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DICIONÁRIO
DE EXPRESSÕES E FRASES LATINAS
Compilado por HENERIK KOCHER
1. Cacatio matutina est tamquam medicina. [Regimen Sanitatis Salernitanum / DAPR 697]. A evacuação matinal vale um remédio.
2. Cacoëthes carpendi. A mania de criticar.
3. Cacoëthes loquendi. A mania de falar.
4. Cacoëthes scribendi. A mania de escrever.
5. Cacumen radicis loco ponis. [Sêneca, Epistulae 124.7]. Pões a copa no lugar da raiz. nPões tudo de pernas para o ar.
6. Cadant amici, dummodo inimici intercidant. [Bacon, Advancement of Learning 2.23.45]. Que morram nossos amigos, desde que morram nossos inimigos. VIDE: lPereant amici, dum inimici una intercidant. lPereat cum hosti amicus ipsemet.
7. Cadente quercu, quilibet lignatum adest. [Apostólio, Paroimiai 7.38]. Quando o cai o carvalho, todo o mundo vem para catar lenha. nEm pau caído todo o mundo faz graveto. nÀ árvore caída todos vão buscar lenha. lCadente quercu quilibet ligna colligit. VIDE: lArbore deiecta, ligna quivis colligit. lDeiecta arbore, quivis ligna colligit. lDeiecta quivis arbore ligna legit. lQuivis ruentis ligna quercus colligit. lRuente quivis ligna colligit arbore.
8. Cadenti porrige dextram. Estende tua mão ao homem que cai. VIDE: lDa dextram misero. lIniquum est collapsis manum non porrigere.
9. Cadere de regno grave est. [Sêneca, Phoenissae 598]. É triste cair do poder.
10. Cadit ira metu. [Ovídio, Amores 2.13.4]. Com o medo passa a ira. nO temor da morte é a sentinela da vida.
11. Cadit quaestio. Cai a questão. (=O argumento perde a força. Não cabe mais discussão).
12. Cadit statim simultas, ab altera parte deserta; nisi paria non pugnant. [Sêneca, De Ira 2.34.5]. A desavença desaparece imediatamente, quando é abandonada por uma das partes; só se briga se há dois. nQuando um não quer, dois não brigam. VIDE: lNisi paria non pugnant.
13. Caeca amore est. [Plauto, Miles Gloriosus 1259]. Ela está cega de amor. nA afeição cega a razão. VIDE: lAmor caecus est. lNemo in amore videt. lQui amat, circa rem amatam caecus redditur.
14. Caeca est in propriis rabulae sententia causis. [Pereira 114]. É cega a sentença do rábula nas próprias causas. nNinguém é bom juiz em causa própria.
15. Caeca est temeritas quae petit casum ducem. [Sêneca, Agamemnon 145]. É cega a audácia que busca o acaso como guia.
16. Caeca invidia est. [Tito Lívio, Ab Urbe Condita 38.59.5]. A inveja é cega. nA ambição cega a razão.
17. Caeca somnia. [Schottus, Adagia 251]. São sonhos enganadores.
18. Caeci ducem quaerunt; nos sine duce erramus. [Sêneca, Epistulae 50.3]. Os cegos procuram um guia; nós sem guia nos perdemos.
19. Caeci sunt, et duces caecorum. [Vulgata, Mateus 15.14]. São cegos e condutores de cegos.
20. Caeci sunt oculi, cum animus alias res agit. [Publílio Siro]. Os olhos são cegos, quando o espírito cuida de outras coisas.
21. Caecis hoc clarum est. Isso está claro até para cegos. nAté um cego vê isso. lCaecis hoc satis clarum est. Isso está bastante claro até para cegos.
22. Caecitatis duae species facile concurrunt, ut qui non vident quae sunt, videre videantur quae non sunt. [Tertuliano, Apologeticus 9.20]. Duas espécies de cegueira se combinam de modo que os que não vêem o que existe parece verem o que não existe.
23. Caecorum in patria luscus rex imperat omnis. [Apostólio, Paroimiai 8.31]. Todo caolho é rei em terra de cegos. nEm terra de cegos, o torto é rei. nEm terra de cego quem tem um olho é rei. VIDE: lBeati monoculi in regione caecorum. lBeati monoculi in terra caecorum. lBeatus monoculus in terra caecorum. lIn caecorum regno regnant strabones. lIn regione caecorum rex est luscus. lIn terra caecorum monoculus rex. lInter caecos luscus rex. lInter caecos regnat luscus. lInter caecos regnat strabo. lInter caecos strabus rex est. lInter pygmaeos regnat nanus. lMonoculus inter caecos rex.
