CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
dimensão bíblico-catequetica
A Dimensão Bíblico-Catequética - CNBB, com ajuda do GRECAT, fez um resumo do Diretório Geral para a Catequese, edição de 1997, para auxiliar os coordenadores regionais na leitura deste documento.
O Diretório nos oferece uma visão global da catequese. Por sua vez nos desafia a busca de uma visão ampla da catequese, em nosso país. O Documento “Catequese Renovada” nos ajuda a obter esta visão. Por outro lado, percebemos que, o avanço da história, a prática da catequese, o momento cultural, nos pedem um novo documento para impulsionar educação da fé na chegada do novo milênio.
O Diretório nos mostra passos novos que devem ser realizados. Porém, nos revela que muitos passos realizados entre nós, ainda não ecoaram em outros lugares. Evidente, Deus se revela a partir de cada cultura. Ai está uma tarefa da catequese, descobrir como Deus se manifesta em nosso chão.
Diretório geral
para a catequese
Prefácio
Durante o Terceiro Congresso Mundial de Catequese, em Roma de 17 a 21 de outubro1997, além da Editio Típica, portanto, em Latim, versão oficial e definitiva do “Catechismus Ecclesiae Catholicae” (CEC) ou “Catecismo da Igreja Católica” (CaIC), a Sé Apostólica lançou também o “Diretório Geral para a Catequese” (DGC), cuja versão em português foi publicada em começos de 1998, por Edições Paulinas.
Neste breve artigo fazemos apenas, sobretudo para os que não tem acesso direto ao texto original, uma rápida apresentação deste documento que, certamente, é de grande importância no processo de renovação da Catequese no mundo todo e que terá incidência na caminhada da Catequese Renovada no Brasil, iniciada em 1983.
1. O Contexto histórico do DGC
A renovação da catequese aconteceu ao longo da primeira metade do século XX, junto com outras correntes renovadoras da Igreja e que levaram à realização do Concílio Vaticano II (1962-1965). É importante recordar aqui, por exemplo, entre outras iniciativas: a) no campo bíblico, o impulso dado por Garrigou Lagrange, e outros importantes biblistas e pelas Escolas Bíblicas, particularmente Jerusalém e Roma; b) a liturgia, com a liderança de Pius Pasch, dos Monges de Solesmes, de Martimort, de Gelineau; c) a teologia, com Jungmann, Yves Congar, Henri de Lubac, Karl Rahner, Bernard Haring, Edouard Schkelebeeckx, os Institutos de Teologia, especialmente a Gregoriana (Roma) e Tubinga (Alemanha); d) a Historia da Igreja, particularmente com Daniel Rops; e) a Filosofia cristã, especialmente com Jacques Maritain, Edouard Mounier, Etienne Gilson; f) a Pedagogia, com Montessori, a escola ativa de Munich, a liderança de algumas Congregações Religiosas Docentes, com fortes propostas e práticas de renovação da escola católica... Entre outras iniciativas de renovação, também foram de grande ajuda para a Igreja rever sua caminhada histórica, as acontecidas no campo da Patrística, da Espiritualidade, da Antropologia, da Psicologia e da Sociologia, e a crescente evolução das ciências, especialmente física, biologia, química e comunicação.
A catequese se abeberou nestes movimentos de renovação e foi construindo sua caminhada. É de se destacar alguns impulsos maiores e aqui relembramos uns poucos. O incentivo dado pelo Papa São Pio X, em 1905, a Teologia Kerigmática de Jungmann e seu manual “Catequética”, que foram decisivos para os conteúdos da catequese, a partir dos inícios da década de 40 e, na mesma época, a escola ativa de Munich que trouxe para a catequese novos caminhos pedagógicos.
Há nomes importantes de líderes da renovação da Catequese, sobretudo na década de 50 e 60, como Joseph Colomb, na França, Leone de Maria, na Itália, J. Delcuve, na Bélgica, Álvaro Negromonte, no Brasil, e de Institutos de Catequese como o Institut Supérieur de Pastorale Catéchétique (ISPC), do Institut Catholique de Paris, o Institut Lumen Vitae, na Bélgica, o Instituto San Pio X, em Salamanca, depois em Madri. Exerceram particular importância as Célebres Semanas Internacionais de Catequese, como Munich, Manila, Eichsttät e Medellin e alguns Diretórios de Catequese (Fonds Obligatoire na França) e Catecismos de Adultos, com destaque para o Catecismo Católico da Alemanha e o Catecismo Holandês.
O Concílio Vaticano II discutiu a questão da catequese e até mesmo houve algumas vozes sugerindo que uma de suas tarefas fosse a elaboração de um Catecismo universal, como aconteceu no Concílio de Trento e que foi publicado em 1566, com o título “Catechismus ad Parochos”.
Mas, a decisão do Concílio Vaticano II foi pela recomendação de um “Diretório sobre a formação catequética do povo cristão” e isso consta no número 44 do Decreto conciliar Christus Dominus: “Elaborem-se também, tanto um Diretório especial de cura pastoral para grupos peculiares de fiéis, em razão das diversas circunstâncias de cada nação ou região, quanto um Diretório de formação catequética do povo cristão. Nele se trate dos princípios fundamentais e da organização dessa instrução, bem como da elaboração de livros sobre o assunto. Na elaboração destes Diretórios tomem-se em conta também as sugestões feitas pelas Comissões ou pelos Padres Conciliares”.
Este mandato foi realizado em abril de 1971, quando a Congregação para o Clero publicou o Diretório Catequético Geral (Directorium Catechisticum Generale -DCG), após alguns anos de estudos, com apoio de especialistas, consulta às Conferências Episcopais e aprovação final do Papa Paulo VI, em março. Entretanto, nesta época, já estavam de cheio dentro da catequese fortes doses dos Documentos Conciliares, sobretudo Lumen Gentium (A Igreja), Gaudium et Spes (A Igreja no Mundo), Dei Verbum (Sagrada Escritura) e Sacrossanctum Concilium (Liturgia) e sobretudo o espírito renovador trazido pelo Concílio.
Muitos países, a partir do Diretório Catequético Geral de 71, redimensionaram a caminhada em curso da renovação da catequese, elaborando seus próprios Diretórios, revendo as coleções de subsídios catequéticos, dedicando um cuidado especial à formação dos catequistas e realizando uma revisão da organização prática da catequese nas dioceses e nas paróquias.
Mas, após a publicação do DCG, a catequese muito se beneficiou com novos incentivos. Assim foi muito significativo o impulso dado à catequese de adultos pela publicação do Ritual da Iniciação Cristã de Adultos (1972), e à catequese em geral pelo Sínodo sobre Evangelização (1974) e decorrente Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi (1975), de Paulo VI. E neste caso a guinada foi realmente significativa, porque como para toda a missão da Igreja, Evangelii Nuntiandi representou uma forte mudança, a partir deste documento a catequese foi oficialmente inserida dentro do âmbito da missão evangelizadora da Igreja, ou seja a catequese, que já vivia na dinâmica da teologia kerigmática, passou a ser considerada pela instância maior da Igreja, no caso Paulo VI e em escuta a um Sínodo, como parte integrante das urgências e preocupações específicas do mandato missionário para os nossos tempos (cf. DGC de 97 item 4). Logo em seguida, em 1977, aconteceu o Sínodo sobre Catequese, do qual brotou a Exortação Apostólica Catechesi Tradendae (A Catequese Hoje), de João Paulo II (1979), em plena coerência com as orientações de Evangelii Nuntiandi. O atraso na publicação se deveu à fase de transição entre os Papas Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II, no ano de 1978.
