DICIONÁRIO BÍBLICO
PACIÊNCIA
A paciência de Deus é um aspecto do seu amor (Ex 34,6; Jn 4,2; Jl 2,13). O nosso
Deus é um Deus de paz, de paciência, de consolação e de esperança (Rm
15,5.13.33).
Àqueles que se maravilham da demora da parusia, Pedro responde que Deus é
paciente porque espera a conversão dos pecadores (2Pd 3,4-9; 1Pd 3,20; Rm
11,25-27). A paciência de Deus faz parte da sua pedagogia (Hb 12,5-7; Tg 1,12;
Rm 5,3s; 15,4).
A paciência é uma virtude humana (Jó 2,10; Pr 3,11; 14,29; Eclo 2,13s) e cristã
(Hb 12,1; Rm 12,12; Tg 1,2-4; 2Cor 1,6; 1Pd 2,19s; 2Tm 2,10-12), que favorece a
convivência com o próximo (Pr 19,11; 1Ts 5,14; 1Pd 3,14-17).
PADRE
Ver “Sacerdote”.
PÃES DA PROPOSIÇÃO
Ou “pães sagrados” são os pães oferecidos cada sábado a Deus. Eram colocados
sobre uma mesa de ouro, que estava no recinto do templo (cf. Nm 4,7). Só os
sacerdotes os podiam comer (Ex 25,30 e nota; Lv 24,5-9; 1Sm 21,2-7; Mc 2,26).
PAGÃO
Do latim paganus, “camponês”, o que vive nas vilas do interior. Nome dado aos
não-cristãos que tiveram de retirar-se para o interior em conseqüência da
expansão do cristianismo no mundo romano. Na Bíblia “pagão” designa o não-judeu
(Mt 5,47; 6,7), chamado também gentio, em oposição ao povo eleito. Mesmo
desconhecendo a Deus (Gl 2,14s) os pagãos são guiados por ele (Is 45,14-25; Mt
8,10; At 14,16) e chamados à fé (Rm 9-11). Ver “Grego”.
PAI
Pai terreno: A autoridade paterna é protegida pelo decálogo (Ex 20,12; Dt 5,16).
Rebelar-se contra o pai, maldizê-lo ou bater-lhe eram crimes castigados com a
morte (Ex 21,15-17; Dt 21,18-21). A literatura sapiencial insiste no respeito
aos pais (Eclo 3,1-16; Tb 4,3-5; Pr 1,8; 4,1; 6,20). Os pais, por sua vez, têm
obrigações para com os seus filhos: devem amá-los (1Sm 1,11-20; Mt 7,9; Lc
11,11; Tt 2,4); devem educá-los (Dt 6,20s; 32,46; Dn 13,3); vigiá-los (Eclo
26,10s; 42,9-11; 1Tm 5,8); castigá-los (1Sm 3,13; Pr 13,24; 22,15; 23,13s; Eclo
42,5), mas sem ira (Pr 19,18s; Eclo 20,2; Cl 3,21; Ef 6,4); devem dar-lhes o bom
exemplo (Ez 16,44; 2Mc 6,28; 7,20-22; 2Jo 4).
Jesus confirmou o sentido do quarto mandamento (Mc 7,10-13; 10,19; Mt 15,4-7).
As exigências do amor de Deus podem levar a renunciar ao amor paterno (Mt 8,21s;
10,37; 19,29; Lc 9,59s; 14,26).
Deus-Pai: No AT raramente se aplica a Deus o nome de Pai (Dt 32,6s; 2Sm 7,14; Sl
89,27; Eclo 51,10). Jesus fala com freqüência de “ vosso Pai”, “teu Pai”, “vosso
Pai do céu” e chama a Deus pelo nome de “Pai”: quando anuncia o Reino de Deus
(Mt 13,43; 20,23; 25,34; Lc 12,32); quando se refere à ação do Espírito (Mt
10,20), ao conhecimento de Cristo (Mt 16,17), à oração (Mt 18,19), à recompensa
(Mt 6,1); quando insiste na Providência do Pai (Mt 6,26-32; 10,29; Lc 12,30).
Cristo dá a Deus o nome de Pai (Mt 5,16.45.48; 7,21; 11,25; 24,36; Lc 10,22; Mc
13,32). Revela a Deus como seu próprio Pai (Mc 14,36; Mt 7,21; 11,27; 16,27;
26,39; Jo 2,16; Lc 2,49).
Para Paulo Deus é o “nosso Deus e Pai”(1Ts 3,13; 2Ts 2,16; 1Cor 1,3; 2Cor 1,2;
Gl 1,3; 4,6; Ef 1,2; Cl 1,12s; Rm 8,15).
João penetra mais no sentido da paternidade divina ao dizer que o homem é
“gerado por Deus”(Jo 2,16; 3,3).
PALAVRA
Na Bíblia, “palavra” não é apenas a manifestação do pensamento ou da vontade,
mas é algo concreto que continua existindo, carregado com a força da pessoa que
a pronuncia. Assim, a bênção pronunciada sobre Jacó não podia ser revogada (Gn
27,35-37) e a maldição proferida por Josué (Js 6,26) ou pelos gabaonitas (cf.
2Sm 21,1-14 e notas) continua agindo muito tempo depois (1Rs 16,34).
A Palavra de Deus é eficaz na criação (Gn 1,1s; Sl 147,15-18; Mt 8,24-27; Jó
36,5-13; Is 44,26-28; 55,11; Sb 18,14-19).
A palavra é simbolizada no pão que um dia se converterá no pão da Eucaristia (Am
8,11; Ex 16,4-15; Dt 8,3; Mt 4,3s; Jo 6,28-51).
