EVANGELHO SEGUNDO MATEUS
Tem traços de grande arcaísmo mas tem traços muito bem retocados. È o texto de Jesus novo Moisés, é o texto mais eclesiástico e o texto judaizante.
1. A figura de Mateus.
O nome Matanaía está ligado ao verbo Natádar. Mateus, portanto, significa Adeodato.
Era publicano, cobrador de impostos. Era afeito às Escrituras
(Mt 9,9-13; 10,3) era filho de Alfeu (Mc 2,14). Não era irmão de Tiago, filho de
Alfeu, que aparece em Mc 3,18. Esse Tiago era um dos primos do Senhor, mas Mt
não é dito também. Por isso, são filhos de famílias diferentes.
A tradição diz que depois da Ascensão foi para a Etiópia e levava vida austera.
2. Mateus = autor do 1º Evangelho
Nós o sabemos pelo testemunho da Tradição. A principal é o de
Pápias, ano 130. Escreveu em aramaico atendendo à evangelização local. Como era
aramaico teve que ter traduções para outras línguas: daí temos o texto em grego.
Logo, é melhor falar em Escola de Mt.
Temos 4 textos do catálogo dos apóstolos nos evangelistas e At:
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Mt 10,2-4 |
Mc 3,16-19 |
Lc 6,14-16;At 1, 13 |
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Pedro, André, |
Pedro, Tiago, |
Pedro, André, |
Há uma inversão no Evangelho de Mt nos nomes de Tomé e Mateus em relação aos
outros.
Mt oferece uma janta a Jesus:
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Mt 9, 10 |
Mc 2, 15-17 |
Lc 5, 29-32 |
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Em casa |
em casa de Levi |
Levi em sua casa |
Veja quando diz que foi na casa em Mt e não na casa de Levi.
O pagamento do imposto: Mc 12,15; Mt 22,19
Em Mt supõe mais finura
O Evangelho de Mt parece supor um autor judeu. É antifarisaíco, conhece bem o
mundo farisaico.
A Tradição diz que Mt é o autor pela sua escola que retocou o texto para
adaptá-lo à pregação.
Mt é enciclopédico, sistemático e catequético.
Quando foi traduzido para o grego?
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Lc 14, 16-20: Ceia Nupcial |
Mt 22, 1-14: Ceia Nupcial |
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Convidados recusam |
Convidados recusam, |
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São chamados os vadios |
São chamados os vadios |
Em Mt há dois acréscimos: Mt mostra qual é a sorte dos que
recusaram - parece um enxerto "post factum" de cerca de 70 dC.
O homem sem veste: parece que havia uma outra parábola que
foi assumida, unida e só ficou o final.
Isto é um indício de que o texto é posterior a 70 dC.
provavelmente 80 dC.
Também pode-se citar
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Mc 11,17 |
Mt 21,13 |
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Casa de oração para todos os povos |
Casa de oração |
Só diz casa de oração porque o templo estava destruído.
3. Características literárias e doutrinárias de Mt.
Traços característicos de Mt.
O texto arredonda as arestas de Mc.
1) Evangelho sistemático por excelência.
Mt não é dado ao pitoresco, ele é seco. Seu texto tem 5 pilastras que são
sermões:
Mt 5-7: Sermão da Montanha. A magna carta do Reino de Deus.
Mt 7,12 a regra de ouro. O habitual é a forma negativa: "Não faças". Mt usa a
forma positiva: " Faça".
Após esta magna carta seguem-se 10 milagres nos capítulos 8 - 9 para mostrar que
Cristo tem poder para mudar e fazer as coisas. Mostra o poder do novo
legislador.
Mt 10: Sermão Missionário
Mt 13: Sermão das Parábolas do Reino
Mt 18: Sermão Comunitário
Mt 24 s: Sermão Escatológico.
Mt 24 é dito o Apocalipse de Mt, é um clichê literário para
falar da vinda de Deus.
Mt 24,1-44 Sermão Escatológico.
Mt 24,45-25,30
Mt tem 5 pilastras lembra a Torá com os 5 livros do
Pentateuco, e Mt teria feito uma réplica. 5 pilastras da nova lei e os 5 da
antiga lei.