Mas, além disso, sem dúvida alguma, todo o mandato do Papa João Paulo II, tem sido de extraordinária riqueza para a renovação da catequese, especialmente suas Encíclicas. Em destaque, por exemplo, Jesus Cristo na Redemptor Hominis (1979), Deus Pai na Dives in Misericordia (1980), o Espírito Santo na Dominum et Vivificantem (1986), Maria a Mãe de Deus na Redemptoris Mater (1987), a tarefa missionária da Igreja na Redemptoris Missio (1989), a justiça social na Solicitudo Rei Socialis (1990) e na Centesimus Annus (1993), o ecumenismo na Ut Unum Sint (1996), etc., São muito importantes também as Exortações Apostólicas referentes aos Sínodos, sobretudo sobre a Família como Familiaris Consortio (1981), a vocação e a missão dos Leigos e Leigas na Chistifideles Laici (1989). E não podemos esquecer o impulso do chamado à Nova Evangelização (1983, Haiti) e finalmente o Projeto de preparação ao Grande Jubileu do Ano 2.000, lançado em fins de 1994 com a Tertio Milllennio Adveniente (O Advento do Terceiro Milênio), em si um imenso programa, concreto e pormenorizado de evangelização e catequese .
No caso do Brasil, tivemos antes do Concílio a grande liderança do Pe. Álvaro Negromonte com seus livros, cursos e congressos, e da Ação Católica, com seu método VER, JULGAR e AGIR e sua Revista de Catequese. Logo depois do Concílio, a liderança esteve com os ISPACs (Institutos de Pastoral Catequética), criado no Brasil por ex-alunos do ISPC de Paris. E também tiveram muita importância para a Catequese, entre nós, tanto a Semana Internacional da Catequese, em Medellin, em 1968, como a Segunda Conferência Episcopal Latino-americana, também em Medellin, no mesmo ano. A renovação da catequese teve também um bom apoio de alguns autores de textos catequéticos, amplamente adotados por sua qualidade de conteúdo e metodologia e de algumas Escolas de Catequese, que aos poucos foram substituindo os ISPACs.
Logo depois da publicação de Catechesi Tradendae (1979), a CNBB decidiu, em Assembléia Geral, elaborar uma espécie de Diretório de Catequese para o Brasil. O processo levou três anos, com grande participação das bases e três versões sucessivas, sob a liderança de D. Albano Cavallin e do Pe. José Geeurickxx MSC (Pe. Zeca) O texto foi aprovado, por unanimidade na Assembléia Geral de maio de 1983, com o título Catequese Renovada, Orientações e Conteúdo (Doc. da CNBB, n. 26). A partir dali aconteceu, sob liderança do Setor de Catequese da CNBB, tendo à frente D. Albano Cavallin, Irmão Israel José Nery, FSC, e Frei Bernardo Cansi, OFMcap, um verdadeiro mutirão nacional para operacionalizar o documento nas bases, tendo como momento alto do processo a realização da Primeira Semana Brasileira de Catequese em 1986, com a grande mobilização nacional que a precedeu.
Em 1985, o Sínodo Extraordinário, de avaliação e celebração dos 20 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, solicitou ao Papa a redação de um Catecismo Universal, em substituição ao do Concílio de Trento, de 1536. Acatado o pedido o texto foi elaborado e, após aprovação do Papa, foi publicado, porém, ainda não em edição definitiva, no ano de 1992. Terminada a versão latina, a edição típica, portanto definitiva, ficou pronta no segundo semestre de 1997.
Mas, desde a publicação do Catecismo da Igreja Católica, (CaIC), em 1992, a Congregação para o Clero, consciente da necessidade de uma revisão do Diretório Catequético Geral de 1971 (DCG), iniciou o trabalho que tendo ficado pronto e coincidindo com a edição típica, foi lançado juntamente com o Catecismo num Congresso Internacional de Catequese, em Roma, de 17 a 21 de outubro de 1997, organizado e coordenado para este objetivo, conjuntamente pela Congregação da Doutrina da Fé e pela Congregação para o Clero. O novo Diretório, baseado no anterior, recebe o título de Diretório Geral para a Catequese (DGC).
2. Finalidades, Exigências e Destinatários do DGC
2.1- Finalidades. O Diretório Geral para a Catequese tem como primeira finalidade: “indicar os princípios teológico-pastorais de caráter fundamental (tomados do Magistério da Igreja e especialmente do Concílio Vaticano II), pelos quais possa orientar-se e reger-se, mais adequadamente, a ação pastoral do ministério da Palavra, e, de modo concreto, da catequese” (DGC, 9).
Para nós, no Brasil, é evidente que, além da fonte apontada pelo DGC (Magistério da Igreja, Concílio Vaticano II), a fonte primeira e principal da catequese é a Sagrada Escritura, lida e vivida, a partir da realidade da vida, particularmente do mundo dos pobres.
Como se trata de um Diretório Geral o documento oferece reflexões e princípios, mais que aplicações imediatas e diretrizes práticas. A convicção da Sé Apostólica é de que se, desde o começo, se compreende, de modo correto e com clareza, a natureza e os fins da catequese e também as verdades e valores que devem ser transmitidos, é possível evitar falhas e erros em matéria catequética.
Por outro lado, é dos Episcopados, a competência específica para a aplicação mais concreta dos princípios e enunciados, através de orientações e diretórios nacionais, regionais e diocesanos, de catecismos e outros meios que considerem mais idôneos para promover eficazmente a catequese.
Uma outra finalidade do DGC (cf. n. 11) é prestar uma ajuda para a redação de Diretórios Catequéticos e Catecismos nacionais, regionais e locais.
2.2 - Exigências. Os responsáveis pela redação do novo Diretório Geral para a Catequese se colocaram algumas exigências ao longo do árduo trabalho. Elencamos as principais, pois nos orientam na leitura e uso do DGC:
a) enquadrar a catequese na evangelização, como fora solicitado pelas Exortações Apostólicas Evangelii Nuntiandi (Paulo VI, 1975) e Catechesi Tradendae (João Paulo II, 1980);
b) assumir no DGC os conteúdos da fé propostos pelo Catecismo da Igreja Católica (CaIC).
c) recolher o fundamental do Concílio Vaticano II, do Magistério da Igreja no pós-concílio, da vida da Igreja e do mundo contemporâneo;
2.3 - Destinatários. Segundo o DGC, ao número 11, “os destinatários do Diretório são principalmente os bispos, as Conferências Episcopais e, em geral, quantos, sob o mandato deles, desempenham uma responsabilidade no campo da catequese. É óbvio que o Diretório pode ser um instrumento válido para a formação dos candidatos ao sacerdócio, para a formação permanente dos presbíteros e para a formação dos catequistas” e de todos os leigos e leigas.
Podemos interpretar como um lapsus, da redação e da revisão, o fato de os(as) religiosos(as) não serem explicitamente citados aqui, pois evidentemente este Diretório é válido também tanto para a formação dos(as) candidatos(as) à Vida Religiosa como para a formação permanente dos religiosos e das religiosas.
Exposição introdutória
O anúncio do evangelho no mundo contemporâneo
Esta exposição introdutória pretende estimular os pastores e os agentes da catequese a tomarem consciência da necessidade de olhar para o campo semeado e a fazê-lo a partir de uma perspectiva da fé e de misericórdia.
14 - 15. A parábola do Semeador é fonte inspiradora para a evangelização. A qualidade de terreno é muito variada, com tensões, conflitos e os problemas do mundo. A semente do Evangelho fecunda a história dos homens e preanuncia uma colheita abundante. Jesus faz também uma advertência: somente o coração bem disposto germina a Palavra de Deus.
Um olhar ao mundo, a partir da fé
16. Os cristãos, inseridos nos mais variados contextos sociais, olham o mundo com os mesmos olhos com que Jesus contemplava a sociedade do seu tempo. À luz da história, o mundo se mostra ao mesmo tempo “criado e conservado pelo amor do Criador, reduzido à servidão do pecado e libertado por Cristo crucificado e ressuscitado, com a derrota do Maligno”.
O cristão sabe que a cada realidade e evento humano subjazem ao mesmo tempo:
- a ação criadora de Deus;
- a força que deriva do pecado;
- o dinamismo que nasce da Páscoa de Cristo.
