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SÃO LEOPOLDO MANDIC Nasceu em 12 de maio de 1866 em Castelnovo (Herzegnovi), à Boca de Cataro, uma vez terra turca, (em 1538) e veneziana (em 1687), e austríaca (em 1814) e atualmente terra yugoslava desde 1919. Materialmente falando, podemos dizer que sua família era pobre, (o palácio que possuiam vinha de seus antepassados), mas era, todavia, uma família rica de vida cristã (doze filhos e ele era o último). Aquela grandeza de coração será de fato, a sua herança. Certa vez, ele jogava com seus colegas na pequena praia, à frente da casa; faziam aposta de patacões. Um deles, à força de perder restou sem nenhum, ficou com raiva e disse um palavrão. Ele tirou do bolso todos os seus patacões de àquele de pouca sorte no jogo dizendo-lhe: "São todos teus se prometeres que nunca mais dirás palavrões". Deu-lhe todos aqueles que havia e, se abraçando firmaram um pacto. Um belo início este: é necessário ser
disponível a sacrificar qualquer A PRIMEIRA AMIZADE Quando nasceu, era tão magrinho e raquítico que só depois de um mês puderam batizá-lo com o nome de Bogsan, que significa "Dom de Deus". Um nome oportuníssimo. O batismo é o ato no qual nos tornamos filhos de Deus e, como nos chamará Cristo - seus amigos. Para Bogdan, aquela será sempre a sua primeira amizade e a essa todas as outras serão subordinadas. Daquele momento, então, como deveria ser para todo bom cristão , ele amou Deus em todos e acima de todos, e amou todos em Deus. É um modo de enriquecer vida e coração. Aquela amizade na qual Deus não entra é incompleta e passageira. E aquela amizade da qual Deus é excluído pode tornar-se cumplicidade. FRADE E SACERDOTE É fácil sonhar, mas difícil é realizar os sonhos. Bogdan partiu para o seminário de Udine e de lá, dois anos depois (1884) para o convento de Bassano del Grappa para fazer o noviciado. Uma vida que outros, mesmo sendo mais santo e mais forte do que ele, a julgaria insuportável, ou até mesmo loucura.. Ele, então frei Leopoldo, enfrentou-a com coragem. Depois do noviciado ele retornou aos estudos com um empenho que lhe podia vir somente de um ideal e de um propósito especial. Chegou ao sacerdócio em 20 de setembro de 1890, a Veneza. Não pode nem ao menos ir à Castelnovo para celebrar ali, entre os seus, a sua primeira missa solene. Para substituí-lo lhes mandou a sua fotografia. E se impunha ainda mais as renúncias. Daquele dia então, tinha em mão, para os amigos que seguramente viria a fazer um instrumento de valor imenso; - o poder de perdoar os pecados, isto é, o poder de liberá-los do maior mal que o homem possa fazer a si próprio ou seja; aquele de distanciar-se de Deus, com o perigo de restar separado dEle para sempre. Por esta razão, ser ligado no estado religiosos e sacerdotal lhe parecia ainda pouco, para uma missão de tanta responsabilidade. Amizade se mede sobre a necessidade dos outros e não sobre a própria comodidade. AMIZADE SILENCIOSA Demorou alguns anos em Veneza, como confessor, depois foi enviado em diversos conventos da província religiosa. Passou por Zara, Bassano del Grappa, Capodístria e Thiene. Os superiores sabiam que dele podiam dispor livremente, e ele, não obstante o seu grande sonho, o qual veremos, aceitava ser transferido como bem lhes parecia justo. Que importava! Entanto o bem ele podia fazer sempre e em qualquer lugar, ele podia sobretudo confessar e fazer, pela graça do sacramento, retornarem amigos de Deus e os homens. Mas naquela corrente de amizade ele também era preso. Seus penitentes logo se acostumavam a considerá-lo mais um amigo que um juiz. Lamentavam quando ele era transferido e, mesmo depois de anos, lhe escreviam, se não podiam ir a visitá-lo. E ele respondia à correspondência roubando horas do sono ou do seu muito trabalho. A verdadeira amizade não é rumorosa nem canta a voz alta suas próprias maravilhas e