A PROMESSA DO PRIMADO

Estudo baseado em Mt. 16,13 - 20 (Mc. 8,27 - 30; Lc. 9,18 - 22)

16,13 - "Chegando Jesus à região de Cesaréia de Felipe, interrogou os seus discípulos: 'Quem dizem os homens ser o Filho do homem?"

16,14 - "Responderam-lhe: 'Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias, ou um dos profetas"

16,15 - 16 - "Perguntou-lhes ele: 'E vós, quem dizeis que eu sou?'. Simão Pedro respondeu: 'Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo"

16,17 - "Respondeu-lhe Jesus: 'Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, pois não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus"

16,18 - "'E também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela"

16,19 - "'Eu te darei as chaves do reino dos céus; tudo o que ligares na terra, será ligado nos céus; e tudo o que desligares na terra, será desligado nos céus"

A AUTENTICIDADE DE MT 16,13 - 20

A interpretação que acabamos de expor desta importante seção é a única aceitável sob qualquer aspecto que se considere.

As antigas interpretações protestantes hoje estão condenadas ao esquecimento - e com razão - pois violentam as palavras do texto e se fundam em preconceitos dogmáticos sobre a Igreja católica. Porém, já que a interpretação católica se impõe a todo espírito que com serenidade analise o texto, os racionalistas e protestantes de nossos dias tentam encontrar outra maneira de combater a doutrina ensinada nestes versículos: dizem que se trata de uma interpolação feita mais tarde no texto evangélico.

Alguns afirmam que os versículos 17 - 19 foram interpolados no evangelho pela Igreja romano ao final do séc. II, ou já entre os anos 110 - 120, ou também no tempo de Adriano (117 - 138). Harnack crê que foram interpoladas apenas as palavras "e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja", de forma que o texto original diria: "e as portas do inferno não te vencerão"; assim, por tais palavras, era prometida a imortalidade a Pedro. Estas afirmações estão contra todos os códices e versões antiqüíssimas dos autores mais antigos da cristandade, que unanimemente lêem o texto como sempre o leu a Igreja. Finalmente, o fortíssimo colorido semítico que possuem estes versículos descaracterizam uma origem romana, como afirmam estes críticos.

Outros autores não têm dificuldades em admitir que efetivamente estas palavras foram escritas por Mateus, porém, afirmam que não foram ditas por Cristo. Na verdade, elas refletiriam o conceito de que a Igreja primitiva de Jerusalém se formou a partir de Pedro, bem como sua relação com ela. Com efeito, Pedro - que foi o primeiro a ver Cristo ressuscitado (1 Cor 15,5) e o primeiro a pregar a ressurreição (At. 2,14 ss.) - teria, desde o princípio, um lugar privilegiado na mente dos primeiros cristãos, sendo considerado chefe de toda a comunidade. Esta concepção teria sido formada por São Mateus, colocando na boca de Cristo as palavras dirigidas a são Pedro nestes versículos.

Ora, esta teoria, como se vê, torna duvidosa a probidade e a fidelidade histórica de Mateus, e se baseia em princípios apriorísticos e em hipóteses arbitrárias como é, principalmente, supor sem qualquer motivo uma evolução dos atos e palavras de Cristo ao final de alguns anos, quando ainda viviam testemunhas oculares dos acontecimentos. Supõe ainda, falsamente, que a origem e o progresso da religião e doutrina cristã estava ao arbítrio da fantasia popular e, finalmente, desconsiderando o verdadeiro conceito e valor da tradição apostólica.

Severiano del Páramo (sj) - fonte: Biblioteca de Autores Cristãos
tradução: Carlos Martins Nabeto

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