É importante que a catequese saiba iniciar os catequizandos a uma leitura teológica dos problemas do mundo.
O campo do mundo
17. A Igreja vê com profunda dor uma multidão inumerável de pessoas humanas concretas e irrepetíveis, que sofrem sob o peso intolerável da miséria. Por meio da catequese, na qual o ensinamento social da Igreja ocupe o seu lugar, ela deseja suscitar no coração do cristão o empenho pela justiça e a opção ou amor preferencial pelos pobres, de modo que a sua presença seja realmente luz que ilumina e sal que transforma.
Os direitos humanos
18. A Igreja é muito sensível a tudo aquilo que ofende a dignidade da pessoa humana, por isso seu olhar abrange os indicadores econômicos, sociais, culturais e religiosos. Ela busca o progresso integral das pessoas e dos povos. A Igreja percebe, com alegria, que uma corrente benéfica já se alastra e permeia todos os povos da terra, tornando-os cada vez mais conscientes da dignidade da pessoa humana. Esta consciência se manifesta pelo respeito dos direitos humanos.
19.
Em numerosos lugares e
em aparente contradição com a sensibilidade pela dignidade da pessoa, os
direitos humanos são violados. A obra evangelizadora da Igreja, neste vasto
campo dos direitos humanos, tem uma tarefa irrenunciável: promover a descoberta
da dignidade inviolável de cada pessoa humana.
A cultura e as culturas
20. A Gaudium et Spes sublinha a grande importância da ciência e da técnica na gestação e no desenvolvimento da cultura moderna. A mentalidade científica que delas emana modifica profundamente a cultura e os modos de pensamento, com grandes repercussões humanas e religiosas. Todavia, a consciência de que este tipo de racionalidade não pode explicar todas as coisas ganha sempre mais terreno. A reflexão sobre a linguagem mostra, por exemplo, que o pensamento simbólico é uma forma de acesso ao mistério da pessoa humana, contrariamente inacessível, que integre sua afetividade, dando sentido mais pleno à sua vida.
21.
Hoje se constata um
desejo crescente de revalorizar as culturas autóctones. a) Há lugares onde se
toma viva consciência de que as culturas tradicionais são agredidas por
influências externas dominantes. b) Constata-se a enorme influência dos meios de
comunicação. A evangelização encontra na inculturação um de seus maiores
desafios. À luz do Evangelho, a Igreja deve assumir todos os valores positivos
da cultura e das culturas e rejeitar aqueles elementos que impedem as pessoas e
os povos de alcançarem o desenvolvimento de suas autênticas potencialidades.
A situação religiosa e moral
22. Na cultura atual existe uma persistente difusão da indiferença religiosa: a) O ateísmo, como negação de Deus, numa visão autonomista do homem e do mundo segundo a qual esse mundo se explicaria por si mesmo, sem ser necessário recorrer a Deus; b) Constata-se um retorno ao sagrado, de modo amplo e vital, o despertar da procura religiosa.
23.Percebe-se um obscurecimento da verdade ontológica da pessoa humana, um relativismo ético que tira à convivência civil qualquer ponto seguro de referência moral. A evangelização encontra no terreno religioso moral um ambiente de atuação privilegiado, para anunciar Deus e testemunhá-lo diante do mundo. Esta é a missão primordial da Igreja. E à catequese cabe proporcionar o encontro com o Deus e fortalecer o vínculo permanente de comunhão fraterna.
A igreja no campo do mundo
A fé dos cristãos
24. A renovação catequética, desenvolvida na Igreja durante as últimas décadas, está dando frutos positivos. Deu origem a uma tipologia de cristãos conscientes de sua fé e coerente com esta em sua vida. Favoreceu neles: a) uma nova experiência vital de Deus; b) uma redescoberta mais profunda de Jesus Cristo; c) o sentir-se mais co-responsável pela missão da Igreja no mundo; d) a tomada de consciência das exigências sociais da fé.
25. Há os que são tocados pela atmosfera de secularismo e de relativismo ético: a) os não- participantes, para estes, redespertá-los para a fé é um verdadeiro desafio para a Igreja; b) os de sentimentos religiosos sinceros e com uma religiosidade popular, necessitam reposicionar e amadurecer a sua fé sob uma luz diversa.
26.
Há um certo número que
esconde a própria identidade cristã. Estas situações exigem uma nova
evangelização, o anúncio missionário e a catequese, tendo como prioridade os
jovens e adultos.
A vida interna da comunidade eclesial
27. A Igreja acolheu o Concílio Vaticano II e o fez frutificar. As quatro constituições - Sacrosanctum Concilium, Lumem Gentium, Dei Verbum e Gaudium et Spes- fencundaram a Igreja: a) a vida litúrgica é compreendida mais profundamente; b) o povo de Deus adquiriu uma consciência mais viva do sacerdócio comum, radicado no Batismo; c) adquiriu um sentido mais vivo da Palavra de Deus; d) a missão da Igreja no mundo é sentida de maneira nova, a exigência de uma evangelização ligada à promoção humana.
28. Reconhecemos, também, carências e dificuldades: a) enfraqueceu-se o sentido da pertença eclesial; b) constata-se uma desafeição para com a Igreja; c) posições parciais e opostas na interpretação e aplicação do Vat.II conduziram a fragmentações e prejudicaram o testemunho de comunhão. A ação evangelizadora da Igreja, e nesta a catequese, deve buscar uma sólida coesão eclesial e aprofundar uma eclesiologia de comunhão, para gerar nos cristãos, uma profunda espiritualidade.
Situação da catequese: a sua vitalidade e os seus problemas
29. Aspectos positivos: a) O grande número de sacerdotes, religiosos (as), e leigos (as) que se consagram à catequese com grande entusiasmo e perseverança; b) o caráter missionário da catequese e a sua propensão em assegurar a adesão à fé; c) o incremento da catequese de adultos; d) o pensamento catequético ganhou mais profundidade e densidade.
30. Alguns problemas: a) o conceito de catequese como escola da fé; b) O conceito de Revelação e Tradição e quase que exclusiva alusão à Sagrada Escritura. A inter-relação entre a Sagrada Escritura, Tradição e Magistério, cada qual faz segundo seu próprio modo; c) uma apresentação mais equilibrada de toda a verdade do mistério de Cristo - uns só insistem na humanidade outros só na divindade.
Problemas de
conteúdos: a) lacunas doutrinais no que concerne à verdade sobre Deus e
sobre o homem, sobre o pecado e a graça e sobre os Novíssimos; b) uma ligação
fraca e fragmentária com a liturgia; c) não se dá a devida atenção às exigências
e à originalidade da pedagogia da fé; d) saber transmitir o Evangelho no limite
do horizonte cultural dos povos; e) a formação para o apostolado e para a
missão.
A semeadura do Evangelho
31. O semeador envia os seus operários para anunciar o Evangelho a todo o mundo, comunicando-lhes a força do Espírito.
Como ler os sinais dos tempos
32. À luz da fé e com uma atitude de compaixão, valendo-se das ciências humanas, a Igreja busca descobrir o sentido da situação atual, no âmbito da história da salvação.
Desafios
33. Desafios e orientações que devemos assumir: a) ser um válido serviço à evangelização; b) os adultos são os destinatários privilegiados, em seguida as crianças, adolescentes e jovens; c) deve plasmar a personalidade cristã, seguindo a pedagogia cristã (da fé); d) anunciar os mistérios essenciais do cristianismo, promovendo a experiência trinitária; e) ter como tarefa prioritária a preparação e a formação de catequistas de fé profunda.
Primeira Parte
A catequese na
missão evangelizadora da Igreja
Introdução - A Primeira parte” [que corresponde à 2ª do Diretório antigo] é articulada em três capítulos e enraíza de forma mais acentuada a catequese na Constituição DV, colocando-a no quadro da evangelização presente em EN e CT. Propõe-se, além disso, um esclarecimento da natureza da catequese”.
