DICIONÁRIO BÍBLICO
VAIDADE
Prevenir-se contra (Sl 119,37; Ecl 1,2; 2,1.11.15; Is 5,21; 1Pd 3,3-5). Exemplos
(2Sm 24,9-15; Is 39,1-6; Mt 23,4-7; At 12,21-23). Vaidade feminina (2Rs 9,30; Is
3,16-24; Jr 4,30; 1Tm 2,9; 1Pd 3,3-5).
VERBO
Ver “Cristo”, “Palavra”.
VERDADE
Para nós, ocidentais, a verdade é a conformidade entre o pensamento e a
realidade. Na Bíblia a verdade corresponde a um desejo de conhecimento prático
para a vida. Está relacionada com a Lei, a revelação e a palavra de Deus.
Verdade identifica-se por isso com fidelidade.
Verdadeiro é aquilo que tem firmeza, consistência e em que o homem pode confiar.
Deus é verdadeiro porque é fiel à sua aliança e às suas promessas (Ex 34,6s; Dt
7,9; 2Sm 7,28s; Sl 31,6; 138,2). Sobre a palavra de Deus, que é a verdade, o
homem pode basear sua vida (Sl 26,3; Mt 7,24-27).
A Lei é verdadeira porque constitui um apoio firme que dá proteção ao homem (Ne
9,13; Sl 93,5; 119,86).
Na literatura sapiencial, verdade é igual a sabedoria (Pr 23,23; Ecl 12,10; Eclo
4,28).
No sentido moral, verdade equivale a sinceridade de coração (2Rs 20,3), justiça
e honestidade (Is 59,14). No NT a verdade adquire um cunho cristão, equivalendo
a “evangelho”(Gl 2,5.14; Cl 1,5; 2Tm 2,15). Para João, a verdade é o próprio
Cristo (Jo 1,1; 8,40; 14,6; 17,17; 18,37), a palavra do Pai que Cristo veio
anunciar neste mundo (Jo 1,17; 8,40-46).
A verdade de Deus manifesta-se em Cristo (2Cor 1,20; Ef 4,20); por isso, o
Apocalipse chama-o “Fiel” e “Verdadeiro”(Ap 19,11).
O testemunho de Cristo é completado pela ação do Espírito (Jo 14,26; 16,13).
O conhecimento da verdade exige disposições prévias (2Tm 2,10-12; 3,7; Ef 4,15;
6,14). O cristão é aquele que anda na verdade de Cristo (2Jo 4; 3Jo 3s).
VIDA
O Deus de Israel é um Deus vivo (Js 3,10-13; Dt 5,22-27; Sl 36,6-10; 84,1-3; Jr
2,13). A vida é um dom precioso (Ecl 9,4; Jó 2,4). Mas a vida é instável e breve
(Gn 45,26s; Nm 21,8s; Jz 15,19; 2Rs 1,2; 8,9; Jó 20,8; 33,22; Sl 18,5s; 22,16;
31,11; 88,4.7; 116,8; Ecl 5,12; 8,13; Eclo 18,10; 40,1-4; 51,10; Sb 2,5; Mt
6,25).
A verdadeira vida se manifesta em Cristo (Jo 5,26; 1Jo 1,1s; 5,9-13.20s), o
Autor da Vida (At 3,15). Pelo Batismo ele comunica a vida aos que crêem (Rm
6,3-11; Cl 2,11-13; Gl 2,19s; Ef 2,5-10; 1Cor 15,21s).
Por isso a vida do cristão é uma vida em Cristo: é preciso viver nele (Cl 2,6-8;
Fl 2,5): falar e agir nele (2Cor 2,12; 13,3); sofrer com ele (Rm 16,12; 1Cor
15,18; Fl 4,1; 1Ts 3,8); alegrar-se nele (Fl 3,1; 4,4-10); ser glorificado nele
(Rm 15,17; 1Cor 1,30s; 15,31; 2Cor 10,17; Fl 3,3); amar nele (Rm 16,8; 1Cor
4,17; Gl 3,27s; Cl 3,11). Ver ,“Retribuição”.
VIGILÂNCIA
No contexto da Parusia é um dos pilares da moral cristã(Mc 13,33-37; Mt
24,42-44; 25,13; Lc 12,36-40; 1Ts 5,1-7; 2Tm 4,5-7; 2Pd 3,10).
É preciso vigiar nas tentações (Mt 26,37-46; 1Cor 16,13; Cl 4,2; Ef 6,1-20; 1Pd
5,8).
Os anciãos de Éfeso devem vigiar nos combates pela fé (At 20,29-31; 1Cor 16,13).
A vigilância tende a manifestar-se nas vigílias litúrgicas e na oração (Ef 6,18;
Cl 4,2; Lc 6,12; 21,36; Mc 14,38).
VINDA DE CRISTO
Ver “Parusia”.
VINGANÇA DE SANGUE
Na concepção bíblica, o sangue derramado de uma pessoa clama ao céu por vingança
(Gn 4,10; 2Mc 8,3; Ez 24,6-8). O vingador do sangue, um parente da vítima, age
em nome de Deus para punir o crime (Gn 4,11; 2Sm 4,11; Dt 24,16), aplicando a
lei do talião (Ex 21,12-23). Para impedir que o homicida involuntário fosse
morto injustamente, a Lei previa cidades de refúgio (Js 20,1-9).
Jesus, em vez da vingança, manda suportar as injustiças e amar os inimigos (Mt
5,38-42). O cristão deve vingar o mal com o bem (Rm 12,19-21). A vingança
pertence a Deus (Dt 32,35.41; Jr 51,36) e não ao homem (Lv 19,18; Pr 20,22; Eclo
28,1-6; Mt 6,14; Lc 11,4; 1Cor 6,7; Ef 4,26; 1Ts 5,15). Ver “Redenção”.