24. Caecus amor nonnunquam admiratur neglecta. O cego amor às vezes se maravilha com coisas desprezadas.
25. Caecus amor sui. [Horácio, Carmina 1.18.14]. O cego amor de si mesmo.
26. Caecus auribus ac mente. [Erasmo, Adagia 4.3.41]. Ele é tapado de ouvidos e de espírito.
27. Caecus autem, si caeco ducatum praestet, ambo in foveam cadunt. [Vulgata, Mateus 15.14]. Se um cego guiar outro cego, ambos cairão no buraco. nCego não pode guiar cego. lCaecus caecum ducens, in foveam se ipsum cum illo praecipitat. [Schrevelius 1172]. O cego que guia outro cego se atira ao precipício junto com ele. lCaecus caecos ducat in foveam. [S.Jerônimo / Stevenson 199]. Um cego guiará cegos para dentro do buraco. VIDE: lPotest caecus caecum ducere? lSi caecum caecus ducit, ambo in foveam cadunt.
28. Caecus caecum ducit. É um cego guiando outro. lCaecus caeco dux. [Erasmo, Adagia 1.8.40].
29. Caecus est ignis stimulatus ira. É cego o fogo estimulado pela ira. nA ira queima o entendimento. lCaecus est ignis stimulatus ira, nec regi curat, patiturve frenum, aut timet mortem. [Sêneca, Medea 591]. É cego o fogo estimulado pela ira; nem quer ser governado, nem admite freio, nem teme a morte.
30. Caecus et ignorans passu gradiuntur eodem. [Medina 611]. O cego e o ignorante caminham ao mesmo passo. nQuem não sabe é como quem não vê.
31. Caecus ignis. Um fogo cego. (=Uma paixão oculta).
32. Caecus iter monstrare vult. [Horácio, Epistulae 1.17.4, adaptado]. O cego quer mostrar o caminho. nCego não pode guiar cego.
33. Caecus iudicandi officio fungitur. [Digesta 5.1.6]. O cego exerce a função de julgar.
34. Caecus mentis furor. O furor da mente é cego.
35. Caecus non iudicat de colore. [Rezende 619]. O cego não opina sobre cor. nUm cego não pode ser juiz em cores. lCaecus non iudicet de colore. [DAPR 389]. Não julgue o cego a respeito de cores.
36. Caecus parietem palpat. [Grynaeus 288]. O cego tateia a parede.
37. Caecus venter verba non curat. [Schrevelius 1173]. Estômago vazio não presta atenção em palavras. nEstômago vazio não tem ouvidos. nVentre em jejum não ouve a nenhum. VIDE: lDifficile est vacuo verbis imponere ventri. lIeiunus venter non audit verba libenter. lInanis venter non audit verba libenter. lVenter famelicus auriculis caret. lVenter aures non habet. lVenter auribus caret. lVenter caret auribus.
38. Caedere aut caedi. [Divisa]. Matar ou morrer.
39. Caedes videtur significare sanguinem et ferrum. Guerra significa sangue e espada.
40. Caedimus, inque vicem praebemus terga sagittis. [Pereira 118]. Nós matamos, mas reciprocamente expomos nossas costas às flechas. nQuem anda na guerra dá e leva. nOnde se dá, aí se leva. nOnde as dão as levam.
41. Caelebs, caelestium vitam ducens. [Prisciano, Institutiones Grammaticae]. Celibatário, aquele que leva a vida dos deuses. nHomem casado, pássaro na gaiola.
42. Caelebs, quasi caelestis, quia uxore caret. [DAPR 716]. Um celibatário é como um deus, porque não tem mulher.
43. Caelestia qui spectat, humana contemnit. Quem olha as coisas celestes despreza as humanas. lCaelestia semper spectato, humana contemnito! [Cícero, De Republica 6.20]. Olha sempre as coisas celestes; despreza as humanas!
44. Caelestis aqua ad bibendum omnibus antefertur. [Paládio, Opus Agriculturae 1.17.4]. Para beber, a água da chuva é de todas a melhor.
45. Caelestis ira quos premit, miseros facit; humana nullos. [Sêneca, Hercules Oetaeus 441]. A cólera dos deuses torna infelizes aqueles a quem persegue; a cólera dos homens os suprime.
46. Caeli amor. O amor do céu.
47. Caeli enarrant gloriam Dei. [Vulgata, Salmos 18.2]. Os céus contam a glória de Deus.
48. Caeli enarrant voluntatem Dei. [Bacon, Advancement of Learning 2.25.3]. Os céus contam a vontade de Deus.
49. Caelitus mihi vires. Minhas forças vêm do céu.
50. Caelo digito attingere. Tocar o céu com o dedo.
51. Caelo haeret, terris lucet. [Divisa da Rainha Ana da Áustria]. Está suspensa nos céus, e brilha na terra.
52. Caelo ne fide sereno. [Branco 478]. Não confies no céu sem nuvens. nNão vos fieis nas aparências. nNão vos fieis na fortuna.
53. Caelo tegitur, qui non habet urnam. [Lucano, Pharsalia 7.819]. É o céu que envolve quem não tem urna (para lhe receber o corpo).
54. Caelo tonantem, credidimus Iovem regnare. [Horácio, Carmina 3.5.1]. Quando rugiu o trovão, acreditamos que Júpiter reina no céu. nNa hora da aflição todo o mundo se lembra de Deus. nO medo é o pai da crença.