35. Objetivo: “definir o caráter próprio da catequese” (35 a). I cap.: estrutura teológica da catequese a partir do conceito de Revelação (DV) e do Ministério da Palavra. Os conceitos de Palavra de Deus, Evangelho, Reino de Deus e Tradição da DV “fundam o significado de catequese” (35 a) e o conceito de Evangelização “é referencial obrigatório para a catequese”. II cap.: “a catequese no quadro da evangelização” e sua relação “com as demais formas de ministério da palavra”. III cap.: a catequese em si mesma = natureza eclesial, finalidade ligada à comunhão com Jesus Cristo, deveres e inspiração catecumenal. - Evolução semântica do termo catequese; aqui: magistério pós-conciliar... EV, CT, RM.
1o Capítulo
Revelação e sua transmissão mediante a Evangelização
36 - 41. Após uma premissa tirada do CaIC (o ser humano capaz de Deus), apresenta a Revelação a partir da DV numa perspectiva personalista (36), trinitária e salvífica (37), histórica (fatos e palavras, binômio inseparável), conforme a pedagogia divina (progressivamente, etapas - 38), modelo da evangelização e catequese (39). Jesus Cristo: “Palavra única, perfeita e insuperável” é o centro desta revelação através da encarnação (assume nossa história). Daí o cristocentrismo da evangelização e catequese que implica o discipulado (41)
43 - 45. A Igreja sob ação do E. Santo é transmissora da Revelação; há uma insistência sobre o fundamento nos Apóstolos; a tradição apostólica perpetua-se na Igreja que no seu todo, pastores e fiéis, vigia por sua conservação e transmissão (43). Nela se mantém vivo e íntegro o Evangelho. Relação entre Tradição, Escritura e Magistério. A Igreja evangeliza pela palavra e sacramentos. Ao falar da obediência da fé ressalta-se tanto a dimensão existencial (adesão livre ao Evangelho da graça), quanto intelectual (assentimento do intelecto e vontade) 45.
46 - 48. Descreve a Evangelização a partir da EN, como processo complexo a ser vivido na sua totalidade (anúncio, testemunho, ensinamento, sacramentos, amor ao próximo, fazer discípulos) e bipolaridade: testemunho e anúncio, palavra e sacramento, mudança interior e transformação social (46). Nos passos da AG expõe a dinâmica do processo evangelizador: testemunho, diálogo, caridade, anúncio e apelo à conversão, catecumenato e iniciação cristã, formação da comunidade cristã por meio dos sacramentos e ministérios (47). Aprofunda no nº 48, colocando a caridade e inculturação em primeiro lugar”; a catequese (1ª aparição!) “inicia na fé... aqueles que se convertem a Jesus Cristo ou que retomam o caminho de sua seqüela, incorporando-os ou reconduzindo-os à comunidade cristã”.
49. O processo evangelizador no seu conjunto apresenta três etapas ou momentos essenciais (49): 1) ação missionária para os não fiéis e os que vivem na indiferença; 2) ação catequética e de iniciação para os que optam pelo Evangelho e os que precisam completar ou estruturar sua iniciação; 3) ação pastoral para cristãos maduros no seio da comunidade. Esta distinção irá relativizar o conceito de catequese permanente (nota 64).
50. O ministério da Palavra (anúncio, palavra humana) é intimamente vinculado às “obras que Deus realizou e continua a realizar” (liturgia), ao testemunho e ação transformadora, com uma forte dimensão pneumatológica. Entretanto, falando dos ministros da palavra, sua força maior recai sobre os ministros ordenados, quase que relativizando a força do sacerdócio batismal: (cf nota 55 do nº 50), pelo qual os catequistas leigos não seriam propriamente ministros da palavra; aí cita-se muito João Paulo II e se esquece da EN 73, que chama a catequese como um autêntico ministério (cf CNBB, Formação de Catequistas 18 nota 13). Este fechamento é um dos pontos fracos do DGC.
51. São consideradas 5 formas do ministério da Palavra (nº 51): convocação e chamado à fé, iniciação, educação permanente à fé, liturgia e teologia. A catequese é a segunda, relacionada com os “sacramentos da iniciação, tanto se estes devem ser ainda recebidos [adultos], quanto se já o foram” (51b). Esta catequese possui seis formas: 1) Adultos não batizados [catecumenato]; 2) Adultos batizados que desejam retornar à fé; 3) os que precisam completar sua iniciação; 4) crianças e jovens que se iniciam na fé. E se acrescentam: 5) a educação familiar cristã; 6) ensino religioso escolar, ambos com funções de iniciação.
53 - 57. O texto aprofunda inicialmente a conversão e a fé, vistas nas perspectivas do CaIC, DV e EN (54). Relevam-se na fé os aspectos de entrega a Deus e adesão à verdade (ação objetivo-subjetiva da pessoa humana) e a ação da graça (ação de Deus). O princípio da interação está presente: “A fé comporta uma transformação de vida... em todos os níveis da existência cristã: vida interior.... atividades econômicas” (55). A conversão possui uma dimensão permanente que implica (56): a)o interesse pelo evangelho, b) aprofundamento da conversão inicial, c) profissão de fé (conhecimento da fé e aprendizado da vida cristã, caminho espiritual, renúncias, lutas, alegrias... caminho catecumenal), d) busca da perfeição: o primeiro anúncio (missão) está a serviço do primeiro item; a catequese está em função do segundo e terceiro (aprofundamento e profissão de fé) e a educação permanente (pastoral), do quarto (57: cf nº 49).
58. A Evangelização em seu sentido amplo requer uma atenção especial para com três situações sócio-religiosas: 1. os que não conhecem o Evangelho - para eles a catequese se desenvolve no interior do catecumenato batismal; 2. Comunidades cristãs que irradiam o testemunho evangélico - estas precisam de uma intensa ação pastoral da Igreja; aí a catequese às crianças e jovens tem dimensão de iniciação cristã e aos adultos são destinatários da formação cristã; 3. Grupos de batizados que perderam o sentido da fé: necessitam de uma nova evangelização; a opção será pela ação missionária (primeiro anúncio) e catequese de base (58). Diversas situações convivem no mesmo território, de modo que os limites entre cuidado pastoral, nova evangelização e atividade missionária nem sempre são identificáveis.
59. O conjunto das ações evangelizadoras devem levar em conta: a) A missão ad gentes é a principal missão da Igreja e modelo exemplar do conjunto da ação missionária. b) O modelo de toda a catequese, quer em suas formas, como objetivos e dinamismos, é o catecumenato batismal. c) A catequese de adultos é a principal forma de catequese, para a qual as outras estão orientadas (59).
Conclusão: a catequese, situada dentro da evangelização, recebe dela o dinamismo missionário que a fecunda e configura na sua identidade; por isso, o ministério da catequese mostra-se como um serviço eclesial fundamental na realização do mandato missionário de Jesus.
2o Capitulo: a catequese no processo de evangelização
60. Apresenta a catequese relacionada com as demais formas do Ministério da Palavra, relacionando também catequese com ensino religioso escolar e educação familiar.
Catequese e Primeiro Anúncio
61 - 62. Ligada ao primeiro anúncio aos não crentes (“ide”) a catequese visa amadurecer a conversão inicial e integrar na comunidade cristã (“aquele que crer”). Muitas vezes pessoas que aderem à catequese não estão convertidos e precisam de uma verdadeira evangelização. Na situação de missão ad gentes esta catequese se realiza no âmbito do pré-catecumenato. Na situação de nova evangelização se realiza por meio da catequese kerigmática (pré-catequese) pois orienta a uma sólida opção de fé. A catequese, que é propriamente educação da fé, supõe esta opção, conversão.
