DICIONÁRIO BÍBLICO
CAIFÁS
CAIM
Ver “Abel”.
CÁLICE
Ver “Eucaristia”.
CALVÁRIO
Ver “Gólgota”.
CAMINHO
Além do seu sentido normal, o termo é usado em sentido metafórico como vida do
homem, sua conduta e seus hábitos. Indica também o modo de agir de Deus para com
o homem (“os caminhos de Deus”), ou as normas que ele traçou para o agir humano,
isto é, os mandamentos. No NT a doutrina cristã é chamada “caminho”(At 9,2;
16,17; 19,23; 22,4; 24,14).
CANÁ
Cidade da Galiléia onde teve lugar o casamento ao qual foram convidados Jesus e
os apóstolos (Jo 2,2) e onde foi curado o filho do oficial da corte (4,46). Era
a terra natal de Natanael (21,2). Nas bodas de Caná, Cristo se manifesta como o
Esposo da Igreja, no terceiro dia após seu batismo (Jo 2,1-11; Mt 22,1-14; Jo
3,29-30). A intercessão de Maria mostra a sua participação no milagre, mas
também a independência de Cristo (Jo 2,3-5; Mc 3,20-35; Lc 11,27-28; 2,49).
A Hora de Jesus é a sua glorificação. Os milagres são a antecipação desta
glória. São sete os milagres, “sinais”, manifestadores de diversos aspectos do
Cristo joanino (Jo 2,1-11; 4,46-50; 5,1-15; 6,1-15.16-21; 9,1-41; 11,33-44).
Jesus, a nova videira, muda em vinho a água das purificações rituais, pois é o
seu sangue e a sua palavra o que purifica os homens (Jo 15,1-8; Mt 26,26-29; Is
5,1-4; 24,8-11; Mc 7,3-4; 1Jo 1,7; Ap 1,5; 7,14; 22,14).
CANANEU
Habitante de Canaã, terra prometida por Deus e conquistada pelos israelitas,
situada entre o vale do rio Jordão e a costa do Mediterrâneo. No NT o termo
aparece como nome de um partido político, chamado também dos zelotes. O apóstolo
Simão era membro deste partido (Mc 10,4-11).
CÂNON
Lista dos livros do AT e NT inspirados por Deus e, consequentemente, normativos
para a fé e vida moral dos fiéis. O cânon dos livros inspirados formou-se
definitivamente já na era apostólica. Mas houve dúvidas sobre determinados
livros do AT e do NT, sobretudo entre o II e o IV séculos, devido à proliferação
de livros apócrifos. Tais livros são chamados deuterocanônicos, porque foram
reconhecidos como canônicos pela Igreja universal num segundo momento. Os
deuterocanônicos do NT são: Hebreus, 2Pedro, Judas, Tiago, 2-3João e Apocalipse;
os do AT são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc e 1-2Macabeus.
Estes últimos não constam nas Bíblias editadas pelas Igrejas protestantes, que
os consideram apócrifos. A Igreja Católica pronunciou-se definitivamente sobre o
cânon no Concílio de Trento (1546).
CANÔNICO
Em sentido ativo, diz-se da Sagrada Escritura, enquanto é critério de verdade,
norma de fé e de costumes. Em sentido passivo é o livro que está incluído no
cânon ou lista oficial dos livros reconhecidos pela Igreja como inspirados.
Distinguem-se livros protocanônicos sobre cuja inspiração houve desde o início
consenso em toda a Igreja, e livros deuterocanônicos, de cuja inspiração em
determinadas igrejas locais duvidou-se durante algum tempo. Ver “Cânon”.
CARIDADE
Não deve ser confundida com o simples dar esmolas. No AT a caridade ao próximo
se restringia sobretudo ao povo israelita (cf. Lv 19,18; Eclo 12,1-17 e notas).
Ver “Amor” e “Eucaristia”.
CARISMA
Termo grego que significa um dom gratuito. É um dom especial do Espírito, dado
ao cristão para o bem comum do próximo e a edificação da Igreja (Rm 12,8; 1Cor
12,4-10; Ef 4,11-13). Paulo fala longamente na 1Cor 12–15 dos carismas, cuja
importância foi muito grande para a difusão do cristianismo. Menciona, entre
outros, os dons da sabedoria, da cura, dos milagres, da pregação e do ensino. O
mais importante de todos é a caridade.