obras. Essa é um plácido rio que traz vida a um vale silencioso, e não uma torrente que cai impetuosa entre massa de volumes desconexos, levando consigo a pouca vida que ali cresce ou cresceria. AMIZADE GENEROSA Padre Leopoldo atraia amigos com a sua assiduidade e mais ainda com a sua bondade. Uma bondade exagerada segundo alguns que assim chegaram a defini-la. Nesses casos, ele indicava o crucifixo e dizia: "E Ele então? Ele chegou a morrer pelas almas!" E se encorajava a ser mais ainda rico de bondade e de coração para com seus penitentes amigos, mesmo com prejuízo para sua já fraca saúde. Uma amizade que procura a sua própria comodidade às custas dos amigos porta o nome errado: deveria chamar-se egoísmo. OS PATRÕES ABENÇOADOS Além dos penitentes, padre Leopoldo sabia de encontrar em cada convento o altar do Santíssimo e àquele de nossa Senhora. Eram os seus preferidos para as visitas e as orações. Pois é belo haver amigos na terra, mas é consolador saber tê-los no céu. Padre Leopoldo tinha assim muitos santos, começando de são Francisco, com os quais se sentia particularmente em obrigação: mas, acima de todos estavam naturalmente a Virgem santíssima e, infinitamente mais alto, Deus. Esse era para ele "o Patrão Abençoado" e Nossa Senhora era "a Patroa Abençoada". Pelo "Patrão" enfrentava tudo. Dizia : "se Ele quer assim, então está bem" ! Contava até com as penas interiores e exteriores, as renúncias, a cruz que Jesus se dignava de dividir um pouquinho com ele. E valia a pena de procurar para "o Patrão Abençoado", tantos amigos, quantos eram os seus penitentes, isto é, o mais possível. Quanto à "Patroa", o seu confessionário podia ser pobre e frio, mas ele fazia o possível para que a imagem dela fosse sempre adornada de flor natural. A ela fazia oração sem interrupção e lhe confiava os casos mais difíceis, seus ou de penitentes-amigos. Até mesmo, chegava a escrever-lhe bilhetinhos que se poderia dizer de uma criança, se não o soubéssemos de um santo; tanto eram cândidos e afetuosos. Deve ser lindíssimo viver naquele clima espiritual, naquela atmosfera etérea, tecida de santidade e de graça e de amizades exaltantes. Dessa, os amigos terrenos não perderiam nada, pelo contrário, "lá em cima", o bom oxigênio nós o retiraríamos para eles também que, em amar-nos e no serem amados se sentiriam em comunhão com Deus e com suas criaturas mais eleitas. O SEU SONHO A entrar na vida religiosa e sacerdotal , Bogdan foi animado de um sonho especial: ser missionário um dia na sua terra, rica de história, mas sobretudo rica de contrastes religiosos. Que linda missão: fazer retornar à Igreja Católica quantos se separaram dela . Mas aquele sonho não se realizou na forma que ele se propôs. Como se poderia mandar à dura vida de missão, uma criaturinha assim tão frágil ? Para abreviar-lhe a vida? Quando foi a Capodístria e a Zara, pensou que ... ainda um passo... E a esse respeito pensou também a Fiume, aonde foi transferido em 1923, mas para, dali, súbito ser chamado pelo afeto dos paduanos, antes mesmo que dos superiores. Dar-se então por vencido? O amor não é menos operoso que a inteligência, e padre Leopoldo encontrou o seu modo de ser missionário, ele que, como dizia, se sentia um pássaro na gaiola e com o coração além-do-mar, Cada penitente que entrava na cela-confessionário, vinha invisivelmente acompanhado. Padre Leopoldo escutava-o e lhe dava a absolvição, mas sempre oferecendo tudo em beneficio de um dos seus orientais. E por eles rezava e oferecia a missa, quando podia. Chegou a fazer, desta atividade escondida, um voto, o qual renovava continuamente. Quanto dos nossos propósitos e projetos se evaporam em nossas vidas, até mesmo, aqueles concebidos para o bem dos amigos! Mas se evapora, mesmo, se, para o bem deles, opera em segredo aquele amigo comum, a quem nós rezamos por eles? ATÉ O FINAL Em 1909 padre Leopoldo foi mandado