55. Caelos non penetrat oratio quam canis orat. A oração que o cão reza não penetra no céu. nOração de cão não chega ao céu.
56. Caelum ac terras miscere. [DAPR 256]. Misturar o céu com a terra. nMisturar alhos com bugalhos. nMisturar verdes com maduras. VIDE: lCaelum terrae miscere. lCaelum terrae, terram caelo miscere. lOmnia confundere.
57. Caelum et terra transibunt, verba autem mea non praeteribunt. [Vulgata, Mateus 24.35]. Passarão o céu e a terra, mas não passarão minhas palavras.
58. Caelum, non animum, mutant, qui trans mare currunt. [Horácio, Epistulae 1.11.27]. Mudam de clima, não de espírito, os que transpõem os mares. nAsno que a Roma vá asno volta de lá. nTolo vai a Santarém, tolo vai, tolo vem. nQuem é mau em sua vila pior será em Sevilha. VIDE: lAnimum debes mutare, non caelum. lMutans locum, mores tamen mutat nihil. lPermutare te potes, sed non meliorare. lVitia nostra regionum mutatione non fugimus.
59. Caelum stat, terra movetur. O céu permanece imóvel; é a terra que se move.
60. Caelum terrae, terram caelo miscere. Misturar o céu com a terra, e a terra com o céu. nMisturar alhos com bugalhos. nMisturar verdes com maduras. lCaelum terrae miscere. [DAPR 349]. VIDE: lCaelum ac terras miscere. lOmnia confundere.
61. Caelum undique et undique pontus. [Virgílio, Eneida 3.193]. Por todos os lados céu e por todos os lados mar.
62. Caeno puram aquam turbans nunquam invenies potum. [Erasmo, Adagia 2.6.83]. Se sujas com lodo a água limpa, nunca acharás bebida. lCaeno limpidam aquam inquinans nunquam invenies potum. VIDE: lQuod bibas nunquam reperies, si caeno inquines limpidam aquam.
63. Caesar, memento te mortalem esse! [Dengg 10]. Imperador, lembra-te de que és mortal!
64. Caesar non super grammaticos. [Rezende 628]. César não (está) acima dos gramáticos.
65. Caesus est Phryx melior, atque ad serviendum promptior. [Apostólio, Adagia Graecorum 20.37]. O frígio espancado fica melhor e mais disposto a servir. (=Os frígios eram tidos por lentos e preguiçosos). nAçoite, grande mezinha. nO louco pela pena é cordo. VIDE: lPhryx plagis emendatur. lPhrygem plagis solere fieri meliorem.
66. Calamitas nulla sola. [Rezende 633]. Nenhuma desgraça vem só. nUma desgraça nunca vem só. VIDE: lEheu! nullum infortunium venit solum. lMalis mala succedunt. lNulla calamitas sola. lNullum infortunium venit solum.
67. Calamitas querula est, et superba felicitas. [Quinto Cúrcio, Historiae 5.5]. A infelicidade é queixosa, mas a felicidade é orgulhosa. VIDE: lFelicitas est superba.
68. Calamitas saepius disciplina virtutis est. [Minúcio Félix, Octavius 36]. A calamidade na maioria das vezes é a escola da virtude.
69. Calamitas virtutis est occasio. [Sêneca, De Providentia 4.6]. A desgraça é o momento da coragem.
70. Calamitatum habere socios miseris est solacio. Aos infelizes serve de consolo ter companheiros de infortúnio. nMal de muitos consolo é. nTristeza dividida, tristeza aliviada. VIDE: lCommune naufragium, omnibus est consolatio. lCommune naufragium, omnibus solacium. lCommune naufragium omnibus solatio est. lConsolatio miserorum est habere socios. lGaudium est miseris socios habere poenarum. lMagna consolatio est patientis, si secum habeat condolentem. lSolacium est miseris socium habere malorum. lSolamen miseris socios habuisse malorum. lSolamen miseris socios habuisse doloris.
71. Calamitosum non irriseris. [Quílon / Rezende 634]. Não zombes do desgraçado. nNão te alegres com meu doilo, que, quando o meu for velho, o teu será novo.
72. Calamitosus est animus futuri anxius. [Sêneca, Epistulae 98]. É infeliz o espírito atormentado com o futuro. nSofre de medo quem tem medo de sofrer.
73. Calamo currente. [DAPR 791]. Ao correr da pena. De improviso. VIDE: lCurrente calamo. lCurrente stilo.
74. Calcanda semel via leti. [Horácio, Carmina 1.28.16]. O caminho da morte deve ser pisado uma só vez.
75. Calcat iacentem vulgus. [Sêneca, Octavia 455]. A plebe espezinha o vencido. nCão danado, todos a ele.
76. Calcea te caligas tuas. [Vulgata, Atos 12.8]. Calça tuas sandálias.
77. Calcem impingit. [Petrônio, Satiricon 46.5]. Ele dá um ponta-pé.
78. Calceos mutare. [Erasmo, Adagia 4.8.13]. Trocar os sapatos. (=Mudar de classe social. Tornar-se senador). VIDE: lMutavit calceos.