Cristo é a Palavra encarnada (Jo 1,1s; 8,31-47; 1Jo 1,1; Ap 19,11-16; Mc 13,31),
que continua a atuar na Igreja (At 4,29-31; Fl 1,12-14; Hb 13,7-9; Lc 10,16;
2Cor 2,14-16; 2Tm 4,1-5).
O mutismo dos profetas prova que Deus já não está com o seu povo (1Sm 3,1; Is
28,7-13; Am 8,11s). A abundância da Palavra é sinal da presença dos tempos
messiânicos (Jl 3,1s; At 2,1-4). Por isso, se desata a língua de Zacarias e
Cristo faz ouvir os surdos e falar os mudos (Lc 1,64-67; 11,14-28; Mt 9,32-34;
12,22-24; Mc 9,17-27).
PÃO
Ver “Eucaristia”.
PAPA
Ver “Pedro”.
PAPIRO
Ver “Manuscrito”, “Códice”.
PARÁBOLA
É o desenvolvimento de uma comparação de dois termos, resultando numa narrativa.
Por exemplo, a comparação “A palavra de Deus é como a semente” foi desenvolvida
na parábola do semeador. A parábola é uma historieta inventada, mas baseada em
fatos corriqueiros da vida. Como na comparação, assim também na parábola os
termos devem ser tomados no sentido próprio. Na parábola, porém, o confronto não
se verifica entre dois termos, e sim entre duas situações. É desse confronto que
se deve tirar o ensinamento, fim principal da parábola.
Parábolas de Jesus:
- Administrador infiel: Lc 16,1-13.
- Amigo importuno: Lc 11,5-8.
- Avarento insensato: Lc 12,16-21.
- Bodas do filho do rei: Mt 22,1-14.
- Bom Pastor: Jo 10,1-16.
- Bom samaritano: Lc 10,30-37.
- Casa sobre rocha: Mt 7,24-27; Lc 6,47-49.
- Cem moedas de prata: Lc 19,11-26.
- Dez virgens: Mt 25,1-13.
- Dois devedores: Lc 7,41s.
- Fariseu e o cobrador de impostos: Lc 18,9-14.
- Fermento: Mt 13,33; Lc 13,20s.
- Figueira estéril: Lc 13,6-9.
- Filho fingido: Mt 21,28-32.
- Filho pródigo: Lc 15,11-32.
- Grande ceia: Lc 14,16-24.
- Grão de mostarda: Mt 13,31s; Mc 4,30-32; Lc 13,18-21.
- Grão de trigo: Jo 12,24.
- Joio entre o trigo: Mt 13,24-30.36-43.
- Juiz iníquo: Lc 18,1-8.
- Lavradores homicidas: Mt 21,33-46; Mc 12,1-12; Lc 20,9-19.
- Moeda perdida: Lc 15,8-10.
- Ovelha extraviada: Mt 18,12-14; Lc 15,1-7.
- Pai de família: Mt 13,52.
- Pérola preciosa: Mt 13,45s.
- Rede de pesca: Mt 13,47-50.
- Rei que vai guerrear: Lc 14,31-33.
- Rico avarento e o pobre Lázaro: Lc 16,19-31.
- Roupa velha: Mt 9,16; Mc 2,21; Lc 5,36.
- Semeador: Mt 13,1-9.18-23; Mc 4,3-20; Lc 8,4-15.
- Semente que cresce: Mc 4,26-29.
- Servo cruel: Mt 18,23-35.
- Servos inúteis: Lc 17,7-10.
- Servos vigilantes: Mt 24,42-51; Lc 12,35-48.
- Talentos: Mt 25,14-30.
- Tesouro no campo: Mt 13,44.
- Torre a ser construída: Lc 14,28-30.
- Trabalhadores na vinha: Mt 20,1-16.
- Videira e ramos: Jo 15,1-8.
- Vinho novo: Mt 9,17; Mc 2,22; Lc 5,37-39.
PARÁCLITO
Significa “advogado”, “consolador”. Termo com que João designa o Espírito Santo
e sua função em relação a Cristo e na Igreja (cf. Jo 14,16 e nota).
PARAÍSO
Termo grego que traduz o hebraico “jardim do Éden”, ou de delícias. É o símbolo
da alegria e da felicidade (Gn 2,15), da morada da divindade (Ez 28,12-19). No
NT é o lugar onde se espera viver a felicidade eterna com Deus (2Cor 12,4; Ap
2,7). Para o judaísmo era o lugar onde ficavam os mortos à espera da
ressurreição (Lc 16,23; 23,43). Ver “Éden”.
PARTICIPAÇÃO
Herança comum, ou sorte comum que os cristãos terão com Cristo no fim do mundo
(Mt 24,51; Lc 10,42; Jo 13,8; Ap 20,6; 21,8). Significa também ter comunhão ou
parte em alguma coisa. Os cristãos têm parte no Evangelho (Fl 1,5), no Espírito
(2Cor 2,13), na ressurreição de Cristo (1Cor 1,9). Esta participação na glória
de Cristo supõe uma participação na sua paixão (Rm 6,4-8; 8,17; Cl 2,12s; Fl
3,10). Pela Eucaristia o cristão entra em comunhão com o corpo do Senhor
sacrificado e pelo seu sangue derramado entra em comunhão de vida com Cristo
(1Cor 10,14-22; 11,17-29), garantindo para si a ressurreição no último dia (Jo
6,48-58).
PARUSIA
Significa a entrada solene do rei na sua capital (2Sm 6; 1Rs 1,38-53; 2Rs
11,1-16).
No AT aparecem duas tendências: parusia futura –vinda do Rei-Messias (Zc 9,9s;
Is 40,9-11); outra, recordando que é Deus o Rei de Israel, anuncia uma vinda de
Deus em pessoa (Is 46,9-13; 52,7s; Zc 1,3.16; 2,9-13; 8,2s).
