QUESTÕES DOUTRINÁRIAS
REENCARNAÇÃO
Pergunta:
Eu sempre achei muito interessante a doutrina espírita da reencarnação. Por que
a Igreja Católica rejeita esta explicação do destino do ser humano?
Resposta:
Eu compreendo o seu interesse pela reencarnação. Hoje em dia muitos católicos se
sentem atraídos por essa doutrina, que, à primeira vista, esclarece bem o
mistério da existência humana. Mas este deslumbramento é fruto de uma confusão.
Por hoje vou me limitar a explicar por que essa interpretação da vida humana é
contrária à nossa fé e não pode ser aceita pelos católicos. O Evangelho fala de
ressurreição da carne, coisa muito diferente. De fato, não sei se Você já reparou
que, para quem crê na reencarnação, a pessoa humana se reduz ao seu espírito. O
corpo não tem valor. É só um invólucro descartável do espírito. Os espíritos vão
assumindo em cada existência um corpo diferente, até que, purificados e
libertados do corpo, chegam à perfeição. Mas assim nós perdemos a própria
identidade. Eu seria apenas uma fase da trajetória dum espírito, que foi um
soldado romano, depois um comerciante árabe, depois uma escrava no Brasil do
século passado e será ainda não sei o que, se não acabar de se purificar na
existência atual. Quem vai ser feliz afinal depois de todas essas encarnações?
Eu? O soldado romano? Alguma das pessoas que viveram realmente? Não. Nenhuma
dessas pessoas de carne e osso, apenas o espírito desencarnado!
Para o cristão, ao contrário, a
pessoa humana não é só o corpo, como pensam os materialistas, mas também não é
só a alma. Deus cria cada um como uma unidade de corpo e alma, com sua
identidade própria de homem ou mulher, de brasileiro ou chinês. Sou eu mesmo,
com meu nome, meu corpo, minha história, que Deus ama e chama para participar da
vida eterna em sua companhia. A pessoa inteira, depois desta vida, é destinada a
ressuscitar com Cristo para uma existência nova e definitiva, onde o corpo,
transfigurado, goza também da felicidade completa que ele prometeu aos que
seguem o seu caminho. Como Você vê, o ensinamento de Jesus
sobre o nosso destino, sobre a ressurreição para a vida eterna, é muito mais
rico de verdade e esperanças que a doutrina da reencarnação. (João A. Mac Dowell
S.J.)
Pergunta: A Igreja ensina que, se
uma pessoa vive mal, está perdida para sempre. Não lhe parece mais humano
pensar, como os espíritas, que temos sempre outra chance de melhorar e de chegar
à perfeição nas próximas reencarnações?
Resposta:
A Igreja segue o ensinamento de Jesus e do Novo Testamento, que diz na carta aos
Hebreus: "Foi estabelecido que os homens morram uma só vez; e depois da morte
vem o julgamento" (9,27). Para motivar as pessoas à conversão Jesus
constantemente chama a atenção para a realidade da morte e do julgamento de
Deus. Baste lembrar a parábola do rico avarento e do pobre Lázaro. Ele deixa
claro que esta vida é única e que de nossa atitude agora dependerá o nosso
destino eterno. É esta verdade que dá valor à nossa
existência atual. A vida é muito importante, porque é única e decisiva. Esta
convicção nos ajuda a assumir a responsabilidade de nossas ações. Nós temos a
tendência de adiar as decisões, pensando que podemos mudar de vida mais tarde,
antes de morrer. Por isso, Jesus recorda sempre que precisamos estar vigilantes,
preparados para o encontro decisivo com o Senhor, para que a morte, que chega a
qualquer momento, não nos encontre desprevenidos. Infelizmente, nós católicos somos
muitas vezes incoerentes com nossa fé. Vamos vivendo de qualquer jeito,
procurando satisfazer os nossos gostos e interesses egoístas, sem nos preocupar
com o nosso destino final, como se Deus não existisse. Se isto sucede com quem
acredita que esta vida é única, imagine o que fará quem leva realmente a sério a
reencarnação. Por enquanto pode praticar o mal, explorar os outros, tirar
vantagem de tudo, sem nenhum escrúpulo, porque tem sempre a chance de remediar
os seus erros numa vida futura. Veja bem. O espiritismo não aconselha esta
conduta imoral. Pelo contrário, ensina que quem procede assim terá de pagar as
suas culpas na próxima existência. Mas a idéia de que nada é definitivo
enfraquece a resistência contra as tentações do mundo. A reencarnação deixa
sempre uma porta aberta. Eu posso adiar indefinidamente a minha conversão. Ao contrário, a convicção de que a
morte põe um ponto final na minha possibilidade de dizer "sim" a Deus, é um
incentivo poderoso para agir bem, para ajudar o próximo, para contribuir para um
mundo mais humano. (João A. Mac Dowell S.J.)
Pergunta: Segundo a Igreja, basta arrepender-se para ser salvo por Deus. Isto
não me parece justo. Eu creio que é o espírito que deve purificar-se de suas
culpas para merecer a perfeição definitiva. Que acha o Sr.?
Resposta:
Como diz Jesus, só Deus é verdadeiramente bom. Nós queremos ser bons, mas
experimentamos continuamente nossas falhas. Se Deus fosse apenas justo, ninguém
se salvaria. Por isso, a sua última palavra não é justiça, mas misericórdia e
perdão. Mesmo os maiores santos se consideravam pecadores, salvos pela bondade
de Deus. Somos todos como o servidor da parábola do evangelho, que devia ao rei
milhões e milhões. Uma dívida infinita, que jamais seríamos capazes de pagar,
nem mesmo através de sucessivas reencarnações. A medida que fôssemos nos
purificando de umas culpas, iríamos cometendo outras: O justo peca sete vezes ao
dia, diz a Bíblia. Por isso, Deus se compadece de nós e
perdoa as nossas ofensas, com uma única condição, que nós também perdoemos
aqueles que nos ofenderam. De fato, para Jesus, a realização plena do homem, em
última análise, não é resultado de seus esforços e boas ações, mas um dom
gratuito de Deus. Temos, sem dúvida, de colaborar com a iniciativa de Deus que
quer salvar-nos. Mas nossa colaboração consiste basicamente em crer: acolher com
gratidão a oferta de Deus e deixar que seu amor frutifique em nossa vida por
meio de obras de misericórdia e perdão. Esta é a diferença fundamental entre
o ensinamento de Jesus e a doutrina espírita da reencarnação. Segundo ela, é o
espírito humano que se purifica de suas culpas, se aperfeiçoa, se salva por
esforço e mérito próprio, através de sucessivas existências. A perfeição final é
conquistada por cada um, quando se libera de todos os males da vida terrena.
