| 33º Encontro |
A Igreja somos nós e temos um grande compromisso para
com nossos irmãos, vivendo a Boa Nova de Jesus Cristo. Portanto,"a
igreja é povo, é comunidade, é viver em
comunhão."
Para que isto aconteça, é necessário que vivamos o
amor de Jesus Cristo e que coloquemos em comum tudo aquilo que temos, como nos
falam em At. dos Apóstolos: (At. 2.42 - 47): somos o corpo de cristo e cada
um de nós é uma parte deste corpo.
Como cristãos, membros do corpo de Cristo, precisamos
estar sempre atentos em:
- Ver as coisas boas e más da comunidade e descobrir o que podemos
fazer diante disso;
- Realizar o Reino de Deus em nosso bairro, em nossa
cidade;
- Conhecer e participar do plano de trabalho da Igreja;
- Participar da comunidade não somente em alguma
temporada da vida, como no tempo do catecismo, 1 Eucaristia, casamento,
etc., mas como compromisso que prende toda a vida da gente.
Para que isso aconteça em nossa Igreja que é povo,
comunidade viva, é necessário que os cristãos vivam intensamente essa
experiência nas pequenas comunidades para que todos possam se conhecer e
haver uma partilha da vida e da fé, como as cebs (Comunidades Eclesiais de
Base) que existem nas várias paróquias e pelo Brasil.
Nos últimos anos, as cebs tem aparecido em muitos
lugares, mas especialmente, no campo e nas periferias das cidades. Chamam-se comunidades porque são formadas por famílias:
adultos, jovens e crianças que se conhecem bem, são amigos.
São comunidades eclesiais porque as pessoas se
encontram para rezar, para rever a própria vida, refletir e estudar sobre a
realidade à luz do Evangelho, alimentam-se com a Eucaristia. Por isso se comprometem a amar a família, as pessoas no trabalho e
no bairro. Unidos pelo amor, vivenciam o compromisso de defender a justiça,
ser solidário com os outros, a fim de criar uma nova sociedade.
Comunidade eclesial de base
é um grupo de pessoas que
se reuniam para refletir sobre o Evangelho e, iluminados por ele, procuravam viver sua fé, sua esperança e seu amor, tentando descobrir respostas aos seus
problemas e angústias, tendo como ideal a Jesus Cristo.
Com sua vida, as cebs questionam a sociedade egoísta, individualista e
consumista do nosso tempo, apresentando concretamente, o modelo de uma caminhada
para o amor, vivido do dia-a dia da própria existência. As pequenas comunidades constituem uma esperança para Igreja do Brasil e sua
multiplicação deve ser incentivada por nós cristãos.
A
Igreja Missionária
Jesus Cristo instituiu a Igreja para ser missionária;
salda terra e luz do mundo. Ela é chamada a renovar e salvar a toda criatura,
restaurando tudo em Cristo. A missão da Igreja é constituir todos os povos
numa só família, num só povo de Deus. Há vários níveis para a missão. Há
um bem próximo de nós: o nível da comunidade. Todos que se reúnem em Cristo
Jesus necessitam interessar-se por todos que estão à sua volta: locais de
evangelização, catequese, criança, pobres e doentes à espera de uma visita e
acolhimento; famintos de Deus à espera de quem lhes ensine sua palavra, ajude a
viver a fé: famintos de pão que esperam por irmãos que possam partilhar com
eles o seu alimento e o seu amor fraterno. A Igreja missionária é universal, onde há um só Deus e um só povo no amor.
| 34º Encontro |
Quem não alimenta bem se enfraquece e pode ficar
doente. Quem não estuda fica
ignorante, não progride na vida. Quem
não se comunica com as pessoas fica isolado e sente-se muito infeliz...
O mesmo pode acontecer com nossa vida de cristãos se não
tomarmos cuidado e esquecermos de Jesus e de tudo o que Ele nos ensinou. É
importante, então, conhecermos quais os meios que devemos usar, os caminhos
por onde andar para crescermos na amizade de Jesus e progredirmos na vida nova
que Ele deseja para cada um de nós.
O primeiro grande meio é a oração. Ela é o jeito da gente ter Deus presente junto de
nós.
Assim Ele está em nosso coração e fica ao nosso lado continuamente.
É a atenção carinhosa e alegre que damos à presença dele em nossa vida.
É a conversa curtinha ou longa que mantemos com Ele, em qualquer momento e em
qualquer lugar, em voz alta ou no silêncio do coração.
Podemos e devemos ter momentos especiais, que marcamos
para uma conversa mais direta com Deus. Podem
ser estes: ao levantarmos, deitarmos, antes das refeições, na capela, na
Igreja, durante a missa, etc... Mas é muito bom, muitas vezes, durante o
dia, elevar o nosso pensamento e o coração a Deus, nosso Pai. É uma
demonstração de amizade e carinho.
Podemos decorar frases e orações para dizer para
Deus. Mas, é importante falar com
Deus com nossas próprias palavras, do nosso jeito, sobre tudo o que a gente
quiser.
Além de falar, precisamos ouvir. O silêncio nos ajuda
a perceber o que Deus quer nos dizer, principalmente quando fazemos uma
leitura bíblica. Ela nos ajuda a
ouvir e falar com Deus.
Orar é conversar com Deus, mas é também ouvir a
Deus. Orar é tentar ter o coração
sempre ligado na presença de Deus como Pai, Amigo e Companheiro. Orar é agradecer continuamente por tudo. Mas, é também, saber oferecer o que somos e o que fazemos.
Orar é ainda, louvar ou elogiar a bondade e o amor de Deus. Orar é também pedir... pedir coisas materiais e bênçãos
espirituais.
Oramos sozinhos, numa conversa íntima, coração a
coração com Deus. Podemos estar
no meio de uma multidão e conseguir orar sozinho; e podemos nos retirar e
ficar a sós e no silêncio orar.
Esta chama-se oração pessoal. Existe também a oração comunitária, em grupinhos ou no
grupão, todos juntos. Juntos
cantamos, louvamos, agradecemos, oferecemos, pedimos, escutamos uma leitura, uma
palavra e refletimos sobre ela.
O
importante é que procuremos, o mais
possível, viver
na oração, esse contato profundo e amoroso com Deus.
Entre estas orações, existem as orações prescritas
pela Igreja. As mais conhecidas são:
a oração que Jesus ensinou:
Pai - Nosso... Ave - Maria cheia de graça... Santa Maria, mãe de Deus...
Glória ao Pai, ao Filho ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e
sempre. Amém.
Salve - Rainha:
mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei,
e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó
piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.
Rogai
por nós Santa mãe de Deus. R: para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Amém!
Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra; e em Jesus Cristo, seu único
filho, nosso
Senhor: o qual foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem
Maria...
| 35º Encontro |
Após sua
ressurreição, Jesus ficou ainda um tempo
com os seus discípulos e, em seguida se despediu deixando-lhes uma ordem:
"Ide pelo mundo inteiro e pregai o Evangelho a toda criatura". A
Igreja católica procurou realizar este mandamento e, pouco a pouco, foi-se
espalhando e organizando no mundo todo.
Ao mesmo tempo, foram surgindo "outras
igrejas", quebrando, desta maneira, a unidade entre os cristãos. Em geral, estas "outras igrejas", nasceram dentro da Igreja
católica e se separaram por motivos de desentendimento humano e por discordar
da doutrina da Igreja católica. Lembremos
aqui, por exemplo, as igrejas ortodoxas, que acreditam em Jesus, mas não este
unidas à Igreja católica. Mesmo assim, são chamadas de "igrejas
cristãs", porque reconhecem em Jesus o filho de Deus. Vamos conhecer um pouco as igrejas
cristãs" mais comuns em nosso
meio.
Os (ou e-,Iangjlicos como preferem se chamar) surgiram
no ano de 1517 quando Lutero "protestou contra a Igreja
católica daquela época e se rebelou ao Papa.
Ele afirmava que cada pessoa tinha o direito de
interpretar como bem quiser a Bíblia,sem precisar seguir a orientação da Igreja. Além disso Lutero não admitia a presença real de Jesus no sacramento
da eucaristia.
OS "protestantes" se espalharam pelo mundo, dividindo-se em muitas outras igrejas ou seitas.
Os Batistas fundados por Jo.@ Smyth na Holanda não
admitem o uso de imagens e nem o sacerdócio. Cada igreja elege seu pastor e cada um é independente do outro.
Administram o batismo somente aos adultos e não celebram nenhum culto
a Maria, mãe de Jesus.
Os Presbiterixios não têm bispos e as comunidades são
dirigidas por presbíteros (e é os mais velhos). A religião deles baseava-se unicamente na Bíblia. Eles negam que Jesus tenha fundado uma Igreja, negando assim o valor
histórico da Igreja católica. Aceitam
como sacramento somente o batismo e a ceia.
Os MEMDIST!,S procura orientar sua vida conforme os
ensinamentos da Bíblia. Admitem
o wcerclíscio de mulheres e proíbem o fumo e toda bebida alcoólica. Ensinam que a salvação é para todos os homens, contrariando
a doutrina dos fundadores do protestantismo.