A entrada de Cristo em Jerusalém é narrada num contexto de Parusia (Mt 21,1-11).
O Batista é o arauto desta chegada (Mt 3,11s). Cristo, porém, diz que a hora de
sua manifestação não chegou (Jo 7,2-9; 18,35; 14,3).
Na linha da segunda tendência do AT, acima descrita, a vinda do Filho do homem é
apresentada com elementos divinos (Mt 16,27s; 24–25; Lc 21,25-33).
Textos relativos à Parusia gloriosa (1Cor 1,8; 15,23; 1Ts 2,19; 3,13; 4,15; 2Pd
1,16; 3,4.12; 1Jo 2,28). Veja “Dia do Senhor” e a nota em 2Ts 2,1-12.
PÁSCOA
Principal festa do judaísmo, que comemora a maravilhosa libertação dos hebreus
do Egito, pela passagem do mar Vermelho (cf. as notas em Ex 12,1–13,16; Lv
23,5-8; Nm 9,1-14). A Páscoa cristã celebra a ressurreição de Jesus no domingo
após o dia 14 de Nisã, data da Páscoa judaica (Lc 24,1; At 20,7; 1Cor 16,2; Ap
1,10). É a memória do sacrifício de Jesus na cruz, a nova vítima pascal (1Cor
5,6-8; 11,26), e de sua vitória sobre a morte pela ressurreição. Ver “Festa”.
PASTOR
A figura do pastor era muito familiar na Palestina e no Médio Oriente.
Diariamente o pastor sai com suas ovelhas para conduzi-las às pastagens ou, em
determinados momentos, às fontes. De tarde reconduz as ovelhas ao curral. Na
literatura universal o pastor tornou-se a figura do guia, político ou religioso,
de uma comunidade. Em Israel os reis (cf. Ez 34,2-6 e nota), os sacerdotes e os
profetas são chamados pastores.
Diante da infidelidade destes pastores, Deus promete ele mesmo tomar conta de
seu povo, por meio do pastor fiel, o descendente de Davi (Jr 23,1-6). Jesus se
apresenta como o bom pastor, solícito pelas suas ovelhas a ponto de dar por elas
a própria vida (Jo 10,1-18). Após a ressurreição, Jesus constitui Pedro como
pastor para tomar conta de seus discípulos em seu lugar (21,17).
PATRÕES
Devem usar de justiça (Lv 19,13; Dt 5,12-14; 24,12-15; Tb 4,15; Eclo 34,26-27;
Ml 3,5; Mt 7,2; 10,10; Rm 4,4; Tg 5,4); devem respeitar os direitos humanos (Lv
25,43; Eclo 4,30; Ef 6,9; Cl 4,1).
PAULO
Em hebraico Saulo, é um judeu de Tarso, da tribo de Benjamim, cidadão romano de
nascença (At 16,21.37s; 22,25-29; Fl 3,5). Perseguiu os discípulos de Jesus, mas
depois converteu-se (At 9,1-30), tornando-se o apóstolo dos pagãos. Empreendeu
três grandes viagens missionárias (At 13–14; 15–18; 19–21). A ele são atribuídas
catorze epístolas, havendo dúvidas quanto à autoria de algumas, como as
epístolas aos Efésios, a Timóteo, a Tito e aos Hebreus (ver as respectivas
introduções ). É inegável a influência da doutrina de Paulo nos outros escritos
do NT e na vida cristã em geral.
PAZ
O conceito “paz”(xalom em hebraico) é muito rico na Bíblia. Ter paz é ser
completo, inteiro; é gozar de prosperidade material e espiritual; é manter boas
relações entre pessoas, famílias e povos. Paz é o oposto de tudo quanto perturba
a prosperidade e as boas relações. É um dom de Deus, concedido a Israel em
virtude da aliança (Nm 25,12; cf. 6,22-26).
Quando Israel é fiel à aliança, goza de paz; quando é infiel, perde a paz, mas
pode recuperá-la pela conversão (Lv 26). Em meio a tantas guerras, os profetas
anunciam a paz para os tempos messiânicos, paz entre Deus e os homens, e entre
os homens e animais (Is 2,2-4; 9,5s; 11,6-9; 60,17s; Os 2,20; Am 9,13s; Zc
8,9-13).
Para haver paz é preciso que haja fidelidade à aliança e justiça entre os homens
(Sl 72,3-7). Cristo veio a este mundo para trazer a paz (Lc 2,14; 8,48; Mc
5,25-34), e reconciliar os homens com Deus (Jo 14,27; Fl 4,4-9; Ef 2,14-17).
Unindo-se a Cristo, o homem participa desta paz (1Pd 5,14). Por isso o cristão
deve não só desejar aos outros esta paz (Lc 10,5), mas promovê-la efetivamente
(Mt 5,9).
PECADO
O primeiro conceito de pecado está ligado à violação de um tabu (Js 7,24-26;
9,20; 1Sm 15,3-32; 2Sm 1,14s; 6,1s).
No AT o pecado está ligado à relação do homem com Deus. O pecado implica em
infidelidade à aliança, em traição ao amor de Deus, em separação da comunidade.
Para Jesus, pecador é quem não observa a vontade de Deus expressa pela Lei (Mt
9,13; 19,17-29). Jesus denuncia o pecado, mas é amigo dos pecadores (Mt 11,19;
Lc 15,1s) e lembra que Deus está pronto a perdoar (Lc 11,4; 15,1-34; 18,13).
O pecado é a tentação do ser humano de dominar a Deus (Gn 3,1-19; Eclo 3,26-29;
10,12s; Jó 21,14-16; 22,17s; 1Sm 2,1-10).