Esta idéia tem, à primeira vista, o seu atrativo. O homem moderno aprecia a sua
autonomia e não gosta que seu sucesso dependa de outros, nem mesmo, ou
sobretudo, de Deus. Pensa que é contra a sua dignidade dever a sua salvação a um
gesto de compaixão e perdão. Mas esta pretensão é ilusória. Nossa
realização depende dos outros em inúmeras coisas, mas principalmente numa, o
amor. A Psicologia ensina que só quem faz a experiência de ser amado, é capaz de
amar gratuitamente e assim chegar à madureza humana. Esta lei vale mais ainda a
respeito do nosso destino final. Quem recusa a oferta do amor de Deus,
pretendendo conseguir por si mesmo a própria perfeição e autolibertação,
permanece eternamente frustrado. A dignidade do homem está em acolher com
gratidão o dom da vida e entregá-la livremente ao outro no amor. (João A. Mac
Dowell S.J.)
Pergunta: Não lhe parece que a reencarnação é a melhor explicação para a
diversidade da sorte das pessoas neste mundo?
Resposta:
Não há dúvida que as condições de
vida das pessoas no mundo são muito diversas. Alguns são privilegiados. Têm tudo
para vencer na vida: saúde, talento, boa educação, recursos financeiros,
amizades, etc. Outros, pelo contrário, parecem condenados ao fracasso, por causa
de taras hereditárias, doenças mentais, ou um ambiente de miséria, fome e
exploração. De onde vem esta desigualdade? A
doutrina da reencarnação oferece, como Você dizia, uma explicação simples e
aparentemente satisfatória. Cada um recebe na vida atual o que mereceu na sua
existência anterior. Ele paga por seus pecados ou recebe a recompensa das boas
ações que praticou em outra encarnação. Assim, para o espírita, a desigualdade
da sorte das pessoas não é arbitrária, mas corresponde à justa retribuição de
suas obras. Para dizer a verdade, eu não vejo nenhuma justiça nesta solução.
Como posso ser castigado por faltas cometidas noutra vida, das quais não tenho
nenhuma recordação nem sou pessoalmente responsável? O Evangelho também ensina que o
destino do homem depois da morte depende do seu comportamento aqui na terra.
Mas, veja bem, para o cristão, esta retribuição ocorre na vida eterna e não numa
outra vida terrena. Por isso, a nossa explicação da diversidade das situações
que observamos neste mundo é outra. A existência, segundo a Bíblia, é um dom
gratuito de Deus. Uma pessoa recebe um talento, outra cinco, outra dez, como na
parábola de Jesus. Mas nessa diferença não há nenhuma injustiça. Primeiro, porque a nossa existência
não é um direito nosso. Não merecemos a vida, nem a saúde, nem qualquer outra
circunstância favorável. Deus nos cria num gesto de amor, porque deseja
comunicar a todos a sua felicidade. Ele não nos faz nenhum mal, só bem. Dá-me
gratuitamente o bastante para viver eternamente com ele na paz e alegria. Como
posso reclamar se outro recebeu ainda mais? Por acaso Deus não tem o direito de
distribuir livremente os seus dons como lhe apraz? O importante - este é o segundo
motivo - é que qualquer pessoa, por mais difícil que seja a sua vida, pode
alcançar a felicidade prometida por Deus. A nossa realização não depende da
quantidade de talentos que recebemos, mas do modo como usamos esses talentos.
Nem sempre o que possui mais vive melhor. Em última análise, o destino final de
cada um depende da sua livre escolha: abrir-se a Deus e aos outros pela fé e
pelo amor, ou fechar-se no próprio egoismo. (João A. Mac Dowell S.J.)
Pergunta: Qual é a diferença entre a doutrina espírita da reencarnação e o que a
Igreja ensina sobre o mistério da encarnação e a ressurreição dos corpos?
Resposta:
Sua pergunta é importante, porque
existe hoje muita confusão, mesmo entre os católicos, a respeito dessas coisas.
A crença na reencarnação é muito antiga na humanidade. Entre nós é defendida
pelo espiritismo e várias correntes teosóficas e antroposóficas. Nem todos têm
exatamente a mesma idéia da reencarnação. Mas, em geral, afirmam que os
espíritos, depois de cada existência, voltam a encarnar-se num novo corpo
humano, para purificar-se das faltas cometidas nas existências anteriores, até
alcançarem a perfeição e serem absorvidos na consciência universal. Esta idéia de reencarnação é
completamente diferente do que ensina a fé cristã. Quando falamos de encarnação
queremos dizer que Jesus Cristo é ao mesmo tempo verdadeiro Deus e verdadeiro
homem: é o Filho de Deus feito homem. A expressão "encarnação" está baseada nas
palavras do Evangelho de São João, que diz: O Verbo fez-se carne e habitou entre
nós. Na linguagem de São João, a palavra "Verbo" significa o Filho de Deus, que
chamamos de Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Quanto ao termo "carne",
significa aqui o ser humano. O Filho de Deus, que existe eternamente com o Pai e
o Espírito Santo, encarnou-se, i.e. tornou-se homem como nós, nascendo em Belém
e morrendo pregado na cruz. Mas esta encarnação não é, como para
os espíritas, a entrada de um espírito num corpo terreno. O Filho de Deus não é
a alma ou o espírito de Jesus. Ele se une à humanidade de Jesus, que já é
composta de alma espiritual e corpo material. Sem deixar de ser um homem
verdadeiro e completo, Jesus é o Filho de Deus em pessoa, igual a seu Pai no
amor e na santidade. Também a ressurreição de Jesus e a
nossa ressurreição depois da morte, segundo a sua promessa, não têm nada a ver
com a reencarnação. Não se trata da encarnação do espírito noutro corpo para
recomeçar uma nova existência neste mesmo mundo. Para a fé cristã, a
ressurreição é o destino final do homem todo, que depois da vida terrena,
renasce para a vida eterna, com o corpo transfigurado pelo poder de Deus. Como
Jesus Cristo, os que morrem com fé e amor, não desaparecem no nada, mas
ressuscitam para uma vida plena de alegria e felicidade na presença de Deus.