Catequese e os Sacramentos da Iniciação
63 - 68. A catequese como parte da missão da igreja, tem um antes (ações que preparam) e um depois (ações que derivam). O momento da catequese é o que corresponde ao período em que se estrutura a conversão. Os convertidos, através do ensino e um aprendizado devidamente prolongado no decorrer de toda a vida, são iniciados no mistério da salvação e num estilo de vida evangélica. (63). A catequese lança os fundamentos do edifício cristão. Tem um elo com a ação missionária (antes) e ação pastoral (depois) (64). É elemento fundamental da iniciação cristão, especialmente o batismo. “O elo que une a catequese ao Batismo é a profissão de fé, que é ao mesmo tempo elemento interior a este sacramento e meta da catequese. Três características da catequese de iniciação: a) Formação orgânica e sistemática; b) Aprendizado de toda vida cristã (iniciação integral), seguimento de Cristo... assumir compromissos; c) Formação de base, concentração no essencial da experiência cristã, nas certezas mais fundamentais da fé. Enfim: não é mero ensino, mas formação para a vida cristã; é essencial e não entra em questões disputadas nem se aventura na pesquisa teológica; incorpora na comunidade que vive, celebra e testemunha a fé.
Catequese e a educação permanente à fé
69 - 72. Dá prosseguimento à educação de base (catequese de iniciação). Este processo permanente acontece na comunidade, particularmente na mesa da Palavra (Evangelho) e mesa Eucarística. Destinatários: toda comunidade. Meta: amor a Deus e aos irmãos, abertura ao mundo, ação missionária. A homilia ocupa lugar privilegiado (70). Formas desta educação permanente: estudo da Palavra de Deus (lectio divina), leitura cristã dos acontecimentos (doutrina social), catequese litúrgica, catequese ocasional, ensino teológico. É preciso que todas estas formas estejam bem conexas no projeto catequético (nº 71). Observação: conforme todo espírito do documento e principalmente da nota 64 do nº 51, o conceito de catequese se restringe às atividades de iniciação cristã tanto de crianças e jovens, como principalmente de adultos; a educação da fé, aprofundamento da vida cristã de pessoas já verdadeiramente iniciadas na fé, seria uma atividade da formação permanente e não propriamente catequese (e isto é função de toda pastoral da Igreja). Entretanto, em vários lugares mantém-se a terminologia catequese permanente (82, 232, 235, etc.).
Catequese e Ensino Escolar da religião
73 - 76. Está no âmbito do ministério da palavra. Distinto da catequese, mas complementar. Torna presente o Evangelho no processo pessoal de assimilação, sistemática e crítica, da cultura, veiculada na escola. É uma disciplina escolar e deve apresentar o evento cristão com a mesma seriedade e profundidade das outras, num diálogo inter-disciplinar. Conteúdo: visão cristã da origem do mundo, sentido da história, fundamento dos valores éticos, função da religião na cultura, destino da humanidade, relação com a natureza (73). Destinatários (mais do que na catequese, aqui se deveria falar de interlocutores): os católicos têm direito a conhecer mais profundamente a pessoa de Cristo; deve-se oferecer um ensino confessional às famílias e alunos que escolhem tal ensino. Na escola católica é parte indispensável de sua tarefa pedagógica. Na escola pública ou não confessional onde o ERE é comum a católicos e não católicos, deve assumir dimensão ecumênica e de conhecimento inter-religioso. Em outras ocasiões o ERE terá um caráter mais cultural dando realce à religião católica e poderá ter a dimensão de uma preparação evangélica. (74) Concluindo: a educação cristã das crianças e adolescentes está intimamente relacionada com a família, catequese e ERE. Na prática deve-se levar em conta as diferentes variáveis que se apresentam, para agir com realismo e prudência pastoral. Nisto têm função importante as dioceses e conferências episcopais.
3o Capítulo
Natureza, finalidade e tarefas da catequese
77. O cap. anterior estudou a relação da catequese com as demais ações eclesiais. Aqui se analisa a catequese enquanto tal: sua natureza e finalidade (comunhão com JCristo), seus deveres e sua inspiração catecumenal (metodologia para respeitar a gradualidade do processo catequético).
78 - 79. A natureza da catequese é antes de tudo eclesial. É um ato da Igreja que transmite a fé que ela vive; esta transmissão (durante todo o documento se usa este conceito e, não tanto, comunicação, muito mais vital) acontece de um modo ativo: o catecúmeno e catequizando recebe a fé que lhe é entregue(traditio) e a restitui (reditio) enriquecida “culturalmente”. A Igreja é Mãe, educadora, alimenta a fé de seus filhos com o Evangelho.
82-83. Finalidade: é a comunhão, intimidade com Jesus Cristo. A catequese aprofunda a primeira adesão a Ele (80) e une o cristão a tudo a que Cristo se sentia unido: ao Pai, E. Santo, Igreja, irmãos, missão (81). Daí o cristocentrismo, que é trinitário; a profissão de fé trinitária é ponto de partida e de chegada da catequese. A Fé cristológica (Jesus é o Senhor) une-se à fé trinitária (Creio no Pai, Filho e Espírito Santo). É uma fé eclesial, individual, mas, também, comunitária (eu creio, nós cremos).
84 - 85. Tarefas fundamentais: a catequese é uma educação da fé em todas as dimensões. A fé deve ser conhecida, celebrada, vivida e traduzida em oração. E isto sempre dentro da comunidade. Daí quatro tarefas fundamentais (85): a) Favorecer o conhecimento da fé (atitude = fides qua e conteúdo = fides quae) . Sua expressão e, portanto, fonte da catequese, é o Credo. b) Educação litúrgica: celebração dos sacramentos, catequese mistagógica; c) Formação moral: seguimento de Cristo (a palavra seqüela usada na tradução portuguesa tem sentido pejorativo!), através das Bem-aventuranças e Mandamentos; d) Formação na oração: catequese sobre o Pai Nosso. Nestes quatro ítens encontram-se quatro fontes da catequese (Credo, Liturgia, Bem-aventuranças-Mandamentos e Pai Nosso), que constituem justamente as quatro partes do CaIC.
86. Outras tarefas igualmente importantes: 1) Educação para a vida comunitária: partindo de Mt (evangelho da comunidade) apresentam-se cinco atitudes da vida cristã (a) e, neste contexto comunitário, se fala da educação para o ecumenismo (b). 2) Educação para a missão no mundo e na Igreja (a) e neste contexto fala-se da educação para o diálogo inter-religioso (b).
87. Considerações sobre o conjunto destas tarefas: todas elas são necessárias, devem ser articuladas, implicam-se mutuamente; os grandes meios para realizá-las não é somente a transmissão da mensagem, mas também proporcionar a experiência cristã particularmente na Liturgia. Tudo isso é dom de Deus e leva ao compromisso, testemunho. O último item deste nº 87 (pg. 87) é importantíssimo e de muita conseqüência para a catequese: fala do enraizamento da experiência cristã dentro da experiência humana e aponta seis ítens interessantes desta dimensão humana fundamental para a catequese.
88 - 90. Gradualidade da catequese: como na revelação divina também a catequese deve ser “gradual, por etapas”. Ora, o catecumenato batismal é a forma de catequese que mais favorece esta gradualidade, por causa de seus “passos” bem claros, definidos e crescentes. Por isso, a partir destes números 88-89 e ao longo de todo o documento se insiste no catecumenato batismal como fonte inspiradora e modelo de qualquer forma de catequese. Ou seja: a catequese pré-batismal torna-se também modelo da catequese pós-batismal (seja para crianças e jovens, como principalmente para os adultos). [Atenção: não confundir esta dimensão catecumenal da catequese com o movimento catecumenal. O documento não está canonizando o movimento catecumenal mas apontando o antigo catecumenato batismal, de onde nasceu a catequese, como modelo mais eficaz hoje, para a catequese]. Nos nºs 88-89 são apontados estes quatro graus da “grande tradição catecumenal” patrística, que são aprofundados nos nºs seguintes. No último parágrafo deste capítulo se fala que não se trata de “reproduzir mimeticamente” o catecumenato antigo, mas de “inspirar-se nesta escola preparatória à vida cristã”. Esta acentuação catecumenal da catequese é, propriamente, a maior novidade apresentada pelo novo Diretório que tem, particularmente neste ponto, grande influência da experiência e tradição recente da catequese na Espanha. Deve-se reconhecer, por outro lado, que são integrados alguns elementos, embora timidamente, da nossa tradição latino-americana (dimensão experiencial, comunitária, bíblica e transformadora da catequese.