Os ANGLIM@IOS cio os protestantes que mais se aproximam
da Igreja católica. Eles têm
bispos, padres e diáconos, mas o chefe desta igreja é o rei da Inglaterra.
Além do batismo e da ceia, possuem os sacramentos da confirmação e
da unção dos enfermos.
Os adventistas acreditam na vinda iminente de Jesus. De vez em quando marcam o dia de sua vinda, mas com muito insucesso.
Observam o sábado como dia sagrado. Acreditam
que Jesus é Deus e homem e acreditam em Deus uno e trino.
Os pentenconstais aceitam quase todos os princípios
das igrejas acima mencionadas. Fazem
parte dos pentecostais a Assembléia de Deus, a igreja Deus é amor, congregação cristã do Brasil, etc.
Eles
são proibidos de freqüentar bailes, cinema, tomar bebidas alcoólicas e fumar. A bíblia é a regra absoluta para orientar suas vidas.
Muitas vezes, porém, fazem uma leitura distorcida da palavra de Deus. Admitem duas espécies de batismos: a) de água, administrado só aos
adultos e por imersão; b) do espírito santo, acompanhado sempre pelo dom de
línguas.
As testemunhas de Jesus é uma seita nem católica, nem
protestante. Eles afirmam que
Jesus não é Deus e negam a Santíssima Trindade. Negam a espiritualidade da alma e pregam que todas as religiões são
obra de Satanás. É una seita animada por muito fanatismo.
Jesus Cristo fundou uma só igreja. O surgimento de muitas outras igrejas não é obra de Deus, mas dos
homens. Esta divisão entre os
cristãos organizou um escândalo para o mundo. Os culpados desta divisão somos todos nós. Ao pecado do nosso
orgulho, da falta de amor e de fé, que impedem de nos perdoar e nos
reconciliar. Vamos trabalhar e
rezar para que todos os homens, que confiam em Deus, construam aqui na
terra um mundo mais fraterno e saibam se respeitar, apesar das diversas crenças que ainda nos separam.
| 36º Encontro |
A Vocação é o chamado de Deus ao homem e a resposta
do homem a Deus realizando a missão que lhe foi confiado. Por isso somos chamados a viver como pessoas humanas, filhas de Deus e
colaboradores na construção e realização de seu Reino. A primeira e fundamental vocação do homem é o chamado à
vida em
plenitude.
Abrindo bem os olhos diante de tudo que acontece, vemos
que a vida é uma coisa maravilhosa: poder cantar, amar, trabalhar e fazer
tantas coisas bonitas ... Mas vemos também que a vida é cheia de tristezas:
morte, injustiça, doenças, fome ...
Será que isso é vontade de Deus? Claro que não! Na Bíblia vemos que Deus é o Deus da vida e não da morte.
A glória de Deus é o homem vivo, livre, vivendo com Deus, como filho
e, com os outros, como irmão, tendo o necessário para sua vida.
Lutar para
melhorar as condições de vida é um dever sagrado porque esta é a vontade
de Deus.
Além do chamado para viver, Deus sempre chamou homens e mulheres para realizarem com Ele o seu
plano de salvação, pois Deus quer que todos se salvem. Ele atua na vida do
povo através das pessoas que aceitam viver a fé, o amor e a justiça.
Vamos ver na Bíblia como Deus chama as pessoas para colaborarem no seu plano da
salvação.
Abraão (Gn.12, 1 - 9): Deus falou a Abraão: "sai da
tua terra e da casa do teu pai e vem para terra que Eu te mostrar." E Abraão partiu, como o Senhor lhe ordenara!
Moisés (Ex.3, 1 - 22): Deus vê o seu povo oprimido no
Egito e quer libertá-lo. Chama então
Moisés para reunir o povo e falar com o rei do Egito. Deus constitui Moisés
guia do povo em busca da terra prometida.
João Batista (Mc.1, 1 - 13): anuncia a vinda do Messias
e prepara o povo para receber Jesus. Por
isso prega a penitência e batiza no rio Jordão.
Maria
(Lc.1, 26 - 38): é chamada a ser mãe do Salvador.
Jesus(Lc. 4, 16 - 19; Jo 10,10): a vocação de Jesus é fazer a vontade do Pai
realizando o Reino, anunciando a palavra de Deus, curando e libertando as
pessoas de todas as escravidões que as oprimiam e martirizavam.
Deus nunca
cansou de chamar pessoas para trabalhar pelo seu Reino. Ele continua nos chamando para servi-lo. Uns são chamados para o
sacerdócio, outros para a vida religiosa ou para a vida familiar.
Sacerdote: a missão do sacerdote é
anunciar a palavra de Deus a todas as
pessoas e em todas as situações da vida de hoje. É denunciando aquilo que
é contrário ao plano de Deus, para que tudo seja transformado pela força do
Evangelho.
Vida religiosa: na Igreja algumas pessoas, homens e mulheres ouvem o apelo de Deus e consagram toda sua vida a serviço da
comunidade e dos irmãos.
Vida matrimonial: Deus chama homens e mulheres para construírem famílias cristãs. A
Igreja nos diz que a família "é uma íntima comunidade de vida e amor,
cujo o modelo é o amor de Jesus Cristo por sua Igreja" (Puebla 582).
Pelo batismo e crisma, nós fazemos parte da Igreja e,
portanto, somos chamados a participar de tudo de sua vida e missão. Cada cristão recebeu um "dom" que deve colocar a serviço de
todos (cor.12, 7), vivendo em tudo a justiça, a verdade, a solidariedade: na
profissão, na vida familiar, na comunidade.
Todo batizado é um "trabalhador" na construção
do Reino de Deus. Deus conta com
todos nós e com cada um em particular. Unidos
no trabalho, na oração e na mesma fé, daremos conta de realizar o plano de
amor do Pai.
| 37º Encontro |
Jesus é o
filho de Deus que veio a este mundo para
pregar a Palavra. Durante sua permanência entre nós, Jesus procurou ser fiel
ao projeto do Pai: perdoou aos pecadores, foi solidário com os pobres, curou
os doentes, acolheu os rejeitados e convidou a todos a "mudar de
vida" para se salvar.
Ele mesmo diz de si: "Quem me viu, viu o Pai"
(João 14, 9). Portanto Jesus é a
presença viva de Deus Pai entro os homens. Em outras palavras podemos dizer
que Jesus Cristo, é o sacramento
do Pai.
Sacramento significa "sinal
visível que, mostra uma realidade que não se vê."
Ninguém viu a Deus, porém se amamos e conhecemos a Jesus, podemos dizer de
amar e conhecer a Deus Pai.
Vamos fazer um exemplo bem simples que todos nós conhecemos.
Quando um carro chega a uma encruzilhada, antes de passar deve respeitar
o sinaleiro. Se o sinaleiro for verde, o
trânsito é livre. Se, pelo contrário, for vermelho, deve-se
aguardar.
A cor vermelha do sinaleiro indica "perigo". Mas o perigo ninguém enxerga.
O perigo torna-se realidade se desrespeitar o sinaleiro.
Um pouco artes de subir ao céu, Jesus confiou a Pedro a tarefa de coordenar e
animar a Igreja. Jesus falou assim: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei
minha igreja (Mateus16,18).
A igreja católica continua a obra de Jesus. Todos
os batizados, reunidos na comunidade- igreja, são a presença de Jesus neste
mundo. Jesus se torna
presente entre os homens, pela ação e o trabalho da Igreja.
Por
isso podemos dizer que a Igreja é o sacramento de Jesus, porque é o sinal dele
aqui na terra!
Jesus é sinal - sacramento do Pai -
A igreja é sinal de Jesus
Jesus continua a nos amar, através da Igreja, por meio dos Sacramentos. Os sacramentos acompanham a vida do cristão, desde o nascimento até a
morte:
1. Após o nascimento, a criança é acolhida na
Igreja pelo batismo.
2. Jesus nos alimenta e nos fortalece, todos os
dias de nossa vida, pela
eucaristia;
3. Quando pecamos e nos afastamos de Deus e dos
irmãos, somos perdoados pela penitência;
4. A gente se torna "adulto na fé" e
decide ser cristão de verdade pelo Crisma;
5. Jesus nos conforta e nos cura quando adoecemos com a unção dos
enfermos;
6. Deus abençoa o nosso amor, quando
decidimos formar uma família, com o matrimônio;
7. O Pai nos chama para servir sua Igreja e
os irmãos pela ordem.
Todos os sete sacramentos vem de Jesus e conduzem a Ele. A pessoa que recebe os
sacramentos, porém, deve ter fé. Só assim é possível compreender o
significado destes sinais e possuir a força (= graça) de Deus.
Quando o cristão recebe um dos sacramentos, recebe o próprio Deus. Deus age em
cada um de nós pelos sacramentos!
Receber os sacramentos é participar da vida da comunidade; é trabalhar em prol dos
irmãos mais pobres; é ser um cidadão honesto; é pôr em prática, no dia a
dia, o mandamento de Jesus: "amai-vos aos outros como eu vos amei"
(João 15,12).