(João A. Mac Dowell S.J.)
Pergunta:
Por que um cristão não pode acreditar na reencarnação?
Resposta:
Jesus no Evangelho insiste
constantemente no caráter único e decisivo desta vida. Com a morte termina o
tempo de que dispomos para tratar do nosso destino eterno. "É preciso que
realizemos as obras daquele que me enviou, enquanto durar o dia. Porque vem a
noite e então ninguém poderá trabalhar" (Jo 9,4), diz Jesus no Evangelho de
João. Nas suas parábolas ele fala do Senhor que virá no fim de nossa vida pedir
contas da nossa administração. Então cada um será julgado segundo as suas obras.
O servidor fiel será recompensado, participando para sempre da felicidade do seu
Senhor, mas quem não procurou cumprir durante a vida as recomendações recebidas,
não está preparado para entrar no Reino de Deus. E a carta aos Hebreus diz
claramente: "Todo homem está destinado a morrer uma só vez - depois do que
haverá o julgamento" (9,27). Quem acredita nestas palavras não
pode admitir a reencarnação, i.e. uma série de nascimentos e mortes, regulados
pela lei da compensação. É falso pensar que os espíritos, ao deixar um corpo,
revestem outro, iniciando uma nova existência, num estado melhor ou pior,
segundo o que semearam na vida precedente, até espiar todas as faltas cometidas
e chegar a níveis cada vez mais elevados de vida espiritual, integrando-se
finalmente à consciência universal. Esta idéia não só contradiz o ensinamento de
Jesus sobre a morte e o julgamento, mas também se opõe a outras verdades da fé
cristã. Por exemplo, segundo a Bíblia, o ser
humano é realmente responsável por sua sorte, mas não pode conseguir sozinho a
salvação. É Deus que o salva por meio de Jesus Cristo. Sua colaboração consiste
em aceitar a ajuda de Deus, como o doente que aceita o remédio ou a operação que
lhe restitui a saúde. Para quem segue a doutrina da reencarnação, pelo
contrário, cada um se realiza exclusivamente por seu próprio esforço. Vai-se
purificando através de diversas existências até chegar à perfeição. Esta concepção da salvação depende
de uma idéia de Deus muito diferente do Deus revelado por Jesus. Este é um Deus
pessoal, que convida as suas criaturas a responder pessoalmente à sua oferta de
comunhão no amor. Na concepção reencarnacionista Deus é a consciência universal,
impessoal, e os espíritos são destinados a perder a sua individualidade,
absorvidos por esta essência universal. Não existe diálogo entre Deus e nós,
oração confiante, misericórdia e perdão, mas só a lei férrea da recompensa ou
punição dos atos humanos através das sucessivas existências. (João A. Mac Dowell
S.J.)
Pergunta:
Não seria mais justo e humano pagar ao longo de sucessivas existências
os próprios pecados, até a liberação final, do que por causa de uma única
existência pecaminosa perder-se para sempre, como pretende o cristianismo?
Resposta: A primeira vista a explicação dada pela doutrina da reencarnação parece mais satisfatória. Ninguém perde definitivamente a possibilidade de chegar à perfeição. Terá de voltar a este mundo quantas vezes for necessário para espiar os seus pecados, mas toda vez que se decide a viver honestamente recomeça a trilhar o caminho da libertação.
Jesus, ao contrário, coloca-nos diante de uma opção radical: Quem crer será salvo, quem não crer será condenado. Existe, portanto, na visão cristã do nosso destino a possibilidade de um fracasso definitivo. Seria desumano, se o homem tivesse de lutar sozinho, com as próprias forças, para espiar as suas culpas e para alcançar a salvação. Mas, segundo o plano de Deus, somos todos chamados a participar da sua felicidade. Para salvar-se basta acreditar no amor e no perdão de Deus. Podemos recusar esta proposta. Mas Deus, através de toda a nossa vida, volta a insistir no seu convite. Como fruto da morte e ressurreição de Jesus Cristo, nos oferece a luz e a força do seu Espírito Santo. Não força a liberdade humana, mas lhe dá todas as oportunidades de abrir-se à verdade e ao amor. Um instante é suficiente para tomar esta decisão.
Ao contrário, a esperança de converter-se na existência seguinte, longe de constituir uma vantagem para o ser humano, tende a destruir a sua dignidade e a impedir a sua felicidade. De fato, é justamente a certeza de que só temos uma vida e, mais ainda, que podemos morrer a qualquer momento, que dá valor à nossa existência. Quem pensa que poderá recuperar sempre o tempo perdido, nesta ou noutra encarnação, não pode assumir com responsabilidade a sua vida, pois vai adiando para mais tarde a decisão de converter-se e fazer o bem. Jesus chama a atenção para este perigo quando fala do servidor que fica pensando: 'Meu patrão vai demorar a chegar'; e começa a bater nos companheiros e companheiras e a comer e beber até se embriagar (Lc 12,45). Mesmo o espírita, que é honesto, e certamente muitos o são, apesar de sua crença reencarnacionista, no fundo está motivado pela consciência de que o seu destino se decide nesta vida. De fato, a experiência da morte como fim de todas as nossas chances, pode ser recalcada, mas não suprimida. Portanto, a idéia de sucessivas reencarnações não ajuda o ser humano a ser bom. E só quem procura viver retamente, com fé e amor, pode ser feliz nesta e na outra vida. Não é garantindo a sorte final de cada um, automaticamente, que Deus manifesta a sua bondade, mas sim oferecendo-lhe a sua amizade e perdão sem limites. (João A. Mac Dowell S.J.)