O pecado é uma desobediência a Deus, um atentado contra o amor de uma pessoa (Dt
11,16; Dn 9,5-9; Is 50,1; Os 2,4-9; Jr 3; Ez 16; Tg 4,4-10).
Paulo descreve a origem do pecado, mal que aflige a humanidade toda (Rm 1–5),
mas que encontra o remédio na redenção operada por Cristo (Rm 6–8). O pecado
para ele é uma escravidão à Lei e ao mundo (Rm 6,6; 7,5-23; Gl 4,3). Mas pela fé
em Cristo e pela prática do amor ao próximo o cristão fica livre de todo pecado
(Rm 13,8-10; 1Cor 13,4-7).
Para João, o pecado por excelência é o “príncipe deste mundo”(Jo 3,19-21; 8,44;
16,11).
Do coração procede todo o pecado (Ex 20,17; Jó 31,4-37; Mt 12,33-37; 15,19s).
Cristo veio por causa dos pecadores, não por causa dos justos (Lc 12,1s; 5,32;
19,1-10; Mt 9,1-13).
Pecado original (Gn 3,1-24; 11,1-9; Rm 5,12-21; 1Cor 15,21s; Rm 3,23).
PEDRO
Recebe um novo nome que significa a sua nova função (Jo 1,41s; Mt 16,17s).
Ocupa o primeiro lugar como rocha da Igreja (Lc 6,14; 8,45; 9,32s; 12,41; Mt
16,13-20; Jo 21,15-17). É a primeira testemunha da ressurreição (At 1,15-20).
Pedro faz-se missionário (At 8,14-25; 9,32–10,48; Gl 2,8).
Os milagres proclamam a sua ação messiânica (At 3,1-8; 9,31-43).
Predição, pecado e arrependimento de Pedro (Mt 26,30-35; Jo 13,36-38; 18,15-27;
Mt 26,69-75; Lc 22,54-61).
PEITORAL
Peça do ornamento do Sumo Sacerdote, vestida sobre o efod. Ver Ex 28,15-30 e
nota.
PENITÊNCIA
É metanóia –conversão –mudança de vida (2Sm 12,14-23; Is 1,16-19; Jl 2,12-19; Ez
18,30s; 33,10s; Lc 13,4s; 24,46s; Mt 3,2.8; 11,21s; Lc 13,3; Ap 2,5; At 3,19; Ef
4,20-24; 1Jo 1,8-10).
A penitência deve ser interior (Is 58,5-7; Jr 4,4; 9,24s; Rm 2,29; Cl 2,11; Gl
5,6; 6,15), mas manifesta-se também em ritos exteriores (Lv 4–5; 16,1-19; Nm
29,7-11; Lc 5,8; 18,9).
É uma virtude: Dt 4,9; Jó 42,6; Sl 51,10; Eclo 2,18; 1Cor 11,31; Cl 3,9.
O Batismo –sacramento da penitência ou da conversão: Batismo de João (Mt 3,6; Mc
1,4s; Lc 3,3-14). Batismo cristão (At 2,38; 3,19; 5,31; 11,18; 17,30; 22,16;
26,20).
PENSAMENTOS
Podem ser pecaminosos (Pr 6,18; Sb 1,3; Zc 8,17; Mt 15,19; Hb 4,12). É preciso
evitá-los (Sl 1,2; 39,4; 85,9; 119,92.97; Rm 1,19s).
PENTATEUCO
O termo vem do grego e significa “cinco rolos”, isto é, os cinco primeiros
livros da Bíblia, chamados também “Lei de Moisés”(2Cr 23,18) ou “Lei”(Ne 8,2).
Os samaritanos reconhecem apenas o Pentateuco como canônico. Ver Introdução
geral.
PENTECOSTES
Ver “Festa”.
PERDÃO
O poder de perdoar é um poder messiânico, pertence ao “Messias-Juiz”(Is 33,24;
Jr 31,34; 33,8; Ez 16,63; 36,25-33). Está ligado ao dom do Espírito (Ez 36,27;
Is 11,1-3; Jo 20,19-23). É um poder do Filho do homem (Mt 9,3-7; Lc 7,48s; cf.
Dn 7,13s).
O perdão de Deus está subordinado à fé do pecador arrependido (Mt 9,1-8; Lc
5,17-26; 7,48-50; At 10,42s; 13,38; 26,18). Esta fé pode ser também a de uma
comunidade (Mc 2,2-5).
O poder de perdoar dos ministros da Igreja (Mt 9,8; 16,19; 18,28; Jo 20,19-23).
Os cristãos devem ser portadores do perdão de Deus (Mt 5,23-26; 6,12-15;
18,21-25; Lc 11,4; 17,3s; 2Cor 2,5-11). Devem perdoar até aos inimigos (Eclo
28,1-7; Mt 5,44s; 6,12; 18,21s.35; Lc 6,36; 17,3; Rm 12,17-19; Ef 4,32; 1Ts
5,15; 1Pd 3,9; 1Jo 2,11).
PEREGRINAÇÃO
O Êxodo é uma peregrinação para a Terra Prometida, para o país da liberdade. As
peregrinações a Jerusalém situam-se neste movimento (Sl 48; 84; 121–122; Dt
16,16s; Lc 2,41). Também o regresso do Exílio é previsto como uma peregrinação
processional (Is 35,6-10; 60; Jr 31,12-14; Ne 12,31-40).
A entrada dos pagãos na Igreja é descrita como uma peregrinação-procissão (cf.
Is 60; Mt 2,1-12).
A procissão da Arca da Aliança (1Rs 8,1-4; Sl 131; 2Cr 5,2-5) renova-se com a
subida de Cristo a Jerusalém (Lc 2,22-51; 19,28-38).
