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O desenvolvimento humano e a pedagogia catequética |
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O psiquiatra alemão Erik Erikson apresenta a psicologia do desenvolvimento humano em oito estágios da vida. Esses estágios não são estanques nem precisamente definidos. Segundo ele, a pessoa humana se encontra em todos os estágios durante o tempo todo. Porém, em cada um deles há crises e conflitos próprios, bem como virtudes e valores propícios ao desenvolvimento. Nas próximas edições do jornal, apresentaremos alguns textos para reflexão, adaptados à catequese pelo padre Antônio Herdt, professor no curso de Pedagogia Catequética da PUC-PR, a partir da teoria de Erik Erikson. |
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Estágios |
Crise
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Virtude |
Área de
relacionamentos |
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1. Primeira infância |
Confiança básica X
Desconfiança básica |
Esperança |
Figura materna |
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2. Infância |
Autonomia X
Vergonha e dúvida |
Vontade |
Figura paterna |
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3. Idade lúdica |
Iniciativa X culpa |
Propósito |
Família básica |
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4. Idade escolar |
Atividade X inferioridade |
Competência |
Vizinhança escola |
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5. Adolescência |
Idade X confusão de identidade |
Fidelidade |
Grupos de parceiros ou grupos externos –
modelos de liderança |
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6. Juventude |
Intimidade X isolamento |
Amor |
Parceria na amizade, sexo, competição,
cooperação |
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7. Idade adulta |
Reprodutividade X estagnação |
Dedicação |
Divisão de trabalho e partilha da moradia |
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8. Velhice |
Integridade X desespero |
Sabedoria |
“O gênero humano” |
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Confiança X desconfiança Na primeira infância, de zero a dois anos, a criança precisa dos cuidados e contatos físicos dos pais. É sensível ao amor dos pais antes mesmo de nascer. Na concepção e na gestação inicia este estágio de confiança X desconfiança. Está tão intimamente ligada à vida da mãe que sente medo, raiva, alegria, paz, quando a mãe faz essas experiências. Para que o bebê adquira a confiança básica é necessário que suas necessidades básicas, nesta idade, sejam satisfeitas. Entre as principais destacamos o afeto, o toque, a harmonia conjugal, a rotina, as relações interpessoais, a amamentação ao seio... Pedagogia catequética A confiança básica ou a falta dela afeta a criança emocional, espiritual e socialmente. Quando lhe faltar confiança, terá dificuldades em superar traumas, mortes e ofensas. Vive desconfiando dos outros e de Deus. A maneira como vemos a Deus é baseada na maneira como nossos pais, professores e catequistas nos tratam e a imagem que nos transmitem de Deus. Se a imagem de Deus for deformada ou coberta de chagas, dificilmente vamos poder rezar com confiança e enxergamos a Deus como um pai irado, que castiga. Se nesta fase a criança receber amor suficiente, base para a confiança, terá condições de confiar em Deus, ter um relacionamento íntimo e amoroso. Autonomia X vergonha e dúvida A segunda infância, de dois a três anos, caracteriza-se pela busca da autonomia X a vergonha e a dúvida. Nesta fase a criança se torna “agente” através da manipulação, da locomoção, do brinquedo e da linguagem. Estabelece sua autonomia na medida em que é reconhecida e incentivada. A vergonha surge quando ela experimenta a decepção e/ou a reprovação dos adultos. Ela necessita de muito apoio e incentivo para o seu desenvolvimento. Quando fizer escolhas corretas, devem ser aprovadas, porém, deve-se ter a firmeza necessária para dizer “não” quando a criança faz coisas erradas. Caso contrário, quando todas as suas vontades forem satisfeitas, a criança vai crescer e ser um ditador, exigindo que sua família se dobre a sua vontade. Os pais precisam evitar os dois extremos desta fase, a excessiva permissividade e o rigor excessivo. Pedagogia catequética Essa luta pela autonomia não acontece apenas em relação às pessoas, mas também com Deus. Quando a pessoa humana superutiliza sua vontade (sempre tem razão...) quer impor sua vontade a Deus. Ao contrário, quando subutiliza a vontade, (não opta, não decide, se submete à decisão dos outros...) acaba não revelando sua vontade e se mostra temeroso da reação de Deus, ante seus sentimentos. Esta faixa etária abre espaço para atitudes pedagógico-religiosas bem especiais. Os pais começam a predispor a criança - que tudo observa e aprende - a uma visão religiosa da vida. Mostrar as maravilhas que as fascinam, figuras, imagens, sacrários, cerimônias litúrgicas... A mãe deve dizer à criança que Deus gosta dela. Ela acredita na mãe e sabe que o que diz é verdade. Essa convicção acompanhará sua vida de futuro adulto. Porém, nada valeria aos pais ensinar a religião, se não for comprovada pelo testemunho e pelo exemplo. A oração, sobretudo antes de dormir, é fator decisivo para superar a ansiedade, fenômeno afetivo dominante nesta fase. |