Pergunta:
Existe a Ressurreição ou a Reencarnação?
Resposta:
- O centro de nossa fé cristã está
na Ressurreição de Jesus que garante a nossa ressurreição. Ressuscitar é passar
à vida eterna sem perder a identidade, isto é, sem deixar de ser a gente mesmo.
Já a reencarnação fala que as pessoas vão deixando de ser elas para viver em
outra. Nega a ressurreição e a vida eterna. Quem segue a reencarnação não é
cristão, não crê em Jesus Cristo, nem que Ele ressuscitou e garantiu e nossa
ressurreição. Hoje quem segue a reencarnação são os espíritas que, embora até
falem em Jesus, não são cristãos! Os Evangelhos são claros em mostrar que Jesus
veio para libertar o ser humano do mal, do pecado e da morte! Jesus venceu a
morte pela ressurreição! E garantiu: que quem crê Nele e O segue também vai
ressuscitar, isto é, vai estar com Ele definitivamente! E isso sem deixar de ser
a própria pessoa. Todo o Cristianismo está centrado na pessoa de Jesus
Ressuscitado. Negar isso é negar a fé cristã. e cá entre nós, a reencarnação é
humilhante: a gente viver no outro ou outros viverem na gente até alcançarem a
purificação. Essa teoria nega a identidade, a responsabilidade de cada qual.
Nós rezamos: Creio na Ressurreição e na vida eterna! E isso nos anima a viver na
fé e no amor fraterno. (Pe. César Moreira, C. Ss. R.)
INFERNO
Pergunta:
Eu sou católica, mas não
consigo acreditar que um Deus bom possa condenar os seus filhos ao inferno. O
Sr. poderia ajudar-me a superar esta dificuldade?
Resposta:
Deus nos ama com imenso carinho e está sempre pronto a perdoar. Esta é a verdade
fundamental que Jesus veio nos comunicar. Você fez muito bem em lembrar que o
nosso Deus, o Deus de Jesus, antes de tudo, é bom, porque só assim se pode
entender o que ele ensinou sobre a condenação eterna. O evangelho mostra que Deus nos
criou para a felicidade. Ele não condena ninguém ao inferno. Ao contrário, nos
convida insistentemente a gozar de sua amizade, a viver em comunhão de amor e
alegria com ele e com todas as suas criaturas. Mas Deus não força a nossa
liberdade. Quando pecamos, somos nós que recusamos a oferta de seu amor.
Queremos alcançar a nossa felicidade a todo custo, por nós mesmos, sem ligar
para Deus, sem nos importar com o bem dos outros. Nisto consiste o pecado, na
falta de amor a Deus e ao próximo. Durante a nossa vida, sempre temos a
oportunidade de converter-nos, aceitando o perdão que Deus nos oferece
generosamente. Na hora da morte, Cristo vem ao nosso encontro, para nos
enriquecer com a sua paz e alegria sem fim. Nós nos encontraremos com ele face a
face. Quem gosta dele, quem na vida se voltou para ele com esperança,
arrependido de suas faltas, sentir-se-á imensamente contente com sua presença
amiga. Mas, para quem não gosta de Deus,
para quem não tem nenhuma sintonia com a sua bondade e a sua beleza, porque
recusou durante toda a vida o seu amor e o seu perdão, a presença envolvente de
Deus é um tormento infinito. Não é Deus que rejeita o filho ou filha que tanto
amou. É a própria pessoa que se cristaliza no seu "não". Esse "não" a exclui
para sempre da alegria da comunhão, separando-a afetivamente de todos pela
barreira de seu egoismo. Jesus fala do inferno, para nos
desviar do caminho que leva ao fracasso total da existência humana. É uma
possibilidade real, pois a morte eterna é o fruto final do pecado. Mas trata-se
só de uma possibilidade. Não sabemos se alguém resistiu até o fim ao convite
amoroso de Deus. Esperemos que a sua bondade possa sempre triunfar da nossa
maldade. O mistério de Deus é maior que os nossos pensamentos. (João A. Mac
Dowell S.J.)
Pergunta:
É difícil acreditar no inferno. Como Deus pode punir um filho seu com
um castigo eterno, por causa de um pecado, um passo em falso que ele deu?
Resposta:
Há vários equívocos na sua pergunta. O inferno não é um lugar de tormentos, onde
Deus castiga quem morreu depois de ter cometido um pecado grave. Está dentro da
própria pessoa: é a situação final de quem se recusa livremente a obedecer a
Deus e a aceitar o seu perdão gratuito. Deus não condena ninguém ao inferno.
Como diz Jesus: "Deus não mandou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas
para que o mundo seja salvo por ele" (Jo 3,17). Ele oferece a todos a sua
amizade e a participação na sua vida e felicidade. Nós é que podemos rejeitar esta
oferta de comunhão com Deus e com os outros, preferindo fechar-nos na nossa
auto-satisfação e auto-suficiência. Só quem se abre a Deus e ao próximo pelo
amor encontra a felicidade que ele prometeu a suas criaturas. O inferno não é
senão o resultado da decisão da própria pessoa, que se isola no seu egoísmo,
colocando o seu gosto e interesse acima da vontade de Deus e dos direitos do
próximo. Quem morre nesta situação sentirá para sempre o vazio terrível do
isolamento total no ódio e na tristeza; porque fomos criados para o amor e para
a vida em comunhão. Mas, como Você vê, esta atitude, que
conduz à perdição eterna, não corresponde a um simples passo em falso. Quem
busca sinceramente a verdade e peca por fraqueza ou não consegue libertar-se de
uma situação que ele mesmo reconhece como injusta e pecaminosa, mostra que o seu
amor é frágil e incoerente, mas existe. Gostaria de fazer o bem, mas o egoísmo
prevalece ainda sobre o desejo de fidelidade a Deus e de respeito aos outros. O
seu coração está dividido, mas não completamente fechado. Porém, se vai
justificando cada vez mais seus erros, se se coloca no centro de seu próprio
mundo, desprezando os outros e subordinando tudo ao seu capricho, corre o risco
de tornar-se definitivamente surdo aos apelos de Deus e de sua consciência. É justamente para chamar a atenção
para este perigo e despertar a nossa responsabilidade diante do próprio destino,
que Jesus fala do inferno, i.e. da possibilidade do fracasso total da nossa
existência. De fato, Deus não se cansa de bater à porta do nosso coração,
oferecendo a sua graça. Até o último momento a pessoa tem a oportunidade de
reconciliar-se com Deus, com seu próximo e consigo mesmo. A misericórdia do
Senhor é sem limites. Por isso podemos esperar que, mesmo aqueles que parecem
mais endurecidos na recusa do amor, acabem por aceitar o dom de Deus e livrar-se
do inferno. (João A. Mac Dowell S.J.)
