|
DÃ
Nome de um dos filhos de Jacó, nascido de Bala, escrava de Raquel (Gn 30,3-6),
antepassado da tribo dos danitas. A tribo ocupava inicialmente a região entre
Saraá e Estaol (Js 19,40-48; Jz 1,34; 13,2) a 25 km a oeste de Jerusalém. Mas
teve de emigrar para o norte, perto das cabeceiras do rio Jordão (Jz 18). O
santuário popular da tribo (18,31) acabou se tornando um santuário nacional,
quando Jeroboão mandou instalar ali uma estátua idolátrica do bezerro de ouro
(1Rs 12,28).
DAMASCO
Capital da Síria, destruída em 732 aC (2Rs 16,9). Desde Davi, ao longo do
período monárquico, esteve freqüentemente relacionada com Israel, sobretudo no
tempo dos profetas Elias, Eliseu (1Rs 20; 22; 2Rs 6–8) e Isaías (Is 7,1-9;
17,1-3). Desde a época persa vivia ali uma numerosa população judaica. Damasco
foi o palco da conversão de Paulo (At 9,1-27; 2Cor 11,32s; Gl 1,17).
DECÁLOGO
Nome dado às “dez palavras sagradas” escritas por ordem de Deus (Ex 34,28) em
duas tábuas de pedra. Elas continham as obrigações básicas da aliança, de
caráter sobretudo moral (Ex 20,1-17; Dt 5,6-21).
DECÁPOLE
Território das dez cidades da Transjordânia de população quase exclusivamente
pagã, anexadas por Janeu ao reino israelita, mas desde 63 aC tornadas
independentes da província romana da Síria: Damasco, Filadélfia, Ráfana,
Citópolis, Gádara, Hipos, Dion, Péla, Gérasa e Cânata. Durante a vida pública,
Jesus várias vezes atravessou o território da Decápole (Mc 5,20; 7,31).
DEMÔNIO
Ao lado dos anjos bons, o judaísmo reconhece a existência de espíritos maus, ou
anjos maus, que causam mal aos homens. Têm vários nomes, como o “Tentador”(Mt
4,3), o “Diabo” (Mt 4,1; 13,39; Jo 6,70; At 10,38; 2Tm 2,26; Ap 2,10). Eles
estão subordinados a Satanás, o grande adversário de Deus (Mt 25,41; 2Cor 12,7;
Ef 2,2; Ap 12,7).
Jesus expulsa muitos demônios ou “espíritos impuros”, ainda que talvez se trate
de doenças, então popularmente atribuídas aos demônios (Mt 9,34; 10,8; 11,18;
12,24).
Os demônios são uma ameaça à vida religiosa dos fiéis (1Pd 5,8s; 1Jo 4,1; 1Tm
4,1). Mas o cristão, pela sua fé em Cristo, já venceu o diabo e os seus anjos (Ef
4,27; 6,11-18; Tg 4,7; Jd 6). O NT, portanto, concebe o mundo dominado por
forças maléficas (demônios), cujo chefe é Satanás e que Cristo veio vencer.
Frente ao Reino de Cristo e os seus santos está o Reino de Satanás e dos seus
sequazes. Ver “Satã”.
DEPORTAÇÃO
É a remoção forçada de povos vencidos, de seus países para outros territórios,
praticada pelos assírios e babilônios. A finalidade prática era enfraquecer o
inimigo e, eventualmente, colonizar territórios próprios. As vítimas da
deportação estão em desterro ou exílio. Israel foi submetido várias vezes a
deportações. Os assírios puseram fim ao reino do Norte, deportando a população
de Israel em 734 aC (2Rs 15,29; Tb 1,2) e depois da queda de Samaria, em 722 aC
(2Rs 17,6; 18,11). Em 597 e 587 aC os babilônios desterraram os habitantes de
Judá para a Babilônia (2Rs 24,8-17; 25,7-12; Ez 3,15).
A deportação, embora não resultasse em prisão, causava grandes sofrimentos. Os
exilados eram arrancados de sua terra natal e de suas propriedades e tinham
dificuldade em praticar sua religião. A situação dos exilados os colocava entre
o escravo e o cidadão; podiam adquirir propriedades, exercer profissões, mas sem
gozar dos direitos de cidadãos livres.