Também há 5 rolos litúrgicos na Liturgia dos Judeus: Ct - Páscoa; Rt -
Pentecostes; Ecle - Tabernáculo; Rt - Purim; Lm - Quedajer
Por esta colocação dos 5 Sermões em Mt, Jesus aparece como o Novo Moisés.
Genealogia de Jesus Mt 1,1-17: dá 42 gerações.
De Abraão à Davi - 14 gerações;
de Davi ao exílio - 14 gerações;
do exílio a Jesus - 14 gerações = 42 gerações.
Isto porque 14 corresponde a soma das letras do nome Davi:
DVD = 14 isto é: Jesus é três vezes Davi. Esse tipo de redação é dita midraxe, é
a história mostrada com fim catequético. Jesus é três vezes porque vem no fim
das três.
A genealogia em Mt é diferente da que Lc mostra, não há
coincidência de nomes. Em Mt Jesus é filho de Abraão e Davi por conseguinte é
irmão de todos os filhos desses, em conseqüência os pagãos não são seus irmãos.
Em Lc a linha é ascendente, parte de Jesus e vai a Deus, assim todos os filhos
de Adão são irmãos de Jesus. Em Mt se limita a lingua-gem de Abraão e Davi.
Contudo em Mt aparecem 4 mulheres, não por acaso, pois não é do estilo
genealógico por o nome da mulher.
Mt 1,3 = Tamar (Gn 38,6-26)
Mt 1,5 = Raab e Rute
Mt 1,6 = Betsabé (2Sm 11)
Isso também dá a idéia da universalidade porque Jesus também tem sangue de estrangeiros e judeus, santos e pecadores.
Mt não enfeita muito a notícia: ele vai direto. Isso
empobrece seu Evangelho:
Mc 5,22-23.35 --> Mt 9, 18
Lc 7,3.6 --> Mt 8, 5
Lc 23,39-40 --> Mt 27, 44
Mt geralmente simplifica, os outros são mais explicados.
Mt = O evangelista dos judeus (judeus - cristãos), isto é judeus convertidos.
Há um número grande de profetas em Mt de 19-22; em Mc 5 e em Lc 8.
As profecias: Mt 1-4 = 7 profecias: Mt 1,22-23 --> Is 7, 14; Mt 2, 5-6 --> Mq 5,2; Mt 2, 15 --> Os 11,1; Mt 2,17-18 --> Jr 31, 15; Mt 2, 23 --> Is 11,1; 53,2; Mt 3,3 --> Is 40,3; Mt 4,14-16 --> Is 8,23- 9,1.
Vida Pública: Mt 5-25 = 9 profecias: Mt 8,17 --> Is 53,4; Mt 11,10 --> Ml 3,1; Mt 12,17-21 --> Is 42,1-4; 41,9; Mt 13,14-15 --> Is 6,9-10; Mt 13, 35 --> Sl 78,2; Mt 21,4-5 --> Zc 9,9; Is 62,11; Mt 21,16 --> Sl 8,3; Mt 21,42 à Sl 118,22; Mt 15,8 --> Is 29,13
Paixão e glorificação: Mt 26-28 = 7 profecias: Mt 26,23 --> Sl 41,10; Mt 26,31 --> Zc 13,7; Mt 26,54-56 --> As Escrituras; Mt 27,9-10 --> Jr 32,6-10; Mt 27,35 --> Sl 22,19; Mt 27,39 --> Sb 2,13.18-20; Mt 27,46 --> Sl 22,2.
Tudo isso mostra que o judaísmo desabrocha no Evangelho. Está impregnado. As vezes o texto da profecia influencia a redação do Evangelho. Quer mostrar uma certa comunidade.
Mc 11,2-7; Lc 19,29-35; Jo 12, 14-15 --> Mt 21,2-7 à Zc 9,9-18
Em Mt são dois animais por causa da profecia. A influência da
profecia é grande no Evangelho. Se vê coisa análoga em Mc 15,23 com Mt 27,34. Mt
troca mirra por fel para citar o Sl 69,22.
Em outros casos dá-se o inverso o texto da profecia, que é
adaptado para pô-lo no Evangelho: Mt 2,15 --> Os 11,1; Mt 2,18 --> Jr 31, 13.