CARMELO
Nome de uma cidade ao sul de Judá (Js 15,55; 1Sm 25,7.40). Nome também de uma
serra de 20 km de comprimento, entre o mar Mediterrâneo e a planície de Jezrael
(1Rs 18,42-46). Ali residiam as primeiras comunidades de profetas sob a direção
de Elias e Eliseu (1Rs 18; 2Rs 2)
CARNE-ESPÍRITO
A antropologia bíblica não conhece a dicotomia grega: corpo-alma. O homem é
visto como uma unidade vivente. O termo “carne” é usado simbolicamente para
indicar muitas vezes a transitoriedade e a fraqueza do ser humano, mortal e
pecador (Gn 3,3; Jr 17,15; Jó 10,4; Mt 26,40s; 2Cor 12,7-10; Is 40,3-8; Jo
17,2). O próprio Verbo de Deus assumiu esta carne frágil e mortal (Jo 1,14; 1Tm
3,16).
Enquanto indica o ser humano na sua fragilidade, “carne” pode estar em oposição
ao espírito (Is 31,3; Sl 56,5; 2Cr 32,8). Neste último sentido, nas epístolas de
Paulo “carne” significa o homem natural, sem a graça, na sua fraqueza e
tendência ao mal (Rm 9,6-13; Gl 6,12-15; Fl 3,2-5; Ef 2,11-13; Rm 8,12-15), em
contraste com o espírito, força que recebe o homem purificado pelo batismo (Rm
7,14-25; 13,11-14; Ef 2,1-6; Cl 2,13-23). O cristão é aquele que não vive mais
na “carne” mas no “espírito”(Rm 8,9). Por isso o cristão deve crucificar a carne
com suas concupiscências (Rm 8,5-13; Gl 5,22-25; Cl 1,24-29).
O espírito, alento vital, sopro ou vento, indica a ação de Deus no ser humano (Gn
2,7; 6,17; 7,22; Rm 8,14-16; 1Cor 2,10-13; Gl 5,13-25; 6,8-10), opõe-se à carne,
em sentido mais religioso que físico.
CASTIDADE
Ver “Virgindade”.
CATIVEIRO
Houve dois cativeiros ou exílios na história do povo eleito. Em 722 aC foi
deportada para a Assíria a população do reino do Norte, invadido e destruído
pelos assírios (2Rs 17). Em 587 aC foi deportada para a Babilônia boa parte da
população do reino do Sul, quando Nabucodonosor destruiu Jerusalém (2Rs 25).
Durante o cativeiro da Babilônia os exilados foram confortados pelas palavras do
profeta Ezequiel e de um profeta anônimo (Is 40–55). Eles reavivaram as
esperanças de um retorno à pátria, o que aconteceu com o edito de Ciro (538 aC),
o rei dos persas, que conquistou a Babilônia (Esd 1,1-4). A dura provação do
exílio contribuiu para uma profunda revisão das crenças e renovação espiritual
de Israel. O cativeiro da Babilônia é o símbolo do homem decaído e libertado
pela graça de Jesus Cristo (Hb 2,14s).
CELIBATO
É o estado de uma pessoa que se mantém solteira, aconselhado por Cristo em vista
do Reino de Deus (Mc 10,28-30; Lc 18,26-30; Mt 19,27-29; 22,30) e pelo Apóstolo
(1Cor 7,1.7.32-35.38-40); é possível viver neste estado com a graça de Deus: Mt
19,26; Rm 8,11.13; 1Cor 10,13; 2Cor 12,7-9).
CÉSAR
Nome do famoso general, conquistador da Gália. Mais tarde tornou-se o título
usado pelos imperadores romanos (Mt 22,17-21; At 25,2-12).
CESARÉIA
Duas são as cidades com este nome na Palestina:
1. Cesaréia Marítima, construída por Herodes o Grande em homenagem a César
Augusto. Tornou-se a residência dos procuradores romanos; ali morava também
Cornélio (At 10,1) e o diácono Filipe (21,8).
2. Cesaréia de Filipe, construída por Herodes Filipe nas cabeceiras do rio
Jordão. Perto desta cidade Pedro confessou que Jesus era o Messias esperado e
Jesus prometeu fazer dele o chefe da futura Igreja (Mt 16,13-20).
