CAPELA SISTINA
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O “Juízo Final”, pintado na grande parede atrás do altar da Capela Sistina, pode ser citado como uma das obras primas da pintura universal. A Capela Sistina deve seu nome ao Papa Sisto IV Della Rovere e foi inaugurada em 15 de agosto de 1483. O interior da capela consiste numa longa e única nave, cujas dimensões (13,41m x 40,23m) correspondem às dimensões do Templo de Jerusalém. A divisão entre o presbitério e o corpo da capela, além das pinturas originais, são aspectos que atestam o desejo do Papa de criar uma versão renascentista das grandes basílicas romanas, sem entretanto deixar de lado a ligação da Igreja Católica com as tradições paleocristãs e medievais. O Juízo Final O Juízo Final, obra de Michelangelo (1), foi planejado para ocupar a grande parede atrás do altar (na verdade um lugar de grande destaque) como que numa perene admoestação mostrando a fragilidade da vida e do universo. Os trabalhos começaram em maio de 1536 e a inauguração oficial deu-se no Natal de 1541. O ponto focal da imensa composição é a figura de Cristo, que aparece no alto, no centro da parede, com um amplo espaço aberto debaixo. Sob o poder biblicamente intimidante de seu gesto, parece levantar-se um turbilhão que envolve por inteiro a cena celestial – santos e virgens, profetas, mártires, apóstolos. Podemos identificar São João Batista (na pele de camelo), São Pedro (com as chaves), Santo André (com uma cruz), São Lourenço (com a grelha), São Bartolomeu (segurando sua própria pele flácida na qual o artista pintou seu angustiante auto-retrato), São Simão (com a serra), São Basílio (com o pente para cardar lã), Santa Catarina (com a roda), São Sebastião (com as flechas). O grande turbilhão poupa apenas a Virgem Maria, pintada em sua tristeza, e se estende para o alto e termina por circundar as cenas nas meias-luas – a “Exaltação da Cruz” e “Os instrumentos da Paixão”. Mais uma vez o gesto de Cristo representa a força gravitacional de um segundo turbilhão que se move violentamente para cima e para baixo criando um mar celestial no qual anjos e almas danadas, demônios e ressuscitados, parecem flutuar e se agitar. Colhidos no movimento estão também os eleitos – que sobem aos céus, do lado esquerdo – e as almas danadas – caindo do lado direito enquanto lutam em vão contra os anjos vingadores. No centro, o largo espaço aberto é reservado ao som estridente das trombetas do juízo final. O espaço aberto serve como que de caixa de ressonância, e nele a agitação e a excitação dos grupos individuais aumenta até alcançar o mais alto limite de tolerância. Em baixo, fora do turbilhão, há duas cenas separadas. À esquerda a ressurreição dos mortos, que dolorosa e tortuosamente voltam à vida. À direita, Caronte e seu barco infernal resumem, no violento gesto do barqueiro e no anônimo amontoado de cadáveres, todo o desespero do inferno. Explicação Toda a cena do Juízo Final converge na figura de Cristo, o Juiz. Ele é o centro do drama, o “olho”do furacão. Até mesmo os anjos, na parte superior, levam à cena do julgamento os símbolos da Paixão (a Cruz, os dados e a coroa de espinhos – a coluna da flagelação, a escada, a esponja). O movimento circular de seu gesto poderoso impulsiona um rodamoinho que lança (à direita) os condenados para baixo, e levanta (à esquerda) os eleitos para cima. O resultado é um cataclismo cósmico: uma confusão de corpos de proporções heróicas e paixões torturantes. O desenfreado amontoado de vivos e de mortos torna ainda mais aterrador o brilho lívido do espaço abismal. Cristo, com seu corpo juvenil irrompendo com força poderosa, corajosamente emerge de um círculo de luz e pronuncia a sentença. A seu lado está a Virgem, de olhos baixos numa atitude compassiva. À direita e à esquerda está a multidão de santos e de eleitos. A figura colossal de São João Batista, com a pele de um animal, aproxima-se de Cristo pela esquerda. Imediatamente à sua direita e mais próximo de Cristo está Santo André com a cruz. Cristo, com seu corpo juvenil irrompendo com força poderosa, corajosamente emerge de um círculo de luz e pronuncia a sentença. A seu lado está a Virgem, de olhos baixos numa atitude compassiva. À direita e à esquerda está a multidão de santos e de eleitos. A figura colossal de São João Batista, com a pele de um animal, aproxima-se de Cristo pela esquerda. Imediatamente à sua direita e mais próximo de Cristo está Santo André com a cruz.
Aos pés da Virgem está São Lourenço com a grelha, o instrumento de seu martírio.
À direita de Cristo reconhece-se São Pedro com as chaves e São Paulo, com a
barba e um manto vermelho. Logo abaixo, São Bartolomeu mostra o Juiz, a faca e
sua própria carne martirizada. Atrás de São Bartolomeu está Urbino, o ajudante
do artista. Mais à direita vê-se São Simão com uma serra; São Basílio com o
pente para cardar a lã; Santa Catarina de Alexandria segurando a roda da
tortura; São Sebastião com as flechas; e a figura que segura uma cruz enquanto
olha para baixo em direção ao vazio, talvez seja Simão o Cireneu. Equilibrando-se em vôo, exatamente abaixo do Juiz Divino e acima das regiões infernais, anjos tocam as trombetas e convocam as almas ao julgamento. Um anjo segura o livro das boas ações (à esquerda), cujo tamanho corresponde a pouco menos da metade do livro das más ações (à direita). As figuras dos redimidos são leves, arejadas, parecem não ter peso: é de se notar especialmente o grupo levantado pelo rosário. Os danados são feios, agitam-se violentamente sem se preocupar com o barco que os leva. A alma danada solitária – à direita dos anjos tocando trombetas – parece petrificada pelo terror, totalmente alheia ao precipício no qual está caindo. Em baixo, na parte central, vê-se a boca do inferno e demônios com focinhos de porco que ocupam a entrada. Caronte, o barqueiro infernal “dos olhos como brasas ardentes” ergue ameaçadoramente o remo sobre as almas danadas que tentam pular do barco.
(1) Michelangelo Buonarroti (1475 – 1564) foi pintor, escultor e arquiteto italiano. É o autor dos afrescos da Capela Sistina, no Vaticano. O “Juízo Final”, pintado na parede da retaguarda da capela, pode ser citado entre as obras primas da pintura. Michelangelo foi um gênio criador e um talento universal, ocupando lugar de destaque entre os mais ilustres representantes do Renascimento. Os personagens titânicos de suas pinturas e esculturas irradiam uma sensação de movimento e de liberdade que repercutiriam intensamente na arte dos séculos futuros.
BIBLIOGRAFIA Tradução: Stefania Contessa Panico |