Sob o ponto de vista religioso o exílio é considerado como punição pela
idolatria e infidelidade a Deus, um tempo de purificação e expiação (Ez
11,14-21; 20,32-44). Mas foi também um tempo de renovação da esperança,
tornando-se um símbolo da conversão, ou volta a Deus (cf. Ez 33-48; Is 40-55).
Ver “Cativeiro”.
DESCIDA DE CRISTO AOS INFERNOS
Ver “Inferno”, “Abismo”, “Geena” e “Xeol”.
DESERTO
Os desertos na Palestina não são de areia, mas sim de montanhas calcárias, onde
a vegetação não cresce mais por falta de chuva. O deserto da Judéia é uma
estreita faixa situada entre a parte mais alta das montanhas e o vale do rio
Jordão, e a depressão do mar Morto. O deserto do Negueb, ao sul de Judá,
constitui o limite extremo-sul habitável da Terra Prometida.
A experiência da aliança com Deus no deserto do Sinai deixou profunda marca na
alma israelita (Ex 19). Ali Israel foi provado por Deus; sentiu fome e sede, mas
Deus o alimentou com maná (Ex 16) e o dessedentou com água tirada do rochedo
(17,1-7). Na solidão do deserto aprendeu a seguir a Deus com fidelidade (Jr
2,2). Por isso, o deserto na Bíblia é tanto símbolo da provação, como da
renovação espiritual (Os 2,16s; 1Rs 19,1-8; Ez 20,34-37).
João Batista preparou-se para sua missão e começou a pregar o batismo de
conversão no deserto (Mt 3,1-3; Mc 1,4; Lc 1,80). Após o batismo no Jordão,
Jesus retirou-se durante 40 dias para o deserto, onde foi tentado pelo demônio e
preparou-se para pregar o Reino de Deus (Mt 4,1). Ver “Negueb” e “Sinai”.
DEUTEROCANÔNICO
Ver “Canônico”.
DIA DA EXPIAÇÃO
Ver as notas em Lv 16,1-34 e At 27,9; ver também “ Expiação”, “Bode Expiatório”.
DIA DO SENHOR
É o dia em que Deus vem para julgar. Este dia em geral é visto como um dia de
punição para os pagãos, para os inimigos de Deus e de seu povo, e de salvação
para Israel (cf. Is 13; Ez 7,1-27 e nota; Jl 4,9-14). Mais tarde os profetas
anunciaram o dia do Senhor como punição também para Israel, para quem a eleição
divina não é uma garantia incondicional (cf. Am 3,1s; 5,18 e nota). Segundo o NT
este dia vai coincidir com o da vinda gloriosa de Cristo, para o qual se volta
toda a esperança cristã (1Cor 1,8; 1Ts 5,2-4).
No NT, o primeiro dia da semana, por ser o dia da Ressurreição do Senhor Jesus
Cristo, foi chamado “Dia do Senhor”(Ap 1,10). Ver “Parusia”, “Culto” e “Sábado”.
DIÁCONO
O termo significa “assistente”, alguém que serve à mesa (Jo 2,5.9). Foram
chamados “diáconos” os cristãos escolhidos pelos apóstolos para servirem aos
pobres da Igreja de Jerusalém (At 6,1-7). Mas estes diáconos logo começaram a
dedicar-se também à pregação do Evangelho (6,8–7,53; 8,5-13). Eles são os
auxiliares dos “epíscopos"(cf. At 20,28 e nota) na direção das jovens
comunidades cristãs (Fl 1,1; 1Tm 3,8-13). Ver “Anciãos”, “Bispo” e “Culto”.
DIÁSPORA
Ou “dispersão”, é o termo aplicado aos judeus espalhados pelo mundo pagão do
Império Romano (Jo 7,35). Na era apostólica a população do Império Romano era de
aproximadamente 55 milhões, dos quais 4,5 milhões (8%) eram judeus da diáspora.