79. Calceos tempus transmutat. [Pereira 101]. O tempo troca os sapatos. nDe cem em cem anos, os reis são vilãos, e de cento e seis, os vilãos, reis.
80. Calceus angustior urit pedem. Um sapato mais apertado machuca o pé.
81. Calceus maior pede. [Pereira 112]. O sapato é maior do que o pé. nNão é forma de seu pé.
82. Calceus maior subvertit. Sapato muito grande derruba. nQuem muito quer tudo perde. lCalceus si pede maior erit, subvertet, si minor, uret. [Horácio, Epistulae 1.10.42]. Se o sapato for maior do que o pé, derrubará a pessoa, se for menor, machucará.
83. Calcibus et pugnis. [Pereira 97]. Com pés e punhos. nCom unhas e dentes.
84. Calcitrare contra acumina. [Amiano Marcelino, Historiae 18.5.1]. Dar chutes no aguilhão. nDar murro em ponta de faca. VIDE: lAdversus stimulos calces iaces. lContra stimulum calcitrare. lContra stimulos calces iacere. lDurum est tibi contra stimulum calcitrare. lInscitia est adversum stimulum calces.
85. Calda potio vestiarius est. [Petrônio, Satiricon 41.11]. Uma bebida quente vale um alfaiate.
86. Caldum meiere et frigidum potare. [Petrônio, Satiricon 67.10]. Urinar quente e beber frio. (=Dar mais do que recebe. Custar mais caro do que vale).
87. Calet tamquam furnus. [Petrônio, Satiricon 82]. Arde como um forno.
88. Calices quem non fecere disertum? [Horácio, Epistulae 1.5.19]. A quem os cálices não fizeram loquaz? nCachaceiro não tem segredo. nQuando o vinho desce, as palavras sobem. VIDE: lEbrietas et amor secreta produnt. lNullum secretum est ubi regnat ebrietas. lVinum verba ministrat.
89. Calidum audivi esse optimum mendacium. [Plauto, Mostellaria 657]. Ouvi dizer que a melhor mentira é a (que se serve) quente. lCalidum optimum mendacium. A mentira quente é a melhor.
90. Calidum et frigidum ex eodem ore efflare. [Pereira 105]. Da mesma boca soprar frio como quente. nFalar por duas bocas. VIDE: lEx eodem ore frigidum pariter et calidum efflare. lEx eodem ore calidum et frigidum efflare. lEx ipso ore procedit benedictio et maledictio.
91. Caligare in sole [Erasmo, Adagia 2.5.77]. Estar no sol e não enxergar. (=Não entender nada, mesmo quando tudo é claro).
92. Caligo discordiae splendorem tenebrat veritatis. [Boncompagno, Breviloquium 8.14]. A escuridão da discórdia obscurece o esplendor da verdade.
93. Calliditas non debet alicui prodesse et alteri nocere. [Jur]. A astúcia não deve favorecer a um e prejudicar a outro.
94. Callidus est latro qui tollit furta latroni. [Pereira 119]. Esperto é o ladrão que arrebata os roubos de outro ladrão. nQuem engana ao ladrão, cem dias ganha de perdão. nLadrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
95. Calumnia conturbat sapientem, et perdet robur cordis illius. [Vulgata, Eclesiastes 7.8]. A calúnia turba o sábio, e ela abaterá a firmeza do seu coração. lCalumnia est conturbatio sapientis. A calúnia é a perturbação do sábio.
96. Calumniae iuramentum. [Jur / Black 268]. Juramento contra a calúnia. lCalumniae iusiurandum. . [Jur / Black 269].
97. Calumniare fortiter, et aliquid adhaerebit. [CODP 67]. Calunia corajosamente, que sempre alguma coisa ficará. VIDE: lAudacter calumniare, semper aliquid haeret.
98. Calumniari est falsa crimina intendere, praevaricari vera crimina abscondere, tergiversari in universum ab accusatione desistere. [Digesta 48.16.1.1]. Caluniar é fazer acusações falsas; prevaricar é ocultar crimes verdadeiros; tergiversar é desistir completamente da acusação.
99. Calumniatorem sua poena manet. [EpiF 1.17]. Ao caluniador está reservada sua punição. nQuem fala paga.
100. Calumniatores multi, defensor rarus. Muitos detratores, raro defensor.
101. Calve, meos nunquam potui numerare capillos; nec tu, nam nulli sunt, numerare tuos. [John Owen, Epigrammata 1.106, Ad Calvum]. Ó careca, nunca pude contar meus cabelos, nem tu os teus, pois eles não existem.
102. Calvitium non est vitium, sed prudentiae indicium. A calvice não é um defeito, mas um indicador de sabedoria.
103. Calvum ne vellas. [Pereira 110]. Não arranques os cabelos ao calvo. nMal haja quem calvo penteia.
104. Calvus comatus. [Erasmo, Adagia 2.5.60]. É um careca usando peruca. nQuem o alheio veste na praça o despe.
105. Calvus pectinem poscit. O calvo reclama um pente. nPara que cego com espelho? lCalvus pectinem. [Schottus, Adagia 322]. VIDE: lQuid pectunt, qui non habent capillos?