MASTURBAÇÃO
Pergunta:
A masturbação é pecado? É prejudicial à saúde?
Resposta:
A masturbação, ou o ato que traz o gozo sexual solitário, é um ato complexo que
precisa ser considerado de vários ângulos. Vou tentar mostrar estes ângulos. O
1º deles é o aspecto biológico ou físico, isto é, a ejaculação ou produção de
secreção é um ato natural, exigência do organismo. Não há mal moral (pecado) ou
físico em a pessoa ter estas coisas que são mais intensas em determinadas épocas
da vida, como por exemplo na adolescência. O 2º aspecto é o psicológico. A
masturbação é também um fenômeno psíquico e depende de toda a história de cada
um. Alguém que tenha vivido num ambiente familiar inadequado, cheio de repressão
pode usar da masturbação como meio de descarregar sua tensão. Também a figura do
pai e da mãe, as frustrações, as companhias, a exposição a fatos e misturas:
Tudo isso cria o ambiente psicológico que leva à masturbação. O 3º aspecto é o
social. Alguém bem relacionado, aberto, capaz de servir o outro e que não se
faça centro de atenção e prazer terá mais facilidade em viver sua sexualidade.
Alguém frustrado, egoísta pode limitar sua sexualidade apenas ao sexo e
sobretudo ao sexo solitário. O 4º aspecto é o moral, ou seja, trata-se de
aplicar princípios e preservar valores naquilo que fazemos . Assim, a prática
constante e doentia da masturbação compromete o desenvolvimento de
personalidade; faz o indivíduo quebrar sua sexualidade como se ela se
restringisse ao ato sexual. Para o cristão, a sexualidade é um ato aberto dentro
do relacionamento, de crescimento como ser humano e da que o sexo é apenas uma
expressão, e não a única!
Assim: a masturbação se opõe ao ato sexual partilhado. É um ato sexual
solitário, cuja a finalidade é o prazer em si. Por esta razão e neste caso, a
masturbação deve ser evitada. Se o ato acontece como fuga, como descarga afetiva
e física, não malícia e como tal não é pecado. (Pe. César Moreira, C. Ss. R.)
MARIA, MÃE DE DEUS
Pergunta:
Fiquei intrigada, no dia
1º de janeiro, quando ouvi dizer que se celebrava a festa de Santa Maria, Mãe de
Deus. Lembrei-me então que também na "Ave Maria" usamos esta expressão. Mas não
seria mais correto dizer que Maria é a mãe de Jesus? Como Deus pode ter mãe?
Resposta:
Esta proposta já foi feita há uns quinze séculos, por Nestório, bispo de
Constantinopla. Diante dos protestos que choveram de todos os lados, reuniu-se
um Concílio em Éfeso, no ano de 431, que reconheceu a legitimidade do título de
Mãe de Deus, dado a Maria, e condenou as idéias de Nestório. É preciso, porém, entender bem o que
quer dizer a Igreja. O Filho de Deus, segunda pessoa da santíssima Trindade,
existe com o Pai e o Espírito Santo, como um só Deus, desde toda a eternidade.
Ele procede do Pai por uma geração espiritual, na qual não intervém
evidentemente nenhuma criatura humana, nem tampouco Maria, que viveu em Nazaré
no tempo de Herodes. Portanto, Maria não é mãe do Filho de Deus, quanto à sua
origem divina e eterna. Ela é mãe do Filho de Deus, feito homem, Jesus, que
nasceu em Belém. Então - Você poderia retrucar - por
que não dizer, como Nestório, que Maria não é Mãe de Deus, mas só Mãe de Jesus
Cristo? O motivo de rejeitar esta posição é que Jesus não pode ser dividido em
duas pessoas. Deus e o homem formam nele uma só pessoa, a pessoa do Filho de
Deus, que assumiu a nossa natureza humana. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro
homem numa única pessoa divina. Maria, mãe de Jesus, o Filho de
Deus, deve ser chamada Mãe de Deus, porque a maternidade se refere sempre à
pessoa. A mãe de um homem não é só a mãe de seu corpo, de seus órgãos, que se
formaram em seu seio. Ela é mãe da pessoa toda. Assim também Maria é mãe de seu
Filho, como pessoa, pessoa divina. Ela é Mãe de Deus, porque é Mãe de Jesus, que
é o Filho de Deus em pessoa. Esse título é, portanto, uma
conseqüência da fé da Igreja na unidade de Cristo, uma só pessoa divina em duas
naturezas, divina e humana. Mas ele realça também a dignidade da maternidade, de
qualquer mãe, que, muito mais do que uma simples atividade biológica, é uma
relação existencial entre duas pessoas, mãe e filho. (João A. Mac Dowell S.J.)
IGREJA CATÓLICA
Pergunta:
O bispo Edir Macedo disse
numa entrevista que a Igreja Católica é responsável pela miséria do povo, que o
Brasil é pobre por causa da influência da Igreja. Como o Sr. responde a esta
acusação, que me deixou preocupado?