Os sete sacramentos são gestos de amor de Deus para
o homem e, ao mesmo tempo, a força de Deus para sermos bons cristãos e viver
como Filhos queridos do Pai!
| 38º Encontro |
Naquele tempo Jesus foi da Galiléia ao rio Jordão para
ser batizado por João Batista. Mas
João tentou convencê-lo a mudar de idéia, dizendo: "Eu é que preciso
ser batizado por você, e você é que vem a mim?". Mas Jesus respondeu: "Por enquanto deixe como está,
porque assim faremos tudo o que Deus quer". E João concordou.
Logo que foi batizado, Jesus saiu da água. Ao mesmo tempo veio uma voz do céu, dizendo: "Este é o meu
filho querido que me dá muita alegria!"(Mateus 3, 13 -
17).
Jesus não precisava ser batizado, porque não tinha
nenhum pecado. O batismo, para
Jesus, marca o começo da sua missão. A
partir deste momento, Ele inicia a pregação do Evangelho e anuncia que o
Reino de Deus já está próximo. Ao despedir-se dos seus Amigos, Jesus
entrega-lhe a mesma missão: evangelizar e batizar (Mc.16, 15 - 16). Nascia, desta maneira, a igreja católica, a igreja de Jesus Cristo.
Ser
batizado então significa ser marcado para seguir a Jesus Cristo e viver
como Ele viveu e agiu. Em outras palavras, pedir o batismo na Igreja católica é a mesma
coisa que pedir a fé. E a fé é
viver de acordo com a vida e os ensinamentos de Jesus.
O batismo é sinal de fé, de compromisso de viver a união com Deus e com os
irmãos. É a força de vida nova: é a vida do próprio Cristo
vivo.
Resumindo, podemos dizer que através do batismo: 1)
nos tornamos membros da Igreja católica; 2) assumimos nossa condição
de filhos de Deus; 3) recebemos a graça do espírito santo para vencer o
pecado e praticar o
bem e a
justiça; 4) assumimos o compromisso de participar da grande missão
da Igreja.
O sacramento do batismo é, portanto, um compromisso
muito sério. Batiza quem viver sua fé de cristão, dentro da igreja.
Mas entre nós ainda continuam muitas idéias erradas a
respeito do batismo. Uns batizam para curar doenças, ter
sorte, livrar do mau-olhado... Isso não é certo. Isso é superstição! Batismo
não é "remédio barato" para curar doenças que qualquer bom médico
poderia tratar. Batismo é um
"dom de Deus" e por isso não podemos menosprezá-lo!
Na Igreja católica costuma-se batizar crianças para garantir-lhes um crescimento de
fé, deste o início da vida.
No dia do batismo,
os pais e os padrinhos se comprometem em
educar esta criança na fé cristã, sendo para ela exemplo de amor
e caridade.
Esta mesma criança, uns anos mais tarde, irá assumir esta mesma tarefa no dia
de sua crisma. A criança se tornou
adolescente: pode e deve continuar a caminhada com as próprias pernas!
Durante a cerimônia do batismo são utilizados certos gestos/símbolos. Vamos
conhecê-los
melhor:
a) a água representa uma vida nova,
purificada, cheia da graça de Deus. A água é derramada na cabeça da criança e são pronunciadas as palavras: "F..... eu te batizo
em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo."
b) a criança é marcada pelo sinal da
cruz na testa. Isso quer dizer que a vida, os pensamentos e as ações desta
criança estão ligados ao amor de Jesus.
c) passa-se um
pouco de óleo no peito e na cabeça da criança, como
sinal da força da graça de Deus.
d) a veste branca da criança lembra que no batismo somos "revestidos
de Jesus Cristo" para que
Ele viva em nós.
é) a luz/vela que os pais seguram nas mãos é o símbolo
da luz da fé que deve ser transmitida ao próprio filho. É receber e viver o
mesmo Jesus Cristo que é "luz e verdade."
| 39º Encontro | Sacramento da crisma |
Quando
chegou o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no e no lugar. De repente,
veio do céu um ruído semelhante ao soprar de impetuoso
vendaval, e encheu toda a casa onde se achavam. E apareceram umas como línguas de fogo, que
se distribuíram e foram
pousar sobre cada um deles. Todos
ficaram cheios de espírito santo (Atos dos Apóstolos 2, 1 - 4).
O dia de Pentecostes marca o início da comunidade - Igreja. Os Apóstolos
tinham recebido de Jesus a tarefa de pregar o Evangelho, mas ainda estavam muito
medrosos e sem saber como fazer. Neste dia eles receberam o espírito de Jesus ressuscitado, isto é, foram fortalecidos e confirmados em sua missão pelo
espírito
de Deus.
Eles deixavam de lado o medo e se espalhavam pelo mundo afora para continuar
a mesma missão de Jesus. E Deus se
servia deles para construir sua Igreja.
O sacramento da crisma nos torna cristãos maduros e cheios do espírito santo,
"mais perfeitamente unidos à Igreja a mais estreitamente obrigados a
espalhar a defender a fé por palavras a atos, como verdadeiras testemunhas de
Cristo" (Concílio Vat. II).
No sacramento da crisma o jovem recebe um dom divino,o espírito de Jesus, que
o Pai envia a todos aqueles que acreditem no seu filho: "Eu pedirei ao Pai
e ele
vos dará outro consolador, para que fique sempre convosco" (Evangelho de
João 14, 16).
Vamos agora explicar uns gestos o alguns símbolo do sacramento da Crisma.
a) Imposição das mãos
Este gesto é muito antigo. Jesus impõe as mãos para
curar e abençoar (cf. Mt. 9, 18). Com este gesto se transmite o espírito santo (Atos dos apóstolos 9, 17).
Quem aceita a imposição das mãos, aceita que o espírito de Deus anime um
vida.
b)Unção com o cria o
Crisma
O Crisma é o óleo que o bispo consagra na manhã da quinta-feira santa. No Antigo Testamento quem era ungido com óleo, era escolhido para assumir uma
importante missão no meio do povo de Deus (Sm. 16, 1 - 14; Isaias 61, 1). A palavra cristo é a tradução de messias.
Todas duas significam o
ungido. Jesus
portanto, o escolhido do Pai para vir ao mundo a pregar o Evangelho. Veja o que Ele diz de si
mesmo: "O espírito do Senhor está sobre mim porque ele me ungiu" (Lc. 4, 18).
Todo jovem que recebe a crisma é "ungido-escolhido" por Deus.
Ele se torna um "soldado de Cristo": uma pessoa que procura viver
sua fé com alegria e firmeza!
c)A unção em forma de
cruz
A cruz é o sinal do cristão, da sua salvação. Fazer o sinal da cruz sobre
algo ou sobre alguém, significa que Cristo tem direito sobre aquilo ou sobre aquela pessoa.
O sinal da cruz, na crisma, significa que somos do grupo de Cristo. Daí em diante, aquele jovem passará
a ser um "homem da cruz",
consagrado a Cristo.
Normalmente quem administra o sacramento da crisma é o bispo ou um padre por ele delegado. A
idade mínima para receber este sacramento é 14 anos.
A escolha do padrinho deve ser muito cuidadosa. O padrinho não precisa ser do
mesmo sexo do crismado. Porém deve ser uma pessoa de boa vivência cristã e capaz
de ajudar o jovem na sua caminhada de fé.
A
Igreja católica precisa de todos nós. Vamos
viver e trabalhar unidos, cheios do espírito santo e construtores do Reino de
justiça e fraternidade.
| 40º Encontro | Matrimônio, ordem e unção dos enfermos |
Jesus
um dia foi convidado para participar de uma festa de casamento na pequena cidade de
Caná, na região da Galiléia. No
decorrer da festa, aconteceu que veio faltar o vinho. Para não estragar aquela alegria e os noivos
não passarem vergonha,
Jesus realizou seu primeiro milagre. Vamos
ler juntos o ocorrido: (João 2, 2 - 11).
O
homem e a mulher foram criados por Deus para formar juntos uma família. Diz
o livro do Gênesis: "O homem deixa pai e mãe e se une a sua mulher e
formam
uma só carne" (2, 24). Esta é
a missão que cada criatura recebe e que a Igreja abençoa através do matrimônio
religioso.
Por
meio do matrimônio, o homem e a mulher se comprometem a ser fiéis um ao
outro até à morte; a se respeitar e ajudar em todas as ocasiões da vida; a
criar e educar os filhos e encaminhá-los para a comunidade cristã.
E ainda, receber o sacramento do
matrimônio é procurar colocar Deus no próprio coração e na própria família
e
ser no mundo exemplo de amor verdadeiro, de perdão e diálogo. A
família cristã deve ser o instrumento que Deus se serve para
continuar a criar e transformar esta nossa realidade humana.
Por
isso que a Igreja nos alerta contra os perigos que ameaçam a unidade da família
e o amor dos seus componentes. Em
primeiro lugar, nós cristãos, devemos rejeitar o divórcio e o aborto, duas
formas de egoísmo que destroem o casamento.
Ser
cristão é lutar, com todas as suas forças, para manter unida a família e vê-la
crescer com harmonia e amor. Quando
o homem e a mulher procuram viver unidos a Deus e a Igreja, esta tarefa se
torna muito mais fácil e o sucesso da missão mais certeiro!