106. Camelum vidimus saltitantem. [S.Jerônimo / Tosi 118]. Vimos um camelo a dançar. (=É um desajeitado!). lCamelus dansat. O camelo está dançando.
107. Camelus, cupiens cornua, aures perdidit. [PSa]. O camelo, desejando ter chifres, perdeu as orelhas. nQuem tudo quer tudo perde. nQuem quer mais do que convém, a mal vem. lCamelus, cornua desiderans, etiam aures perdidit. [Apostólio, Paroimiai 9.70]. lCamelus, desiderans cornua, etiam aures perdidit. [Pereira 120]. lCamelus, desiderans cornua, perdidit aures. [Medina 622].
108. Camelus scabiosa multorum asinorum tollit onera. [Apostólio, Paroimiai 10.75]. O camelo, mesmo sarnento, leva a carga de vários burros. lCamelus vel scabiosa complurium asinorum gestat onera. [Erasmo, Adagia 1.9.58]. VIDE: lScabiosa camelus multorum asinorum onera in se recipit.
109. Campi partitio. [Jur]. Partilha de terras.
110. Campus habet lumen, et habet nemus auris acumen. [CODP 96]. O campo tem olhos, e o bosque tem ouvido agudo. nMatos têm olhos e paredes têm ouvidos. nParedes e prados, ouvidos largos. lCampus habet oculos, silva aures. [DAPR 600]. O campo tem olhos, o bosque tem ouvidos.
111. Campus Martius. O Campo de Marte. (=Campo de Marte. Vasta planície fora dos muros de Roma, em que a juventude praticava exercícios físicos).
112. Cancer leporem capit. [Erasmo, Adagia 2.4.78]. O caranguejo alcança a lebre. nAnda o carro adiante dos bois. nAnda o mundo às avessas. VIDE: lAquilam testudo vincit. lVelocem tardus assequitur.
113. Cancri nunquam recte ingrediuntur. [Pereira 119]. Os caranguejos nunca andam em linha reta. nPau que nasce torto nunca se endireita. nQuem más manhas há, tarde ou nunca as perderá. VIDE: lNunquam efficies ut recte ingrediantur cancri.
114. Cancros lepori comparas. [Erasmo, Adagia 1.8.85]. Comparas caranguejos à lebre. lCancrum lepori comparas. [Schottus, Adagia 182]. Comparas caranguejo à lebre.
115. Cancrum ingredi doces. [Erasmo, Adagia, 3.7.98]. Ensinas o caranguejo a andar para frente. nÉ malhar em ferro frio. lCancros ingredi doces. [Pereira 104]. Ensinas carranguejos a andar para frente.
116. Candida de nigris et de candentibus atra. [Ovídio, Metamorphoses 11.313]. (Fazer) branco do negro, e do claro, escuro.
117. Candida nostri saecula patres videre, procul fraude remota. [Sêneca, Medea 329]. Nossos pais viram séculos de inocência, dos quais toda fraude estava banida.
118. Candida Pax. [Tibulo, Elegiae 1.10.45]. A Paz cândida.
119. Candida pax homines, trux decet ira feras. [Ovídio, Ars Amatoria 3.502]. Uma paz serena fica bem aos homens, a cólera furiosa é própria das feras.
120. Candide et constanter. Com franqueza e firmeza.
121. Candidus et felix proximus annus erit. [Ovídio, Ex Ponto 4.4.18]. O ano que vem será alegre e feliz.
122. Candor dat viribus alas. [Stevenson 1158]. A pureza dá asas à força.
123. Candorem praefero vitae. [Bernardes, Nova Floresta 1.9]. Prefiro a pureza à vida. nAntes a morte que a desonra. nAntes morte que vergonha. VIDE: lMalo mori quam foedari. lMavult mori quam maculari vir probus. lMelius mori quam foedari. lMori melius est quam peccare. lMori satius est, quam turpiter vivere. lMors servituti turpitudinique anteponenda. lMors turpitudini anteponenda. lPotius mori quam foedari. lPotius mori milies quam semel foedari. lPrius mori quam foedari.
124. Cane peius et angue.
125. Canem excoriatum excorias. [Erasmo, Adagia 2.3.54]. Esfolas um cão esfolado. nChutas cachorro morto. lCanem exspolias excoriatum. [Schottus, Adagia 227]. VIDE: lExcoriatum excorias.
126. Canem mortuum persequeris. [Vulgata, 1Reis 24.15]. Persegues a um cão morto.
127. Canem timidum vehementius latrare quam mordere. [Quinto Cúrcio, Historiae 7.4.13]. O cão medroso late com mais ímpeto do que morde. VIDE: lCanes timidi vehementius latrant quam mordent. lCanes timidi vehementius latrant. lCanis timidus vehementius latrat quam mordet.
128. Canendo musicam disces. [Erasmo]. Cantando, aprenderás música. nBatendo ferro é que se fica ferreiro. nA prática é a mestra de todas as coisas.