Resposta:
Esta acusação é ridícula, como
muitas outras afirmações que faz Edir Macedo. A Igreja, fiel ao Evangelho de
Jesus, ensina que a pobreza, i.e. a falta dos recursos materiais necessários
para viver decentemente, não é uma coisa boa, nem querida por Deus. Cada um deve
procurar o próprio sustento e o de sua família com o seu trabalho. É verdade que
nem todos, apesar de sua boa vontade, conseguem por si mesmos obter o necessário
para uma vida digna, por falta de saúde, de educação, de emprego ou de
remuneração justa. Nem sempre a pobreza e a miséria são sinal de vadiagem, ou o
resultado da falta de iniciativa ou de vontade de trabalhar. Há muita gente
séria, que luta com grandes dificuldades e não consegue sair da pobreza, apesar
de haver na terra recursos suficientes para sustentar toda a humanidade. Se os
bens materiais e as oportunidades de progredir na vida fossem bem distribuídos
entre todos, não haveria tanta gente na miséria, como acontece infelizmente no
Brasil e no mundo. Mas é um absurdo atribuir à Igreja a
responsabilidade desta situação. Ao contrário, ninguém tem lutado tanto como o
Papa, os bispos e os verdadeiros cristãos pela justiça, pela solidariedade. A
Igreja manifesta seu interesse pelo desenvolvimento integral de todos e de cada
um não só com palavras, mas também com fatos. Baste lembrar as escolas
católicas, a defesa dos sem-terra e da reforma agrária, a assistência aos
velhos, às crianças abandonadas, aos enfermos, em asilos, hospitais e obras de
promoção humana, a condenação do capitalismo selvagem, que só visa o lucro
próprio sem respeitar os direitos alheios, a insistência numa legislação social
justa, que proteja o direito dos mais fracos. Você pode ficar tranqüilo.
Qualquer observador imparcial, mesmo que não seja católico, reconhece esse
empenho da Igreja pela melhoria das condições de vida do povo. Muitos até a
atacam por causa de seu compromisso em favor dos pobres e da mudança da situação
atual. (João A. Mac Dowell S.J.)
Pergunta:
A Igreja está apoiando a luta dos sem-terra pela reforma agrária. Mas
eu sempre ouvi dizer que os católicos devem imitar a pobreza de Jesus, que não
tinha onde nascer e foi colocado por Maria numa manjedoura. Como se explica esta
contradição?
Resposta:
Não ter o necessário para viver decentemente, não é uma coisa boa, nem
corresponde ao plano de Deus para a humanidade. Ele não quer que as pessoas se
resignem com a miséria e não façam nada para superá-la, pensando que vão ser
felizes no céu. Por isso, a Igreja sempre promoveu o desenvolvimento dos povos
com justiça e solidariedade, para que todos possam ter uma vida digna. Isto não quer dizer que ser rico é a
coisa mais importante, ou que garante a felicidade. Pelo contrário, a ambição, a
ganância e a avareza, como diz Jesus no Evangelho, são fonte de desassossego
nesta vida e de perdição na outra. Ele ensina: Buscai em primeiro lugar o Reino
de Deus, i.e. seguir o caminho da fé, do amor, da fraternidade. Tudo mais é
secundário. De fato, a preocupação de Jesus não
foi enriquecer, mas fazer a vontade de Deus, seu Pai. Ele trabalhou grande parte
de sua vida como um simples operário; e depois, abandonando tudo, foi anunciar o
Evangelho, sustentado pelo povo. Aos seus melhores amigos ele disse: "Vai, vende
tudo quanto tens e dá aos pobres, depois vem e segue-me". Ele os convida a
renunciar livremente às suas posses em vista de um bem maior, que é o Reino de
Deus. Mas, não manda que desprezem o que possuem; devem vender tudo para ajudar
os necessitados a melhorar de vida. Como Você percebe, todo cristão deve
ter o coração de pobre, como Jesus, quer dizer, não ficar escravo da riqueza,
pensando que ela o fará feliz. Ele deve produzir e usar com gratidão os frutos
de seu trabalho. Mas deve estar pronto para partilhar o que tem com os que
precisam mais. Alguns, porém, são chamados a seguir Jesus de uma maneira
especial, renunciando aos seus bens, para mostrar que não é a riqueza, mas o
amor de Deus e do próximo que enche o nosso coração e a nossa vida. (João A.
Mac Dowell S.J.)
RELIGIÃO
Pergunta: Eu acho que todas as religiões são iguais. Em todas existem pessoas boas e más. Trata-se de diferentes caminhos para chegar ao mesmo Deus. O Sr. concorda?
Resposta: É evidente que
existem pessoas honestas e sinceras fora da Igreja Católica e também que entre
os que se consideram cristãos muitos não se comportam de acordo com sua fé. Mas
não posso aceitar a sua conclusão que todas as religiões têm o mesmo valor.
Refiro-me agora às religiões não-cristãs, aquelas que não reconhecem que Jesus
Cristo é Filho de Deus e Salvador do mundo. Essas religiões possuem elementos
verdadeiros que ajudam os seus seguidores a aproximar-se de Deus e a cumprir a
sua vontade. O Deus dos judeus, como o dos muçulmanos, é o Deus criador e
salvador, que nós adoramos, revelado já no Antigo Testamento. Os muçulmanos
veneram Jesus como um profeta, embora não aceitem que ele seja o Filho de Deus.
Os verdadeiros hinduistas são pessoas profundamente religiosas e desprendidas
dos bens deste mundo. Os espíritas acreditam numa vida futura e ensinam a
prática da caridade. Deus, que quer salvar toda a
humanidade, falou também por meio dos fundadores dessas religiões. Os preceitos
e doutrinas que transmitiram refletem vários aspectos da verdade de Cristo. Mas,
ao lado destes traços positivos, essas religiões contêm em graus diversos
lacunas e mesmo deformações da imagem de Deus e do sentido da vida humana. São
caminhos para chegar até Deus, mas não o caminho melhor, o mais direto e seguro. Só em Jesus Cristo Deus nos revelou
toda a verdade sobre si mesmo e sobre nós. A diferença entre ele e as outras
grandes figuras religiosas, como Buda, Confúcio, Zoroastro e Maomé, é que estes,
apesar de toda sua religiosidade, eram meramente homens, com seus limites e
defeitos. Por isso não puderam ser completamente transparentes à ação do
Espírito de Deus, nem revelar o seu mistério sem nenhuma falha. Jesus, porém, é
o próprio Deus conosco, Deus presente na vida de um homem que ele escolheu para
manifestar todo o seu amor por nós. Como Filho de Deus, Jesus é igual ao seu
Pai, na santidade, no amor, no poder, em tudo. "Quem me vê, vê o Pai", diz o
próprio Jesus. Por isso ele é "o caminho, a verdade
e a vida", o verdadeiro caminho que conduz a Deus. Devemos respeitar as outras
religiões, por causa de tudo o que elas contêm de verdadeiro e santo. São meios
que Deus usa para salvar aqueles que ainda não encontraram Cristo. Mas a fé em
Cristo é um dom incomparávelmente maior, que recebemos de graça. Cuidado para
não desperdiçá-lo, vivendo incoerentemente! (João A. Mac Dowell S.J.)