Lc apresenta o ministério de Cristo como uma subida a Jerusalém (Lc 9,51-53;
13,22.33; 17,11; 18,31).
E a missão dos apóstolos é descrita como uma peregrinação da Palavra, de
Jerusalém a Roma (At 1,8; 8,1; 10,1-48; 11,19-21; 13,1-51; 27,1s; 28,30-31).
Também João constrói o seu Evangelho sobre as “subidas” de Cristo a Sião (Jo
2,13; 5,1; 7,1-10; 10,22s; 12,12). Mas, na sua última peregrinação Cristo deixa
a cidade, caminhando para a Cruz (Jo 19,16s).
A meta da nossa peregrinação é a Jerusalém celeste, onde Cristo está
ressuscitado (Ap 7,1-11; 1Pd 2,11s; Hb 11,8-16). Por isso, Cristo e o
cristianismo são “caminho”(Jo 14,4-6; At 9,2; 19,9.23; 22,4; 24,22).
PERFEIÇÃO
No AT: Gn 17,1; Lv 11,44; 19,2; 20,7.26; Nm 15,40; Dt 7,6; 18,13; Js 24,14.
A perfeição dos escribas e fariseus estava no cumprimento da Lei (Sl 119; Jó
1,1; Lc 1,6; 18,9-14; Jo 5,44; Rm 10,3s; Gl 3,10s).
A perfeição cristã está no amor que é Deus em Cristo (Mt 5,48; Lc 6,36; Cl 3,14;
1Cor 11,1; Fl 2,5-8; 1Ts 4,1-4; 1Pd 2,21-25; 3,18; 1Jo 3,24).
PERGAMINHO
Pele de cabra, ovelha ou de outro animal, que é raspada e polida para servir de
material de escrita. O método de preparar o pergaminho foi inventado e
aperfeiçoado na Ásia Menor, graças a um boicote. O rei de Pérgamon (hoje
Bérgama, na Turquia), Ecumênio II (197-159 aC), queria fazer da biblioteca real
de 200.000 manuscritos a maior biblioteca do mundo. Diante destes esforços, o
rei do Egito boicotou a exportação de papiro, para salvaguardar a primazia
cultural de Alexandria. O novo material de escrita inventado em Pérgamon foi
chamado “pergaminho”. Em razão de sua durabilidade difundiu-se no mundo
greco-romano. Os mais antigos códices da Bíblia são de pergaminho. Ver
“Manuscrito”.
PERSEGUIÇÃO
É a sorte dos profetas (1Rs 19,1-18; Jr 13-18; Is 28,9s; Lc 11,49s; Mt 22,6s;
23,34-39; At 7,51s).
Cristo é o Servo de Javé perseguido (Is 53; Sl 69; Mt 2,13-21; Mc 3,6.22; Lc
4,28-30; Jo 11,47-54; 16,1-4; Mc 14,43–15,47; At 8,26-35).
A perseguição é um exercício expiatório da Igreja (Fl 3,10; Rm 8,17; 1Pd 4,13);
é a glória dos discípulos de Cristo (Mt 5,10-12; 10,17-22; Rm 8,35; 1Cor 4,12; 2
1Cor 4,9; 12,10; 2Tm 3,12).
PERSEVERANÇA
A perseverança bíblica é a confiança em Deus e resistência ao mal (Sl 25,2; Eclo
22,18; Tg 5,10s).
O justo persevera, esperando a intervenção de Deus (Jó 6,8-13; 15,31; Mt 24,13;
Mc 13,13).
Perseverança nas boas obras (2Cr 15,7; Eclo 2,16; 5,11s; Ez 33,18; 1Cor 15,58;
2Ts 2,2; 3,13; Tg 1,8).
Perseverança na fé (At 14,21s; 1Cor 16,13; Ef 4,14; 1Tm 1,19; Hb 10,38).
Perseverança na vocação (Pr 27,8; Eclo 11,23s; 1Cor 7,20; Hb 3,14; 10,23).
Perseverança na graça especial (1Cor 1,8; Ef 6,10; 1Ts 5,24).
Prêmio da perseverança (Mt 10,22; Rm 2,6s; 1Tm 3,16; Ap 2,10; 3,21).
PLENITUDE
A vinda de Cristo constitui a plenitude dos tempos (Gl 4,4; Ef 1,10).
Pela sua ressurreição, Cristo torna-se Cabeça da Igreja e do Universo (Cl
1,15-19; 2,9-15; 1Cor 15,20s; Ef 5,25; Cl 2,9; Jo 1,14).
A Igreja é a plenitude de Cristo (Ef 1,22s; 1Cor 12,6; 15,28; Cl 3,11).
Os carismas, a fé e a caridade tornam os cristãos participantes da plenitude de
Cristo (Ef 4,11-13; 1,17-19; 3,17-19; 4,10-13).
A caridade é a plenitude de todas as virtudes (Rm 13,8-10; Ef 1,10; Cl 3,14).
POBRE
“Pobre” na Bíblia traduz o termo grego ptochós que, por sua vez, é a tradução de
vários termos hebraicos com conotações diferentes. Pobre pode significar alguém
que é dependente, está a serviço, perdeu a propriedade fundiária por causa da
injustiça e opressão; é também o fraco, sem peso social, o mendigo, o sem-teto,
o indigente. O orante, nos salmos de lamentação individual (veja Introdução ao
Livro dos Salmos), apresenta-se como “pobre e miserável”, isto é, injustiçado
por sua fidelidade a Deus e totalmente dependente de Deus, a quem implora
auxílio.