Todos
os homens são chamados à salvação. Para
cada pessoa, Deus faz um chamado diferente. A maioria dos homens é chamada à vida matrimonial e outros ao serviço
total da Igreja. Estes últimos
são chamados de padres.
Deus chama, no meio do povo, uns jovens para serem
"ministros" da Igreja e continuadores da
obra de Jesus. Através
do sacramento da ordem o jovem se consagra totalmente a Deus e procura servir
sua comunidade, pregando a palavra, celebrando a eucaristia, administrando o sacramento, socorrendo os pobres, denunciando as injustiças e construindo a
comunidade fraterna.
Para
poder servir totalmente a Igreja, o padre renuncia no matrimônio e procura
doar toda sua vida e suas energias para o bem dos irmãos e a pregação do
Evangelho. A "família" do padre
é a comunidade cristã: no meio dela o padre deve ser a presença de Jesus
vivo!
Jesus,
quando esteve entro nós, procurou acolher e curar todos os doentes que
encontrava no seu caminho. Também a Igreja católica deve saber ser solidária com
todos os irmãos enfermos ou necessitados. Ela
cumpre sua missão, administrando o sacramento da Unção
dos enfermos.
Diz são Tiago: "Alguém de vós está doente? Mande chamar o padre da Igreja para que ore sobre ele, ungindo-o com o
óleo, em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o porá de pé"
(Tg 5, 14 ss).
A
unção dos enfermos é, portanto, a benção da saúde para todos
aqueles que estão sofrendo. Não
devemos chamar o padre somente quando a doente está no fim de vida.
Devemos procurá-lo quando aparece a doença, para que Deus, na sua
infinita bondade e misericórdia, possa realizar a cura e confortar a pessoa
necessitada. Receber a unção dos enfermos é renovar
toda nossa confiança no poder de Deus Pai a saber sofrer com coragem e fé.
| 40º Encontro | Sacramento da reconciliação |
Jesus
contou uma vez esta parábola. Um homem tinha dois filhos. O mais novo, um belo dia, pediu
sua parte de herança e se mandou pelo
mundo sozinho, deixando para trás sua família.
Longe
de casa o moço começou a esbanjar todo o dinheiro e em pouco tempo acabou na
miséria. Para sobreviver devia roubar a comida aos poucos. Mas a saudade bateu
forte e, a uma certa altura, decidiu voltar para sua casa.
O
moço estava ainda longe de casa, quando o pai o viu e correu ao seu encontro
e o abraçou com muito amor. E o pai, cheio de alegria, mandou fazer uma grande festa,
porque o
filho que tinha perdido, estava novamente junto com ele (Lucas 15, 11 - 24).
O "pai" da historinha é Deus. O
"filho moço" é cada um de nós,quando não procuramos viver a lei do
amor e caminhamos longe de Deus.
Jesus
contou esta parábola para nos recordar quanto é grande o amor de Deus Pai.
A felicidade de Deus é que nós sempre vivamos junto com Ele.
Jesus
nos ensina, também, que quando erramos, podemos ser perdoados através do
sacramento da reconciliação (ou confissão).
Deus
nos criou por amor. Ele quer partilhar
sua felicidade conosco.
Mas, desde o começo, o homem se tornou independente, querendo
construir sua felicidade sozinho.
O
homem quis ser dono de tudo, esquecendo-se de que ele depende de Deus, o seu
Criador.
Pecar
é querer viver independente, isolado, longe de Deus e da Igreja. Pecar é não ser fiel ao
projeto de amor e fraternidade que Jesus
iniciou!
Nós
sabemos que Deus sempre nos perdoa, quando nós procuramos voltar atrás dos
nossos erros. Mas um verdadeiro perdão exige uma sincera
conversão. "Converter-se" significa "mudar de vida", deixar de pecar, para viver
com mais amor e justiça.
Vamos
ler juntos o que Jesus, um dia, falou a uma mulher que tinha pecado muito:
João
8, 2 -
11. Jesus perdoou à mulher, mas pediu-lhe que nunca mais pecasse. Deus, o nosso
Pai, sempre nos acolhe de volta, mas exige de cada um de nós, fidelidade
e coerência.
Jesus
deixou aos seus apóstolos o poder de perdoar os pecados (Mt.16, 18 - 19). Hoje, o padre continua, em nome de Jesus, esta missão na Igreja católica.
Existe
um mandamento da Igreja que diz: "Confessar-se ao menos uma vez por ano".
Isso, porém, é somente uma orientação e não podemos levar no pé da
letra este mandamento.
A gente deve procurar receber o sacramento da reconciliação, toda e
qualquer vez que temos certeza de ter cometido uma falha grave com Deus ou com
alguém dos nossos irmãos.
Neste caso, o perdão recebido nos devolve a graça (= vida, força) de
Deus e nos liberta de nossas misérias
humanas.
Para
fazer
boa confissão é necessário:
a) um bom exame de consciência, isto é: devemos examinar bem a nossa
vida para não esquecer nenhum pecado. Antes de procurar o perdão de Deus,
devemos saber o que vamos confessar.
b) um sincero arrependimento: não é suficiente pedir perdão. Precisa prometer, no fundo do próprio oração que nunca mais se
cometerá aquele pecado.
c) uma clara acusação dos pecados: chegando diante
do padre, que é o
representante de Deus, devemos expor nossos pecados, sobretudo os pecados
mortais. Chamam-se ''pecado mortais" aqueles que nos levam longe de Deus e
matam a amizade entre nós e o criador ou entre um irmão com seu irmão.
d) a absolvição: após ter ouvido nossos pecados e ter-nos orientado para
nunca mais pecar, o padre nos dá o perdão de Deus. Assim
perdoados, podemos recomeçar uma nova vida.
| 42º Encontro | Eucaristia |
Jesus
é o filho de Deus que veio entre nós para ensinar-nos a viver como irmãos e filhos queridos do Pai. Aqui na terra Ele
amou e serviu aos mais pobres, para mostrar-nos o modo
certo de sermos cristãos.
Chegando,
pois, a hora de ser preso e morto, Jesus quis reunir, pela última vez, os
seus apóstolos para realizar uma ceia. Não era, porém, uma ceia como muitas outras. Era uma ceia de despedida, mas, também, um gesto que os
apóstolos
deviam aprender para, mais tarde, celebrar e tornar presente Jesus no meio
deles.
Vamos
ler juntos este trecho do Evangelho que nos lembra a instituição do
sacramento da eucaristia: Marcos 14, 12 - 24 (ou Lucas 22, 1 - 20; Mateus 26, 17
- 29).
Durante
a "última ceia", Jesus mostrou aos seus amigos que ele devia morrer, mas que
sempre ficaria com eles, no "pão e vinho consagrados". A eucaristia (ou Santa Missa) é a comunhão de todos aqueles que acreditam em
Jesus e desejam recebe-lo em sua vida, para continuar a missão dele! A
palavra eucaristia significa ação de graças; é dizer muito obrigado. É o
agradecimento que a Igreja dirige a Deus, pois Jesus se tornou para nós
alimento de vida eterna. A
eucaristia é também sacrifício. É Jesus que se entrega como vítima ao
Pai para a nossa salvação.
Quem
comunga com o "corpo e sangue" de Jesus, deve saber,viver unido a Deus e
doando-se continuamente aos irmãos. É saber servir e amar sempre. Toda
eucaristia deve ser celebrada em comunidade. Esta comunidade nós chamamos de
Igreja.
A
Igreja é uma assembléia, isto é, uma reunião de pessoas convocada por
alguém.
Este alguém que convoca a Igreja católica é sempre Jesus. A
eucaristia, portanto, é o laço que une entre si as pessoas que tem a mesma
fé no salvador. Através
deste sacramento, o Pai continua construindo a sua Igreja e continua presente
no meio do seu povo, por meio do seu filho Jesus.
Durante
a eucaristia nós recebemos o "pão e o vinho" consagrados. Na Bíblia o pão é sinal da fartura e da benção de Deus. O povo oferecia a Deus pão em sinal de agradecimento
pelos frutos da
terra (Levítico 2). Jesus se declara o
"pão do céu" (João 6, 35). Durante
a missa, este pão produzido pelo trabalho do homem se torna, pela presença
do espírito santo, o próprio Jesus no meio de nós. O
vinho é sinal de vida e de alegria; sinal da aliança de Deus com os homens (Êxodo
29, 40).
Na
hora de consagração da missa, este vinho colocado no altar torna-se o sangue
de Jesus, derramado por nós para nossa salvação.
Quem
vai a missa aos domingos, deve sentir profunda necessidade de comungar.
Para fazer isso, porém, precisa estar puro e arrependido do pecado.
Se
por acaso achamos que não estamos preparados para comungar, porque estamos
longe de Deus e dos irmãos, devemos procurar antes o sacramento da penitência.
Somente quando estamos reconciliados com o Pai e com as pessoas com que
vivemos, podemos alegres ir ao encontro de Jesus na eucaristia.
Na
missa a figura mais importante é o próprio Cristo, o único e verdadeiro
sacerdote. O padre tem a função de dirigir a celebração, ajudando os fiéis a
louvar e agradecer ao Pai.