Pergunta:
Eu sou católico porque nasci numa família católica. Se nascesse num
país protestante ou muçulmano pertenceria normalmente a essas religiões. De que
depende então a religião de cada um?
Resposta:
É verdade que os brasileiros e os italianos, por exemplo, são na sua maioria
católicos, os suecos protestantes e os árabes muçulmanos. Cada pessoa é educada
normalmente na religião de sua família ou da sociedade em que vive. Esta
religião faz parte de sua identidade, como a língua e outras tradições. Onde
existe uma religião dominante, a maioria dos seus seguidores não questiona a
própria religião. Era o que acontecia no Brasil até uns 40 anos atrás. Alguém
podia ser ou não praticante, mas era quase sempre católico. De fato, nestes
casos, muitos pertencem à religião majoritária só por tradição, sem conhecer nem
viver profundamente a sua fé. Outros, porém, encontram na religião que herdaram,
qualquer que seja, uma expressão para o seu sentimento religioso e um apoio para
a sua vida moral. De fato, todas as religiões contêm elementos positivos, embora
misturados com idéias e práticas incorretas. Quer dizer então que cada um
considera a sua religião a melhor, não porque ela é verdadeira, mas porque foi
criado nela? porque ela pertence à sua cultura? Isto pode acontecer, sobretudo
para as pessoas que vivem num ambiente dominado por uma só religião. Seguem
então de boa fé a religião tradicional. Mas, quando surge em alguém a pergunta
sobre a verdadeira religião, ele tem obrigação de aprofundar o seu conhecimento
e seguir o que dita a sua consciência. De fato, é possível comparar várias
religiões e verificar qual delas tem um ensinamento mais puro e ajuda mais a
crescer na santidade e comunhão com Deus e com suas criaturas. Hoje em dia esta situação é bastante
comum. A sociedade moderna é pluralista, também sob o aspecto religioso. Cada
vez mais as pessoas pertencem a uma religião não por tradição, mas por opção.
Esta situação obriga os católicos a aprofundar a sua fé, a vivê-la de modo mais
consciente e coerente. Só assim podemos dar valor ao que possuimos. De fato, o
"mercado religioso" apresenta ofertas de todo tipo. Cada um pode escolher a
religião ou seita que lhe convém. Mas atenção! Esse é um negócio muito sério, do
qual depende todo o nosso destino. É preciso não deixar-se enganar pela
propaganda. Cuidado com os produtos falsificados, vendidos numa embalagem
atraente. Não se trata de comprar aquilo que mais satisfaz o meu sentimento. O
verdadeiro critério é a solidez da proposta de vida, inspirada pelo amor. Se
Você examinar bem, verá que a sua fé cristã e católica é a única que tem a
garantia de Deus. (João A. Mac Dowell S.J.)
Pergunta:
Não é melhor ser um bom crente do que um mau católico?
Resposta:
É claro que sim! E daí? Graças a Deus, existem membros das Igrejas evangélicas
que acreditam sinceramente na sua mensagem e mudam de vida, abandonando seus
vícios para observar os mandamentos da lei de Deus. Existe também muita gente
que é católica só de nome, sem conhecer nem seguir o caminho de Jesus. Mas isto
não quer dizer que estes católicos devam passar a uma Igreja protestante para
tornarem-se bons cristãos. Ao contrário, o que eles precisam é ser católicos de
verdade, participando ativamente da vida da comunidade. Então experimentarão
também a alegria da conversão e da vida nova. A Igreja oferece muitas
oportunidades de crescer no compromisso com Jesus Cristo e seu Evangelho:
círculos bíblicos, comunidades de base, grupos de jovens e de casais, movimentos
e associações de leigos, como os vicentinos, o Apostolado da Oração, o movimento
carismático católico e tantos outros. Se Você se engajar para valer na sua
paróquia, encontrará os recursos necessários para alimentar a sua fé e para
vivê-la através do anúncio do Evangelho e do serviço generoso dos irmãos e
irmãs. Não terá nenhuma tentação de virar crente. Esta idéia pode surgir só naqueles
católicos que não experimentaram nada disso. De fato, no Brasil a maioria do
povo pertence à Igreja católica por tradição, porque foi batizado quando era
criança. Muitos não recebem nenhuma educação cristã, nem assumem a sua fé com
uma opção pessoal. Os crentes, porém, em grande parte, mostram a convicção de
quem se converteu já adulto ou é filho de uma família evangélica praticante.
Como minoria, eles são em geral mais conscientes de sua identidade e mais
comprometidos com a sua religião. Por isso os católicos que nunca conheceram de
perto a sua própria Igreja nem participam da vida da comunidade, podem ficar
impressionados com o jeito dos crentes, pensando que só eles conhecem a Bíblia e
obedecem à palavra de Deus. Mas os católicos no Brasil que
seguem fielmente Jesus Cristo são muito mais numerosos. As Igrejas evangélicas
podem ajudar os seus membros a praticar muitos ensinamentos de Cristo. Mas só a
Igreja Católica guarda fielmente todo o Evangelho de Jesus, como foi transmitido
pelos apóstolos e entendido desde o início. Por isso ela sempre formou e forma
ainda hoje com muito maior vigor e segurança verdadeiros discípulos de Cristo. É
certamente melhor ser um bom católico que um bom crente. (João A. Mac Dowell
S.J.)
Pergunta: Para amar a Deus eu não preciso da Igreja nem de qualquer religião. Para que serve afinal a Igreja?