Isso tudo mostra a intenção do evangelista que difere da casuística e é catequética. Em Mt também aparece o privilégio dos judeus, que é o fato de serem os primeiros destina-tários do Evangelho. O judeu é filho da casa, descende do povo Messiânico - Rm 1,16. Em Mt isso fica claro em Mt 15,24; já em Mc 7,27 o privilégio não é tanto: compare Mt 10,5-6 com Mc 6,7-9 e Lc 9,1-3. Mt por outro lado não ajuda os judeus: Mt 3,7-10; 5,20.
3) Mt = Evangelho da Igreja.
Desenvolve uma certa eclesiologia. A própria palavra
"ekklesia" só aparece em Mt 16,18 e 18,17.
Mt também é o único que tem a promessa do primado de Pedro.
Mt 16,16-19 em Mc não tem porque Marcos esconde o que é honroso a Pedro. Lc
segue Mc.
O episódio dos magos, levado para o folclore o que é
altamente teológico: Mt 2,1-12: Este episódio é tido como midráxico. A estrela
foi sinal mental, interior. Os demais traços da história são confirmados pela
história profana.
Todo reinado de Herodes é assinalado por onda de sangue, a muitos mandou matar.
E manda matar em Belém todas as crianças de 2 anos para baixo.
Mt é escrito no estilo midráxico é a história adaptada à
catequese.
Neste episódio Mt queria fazer a contraposição entre Jesus e
Moisés. Moisés é o herói da Tradição Judaica, é o patriarca da Torá. Assim como
o faraó quis matar os filhos dos Hebreus, Herodes também manda, Moisés e Jesus
escapam. Há certo paralelismo e há também certas diferenças.
Isso corrobora a impressão que Mt quer pôr Jesus sobre
Moisés, fazendo o paralelo entre um e outro. Mt 5-7 o sermão da montanha é a
magna carta como a Torá. Em Mt 5,21-46 há 6 antíteses entre o que Moisés
escreveu e o que Cristo "reformulou".
Mt trata os apóstolos com brandura Mt 13,16s.51s.
Mc é rude, não tem retoque Mc 4,13 não trata com brandura. Em Mt é a mãe que pede Mc 10,32-35. Mt tem a idéia de apóstolos como colunas da Igreja.
4. Textos Seletos
A parábola dos operários da vinha Mt 20,1-16 é um texto que
se situa após assuntos importantes em 19,16 temos um jovem que vai a Jesus que
recua triste, a seguir vem a advertência do rico entrar no céu; Pedro pergunta
"e aos apóstolos", Jesus diz que terá sua recompensa.
A parábola se situa com este ramo de fundo do capítulo 19.
6 horas: 1 Denário
9 h: "O que for justo"
12 h; 15 h; 17 h: Não há estipulação de contrato
O patrão começa a pagar pelos últimos e paga 12 h de trabalho
a esses e os primei-ros pensam que não vão ganhar melhor. Mas o patrão paga o
que é justo.
A linha central da parábola: uma turma é paga em estrita
justiça; as quatro outras são pagas com justiça e com gratuidade. A aplicação é
a seguinte: Patrão = Deus.
Operários = Homens isto mostra que Deus trata o homem com
muito mais gratuida-de que com justiça.
No jovem a graça não frutificou, em Pedro frutificou.
==> A Genealogia
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Mt 1,1-17 42 nomes |
Lc 3,23-32 77 nomes |
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Eleazar |
Levi |
Pergunta se José era filho de Jacó ou de Heli? Para responder
temos: 1º não são os evangelistas que fazem as tabelas, elas já as encontram.
Há três hipóteses para explicar:
A mais verossímel:
1) Hipótese da lei do Levirato: quando o homem morre se une à
viúva para dar-lhe filhos (Dt 25, 5-6; Rt 4,7 Levir = cunhado). A aplicação da
lei é a seguinte:
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Davi |
Davi |
Matã casa-se com Está e deste casamento nasce Jacó. Matã morre e Está casa-se
com Matat que descende de Davi por via de Natã. Deste segundo casamento nasce
Heli. Assim Jacó e Heli são irmãos. Heli morre e Jacó esposa a viúva de Heli da
qual nasce José que é esposo de Maria. Assim José é o filho real de Jacó e filho
legal pelo levirato de Heli.