CÉU
O céu pode ser tomado em sentido cosmológico: os antigos o imaginavam como
firmamento sólido (Is 40,22; 44,24), apoiado sobre colunas (Jó 26,11). No
firmamento há eclusas e por cima estão as águas do Oceano primitivo (Gn 7,11; Sl
148,4-6).
O céu em sentido teológico é a morada de Deus, cujo trono está acima do
firmamento (Is 66,1; Ex 24,10s; Sl 104,3). Mas Deus não está circunscrito à sua
morada. Ele está presente em toda a parte (1Rs 8,27). Por isso “céu” é a vida
divina repartida com os eleitos na eternidade. Esta realidade religiosa é
expressa com imagens: nova Jerusalém, novo templo, Sião reconstruída, montanha
santa, etc. (Is 4,2-6; 25,6-9; 60; Zc 2,14; Ez 37,26-28; Sl 48,2-4).
No NT céu substitui o próprio nome de Deus (Mt 5,16-20; 6,9; cf. 1Mc 3,18 e
nota).
Nos céus está Cristo, nossa esperança (Ef 1,18-22; Cl 3,1-4; Jo 14,1-3). Por
isso o céu é nossa herança (Fl 3,17-21; Cl 1,5.12; 1Pd 1,4; Lc 10,20; Mt
25,31-46). Quando a recebermos, viveremos de Deus (1Jo 3,2; 2Cor 5,4-8; Ap
5,6-12; 7,2-12; 14,1-3; 21). Ver “Retribuição”.
CIRCUNCISÃO
Operação cirúrgica para remover o prepúcio, pele que cobre a glande do membro
viril. A prática de caráter mágico de iniciação ao matrimônio, conhecida por
muitos povos antigos, existe ainda hoje em tribos primitivas da África, América
e Austrália. Os israelitas aprenderam a circuncisão dos egípcios. O uso da
circuncisão não é simples prática higiênica (como a operação de fimose), mas um
rito de puberdade que marca o início da idade viril. Em Israel a circuncisão se
fazia já no oitavo dia do nascimento (Lc 1,59; 2,21); a partir do exílio, foi
considerada um sinal da aliança (Gn 17,3-14), um rito de inserção no povo eleito
(Ex 4,24-26; 1Mc 1,15 e notas).
Os profetas mostram ser mais importante do que a marca da carne a “circuncisão
do coração”(Dt 10,16; 30,6; Jr 4,4; 9,25), que consiste na remoção dos
obstáculos postos pelo homem em sua relação com Deus (Rm 2,29; 4,3.9.22; Cl
2,11).
CIÚME
Em sentido humano, é o zelo do homem pelos seus direitos conjugais (Pr 27,4),
que pode submeter a esposa ao processo do ordálio (cf. Nm 5,11-31 e notas). Pode
significar também inveja ou rivalidade (11,26-29; Sl 37,1). Em sentido religioso
o termo indica o zelo pela causa de Deus (Nm 25) e, sobretudo, o amor
apaixonado, exigente e exclusivista de Deus. Deus não admite concorrentes ao
lado dele (Ex 20,5); propõe uma aliança exclusiva com seu povo (34,12-16),
exigindo amor total e exclusivo (Dt 6,5.13-15). Deus defende com ciúme a honra
de seu santo nome (Ez 36) e com zelo defende o seu povo (Is 9,6; 63,15).
CLÁUDIO
Nome do imperador romano (41-54 dC) que sucedeu a seu primo Calígula. O profeta
Ágabo anunciou uma fome que devia vir para o mundo inteiro sob seu governo (At
11,28). No ano 49 dC Cláudio decretou a expulsão dos judeus de Roma, entre os
quais estavam Áqüila e Priscila (18,2).
CLÉOFAS
Esposo da Maria que estava aos pés da cruz com a mãe de Jesus (Jo 19,25). Ele
teria sido irmão de José, esposo de Maria, Mãe de Jesus; isto é, tio de Jesus. É
distinto do outro Cléofas, um dos discípulos de Emaús (Lc 24,8).
COBRADOR
DE IMPOSTOS
Ver “Publicano”.