A
primeira eucaristia é uma etapa muito importante na vida do cristão. É o
momento em que a pessoa começa a participar da "comunhão dos santos". É o
primeiro passo para viver sempre unidos a Jesus. Vamos
nos preparar bem para este encontro importante!
| 43º Encontro | Como receber a reconciliação e a eucaristia |
Estamos
encerrando o nosso estudo do catecismo. Ao longo destes dois anos nos reunimos
para estudar juntos e conhecer melhor o projeto de Deus contido na Bíblia.
Juntos, também, tentamos descobrir o que Deus quer de nós crianças. E agora,
chegando ao fim do nosso compromisso, estamos quase aptos a receber Jesus em
nossa vida e viver sempre unidos a Ele.
Hoje,
ainda uma vez, vamos falar um pouco dos sacramentos da penitência e da
eucaristia. Vamos ver como é que a gente deve se preparar para receber o perdão de
Deus e comungar com o corpo e sangue de Jesus na santa missa.
No
dia marcado para receber o sacramento da penitência nos reunimos na Igreja,
procurando chegar bem na hora certa. A nossa preparação inicia com uns cantos
e com a leitura da palavra de Deus. Esta última vai nos ajudar a conhecer melhor a vontade do Pai e a pensar
na nossa vida.
A
preparação ao sacramento começa com o exame
de consciência. Fazer um bom exame de consciência significa procurar ficar
um pouco em silêncio e pensar nas próprias falhas (ou pecados). Não
é necessário fazer um elenco muito cumprido de pecados. Importante é tentar descobrir quais os pecados que mais
"atrapalham" nossa vida e nosso relacionamento com o Pai do céu.
Em
seguida a gente procura dialogar um pouco com Deus e promete de nunca mais
pecar. Para isso é necessário pedir sempre a Deus que nos afaste de
qualquer tentação e de qualquer erro. Isso devemos pedir na hora de nossa confissão e todos os dias, em
nossas orações, porque somente com a graça (= força) de Deus teremos uma vida
santa.
Arrependidos
de nossos pecados, podemos ir confiantes receber o sacramento do perdão. Chegando diante do padre, ele nos recebe com umas palavras de carinho e
conforto. Em seguida ele nos convida a fazer o sinal da cruz e reza uma prece
pedindo a Deus a presença do espírito santo para que ilumine o penitente naquele
bom propósito.
Após
esta primeira parte, o padre nos convida a acusar (dizer) a Deus quais são
as falhas cometidas. Nesta hora devemos falar somente dos nossos pecados e não
da vida dos outros! Devemos pedir perdão de nossas fraquezas e não pecados
cometidos por outros.
O
padre nos ouve com muita atenção e, na hora oportuna, procura dar um bom
conselho, sempre a partir da palavra de Deus. O padre, neste momento, é o ministro de Deus e, também, um
amigo de
confiança para quem podemos abrir nosso coração.
No
fim reza-se a oração do "confesso", e logo após o padre nos dá o perdão
"em nome de Deus". Deus Pai nos perdoa através de um ministro da Igreja.
Para
que a confissão seja completa, devemos cumprir uma "reparação" (ou penitência).
É um pequeno "dever" que devemos cumprir e por em prática nos dias seguintes
à confissão, como gesto visível do amor que novamente está em cada um de nós.
Todos
nós devemos participar com alegria da santa missa todos os domingos.
Todos nós devemos chegar sempre na hora certa: chegar atrasado significa
não valorizar aquele momento tão importante para nós católicos.
A
primeira parte da missa é uma preparação. Inicia-se com o sinal da cruz,
cantos, o pedido de perdão. Logo
mais se lê a palavra de Deus e o padre as explica nos fiéis
presentes.
Após
esta primeira parte, o padre consagra o pão e o vinho que se tornam o corpo e o
sangue de Jesus chegando no fim da missa, nos aproximamos do momento de
comungar com Jesus.
Antes
da comunhão é importante ficar um pouco de joelhos e rezar. Estamos para receber em
nossa, vida um amigo muito importante:
precisamos nos preparar bem para acolhê-lo.
Depois
da comunhão é importante ficar ainda um tempinho em oração. Procurar baixar a cabeça e agradecer a Jesus pela sua presença em nosso
coração. Jesus está conosco e isso nos dá muita alegria.
A santa missa se encerra com a benção de Deus: é a certeza que o Pai nos
acompanhará sempre e nos protegerá com muito carinho.
| 44º Encontro | Nosso irmão negro |
Em
1.500 os portugueses "invadiram" o Brasil à procura de madeira e
outras riquezas.
Chegando aqui eles implantaram engenhos e começaram lavouras, mas não
dispunham de mão de obra suficiente para estes trabalhos.
Por isso decidiram trazer para o Brasil os negras, roubados na África,
para serem escravos.
Arrancados
de sua terra, os negros foram obrigados a deixar para trás suas famílias,
suas tradições e suas crenças. Ao chegar ao Brasil eram vendidos aos grandes fazendeiros e logo
obrigados a executar pesados trabalhos.
Calcula-se
que em 350 anos de escravidão, mais de 4 milhões de negros foram trazidos da
África para o Brasil e hoje o nosso país tem a segunda população negra do
mundo, mas
o povo negro não nasceu para ser escravo. Na sua terra de origem o negro vivia em
pequenas comunidades, livre, trabalhando e progredindo.
Foi
por isso que aos poucos os negros foram se revoltando contra os senhores e
começaram a se organizar para alcançar a liberdade. Uma das formas que os negros tinham para escapar da dura opressão foi
o quilombo.
Os quilombos eram comunidades fraternas na floresta, longe portanto das cidades
ou centros habitados, formados por negros que conseguiam fugir dos seus donos.
Cada quilombo era formado por 5 ou seis casas apenas. As vezes chegavam a formar verdadeiras cidades. Estes
quilombos eram perseguidos pelos soldados dos fazendeiros. Quando podiam, os soldados destruíam os povoados e matavam os negros. Os recapturados eram levados de volta para os engenhos e duramente
castigados.
O
maior dos quilombos (e o mais conhecido) foi o de palmares em Alagoas.
Este foi o que mais resistiu aos ataques dos fazendeiros. Essa resistência durou 100 anos e foi chefiada por
zumbi. O número de negros neste quilombo chegou a 20 mil. Aí
se fazia a experiência da fraternidade verdadeira. Era o lugar onde os negros se sentiam iguais de verdade.
Mesmo
com a destruição de Palmares e com a morte do seu chefe zumbi, os negros
continuaram a fugir dos engenhos da escravidão e se agrupar nas florestas,
lutando pela sobrevivência e pela liberdade.
Duzentos
anos depois da destruição de palmares, a princesa Isabel assinava o fim da
escravatura no Brasil. Mas não foi verdadeira libertação. Para os negros bem pouco mudou.
Eles continuavam pobres, doentes, marginalizados e, agora, desempregados. A
"lei áurea" não trouxe nenhum benefício ao povo negro. Somente beneficiou os brancos e a economia do
país, que não conseguia
mais agüentar os altos custos da compra dos escravos.
A
verdadeira libertação do povo negro em nosso país ainda deve acontecer é por isso que a população negra, quase 60
milhões no Brasil, está se
organizando, para acabar com a discriminação das raças e a miséria que
atinge a maioria dos negros.
Em
nossa sociedade, ainda hoje, os trabalhos mais duros e pesados são reservados aos negros. São os trabalhos com salários mais
baixos.
Isso
obriga a maioria das famílias negras a duros sacrifícios: morar nas
periferias das grandes cidades, sem casas, sem escolas, sem
saúde. Isso, ainda, é causa de marginalização. A miséria leva
muitos jovens negros à violência, à prostituição, ao vício.
Esta
triste situação de miséria deve mudar em nosso país. Deus nos fez irmãos
e, sobretudo, livres. Por isso quando um irmão sofre, Deus sempre se coloca ao lado dele.
Vamos conferir: Êxodo (3, 7 – 18).
Ser
cristão significa saber respeitar e valorizar o nosso irmão, mesmo quando é
diferente. Esse
país precisa da contribuição de todos, negros, brancos, asiáticos, etc. Para ser mais próspero e feliz.
Nós
crianças não podemos esquecer: somos todos filhos do único pai do céu e formamos aqui na terra uma grande família.
| 45º Encontro | A semana santa |
Todo ano a Igreja católica celebra a paixão,
morte e ressurreição de Jesus. Esta recordação se resume numa semana e
acontece no fim da quaresma. Nós católicos a chamamos de semana
santa, porque nos faz reviver as horas de sofrimento do Cristo, filho de
Deus, até à vitória da ressurreição!
A
Igreja, ao celebrar os últimos acontecimentos da vida de Jesus, não quer
alimentar saudosas lembranças. A semana santa é uma reflexão do sacrifício
de Jesus e um compromisso de libertação ao lado de milhões de irmãos que,
ainda hoje, lutam contra a miséria, a marginalização e uma vida indigna.
Jesus
continua carregando, em nossos dias sua cruz nos lavradores sem terra, nos índios
desrespeitados em seus direitos, nas crianças abandonadas, nas esposas
maltratadas, na juventude aliciada pela droga, nos favelados sem casa, em cada
cidadão brasileiro privado de uma vida digna!