à Pádua. Permanecer ali até à morte, com exclusão de um período de internamento durante a grande guerra e da mencionada breve parêntese de Fiume. E Pádua súbito lhe deu muito trabalho, isto é, muitos amigos a quem prestar a sua obra de confessor. Eram pessoas de todas as classes sociais: ricos e pobres, doutos e ignorantes, almas boas, necessitadas apenas de uma conselho e almas enlameadas até o pescoço. E ele tinha para cada um a palavra adequada, habitualmente branda e insubstituível para a circunstância. Era um exercício contínuo de amor para com Deus e para com as almas. Na verdade, ele não era convencido de oferecer muito, exceto o valor do sacramento, no qual era Deus a conceder o perdão. Ele dizia que eram eles, em vez, os amigos-penitentes, a dar-lhes ocasião de fazer um pouquinho de bem para desconto dos seus pecados, e a ocasião de fazer-lhes ganhar, juntos, o pão que comia no convento, e o lugarzinho que o "o Patrão" lhe daria no céu. É mesmo a verdadeira amizade, na qual se dá e se recebe com naturalidade, sem calcular demais. Com o tampo chegaram a padre Leopoldo achaques vários e se tornou doente, mas ele dava pouca ou nenhuma importância à doença; as almas dos penitentes-amigos valiam mais do que a sua pele. Mesmo reduzido a uma cela de enfermaria, ele continuava a receber ali os seus penitentes onde confessou umas cinqüenta pessoas na vigília da sua morte. SUA SALETINHA A chamar de "saleta" o confessionário de padre Leopoldo foi um dos seus penitentes. Denominou-a assim: "saleta da cortesia" - "Venha, senhor, venha!" dizia o confessor se percebia qualquer hesitação nos menos habituados com o sacramento da reconciliação. Aos desorientados, que nem mesmo sabiam como comporta-se: "Venha, senhor, esteja à vontade!" Aconteceu que um sentou-se na pequena poltrona em vez de ajoelhar-se no genuflexório. E ele, padre Leopoldo, para não humilhá-lo, escutou a confissão ajoelhado. A gentileza continuava até o final do colóquio. Geralmente ele lançava o convite: "Retorne, senhor, retorne, pois nos tornaremos amigos"! NÃO FOI EMBORA DE TUDO Padre Leopoldo morreu à 30 de julho de 1942, às sete horas da manhã. Estava se vestindo para celebrar a missa, à qual não renunciava nem mesmo naquelas condições. Um colapso o surpreendeu e se repetiu a pouca distância. Expirou pronunciando as últimas palavras da salve rainha: sua saudação extrema à "Patroa". A notícia se divulgou súbito e muitíssimas pessoas puderam visitar o féretro . Os funerais foram um triunfo. O seu túmulo no cemitério civil foi meta de muitas visitas e de tanta veneração, até quando o corpo foi transferido para uma capela - fúnebre a ele dedicada e construída junto à sua cela - confessionário. Quando o corpo foi reconhecido para as exigências do processo de beatificação, se encontrou intacto e, completamente incorrupto, repousa ainda hoje no seu túmulo - capela. Nem mesmo o seu confessionário foi destruído. Como ele havia previsto e prenunciado, esse permaneceu incólume, entre as ruínas de um furioso bombardeamento (14 de maio de 1944) , para recordar a imensa bondade que Nosso Senhor ali demonstrou, em perdoar tantos pecados e no reatar amizade e graça com tantas almas que se tinham distanciado dEle. Nós podemos acrescentar ainda, que aquela cela - confessionário permanece intacta para testemunhar o longo e árduo trabalho de padre Leopoldo, que, daquelas amizades reabilitadas, era ele o instrumento eficaz. UM AMIGO POBRE DA MÃO DE OURO Aos seus amigos, enquanto era vivo, padre Leopoldo não podia certamente oferecer, ao menos, ajudas materiais. Como recordam os objetos pessoais conservados e expostos, ele mesmo era um fervoroso discípulo da "Dama Pobreza". Pois, se os amigos lhe presenteavam qualquer coisa, ele não as conservava para si; existiam os pobres fora do convento, e doentes, mesmo no convento, aos quais essas ofertas eram mais necessárias. Agora