CÓDICE
Inicialmente os livros eram escritos à mão, em rolos, isto é, em, tiras de
papiro ou de pergaminho. Aos poucos surgiu uma nova técnica de fazer livros: as
folhas avulsas de um documento escrito eram dobradas, colocadas uma sobre a
outra e costuradas, dando origem ao “códice”. Quatro folhas, cada uma dobrada ao
meio, davam um caderno de oito folhas ou dezesseis páginas. Tal técnica, já
conhecida no séc. II aC, tornou-se comum nos manuscritos cristãos. São famosos
os códices gregos da Bíblia, conhecidos pelos nomes Vaticano, Alexandrino e
Sinaítico. Ver “Manuscrito”.
COMÉRCIO
Profissão perigosa porque leva facilmente à apropriação indébita dos frutos do
trabalho alheio (Ez 26-28; Eclo 26,29; 27,1; Ap 18,15). Os abusos são
denunciados e condenados (Dt 23,19; Pr 11,26; 20,10.23; Ez 18,18; Am 2,6s;
5,11s; 8,5s). Como proceder: Lv 19,35s; 25,14; Dt 23,13-16; Pr 11,1; 1Cor 7,30).
COMUNHÃO
Ver “Eucaristia”, “Participação”.
CONFESSAR
Significa professar a fé em Cristo (Rm 10,9; Fl 2,11), louvar a Deus pelas suas
maravilhas (Lc 1,46-54.68-79; Mt 11,25-27), ou reconhecer os próprios pecados (Lv
5,5; Nm 5,7; 1Jo 1,9).
Quer nos sacrifícios da Antiga Lei, quer no batismo de João, as pessoas
confessavam-se pecadoras (Lv 4; 23,26-32; Mt 3,6; Mc 1,4-5; Lc 3,3-14). Cristo,
com efeito, veio para os que se confessam pecadores (Mt 9,13; 11,19; 1Tm 1,5).
Os evangelistas contam-nos algumas destas confissões (Lc 5,8; 7,36-50; 19,1-10;
Jo 4,5-42; Lc 15,11-32; 18,9-14). Os apóstolos falam da confissão dos pecados
(1Jo 1,9-10; At 19,18; Jo 20,23; Mt 18,18; Tg 5,16).
CONFIRMAÇÃO
João Batista anunciava um batismo no Espírito e no fogo (Lc 3,16). O evangelista
João fala dum renascimento da água e do Espírito (Jo 3,5; cf. 1Jo 2,20.27). O
próprio Jesus anunciou um outro “Paráclito” (Jo 14,16.26; 15,26; 16,7-15; At
1,4-8).
No Pentecostes a ligação Espírito-fogo é evidente, bem como o tema da reunião
frente à dispersão babilônica (At 2,1-13; 4,31-33; Gn 11,1-9).
Para os primeiros cristãos Batismo e Espírito estavam unidos (At 8,14-17;
19,1-7; 10,44-47; 9,17-18). Batizados e confirmados recebemos em nós o “selo”, a
assinatura do Espírito Santo, como os hebreus a recebiam na carne pela
circuncisão (Rm 4,11; Ez 9,4-7; Ap 9,4; Fl 3,3; 2Cor 1,14-22; Ef 1,13-14; 4,30;
1Jo 2,20-27).
CONSAGRAR
Retirar um objeto ou uma pessoa do uso profano, para transferi-los de modo
permanente ao domínio de Deus (Ex 13,1; 30,29). Ver “Anátema”.
CONSCIÊNCIA
Esta realidade, sobretudo no AT, existe sob o nome de coração e rins. Estes
últimos englobam o mundo passional do inconsciente. Deus é aquele que penetra e
julga os rins e o coração (Sl 7,9-13; 16,7-9; 139; Jr 11,19-20; 12,1-3; 17,9-11;
1Rs 8,37-40; 1Jo 3,19-21; 1Sm 16,6-11; Jó 27,1-7). Afasta os corações
endurecidos (Is 6,9-10; At 7,51-54; Jo 12,37-43).
A consciência arrependida é um coração despedaçado (Jl 2,12-17; Sl 51,18-19; 2Cr
6,36-39; 15,11-14). É preciso circuncidar o coração, evitando o formalismo (Jr
4,1-4; 9,24-25; Dt 10,15-17; Rm 2,25-29).