Jesus,
junto com estes irmãos sofredores, quer ressuscitar, isto é, exige melhores
e maiores condições de vida: mais respeito, mais compreensão e
solidariedade. Por isso celebramos a semana santa.
Esta semana inicia no domingo
de ramos, sete dias antes da páscoa. Nesta celebração lembra-se a entrada
de Jesus em Jerusalém, acolhido com muita festa pelos moradores da cidade
santa. Jesus estava caminhando para a morte.
Neste
domingo os fiéis levam para suas Igrejas um ramalhete de palmeira. Durante a
missa este ramalhete é abençoado e, em seguida, realiza-se uma procissão
pelas ruas do bairro. No fim da missa o ramalhete é levado para casa e
guardado em nossas casas para lembrar a páscoa de ressurreição. Com isso,
queremos acolher em nosso coração e em nossa família o cristo que agora
vive para sempre e proclamar que Ele é o único Senhor de nossa vida.
Na quinta-feira santa a Igreja lembra
a última ceia de Jesus com os seus amigos. Naquela noite Jesus instituiu a eucaristia, que nós celebramos todos os domingos para recordar a
vida, morte
e ressurreição dele.
A eucaristia é o sacramento do serviço e da comunhão fraterna. Para ensinar
isso Jesus fez um gesto muito bonito: Ele que era Deus, se "abaixou"
para lavar os pés dos seus amigos. Vamos ler e meditar este acontecimento no
Evangelho (Jo 13, 1 – 15).
Na sexta-feira santa a Igreja recorda
a paixão e morte de Jesus na cruz. Após ser condenado a morte, puseram nas
costas do filho de Deus uma cruz pesada e Ele a levou até o cume do Gólgota.
As três horas da tarde, pregado na cruz, Jesus pede perdão por todos os
pecadores: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem" (Lc. 23,
34). Logo em seguida, Jesus morre! (Jo 19, 17 - 30).
Em
todas as Igrejas, na sexta-feira santa às 15 horas, os cristãos se reúnem
para recordar a paixão e morte do salvador. Após a leitura da palavra de
Deus, todos são convidados a beijar a cruz, em sinal de respeito e gratidão.
Jesus, ao morrer na cruz, salva todos os homens, libertando-os do pecado e da
morte. A cruz é sinal de vitória para nós cristãos. A morte de Jesus na cruz
antecipa o dia feliz da ressurreição!
No sábado santo, a noitinha,
celebra-se a páscoa de ressurreição. A cerimônia é muito bonita e rica de
simbolismo. Acendem-se uma fogueira fora da igreja. O padre abençoa o fogo
novo, símbolo da vitória de Jesus: Ele é a luz que ilumina o caminho!
Em seguida, todos entram em procissão
na igreja, cantando. É a vida que volta a triunfar sobre a morte. Na mesma
noite, o padre abençoa a água que será usada para batizar as crianças,
abençoar as pessoas, nossas casas, os objetos de trabalho e culto. Esta é a
noite mais importante do ano: a Igreja está em festa e se alegra porque Cristo
esta vivo e caminha ao nosso lado até "os confins
do mundo".
A
festa continua, no dia seguinte, domingo de páscoa, quando os cristãos se reúnem
novamente para partilhar a palavra e comungar com o corpo e sangue de Jesus.
E
a vida recomeça. E a vida tem mais sentido. E os homens e as mulheres
descobrem novamente que são filhos e filhas queridas do Pai e irmãos entre
si.
| 46º Encontro | Nosso irmão índio |
Conta
uma antiga história dos índios Timbira que "antigamente não havia
homem branco, mas somente índios na terra conhecida com o nome de
Brasil". Portanto, quando os portugueses chegaram por aqui, em l.500,
para invadir o nosso país, aqui já viviam povos indígenas com tradições,
crenças e costumes bem desenvolvidos.
Este
grande país não se chamava ainda Brasil, mas Pindorama ou
Piratininga, isto terra das palmeiras, terra dos homens livres.
Quando
chegou o invasor branco em nossa terra, calcula-se que aqui viviam mais ou
menos cinco milhões de índios divididos em tribos. Nós conhecemos quatro nações indígenas importantes em nosso Brasil:
Jê, Nu-aruak, Karib e Tupi.
Atualmente
no Brasil vivem 140 grupos indígenas, sendo que cerca de 30 grupos vivem
isolados, com pouco ou nenhum contato com o homem branco.
Hoje
em dia calcula-se que vivam em nosso país mais ou menos 200.000 índios, a
maioria deles ameaçados de extinção, por causa da cobiça do homem "civilizado" que quer roubar-lhes a terra e a vida.
Como
viviam os povos indígenas antes da chegada dos europeus em nossa terra?
Sabemos que viviam em comunidades, baseadas na fraternidade e na
democracia. Vamos
ver como isso acontece ainda hoje entre os índios.
A
terra pertence a todos e cada família recebe um pedacinho de chão para
cultivar.
Quando o primeiro pedaço de terra é abandonado, outra família pode
utilizá-lo.
Todos
trabalham. As mulheres cozinham, cuidam das crianças, plantam e colhem.
Os homens se dedicam à caça, pesca, da derruba das árvores e da
defesa da aldeia.
Uma
sociedade assim organizada não tem classes sociais, isto é, não tem ninguém
que se acha ou pode mais que os outros. Os mesmos chefes da aldeia devem trabalhar para conseguir os recursos
para sua alimentação. Neste tipo de comunidade não há, competição. Por isso que os índios Kanela terminam suas partidas de futebol
fazendo o possível para empatar. O valor mais importante na tribo é a solidariedade: assim nas épocas
de escassez todos emagrecem e passam necessidades voltando ao peso normal nos
períodos de abundância. Os filhos e sua educação ocupam um lugar muito
importante na vida da tribo. Eles representam o futuro da tribo e o
respeito e o amor para eles é
demasiado.
Em
certas tribos quando os adultos querem conversar com suas crianças, ficam
acocoradas, ficando assim num pé de igualdade com elas. Os
jogos das crianças imitam as atividades dos adultos: as meninas menores tomam
conta dos irmãos pequenos, as maiores mastigam as raízes para fazer bebidas.
Os
meninos acompanham os velhos carregando armas ou a caça. Uma vida, portanto, ativa, sadia, feliz; o contrário da vida do homem
branco nas grandes cidades de hoje, cheias de violências e injustiças.
Hoje
em dia é muito comum ouvir pessoas dizendo: ''índio é preguiçoso, índio
é atrasado". Quem pensa assim, está errado. Está esquecendo que por
mais de 400 anos o índio, o verdadeiro dono deste país, foi morto, caçado,
aprisionado e enganado pelo homem branco que cobiçava e roubava suas terras,
suas crianças, suas mulheres e todas as riquezas que os índios conseguiam
produzir. Quem fala que ''índio é
atrasado", desconhece os valores da cultura
indígena: principalmente a solidariedade e a fraternidade, a compartilha e o
respeito da pessoa e da "mãe" natureza.
Mas
um novo tempo começou: os índios de todo o Brasil, hoje unidos e
organizados, estão lutando para defender suas terras e sua cultura. Esta luta de libertação, da escravidão dos brancos, já viu os
primeiros mártires tombarem: índios corajosos que foram mortos ao
defenderem seus irmãos. Vamos recordar uns destes heróis da causa indígena:
índio Zezito dos Kariri; índio Simão da tribo dos Bororo; índio Marçal de Souza,
chefe dos Guarani. Homens valentes que derramaram seu sangue para construir um
Brasil mais fraterno, para defender os direitos de todos os índios do nosso país.
19
de abril: dia do índio: vamos conhecer este nosso irmão. Vamos respeitar sua cultura e suas tradições. Vamos apoiar sua luta para defender seus direitos.
| 47º Encontro | Dia do trabalho |
Todos os anos, no dia
primeiro de maio, os trabalhadores
celebram o dia do trabalho e as conquistas alcançadas ao longo de muitos anos
de sofrimento e luta. Mas como e
quando se começou a festejar esta data? Vamos conhecer um pouco de história.
Nos anos de 1.800 (isto é, 180 anos atrás, mais ou
menos), as condições dos trabalhadores eram péssimas. Os operários trabalhavam 14, 15 e até 18 horas por dia nas
fábricas. Os salários eram
baixíssimos, insuficientes para viver. Nas
fábricas não havia segurança: aconteciam acidentes e os trabalhadores eram
castigados e batidos se não trabalhassem bastante.
Muitas fábricas pareciam cadeias. As mulheres e as crianças eram as que mais sofriam: eram mal pagas e
trabalhavam tanto quanto os adultos. Essa situação não podia continuar por muito tempo. Por isso os operários foram se organizando para mudar esta situação
de exploração.
Em 1.886 os operários dos Estados Unidos estavam muito
irritados com seus patrões, porque sabiam que os operários na Europa estavam
trabalhando somente oito horas por dia, enquanto eles trabalhavam 16 horas. Por isso decidiram organizar uma greve.
A greve aconteceu na cidade de Chicago. Nesta greve milhares de operários pararam o trabalho e se reuniram na
praça para exigir seus direitos.