Resposta:
A sua dificuldade é muito comum hoje em dia. Há gente que pensa que pertencer à
Igreja ou, em geral, a uma religião tira a sua liberdade. Prefere seguir o
próprio caminho para chegar a Deus, sem a obrigação de aceitar as doutrinas da
Igreja, cumprir os seus preceitos, ou participar da vida da comunidade com seus
ritos e celebrações. Essas pessoas acham que tudo isto atrapalha mais do que
ajuda a ser bom e a sentir-se em paz com Deus.
É verdade que só Deus é absolutamente necessário em nossa vida. É mais importante amar a Deus e ao próximo do que ir à missa ou mesmo ser membro da Igreja. Ela é o meio normal que Deus nos oferece para entrar no seu Reino. Mas, quem segue fielmente a sua consciência pode encontrar a Deus, mesmo sem a mediação da Igreja. Fica, porém, a Pergunta: Se quero ser realmente aberto e sincero, não devo acabar reconhecendo que pertencer à comunidade eclesial é também uma exigência que Deus me faz através de minha consciência? Quando prescindo da Igreja, será que não estou mais interessado em seguir o meu gosto do que em obedecer a Deus? Não será um sinal de individualismo egoista? De fato, não cabe a nós inventar o caminho para chegar até Deus. É ele quem sabe e nos mostra como devemos proceder para agradá-lo e gozar assim de sua felicidade. Para nós cristãos, ele já mostrou este caminho por meio de Jesus. E Jesus mandou que os que acreditam na sua palavra se reunam numa comunidade, a Igreja, para louvar juntos a Deus e ajudar-se uns aos outros. Este projeto de Jesus corresponde, aliás, à natureza social do ser humano. Também a nossa relação com Deus não pode ser só interior ou solitária. Cada um deve responder pessoalmente ao seu chamado. Mas este chamado é justamente para viver como seu filho ou filha em comunhão com os irmãos e irmãs. Esta comunidade tem, naturalmente, suas regras, seus costumes, aos quais devo adaptar-me. Isto exige certas renúncias, como todo verdadeiro amor. É como numa família sadia. Para experimentar o clima de afeto e apoio mútuo que ela cria, é necessário estar disposto a desenvolver as atitudes e comportamentos próprios da vida em comum. Não sei se já reparou que muitas vezes uma pessoa que no princípio parece antipática, depois se revela um grande amigo. É o que está acontecendo entre Você e a Igreja. Não considere as suas experiências definitivas. Aproxime-se dela com esperança, sem preconceitos, e verá como vão-se abrir novos e maravilhosos horizontes na sua busca de Deus e da verdadeira vida. (João A. Mac Dowell S.J.)
Pergunta:
"As religiões são o ópio do povo". Esta frase tem fundo de verdade?
Resposta:
Esta frase é célebre. É atribuída ao grande teórico do comunismo Karl Marx. Para
ele e para quem não tem fé, a religião funciona como um expediente que amortece
as angústias do povo. A religião é uma espécie de remédio para tirar a pessoa da
realidade e deixá-la fora de si. A acusação de que a religião é ópio vem das
explicações que a religião dá e nos quais os comunistas ou ateus não acreditam.
Ter religião é para eles, o mesmo que ser alienado, fora da vida da terra. Como
são ateus, tudo explica-se aqui mesmo. Religião para eles é enganação, ilusão.
Essa a explicação sumária da frase.
Agora para quem tem fé, religião é outra coisa. É a ligação que a pessoa tem com
o infinito e a vida é alhada de outro ângulo: o do projeto de Deus pelo qual
fomos criados para celebrar uma aliança com Ele. Não somos fantoches ou
brinquedo de Deus. Somos filhos. O Cristianismo sobretudo é uma proposta a
construir este mundo embora saiba que nada aqui é definitivo. Hoje, com a queda
do comunismo, a frase perde seu sentido original. É o que eu sei dizer. (Pe.
César Moreira, C. Ss. R.)
Pergunta: Qual a religião mais antiga? A primeira que Deus fez.
Resposta:
A religião, enquanto procura do Infinito e busca de Ser Superior, começa com
cada homem, com cada pessoa. O primeiro homem se perguntava: Quem sou seu? De
onde vim? Quem é Superior a mim? Como posso me relacionar com Ele? Para achar as
respostas, o homem foi fazendo experiências até descobrir quem é o Ser Superior
que chamamos de Deus. Estas experiências passaram pela natureza, pelos animais,
pelos antepassados, por outros homens, etc...
a história registra há 5 mil anos atrás que os homens começam a se agrupar, a se
organizar. Há entre eles buscas comuns, aprendizados, experiências, costumes. A
isso chamam de cultura. A religião está ligada à cultura de cada povo. E entre
as culturas registram-se 4 grandes religiões: O Hinduísmo (cerca de 1.500 aC)
preocupado com a verdade. A verdade seria Deus. O Budismo (560 aC) que diz: o
que salva o homem é o equilíbrio em viver. O equilíbrio leva à paz completa. O
profeta dessa religião é Buda. O Islamismo (600 aC) que começa com Maomé que se
diz profeta como foram Abraão e Jesus. O centro da religião islamita é a unidade
e seu livro o Abraão. E ao lado dessas três grandes religiões, temos o Judaísmo
do qual veio o Cristianismo. Os Judeus, povo escolhido, faz uma história de
relacionamento com Javé, o Senhor. Os judeus esperavam o Messias que nós
Cristãos dizemos Jesus Cristo. Com Cristo chega a revelação total do Pai. Nele
sabemos quem é Deus. É o Pai Nosso! Em nossa cultura, nascemos cristãos e
passamos a conhecer a Bíblia e Jesus. Esta a nossa religião. Então, aqui a
resposta: historicamente a religião tida como a mais antiga é o Hinduísmo.
Depois é preciso entender que não foi Deus quem fez a religião. Ela nasce da
busca do homem e se aperfeiçoa com a Revelação do Próprio Deus. Nós cristãos
fazemos esta busca e aprendemos com a Revelação completa que Jesus, Deus e
Homem, nos fez. (Pe. César Moreira, C. Ss. R.)