Em Israel a propriedade tinha um fim eminentemente social. Por isso, a pobreza
prolongada é vista como fruto da injustiça, uma desobediência a Deus que leva à
falência da sociedade. O único proprietário da terra é Deus. Por isso o
latifúndio de alguns, à custa da miséria de outros, é intolerável.
Para combater a pobreza e a ganância, criaram-se leis sociais humanitárias:
a) a libertação, no sétimo ano, dos israelitas que caíram em servidão por causa
de dívidas (Ex 21,2);
b) no sétimo ano a terra não era cultivada pelos donos e as colheitas pertenciam
aos pobres (23,10s);
c) proibia-se a opressão e exploração dos pobres (22,22-26);
d) condenava-se a manipulação da lei em prejuízo dos pobres (23,6-9).
O próprio Deus se apresenta como defensor dos pobres e oprimidos, ele que
libertou Israel da opressão do Egito (22,21s; 23,9).
Os profetas Amós (2,7; 4,1; 5,11; 8,4), Isaías (3,14s; 5,8s; 10,2) e Miquéias
(2,2; 3,2-4) denunciaram a opressão dos pobres e miseráveis, pecado que levou à
ruína do reino de Judá (Ez 22,29).
No NT a mensagem de Jesus se dirige especialmente aos pobres (Mt 11,5; Lc 4,18).
Chama-os de “bem-aventurados”(Mt 5,3; Lc 6,20), mas critica os ricos satisfeitos
com sua riqueza (Lc 6,24-26; cf. Tg 2,2-7). Dos ricos exige desapego dos bens e
o uso social dos mesmos (Mc 10,17-27; cf. Lc 19,8). No juízo final o cristão
será julgado pela maneira como tratou os pobres e necessitados (Mt 25,31-46; Tg
2,13). Ver “Ano Jubilar”.
POBREZA EVANGÉLICA
Natureza: Mt 10,9; 1Cor 7,29-31; Fl 3,8; 1Tm 6,7s; vantagens: Ecl 5,14; Eclo
20,21; Mt 19,21-24; Lc 6,20; 14,33; 18,28-30; 1Cor 9,25; exemplos: Lc 5,11; At
2,44s; 4,32-35; 2Cor 6,10.
PÔNCIO PILATOS
Foi governador (procurador) romano da Judéia do ano 26 a 36 dC. Pelo fato de ter
usado do dinheiro do templo para construir um aqueduto (adutora), e pela
violência com que reprimiu os samaritanos, acabou sendo deposto. Nos Evangelhos
é conhecido como juiz no processo de Jesus (Mt 27; Jo 18–19; At 3,13; 1Tm 6,13).
PORTA
As cidades mais importantes eram cercadas por muralhas. A saída e a entrada da
cidade eram controladas por uma ou mais portas. A porta, além de significar
segurança (Sl 87,2), tornou-se também um lugar público onde se faziam negócios,
decidiam-se questões judiciais (Rt 4). Em sentido simbólico, Jesus comparou-se à
porta, pois somente por ele temos acesso às realidades celestes e recebemos os
dons divinos (Jo 10,7).
POSTES
SAGRADOS
Chamados também “estacas sagradas”ou “estacas da idolatria”, são símbolos de
Asera, deusa fenícia da vegetação, considerada como companheira do deus da
fertilidade, Baal. Em geral o seu símbolo é uma árvore verde. Na falta desta,
podia ser uma estaca ou poste de madeira.
POTESTADES
Ver “Dominações”.
POVO DE DEUS
A expressão “povo de Deus” está ligada à terminologia da aliança (Rm 9,24s; Os
1,9; 2,25; 2Cor 6,16; Hb 4,9; 8,10; Jr 31,33; 1Pd 2,10; Ap 18,4; 21,3).
PREDESTINAÇÃO
É o plano e o conhecimento prévio que Deus tem de nossa salvação: Sb 15,7; Eclo
33,10-14; Mt 20,16; Rm 8,28-30; Ef 1,5; 2Tm 2,20. É um mistério: Eclo 3,22s; Jo
15,16; Rm 9,14s.18-21; 11,5s. O conhecimento prévio que Deus tem de nossa
salvação não tolhe nossa responsabilidade e deve provocar uma atitude de temor e
de confiança; Ecl 9,1s; Jo 3,16s; Rm 11,20; 1Cor 4,4; Fl 2,12; 1Tm 2,4; 4,10;
2Pd 1,10.
PREGAÇÃO
A pregação neotestamentária tem três objetos centrais:
O Evangelho ou o anúncio do Reino aos pobres (Lc 4,16-22.43s; 6,20-23; Mc 1,1;
Mt 3,2; 4,23; 11,2-6; At 13,32s; Is 40,9-15; 61,2). É o anúncio do “mistério”,
do plano de Deus, realizado em Cristo e na Igreja e inclui também o que Jesus
disse e fez (At 1,1s; 1Cor 1,17-25; 15,3-5; Cl 1,24-29; 4,2-4; Ef 3,1-7; Rm
1,1-6).
O convite à conversão e à participação no banquete messiânico (Pr 9,2-5; Mt
22,2-10; 25,6; Jo 2,2).
O “nome”de Jesus, isto é, a sua elevação à categoria de “Senhor”(Kyrios), título
obtido pela sua morte e ressurreição (Rm 1,4s; At 8,12; 5,41s).
PREGUIÇA
Corporal: Pr 6,6-11; 12,11; Ez 16,49s; 1Tm 5,11-13; espiritual: Mt 21,19;
25,24-30; Hb 12,1-3. Ver “Trabalho”.
PRESBÍTERO
Ver “Anciãos”, “Ministérios”.
PRETÓRIO
Residência do pretor, magistrado ou governador romano com poderes militares,
encarregado dos julgamentos (Mt 27,27; Mc 15,16).