Segunda Parte
A mensagem evangélica
A fé pode ser considerada sob um duplo aspecto:
- como adesão a Deus (confiança, abandono...);
- como conteúdo da Revelação (conhecimento da Palavra).
A 2a parte do DGC aborda o segundo aspecto (o conteúdo)
Há dois capítulos:
1. Normas e critérios para a apresentação da mensagem
2. O conteúdo conforme o CaIC e critérios para catecismos locais
1o Capítulo
Normas e critérios para a apresentação da mensagem evangélica na catequese
A fonte da catequese é a Palavra de Deus (Tradição e Escritura)
94. A Palavra é Jesus Cristo, o Verbo feito homem, e sua voz ressoa, por meio do Espírito Santo, na Igreja e no mundo.
A Palavra de Deus chega a nós por meio de "obras e palavras humanas" que precisam ser interpretadas continuamente pela Igreja, guiada pelo Espírito.
A fonte e as fontes da mensagem da catequese
95. A Palavra de Deus é
- meditada e compreendida por meio do senso de fé de todo o Povo de Deus, sob a orientação do Magistério;
- celebrada, proclamada, ouvida e interiorizada na Liturgia;
- resplende na vida da Igreja (testemunho cristão);
- aprofundada na pesquisa teológica;
- manifesta-se nos genuínos valores religiosos e morais (sementes da Palavra) na sociedade humana e nas culturas
96. Tradição, Escritura e Magistério são as fontes essenciais da catequese.
Os critérios para a apresentação da mensagem
97. 1. Mensagem centrada na pessoa de Jesus Cristo (cristocentrismo) que introduz à dimensão trinitária.
2. O anúncio da Boa Nova do Reino de Deus, centrado no dom da salvação, implica numa mensagem de libertação.
3. O caráter eclesial da mensagem remete ao seu caráter histórico (tempo da Igreja)
4. Uma vez que a Boa Nova se destina a todos os povos, busca a inculturação (com integridade e pureza)
5. Mensagem orgânica com uma própria hierarquia de verdade.
O Cristocentrismo da mensagem evangélica
98. No centro da catequese encontramos essencialmente uma Pessoa: Jesus de Nazaré, Filho único do Pai. A tarefa fundamental da catequese é apresentar Cristo; todo o resto em referência a ele.
- Jesus está no centro da história da salvação, evento último para o qual converge toda a história sagrada. Ele é a chave, o centro e o fim, o sentido último da história humana.
- A mensagem evangélica não provém do homem, mas é Palavra de Deus. A catequese deve transmitir aquilo que Jesus ensina a propósito de Deus, do homem, da felicidade, da vida mortal, da morte...
- Os Evangelhos estão no centro da mensagem catequética.
O cristocentrismo trinitário
99 -100. Jesus remete constantemente ao Pai, de quem se sabe Filho Único, e ao Espírito Santo, do qual se sabe Ungido. Ele é o Caminho que introduz no mistério íntimo de Deus.
O mistério da SS. Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Por Cristo, ao Pai, no Espírito.
A humanidade, criada à imagem de um Deus que é comunhão de pessoas, é chamada a ser uma sociedade fraterna, filhos de um mesmo Pai, iguais em dignidade pessoal.
A Igreja se autocompreende como "um povo agregado na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo".
Uma mensagem que anuncia a salvação
101-102. A mensagem de Jesus sobre Deus é uma boa nova para a humanidade. Jesus, de fato, anunciou o Reino de Deus: uma nova e definitiva intervenção de Deus, com um poder transformador tão grande e até mesmo superior àquele que utilizou na criação do mundo. Neste sentido, Cristo anuncia a salvação, esse grande dom de Deus que é não somente libertação de tudo aquilo que oprime o homem, mas sobretudo libertação do pecado e do maligno, na alegria de conhecer a Deus e de ser por ele conhecido, de vê-1o e de se entregar a ele.
- Cristo anuncia Deus, Pai, operando com amor. O testemunho sobre Deus como Pai é fundamental na catequese,
- Cristo introduz na comunhão com o Pai (filiação divina) e promete a vida eterna.
- Jesus, ao anunciar o Reino, anuncia a justiça de Deus. O anúncio do juízo de Deus, com o seu poder de formação das consciências, é um conteúdo central do Evangelho e uma boa nova para o mundo.
O Reino de Deus é um Reino de justiça, amor e paz, à luz do qual seremos julgados.
- Jesus declara que o Reino de Deus se inaugura com ele. Ele é o Senhor e vai entregar o Reino ao Pai.
- A Igreja é germe e início do Reino. Está a serviço deste Reino.
- A história da humanidade é assumida por Deus para ser transformada. Já oferece uma pregustação do mundo futuro. A evangelização não pode deixar de comportar o anúncio profético do além, vocação profunda e definitiva do homem, ao mesmo tempo em continuidade e em descontinuidade com a situação presente.
Mensagem de libertação
103. Jesus se dirigia, de um modo particular, aos pobres (As Bem-aventuranças)
A Igreja compartilha esta sensibilidade
104. A catequese estará atenta aos seguintes aspectos:
- Situar a mensagem de libertação na perspectiva especificamente religiosa da evangelização. A mensagem da libertação não pode ser limitada simplesmente à dimensão econômica, política, social e cultural, mas deve ter em vista o homem todo, incluindo a sua abertura para o Absoluto, Deus.
- Na tarefa da educação moral, apresentará a moral social cristã (cumprimento do grande mandamento do amor).
- A catequese suscitará nos catequizandos a opção preferencial pelos pobres. Esta opção não é exclusiva, mas comporta o empenho pela justiça, segundo o papel, a vocação e as circunstâncias pessoais.
A eclesialidade da mensagem evangélica
105. A catequese tem sua origem na confissão da fé da Igreja. É o processo de transmissão do Evangelho tal como a comunidade cristã o recebeu, compreende, celebra e comunica. Comporta a fé dos apóstolos, dos mártires e santos, dos padres da Igreja, dos missionários, teólogos, pastores e de todos que crêem. É uma fé só, um só Batismo, um só Deus e Pai (Ef 4,5).
O caráter histórico do mistério da salvação
107. A "economia da salvação" tem um caráter histórico - se realiza no tempo. É o tempo da Igreja peregrina, em missão.
A Igreja transmite a mensagem cristã, "recorda" constantemente os eventos salvíficos da passado e interpreta, à luz dos mesmos, os atuais eventos da história humana.
Consequências para a catequese
108. Apresentar a história da salvação por meio de uma catequese bíblica: as grandes etapas do A.T., a vida de Jesus, a história da Igreja;
- Através de uma catequese doutrinal (símbolo da fé e moral cristã) iluminar o "hoje" da salvação.
- Situar os sacramentos que revivem os grandes acontecimentos no "hoje" da Liturgia.
- Levar a descobrir
- por detrás da humanidade de Jesus a sua condição de Filho de Deus
- por detrás da História da Igreja, ver o seu mistério da História da Salvação
- por detrás dos "sinais dos tempos" ver as pegadas da presença de Deus e os sinais do seu plano.
A inculturação da mensagem evangélica
109. A Palavra se fez homem, situado no tempo e espaço, numa cultura determinada.
Inculturação é a penetração do Evangelho "nos estratos mais recônditos das pessoas e dos povos...até as suas raízes, a cultura e as culturas do homem".
Necessário é o discernimento. Por um lado, assumir as riquezas culturais compatíveis com a fé e purificar e transformar o que está em contraste com o Reino de Deus.
Dois princípios de base:
- compatibilidade com o Evangelho
- comunhão com a Igreja universal.