Os donos das fábricas, em lugar de ouvir as queixas
dos operários, mandaram, os policiais ba ter nos trabalhadores. Muitos foram
espancados i presos. Isso aconteceu no dia primeiro de maio de 1886.
No dia seguinte os operários voltaram a fazer greve e
novamente a policia bateu, prendeu e atirou nos trabalhadores. Mas, mais que nunca, os trabalhadores estavam decididos
a conseguir
melhores condições de vida nas fábricas.
A polícia, então prendeu 8 lideres dos operários.
Eles foram julgados através de um processo falso e cinco deles foram
condenados a morte, enforcados que nem Tiradentes
Os oito líderes ficaram conhecidos como os "oito de
Chicago". Mas a luta não
parou.
Esta grande injustiça deixou todo mundo revoltado e os
trabalhadores, agora mais fortes e organizados, conseguiram sua vitória. Em 1.890 o
congresso dos Estados Unidos votava uma lei reconhecendo aos
trabalhadores o direito de trabalhar somente 8 horas por dia.
Os presos foram soltos e isso se deu no dia primeiro de maio. Por isso que esta data é festa para os trabalhadores: lembra as lutas
e a vitória dos operários para garantir um trabalho mais justo, e humano.
A Igreja nos lembra que o trabalho tem um valor
muito importante na vida de toda pessoa. É pelo trabalho que o homem consegue
o pão de cada dia e contribui para o progresso de toda a sociedade.
Através do trabalho o homem continua a obra da criação de Deus
transformando-a mais habitável e acolhedora. Portanto
o trabalho humano e todos os trabalhos devem ser respeitados e
merecem o justo valor.
Mas ao olhar a nossa realidade brasileira, nota-se que
o trabalhador não é valorizado suficientemente. Em primeiro lugar não há trabalho para todos neste país: há muitas
dessas pessoas desempregadas, à procura de um "serviço" e o governo está pouco interessado em
oferecer possibilidades de trabalho. Em
lugar de construir indústrias, gasta-se muito dinheiro nas coisas que não
servem para nada e a ninguém.
Em segundo lugar todo trabalhador tem direito a um
justo e honesto salário pelo trabalho realizado.
Infelizmente, em nosso Brasil, quem trabalha mais ganha
menos. Por conseqüência na casa
do trabalhador há miséria, fome e desespero! Enfim devemos lembrar que todo
trabalho é digno: não somente o advogado ou o médico tem valor, mas também
o humilde braçal ou a pessoa analfabeta: todos estes trabalhos contribuem
para engrandecer o nosso país e a desenvolvê-lo.
Dia do trabalho: vamos pensar. Será que nós crianças sabemos dar o justo valor às pessoas que
trabalham por nós a cada dia? Como eu, criança, executo os trabalhos que me são cobrados
pelos meus pais?
| 48º Encontro | Os santos de junho |
O mês de junho chegou e junto com ele muita alegria e
brincadeiras. Durante este mês,
em todo o território brasileiro, o povo se reúne em torno da fogueira para
saborear pamonha, pipoca, canjica e quentão, que os adultos bebem para se
aquecer, principalmente no dia 24, cuja noite é considerada a mais longa e a
mais fria do ano.
As festas juninas, são muito importantes para o nosso
povo: servem para estreitar os laços de amizade e fraternidade entre as
pessoas. Ao redor do calor da
fogueira, a gente se sente mais irmão e percebemos que somos iguais, com
muita vontade de brincar e esquecer as amarguras do dia-a-dia. A
"festa" é também um presente de Deus!
Sabe-se que as festas juninas vieram para o Brasil
trazidas pelos portugueses. Por
sua vez eles as copiaram da corte da França: na Europa era uma tradição dançar,
cantar e brincar ao redor da fogueira. Com isso, queria-se espantar os espíritos malignos
e obter uma boa e
abundante colheita e muita saúde para todos.
A Igreja católica aproveitou deste espírito
festivo para propor a veneração dos fiéis, três santos muito
populares: santo Antônio (dia 13);são João Batista (dia 24) e são Pedro
(dia 29). Vamos conhecer a vida e o testemunho destes três santos, nossos amigos.
Santo Antônio, cujo nome verdadeiro era Fernando de
Bulhões. Nasceu em Lisboa (Portugal) em 1.195. Foi muito bem educado por sua
mãe que era piedosíssima. Aos 15 anos renunciou a todas as vantagens e
carreira do futuro, para seguir o exemplo de São Francisco de Assis.
Quando entrou na ordem franciscana , se tornou grande
amigo de Francisco e trocou seu nome, passando a se chamar Antônio de Pádua. Com isso queria mostrar a todos que tinha também trocado de vida: de
agora em diante queria seguir em tudo o exemplo de Jesus.
Conta-se que um dia uma moça tinha sido seduzida pelo
noivo que a abandonou. A moça pediu a santo Antônio uma graça e foi
atendida. Ao sair da Igreja, no dia 13, encontrou o noivo à porta. Os dois reconciliados, marcaram o dia do casamento. Dai nasceu o apelido de
"santo casamenteiro".
No dia de santo Antônio costuma-se repartir o pão com
os mais pobres. É um gesto que Antônio fazia freqüentemente. Os devotos do
santo, neste dia, oferecem seus pães para doá-los aos mais necessitados. É um
belo exemplo que constrói a fraternidade e a justiça.
São João
Batista era primo de Jesus e os Evangelhos falam muito da vida deste santo.
Os pais se chamavam Isabel e Zacarias e foi anunciado por um anjo (Lc.
1, 5 - 25). Quando adulto, João
foi viver no deserto, levando uma vida pobre. Foi ai que começou a pregar: "Convertei-vos e vivei a justiça"
(Lc. 3, 7 - 14). Foi João que
anunciou e mostrou Jesus ao povo (Jo 1, 29 - 31). E ainda João se encarregou de batizar a Jesus (Mt. 3, 13 - 17). João, o Batista (= aquele que batizava), morreu
mártir, fiel a sua
missão (Mt. 14,12).
São Pedro é um santo muito querido por todos.
Dizem que ele tem as chaves do céu e lá entra quem for amigo dele.
Outros dizem que é responsável pela chuva.
Tudo isso mostra a simpatia que o povo tem para este santo. Mas vamos conhecê-lo melhor.
Pedro era pescador quando foi chamado por Jesus (Mt. 4, 1 - 22). Era casado. O seu nome era Simão, mas Jesus muda-lhe o nome em Pedro,
que significa "pedra". Ele
foi escolhido para ser o chefe dos discípulos e da Igreja (Jo 21, 15 - 19).
Jesus gostava de Pedro, mesmo com os seus defeitos e chegou a rezar
por ele (Lc. 22, 31 - 34).
Após a ressurreição, Pedro trabalhou para organizar a
Igreja (At. 1 , 15 - 26), curar os doentes (At. 3, 1 - 10) e pregar o Evangelho.
Morreu em Roma. Segundo
a tradição foi crucificado de cabeça para baixo, sem negar a fé no seu
amigo Jesus.
Festas juninas: tempo de alegria, brincadeira,
confraternização. Mas é também
tempo de oração e reflexão. Os
santos juninos nos lembram que vale a pena ser cristão e viver do jeito que
Jesus nos ensinou.
| 49º Encontro | Independência: ontem e hoje |
Nos encontros anteriores vimos e aprendemos, escravidão,
conseguiu chegar à liberdade hebreu, após 400 anos de dura escravidão.
Esta liberdade, porém, não caiu pronta do céu: o povo, chefiado por Moisés e sob a proteção de Deus, conseguiu se organizar
e, após uma longa luta, obteve a vitória.
Toda libertação é sempre conquistada com muito esforço
e muitas dificuldades: às vezes é até necessário sacrificar vidas humanas
para se chegar à libertação.
O livro do Êxodo
nos ensinou também que toda liberdade conquistada deve ser sempre defendida,
porque a toda hora podemos cair novamente na escravidão. Foi por este motivo que Moisés, com muita paciência,
procurou ensinar ao povo a viver a liberdade e corrigi-lo toda vez que corria
o risco de perdê-la.
Deus fez o homem livre e quer que todos os seus filhos
gozem desta liberdade. Toda vez
que os homens inventam escravidões e opressões, está-se destruindo o projeto
de Deus. Todo ser humano é "imagem de Deus" e o Pai do céu quer
que nos amemos e respeitamos como verdadeiros irmãos.
Nesta semana estamos celebrando o dia de nossa independência:
no dia 7 de setembro de 1.822 o Brasil se desligava de vez do Portugal e começava
sua história.
Dom Pedro I ao gritar "independência ou
morte" convidava os brasileiros a se unirem para defender sua própria
terra e ganhar a autonomia política. Todos nós somos gratos a dom Pedro por
esta coragem que teve. Mas em nossos corações de sinceros brasileiros fica uma grande dúvida:
foi uma verdadeira independência? Ao estudar a história do nosso país, descobrimos, com
tristeza, que nunca fomos totalmente livres e independentes.