Deus dá um coração novo, isto é, uma nova consciência (Jr 31,31-34; 32,37-41; Ez
11,17-21; 36,23-28). Daqui a expressão “amar a Deus com todo o coração”(Dt
6,4-6; 10,12-13; 13,4-5; 30,1-6; Mt 22,34-37). Assim a moral do NT é uma moral
interior, do “coração puro”(Sl 64,10-11; Mt 5,8.28; 6,1-6; 1Pd 1,21-23; Hb
9,13-14; 10,19-23; 1Cor 4,3-5; 2Cor 1,12-14; Rm 2,12-16; 13,5; 14,10-23).
CONVERSÃO
É a mudança moral, pela qual o homem renuncia à sua conduta anterior, volta-se
para Deus e cumpre a sua vontade. Na pregação dos profetas conversão é abandonar
o serviço dos ídolos, que leva a descuidar do serviço de Deus e da observância
de seus preceitos (Jr 7; cf. 1Ts 1,9). Esta conversão, porém, não é obra humana,
mas fruto da intervenção de Deus na vida moral do homem (Jr 24,7; 31,31-34; Ez
11,18-21; Os 14,2-10).
Tanto João Batista como Jesus começaram sua pregação exortando à conversão, em
vista da proximidade do Reino de Deus (Mt 3,2; 4,17; Mc 1,15). Depois de
Pentecostes os apóstolos convidam seus ouvintes à conversão para serem batizados
(At 2,38; 20,21). Ver “Confissão” e “Penitência”.
CORAÇÃO
Além de órgão humano ou animal, o coração é visto como sede do homem interior
(1Pd 3,4), conhecido por Deus (1Sm 16,7). É a sede da vida intelectiva, dos
pensamentos (Dn 2,30), da fé e da dúvida (Mc 11,23; Rm 10,8s), enfim dos
sentimentos e das paixões em geral (Dt 15,10; 20,3; 28,47; Rm 1,24). O coração é
ainda a sede da vontade, da vida moral e religiosa (Lc 21,14; 2Cor 9,7; Gl 4,6).
Por isso o coração representa o homem todo (Jl 2,13). Ver “endurecimento do
coração” em Ex 7,3 e nota.
CORDEIRO DE DEUS
Ver “Cristo”.
CORPO MÍSTICO
A Santa Ceia inspirou Paulo a fazer da expressão “ Corpo de Cristo” o centro e a
característica da caridade (1Cor 11,17-34; 10,16-17). Era um lugar comum tomar o
corpo humano como tipo de solidariedade (1Cor 12,14.18.25.27; Rm 12,4-8; Cl
3,15). É o fundamento da castidade cristã (1Cor 6,13-17).
O Corpo místico é identificado com a Igreja, a reunião dos crentes; Cristo é a
cabeça desta reunião. O Espírito Santo, a alma (Ef 1,22-23; Cl 1,18.19.24;
2,18-19; Ef 4,15-16).
CORREÇÃO
FRATERNA
Se teu irmão se porta mal, repreende-o (Lc 17,3), mas antes olha para ti mesmo
(Mt 7,1-5) e faze-o sempre com bondade (Eclo 19,17; Mt 18,15-17; Lc 23,40; 1Cor
4,14; Gl 2,11; 6,1; 1Ts 5,14; 1Tm 5,1-2; Tg 5,19-20). Devemos aceitar a correção
com humildade (Sl 141,5; Pr 12,1; Eclo 21,6; Mt 18,15-17).
CRIAÇÃO
O tema constitui uma das noções básicas da fé de Israel. A Bíblia projeta na
contemplação da criação a experiência da Aliança e da sua vivência religiosa.
Assim, o autor inspirado conforme seja um narrador ou um poeta, um sábio, um
sacerdote, um cantor, admirará na criação ora a onipotência divina, ora a sua
sabedoria, ora o seu governo real, ora a sua manifestação.
A mais antiga narração da criação é do séc. X aC. Numa linguagem popular,
atribui a Deus a criação do ser humano e pretende responder a vários “porquês”:
da vida a dois, do trabalho, da dor (Gn 2,4-25). Um poeta admira a onipotência
de Deus na criação (Jó 38,1–40,5; 26,5-14; Sl 89,10-13). Louva a Deus com
entusiasmo pela grandeza de seu poder criador (Sl 8; 19,3-7; 104), pois ele
criou todas as coisas do nada (cf. 2Mc 7,28 e nota). Louva a Deus pela sabedoria
da criação (Is 40,12-17; Pr 8,22-35; Eclo 43,33; Sl 19,1-3).