Consequências para a catequese
110. A comunidade eclesial é o principal fator de inculturação, representada pelo catequista que deve ser bem radicado no seu ambiente cultural.
- Elaborar catecismos locais
- Inculturação no Catecumenato
- Diálogo "fé-cultura" é necessário nas atuais culturas pós-cristãs.
A integridade da mensagem evangélica
111. A mensagem seja transmitida na sua integridade, sem deixar em silêncio nenhum aspecto fundamental ou sem fazer seleção. Porém, gradual e progressivamente, de acordo com a capacidade dos catequizandos.
112. Apresentar a mensagem autêntica sem reduzir as suas exigências e nem impor pesados ônus que a mensagem não inclui.
113. Saber aceitar os valores verdadeiramente humanos e religiosos sem cair em fáceis acomodações e enfraquecer o Evangelho ou secularizar a Igreja.
Uma mensagem orgânica e hierarquizada
114. Transmitir a mensagem orgânica e hierarquizada. Ela se organiza em torno do Mistério da SS. Trindade numa perspectiva cristocêntrica. Depois, uma hierarquia de verdades. Algumas verdades se alicerçam sobre outras e por elas são iluminadas.
115. Todos os aspectos da mensagem participam desta dimensão orgânica:
1) História da Salvação - Jesus Cristo no centro.
2) Símbolo apostólico, síntese e chave de leitura de toda a Escritura e da doutrina da Igreja
3) Os Sacramentos ( Eucaristia central)
4) O amor a Deus e ao próximo (mensagem moral - mandamentos)
5) Pai Nosso - oração
Uma mensagem significativa para a pessoa humana
116. Jesus Cristo, imagem do Deus invisível, é também o homem perfeito. Nele se torna claro o mistério do homem. Ele viveu toda a experiência humana. A catequese procura colocar a pessoa humana em comunhão com Jesus Cristo, levando-a a pensar, agir e amar como Ele.
Consequências para a catequese
117. O anúncio do Evangelho se fará sempre em íntima conexão com a natureza humana e suas aspirações, mostrando como ele satisfaz plenamente o coração humano.
- Na catequese bíblica, interpretar a vida humana atual à luz das experiências vividas pelo Povo de Israel, por Jesus Cristo, pelas comunidades cristãs onde o Espírito do Cristo ressuscitado está presente.
- Símbolo: os grandes temas da fé como fonte de vida e luz para o ser humano
- Catequese moral (as bem-aventuranças)
- Catequese litúrgica, referentes às grandes experiências humanas.
Princípios metodológicos
118. Pode-se partir de Deus para chegar a Cristo e v.v. Partir do homem para chegar a Deus e v.v. Isto depende das circunstâncias.
- Procurar encontrar o método pedagógico mais apropriado às circunstâncias e aos destinatários.
2o Capítulo
Catecismo da Igreja Católica
119. A Igreja sempre se valeu de formulações da fé. Apresentou uma exposição orgânica da fé mediante um catecismo universal no Concílio de Trento, e agora apresenta o CaIC (11-10-92)
CaIC e DGC são dois instrumentos distintos e complementares.
CaIC é uma exposição da fé da Igreja.
120. DGC é um instrumento metodológico para a aplicação do CaIC.
O Catecismo da Igreja Católica
121. Sua finalidade: apresentar uma exposição orgânica e sintética dos conteúdos essenciais e fundamentais da doutrina católica, tanto sobre a fé como sobre a moral, à luz do Conc. Vat. II e do conjunto da Tradição da Igreja.
- O CaIC apresenta a única fé recebida dos apóstolos e está a serviço da comunhão eclesial.
- É norma para ensinamento da fé
- É ponto de referência também para os catecismos locais.
O gênero literário do CaIC.
124. Traços principais:
- é um catecismo; um texto oficial do Magistério da Igreja (Não apresenta interpretações particulares de determinadas escolas teológicas)
- É de caráter universal para toda a Igreja. Incorpora a doutrina do Vat. II e as interrogações religiosas e morais da nossa época.
O conteúdo do "depósito da fé" é a Palavra de Deus, conservada na Igreja.
125-126. O CaIC não é a única fonte de Catequese, porque não é superior à Palavra de Deus, mas a ela serve.
É uma interpretação desta Palavra em vista do anúncio e da transmissão do Evangelho.
Relação Sagrada Escritura - CaIC - Catequese
127. Em todo o ministério da Palavra, a Sagrada Escritura tem uma posição proeminente. A Catequese deve ser introdução à leitura da Sagrada Escritura "segundo o Espírito", lendo com o coração da Igreja (CaIC)
Relação Sagrada Escritura - CaIC.
128. São dois instrumentos fundamentais para a ação catequizadora.
A tradição dos Santos Padres e o CaIC
129. Junto com a Escritura há a Tradição da Igreja (Santos Padres).
Aspectos que merecem a atenção:
- O catecumenato batismal
- A progressiva e gradual concepção da formação cristã, em etapas. O catecúmeno, como o Povo de Israel, percorre um caminho para chegar à terra prometida: a identificação batismal com Cristo.
- Conteúdo da catequese segundo as etapas deste processo. Em meados do período da Quaresma havia entrega do Símbolo e do Pai Nosso. Celebração dos sacramentos da iniciação na Páscoa.
O CaIC leva à catequese a grande tradição dos catecismos :
130. A dimensão cognoscitiva. Não só adesão vital a Deus, mas também assentimento do intelecto e da vontade à verdade revelada. Os catecismos recordam a necessidade de um conhecimento orgânico da fé.
A educação da fé abraça diferentes dimensões: uma fé professada, celebrada, vivida e orada.
A tradição patrística e os catecismos confluem a sete elementos básicos:
- as três etapas da narração da HS (A.T. - Jesus Cristo - História da Igreja);
- as quatro colunas da exposição: Símbolo, sacramentos, decálogo e Pai Nosso.
Os catecismos nas Igrejas locais
A sua necessidade
131. Os catecismos locais devem levar em conta as diversas situações e culturas, mas deve-se preservar a unidade da fé e a fidelidade à doutrina católica.
- Devem ser elaborados e aprovados pelos bispos diocesanos ou pela Conferência dos Bispos.
- Devem comunicar o Evangelho de maneira acessível, a fim de que possa ser entendido como Boa Nova de Salvação.
Gênero literário de um catecismo local
132. São os traços principais:
- seu caráter oficial
- síntese orgânica e básica da fé
- que seja oferecido juntamente com a Sagrada Escritura(Este catecismo se dinstingue de outros trabalhos catequéticos como textos didáticos, guias para os catequistas etc.)
Os aspectos da adaptação num catecismo local
133. O catecismo local deve realizar as adaptações que são exigidas pelas diferenças de culturas, idades, vida espiritual, situações sociais e eclesiais.
- Deve apresentar a síntese da fé em referência à cultura, expressões originais de vida, de celebração e de pensamentos que são cristãos.
- Deve apresentar o mistério cristão conforme a psicologia e a mentalidade da idade do destinatário e em referência às experiências fundamentais da vida.
- Deve levar em conta o fato religioso numa determinada sociedade. (Diferente para um ambiente marcado pela indiferença religiosa ou para um contexto profundamente religioso).
- A relação "fé-ciência" deve ser tratada com muito cuidado.
- Outro fator importante é a situação econômica, política, familiar. Inspirando-se na doutrina social da Igreja, o catecismo deve oferecer critérios, motivações e linhas de ação.
- A situação concreta que a Igreja particular vive é o contexto obrigatório ao qual o catecismo deve referir-se.
A criatividade das Igrejas locais em relação à elaboração dos catecismos
134-135. Os catecismos podem ter caráter diocesano, regional ou nacional.
Pode haver diversas articulações, não sendo as do CaIC. Assim, pode haver uma configuração trinitária, as etapas da salvação, um tema (Aliança, Reino de Deus...) ou o Ano Litúrgico, etc.