PRIMÍCIAS
Primeiros frutos da terra oferecidos a Deus (cf. Lv 23,10-17; Dt 26,2s e notas).
No sentido simbólico, o termo é aplicado a Israel (Jr 2,3), a Jesus ressuscitado
(1Cor 15,20.23), aos primeiros convertidos ao cristianismo (Rm 16,5).
PRIMOGÊNITO
Tanto a primeira cria de um animal, como os primeiros frutos das árvores deviam
ser oferecidos ao Senhor no santuário, em agradecimento pelo dom da vida. A
mesma lei se aplicava ao primeiro filho do casal: ele era considerado
propriedade do Senhor (Ex 13,2; 22,29). Mas como sacrifícios humanos eram
severamente proibidos, os pais, depois de oferecer o menino no templo, o
resgatavam mediante uma oferta material. Esse costume devia lembrar aos
israelitas a noite do êxodo, quando Deus fez morrer os primogênitos dos
egípcios, ao passo que preservou os filhos dos israelitas (Ex 12,29). Também
Jesus, aos quarenta dias de idade, foi levado ao templo por seus pais, oferecido
ao Senhor e em seguida resgatado (Lc 2,28s; cf. Ex 13,12s e nota).
Ao filho primogênito cabiam os direitos de primogenitura, como dupla herança (Dt
21,17), supremacia entre os irmãos e chefia da família (Gn 27,29.40; 49,8). Mas
às vezes, como no caso de Jacó e de Judá (27,30-37; 49,4-8), este direito não
foi respeitado.
Jesus é chamado “primogênito de toda criatura”(Cl 1,15; Hb 1,6) em razão da
supremacia que o Pai lhe concedeu entre os homens (Rm 8,29).
PRINCIPADOS
Ver “Dominações”.
PROCURADOR
Ver “Governador”.
PROFETA
É alguém que fala aos outros em nome de Deus (Dt 18,18). É um porta-voz
escolhido, enviado e inspirado por Deus para fazer em seu nome pronunciamentos
(Jr 7,25; 25,4; 2Rs 17,13), chamados oráculos, e para fazer ver a vontade divina
(Am 3,7). Por causa do conhecimento dos segredos divinos é chamado também
“visionário” ou “vidente”(1Sm 9,11; Am 7,12; Is 30,10). Mas o essencial de um
profeta é falar em nome de Deus e não prever o futuro ou estar sujeito a transes
proféticos (cf. Nm 11,25s e nota).
Em Israel houve comunidades ou confrarias proféticas, que viviam junto dos
santuários (1Sm 19,18-24; 1Rs 18,4.13.22; 19,10; 2Rs 2,3-5.15-18; 4,1; 5,22;
6,1). Eram parecidas com as dos “profetas de Baal”(1Rs 18; 2Rs 10,19-25).
Houve também profetas cortesãos (1Rs 22; Jr 28). Estes foram freqüentemente
combatidos pelos verdadeiros profetas (Mq 3,5; Sf 3,4; Jr 5,31; Ez 13,9s).
No AT Deus comunicou-se com os homens por meio de Moisés e dos profetas. Nos
últimos tempos falou por meio de seu Filho Jesus Cristo (Jo 1,1-18; Hb 1,1s), o
profeta como Moisés (Dt 18,15; Jo 1,21; 6,14; 7,40).
Fala-se de profetas também no Novo Testamento (At 2,17; 11,27; 13,1; 15,32;
21,9; 1Cor 12; 14,26-32; Ef 4,11; Rm 12,6; Ap 1,3; 2,7; 1Ts 5,19s; 1Tm 1,18;
4,14; 1Pd 1,10).
PROMESSA
O termo não ocorre no AT, mas o conceito está presente. Deus promete ao homem e
cumpre a sua palavra (Is 40,8), que é eficaz (Is 55,9-11). Deus prometeu
numerosa descendência, uma terra e a bênção a Abraão. A Davi prometeu uma
dinastia estável (2Sm 7,5-16; 1Rs 2,4), promessa atualizada pelas promessas
messiânicas e escatológicas (Is 2,2-5; 11,1-9). As promessas, fruto da bondade e
misericórdia de Deus, são garantidas por sua fidelidade.
No NT o aspecto profético da palavra de Deus e a história do povo eleito são
chamados promessa, que teve sua realização em Cristo. A promessa realizada se
torna o anúncio da boa-nova (At 13,32). A promessa caracteriza a gratuidade dos
dons divinos em oposição às obras da Lei (Rm 4,13-21; Gl 3,17-22). Em Cristo as
promessas divinas se tornaram um “sim”(2Cor 1,20; Ap 3,14).
PROPICIATÓRIO
Ver Ex 25,17s e nota.
PROSÉLITO
Pagão convertido ao judaísmo, que se agregou ao povo judeu pela circuncisão (Mt
23,15; At 2,11). Alguns prosélitos converteram-se ao cristianismo (At 6,5;
13,43).
PROSTITUIÇÃO
Relações sexuais com mulheres, por dinheiro, não eram desconhecidas em Israel
(Gn 38,15-23; Jz 16,1). Mas era uma prática condenada pela Lei (Lv 19,29) e por
S. Paulo (1Cor 6,15s). Em Canaã era comum a prostituição de homens e mulheres,
que se ofereciam em santuários, nos cultos de fertilidade em honra de alguma
divindade; a prática era repelida pela Lei (Dt 23,18).
Dentro do simbolismo conjugal da aliança, os profetas caracterizam como
“prostituição” a conduta infiel de Israel em relação a seu Deus (cf. Sb 14,12;
Os 4,10 e notas).
PROVIDÊNCIA DIVINA
Em geral: Sl 104,27s; 145,15s; Sb 6,7; Mt 6,25-30; At 17,28; Cl 1,17; 1Pd 5,7.