129. Canes currentes bibere in Nilo flumine, a corcodillis ne rapiantur, traditum est. [Fedro, Fabulae 2.22.3]. Conta-se que os cães bebiam água no Nilo correndo, para não serem apanhados pelos crocodilos. VIDE: lIlle homo agit quod canis in Aegypto. lQuod canis in Aegypto: bibit et fugit; quando in illis regionibus constat canes raptu crocodilorum exterritos currere et bibere. lSicut canis ad Nilum, bibens et fugiens. lTamquam canis e Nilo. lUt canis e Nilo.
130. Canes defensores. [Varrão, De Agri Cultura 2.9]. Cães de guarda.
131. Canes interdiu clausos esse oportet, ut noctu acriores et vigilantiores sint. [Marcos Catão, De Agri Cultura 124]. Os cães devem ser mantidos presos durante o dia, para que à noite sejam mais ferozes e mais vigilantes.
132. Canes mitissimi furem quoque adulantur. [Columela, De Re Rustica 7.12.5, adaptado]. Os cães muito mansos fazem festa até para o ladrão.
133. Canes muti non valentes latrare. [Vulgata, Isaías 56.10]. São uns cães mudos que não podem ladrar.
134. Canes plerumque qui vehementius latrant, habentur viliores. [DAPR 532]. Geralmente os cães que latem com mais violência são os que pior se comportam. nCão que ladra não morde. lCanes pigri vehementius latrant. Cães preguiçosos latem com mais violência.
135. Canes qui plurimum latrant perraro mordent. [DAPR 392]. Os cães que muito ladram muito raramente mordem. nCão que muito ladra pouco morde. lCanes plurimum latrantes raro mordent. lCanes plurimum latrantes non mordent. Cães que latem muito não mordem.
136. Canes timidi vehementius latrant quam mordent. [Pereira 99]. Cães medrosos latem com mais ímpeto do que mordem. nCão que late não morde. lCanes timidi vehementius latrant. [Erasmo, Adagia 3.7.100]. Cães medrosos latem com mais ímpeto. VIDE: lCanem timidum vehementius latrare quam mordere. lCanis timidus vehementius latrat quam mordet.
137. Cani das paleas, asino ossa. [Apostólio, Paroimiai 11.68]. Ao cão dás palhas, ao burro, ossos. nTrocas as bolas. nFazes as coisas às avessas. lCani paleas, asino ossa.
138. Canibus agnos obicere. [Pereira 110]. Oferecer os cordeiros aos cães. nDar ao lobo os carneiros a guardar.
139. Caninam pellem rodere. [Pereira 111]. Roer pele de cão. nMorder a quem morde. VIDE: lPellem caninam rodere.
140. Caninum prandium. [Aulo Gélio, Noctes Atticae 13.31; Erasmo, Adagia 1.10.39]. Uma refeição de cão. (=Uma refeição sem vinho). nÁgua e pão, jantar de cão. lCanina prandia. Refeições caninas. VIDE: lAqua et panis est vita canis. lPrandium caninum. lVilis aqua et panis, potus et esca canis.
141. Canis caninam non est mordere pellem. [DAPR 453]. Cão não morde pele de cão. nCão não come cão. nLobo não come lobo. nLadrão não furta ladrão. lCanis caninam carnem non est. [Albertatius 310]. Cão não come carne de cão. lCanis caninam non est. [Varrão, De Lingua Latina 7.3]. lCanis canem non est. nCão não come cão. [Dengg 12].
142. Canis clanculum mordens. [Grynaeus 213]. (É um) cão que morde sem que se espere.
143. Canis domi ferocissimus. [Grynaeus 632]. O cão em sua casa é muito valente. nEm sua casa cada qual é rei. nMuito pode o galo em seu poleiro. VIDE: lAusus maiores fert canis ante fores. lIn claustro domini furit acrior ira catelli. lIn foribus propriis canis est audacior omnis. lOmnis canis in porta sua magnus est latrator.
144. Canis festinans caecos parit catulos. [Erasmo, Adagia 2.2.35]. nCachorra apressada pare filhotes cegos. nCadelas apressadas parem cães tortos. nCachorro, por se avexar, nasceu com os olhos tapados. nQuanto mais pressa, mais devagar. nPressa só é útil para apanhar moscas.
145. Canis habet oculos, cor cervi. [Grynaeus 316]. Tem olhos de cão, mas coração de cervo.
146. Canis ignavus adversum lupos. [Horácio, Epodon 6.1]. Um cão preguiçoso contra os lobos.
147. Canis in praesaepe. [Erasmo, Adagia 1.10.13]. O cão na mangedoura. (=Diz-se de quem não aproveita de um bem, nem deixa que outros aproveitem).
148. Canis mordens non latrat. Cão que morde não ladra. nCão que não ladra, guarda dele.
149. Canis mortuus non mordet. [DAPR 463]. Cão morto não morde. nDefunto não morde. VIDE: lMortui non mordent. lMortuus non mordet.