não é mais assim. São Leopoldo é invocado para as graças espirituais, mas muito ( e talvez ainda mais) para as graças materiais. O importante é que não de importunem nossos amigos celestes somente para a saúde e moeda, esquecendo os valores mais altos. Talvez, também nós tenhamos qualquer amigo "da mão de ouro", ou seja, aquele que, sem nos poder das grandes coisas, sabe fazer um pouco de tudo e nos ajuda com boa-vontade, com obras e conselhos. A "mão de ouro" do padre Leopoldo era aquela de um amigo especialmente do espírito, pois, por mais de meio século ela se levantou inúmeras vezes para abençoar e absolver. E naquela posição - escarnada e marcada de artrite, mas incorrupta - aquela mão é atualmente conservada e venerada num preciosíssimo relicário. AMIGOS DE TODO O GÊNERO Os amigos-penitentes de padre Leopoldo eram de todo gênero: depois de um professor de universidade, todo às pressas, podia entrar um cabloco ou ignorante, ao qual precisava repetir as coisas mais uma vez. Depois do rapazinho com suas mentiras e seus caprichos, eis que se apresenta o velho que, vendo-se próximo ao julgamento de Deus, vinha invocar dele a misericórdia. E depois do monsenhor: ("umas orações distraídas, padre, e umas palavras que era melhor não dizer!") , vinha o pecador eclético: "De tudo, padre, exceto matar ou roubar.... ao menos diretamente". Até hoje, são Leopoldo tem devotos amigos de
todas as classes sociais. Muitos, quando podem, vêm visitar o
seu túmulo e o confessionário (como fez o Papa, em 12 de
setembro de 1982), e ali deixam a lembrança da sua passagem
registrada em um grosso volume à disposição de todos na Atualmente, aqueles volumes são além de trezentos e há assinatura de pessoas das mais diversas proveniências. Pego uma página, mesmo ao acaso, e eis, entre tantas, a assinatura de um cardeal, o muito obrigado de um jornalista de Paris, a súplica de uma senhora vinda das Filipinas. São amigáveis convites à santidade dirigidos a todos, mesmo se em nós custa tanto esforço para manifestar-se, enquanto que, naquelas almas eleitas a santidade já alçou o vôo. A GLORIFICAÇÃO Entre os seus filhos, para aqueles que são
ótimos, a Igreja reserva - Ele foi declarado beato, em 02 de maio de 1976, pelo papa Paulo VI, e proclamado santo, em 16 de outubro de 1983, pelo papa João Paulo II. Com estes atos, a Igreja declara que se trata de um fiel que, com certeza, chegou à glória eterna, e que, portanto, pode ser proposto a nós, como exemplo de vida e como intercessor de graças. Tal é agora padre Leopoldo, ou seja, para a Igreja é "são Leopoldo Mandic, sacerdote e confessor". Este último termo não designa que ele exerceu o ministério das confissões, mas que, aqui, ele professou, heroicamente, a fé cristã, mesmo sem sofrer o martírio. SANTO E AMIGO E agora que podemos ainda considerá-lo amigo? Não precisa preocupar-se o próprio Deus se declara amigo dos melhores e Cristo disse aos seus: "Eu não vos chamo servos, mas amigo". Veneração e amizade não se excluem. Os santos também de sentem nossos amigos. Nós pertencemos ao mesmo destino de glória deles. De fato, nós beijamos com veneração as imagens e as relíquias , e o beijo é típico sinal de amor e de amizade. A esse respeito, não fazem problemas as crianças da "Piccola casa de padre Leopoldo", as quais são felizes de terem uma estátua dele , próprio local dos seus jogos e recreios . Para essas crianças, como para tantas outras, padre Leopoldo, embora se tornado são Leopoldo, ele continua a ser o "avô", cujo amor vem correspondido escutando as sugestões dele e invocando a sua bondade. Por ser amizade, talvez, também a nossa devoção aos santos necessita de simplicidade e de humildade, mais que de complicações em palavras e gestos. Leo Lazzarotto "Eu me admiro,
em todos os momentos, como o homem possa por em risco a salvação de sua alma
por motivos absolutamente fúteis e frívolos" |