DILÚVIO
A narrativa de Gn 6,5–9,19 descreve uma inundação catastrófica, chamada dilúvio,
do qual salvaram-se apenas Noé, sua família e os animais que o acompanhavam na
arca. Muitos povos antigos falam de extraordinárias inundações que em épocas
muito remotas destruíram a terra. As narrativas mais próximas ao Gênese são as
da Mesopotâmia. É possível que no fundo destas narrativas esteja a lembrança
remota de inundações catastróficas mas de proporções limitadas (cf. Gn 7,19s e
nota).
DISCÓRDIA
Deve ser evitada (Pr 6,19; 1Cor 3,3; 6,7; 11,16; Fl 2,3; 2Tm 2,14; Tg 4,1. Tem
conseqüências funestas (Eclo 28,12; Mt 12,25; Mc 3,24s; Gl 5,15; Tg 3,14-17).
DIVÓRCIO
É a ruptura do laço matrimonial, permitida pela Lei de Moisés (cf. Dt 24,1-4 e
nota). Nas tribos do Médio-Oriente era usual a poligamia (Jz 8,30; 2Sm 3,7;
16,21; 1Rs 11,1-8; Gn 4,19). Mas o progresso da fé num Deus único orientará os
costumes para a fidelidade a uma só mulher, como sinal da fidelidade a um só
Deus (Esd 9,1s; 10,3; Ml 2,10-11; Tb 8,1s; Ecl 9,1-9; Eclo 26,1-18).
A própria criação postula a monogamia (Gn 2,18-24; 1,26-31). A este ideal se
refere Jesus (Mc 10,2-9; Mt 19,3-9; 1Cor 7,10-11; Lc 16,18) ao proibir o
divórcio (Mt 5,31s; cf. Rm 7,2s; 1Cor 7,10s.27.39) e proclamar a
indissolubilidade do Matrimônio, sacramento de união entre Cristo e a Igreja (Ef
5,22-23).
DÍZIMO
Era a contribuição obrigatória, entregue ao santuário para sustentar os
sacerdotes e levitas (Nm 18,21-32), os pobres, os órfãos e as viúvas (cf. Dt
14,22-29; Tb 1,7s e notas). A contribuição referia-se à décima parte dos
cereais, do vinho e do azeite. Os fariseus pagavam, porém, o dízimo até dos
produtos mais insignificantes, como as hortaliças (Mt 23,23). Ver “Esmola”.
DOMINAÇÕES
Personificação de poderes supraterrestres, relacionados com Satã, príncipe deste
mundo (Rm 8,38; 1Cor 15,24; Ef 1,21), mas que não são os anjos maus. O cristão
não deve temê-los pois são criaturas de Deus (Cl 1,16), mesmo que possam
hostilizá-lo (Ef 6,12), porque Cristo os subjugou (Cl 2,10-15; 1Pd 3,22). Ver
“Principados”, “Potestades”, “Satã”.
DOMINGO
Ver “Sábado”.
DOUTOR DA LEI
Ou escriba, é o homem entendido nas coisas da Lei (Lc 5,17; Mt 23,3). Eles
recebiam o título honorífico de rabi (Mt 23,7s) e ensinavam a Lei ao povo (Lc
2,46; Rm 2,20). Seu trabalho de instrução é elogiado em Eclo 39,1-11; mas Jesus
os criticou por seu casuísmo teológico-jurídico e sua conduta hipócrita. O
cristão que tem o dom de ensinar é também chamado doutor (At 13,1; 1Cor 12,28s).
DOZE
Na Bíblia, “doze” é o número sagrado da “eleição”: Os doze patriarcas, pais das
doze tribos (Gn 35,22-26; 42,13.32; 49,28; At 7,8; Js 24,1s).
Cristo elege doze apóstolos (Mc 3,13-19; Jo 6,70); que recebem uma especial
instrução e seguem o Mestre (Lc 8,1s; 9,12; 18,31-34; Mc 4,10-11; 14,17s; Lc
9,2.5; Mc 6,7). Constituem o fundamento da Igreja (Ef 2,20; Ap 21,14; 7,4-12; Mt
19,28; Lc 22,30). Cristo come com eles a Ceia Pascal (Jo 13,1-20; Mt 26,20-29);
ora por eles ao Pai (Jo 17,17); é a eles que as mulheres anunciam o encontro do
túmulo vazio (Lc 24,9-10.45-49; Jo 20,19-23; Mt 28,18-20). Ver “Apóstolos”.
|