Em particular: Sl 23,1; 37,23; 147,8s; Eclo 17,19; Is 43,1s; Lc 12,6s.22-32.
Tudo acontece por vontade ou permissão de Deus: Jó 5,6.17s; 34,21; Pr 5,21;
16,9; 19,21; Lm 3,37; Am 3,6; Mt 10,29-31; Rm 8,28; 2Cor 4,17; Hb 12,11s; 2Pd
3,9.
PRÓXIMO
Próximo para o israelita era o irmão, o conterrâneo, membro da mesma tribo e da
mesma raça (Ex 20,17). A estes se devia amar em primeiro lugar (Lv 19,18 e
nota). Mas já no AT este amor é extensível também ao estrangeiro que mora junto
com o israelita (Lv 19,33s). Jesus amplia a noção de próximo, exigindo amor não
só a estrangeiros mas até a inimigos (cf. Lc 10,29 e nota). Ver “Amor”.
PRUDÊNCIA
Realiza as obras planejadas com sabedoria (Pr 24,3; Sb 9,11).
Obtém-se com a oração (1Rs 3,9; Pr 2,6-9; Sb 8,21; 9,9-11) e com a docilidade
aos pais, mestres e anciãos (Pr 1,8s; 6,20-22; 7,1s; 23,22-25; Sb 4,9; Eclo
25,3-6; 44,1-4).
Quem observa as palavras de Cristo é prudente (Mt 7,24-27).
A máxima prudência é dar tudo para entrar no Reino (Mt 13,44s; 19,21; 25,26s; Lc
14,28-32).
O cristão prudente vigia, esperando o seu Senhor (Mt 25,8-11; 26,41; Lc
12,35-37; Mc 13,35; 1Pd 4,7).
Também existe uma prudência falsa, mundana (Is 5,21; 7,12; Lc 12,16-20; 16,8).
PSEUDOEPÍGRAFOS
Livros que têm título falso, isto é, falsamente atribuídos a certo autor. Com
este termo as Igrejas protestantes englobam os livros do AT que na Igreja
Católica são considerados apócrifos.
PUBLICANO
Cobrador de impostos a serviço do governo romano. O posto era leiloado e por
isso muito cobiçado nos vários distritos e vilas. Para cumprir o compromisso
assumido com o governo cobravam-se pesadas taxas; por isso, os publicanos eram
odiados pelo povo em geral. Mateus exercia este ofício em Cafarnaum (Mt 9,9) e
Zaqueu em Jericó (Lc 19,1-10). Jesus era acusado de ser amigo de cobradores de
imposto e de pecadores (Mt 9,10-13; 11,19).
PUREZA
Pureza cultual: é a aptidão exigida pela Lei para participar no culto. Não tem
relação direta com a pureza em sentido moral (Lv 11,11-15). Vários fenômenos
tornavam o homem impuro (veja “Puro-impuro").
A verdadeira impureza é o adultério religioso, a idolatria (Os 2; Ez 16; 23),
própria de um coração incircunciso (Jr 9,24s; Rm 2,25-29).
Pureza moral: Os profetas insistem na pureza interior, frente aos formalismos
cultuais (Is 1,15-17; 29,13; Os 6,6; Am 4,1-5; 5,21-23; Sl 18,21-25; 51,12). Ver
“Circuncisão”.
PURGATÓRIO
2Mc 12,43-46; Mt 5,25s; 12,32; Lc 12,48; 1Cor 3,13-15; 2Cor 5,10; Gl 6,8; Ap
21,27.
PURIFICAÇÃO
Rito que visava recolocar na esfera da comunicação com a divindade indivíduos
que contraíam alguma “impureza”. Havia ritos para purificar quem tivesse tocado
um cadáver (Nm 5,2s; 6,9-12; 19) ou contraído uma doença de pele (Lv 14-15) e
para a mulher que deu à luz (12,8; Lc 2,21-24). Ver “Puro-impuro”.
PURIM
Palavra de origem persa, que significa “sortes”. É a festa que comemora a
libertação dos judeus ameaçados de extermínio. Sobre a origem da festa ver a
Introdução ao livro de Ester.
PURO-IMPURO
Puro e impuro são noções encontradas quase em todas as religiões antigas e povos
primitivos. Não se trata de pureza física, moral ou de castidade. Impuro é o que
está carregado de forças perigosas ou pode desencadeá-las, e por isso deve ser
evitado. A impureza não significa, pois, culpabilidade ou pecado; por exemplo, a
mulher após o parto ou durante a menstruação é considerada impura; tocar um
morto, estar atacado por certas doenças ( “lepra") torna a pessoa impura.
Certos animais ou alimentos de origem agrícola são considerados impuros e por
isso rejeitados pela cultura nômade da qual provinham os israelitas. Assim os
animais elencados em Lv 11,29s são considerados impuros pois tinham um papel no
culto cananeu; o porco era impuro porque era usado no culto de Adônis-Tamuz.
Tais proibições visavam evitar misturas e manter a integridade. Por isso também
animais ou coisas híbridas deviam ser evitados (Lv 18,23; 19,19). O motivo
original de tais práticas podia ser um simples tabu. Mas, no contexto atual,
Israel deve evitar certos alimentos e atos que o tornam impuro, porque impedem
de participar no culto divino (Lv 11,1-47).
Jesus criticou este conceito de pureza ritualística e meramente exterior (Mt
23,25s), mostrando que o que torna impuro o homem não são as coisas que vêm de
fora, mas o que procede do coração: os maus pensamentos que levam ao pecado (Mc
7,15-23). Ver as notas em Lv 12,1-8; 14,33-53; 15,1-33.