150. Canis nonne similis lupo? [Cícero, De Natura Deorum 1.97]. O cão não é parecido com o lobo?
151. Canis oculos habens, cor vero cervi. [Homero, Ilíada 1.225]. Tem olhos de cão, mas coração de cervo.
152. Canis panem somniat. [Rezende 665]. O cão sonha com o pão. nSonhava o cego que via, sonhava o que queria.
153. Canis peccatum sus dependit. [Erasmo, Adagia 3.3.99]. O porco paga o pecado do cão. nPagam os justos pelos pecadores. lCanis delictum sus luit. [Apostólio, Paroimiai 19.17]. VIDE: lAlius peccat, alius plectitur. lFaber cadit cum ferias fullonem. lFabrum caedere cum ferias fullonem. lInnocentes pro nocentibus poenas pendunt. lOb textoris peccatum coquus vapulavit. lQuod peccant sontes, insontes saepe luerunt. lQuod peccant sontes, insontes saepe tulerunt. lQuod sus peccavit, succula saepe luit. lTibicen vapulat, coquo peccante.
154. Canis qui mordet, mordetur. [Walther / Tosi 1193]. Cão que morde é mordido. nQuem faz o mal espere outro tal. nO homem brigão tem sempre um arranhão. nQuem faz aqui, acha acolá. VIDE: lCutem gerit saepius laceratam canis mordax.
155. Canis reversus ad suum vomitum, et sus lota in volutabro luti. [Vulgata, 2Pedro 2.22]. Voltou o cão ao que tinha vomitado, e a porca lavada tornou a revolver-se no lamaçal. VIDE: lEvomita iterum vorat canis. lSicut canis qui revertitur ad vomitum suum, sic imprudens qui iterat stultitiam suam.
156. Canis sine dentibus vehementius latrat. Cão sem dentes ladra com mais ímpeto. nNão tem pé e queer dar coice. lCanis sine dentibus vehementer latrat. lCanis sine dentibus latrat. [Ênio / Varrão, De Lingua Latina 7.3]. O cão, mesmo sem dentes, ladra.
157. Canis surdo. Cantas para um surdo. nPerdes teu latim. lCanis surdis auribus. Cantas para ouvidos surdos. VIDE: lCantas surdo. lNon canimus surdis; respondent omnia silvae. lSurdo canis. lSurdo cantas.
158. Canis timidus vehementius latrat quam mordet. O cão medroso late com mais ímpeto do que morde. nCão que late não morde. VIDE: lCanem timidum vehementius latrare quam mordere. lCanes timidi vehementius latrant quam mordent. lCanes timidi vehementius latrant.
159. Canis venatiens. O cão de caça.
160. Canis vivens potior est leone mortuo. [Erpênio / Rezende 666]. nMais vale cão vivo que leão morto. nMais vale um jumento vivo do que um filósofo morto. nAntes burro vivo que sábio morto. VIDE: lMelior est canis vivus leone mortuo.
161. Canit avis quaevis sicut rostrum sibi crevit. [DAPR 508]. Cada ave canta conforme o bico que lhe nasceu. nCada passarinho canta sua canção. nCada um fala como quem é. VIDE: lAlia noctuae, alia vox coturnicis. lAlia voce psittacus, alia voce coturnix loquitur. lAliud cornix, et noctua cantat. lAliud noctua, aliud cornix sonat. lAliud noctua sonat, aliud cornix. lAlium noctua, cornix alium sonum edit.
162. Canities festina venit. [Claudiano]. As cãs chegam rápido.
163. Canities indicatio temporis est, non prudentiae. As cãs são indicação de tempo, não de sabedoria. nCabelo branco não é juízo.
164. Canities non affert sapientiam. [Rezende 667]. nCãs não dão sabedoria.
165. Canities senectutis venerabilis est. As cãs da velhice são dignas de respeito.
166. Canta et ambula. [S.Agostinho]. Canta e caminha.
167. Cantabant surdo, nudabant pectora caeco. [Propércio, Elegiae 4.8.47]. Elas cantavam para mim, mas eu estava surdo; elas desnudavam os seios para mim, mas eu estava cego.
168. Cantabit vacuus coram latrone viator. [Juvenal, Satirae 10.22]. O viajante de bolsos vazios cantará diante do assaltante. nCaminheiro sem despesa canta seguro ante o ladrão. nQuem não tem não teme. nNinguém pode despir um homem nu. lCantabit pauper coram latrone viator. [Stevenson 1851]. O viajante pobre cantará diante do ladrão. lCantabunt vacui coram latrone clientes. [Medina 604]. Os cidadãos sem dinheiro cantarão diante do ladrão. VIDE: lSi vitae huius callem vacuus viator intrasses coram latrone cantares. lVacuus cantat coram latrone viator.
169. Cantantes licet usque – minus via laedet – eamus. [Virgílio, Eclogae 9.64]. Podemos ir cantando: o caminho será mais fácil.