Esta hipótese data do século III .C.
Há duas outras hipóteses:
2) Hipótese da genealogia de Maria (real).
O evangelista Lc teria passado pela genealogia de Maria e Mt
teria passado pela de José. Jesus é filho real de Maria e José seu pai putativo.
Lc 3, 23: "Jesus ao iniciar seu ministério com cerca de 30
anos, embora fosse tido como filho de José era na verdade filho de Heli".
Então Heli teria gerado Maria e Maria a Jesus. Mas o nome do
pai de Maria era Jo-aquim. Alguns dizem que Heli é igual a Heliaquim e este é o
mesmo que Joaquim.
Esta segunda hipótese é menos verossímil.
3) Hipótese de Adoção
José era filho de Jacó, mas foi adotado por Heli Gn 48,5-6; Ex 2, 10; Est 2,7.
· Mt 5 - 7: Sermão da Montanha
1. Interpretação moralizante
Julga que o sermão está escrito na mentalidade legalista, continua aquilo que os
rabinos impunham ao lado da Torá. Jesus teria adotado a mentalidade dos judeus.
A regra de ouro os judeus está em Mt 7,12, 50 que os judeus conheciam na
negativa: "Não faças ao outro o que não queres que façam a ti".
Crítica:
É certo que Jesus prega para judeus e fala para eles, mas
apesar disso o sermão dife-re da doutrina dos rabinos como por Ex: 5,3; 5,39 são
pensamentos que não se encontram na doutrina dos rabinos e mais: O amor aos
inimigos 5,44; a esmola, o jejum, a oração de modo diferente dos rabinos.
Antítese quando Jesus compara a lei antiga e a nova. Há 6 "diferenças" Mt
5,21-48
2. O preceito impossível - Interpretação Luterana.
Jesus exige uma moral rigorosa, é totalmente impraticável. Jesus não propôs um
pro-grama praticável; mas é impossível. Isso me torna mais consciente de que
preciso da graça de Deus; o homem deveria esperar a salvação de Deus Gl 3,19; Rm
7,7-13 isso não é mau, é bem, pois assim confio em Jesus meu Salvador.
Crítica:
O sermão não é tão impossível assim, pois fala muitas vezes com hipérbole. Jesus
também apela para o esforço do homem e não manda o homem sentar e esperar a
graça: Mt 7,13-27. A interpretação Luterana erra porque diz que o homem só pode
receber o manto de Cristo no sentido forense.
3. Ética do provérbio
O mundo está por acabar, assim pouco importa dar a face, dar a túnica... Esta
inter-pretação espera o fim do mundo logo.
Crítica:
Essa interpretação é desmentida pelo próprio Evangelho Mt 13,24-30.36-43 o
patrão manda aguardar.
São três interpretações não aceitáveis
· A verdadeira interpretação do Sermão
No sermão há hipérboles, metáforas. Além disso é uma compilação de frases de
Cristo dita em separado e o evangelista quer fazer dela magna carta de Deus. O
Sermão é o incitamento a nos aproximar da perfeição do Pai Celeste.
4) Interpretação autêntica.
Vamos desembaraçar começando por 5,20: é preciso uma justiça mais perfeita,
pe-de-se uma observância mais fiel. O ponto de partida é a justiça dos escribas
e fariseus que deve ser ultrapassada.
5,20: santidade mais perfeita.
5,21-48: são seis antíteses. Deve-se ultrapassar a justiça dos escribas.
Ultrapassar o legalismo, o formal. O ritual, o olhar, a pureza do coração.
6,1-18: ultrapassa também a justiça dos fariseus. É proposta na trilogia das
boas obras.
6,19-7,29: uma série de normas que foram do alcance dessa justiça. Essa
santidade nova afeta, ou mobiliza o homem inteiro.
5,3-19: é a 1ª parte do sermão que é a consumação: Essa santidade que afeta o
ho-mem todo se consuma nas bem-aventuranças.
O termo do sermão é hiperbólico: é ser santo como o Pai do Céu é santo. A vida
cristã é esse avançar que nunca pára. O sermão é praticável porque a vida do
cristão é sem-pre um esforço para se aproximar de Deus.