VINHA
A Terra Prometida era uma vinha (Nm 13,20-26; Is 27,2-5). O povo de Israel é uma
videira transplantada do Egito (Sl 80,9-19). A restauração de Israel é uma nova
plantação da vinha (Am 9,13-15; Os 14,5-10).
A festa dos Tabernáculos é a festa da colheita da uva (Lv 23,40; 2Mc 10,7); mas
esta acabará, porque a vinha não dará mais fruto (Is 5,1-30; Jr 8,13-17).
Israel é uma vinha estéril (Is 5,1-7); por isso, Deus escolherá uma nova vinha
(Mt 20,1-16; 21,28-46) que é Cristo (Jo 15,1-12).
Cristo, nova Videira, dá o vinho novo da sabedoria (Pr 9,1-5; Is 55,1s; Jo
2,1-11; Mc 2,22; Mt 26,29).
VIRGEM MARIA
Ver “Maria”.
VIRGINDADE
No AT, a esterilidade era uma vergonha, mas a estéril pode ter uma fecundidade
espiritual (Sb 3,13s; 4,1).
Certos atos sagrados exigiam abstinência conjugal (1Sm 21,5-7; Ex 19,15).
Cristo faz um convite à castidade perpétua (Mt 19,12.21; 1Cor 7,1.7s; 1Ts
4,1-7).
O termo “virgindade”tem um sentido metafórico: não cair na idolatria (Ap 14,4;
21,2; 2Cor 11,2).
A castidade é uma virtude matrimonial (Rm 13,13; 1Cor 6,15; Gl 5,23-25).
A castidade é recomendada particularmente aos mensageiros do Evangelho (2Cor
6,6; 1Tm 4,12; 5,2.22).
VIRTUDE
Natureza (Mt 7,13.18s; Mc 12,28-34; Gl 5,6; 6,2; Cl 3,2.14; 2Pd 1,10). Progresso
na virtude (Pr 4,18; Rm 12,9-17; Fl 3,12s; 1Ts 4,1; 5,22; 1Tm 4,7; 2Pd 1,5-8;
3,18; Ap 22,11.
VIÚVAS
A lei do levirato e as leis sociais insistem na proteção às viúvas (Ex 22,21-23;
Dt 10,18; 24,17-21; 26,12s; Is 1,17-23; Jó 29,13).
Situação miserável das viúvas. Alguns milagres anunciam a sua felicidade
messiânica (1Rs 17,8-15; 2Rs 4,1-7; Sl 146,9).
Por isso, Jerusalém, esposa infiel, quando abandonada de Deus, é chamada viúva
(Is 54,4-8; Lm 1,1; Br 4,12; Ap 18,7).
As viúvas na Igreja apostólica constituíam uma espécie de ordem religiosa (1Cor
7,8.39s; 1Tm 5,3-16; At 6,1-6; Tg 1,27; Lc 21,1-4)
VOCAÇÃO
Cristo é o grande “chamado”. Nele todas as coisas foram chamadas à existência
(Ef 1,4-6.11-14; Rm 8,29; 1Pd 1,20s; Cl 1,15-23; Jo 1,1-3; Gn 1,1–2,4).
Esta vocação em Cristo pode ser individual e comunitária. Deus chama grandes
homens para formar comunidades: Abraão (Gn 12); Moisés (Ex 3,6); Samuel (1Sm 3);
Isaías (Is 6); Cristo (Hb 10,2-5; Mt 26,28; At 20,28; 1Pd 2,9s) que fundou a
comunidade apostólica. Chama também comunidades ou povos através desses homens
escolhidos; assim chamou Israel e a Igreja.
Esquema bíblico-literário da vocação:
- Procede da liberdade soberana de Deus (Jr 1,4s; Rm 8,30; 1Cor 1,9s; Gl 1,15).
- Exige o despojamento, na fé, pela obediência (Gn 12; Mt 4,18-22; 16,24-26;
8,18-22).
- Suscita quase sempre o temor no coração dos chamados (Ex 3,6; Jz 6,22; Is 6,5;
Jr 1,6).
- Investe o “chamado” de uma missão, que a Bíblia costuma assinalar com a
mudança do nome (Gn 17,4-8.19; Lc 1,13.31s.59-63; Jo 1,42). Esta investidura
corresponde, geralmente, a uma comunicação do Espírito: Profetas (1Sm 10,6;
16,13; Is 11,2; 42,1); apóstolos (Jo 20,22; 15,26; 16,7; At 2,1s).
Na Igreja todos somos iguais por razão da vocação em Cristo (Ef 1,22s; 4,11-16;
5,23; Cl 1,18; 2,19; 1Cor 12,13; 10,17; Gl 3,28s; Mt 23,8-12).
Contudo, temos funções diferentes, que supõem uma vocação na e para a
comunidade. Ver “Carisma”, Igreja”, “ Ministérios”, Sacerdócio”, “Profeta”.
VONTADE DE DEUS
Ver “Mistério”, “Salvação”, “Obediência”.
VULGATA
Tradução da Bíblia feita por S. Jerônimo entre 385 e 405 dC, em parte dos
originais gregos, hebraicos e aramaicos, em parte aproveitando traduções latinas
anteriores. Chama-se “Vulgata” por ter sido traduzida para a linguagem então
falada pelo povo no Império Romano. Esta tradução tornou-se o texto que a Igreja
Católica usa ainda hoje em seus documentos oficiais. Mas as traduções da Bíblia
em línguas modernas são, hoje em dia, feitas diretamente dos originais.