Deus é o criador do mundo (Jr 27,5; 31,35) e da história (Is 22,11; 37,26). Na
literatura pós-exílica as afirmações sobre o poder criador de Deus são mais
freqüentes. Ele cria o universo pela sua palavra (Sl 33,6-9; 148,5; Is 40–55) e
renova a criação, realizando a salvação prometida (Is 41,20; 45,8; 48,7) e
transformando o coração do homem arrependido (Sl 51).
No NT sabemos que tudo foi criado em Cristo e por Cristo (1Cor 8,6; Cl 1,16; Hb
1,2), e que a sua obra redentora é uma nova criação (Rm 8,18-22; 1Cor 15,45-48;
2Cor 5,17; Ef 4,24; Tg 1,18; 2Pd 3,13; Ap 21,1-5; cf. Is 65,17-18).
CRISMA
Ver “Confirmação”.
CRISTÃO
O nome vem de Cristo, o Ungido. Deve ter sido dado pelos magistrados romanos aos
seguidores de Jesus Cristo. Esta denominação foi dada aos discípulos de Jesus
pela primeira vez em Antioquia da Síria (At 11,26; cf. 26,28; 1Pd 4,16).
CRISTO
O termo de origem grega significa “ungido” e traduz o termo hebraico “messias”.
Os sumos sacerdotes (Lv 4,3-16; 6,15) e os reis de Israel (1Sm 12,3-5; 24,7.11)
eram chamados “ungidos”. Os discípulos de Jesus deram-lhe o nome de
“Cristo”(Ungido), reconhecendo-o como o messias prometido (Jo 1,41; 4,25; Mt
16,16).
Em alguns textos Jesus é diretamente chamado “Deus” devido ao monoteísmo
hebraico (Jo 1,1; 20,28). Cristo exprime sua divindade com a expressão “Eu sou”
(Jo 8,24.28.58; 13,19; cf. Ex 3,14; Is 43,10-13).
É o Filho de Deus: O povo de Israel (Ex 4,22; Os 11,1; Is 1,2; 30,1; Jr 3,22; Is
63,16); o rei e certos chefes (2Sm 7,14; Sl 2,7); os anjos e os justos (Sb
5,1-5; 2,13-18; Jó 1,6) são chamados também filhos de Deus. Jesus recebe este
título no batismo (Mc 1,11) e na fidelidade à sua missão (Mc 9,7; 15,39).
Cristo é a fonte de água viva (1Cor 10,1-11; Jo 2,1-11; Ap 21,6; Jo 19,34-37;
7,37-39; Ap 22,1-2) e a Luz dos povos (Lc 1,78s; Jo 1,4-13; 8,12; 9,1s;
12,46-47; At 13,46-47; 26,22s; 1Ts 5,2-7; Ap 21,22-27; 22,16; cf. Is 9,1-6;
42,6-9; 60,1-9).
Cristo é o “Senhor”(Kyrios), título que proclama a divina soberania de Jesus
(1Cor 8,5-6; At 10,36; Rm 10,2; 14,7-10; Fl 2,10-11; Jo 20,24-28; 21,7.15-17).
Por isso o temor de Javé (Senhor, nesta Bíblia) passa a ser temor do “Senhor”(At
9,31; 2Cor 5,11; Ef 5,21). A “glória” de Javé transforma-se na glória do
“Senhor”(Jo 1,14; 2,11; 1Cor 2,8; 2Tm 4,18; 1Tm 3,16; Fl 2,9-11). O dia de Javé
–anunciado pelos profetas –passa a ser o “Dia do Senhor”(At 2,20; 17,3; 1Cor
1,8; Fl 1,6-10).
Cristo é o bom Pastor (1Sm 16,10-16; 17,33-37; Ez 34; Mt 25,31-33; Ap 12,5;
19,15; 1Pd 5,4; Jo 10,1-18; Lc 15,1-7); o juiz misericordioso (Lc 7,37; 9,10;
19,5; Jo 8,3; 10,11) e justo (Mt 24,30s; Jo 5,22; At 10,42; 17,31; Rm 2,16).
É a imagem visível do Deus invisível, o novo Adão, a divina Sabedoria (Sb 7,6);
é a imagem da “glória” ou resplendor de Deus (2Cor 4,1-6; Cl 1,15); batizados em
Cristo, também somos suas imagens (2Cor 3,18; Cl 3,1-11; Rm 8,29; 1Cor 15,49).
