que é resultado de uma causa anterior.
355. Causa celebrationis. A causa da comemoração.
356. Causa cessante, cessat effectus. Cessando a causa, cessa também o efeito. VIDE: lCessante causa, cessat et effectus. lCessante causa, tollitur effectus. lFinita causa, cessat effectus. lSublata causa, tollitur effectus.
357. Causa cognita. A causa conhecida. Por causa conhecida.
358. Causa cognoscitur ab effectu. [Jur]. Conhece-se a causa pelo efeito.
359. Causa contentiosa. [Jur]. Causa contestatória.
360. Causa criminalis non praeiudicat civili. [Jur]. A causa criminal não causa prejuízo à civil.
361. Causa debendi. [Jur]. A causa da dívida.
362. Causa debet praecedere effectum. [Mota 130]. A causa deve preceder o efeito.
363. Causa detentionis. [Jur]. A causa da detenção.
364. Causa donandi. [Jur]. A causa da doação.
365. Causa efficiens. A causa efetiva.
366. Causa efficiens matrimonii est mutuus consensus. [Jur]. A causa eficiente do casamento é o mútuo consentimento.
367. Causa essendi. A causa de ser.
368. Causa est ratio per quam aliquid datur vel fit. [Jur]. A causa é a razão pela qual se dá ou se faz alguma coisa.
369. Causa facit rem dissimilem. [Juvenal, Satirae 8.214]. É a causa que distingue uma ação de outra.
370. Causa fiendi. A causa de tornar-se.
371. Causa finalis. A causa final.
372. Causa finita est. A questão está encerrada.
373. Causa formalis. A causa formal.
374. Causa iubet melior superos sperare secundos. [Lucano, Bellum Civile 7.349]. A melhor causa manda ter esperança nos deuses favoráveis.
375. Causa latet, mala nostra patent. [Ovídio, Heroides 21.55]. A causa é desconhecida, os nossos males são conhecidos.
376. Causa latet, vis est notissima. [Ovídio, Metamorphoses 4.287]. A causa é desconhecida, mas sua força é muito conhecida.
377. Causa mali. A causa do mal.
378. Causa materialis. A causa material.
379. Causa mortis. A causa da morte.
380. Causa mortis donatio. Doação por morte. VIDE: lDonatio mortis causa.
381. Causa movens. A razão para realizar-se determinada ação.
382. Causa multis moriendi fuit morbum suum nosse. [Sêneca, De Brevitate Vitae 18.6]. Para muitos a causa da morte foi conhecer a própria doença.
383. Causa obligationis. [Jur]. A causa da obrigação.
384. Causa patet. [Jur / Black 291]. A razão é óbvia. A causa é evidente.
385. Causa patrocinio non bona, peior erit. [Ovídio, Tristia 1.1.26]. A causa má se torna pior quando se faz sua defesa.
386. Causa paupertatis plerumque probitas est. Na maioria das vezes, a honestidade é a causa da pobreza. lCausa ei paupertatis sicut plerisque probitas erat. [Quinto Cúrcio, Historiae 4.1.20]. A honestidade foi-lhe, como a muitos outros, causa de sua pobreza.
387. Causa pendet ex causa, privata ac publica longus ordo rerum trahit. [Sêneca, De Providentia 5.7]. Uma causa está presa a outra, e uma longa seqüência de eventos arrasta todas as questões privadas ou públicas.
388. Causa perit iusta, si dextera non sit onusta. [Rezende 719]. Perde-se a causa justa, se a mão não estiver recheada. nSem dinheiro nada se alcança. nNão há cerradura, se de ouro é a gazua. nO dinheiro cala a verdade.
389. Causa petendi. [Jur]. A causa do pedido.
390. Causa proxima. [Jur / Black 291]. A causa imediata. A causa inicial. VIDE: lCausa causans.
391. Causa proxima, non remota, spectatur. [Broom 180]. É a causa imediata que se considera, não a remota. VIDE: lIn iure non remota causa sed proxima spectatur.
392. Causa remota. [Jur / Black 292]. A causa remota.
393. Causa secunda. A causa secundária.
394. Causa sine qua non. [Jur / Black 292]. A causa sem a qual não. (=Uma condição indispensável). VIDE: lSine qua non.
395. Causa traditionis. [Jur]. A causa da entrega. Por causa da tradição.
396. Causa turpis. [Jur / Black 292]. Uma causa torpe.
397. Causa vera. Um causa verdadeira.
398. Causae aestimatio saepe morbum solvit. [Celso, Medicina 1]. O conhecimento da causa freqüentemente elimina a moléstia.
399. Causae eventorum magis movent quam ipsa eventa. [Cícero, Ad Atticum 9.5.2]. As causas dos acontecimentos comovem mais do que os próprios acontecimentos.
400. Causam tuam tracta cum amico tuo. [Vulgata, Provérbios 15.15]. Trata teus negócios com teu amigo.