A reencarnação é a crença que ensina
a alma humana assumir outros corpos após a morte. Neste caso,
ocorreriam existências sucessivas. Há inúmeras modalidades de
ser apresentada com aspectos diferentes. Substancialmente
trata-se de surgimento de vida, uma depois da outra, até
alcançar um determinado grau de perfeição. Religiões diversas
incluem em seu conteúdo doutrinário conotações filosóficas. Os
dados que a história nos proporciona sobre a origem dessa
crença não são muito claros. E onde era aceita, seu teor
ficava escondido sob o véu do mistério, proibido de ser
comunicado aos não-iniciados. A partir do VII e VI séculos
antes de Cristo, cresce a consciência de algo que sobrevive
após a morte. Sem o auxílio da revelação divina, apelam para
cultos como o orfismo. Este, sob a visão dualista do mundo (a
matéria é má e o espírito é bom) buscava purificar a alma
através de reencarnações. No hinduismo, por uma seqüência de
vidas, pela filosofia também do budismo, do carma, se alcança
a beatitude. Na experiência do Gautama Sakiamuni, (Buda, o
Iluminado), a transmigração é um instrumento de libertação. No
início do século passado, sociedades teosóficas ocultistas e
outras, promoveram um modelo ocidental hoje muito difundido.
Essas e outras doutrinas, em nossos dias, propagam de
forma diferente a multiplicação de existências sucessivas.
Entre as razões alegadas que levam a aceitar a reencarnação,
eis algumas: recordação em estado de transe atribuída ao Além;
interpretação subjetiva de acontecimentos que teriam ocorrido
em existência anterior; a impressão de já ter visto um lugar
visitado pela primeira vez; a justiça da divindade se
exerceria dessa forma para possibilitar um pleno
desenvolvimento dos talentos. A saudade dos entes queridos, já
mortos pressiona a esperança de entrar em contacto com eles e
busca justificativas e fundamentos em uma memória psíquica,
interpretada como vestígios de uma vida anterior, para
comunicações com espíritos desencarnados. No entanto, não há
necessidade de se recorrer a uma suposta reencarnação por
causa de ocorrências ainda inexplicáveis totalmente no atual
estado do conhecimento humano. Para esses episódios não há
provas científicas. São, isto sim, objetos de opção pessoal e
incluído no corpo doutrinário de uma crença. Evidentemente,
merecem nosso respeito. Nós optamos, contudo, pela mensagem
cristã, que nos dá outra perspectiva da vida e da morte, em
contradição com a migração dos espíritos. A Sagrada Escritura
é peremptória: não há lugar para a reencarnação. Ao
tratar, aqui, desse assunto, não me refiro a uma necessária
passagem por uma fase de purificação após a morte, nem ao fato
de reassumir o próprio corpo, na ressurreição final. Defendo o
ensino cristão, que nega a hipótese de uma alma passar para
outro corpo. Essa teoria contradiz frontalmente a Revelação
divina, em seus ensinamentos a respeito da história de cada
homem, do nascimento à morte. Conforme o Novo Testamento, faz
parte da doutrina do cristianismo, que a salvação ou a
perdição de cada homem se defina nesta vida, única e
irrepetível. E a idéia de nova existência neste mundo é
excluída por ser a negação de aspectos fundamentais da
mensagem cristã. Jesus veio uma só vez para operar, de modo
definitivo e único, uma vez por todas, a salvação do mundo
(Hb.
7,27; 9,12). Cristo é a única e exclusiva resposta de Deus ao
mundo. Nele é operado toda a salvação (2 Cor. 1,20). De modo
definitivo, está na glória do Pai e intercede por nós (Rm.
8,34; Hb. 7,25). O cristão já toma parte nessa vitória. Diz são
Paulo: “Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com
que nos amou, quando estávamos mortos pelos nossos delitos,
nos vivificou juntamente com Cristo e com Ele, Deus nos
ressuscitou e nos fez assentar nos céus, em Cristo Jesus” (Ef.
2,4 - 6). Essa é a doutrina basilar do Novo Testamento. Assim,
quem recorre à reencarnação, transmigração de almas, nega e
abandona algo essencial à Fé cristã. Reencarnação é uma
apostasia do cristianismo: é negação do único Salvador, que,
uma vez por todas, se imolou por nós e nos salvou. Pelo ensino
de Jesus, o Batismo destrói pela raiz a idéia da reencarnação.
O Novo Testamento usa a expressão “regenerar” (Tt. 3,5) Nosso
Senhor nos ensina: (Mt. 19,28) “Em verdade vos digo que, quando
as coisas forem renovadas, o Filho do Homem se assentará no
seu trono de glória; também vós que me seguistes, vos
sentareis em doze tronos” Não há lugar para uma regeneração de
atos injustos que são resgatados pela força única do sangue de
Cristo. Somos beneficiados “pela misericórdia divina, nós
fomos lavados pelo poder regenerador e renovador do Espírito
Santo, que Ele abundantemente derramou sobre nós, por meio de
Jesus Cristo” (Tt. 3,5 - 6). Para o Novo Testamento, toda
iniciativa de salvação vem de Deus, não é nossa. Ela se baseia
na cruz e Ressurreição de Cristo, na qual temos parte pela fé
e pelo batismo, “pela obediência à verdade que nos purifica
(...) e pela prática do amor fraterno” (1 Pd. 1,22) A fé
cristã nos ensina que o corpo humano não deve ser visto como
algo negativo, de que nos devemos libertar. Nele há más
inclinações, fruto do pecado, a serem corrigidas. A vida do
indivíduo é uma só e Cristo nos libertou da condenação.
Com a mesma clareza conclui o Novo Testamento: “Como é um
fato que os homens devem morrer uma só vez, depois do que vem
o julgamento, do mesmo modo Cristo foi oferecido uma vez por
todas, para tirar os pecados da multidão. Ele aparecerá uma
segunda vez, com exclusão do pecado, àqueles que O esperam,
para salvação” (Hb. 9,27 - 28). São, portanto, inconciliáveis
a crença na reencarnação e o cristianismo. São duas concepções
diferentes do mundo e do aperfeiçoamento da criatura, da
história da salvação da humanidade. É necessário fazer uma
opção, pois se trata de matéria de Fé.