Cristo é o Servo do Senhor (Lc 22,20.37; Jo 13,1-15; At 8,30-35; 1Pd 2,21-25;
cf. Is 52,13–53,12); manso como um cordeiro, sofre pelos pecados do seu povo
(cf. Jo 1,29.36; 1Pd 1,19; Ap 5,6; 8,12).
É o Salvador do mundo (Is 62,11; Zc 9,9; At 5,31; Fl 3,20; Lc 19,10; 1Jo 4,10),
a luz do mundo (Mt 4,16; Lc 2,30-32; Jo 8,12; 1Jo 1,5). É aquele que nos remiu
do erro e da ignorância (Lc 1,79; Jo 1,9; 3,19; 8,12; 12,46), do pecado e
conseqüências (Jo 8,51; Rm 3,24s; 4,25; 5,6-9; Cl 1,14; 1Pd 1,18s; 2,24; 1Jo
1,7; Ap 1,5; 5,9). Ver “Palavra”.
CRUZ
Instrumento romano de tortura, reservado para escravos e criminosos. Para os
judeus o supliciado na cruz era considerado maldito (Dt 21,23; Gl 3,13). Mas,
depois que Jesus foi supliciado na cruz, esta se tornou o símbolo religioso do
seguimento humilde e abnegado de Cristo. Seguir a Jesus e tomar a própria cruz
são elementos inseparáveis da vida cristã (Mt 10,38; 16,24; Lc 9,23.57-62; Gl
5,24).
Tomar a própria cruz se concretiza no martírio e na ascese (Fl 3,17-18; Gl 5,24;
Ap 11,8; Mt 23,34; Gl 2,19-20; Jo 3,14-15). Escândalo para os judeus (Gl 5,1) e
loucura para os pagãos (1Cor 1,18-23), a cruz é um resumo de todo o Evangelho (Gl
6,12-14). Por meio dela nos veio a redenção (At 5,30s; Gl 3,13). Carregando a
própria cruz, o homem participa dessa redenção (Ef 2,14-16; Cl 1,20; 2,14), pois
crucificado com Cristo pelo batismo obtém a vida pela fé (Gl 2,19; Rm 6,6).
CULTO
O NT representa um esforço de espiritualização do culto. Em vez do Templo de
pedra, Cristo e os cristãos são templos de Deus (Jo 2,13-22; 4,23-24; Mc 14,58;
15,29-30; 1Cor 6,19; Ap 21,22; 1Cor 3,16; 2Cor 6,16.
Quanto ao culto das imagens, ver “Cristo, imagem visível do Deus invisível.”
Depois de Cristo é o homem, a imagem de Deus (Gn 1,26-27; 1Cor 11,7).
Espiritualizar o culto é centrá-lo na caridade e na verdade (Mt 9,13; Lc
11,41-42; Tg 1,26-27; Rm 12,1-13; Fl 2,17; 4,18).
A princípio, os cristãos observavam o sábado, como também subiam ao Templo (At
2,46; 3,1; 5,20-25). Mas depressa se impôs o Domingo, dia da Ressurreição (At
20,7; 1Cor 16,2; Mc 16,1; Mt 28,1; Lc 24,1; Jo 20,1; Cl 2,16; Ap 1,10). Por
isso, não devemos manter as festas da Antiga Aliança (Cl 2,16.20; Gl 4,3.10).
A liturgia cristã toma elementos sinagogais: leituras, cantos e hinos (Cl 3,16;
Ef 5,14-19; 1Tm 3,16; Ap 4,8; 15,3-4). Mas a “fração do pão” toma o lugar
central (At 20,7.11; 1Cor 10,16; 11,20.25).
Além da “fração do pão” ou eucaristia, aparece o batismo por imersão,
proclamação da Ressurreição (Ef 2,15; 5,26; Tt 3,5-7; Rm 6,3-8; 8,11; 1Cor
12,13).Ligado com a Ressurreição, está o rito da remissão dos pecados (Mt 18,18;
Jo 20,22-23; Lc 24,47; Tg 5,16).
Era também freqüente o gesto sagrado da imposição das mãos (1Tm 4,14; Mt 19,15;
2Tm 1,6; At 6,6; 8,17s; 13,3). Ver “Sábado”.