170. Cantas surdo. Cantas para um surdo. nPerdes teu latim. VIDE: lCanis surdo. lSurdo canis. lSurdo cantas.
171. Cantare amantis est. [S.Agostinho, Sermo 336]. Quem ama, canta. VIDE: lBis orat qui bene cantat. lQui bene cantat, bis orat. lQui cantat, bis orat.
172. Cantate Domino canticum novum; cantate Domino omnis terra. [Vulgata, Salmos 95.1]. Cantai ao Senhor um canto novo; cantai ao Senhor, habitantes de toda a terra. lCantate Domino canticum novum, quia mirabilia fecit. [Vulgata, Salmos 97.1]. Cantai ao Senhor um cântico novo, porque Ele operou maravilhas. VIDE: lHymnum cantemus Domino, hymnum novum cantemus Deo nostro. lNovum canamus canticum.
173. Cantator cycnus funeris sui. [Marcial, Epigrammata 13.77.2]. O cisne é o cantor do próprio funeral. VIDE: lCycnea cantio.
174. Cantet, amat quod quisque: levant et carmina curas. [Nemesiano, Ecloga 4]. Cada um cante aquilo que ama: os poemas também aliviam as preocupações.
175. Cantharus assidue gestatus perdidit ansam. [Pereira 123]. O cântaro freqüentemente transportado perdeu a asa. nTantas vezes vai o cântaro à bica que um dia lá fica. nTantas vezes vai a caldeirinha ao poço, que lá fica o pescoço. nDesgraça de pote é caminho de riacho. VIDE: lAmphora quae saepius petit fontem valde periclitatur. lCasus quem saepe transit, aliquando invenit. lFrangitur assidua fictilis urna via. lHydria tam diu ad fontem portatur, donec vel tandem frangatur. lOllula tam crebro fertur ad aquam, quod fracta refertur. lQuem saepe transit casus aliquando invenit.
176. Cantherius in porta cecidit. [Medina 596]. O rocim caiu na saída. (=Diz-se de quem comete erro logo no início de uma empresa).
177. Cantilenam eamdem canis. [Terêncio, Phormio 495]. nCantas sempre a mesma cantiga. nBates sempre na mesma tecla. nVens sempre com a mesma história.
178. Cantus planus. O cantochão.
179. Cantus sirenae. O canto da sereia.
180. Canum ecce caput, cerebrum non habet. [Branco 170]. Eis uma cabeça branca, mas não tem cérebro. nCabeça branca, mas sem juízo. nCãs não dão sabedoria.
181. Capax doli. [Jur / Black 273]. Capaz de cometer um crime.
182. Capax dominii. [Jur]. Capaz de domínio.
183. Capax negotii. [Jur / Black 273]. Competente para transações comerciais.
184. Caper emissarius. [Vulgata, Levítico 10.16]. O bode expiatório.
185. Capiant animos plus aliena suis. [Ovídio, Ars Amatoria 1.348]. O alheio seduz mais os espíritos do que o próprio. nA cabra do vizinho dá mais leite do que a minha.
186. Capias restim ac te suspendas. [Plauto, Poenulus 395]. Pega uma corda e te enforca. VIDE: lRestim tu tibi cape crassam ac suspende te.
187. Capiat qui capere possit. [Stevenson 2270]. Entenda quem puder entendê-lo. VIDE: lQui potest capere, capiat. lQui vult capere, capiat.
188. Capienda rebus in malis praeceps via. [Sêneca, Agamemnon 154]. Nos maus momentos deve-se tomar o caminho arriscado. nGrandes males exigem grandes remédios.
189. Capillos pro lana. Cabelos em lugar de lã. nGato por lebre.
190. Capillus de capite vestro non peribit. [Vulgata, Lucas 21.18]. Não se perderá um cabelo da vossa cabeça.
191. Capior vicissim fraudibus ipse meis. [Claudiano, De Sexto Consulatu 307]. Às vezes eu mesmo sou apanhado pelas minhas armadilhas.
192. Capit omnia tellus, quae genuit. [Lucano, Pharsalia 7.818]. A terra toma de volta tudo que gerou.
193. Capita aut navim. Cara ou coroa.
194. Capitalis oratio est ad aequationem bonorum pertinens. [Cícero, De Officiis 2.73]. É criminoso o discurso que propõe o nivelamento dos patrimônios.
195. Capite nobis vulpes parvulas quae demoliuntur vineas; nam vinea nostra floruit. [Vulgata, Cântico 2.15]. Apanhai-nos as raposas pequeninas que destroem as vinhas; porque a nossa vinha está já em flor.
196. Capiti capillos evellere. [Grynaeus 166]. Arrancar os cabelos da cabeça.
197. Capiti nihil aeque prodest atque aqua frigida. [Celso, De Medicina 4.3]. Nada faz mais bem à cabeça do que a água fria.
198. Capitis deminutio. [Jur]. A diminuição da capacidade. (=A perda total ou parcial dos direitos de cidadão).
199. Capitis execratio. [Jur]. A maldição capital. (=Pena que punha o homem fora da lei).
200. Capitis nives. [Horácio, Carmina 4.13.12]. As neves da cabeça. (=As cãs).
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