Desde 1.500 o povo brasileiro sempre foi dominado e
explorado por outros povos que vieram de fora: primeiro foram os portugueses,
depois os ingleses e holandeses e, por último, em nossos dias, os americanos.
O nosso Brasil um país rico: temos muita terra para
produzir; temos muita madeira e minérios e temos, sobretudo, um grande povo
generoso e trabalhador. Por isso
que muitos outros países querem nos dominar.
Desta maneira o Brasil vai ficando sempre mais pobre,
enquanto que outros vão se enriquecendo. Por isso que podemos afirmar que
a verdadeira independência não foi proclamada.
Nós
seremos realmente independentes quando todo brasileiro puder ter casa, terra
para trabalhar, escola para estudar, saúde, trabalho, lazer, etc.
Até que isso se realize, continuaremos a ser um povo
escravo que luta para conquistar sua liberdade.
Lendo os Evangelhos vemos que Jesus, em todo momento,
se preocupa em libertar os homens de toda escravidão: cura o doente (Mc. 7,
31 - 35); perdoa os pecadores (Lc. 7, 50) ressuscita os mortos (Lc. 7, 11 -
16); expulsa os demônios (Mt. 9, 32 - 34).
Jesus nos ensina que a vontade de Deus é que haja
justiça, felicidade, paz e liberdade na terra e nos corações dos homens.
Também nós crianças podemos colaborar com este projeto bonito de Deus, deixando de brigar entre nós, nos respeitando e
ajudando as pessoas mais necessitadas. Desta
maneira seremos realmente os amigos queridos de Jesus.
| 50º Encontro | Criança, esperança |
"Deixei vir a mim as criancinhas, porque delas é
o reino dos céus" (Lc. 18, 16). Falando de criança, vamos conhecer um
pouquinho Jesus criança.
Ele nasceu numa família simples. Viveu na cidade de Nazaré com seus pais: Maria e José. Desde pequeno
procurou viver a aliança com Deus Pai.
Jesus trabalhava na oficina com José e ajudava sua mãe
nos trabalhos da casa. Era um menino obediente e procurava ajudar a todos, principalmente os mais pobres.
Todos os anos na festa da páscoa, os pais iam a
Jerusalém. Quando Jesus
completou doze anos, subiram à cidade santa, conforme o costume. Após a festa, os pais voltaram para casa e Jesus ficou lá porque tinha
uma missão: "Três dias depois, o encontraram no templo sentado no meio dos doutores da
lei, ouvindo e fazendo
perguntas. Todos que o escutavam,
maravilhavam-se da inteligência e de suas respostas. Jesus crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos
homens" (Evangelho de São Lucas 2, 46. 47. 52).
Vamos ver como
vivem as crianças hoje. Elas
nascem numa família que tem o dever de cuidar para que não lhes falte nada e
possam crescer sadias e bem educadas e serem felizes. As famílias
cristãs procuram educar seus filhos na fé e assim buscam
os sacramentos: batismo, eucaristia, confirmação, etc.
Será que todas as famílias do nosso Brasil tem boas
condições e se preocupam com todos esses aspectos da vida familiar?
Olhando ao nosso redor, nos bairros mais pobres, lendo
os jornais e vendo a televisão, podemos perceber que a realidade da maioria
das crianças brasileiras é muito triste: passam fome, falta roupa, estão
doentes, não estudam porque faltam escolas e o material escolar é muito
caro, não participam da catequese porque os pais não as orientam...
Vemos que com tudo isso vai aumentando o número de
menores abandonados; cresce o número de marginais, de jovens que usam
"drogas" e outros que praticam roubos e assaltos.
Em Goiânia os centros onde abrigam menores como febem e outros, estão sempre cheios.
Aí as crianças são maltratadas, afastadas de suas famílias e sempre em
contato com outros pequenos infratores: é o caminho da marginalização.
A Lei no Brasil favorece a criança, mas a própria família,
às vezes, desfavorece. Aumenta
cada dia o número de crianças violentadas no próprio lar.
Durante o mês de maio, o estado de São Paulo, no
serviço s.o.s criança, dos 615 telefonemas recebidos, 57 foram de denúncias de agressão contra os pequenos, principalmente crianças de 0 a 12
anos.
Dia doze de outubro celebramos o dia das crianças. O que vamos celebrar se a situação da maioria das crianças tem carência de tudo, sem direitos e sem possibilidades de viver como
pessoas?
Você seria feliz tendo uma família em boas condições
de vida, de educação e ganhar seu presente, enquanto tantas outras crianças
não podem ter o mesmo?
O que você acha que podemos fazer, como cristãos,
para melhorar esta triste situação?
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e mãe de
todas as crianças, ajudai-nos a sermos mais irmãos e a trabalharmos juntos
para o bem de todos os pequeninos.
| 51º Encontro | Nossa Senhora de Guadalupe |
"Ave
Maria, cheia de graça". Assim começa
a oração que nós rezamos mãe de
Deus.
Mas Maria não é somente a mãe de Jesus.
Foi também a nossa mãe. Na Igreja
católica Maria tem muitas devoções e é conhecida com vários nomes: Nossa Sra.
das Graças, Nossa Sra. de Fátima, Nossa Sra. do Perpétuo Socorro, etc. Os povos
da terra veneram a mãe de Jesus de muitas maneiras, porque Maria é a protetora
e redentora do povo cristão.
A
nossa Igreja alegra-se de ter em Maria uma padroeira fiel e poderosa, que sempre
obtém por nós, a Deus Pai as graças necessárias e nos protege em nossa vida.
Nossa Senhora de Guadalupe é nossa padroeira e, ao mesmo tempo, a protetora
de toda a América Latina. Vamos conhecer um pouco da história da aparição da
Virgem Maria no México.
Era o sábado de dezembro de 1.531. O índio Juan Diego estava se dirigindo
à cidade grande para participar da aula de catecismo. Passando perto do morro
de Tepeyac ele ouviu um cantar harmonioso de pássaros. Parecia
estar no céu. A um certo momento
se fez um grande silêncio e no topo do morro apareceu uma linda senhora que
o chamava pelo nome. A roupa da
senhora era esplendorosa, igual ao sol.
Logo em seguida a senhora se apresentou ao jovem índio com estas palavras: "Eu
sou a Virgem Maria Santíssima, a mãe do Deus verdadeiro e único, o Deus que
é o autor da vida, o criador dos homens e o senhor do céu e da terra.
Eu quero que neste lugar seja construída uma Igreja em minha honra. Eu
quero ser a mãe de todo este povo injustiçado e proteger a todos os que sofrem
nesta terra mexicana. Eu quero ouvir
todas as vossas lamentações e ir em vosso socorro.
Vá meu filho e fala ao bispo deste meu projeto. Eu
saberei recompensar tua boa vontade".
Juan Diego foi à casa do bispo
e, após a longa espera, conseguiu comunicar-lhe tudo quanto havia escutado no
morro de Tepeyac. Mas o bispo não
acreditou no moço e se despediu dele às pressas. Diego
voltou para casa desconsolado. Chegando
perto do morro notou que a senhora estava lá, esperando-o. Logo
tomou a palavra e falou: "Minha querida senhora, o bispo não acreditou
nas minhas palavras. Eu sou um pobre
coitado. Manda outra pessoa, mais
importante e respeitado, para cumprir esta tarefa".
Mas
a senhora falou: "Tenho muitos filhos para mandar. Eu
quero, porém, que seja você que cumpra esta missão. Portanto,
meu filho, eu te ordeno: amanha você voltará a falar com o bispo expondo-lhe
o meu projeto".
No dia seguinte, domingo, após a missa, Juan Diego voltou a falar com o bispo.
O moço contou os detalhes da aparição e a conversa com a linda senhora. Mas,
apesar de tudo, o bispo continuava descrente.
Para se ver livre do indiozinho pediu-lhe um sinal. Se
esta senhora era realmente a Virgem Maria, devia mandar um sinal para ele acreditar.
Juan Diego contou tudo à senhora
e ela o convidou a voltar o dia seguinte para lhe entregar o sinal pedido. Na
segunda feira Juan Diego não pode ir ao encontro marcado, porque o tio dele
adoeceu gravemente. Na terça feira,
de manhã cedo, Juan Diego foi à cidade para chamar o sacerdote para o tio que
estava muito doente. Chegando perto
do morro de Tepeyac, tentou fugir da senhora dando uma volta mais longa, mas
não adiantou.
A
Virgem o chamou e lhe indicou o topo do morro. Lá
Juan Diego teria encontrado o sinal
que o bispo estava aguardando: flores, lindas flores numa terra seca.
O indiozinho correu às pressas para encontrar o bispo. Na
gala de espera os criados tentaram mexer com Diego, para saber o que estava
escondendo na manta. Quando perceberam que eram rosas raras, ficaram surpresos. Levaram
o jovem ao bispo e, diante do prelado, Diego abriu sua manta e as rosas caíram
no chão. Na manta apareceu a imagem da
santíssima Virgem Maria. Era o sinal
que a senhora tinha mandado aos homens incrédulos!
Todos ficaram admirados e caíram de joelhos para venerar aquela imagem muito
linda. Juan Diego, pelo contrário, voltou para casa, onde encontrou seu tio,
surpreendentemente, curado.