Deve-se usar a linguagem compreendida pelos destinatários.
136. O CaIC e os catecismos locais, por sua profunda unidade e rica diversidade, são chamados a ser o fermento renovador da catequese na Igreja. Ao contemplá-los com olhar católico e universal, a Igreja, isto é, toda a comunidade dos discípulos de Cristo, poderá dizer verdadeiramente: "Este é a nossa fé, esta é a fé da Igreja".
Terceira Parte
A Pedagogia da Fé
A 3a parte do Diretório dedicada à "Pedagogia da Fé" tem como objetivo expor a pedagogia da fé, através do conjunto de questões que dizem respeito:
- a história da catequese quanto ao ato catequético;
- as suas fontes;
- seus métodos;
- seus destinatários e
- ao processo de inculturação.
1o Capítulo
A pedagogia de Deus, fonte e modelo da pedagogia da fé
A pedagogia de Deus
139. A pedagogia de Deus educa para a vida. Deus corrige seus filhos como um pai misericordioso, um mestre, um sábio, assumindo a pessoa, indivíduo e comunidade na condição em que se encontra. Deus atrai a si, com vínculos de amor, fazendo que a pessoa cresça progressivamente até a maturidade de filho livre, fiel e obediente à sua palavra. Como educador, Deus transforma os acontecimentos da vida de seu povo em lições de sabedoria. Confia a este povo a instrução e a catequese que são transmitidas de geração em geração.
Dá a todos o dom do Espírito Santo.
A tarefa do catequista é fazer a pessoa se encontrar com Deus para que ela se deixe guiar por Ele.
A pedagogia de Cristo
140. O Cristo veio em missão evangelizadora - dom da salvação, missão de redentor. Sua pedagogia foi a de continuar a pedagogia de Deus.
Os discípulos fizeram a experiência direta das diretrizes fundamentais da pedagogia de Jesus, como educador, Ele realiza:
- o acolhimento do outro (principalmente pobres, crianças, pecadores);
- a anúncio da Boa Nova do Reino de Deus;
- um estilo de amor delicado e forte, que promove a vida;
- fez convite premente à uma conduta amparada na fé em Deus;
- empregou todos os recursos da comunicação interpessoal: a palavra, o silêncio, a metáfora, a imagem, o exemplo e sinais, como os profetas.
Cristo entrega a sua pedagogia de fé aos discípulos.
A pedagogia da Igreja
141. A Igreja como sacramento de Cristo, como mãe e educadora da fé, viveu a pedagogia do Pai e do Filho.
Por isso, podemos dizer que a comunidade cristã é uma catequese viva.
A Igreja anuncia, celebra e age, sempre permanecendo como lugar principal e indispensável da catequese.
A Igreja sempre produziu a pedagogia da fé pelo testemunho de catequistas e de santos.
Teve uma variedade de caminhos: formas de comunicação religiosa, como catecumenato, catecismos, itinerários de vida cristã, preciosos ensinamentos catequéticos (cultura da fé, instituições e serviços da catequese). Tudo isto entra na história da catequese.
A pedagogia divina, ação do Espírito Santo em todo cristão
142. Na escola da Palavra de Deus acolhida na Igreja, pela ação do Espírito Santo, o discípulo cresce "em sabedoria, estatura e em graça..."(Lc 2,52).
É ajudado a desenvolver a educação divina recebida na catequese com os recursos da ciência e da experiência.
A pedagogia de Deus é realizada quando o discípulo atinge "o estado de Homem Perfeito, à medida da estatura de Cristo" (Ef 4,13).
Pedagogia divina e catequese
143. A catequese é uma pedagogia:
- inserida no diálogo da salvação entre Deus e a pessoa;
- que respeita a liberdade;
- que destaca a iniciativa divina e a motivação amorosa;
- que aceita o princípio da progressividade da Revelação;
- aceita os aspectos misteriosos de Deus;
- reconhece a centralidade de Jesus determinando a pedagogia da encarnação;
- faz próprio o processo de diálogo através das relações inter-pessoais;
- faz uma pedagogia de sinais, fatos e palavras, ensinamentos e experiências;
- recebe a força de verdade e a motivação para dar testemunho do amor de Deus.
A catequese, como processo, segue Cristo, no Espírito, rumo ao Pai.
Pedagogia original da fé
144. Ao realizar as suas tarefas a catequese não pode:
- deixar-se inspirar por considerações ideológicas;
- deixar ser levada por interesses puramente humanos;
- confundir o agir salvífico de Deus com o agir pedagógico do homem;
Os objetivos precisos que inspiram a catequese a fazer as suas escolhas metodológicas são:
- promover uma síntese coerente e progressiva entre a adesão do homem a Deus e os conteúdos da mensagem cristã;
- desenvolver todas as dimensões da fé conhecida, celebrada, vivida e rezada;
- impulsionar a pessoa para se entregar livre e totalmente a Deus (inteligência, vontade e memória);
- ajudar a pessoa humana a discernir a vocação a qual o Senhor a chama.
Fidelidade a Deus e fidelidade à pessoa
145. A pedagogia da fé recebe de Jesus Cristo a lei da fidelidade a Deus e ao Homem, numa atitude de amor.
Será perfeita a catequese aquela que ajuda a perceber a ação de Deus ao longo do caminho da formação, favorecendo um clima de escuta, de ação de graças e de oração e promovendo a participação ativa dos catequizandos.
A "condescendência de Deus", escola para a pessoa
146. Deus fala aos homens como amigos, por isso a sua pedagogia adapta-se à condição humana.
A catequese tem a tarefa permanente de encontrar uma linguagem capaz de comunicar a Palavra de Deus e o Credo da Igreja, nas diversas condições dos ouvintes.
Tem a alegria de fazer esta tarefa pela certeza da graça do Espírito de Deus.
Evangelizar educando e educar evangelizando
147. O catequista ajuda a pessoa a se abrir na dimensão religiosa da vida e, ao mesmo tempo, propõe o Evangelho para que a pessoa penetre e transforme os processos de inteligência, de consciência de liberdade e de ação, pelo dom de si a exemplo de Jesus Cristo.
2o Capítulo
Elementos de metodologia
A diversidade de métodos na catequese
148. A Igreja não possue um método próprio na transmissão da fé, vale-se da variedade metodológica contemporânea. Inspira-se na pedagogia de Deus, respeitando as diferenças e a liberdade de espírito.
O objetivo da metodologia catequética é a educação da fé.
Utiliza-se das ciências pedagógicas e da comunicação ampliadas à catequese.
A relação conteúdo-método na catequese
149. O método está a serviço da revelação e da conversão.
O conteúdo da catequese exige um processo de transmissão adequado à mensagem, às fontes, linguagem e à realidade da comunidade eclesial.
Merecem ser recordados os métodos de leitura bíblica, a pedagogia dos documentos da fé, do símbolo; os sinais litúrgicos e eclesiais e o método dos meios de comunicação.
O uso de um bom método garante a fidelidade ao conteúdo.
Método indutivo e dedutivo
150. Os métodos conhecidos, na história da catequese, classificam-se em: método indutivo e dedutivo.
O Método Indutivo apresenta os fatos com objetivo de discernir o significado que podem ter na revelação divina. Tais fatos podem surgir em eventos bíblicos, ato litúrgico, na vida cotidiana, etc.
É um caminho que oferece grandes vantagens. Faz chegar ao conhecimento das coisas inteligíveis através das coisas visíveis.
O Método dedutivo aplica e descreve os fatos a partir de suas causas. Tem o seu valor dentro do processo indutivo. Por isso, o método indutivo não exclui o método dedutivo.
A experiência humana na catequese
152. A experiência humana desempenha diversas funções na catequese, por isso precisa ser continuamente e devidamente valorizada, pois:
- faz nascer no homem interesses, interrogações, esperanças, ansiedades e reflexões no desejo de transformar a existência;
- esta experiência favorece o entendimento da mensagem cristã;